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Brasileiros buscam verba para poder finalizar obra em escola na África

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Campanha tenta arrecadar R$ 20 mil até o dia 30 de junho.
Líder do projeto teve malária e febre tifoide e emagreceu 14 quilos.

Moradores de Fendell também ajudam na construção da escola que tem o bambu como principal matéria-prima (Foto: Escola de Bambu/ Divulgação)

Moradores de Fendell também ajudam na construção da escola que tem o bambu como principal matéria-prima (Foto: Escola de Bambu/ Divulgação)

Vanessa Fajardo, no G1

Dois brasileiros que estão na África desde fevereiro deste ano com a missão de construir uma escola na comunidade de Fendell, nas imediações de Monróvia, capital da Libéria, ainda precisam de R$ 20 mil para conseguir concluir as obras. O líder do projeto é o jornalista Vinicius Zanotti, de 27 anos, que durante a temporada na África contraiu malária e febre tifoide e emagreceu 14 quilos. O construtor Fabio Ivamoto Peetsaa, de 34 anos, também está no local e teve malária.

Para conseguir arrecadar a verba necessária, os ‘bambuzeiros’, grupo de 30 voluntários que trabalham no projeto, lançaram um ‘crowdfunding’, campanha na internet de mobilização. É possível doar cotas a partir de R$ 25 pelo site, clique aqui.

Se a meta de R$ 20 mil não for alcançada em até 30 de junho, os valores de quem já contribuiu serão devolvidos, será “tudo ou nada”. No total, o projeto “Escola de Bambu” já arrecadou R$ 140 mil com uma campanha que começou em 2011. Venda de produtos como camisetas, DVDs, rifas e doações espontâneas ajudaram a chegar neste montante. As obras começaram na África, enquanto a campanha continuava no Brasil, pois já era previsto que R$ 140 mil não seriam suficientes para concluir todo o projeto.

Vinicius Zanotti e Peetsaa na Libéria no vídeo para a campanha (Foto: Reprodução)

Vinicius Zanotti e Peetsaa na Libéria no vídeo para
a campanha (Foto: Reprodução)

Escola de bambu
A escola vai substituir uma unidade erguida em 2009 com paredes de ripas de bambu trançado e teto de folhas de zinco, sem energia elétrica e banheiros, que atende cerca de 300 crianças de Fendell em condições precárias.

As obras estão caminhando bem, segundo Zanotti, porém, se o grupo não conseguir arrecadar mais R$ 20 mil, algo não será concluído. “Toda a estrutura está pronta. Finalizamos o telhado do prédio um e dois. Devemos terminar o telhado do prédio três e quatro, no máximo, em uma semana. Estamos fazendo os tijolos de adobe e subindo as paredes do prédio um. Começamos nesta semana a parte hidráulica. Se não conseguirmos os R$ 20 mil, algumas coisas faltarão, mas ainda é cedo para prever o quê.” As construções precisam ser finalizadas até julho, quando começa a temporada de chuvas na região e não há mais como trabalhar nas obras.

O projeto da escola é inspirado em obras já existentes na Índia e no México. Além do bambu, matéria-prima abundante na comunidade, os construtores utilizam blocos de tijolo adobe, fabricado com cimento e terra locais. Como o local não possui energia elétrica, água encanada e coleta de esgoto, o projeto prevê soluções sustentáveis.

As paredes terão entrada de luz solar para iluminação das salas de aula e para ventilação natural e haverá sistema de captação e reuso de água da chuva. Serão criados uma fossa biogestora que transforma excrementos em adubo para as plantações e um gerador de energia feito com imãs de HD de computadores quebrados e rodas de bicicletas, projetados pelo construtor Peetsaa.

Peetsaa na extração de bambu na Libéria (Foto: Vinicius Zanotti/ Divulgação)

Peetsaa na extração de bambu na Libéria
(Foto: Vinicius Zanotti/ Divulgação)

“Em três meses de trabalho conseguimos construir bastante coisa, conseguimos ensinar a biotecnologia de construção, o tratamento do bambu, a fossa com filtro biológico de bananeira. Como a gente sabe, não se faz nada sozinho nesse mundo, a união realmente faz a força. A agora é o momento de nos juntarmos mais uma vez”, afirma Peetsaa no vídeo da campanha para captar a verba final.

A ideia

A empreitada foi iniciada em março de 2010 quando Zanotti viajou para a Libéria e realizou o sonho que tinha desde adolescente de conhecer a África. A temporada que duraria 15 dias foi prolongada por dois meses porque ele contraiu malária pela primeira vez e precisou de cuidados médicos. Neste período, o jornalista conheceu o líder liberiano Sabato Neufville, de 35 anos, fundador de uma ONG chamada “Movimento dos Jovens Unidos contra a Violência.”

Foi Sabato quem ergueu a escola de bambu em setembro de 2009 e com o próprio salário contratou os professores. Com a remuneração de US$ 800 mensais que recebe da Organização das Nações Unidas (ONU), também sustenta as nove crianças órfãs de guerra que adotou. “Sabato fazia o papel do estado. Na Libéria não existe educação gratuita, até as escolas públicas são pagas. Quando entrei na escola pela primeira vez e vi as crianças sentadinhas tendo aula naquele espaço, surgiu o estalo de fazer algo”, diz Zanotti.

Interessado e sempre envolvido em causas sociais, o jornalista se sensibilizou com a situação da escola e com o trabalho de Sabato e decidiu gravar um documentário para embasar a campanha de arrecadação de fundos e dar melhores condições e perspectiva de vida à comunidade.

Garoto da comunidade de Fendell que vai ser beneficiado pela nova escola (Foto: Vinicius Zanotti/ Divulgação)

Garoto da comunidade de Fendell que vai ser beneficiado pela nova escola (Foto: Vinicius Zanotti/ Divulgação)

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Produção de tijolos de adobe; meta é chegar na marca de 7.500 unidades (Foto: Vinicius Zanotti/ Divulgação)

Brasileiros reúnem doações para construir escola de bambu na Libéria; projeto custa R$ 200 mil

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O projeto “Escola de Bambu”, estimado em R$ 200 mil, pretende construir uma escola que tenha energia elétrica, saneamento básico e o material pedagógico necessário nas salas de aula para o ensino de 300 crianças liberianas. Para isso, um grupo de brasileiros busca doações

Mariana Monzani, no UOL

O objetivo é ousado: construir uma escola de bambu com doações públicas para atender 300 crianças na Libéria, país devastado pela guerra civil. A meta foi estabelecida por um grupo de mais de 30 brasileiros que se interessaram pelo projeto tocado pelo liberiano Sabato Neufville, que mantém uma escola gratuita no país.

No sistema educacional liberiano, mesmo as escolas públicas são pagas. Um semestre de ensino custa de U$ 50 a U$ 200, o que torna inviável a educação de crianças pobres.

Como prestador de serviços da missão da ONU (Organização das Nações Unidas) na Libéria, Neufville, 34, recebe por mês US$ 800. Parte do seu salário é destinada a 16 professores que dão aulas em uma escola com ensino gratuito na comunidade de Fendell.

A história foi descoberta pelo jornalista Vinícius Zanotti, 27, durante uma viagem pelo oeste da África. De volta ao Brasil, Vinícius reuniu um grupo de brasileiros para tocar o projeto, “os bambuzeiros”.

São arquitetos, designers, médicos, farmacêuticos, publicitários e advogados. Todos em busca de recursos para construir uma escola que tenha energia elétrica, saneamento básico e o material pedagógico necessário nas salas de aula para o ensino de 300 crianças liberianas.

Para isso, precisam de R$ 200 mil. Até o momento conseguiram R$ 45 mil através de doações para o site, que também traz a prestação de contas do projeto “Escola de Bambu”.

Libéria

“Muito mais que a construção da escola é a possibilidade de compartilhar a tecnologia. Na Libéria não existe rede de distribuição de energia e apenas 17% da população tem banheiros. Por isso, avaliamos que esta transferência será uma semente para um futuro mais próspero ao país”, diz Zanotti.

A “terra da liberdade”, como é conhecido o país, ocupa a 6ª pior posição do IDH (Índice de Desenvolvimento Humano) mundial. Ali poucas pessoas têm acesso à energia elétrica, provida por geradores abastecidos por gasolina.

Segundo a Unicef (Fundo das Nações Unidas para a Infância), no período de 2005 a 2010, das crianças liberianas com idade escolar primária, apenas 32% dos meninos e 28% das meninas frequentavam a escola. Na educação secundária, o índice é ainda pior: apenas 14% das crianças nesta idade escolar tinham acesso à educação.

Escola de Bambu

O projeto da escola, feito por André Dal’bó, arquiteto, prevê o uso de técnicas construtivas já utilizadas no cotidiano dos liberianos de Fendell, a partir do uso do bambu e da terra, materiais de fácil acesso na região, baixo custo e renováveis.

“O uso do bambu como elemento estrutural se justifica pelo seu grande potencial construtivo, baixo impacto na natureza e disponibilidade de manejo local livre de custos”, afirma Dal’bó.

O projeto está na fase de captação de recursos e após alcançar o financiamento necessário, a escola será construída. “Vamos em janeiro com o que temos arrecadado. Se não for possível construir o mesmo prédio, poderemos mudar o desenho. Além de reduzir a segurança e conforto de nossa equipe. Tudo será resolvido por lá, quando chegarmos”, explica o jornalista.

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