Livros roubados por nazistas na 2ª Guerra voltam a famílias e instituições

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Membros da força-tarefa liderada pelo nazista Alfred Rosenberg, que saqueou mais de 6 mil bibliotecas, examinam livros na Estônia na época da guerra Foto: YAD VASHEM PHOTO ARCHIVES/NYT / NYT

Pesquisadores usam internet para novas pistas de tesouro avaliado em milhões de dólares

Milton Esterow, em O Globo [via New York Times]

A busca por milhões de livros roubados por nazistas durante a Segunda Guerra Mundial é um trabalho permanente — e largamente ignorado. A pilhagem de bibliotecas realizada pelos alemães não tem o mesmo glamour que seus furtos de obras de arte, muitas delas valendo milhões de dólares.

Mas recentemente, sem estardalhaço, a busca pelos livros se intensificou, conduzida por pesquisadores que muitas vezes encontram as obras “escondidas à olhos vistos” em prateleiras de bibliotecas pela Europa.

Seu trabalho é auxiliado pela internet e por arquivos tornados públicos recentemente, mas também por bibliotecários europeus que transformaram essa busca em prioridade.

— As pessoas fizeram vista grossa por muito tempo, mas acho que isso não é mais possível — disse Anders Rydell, autor de “O livro dos ladrões: o saque nazista às bibliotecas europeias e a corrida para devolver uma herança literária”.

Dado o escopo do crime, a tarefa à frente é gigantesca. Um exemplo: quase um terço dos 3,5 milhões de livros da Biblioteca Regional e Central de Berlim pode ter chegado lá via pilhagem na Segunda Guerra.

— A maioria das bibliotecas alemãs tem livros roubados por nazistas — diz Sebastian Finsterwalder, que pesquisa a origem das obras.

Mas há sinais promissores. Nos últimos 10 anos, bibliotecas na Alemanha e na Áustria devolveram aproximadamente 30 mil livros para 600 proprietários, herdeiros e instituições. Em um caso de 2015, quase 700 obras roubadas da casa de Leopold Slinger, um especialista em engenharia petrolífera, foram restituídos a seus descendentes pelo governo austríaco.

— Há progresso, mas lento — disse Patricia Grimsted, pesquisadora da Universidade de Harvard e uma das especialistas mundiais nas obras roubadas por nazistas.

Números muitas vezes não fazem jus ao que pode significar para uma família a devolução de um livro especial.

No ano passado, na Alemanha, a Universidade de Potsdam deu um importante volume do século XVI de volta para a família do seu dono, um homem morto em um campo de concentração em 1943. A obra, escrita por um rabino em 1564, explica a base dos 613 mandamentos do Torá. O neto do proprietário identificou o título em uma lista on-line de obras saqueadas e foi com seu pai, um sobrevivente do Holocausto, de Israel até a Alemanha para recuperá-lo.

— Foi uma experiência muito emocionante para meu pai e eu — diz o neto, David Schor.

O trabalho para buscar livros deu um salto nos anos 1990, quando Patricia Grimsted descobriu 10 listas de itens roubados de bibliotecas francesas por uma força-tarefa comandada pelo ideólogo nazista Alfred Rosenberg. O grupo pilhou mais de 6 mil bibliotecas e arquivos por toda a Europa — mas deixou também detalhados relatórios de suas ações, muito úteis para recuperar o que foi roubado.

Ainda que Rosenberg, enforcado como criminoso de guerra em 1946, fosse a principal força por trás do saque de bibliotecas, ele tinha um competidor em Heinrich Himmler, o líder da organização paramilitar SS, cujos agentes eram particularmente interessados em livros sobre maçonaria.

Os alvos nazistas eram principalmente famílias e instituições judaicas, mas incluiam também maçons, católicos, comunistas, socialistas, eslavos e críticos do regime. Ainda que livros tenham sido queimados pelos seguidores de Hitler em sua ascenção, mais tarde muitas obras foram transferidas para bibliotecas e para o Instituto de Estudo da Questão Judaica (Institut zur Erforschung der Judenfrage) , criado pela força-tarefa de Rosenberg em Frankfurt em 1941.

— Eles planejavam utilizar esses livros depois que guerra estivesse ganha. O objetivo era estudar seus inimigos e sua cultura para proteger futuros nazistas dos judeus e outros antagonistas — diz a pesquisadora Patricia Grimsted.

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Casal faz festa de casamento inspirada em “O Grande Gatsby” em NY

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Detalhes da festa de casamento inspirada no livro “O Grande Gatsby” em Nova York Imagem: Divulgação/Anna Ivanova Photography

Publicado no UOL

Se você gosta da temática de jazz, plumas e muito brilho com certeza amou a estética do filme “O Grande Gatsby”, obra de 2013 inspirada no livro homônimo de F. Scott Fitzgerald.

Heather e Max, um casal de Nova York muito fã do longa com Leonardo DiCaprio decidiu fazer sua festa de casamento totalmente inspirada na história.

O evento aconteceu em novembro dentro de um teatro restaurado de 1870 e foi todo registrado pela fotógrafa Anna Ivanova– da decoração às produções da noiva e de suas madrinhas.

“Todos os detalhes foram criados com cuidado para serem inspirados no glamour vintage da história. O local, o Dramatic Hall em Peekskill, Noa York, foi perfeito para sediar uma dramática sessão do Great Gatsby e realmente fez os convidados se sentirem estrelas de cinema”, disse Ivanova ao “PopSugar”.

Veja as fotos da festa:

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“Harry Potter” ajuda a salvar histórica Livraria Lello, em Portugal

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Local se tornou passagem obrigatória para os fãs da franquia

Publicado no Correio do Povo

À beira da falência, a histórica livraria Lello, do Porto – que teria inspirado J.K. Rowling a escrever “Harry Potter” – foi salva ao cobrar entrada dos turistas, entre eles os fãs do bruxo. Com aparelhos fotográficos nas mãos, dezenas de pessoas fazem fila para visitar a livraria localizada no centro histórico do Porto, que se tornou uma das principais atrações turísticas da cidade do norte de Portugal.

O local se tornou passagem obrigatória para os fãs de “Harry Potter”. A romancista britânica J.K. Rowling, que viveu no Porto no início dos anos 1990, inspirou-se no local para descrever o ambiente e decorações da saga. Como outras livrarias independentes do país, a Lello esteve prestes a fechar as portas quatro anos atrás, mas agora recebe perto de 4.000 visitantes diariamente na alta temporada.

Atualmente, livraria cobra 5 euros para o acesso e vende, em média, 1.200 livros por dia | Foto: Miguel Riopa / AFP / CP

Para evitar a falência, a direção da livraria teve a ideia de aumentar as atividades culturais e de cobrar uma entrada, que agora é de 5 euros. O preço do direito de entrada é como um “bônus dedutível quando você compra um livro”, explicou um dos assessores de imprensa da livraria.

Esse sistema instalado há quatro anos “facilitou a regulação do fluxo de turistas” e “transformou o visitante em leitor”, comemorou Aurora Pedro Pinto, presidente do conselho de administração. Este modelo é um sucesso, porque fez a livraria se recuperar e superar um milhão de visitantes em 2018, passando de nove funcionários em 2015 para 60 no começo de 2019, e vendendo em média 1.200 livros por dia, segundo números divulgados pela Lello.

Esta livraria neogótica, com sua fachada branca e sua famosa marca “Lello & Irmao”, é considerada um “templo da literatura”, com um estoque de mais de 60 mil livros, e viu os maiores escritores portugueses circularem por suas estantes. Suas paredes, portas, janelas e colunas esculpidas em madeira, sua imensa claraboia colorida no teto, suas prateleiras de vários metros de altura e, especialmente, sua escadaria em forma de oito coberta de laca vermelha, concederam a ela – que comemora seu aniversário de 113 anos -, a possibilidade de ser distinguida várias vezes como uma das mais belas do mundo.

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Stephen King salva seção literária de periódico local dos EUA

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Publicado no EM

Um jornal local queria acabar com a crítica literária para cortar custos, mas o escritor Stephen King conseguiu, com alguns poucos tuítes, salvar a seção ameaçada, um final feliz na luta pela sobrevivência vivida por muitos meios de comunicação americanos atingidos pela crise.

O caso começou na sexta-feira, quando Stephen King, mestre da literatura de terror e fantástica, anunciou que o Portland Press Herald, um dos principais jornais do Maine, onde mora, iria acabar com a sua seção dominical dedicada aos livros escritos por autores deste pequeno estado fronteiriço com o Canadá.

“Diga ao jornal que NÃO FAÇA ISSO”, tuitou o bem-sucedido escritor de 71 anos, que se tornou famoso com livros como “Carrie a Estranha” e “O iluminado”, levados, inclusive, ao cinema.

Muitos escritores locais “dependem destas críticas para sobreviver”, continuou.

Mais de 8.000 de seus fãs fizeram a mensagem se espalhar. A direção do jornal, que emprega 70 jornalistas, reagiu desafiando-o a ajudá-la a encontrar novos assinantes para compensar os “milhares de dólares” que a seção lhe custa, escrita em sua maioria por profissionais que trabalham por matéria.

“Se conseguir convencer mais de 100 dos seus fãs a assinar a edição digital, iremos reincorporar imediatamente as resenhas de livros”, tuitou o jornal, que tem menos de 10.000 assinantes digitais.

Nesta segunda-feira, o objetivo de 100 assinaturas – a um custo de 15 dólares por 12 semanas – se espalhou amplamente: “Obrigado a todos que assinaram o Press Herald”, escreveu Stephen King. “Salvaram o dia. Existem países onde as artes são consideradas vitais. Infelizmente, este não é um deles”, declarou.

Cliff Schechtman, editor do jornal, afirmou que o periódico havia coletado “quase 250 novos assinantes” graças a essa iniciativa.

“Quando alguém como Stephen King se envolve, com mais de cinco milhões de seguidores no Twitter, sabíamos que teria um impacto, e nos questionamos como poderíamos usar a sua influência para apoiar o jornalismo local”, disse à AFP por telefone.

“As pressões financeiras não se reduziram até agora, o setor vive mudanças consideráveis, mas, neste caso, teve um final feliz”, disse.

Embora todos os meios de comunicação tenham perdido renda com o crescimento das redes sociais e da disponibilidade de grande quantidade de informação gratuita na Internet, os jornais locais, com recursos limitados, se veem particularmente afetados e, muitas vezes, lutam para sobreviver.

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Livro reúne fotos das bibliotecas mais bonitas do mundo

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Página do livro “The world’s most beautiful libraries” Foto: Reprodução

Obra da editora Taschen traz um endereço brasileiro: o Real Gabinete Português de Leitura, no centro do Rio de Janeiro

Emiliano Urbim, em O Globo

Se não devemos julgar livros pela capa, que tal julgar bibliotecas por suas estantes? Foi o que fez o fotógrafo italiano Massimo Listri no livro “The world’s most beautiful libraries” — em tradução literal, “as bibliotecas mais bonitas do mundo”.

Real Gabinete Português de Leitura, Rio de Janeiro, Brasil Massimo Listri / Divulgação

O novo coffee table book de 550 páginas em edição trilíngue (inglês, alemão e francês) é da editora Taschen, especializada em títulos de arte e fotografia. A peregrinação de Listri incluiu desde bibliotecas medievais até endereços do século XIX, como você vê abaixo.

Biblioteca do Convento de Mafra, Mafra, Portugal Massimo Listri / Divulgação

Ainda sem previsão de lançamento por aqui, a obra inclui um endereço do Brasil — ou melhor, no Brasil. Trata-se de uma atração turística: o Real Gabinete Português de Leitura, inaugurado em 1837 no Centro do Rio e uma pérola do estilo neomanuelino, em voga em Portugal na época.

Biblioteca Statale Oratoriana dei Girolamini, Nápoles, Itália Divulgação

 

Stiftsbibliothek Sankt Gallen, em St. Gallen, Suíça Massimo Listri / Divulgação

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