Um Sorriso ou Dois

Adaptações de distopias para séries de tevê renovam o interesse no gênero

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Série reproduz o livro de Margaret Atwood: na história, mulheres perdem os direitos civis e são rebaixadas

Série reproduz o livro de Margaret Atwood: na história, mulheres perdem os direitos civis e são rebaixadas

As produções trazem de volta também livros esgotados

Nahima Maciel, no Correio Braziliense

O universo distópico criado por Margaret Atwood e Philip K. Dick é um mundo marcado pelo totalitarismo, pela intolerância e pela supressão dos direitos civis. Ali, não há fantasia ou ficção científica, mas uma simples especulação. A pergunta “E se?” paira no ar quando o leitor abre as primeiras páginas de O conto da aia e O homem no castelo alto. E se os Estados Unidos voltassem ao puritanismo do século 17 e as mulheres perdessem todos os seus direitos? E se Adolf Hitler tivesse vencido a Segunda Guerra e conquistado a costa leste norte-americana? Improvável, claro, mas não impossível. Talvez essa nesga de possibilidade tenha se tornado uma verdadeira fagulha para Bruce Miller e Ridley Scott, responsáveis, respectivamente, pela produção das séries The handmaid´s tale e The man in high castle.

A história de Philip K. Dick ganhou o rumo da série homônima produzida pela Amazon sob a batuta de Ridley Scott. O diretor leu o livro na época em que filmava Blade Runner, depois de pedir a K. Dick que desse uma olhada na abertura do longa. Foi o próprio autor quem recomendou o livro por achar a abordagem de Scott em relação aos androides parecida com o universo do romance. A série, disponível para o público brasileiro no site da Amazon, apresenta um cenário no qual os Estados Unidos se divide entre Alemanha e Japão.

O Terceiro Reich comanda a costa leste, e os japoneses governam a costa oeste. Há uma resistência, judeus praticamente não existem mais e um mistério representado por filmes nos quais a história parece ter tomado outros rumos ronda os personagens. A bandeira nazista está por todos os cantos de Nova York e a população de San Francisco vive sob o cacetete dos Kempeitai, a polícia imperial japonesa, espécie de braço do exército.

A premissa de K. Dick se fundamenta em universos paralelos nos quais os personagens são os mesmos, mas a realidade é diferente. No entanto, isso não fica claro na versão criada para a telinha. Não, pelo menos, na primeira temporada. Scott, produtor-executivo de The man in the high castle, divide a produção com Frank Spotnitz, de Arquivo X, e o resultado é uma estética sombria e tensa que valoriza o mistério e o clima de desconfiança.

Em The man in the high castle, Nova York faz parte do grande reich nazista Crédito: Amazon/Divulgacao. série The man in the high castle, da Amazon.

Em The man in the high castle, Nova York faz parte do grande reich nazista Crédito: Amazon/Divulgacao. série The man in the high castle, da Amazon.

Processo criativo
O livro de K. Dick é também seu maior projeto. Publicado em 1962, é o mais distópico dos romances do autor, cujos livros tendem mais para a ficção científica. K. Dick se isolou em uma cabana para escrever o livro. A partir da vida de cada personagem, ele descreve o cenário dramático no qual Hitler comanda boa parte do mundo. Relançado no ano passado pela editora Aleph como parte do projeto de reedição da obra do autor, O homem no castelo alto não revela de cara o drama da situação.

Há muitas histórias entrelaçadas nos primeiros capítulos e nem sempre os personagens estão em total sintonia com os da série. Na versão do streaming, Juliana Crain (Alexa Davalos), Frank Frink (Rupert Evans) e Joe Blake (Luke Kleintank) concentram vários personagens. A liberdade marca a adaptação, mas Scott e Spotnitz mantêm o essencial: a maior democracia do Ocidente se curvou à submissão de um estado totalitário e cruel.

Produzida pela Hulu e ainda inédita no Brasil, The handmaid´s tale é mais fiel ao romance O conto da Aia, de Margaret Atwood, do que a produção de Ridley Scott. O totalitarismo também é a chave para entender a história de June, uma americana capturada pela polícia de um estado teocrático que decide transformar as poucas mulheres férteis ainda vivas em reprodutoras para o alto-comando da organização.

Publicado originalmente em 1985, o romance foi editado no Brasil pela primeira vez pela Rocco, em 2007, e estava esgotado desde o início do ano. Este mês, ele retorna às livrarias em edição revisada e com novo projeto gráfico. Na distopia imaginada pela autora canadense, um grupo de fundamentalistas católicos toma o poder nos Estados Unidos após uma guerra civil e instala um governo que pretende colocar a Bíblia literalmente em prática.

O uso predatório do planeta ajudou a espalhar a infertilidade e a humanidade corre o risco de desaparecer quando os bebês deixam de nascer. A solução é transformar as mulheres férteis em aias reprodutoras. Elas perdem, então, todos os direitos civis e a sociedade acaba dividida em castas nas quais o papel feminino é restrito, embora ainda exista.

Os homens comandam o governo e os dissidentes vão para a forca. Há sessões de tortura e lavagem cerebral para quem discorda do regime, assim como há uma resistência. Certas palavras, como liberdade, são proibidas e os homossexuais são classificados como “traidores de gênero”.

June se transforma em Offred — as aias recebem patronímicos correspondentes ao homem ao qual pertencem — e, para sobreviver, se rende à submissão. Há poucas diferenças entre a série e o livro e a maioria diz respeito à personalidade de June e à aglutinação de uma ou outra personagem. Offred é vivida por Elisabeth Moss — a Peggy Olson de Mad Man — em interpretação precisa que concentra a dose certa de indignação, determinação e submissão.

Mercado favorável

O mercado editoriail para distopias sempre existiu, mas para Barbara Prince, editora da Aleph, houve um incremento nos últimos anos graças à trilogia Jogos vorazes e a tendência é o interesse continuar crescendo. “O que a gente está vendo é um momento político mundial muito complicado. A gente está vendo aumento de intolerância, xenofobia, violação de direitos humanos e tendências a governos totalitários. É uma tendência histórica, no momento em que as pessoas se sentem ameaçadas, elas se voltam para possíveis governos totalitários, que têm inimigos comuns e que reduzem os direitos individuais em prol de estabilidade. Isso aumenta o consumo de distopias porque elas refletem sobre o que acontece quando esse tipo de governo chega ao poder”, explica Barbara.

As distopias já ocuparam um lugar muito distante daquele destinado à alta literatura nas bibliotecas de acadêmicos. Autores como George Orwell e Aldous Huxley escreverem clássicos como 1984 e Admirável mundo novo, mas o preconceito contra esse gênero literário o rebaixou à categoria de fantasia e entretenimento. “Livros de fantasia e ficção científica eram tratados como literatura menor, e tudo que era relacionado ao que hoje chamamos de cultura` nerd´ era visto de maneira pejorativa”, avalia Tiago Lyra, editor da Rocco, responsável pela publicação de O conto da Aia. “Hoje, o que se vê é uma aceitação muito maior do gênero entre o grande público e a formação de novos leitores.”

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Por que Machado de Assis é o maior escritor brasileiro?

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(Google/Reprodução)

(Google/Reprodução)

Pamela Carbonari, na Superinteressante

Se você está lendo este post é porque está online, logo deve ter visto na sua página inicial de buscas do Google o doodle feito em homenagem ao 178º aniversário de Machado de Assis. Nas ilustrações do artista brasileiro Pedro Vergani, o precursor do realismo no país aparece cercado por elementos que remetem à sua vida no Rio de Janeiro e às cenas icônicas de suas obras-primas, como as batatas de Quincas Borba e Bentinho e Capitu, de Dom Casmurro.

“Em 1839, Joaquim Maria Machado de Assis nasceu de uma família simples no Morro do Livramento, no Rio de Janeiro, Brasil. Ele era neto de escravos libertos, em um país onde a escravidão não foi totalmente abolida mesmo 49 anos depois. Machado enfrentou muitos desafios por ser mestiço no século 19, dentre eles acesso limitado à educação formal. Mas nada disso o impediu de estudar literatura. Ao trabalhar como tipógrafo, ele experimentou poemas, romances, romances e peças de teatro. ”, descreveu a empresa na homenagem. O doodle à Machado de Assis foi elogiado nas redes sociais sobretudo por ter representado o autor negro como de fato era e não com a pele clareada como costuma ser retratado.

São muitos os motivos que fazem de Machado o gênio das letras no Brasil. Ao contrário da maioria dos grandes escritores do país, Joaquim Maria Machado de Assis é de origem humilde, era neto de escravos alforriados, cresceu no Morro. Se quase dois séculos depois pessoas negras ainda têm menos acesso à educação, a primeira metade do século XIX estava longe de ser um período de igualdade racial. Machado estudou em escola pública, não frequentou a universidade – o que fez Joaquim virar Machado de Assis foi sua grande ambição intelectual.

Autodidata, ele aprendeu francês quando trabalhou em uma padaria e, posteriormente, enquanto tipógrafo teve contato com poesias, romances e outros tipos de literatura. Aos 16 anos já participava de um grupo de escritores e, na mesma época, publicou seu primeiro poema, Um Anjo.

Depois disso, Machado explorou quase todos os gêneros literários e se a versatilidade impressiona, a quantidade de material produzido também: escreveu nove romances, 200 contos, mais de 600 crônicas, diversas peças teatrais, cinco coletâneas de poemas e sonetos. Sem contar que trabalhou como tipógrafo, revisor, funcionário público e colaborou para revistas e jornais do Rio de Janeiro. O carioca assistiu ao fim do Império e o surgimento da República – e isso não passa despercebido na sua obra. Vale notar os reflexos dessa mudança política tanto em seu trabalho como escritor quanto jornalista.

Assim que completou 40 anos, suas crises de epilepsia pioraram e ele quase perdeu a visão, mas foi nesse período que seus escritos ganharam ainda mais força: Machado foi fundamental para a transição do romantismo para o realismo no país, tendo Memórias Póstumas de Brás Cubas (1881) como marco inaugural. No entanto, falar de sua obra-prima apenas como um primeiro passo para um movimento literário seria reducionista, para não dizer burro. A começar pela dedicatória provocativa do livro escrito em primeira pessoa por um narrador-defunto: “Ao verme que primeiro roeu as frias carnes do meu cadáver dedico como saudosa lembrança estas memórias póstumas”.

O romance racional em que um morto escracha a decadência da burguesia, seus vícios, mesquinharias e frustrações é o ponto alto de Machado de Assis como Machado de Assis. A partir de Memórias Póstumas, ele se consagrou como um profundo conhecedor da psique humana, explorando as hipocrisias e vaidades de seus personagens em narrativas irônicas onde o pessimismo se veste de bom-humor sem perder a profundidade e a oportunidade de alfinetar a política e a sociedade da época.

Não à toa, esse é seu livro mais reconhecido fora do país. Para a crítica Susan Sontag, Machado é o melhor escritor da América Latina, superando o argentino Borges; o poeta Beat Allen Ginsberg o descreveu como outro Kafka; Philip Roth o comparou ao dramaturgo Samuel Beckett e Harold Bloom foi ainda mais longe dizendo que Machado é o maior escritor negro de todos os tempos.

Apesar de Memórias Póstumas ter aberto as portas para o realismo no país, ser um hino literário do Niilismo e de Quincas Borba também ser uma obra de destaque, muitos leitores brasileiros são mais apegados ao hino da desconfiança, Dom Casmurro (1899). O público nacional se envolveu tanto mais nos olhos de Capitu que nas batatas humanitistas de Quincas Borba que existe um boato de que o ciúme da obra tenha pinceladas autobiográficas: alguns dizem que o filho do também escritor José de Alencar foi fruto da traição de sua esposa com Machado de Assis. A história, assim como a de Capitu e Escobar, amigo de Bentinho, nunca foi confirmada. Entre a publicação desses dois grandes livros, Machado participou da fundação da Academia Brasileira de Letras e, dado o reconhecimento que tinha entre seus colegas, foi o primeiro presidente da ABL.

Em 69 anos, o Bruxo do Cosme Velho conseguiu abordar uma pluralidade de assuntos tão densa e diversa quanto os gêneros que trabalhou. Caçoou dos jogos políticos e do cinismo dos mais abastados, expôs as fraquezas, os arrependimentos e as ilusões humanas com a mesma concisão com que tratou temas universais como o amor, a ganância e o ciúme. Morreu na primavera de 1908 cercado de amigos e, dali em diante, tornou-se ainda mais imortal. Difícil não concordar com Harold Bloom.

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Por que o maior sistema educacional do mundo está falhando?

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Na opinião de alguns indianos, o investimento pequeno destinado à educação é responsável pelo ensino deficitário (Foto: Wikimedia)

Na opinião de alguns indianos, o investimento pequeno destinado à educação é responsável pelo ensino deficitário (Foto: Wikimedia)

Iniciativas como a da organização não governamental Pratham ajudam a melhorar a qualidade do ensino na Índia, mas sem o envolvimento efetivo do governo milhões de crianças e jovens não têm acesso a uma formação educacional sólida

Publicado no Opinião e Notícia

No andar térreo de uma escola primária em Jaipur no estado de Rajasthan, 50 alunos esperam o intervalo do almoço. A escola tem três professores, mas dois deles estão ausentes. Um está “doente” e o outro, a diretora da escola, saiu ao meio-dia, com o pretexto que tinha “trabalho externo para fazer”. O ensino é muito fraco e as crianças esforçam-se para ler frases simples em livros de poesia abertos à sua frente.

Já no segundo andar o ambiente é dinâmico. Rekha Gurjar, uma professora da ONG Pratham pede que as crianças leiam um texto escrito no quadro-negro. Ela faz perguntas e as mãos se levantam para responder. Os centros de ensino da ONG Pratham com currículos adaptados ao nível escolar dos alunos ensinam noções básicas da língua híndi e matemática em 40 dias, com base em métodos novos que aceleram o processo de aprendizado.

Cerca de 260 milhões de crianças frequentam a escola na Índia, mais do que em qualquer outro país. A frequência de alunos tem aumentado ao longo dos últimos 20 anos, devido à lei do Direito à Educação (RTE) aprovada em 2009, que obriga os pais a matricularem os filhos nas escolas até a idade de 14 anos. Mas em geral o ensino é muito fraco.

As consequências do baixo nível de escolaridade são graves. O bom rendimento escolar está associado a salários mais altos e ao crescimento econômico mais rápido. A Índia só participará do Programa Internacional de Avaliação de Alunos (Pisa), um exame para avaliar os sistemas educacionais em diversos países, em 2021. Mas os resultados dos jovens de 15 anos dos estados de Himachal Pradesh e Tamil Nadu, que fizeram o exame em 2009, mostraram que estavam com um atraso de cinco anos em relação a alunos de Xangai e de países mais desenvolvidos do Leste Asiático.

Na opinião de alguns indianos, o investimento pequeno destinado à educação é responsável pelo ensino deficitário. A Índia gasta 2,7% do PIB com o sistema educacional do país, menos do que outros países em desenvolvimento, como o Brasil. Mas, na verdade, a verba é mal administrada. O orçamento destinado à educação aumentou 80% entre 2011 e 2015, segundo a análise dos orçamentos de oito estados realizada por Geeta Kingdon do University College London. No entanto, o rendimento escolar caiu.

A reforma do sistema educacional da Índia precisa do apoio efetivo do governo. O primeiro-ministro Narendra Modi comprometeu-se a melhorar a educação no país. Mas pouco foi feito. Uma nova proposta de reformulação do ensino ainda aguarda os trâmites burocráticos para ser apresentada. É uma situação lamentável em um país onde mais de 20 milhões de indianos atingem a idade escolar todos os anos e não têm acesso a um ensino de qualidade.

Fontes:
The Economist-Why the world’s biggest school system is failing its pupils

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Livros inspirados na série Black Mirror já tem editora no Brasil!

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Black Mirror

Black Mirror

Guilherme Cepeda, no Burn Book

A editora Editora Suma de Letras anunciou que vai publicar os três livros com as histórias originais inspiradas em Black Mirror no Brasil.

As histórias serão escritas por autores famosos, e o primeiro volume deve ser lançado em fevereiro do ano que vem; o segundo entre setembro e novembro de 2018, e o terceiro em 2019.

Sobre o projeto, Charlie Brooker, criador da série, declarou (brincando):

“Histórias inéditas de ‘Black Mirror’ escritas por ótimos autores — essa é uma perspectiva feliz. E elas aparecerão num formato novo de alta tecnologia conhecido como ‘livro’. Aparentemente, você só precisa olhar para um tipo de ‘código de tinta’ impresso em papel, e imagens e sons aparecem magicamente na sua cabeça, encenando a história. Parece exagerado para mim, mas veremos.”

Lembrando que todas as três temporadas já estão disponíveis na Netflix, e o quarto ano pode ser lançado na plataforma ainda neste ano.

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Minas Gerais ganhará seu primeiro hotel-biblioteca

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Mercure Belo Horizonte Lourdes planeja se transformar no primeiro hotel biblioteca de Minas Gerais | © Reprodução

Mercure Belo Horizonte Lourdes planeja se transformar no primeiro hotel biblioteca de Minas Gerais | © Reprodução

O agitador lítero-mineiro Afonso Borges e Rodrigo Mangerotti, gestor do Mercure Lourdes, planejam transformar o hotel em biblioteca

Talita Facchini, no Publisnews

O Sempre um Papo comemorou no ano passado seu 30º aniversário. O projeto que convida autores para um debate e lançamento de livros segue firme e forte em Belo Horizonte, e prepara mais uma novidade. Há 15 anos, seus autores convidados são hospedados no Mercure Belo Horizonte Lourdes (Av. do Contorno 7315, Lourdes – Belo Horizonte / MG). Agora, além de hospedar escritores, o hotel passará a promover seus livros graças ao projeto de incentivo à leitura Literatura de Hotel.

O agitador lítero-mineiro Afonso Borges, idealizador do Sempre um Papo, e Rodrigo Mangerotti, gestor do hotel, tiveram a ideia de criar um andar literário, com livros nos corredores e bibliotecas nos quartos. “Quando dei a ideia, tive uma resposta positiva muito rápida e muito grande. O retorno que o Facebook me deu precipitou tudo e tive que sair a campo para agilizar tudo”, contou Afonso ao PublishNews. “Os andares vão entrar em reforma e um dos quartos será um ‘quarto biblioteca’, mas todos terão livros à disposição dos hóspedes. Se ele quiser devolver, devolve, se quiser comprar, compra”. Mangerotti completa: “Nossa intenção é agregar valor a hospedagem e estimular o não hóspede a frequentar mais o hotel e consumir em nossos espaços”.

Afonso acredita ainda que o livro é um atrativo poderoso e que a ideia de colocá-los nos quartos do hotel, onde vários autores passam grande parte de seu tempo, é algo inédito e inspirador.

Para construir o acervo do hotel, segundo Afonso, será necessário um conjunto de ações. A primeira delas envolve a compra de alguns exemplares. A segunda contará com a ajuda dos próprios autores que deixarão suas obras autografadas quando visitarem o lugar. “Ainda aceitamos sugestões e mais ideias, mas até agora muitos autores já se manifestaram dizendo que irão mandar livros autografados”.

O projeto ainda está sendo elaborado com cuidado, mas a ideia já se ampliou. “O Mercure não vai se limitar ao andar literário, a recepção também vai ser reformada para ser uma biblioteca e um espaço onde os leitores podem se encontrar”. Para marcar o início do projeto, haverá a exposição Quartos de Escrita – Retratos de escritores nos hotéis, de Daniel Mordzinski, que fotografou alguns dos mais importantes escritores do mundo e do Brasil em seus quartos de hotel.

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