Um Ano Inesquecível

Laurentino e seu caminho de volta para casa

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Ana Claudia Guimarães, na coluna de Ancelmo Gois

Laurentino Gomes, o escritor | Divulgação

Laurentino Gomes, o escritor | Divulgação

Laurentino Gomes, paranaense de Maringá, 59 anos, lança, na Bienal do Livro, agora em setembro, uma obra que foge completamente dos temas históricos que fizeram dele um autor de best-sellers como “1808”, no qual fala sobre a chegada da Corte portuguesa ao Brasil. Em “O caminho do peregrino”, Laurentino narra, em parceria com seu mestre espiritual, o pastor Osmar Ludovico, uma viagem que fez à Terra Santa com um grupo de brasileiros. Escreveu o livro “meio sem querer”, como ele mesmo diz: “A obra foi brotando na cabeça, com toda a estrutura.”

Católico de formação, de família conservadora, ele se afastou, durante décadas, de práticas religiosas. Mas, por “caminhos misteriosos”, segundo ele, está “voltando para casa”.

Aqui, o coleguinha Laurentino bate um papo com Ana Cláudia Guimarães, da turma da coluna.

Foi a primeira vez que você fez uma peregrinação?
Não. Antes, eu já tinha tido duas experiências. Uma delas em Roma, no dia em que os papas João XXIII e João Paulo II foram canonizados. Também fiz o Caminho de Santiago de Compostela, completamente por acaso. A data de um lançamento de um livro meu na Espanha foi adiada e me ofereceram a viagem.

Como foi sua parceria com Osmar Ludovico?
Osmar é um mentor espiritual cristão. É o meu líder espiritual. Ele faz meditações de trechos das escrituras. Quando surgiu a possibilidade de fazer um livro com Osmar, contando a minha experiência, fiquei meio amedrontado. Tive medo da reação das pessoas. Mas, depois, comecei a sonhar com o livro, e tudo ficou claro em minha cabeça. Foi uma alegria.

A capa do novo livro de Laurentino | Reprodução

A capa do novo livro de Laurentino | Reprodução

De que fala “O caminho do peregrino”?

É um livro que também mistura o meu trabalho como pesquisador. Fizemos observações da arqueologia de Israel, do Império Romano. Falamos sobre como era Israel no tempo de Jesus, sobre a geografia da Terra Santa, um simbolismo espiritual. O interessante é que não é possível se comprovar cientificamente algo que brota do coração das pessoas.

Qual é o resultado dessa peregrinação para você?
O peregrino é diferente do turista. O turista olha para fora, mobilizado pela paisagem, quer consumir o que vê. O peregrino olha para dentro, para ter uma revelação que está escondida em seu coração, um silêncio. O livro não tem como propósito ser um relato de viagem. É uma crônica de uma peregrinação. Como disse Leonardo Boff para mim, uma vez, descobri que Deus é mais para ser sentido do que para ser pensado. É uma dimensão inexplicável, misteriosa. Fui redescobrindo um significado escondido na minha infância. Eu seguia os meus pais, mas não entendia. Agora, tocou o meu coração. Não dá para explicar com palavras. É uma volta para casa.

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Bienal reúne jovens leitores que impulsionam o mercado

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Jovem leitor na Livraria da Cultura (Foto: Felipe Fittipaldi)

Jovem leitor na Livraria da Cultura (Foto: Felipe Fittipaldi)

Fãs de livros com idades entre 14 e 24 anos influenciam os lançamentos de títulos e autores e criam best-sellers instantâneos

Sofia Cerqueira, na Veja Rio

Maior evento literário do país, a Bienal do Livro do Rio passou por mudanças drásticas para sua próxima edição, que começa na quinta (3). A área de exibição teve um aumento de 55 000 para 80 000 metros quadrados, em comparação com a do evento de 2013, e novidades foram incorporadas, como um jardim com mesas de piquenique, esteiras para leitura e um pátio de food trucks. Outra inovação é uma central para distribuição de senhas para as sessões de autógrafos dos autores mais requisitados e espaço suficiente para acomodar filas com até 1 200 pessoas. Para quem não dispensa o registro da visita nas redes sociais, haverá um imenso painel onde será possível tirar selfies para postar no Facebook e no Instagram. O motivo de tantas transformações é agradar a um público bastante específico, que tem feito a festa das editoras no mercado brasileiro de livros: os jovens leitores. Trata-­se de uma legião de aficionados com idade entre 14 e 24 anos, ávidos por novidades e fanáticos por seus autores favoritos. Na edição anterior, os organizadores do evento se surpreenderam com a devoção dessa turma. Um de seus autores prediletos, o americano Nicholas Sparks, que escreveu Diário de uma Paixão, passou oito horas autografando livros. Ainda assim, cerca de 2 000 fãs ficaram do lado de fora da sessão. “Tivemos de nos render a essa nova demanda. Vivemos uma invasão jovem”, diz Marcos Pereira, sócio da editora Sextante e presidente do Sindicato Nacional dos Editores de Livros (Snel), entidade responsável pela mostra.

Natalia Leal, de 17 anos: fã das distopias e leitura de até dez livros por mês (Foto: Felipe Fittipaldi)

Natalia Leal, de 17 anos: fã das distopias e leitura de até dez livros por mês (Foto: Felipe Fittipaldi)

A relevância dessa onda juvenil de leitores é confirmada em números. Um estudo da Fundação Instituto de Pesquisas Econômicas (Fipe) em parceria com o Snel mostrou que em 2014, no que se refere à quantidade de exemplares produzidos no mercado nacional, os números da literatura infantojuvenil superaram os da literatura adulta: 57,3 milhões contra 48,4 milhões, respectivamente. E uma rápida análise da lista de mais vendidos de VEJA comprova o poder desse segmento. Só na categoria ficção, sete dos dez líderes do ranking têm esse público como alvo. Um reflexo da consistência do fenômeno é a própria Bienal carioca. Se na edição de 2007 apenas 24% dos visitantes estavam na faixa etária dos 14 aos 24 anos, na edição passada o porcentual foi de 44%. “Chegamos a criar áreas e programação específicas para jovens antes, mas fomos deixando a proposta de lado, uma vez que eles simplesmente não frequentavam esses espaços. A história hoje é outra”, atesta Tatiana Zaccaro, diretora da Fagga, que organiza a feira com o Sindicato dos Editores.

Maria Eduarda Oliveira, de 14 anos: biblioteca de 200 livros e viagem a Los Angeles com autora favorita (Foto: Felipe Fittipaldi)

Maria Eduarda Oliveira, de 14 anos: biblioteca de 200 livros e viagem a Los Angeles com autora favorita (Foto: Felipe Fittipaldi)

Dos 27 convidados estrangeiros da edição atual, treze escrevem para esse público. Entre os destaques internacionais estarão Colleen Hoover (autora de Hopeless), Sophie Kinsella (da série Os Delírios de Consumo de Becky Bloom) e o britânico Joseph Delaney (As Aventuras do Caça-Feitiço). Fã de romances e de literatura fantástica, a estudante Natalia Leal, de 17 anos, já planeja uma maratona de tietagem no Riocentro, que visitará em seis dos dez dias de Bienal. “Adoro ler. Cheguei a devorar dez livros em um mês. O autógrafo de um autor que eu aprecie faz muito mais sentido para mim do que o de um ator famoso”, diz a jovem, que estará nas filas de assinatura de Leigh Bardugo e Sophie Kinsella. Estudante de letras, Mariana Bittencourt, de 18 anos, pretende sair de casa, no Catumbi, às 5 da manhã rumo a Jacarepaguá em todos os dias do evento. “Quero ser uma das primeiras a entrar. Já fiz loucuras para ver os autores de perto”, conta. Há pouco mais de um mês, ela passou quinze horas na porta do Cine Odeon atrás de um garrancho do escritor John Green, em visita ao Rio para o lançamento do filme Cidades de Papel, baseado em seu livro homônimo.

Mariana Bittencourt: quinze horas de plantão para conseguir um autógrafo de John Green (Foto: Felipe Fittipaldi)

Mariana Bittencourt: quinze horas de plantão para conseguir um autógrafo de John Green (Foto: Felipe Fittipaldi)

O movimento que se observa no Brasil não é um fato isolado, mas parte de um contexto global. Trata-se de um fenômeno que eclodiu com obras como a saga Crepúsculo, dos vampiros e lobisomens adolescentes criados por Stephanie Meyer, que registrou mais de 120 milhões de exemplares vendidos mundo afora, e se mantém por meio de outros lançamentos que repetem aqui sua trajetória bem-­sucedida no exterior. É o caso da série Diário de um Banana: essa coleção de nove livros, que conta as desventuras de um garoto que é humilhado pelos colegas na escola, vendeu 5 milhões de exemplares no mercado nacional, apenas 500 000 a menos do que nos Estados Unidos. É no embalo de tal performance que o autor, o americano Jeff Kinney, de 44 anos, desembarca na cidade pela segunda vez (a primeira foi em 2013, para o lançamento do sétimo livro da coleção). “A vendagem alcançada no Brasil foi uma surpresa. Acredito que a Bienal será um marco na minha carreira”, comenta ele, bem informado sobre o frisson que costuma envolver os encontros de autores com os fãs no Riocentro. (mais…)

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Educação mundial para meninas será avaliada por novo índice anual

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Cerca de 62 milhões de meninas estão fora da escola no mundo inteiro

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Publicado em O Globo

Um grupo criado pela ganhadora do Prêmio Nobel da Paz Malala Yousafzai e pela revista “Foreign Policy” está lançando um índice anual para avaliar a disponibilidade e a qualidade da educação para meninas ao redor do mundo, anunciaram os organizadores nesta segunda-feira.

O índice vai compilar dados para destacar as lacunas na educação secundária, assim como nos recursos doados por financiadores, afirmou a revista em comunicado.

“Este novo índice é um ‘cartão de dados’ para os nossos líderes, um passo importante em direção a ajudar a garantir que as minhas irmãs em todos os lugares possam ter uma educação secundária de qualidade, segura e livre”, disse Malala, de 18 anos, em comunicado.

Malala foi baleado na cabeça no Paquistão em 2012 pelo Taliban por defender os direitos das meninas à educação.

Cerca de 62 milhões de meninas estão fora da escola no mundo inteiro e têm enfrentado violência para tentar ir à escola em 70 países, de acordo com o Fundo Malala, que ela criou com o pai para incentivar a educação para garotas.

O índice anual usará dados de organizações não governamentais, instituições educacionais, governos nacionais e outros grupos, afirmou a revista com sede em Washington, sem dizer quando o primeiro índice será publicado.

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Pré-escola é importante, mas faltam vagas na rede pública

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Maria Torkania, em UOL

O Centro de Educação Infantil (CEI) do Núcleo Bandeirante tem um espaço que reúne jogos, brinquedos e até uma arara com fantasias para ajudar as crianças a ser quem quiserem. Na sexta-feira (28), Carlos Eduardo, de 5 anos, escolheu ser o Batman.

Localizada no Núcleo Bandeirante, região administrativa do Distrito Federal (DF) a cerca de 13 quilômetros de Brasília, a escola atende crianças de 4 e 5 anos em dois turnos. A proposta do CEI é que, em um ambiente de brincadeiras, os alunos desenvolvam a linguagem oral e a corporal, a matemática, a socialização e outras competências.

“Muitas vezes, o pai pergunta se a criança vai sair daqui lendo. Não é esse o foco da educação infantil. Tem criança que sai daqui lendo e escrevendo, mas nosso objetivo é trabalhar a socialização, a questão dos valores, da escuta sensível aos alunos. Nosso projeto é: Criança não é gente grande”, diz a diretora da escola, Ana Paula Gomes.

A professora Rebeca Breder afirma que o impacto da educação infantil é percebido principalmente na autonomia dos alunos. “As crianças saem percebendo os direitos e deveres que têm e sabendo respeitar os demais. Essa parte social é a mais importante.”

No entanto, a oferta de vagas no ensino infantil fica aquém da demanda em todo o país. No Núcleo Bandeirante, o CEI recebe também crianças de quatro áreas próximas. “Todos os dias tem uma pessoa solicitando vaga. Precisamos de mais escolas”, afirma Ana Paula.

A pré-escola, voltada para crianças de 4 e 5 anos passará a ser obrigatória no ano que vem e o Brasil terá que atender a todas as crianças que estão fora da escola. Ao todo são 790 mil. No Distrito Federal (DF), são 18,5 mil sem vaga, que equivalem a 23,4% do total da população nessa faixa etária.

Doméstica busca vaga para caçula

A doméstica Adelina Gomes da Silva sabe o que é não conseguir uma vaga. O filho mais novo, João Pedro, hoje com 5 anos, passou o ano passado inteiro sem estudar, porque as escolas não tinham vaga. Este ano, João está em uma escola particular, graças à ajuda da chefe de Adelina.

Adelina, que trabalha em turno integral quatro vezes por semana, diz que tem que pagar alguém para ficar com o filho na parte da manhã, já que ele estuda apenas à tarde. “Se ele passasse o dia na escola, seria bem melhor, me ajudaria muito”, diz a doméstica. “Para o próximo ano, vou correr atrás de novo. Pesa muito pagar uma particular.”

Ela mora em Planaltina, a 43 quilômetros de Brasília. Na região, está a maior demanda no primeiro período, para crianças com 4 anos – cerca de 1,5 mil nesta faixa etária não foram atendidas na rede pública ou conveniada este ano, informa a Secretaria de Estado de Educação do Distrito Federal.

De acordo com o subsecretário de Planejamento, Acompanhamento e Avaliação Educacional da Secretaria de Educação, Fábio Pereira de Sousa, o governo do Distrito Federal pretende, até o final de 2016, universalizar o acesso à pré-escola. “Vamos implantar novas turmas em escolas que estão com salas ociosas e ampliar parcerias com entidades filantrópicas e conveniadas”, adianta Sousa.

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Estudantes se mobilizam para ajudar morador de rua a cursar o último ano de Direito

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Publicado no Catraca Livre

Por conta de um post no Facebook, a vida de Laedison dos Santos pode se transformar. Laedison é morador de rua em São Paulo e passa os dias em um barraca de camping embaixo do Viaduto de Chá, na região central da cidade. Na semana passada, três estudantes que preferem não se identificar no momento, tiveram um encontro ao acaso com Laedison, que lhes contou sua história.

“Sim, ele é negro, e não, ele não rouba, ele não usa drogas e não me parou pra pedir esmola”, assim começa o relato. Com sua Carteira de Trabalho e o documento de sua matrícula na faculdade, ele comprovou que é bolsista integral e cursa o último ano de Direito na UNIESP (União das Instituições de Ensino de São Paulo).

Mas Laedison perdeu os livros – apreendidos por fiscais encarregados de recolher mercadorias de camelôs, segundo a descrição – e não tinha nenhum terno, roupa essencial para os profissionais da área. “Eu tenho vergonha de entrar na faculdade vestido assim”, confessou ele. Foi aí que elas resolveram se mobilizar para ajudá-lo.

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O post na rede social de uma das estudantes, relatando a situação de Laedison, teve mais de 200 mil curtidas em um fim de semana. Por conta da repercussão gigantesca, as estudantes criaram a página no Facebook Ajudando Laedison para concentrar informações sobre doações e novidades.

De acordo com Manuela Paulino, de 19 anos, estudante de Direito que responde pelo projeto, a mobilização on-line foi uma surpresa e, agora, a ideia é que ele saia das ruas e volte a frequentar a faculdade.

É possível doar roupas e calçados (confira as numerações neste link), livros preparatórios para o exame da OAB (Ordem dos Advogados do Brasil) e também dinheiro para mantimentos. Para este último foi criada uma “vaquinha” que já está batendo a meta. Clique aqui e veja como ajudar.

Segundo as estudantes, ele veio de Salvador (BA) em 2007 e instalou-se em São Paulo desde estão. “Ele veio acompanhado da esposa em busca de melhores condições de vida. Em 2009 ela faleceu e como não podia ter filhos, ele ficou sozinho. Quando perguntamos de seus parentes ele disse que tem até o telefone de seu pai, mas que o mesmo o rejeita e o disse uma vez que o único caminho dele era ser marginal, então foi aí que ele decidiu que seria diferente”, diz a publicação.

O sonho de Laedison é ser advogado. E ele vai realizar.

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