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Anúncio no RS: Parecia declaração de amor, mas era trabalho da faculdade

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Anúncio de venda de anel que viralizou no Facebook era um trabalho de faculdade

Anúncio de venda de anel que viralizou no Facebook era um trabalho de faculdade

Lucas Azevedo, no UOL

“Ela disse não” — e´esse o título de um classificado curioso que foi publicado na edição impressa do jornal gaúcho Zero Hora na manhã da última quinta-feira (17). Com um “textão”, o anunciante de Porto Alegre (RS) colocava à venda um anel de ouro 18K.

Segundo o autor do anúncio, a anel era o que havia restado do pedido de casamento que ele descreve com riqueza de detalhes.

O próprio jornal compartilhou uma foto do anúncio em suas redes sociais e a história viralizou no Facebook. Ao final da quinta-feira, os jornalistas do Zero Hora publicaram a “real história”: não era o triste relato de uma desilusão amorosa, mas um trabalho de faculdade.

O autor é o mestrando em Letras da PUCRS (Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul) Samir Arrage. E a publicação, um experimento para a disciplina de literatura comparada, do mestrado em escrita criativa.

Até a manhã desta sexta (17), mais de 800 e-mails enchiam a caixa do e-mail divulgado para entrar em contato com o dono do anel.

ela disse não

Bem casado e com filho a caminho

“Tive a ideia de veicular esse miniconto de ficção, que nada tem a ver com minha história pessoal, como forma de experimentar a literatura invadindo outros espaços [o da publicidade em jornal]”, conta Arrage.

Samir é “bem casado”, e sua mulher está grávida do primeiro filho do casal.

“Desenvolvi um trabalho em que escrevi pequenos contos e, um deles, fiz tragicômico, parodiando a linguagem de um anúncio de classificados”, explica o publicitário, que não esperava tamanha repercussão com a iniciativa.

Das correspondências recebidas, muitas pessoas se interessaram pelo negócio e solicitam mais informações sobre o anel à venda, outros se compadecem pelo sofrimento do personagem.
‘Tu merece coisa melhor’

“A maioria dos e-mails é em um tom de ‘ah, tu merece coisa melhor, bola pra frente’. Muita gente consolando”, conta o publicitário. Ele conta que algumas mensagens pareciam paquera, elas sugeriam: “vamos conversar mais…”

“Não foi pensado nem proposital. Esperava receber meia dúzia de e-mails e anexar no final do trabalho da faculdade”, diz.”Até brinquei que nunca mais algo que eu escrever vai ter tanta gente lendo.”

Veja o texto na íntegra:

ELA DISSE NÃO

VENDE-SE anel de ouro 18k c/ brilhante, s/ uso, única (possível) dona declinou. Acendi velas, forrei o piso c/ pétalas (vermelho metálico) preparei talharim à carbonara (receita copiada da internet). Operei o saca-rolhas, servi 2 taças com malbec (argentino). Jazz (instrumental/americano) ao fundo. Antes da sobremesa: encostei joelho (direito) no piso soterrado por flores. Destampei o casulo aveludado. Proposta feita. Ao que parece, oportunidade única, p/ ela, nunca foi. Lacrimejou/berrou/culpou a rotina (1 clichê). C/ apenas 8 meses de uso, fui substituído por 1 rapazote 0km. 1 estagiário de Direito, 23 anos (revisado em rede social). Colega de trabalho, mais potência, 6 gomos no abdômen. Em péssimo estado, busco, ao menos, recompensa financeira. Voltei a fumar (clichê, 2). Bem que mamãe (falecida, 3 anos) sempre avisava: as coisas do coração não têm pisca-pisca. Enfim, negocia-se. Aceitamos ofertas/trocas/ombro amigo e histórias a combinar c/ essa. Envie p/: [email protected]

Novas tecnologias de difusão pedem uma ficção mais afinada com o caos urbano

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Em artigo, o escritor Marcelo Benvenutti fala sobre a proposta de transcendência da literatura pop

Publicado no Zero Hora

Antigamente a rádio propagava música para milhões pelo preço de algumas pilhas, enquanto a literatura fazia com que o leitor tivesse que procurar o livro. O livro tinha que ser impresso. Distribuído. Vendido. Hoje a distribuição literária está numa velocidade cada vez maior. Criam-se quebras de protocolos rígidos que foram impostos por séculos de preconceitos. A literatura não é para qualquer um, diria um escritor de então. Assim também diziam os músicos eruditos ao ouvirem brancos que piravam no jazz, negros que pululavam no blues rural ou enclausurados intelectuais ao escutar populares em uma roda de samba. A música era restrita a poucos até surgirem aparelhos que a reproduzissem para as massas. Escravos que colhiam algodão puderam propagar seus lamentos para lugares que jamais imaginariam terem suas músicas ouvidas. Quando a distribuição se alterou, o que antes nem se sabia que existia, agora era música. Com a literatura não seria, e nem será, diferente.

Literatura é tudo aquilo que, ao se propagar, é lido como ficção e aceito pelo público. A propagação em massa nos traz o potencialmente bom e o potencialmente péssimo, mas nos dá o direito de escolha. Não deixem que outros escolham o que vocês devem ler ou escrever. Nós, escritores urbanos da América Latina, devemos tentar ao máximo escapar de associações históricas e localistas com que críticos (se é que eles ainda existem) nos analisam. Obviamente que a América do Sul ainda é maculada pelo fantasma da literatura fantástica. Julio Cortázar, por exemplo, escreveu histórias com situações absurdas, das melhores, mas também escreveu ótimos contos que se passam em Paris e Buenos Aires e em nada se enquadram nos estereótipos da crítica. São histórias urbanas. Histórias de pessoas comuns. Que amam. Brigam. Trabalham. Bebem. Que vivem. Só que o resenhista lembrará apenas de suas histórias fantásticas em que homens repetem números ou criaturas coabitam em um universo paralelo. Cortázar também é pop.

Sua história, caro escritor, pode ser sobre a imensa vontade de uma mulher que quer voar ou que chova Cadillacs azuis em uma cidade. Controle-se. Não deixe que o fantástico entranhe em você e o resenhista, preguiçoso e mal pago, acabe com sua carreira, jogando-a no limbo da literatura latino-americana. É muito fácil ele fazer isto. Você não precisa viver em Nova York, Londres ou Barcelona para ter histórias para contar. Seja em São Paulo, Cuiabá ou Garanhuns, vivemos em uma sociedade urbana. Deixe os romances históricos para os roteiristas da Globo. Estabeleça uma nova ordem. Todo romance é histórico? Claro que é! Se eu escrevo agora uma história que se passa em Porto Alegre com linguagem atual, pessoas e situações urbanas da capital, é um romance histórico? Ainda não é. Mas se sobreviver aos bits e bytes, no futuro será.

Existem escritores que só consideram alguém escritor se tiver lançado um romance. A literatura pop contesta. O pop se propõe a transcender, se apropria da transcendência que já acontece, os conceitos estanques e paradigmáticos do contemporâneo. Você é um escritor quando se propõe a criar uma história fictícia, baseada em fatos, reais ou não, acontecimentos plausíveis, impossíveis ou inexistentes. Você criou um universo através das letras. Como um compositor ou um pintor criou um mundo próprio. Somente com a imaginação. Quem coordena tudo ainda é a imaginação. Não se deixe cair nos guetos. A literatura fantástica ou o romance histórico são alguns deles. Quem é esse sujeito falando de pop se eu nem sei quem ele é? Mas aí é que está! Para ser pop não é necessário ser conhecido. Basta estar inserido na cultura pop. Conhecido já entra em outra classificação: a dos famosos. Famosos não fazem literatura. A literatura se faz deles. São elementos passivos. A literatura é pop. O autor, não.

A literatura submersa nas relações doentias da sociedade virtual, perdida entre verdades, mentiras e jogos irreais, se apruma em meio à confusão das redes sociais. Um post no Facebook pode ser tão literário quanto um romance. Basta fazer-se crível em meio à balbúrdia de sentimentos exarcebados por trás do teclado. O texto virtual é, muitas vezes, mais literário que a própria literatura. No momento em que alguém se mete atrás de um avatar, mera representação do seu eu verdadeiro, transforma-se em personagem de si mesmo. O personagem, muitas vezes confuso, uma persona diferente do original, joga o escritor-leitor-ator em meio a outros tantos personagens a interagirem no Twitter, Facebook ou qualquer outro aplicativo que venha a ser apresentado em um futuro próximo. Os escritores-atores de suas próprias histórias se movimentam nas ruas, tiram fotos, contam o que acontece em suas vidas, o que comem, bebem, com quem conversaram, quem beijaram, suas aventuras e desejos. Emitem opiniões e discutem, confundindo realidade com o que se passa nas suas cabeças. Distúrbios da vida real. A fragmentação desse mundo, entrecortado, nervoso, cut-up de cenas, memórias coletivas e textos curtos, se reflete na literatura, em sua caminhada rumo ao pop.

Por que a literatura deve ser pop? Porque não existe outro caminho. No return! O caminho linear nos leva ao começo. É um círculo. A fragmentação funciona como a maré. Tudo é jogado ao mar e tudo retorna. A literatura pasmacenta, ensimesmada na técnica das academias, retorna ao seu próprio umbigo, fugindo da interação e se tornando instrumento do autor. O pop, que se expande e se joga em meio ao calhamaço de informações e bobagens da internet, entranha-se e se alimenta da sociedade, virtual e real. A literatura pop é uma revista de papel barato num banco de rodoviária. É o punk, o beat, a libertação ressuscitada em mentes conectadas. O imaginário do autor está lá. As características do escritor que se interpõe e propõe o texto. Aquele que não se esquiva do combate e do debate. Textos espaçados por sites e redes se formam com o tempo na mente do leitor-personagem. O próprio leitor, inserido na internet, se torna leitor e ator da história, sendo incompatível separar vida e obra. O que diferencia um agente ativo de um passivo na literatura pop é a proposição. E aquele que dá a partida, corta em um lugar para colar em outro, assume a autoria de uma obra coletiva significada por sua personalidade. Seu texto, que faz a sinapse entre links e mentes, cria o imaginário em sua base: a mente humana individual. É quando retrato, reflexo e personagem se confundem em seu próprio tempo. Não se assuste com as palavras que vierem dos “entendidos”. Serão apenas palavras de quem quer criar um mundo próprio de mentiras e regras. Não existem regras. Quer dizer, existem. Mas não as respeite. Isso é o pop.

Marcelo Benvenutti é escritor, autor, entre outros, dos livros de contos Vidas Cegas (2002) e Arquivo Morto (2009)

Ariano Suassuna passa bem depois de sofrer aneurisma cerebral

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O diagnóstico é do Real Hospital Português, no Recife, onde o escritor está desde quinta-feira

Publicado no Zero Hora

Ariano Suassuna passa bem depois de sofrer aneurisma cerebral Julio Cavalheiro/Agencia RBS

Apesar da melhora do quadro, dramaturgo paraibano não terá alta Foto: Julio Cavalheiro / Agencia RBS

Ariano Suassuna passa bem e está consciente após sofrer aneurisma cerebral. O diagnóstico é do Real Hospital Português, no Recife, onde o escritor está internado desde quinta-feira. Apesar da melhora do quadro, Suassuna ainda não terá alta.

Segundo informações da Agência Brasil, o aneurisma foi detectado no sábado em exame de arteriografia cerebral e já foi tratado.

Esta foi a segunda vez em um mês em que o autor de Auto da Compadecida foi hospitalizado. No último dia 21, o dramaturgo sofreu um infarto de pequenas proporções e ficou até o dia 27 no mesmo hospital em que voltou a ser internado.

Com apenas 26% de leitores plenos, país precisa “correr atrás” da formação de mediadores, diz representante do MinC

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Em Passo Fundo, secretário executivo do Plano Nacional do Livro e Leitura (PNLL) José Castilho Marques Neto reconheceu que o orçamento para eventos culturais é limitado

Fernanda da Costa, no Zero Hora

Com apenas 26% de leitores plenos, país precisa "correr atrás" da formação de mediadores, diz representante do MinC Diogo Zanatta/Especial

José Castilho Marques Neto fala sobre as prioridades do Ministério da Cultura Foto: Diogo Zanatta / Especial

Formar pessoas é a principal prioridade do Ministério da Cultura, conforme o secretário executivo do Plano Nacional do Livro e Leitura (PNLL) José Castilho Marques Neto. Em Passo Fundo para a abertura da 15ª Jornada Nacional de Literatura, ele também reconheceu que o orçamento federal para realização de eventos culturais ainda é limitado.

Em entrevista coletiva nesta terça-feira, o secretário afirmou que, atualmente, apenas 26% dos alfabetizados no Brasil são leitores plenos, aqueles capazes de compreender o conteúdo dos textos. Por isso, segundo ele, é prioridade máxima do MinC “correr atrás” de políticas públicas que auxiliem no aumento da porcentagem. Entre elas, a principal seria a formação de pessoas:

— Há muito orçamento para compra de livros, mas existe pouquíssima verba para formar pessoas.

O MinC quer incentivar o desenvolvimento de mediadores de leituras, que segundo Castilho parte das universidades.

— É preciso que as universidades se engajem na formação de mediadores de leitura. Os professores que trabalham com a educação básica saíram de uma universidade. É um clico — afirma.

Com apoio dos mediadores, a meta estabelecida pelo MinC é de aumentar, até 2020, a média atual de leitura de 1,3 livros por ano para quatro livros anuais.

Embora a curto prazo os esforços do órgão estejam voltados à democratização da leitura, há um desejo, a longo prazo, de “institucionalização das políticas de leitura”, nas palavras de Castilho.

— Não podemos mais ter políticas episódicas para o livro e a leitura, onde avançamos de um lado e retrocedemos de outro — relata.

Orçamento para eventos culturais é limitado

Este ano, a organização da Jornada Nacional de Literatura esbarrou em dificuldades para captar recursos, uma realidade da maioria dos eventos culturais no país. Castilho admitiu que, apesar dos esforços do governo federal em apoiar o setor, a dificuldade persiste:

— É notório que o orçamento do Ministério da Cultura não é suficiente para o conjunto das atividades necessárias para o desenvolvimento da cultura no país — admitiu.

A perspectiva do órgão, conforme o secretário, é que estes eventos possam ser cada vez mais compartilhados com setor privado.

Falta de leitura prejudica economia

O secretário ainda explicou que há um trabalho no MinC voltado à investigação do impacto da falta de leitura na economia do país. Segundo ele, o órgão buscará saber, por meio de uma pesquisa, quanto as empresas perdem com a “não leitura”, que prejudica a comunicação e o crescimento das instituições.

— Queremos que os governos e a sociedade civil entendam que o incentivo à leitura aquecerá a economia. O Brasil precisa da leitura muito mais do que a leitura precisa do Brasil _ completa o secretário.

Jornada Nacional de Literatura de Passo Fundo (RS) começa nesta terça-feira

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Com o tema “Leituras Jovens do Mundo”, debates devem incluir assuntos como sexualidade e afeto, relações de trabalho, autonomia e consumo

Foto: Diogo Zanatta / Especial

Foto: Diogo Zanatta / Especial

Publicado por Zero Hora

A 15ª Jornada Nacional de Literatura de Passo Fundo começa nesta terça-feira em um novo espaço – sai a tradicional lona do circo, entra um pavilhão desmontável – e com a expectativa para a revelação do vencedor do Prêmio Passo Fundo Zaffari & Bourbon de Literatura, que será anunciado à noite.

O tema geral deste ano é Leituras Jovens do Mundo, e os debates devem incluir assuntos como sexualidade e afeto, relações de trabalho, autonomia e consumo.

— A jornada é a continuação de um movimento cultural que tem 32 anos. Não é só um evento que ocorre de dois em dois anos. Tem desdobramentos que acontecem durante todo o ano, como o Livro do Mês, o programa de televisão Mundo da Leitura, o Centro de Referência de Literatura e Multimeios e muitas outras programações — destaca a coordenadora do evento, Tânia Rösing.

Uma das novidades deste ano será a realização de um Encontro Internacional de Bibliotecários e Mediadores de Leitura. Convidados da Colômbia, Chile, Argentina, Portugal e Brasil irão debater as novas possibilidades de integração entre a biblioteca e a comunidade. Outras programações paralelas à Jornada são a Jornadinha, voltada para crianças, o Encontro Estadual de Escritores e o Festival de Gastronomia Páginas Saborosas. Para atrair o público de 14 a 25 anos, alunos do EJA e de escolas públicas, foi criada a programação noturna da JorNight, que já está na segunda edição.

— Estamos trazendo escritores que não estão na pauta do Rio Grande do Sul, como André Vianco, Raphael Draccon e Bruna Beber. Isso isso faz com que os contatos fiquem mais próximos e esses autores comecem a aparecer em outros eventos — diz Tânia, referindo-se aos escritores que participam da JorNight.

A coordenadora assinala que o modelo da Jornada tem sido copiado por outros países da América Latina e da Europa. Por isso, o desejo de incentivar a leitura e ampliar ainda mais o número de participantes do evento, apesar das dificuldades crescentes para encontrar apoiadores e patrocinadores.

Todo o empenho da Jornada se reflete positivamente na região. Passo Fundo tem o maior índice de leitura do país, comprovado pela pesquisa Retratos da Leitura no Brasil, da Câmara Brasileira do Livro. São 6,5 livros por habitante ao ano, média muito acima da nacional, que é de 1,8. Além disso, a cidade recebeu o título de Capital Nacional da Literatura, sancionado por lei de janeiro de 2006.

Entre os debatedores convidados, estão os escritores José Castello e Marcelino Freire e o músico Emicida.

dica do Jarbas Aragão

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