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Bibliotecas dos EUA se tornam cenário para mensagens de ódio contra muçulmanos

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Livro que analisa o Alcorão aparece com inscrições ofensivas e suástica em biblioteca de Illinois

Livro que analisa o Alcorão aparece com inscrições ofensivas e suástica em biblioteca de Illinois

 

Publicado no UOL

A onda de crimes de ódio e de xenofobia que atingiu os Estados Unidos tem agora um novo cenário: as bibliotecas, onde livros sagrados do islamismo foram vandalizados e mensagens racistas têm sido propagadas.

O caso ocorreu em Evanston, Illinois, segundo reportagem do “New York Times”, quando uma funcionária preparava um material com foco em analisar o Alcorão.

Foi então que ela viu, no livro “O Alcorão para Leigos”, a inscrição ‘mentira do começo ao fim’ ao lado de uma suástica e um xingamento sobre Maomé. Outros seis livros sobre o islamismo tinham sido vandalizados de maneira semelhante.

A biblioteca fez um boletim de ocorrência, mas ninguém foi detido. Segundo responsáveis pelo local, alguns desses livros foram emprestados há alguns meses, o que indica que o vandalismo é recente, já que os funcionários checam as publicações quando elas são retornadas. Nem todo o prédio é coberto por câmeras de vigilância.

Além do caso em Evanston, a Associação de Bibliotecas Americanas contabilizou outros três episódios de racismo, um deles no Canadá.

Na biblioteca da Universidade do Novo México, uma estudante foi atacada por um homem que tentou tirar seu hijab – ela conseguiu escapar sem se machucar; na Reed College, em Portland, mensagens de ódio e suásticas foram encontradas na biblioteca; em Toronto, uma pichação antissemita apareceu na vitrine de uma biblioteca.

“Estou chocado que temos sete ou oito exemplos desse tipo, porque nunca vimos esses crimes ocorrerem em bibliotecas. Estamos em situação cada vez mais difícil, porque as comunidades estão mais divididas do que nunca”, afirmou Julie Todaro, presidente da associação, que agora começa a investigar as ocorrências para verificar se são tendência ou casos isolados. (Com “The New York Times”)

Leitores de Harry Potter podem parar Donald Trump, diz pesquisa

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Daniel Radcliffe, intérprete de Harry Potter, em cena de Harry Potter e as Relíquias da Morte, 2010 (Divulgação/VEJA)

Daniel Radcliffe, intérprete de Harry Potter, em cena de Harry Potter e as Relíquias da Morte, 2010 (Divulgação/VEJA)

 

Um estudo da Universidade da Pensilvânia mostrou que americanos que leem Harry Potter tendem a odiar mais Trump a cada livro terminado

Publicado na Veja

A mágica parece estar a favor da democrata Hillary Clinton na corrida eleitoral americana. Segundo um estudo realizado pela Universidade da Pensilvânia, nos Estados Unidos, ler a saga do bruxo Harry Potter gera uma visão negativa acerca do republicano Donald Trump. Além disso, quanto mais livros da série de J.K. Rowling alguém lê, pior fica sua opinião sobre o magnata.

Em 2014, Diana Mutz, professora de comunicação da Universidade da Pensilvânia, realizou uma pesquisa nacional com americanos para perguntar sobre seu hábito de consumo dos livros de Harry Potter. Na ocasião, a pesquisadora analisou a opinião dos leitores sobre temas polêmicos, como casamento gay e pena de morte. Mutz decidiu continuar seu estudo neste ano para avaliar os sentimentos dos leitores em relação a Trump.

De acordo com a pesquisadora, três principais pontos das obras de Rowling se opõem às políticas do bilionário: oposição ao autoritarismo, valorização da tolerância e das diferenças e oposição à violência e punição. Outro estudo, de 2014, já mostrava que estudantes que leem os livros sobre o bruxo crescem menos preconceituosos com relação a minorias e imigrantes.

A cada livro da saga de Potter que um leitor termina, sua avaliação sobre o candidato republicano cai entre dois e três pontos, de um total de 100, segundo o estudo. “Parece pouco, mas para alguém que lê os sete livros, o impacto total em sua estima sobre Trump pode cair 18 pontos”, afirma Mutz.

A notícia agradou Rowling, que já deixou bem clara sua aversão ao republicano no passado. Em junho, a britânica publicou uma carta aberta na qual chama Trump de “fascista” e critica seu temperamento de “um segurança de balada instável”. No último final de semana, a escritora compartilhou a pesquisa em seu Twitter e comentou que o estudo “fez o seu dia”.

Como Harry Potter pode ser usado para ensinar ciência política

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Enredo central da série gira em torno de disputas de poder e hierarquia social, racismo, igualdade e tolerância

Enredo central da série gira em torno de disputas de poder e hierarquia social, racismo, igualdade e tolerância

 

Conflitos étnicos, burocracia, autoritarismo, lutas por poderes e tortura são centrais no desenvolvimento da saga

Ana Freitas, no Nexo

À primeira vista, a saga Harry Potter pode parecer um conto de fadas raso, ficção infantil das mais fantasiosas. Acompanhar a série pelos filmes, narrativas que naturalmente dispensam aspectos mais complexos presentes nos livros da série, pode reforçar essa impressão.

Mas as principais tramas da obra da escritora J.K. Rowling estão bastante conectadas com elementos políticos análogos aos do mundo contemporâneo.

Esses componentes podem ter influenciado as perspectivas e valores de parte da geração que cresceu lendo os livros e vendo os filmes da série. E também estão sendo usados para ensinar ciência política.

Por que ensinar política com Harry Potter

As aulas optativas de ciência política da Faculdade de Babson, em Massachussets, fugiram da tradição quando o professor Stephen Deets decidiu, no começo de 2009, que iria ensinar ciências políticas usando os livros de Harry Potter.

Ele descreveu a experiência em um paper publicado em setembro daquele ano, depois de um semestre ensinando no curso que ele batizou de “Harry Potter e Política”.

Para aqueles que leram a série de livros, não deve ser surpresa que o material possa ser usado para ensinar ciências políticas. O enredo central da série gira em torno de disputas de poder e hierarquia social, racismo, igualdade e tolerância.

O exemplo mais claro, que permeia toda a trama, tem a ver com a luta social pela aceitação de bruxos de sangue “não-puro”, que são os filhos de bruxos com “trouxas” (pessoas não-mágicas) e os bruxos nascidos trouxas (no universo de Harry Potter, pessoas com pais não-mágicos podem se descobrir capazes de fazer magia).

A grande meta de Voldemort, o vilão da série, é ter um mundo bruxo “limpo” daqueles que não têm puro-sangue. Nos anos em que ele toma o poder e está à frente do Ministério da Magia, o vilão persegue, interroga, tortura e mata todos aqueles que não são puro-sangue.

Argumentos do artigo

Popularidade

Harry Potter é uma das sagas mais lidas da história da literatura. Por isso, é um material que já foi absorvido por alunos de diferentes origens sociais e demográficas.

Distanciamento

Os alunos têm familiaridade com as questões e o universo bruxo. Mas a ficção fantástica permite que eles sejam capazes de analisar o material sem paixões ou o viés político que poderiam ter ao analisar questões históricas e políticas reais.

Tema

“A saga é conduzida por conflitos étnicos, disputas por poder político e burocracias disfuncionais”, explica o professor. São temas perfeitos para fomentar o debate sobre política social e institucional.

A condução do curso

O artigo descreve a experiência do professor e analisa os resultados práticos da aula para os debates e o aprendizado em ciências políticas.

Ao longo do curso, Deets selecionava trechos dos livros de Harry Potter, indicava leituras clássicas sobre teoria política, filosofia e sociologia e mencionava eventos históricos reais.

A ideia era fazer com que os alunos conectassem esses três pontos no debate semanal em sala de aula.

Outra exigência foi a leitura do livro “Harry Potter and International Relations”,de 2006, em que os autores, pesquisadores da área de política e relações internacionais, usam os aspectos políticos, econômicos e sociais do universo do bruxo para fazer um paralelo com o mundo real contemporâneo.

Nas aulas, Deets debateu identidades comunitárias e conflitos sociais usando os conceitos de sangue puro, identidade das casas de Hogwarts e a hierarquia entre criaturas mágicas.

Discutiu ainda terrorismo e contraterrorismo, tortura institucional e Guantânamo, usando elementos da saga como a prisão de Azkaban, o exército dos Comensais da Morte e os grupos de resistência à Voldemort.

Lúcio e Draco Malfoy, pai e filho, são de uma família que se orgulha de ser "puro-sangue". A postura dos Malfoy é uma alegoria para discutir racismo

Lúcio e Draco Malfoy, pai e filho, são de uma família que se orgulha de ser “puro-sangue”. A postura dos Malfoy é uma alegoria para discutir racismo

 

Além disso, as aulas também conduziram reflexões sobre mídia, manipulação social e política, com os trechos do livro que falam da repórter Rita Skeeter, do jornal “Profeta Diário” e o fanzine “O Pasquim”.

Política internacional também virou tema quando o professor questionou falta de solidariedade da comunidade bruxa internacional na luta contra Voldemort.

A conclusão de Deets foi que, embora tenha ensinado menos temas do que normalmente faria em uma aula clássica de ciências políticas, na aula “Harry Potter e Política” os alunos atingiram uma compreensão “mais profunda, mais complexa e cheia de nuances” dos tópicos debatidos.

“A cultura pop pode ser usada como dado e como ponto de partida para ensinar aspectos da cultura política. E com a linha entre entretenimento, política e mídias sociais cada vez mais desaparecendo, isso inevitavelmente se tornará um campo importante de pesquisa e uma plataforma educativa”, concluiu o professor.

Cultura pop x política

Em Harry Potter, há o mundo como o conhecemos. Por trás dele, há uma sociedade bruxa, que tem movimentações e disputas por poder político, burocracia e questões sociais muito específicas.

Ainda assim, os bruxos são humanos – e seus problemas sociais, dilemas morais e éticos e preconceitos são análogos àqueles que vivenciamos no cotidiano. A autora J.K. Rowling deixa esses paralelos bastante evidentes.

Além das alegorias narrativas que fazem referência a eventos históricos, econômicos e sociais reais, Harry Potter também fala sobre burocracia governamental e política institucional quando trata do Ministério da Magia. Fala de movimentos sociais quando cita a libertação dos elfos domésticos. E também provoca reflexão sobre os dilemas éticos e morais da tortura quando apresenta as maldições imperdoáveis (feitiços usados para torturar e matar).

Harry Potter também fala sobre movimentos sociais quando cita a libertação dos elfos domésticos. Discriminada por ser "sangue-ruim", Hermione funda o "Fundo de Apoio à Liberdade dos Elfos"

Harry Potter também fala sobre movimentos sociais quando cita a libertação dos elfos domésticos. Discriminada por ser “sangue-ruim”, Hermione funda o “Fundo de Apoio à Liberdade dos Elfos”

 

Um estudo publicado em 2014 pelo professor de ciência política Anthony Gierzynski, da Universidade de Vermont, no Canadá, sugere que os elementos políticos expostos nas páginas dos livros de Harry Potter podem ter influenciado o desenvolvimento político da geração que cresceu consumindo a saga.

“Eu encontrei suporte empírico para ideia de que Harry Potter influenciou os valores políticos e perspectivas da geração que cresceu com esses livros”, disse ele, em um artigo para o site The Conversation.

Gierzynski identificou na pesquisa que as leitura dos livros está ligada a um maior nível de tolerância de grupos sociais diferentes, além de tolerância política, menos predisposição para autoritarismo, maior apoio para igualdade e maior oposição ao uso de violência e tortura.

“Como os fãs vão perceber, esses são temas maiores que aparecem repetidamente durante a saga. E a influência aparece mesmo quando aplicamos análises estatísticas mais sofisticadas, como por exemplo o controle [estatístico] da influência dos pais”, disse.

Além disso, outro estudo, da Universidade de Ohio, aponta que a maneira como reagimos a fatos em obras de ficção é mais emocional do que como lidamos com fatos da vida real.

Gierzynski conduziu outro estudo sobre outras obras famosas da cultura pop – “Game of Thrones” e “House of Cards”. Ele mostrou que a exposição a essas obras diminui as chances de que o indivíduo acredite em Justiça, por exemplo.

Para ele, é possível que sejamos mais suscetíveis a mensagens políticas quando estamos consumindo entretenimento – justamente porque estamos com a “guarda baixa” para política.

Evidências científicas mostram que, nos EUA, a maior parte das pessoas não tem consciência do teor político das obras de ficção que leem ou assistem.

“Leitores têm dificuldade de interpretação”, diz Dimenstein ao ser chamado de xenófobo

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Gilberto Dimenstein: “o colunista não pode ter medo de críticas”
(Imagem: Divulgação/Folha)

Nathália Carvalho, no Comunique-se

A escolha de Juca Ferreira para ser secretário municipal da Cultura de São Paulo causou debate nesta semana e, ao publicar o texto “Haddad precisa importar um baiano?”, o jornalista da Folha, Gilberto Dimenstein, recebeu críticas e foi chamado de xenófobo.

Dimenstein explica que a postura de alguns internautas trata-se de dificuldade de interpretação e, ou, leitura apressada. “As pessoas não leem tudo. Isso já acontece no impresso, imagina no online. Olham apenas o título e leem o que querem, e não o que está escrito”. O colunista diz que criticou “o incômodo que brotou em parte do meio cultural paulistano pelo fato de Fernando Haddad convidar alguém de fora”.

O jornalista da Folha argumenta que o texto teve conotação positiva em relação à indicação de Ferreira. “Comentei que ser de fora pode ser até bom para a cidade. E, no caso de Juca, ainda coloquei que, por ser baiano, ele traz uma visão cultural que, talvez, possa ajudar São Paulo. E por vir de outra cidade talvez não fique refém das panelinhas culturais locais”.

As críticas à coluna foram impulsionadas, também, por um texto publicado pelo deputado federal Jean Wyllys (PSOL-RJ). Em relação à postura do parlamentar, Dimenstein afirma que “se fosse uma prova de interpretação, certamente o deputado não passaria”. “Ele é uma pessoa de com caráter e creio que não fez de má fé. Mas acredito que ele não leu a coluna até o final”, diz o colunista.

Em resposta, Wyllys disse que “é uma saída fácil de Dimenstein para não assumir que seu texto contraditório flertava, sim, com o sentimento de xenofobia mal disfarçado”. “Ainda que eu e outros tivéssemos lido apenas o título – o que não aconteceu – este, por si, já justificava todos os questionamentos. A palavra “baiano” não foi parar no título por acaso. A língua não é neutra (o jornalismo menos)”, explicou.

Dimenstein conta ser importante para os jornalistas saberem lidar com a repercussão negativa de alguma opinião. “É importante que o colunista não tenha medo de críticas e estimule o debate”. Além disso, ele afirma ser interessante passar por isso pois quando trata-se de um erro é preciso pedir desculpas, mas quando a situação é o contrário, a conversa cresce no sentido de mostrar qual é a posição do profissional. “Aprofunda o tema e ajuda as pessoas a pensarem de maneiras diferentes”, contou.

Veja abaixo os textos, em ordem cronológica, publicados por Dimenstein e pelo Deputado Jean Wyllys

Coluna de Dimenstein para Folha de S. Paulo – 10/12/2012
Haddad precisa importar um baiano?

Crítica de Jean Wyllys – 11/12/12
O “baiano” de Dimenstein

Coluna de Dimenstein para Folha de S. Paulo – 11/12/2012
Sou mesmo xenófobo?

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