Praças da Cidade

O Pudim de Natal de Charles Dickens

0

foto-52

Publicado no Capitu Vem Para o jantar

Foi minha mãe quem me lembrou do famoso Pudim de Natal Inglês presente em “O Conto de Natal”. Pro bem da verdade, eu não me lembrava e tive que reler o conto. No terceiro capítulo, lá estava ele, o incrível Pudim de Natal da família Cratchit… Mas, espera aí. Trata-se de um pudim flambado? Que demora mais de cinco horas pra ficar pronto? Que parece uma bola de canhão? Como raios eu vou fazer isso?

Recorri a nossa amiga de sempre internet e iniciei uma intensa busca sobre o tradicional Pudim de Natal Inglês. Descobri como se faz esta trabalhosa delícia e um pouco mais sobra a história desta receita.

Ebenezer Scrooge é um homem rabugento que odeia o Natal. Na véspera da festa ele recebe a visita de Jacob Marley, seu ex sócio que morreu há sete anos.

Ebenezer Scrooge é um homem rabugento que odeia o Natal. Na véspera da festa ele recebe a visita de Jacob Marley, seu ex sócio que morreu há sete anos.

Marley sempre foi tão avarento quanto Scrooge e, por isso, aparece para dizer ao companheiro que seu espírito não consegue descansar em paz por causa de tudo o que ele fez em vida. Mas ainda há esperança para Scrooge.

Na noite de Natal ele deve receber três fantasmas que mostrarão o verdadeiro significado do Natal. É o segundo espírito que leva Scrooge para acompanhar a ceia de Bob Cratchit, seu empregado.

A ceia é simples, a casa é fria, as crianças estão com roupas velhas, mas há alegria e amor em volta da mesa. Depois de se deliciarem com um magro pato, chega a tão esperada hora do pudim. Veja o trecho:

Enfim! Derrama-se na atmosfera um vapor!

Era o pudim que saía do forno!
A sala de jantar cheirava deliciosamente um cheiro de
confeitaria! Era o pudim! O pudim!
Momentos depois, entrava a dona da casa, rubra de comoção,
mas sorridente e feliz, com o seu pudim, redondo como uma
bala de canhão, duro, envolto em labaredas de aguardente e
enfeitado com o ramo de pinheiro do Natal!”

charles-dickens4

“O Conto de Natal” foi publicado em dezembro de 1843 e foi escrito em apenas um mês para que Charles Dickens pudesse pagar algumas dívidas.

No entanto, a obra vendeu mais de seis mil cópias em apenas uma semana e, claro, entrou para a história como um dos mais famosos contos natalinos.

Agora vou aproveitar que estou falando sobre curiosidades e contar um pouco sobre o Pudim de Natal. Esta iguaria é um prato típico natalino inglês desde o século 14. Originalmente ele começava a ser cozinhado no primeiro domingo do mês de dezembro, o Domingo do Advento, e o preparo se estendia durante as quatro semanas até o Natal.

Era outra época, havia tempo, a vida era lenta e, é claro, o pudim passou por várias transformações. Hoje o mais usual é comprá-lo pronto – como fazemos com o tradicional panetone. Pouca gente se habilita a ir ao fogão e prepará-lo, mas quem o faz segue a risca algumas superstições.

Uma delas é colocar moedas de prata dentro da massa para que quem a encontrar tenha sorte o ano todo. Outra é colocar um anel de noivado para a moça que encontrá-lo, obviamente, seja presenteada com um amor no ano seguinte.

Contudo, a tradição mais seguida pelos ingleses é convidar todos os integrantes da família a mexer a massa e fazer um pedido. (E é claro que segui esta tradição aqui em casa! Afinal, yo no creo en brujas, pero que las hay, las hay!).

foto-4-34

Ingredientes:

 

– 200g de uvas-passas pretas
– 150g de uvas-passas brancas
– 60g de frutas cristalizadas
– 50g de amêndoas trituradas
– 100g de manteiga derretida
– 2 ovos
– 100g de farinha de trigo
– 200g de açúcar mascavo
– 1 colher chá de canela em pó
– 1 colher chá de uma mistura de gengibre em pó com cravo em pó
– 1 pitada de noz-moscada ralada
– 1/3 xícara de cerveja preta
– Raspas da casca de um limão
– 1 maçã pequena cortada em cubos
– 100 ml de rum

Passo a Passo

Numa panela grande misture os ingredientes secos: farinha, açúcar, gengibre, cravo e canela.

Em seguida, acrescente a manteiga derretida, junto com as rapas do limão. Incorpore a maçã, os ovos e a cerveja e, por fim, adicione as passas, frutas cristalizadas e amêndoas.

Mexa bem e não esqueça de fazer o pedido, tá?

Agora começa a parte complicada. Eu usei uma tigela de vidro côncova. Unte a tigela com manteiga e coloque a massa dentro.

A seguir, cubra a tigela com uma folha de papel manteiga e uma folha de papel alumínio e amarre com um barbante bem forte. Não esqueça de tirar as sobras. Veja a foto:

foto-3-62

Em uma panela grande, adicione água até a metade e deixe ferver. Coloque um pires de cerâmica no fundo. Quando a água já estiver borbulhando, coloque a tigela com massa dentro da água. (Tem que ser em cima do pires, pois ela não pode encostar no fundo da panela, ok?).

foto-64

Tampe a panela e deixe o pudim cozinhar em banho-maria por seis horas (Sim, seis horas!).

O truque é sempre ficar de olho para a água não evaporar. Tenha uma chaleira com água quente sempre a postos para ir preenchendo a panela. Não pode ser água fria pois interrompe a fervura.

Depois de pronto, desenforme o pudim e o sirva flambado.

Para flambar, leve o rum ao fogo por dois minutos. Em seguida, com muito cuidado, acenda um fósforo em cima da bebida. Ela começará a pegar fogo. Aí basta só despejar a bebida fumegante em cima do pudim.

foto-1-84

 

 

Comments

comentários

Powered by Facebook Comments

Marina Colasanti: “Não perco tempo com leituras insignificantes”

0

Escritora ítalo-brasileira ganhou na FIL de Guadalajara o Prêmio SM de Literatura Infantil e Juvenil

Publicado no El País

Os livros ajudaram a pequena Marina Colasanti (Asmara, Eritreia, 1937) a esquecer que vivia sob o cerco da Segunda Guerra Mundial. Desde então, publicou mais de 60 obras para crianças e adultos. Antes, estudou Belas Artes no Rio de Janeiro. Foi jornalista do Jornal do Brasil. Traduziu Roland Barthes e Yasunari Kawabata para o português. Agora, acaba de receber na Feira Internacional do Livro de Guadalajara (México) o Prêmio Ibero-americano SM de Literatura Infantil e juvenil.

 A escritora Marina Colasanti setanta

A escritora Marina Colasanti setanta

Como teria sido a guerra para você sem os livros? Totalmente sem graça. E sem exemplos de sobrevivências significativos. A literatura é construída em torno de conflitos ou perigos que ameaçam os personagens e que precisam ser superados. É o que acontece com Ulisses ou nos contos de fadas, com Peter Pan e os Três Mosqueteiros. É a mesma coisa para quem vive uma guerra. Como teria sido pobre e monótono crescer sob a Segunda Guerra Mundial alimentada apenas pelos slogans e as imposições do regime fascista.

Considerando os seus diversos interesses, como faz para organizar suas leituras?
É bastante caótico. Adoro ler em aeroportos e nos voos. Posso ler de pé em uma livraria apenas para ter uma ideia do que o autor está falando ou abandonar um livro depois de poucas páginas. Fiz 80 anos de idade este ano, e o tempo se tornou algo extremamente valioso. Não posso perdê-lo com leituras insignificantes.

Existe poesia na literatura infantil? Apenas quando ela é excelente.

E literatura infantil na poesia? Se não for poesias para crianças, não. Até mesmo quando o poeta fala sobre sua infância, não estamos no campo da literatura infantil. A poesia é mais vertical e mais codificada.

Continua a acreditar em fadas? Nunca acreditei em fadas, tampouco trabalho com elas. Acredito em símbolos.

Walt Disney está para a literatura infantil assim como uma marcha militar está para a música? Boa frase! Mas uma marcha militar pode se aproximar da música e existem muitos toques militares na grande música clássica, bem como na ópera. Disney, ao contrário, troca o simbólico pelo óbvio, transforma contos milenares em musicais esvaziando-os de seu conteúdo. Sua única finalidade é de caráter mercantilista.

Quais livros infantis atuais serão os clássicos de amanhã?
Gostaria de dizer: os melhores. Mas sabemos que, além da qualidade, também as circunstâncias desempenham um papel importante na construção de um clássico.

O que você gostaria de ser se não fosse aquilo que é? Teria sido artista plástica. Foi para isso que estudei.

O que acha que está sendo socialmente supervalorizado hoje em dia? O desejo individual e o ego.

Que tipo de tarefa você jamais aceitaria fazer?

Qualquer uma que implicasse maltratar seres vivos. Ou em que eu tivesse de mentir.

Comments

comentários

Powered by Facebook Comments

Por que a loja de livros usados se chama sebo?

0
(MaxPixel/Reprodução)

(MaxPixel/Reprodução)

Publicado no Mundo Estranho

Existem duas versões para a história. A primeira diz que, antigamente, as pessoas liam à luz de velas, que, quando derretidas, engorduravam os livros. Mas é uma explicação romanceada e anacrônica, já que a palavra “sebo” se popularizou na década de 1960, quando a luz elétrica já era difundida no país.

egundo Sérgio Rodrigues, escritor e etimologista, e Eurico Brandão Jr., herdeiro do Sebo Brandão, criado no Recife há mais de 60 anos, a teoria mais simples é também a mais provável. O termo teria surgido como uma brincadeira a partir da ideia de que livros muito manuseados ficam cheios de gordura, sujos. Brandão ainda afirma que o primeiro livreiro no Brasil a usar a palavra foi seu pai e que os estrangeiros o chamavam de “Mr. Sebo“, pois achavam que esse era seu nome.

FONTES Jornal Livros, Sobre Palavras, Estante Virtual Blog, Sebo Brandão, Recanto das Letras e Priberam

Comments

comentários

Powered by Facebook Comments

Para reduzir o tempo na cadeia, Cabral estuda e Cunha lê

0
Foto: Reprodução

Foto: Reprodução

Alvaro Costa e Silva, na Folha de S.Paulo

RIO DE JANEIRO – Sérgio Cabral e a ex-primeira dama Adriana Ancelmo vão cursar a mesma faculdade na qual o traficante Fernandinho Beira-Mar está quase se formando. A Fabapar (Faculdade Batista do Paraná) oferece curso a distância para presos que buscam redução de pena. Cabral (condenado no total a 72 anos e quatro meses de reclusão), Adriana (18 anos e três meses) e Beira-Mar (mais de 300 anos) optaram por estudar teologia. Tempo para ocupar-se com Deus não lhes faltará.

Espero estar enganado, mas o esquema me parece aquele do pagou-passou. O valor do semestre na faculdade é de R$ 2.664, podendo ser pagos em seis parcelas de R$ 444. O ex-governador, em seus tempos de estudante de jornalismo, era menos visto nas salas de aula do que nos campinhos de pelada, envergando a gloriosa camisa do Bonecas Forever (o cantor Toni Platão, craque do time, está aí para não me deixar mentir).

Em todo caso, para graduar-se em teologia, Sérgio Cabral terá de ler ao menos as “Confissões” de Santo Agostinho. Livro raro: uma autobiografia sincera. Escrita em 397, aborda a trajetória desse vaidoso professor de retórica que, antes da conversão, dedicou-se à busca mundana da projeção política, dos negócios escusos e do prazer.

eduardo_cunha_1

Em outra cela de cadeia, Eduardo Cunha (condenado a 14 anos e meio) aderiu ao programa de remição de pena pela leitura. Até agora, ele garante ter lido nove livros, ou seja, 36 dias a menos na prisão. Entre as obras, que devem ser obrigatoriamente resenhadas pelo detento, estão três romances de Moacyr Scliar; “O Pagador de Promessas”, de Dias Gomes; “Tufão”, de Joseph Conrad; e “O Estrangeiro”, de Albert Camus.

Gostaria de saber o que pensa Cunha de Meursault, o personagem de Camus que cometeu um crime absurdo. E de sua atitude diante do mundo, de pouco se importar pelo que fez.

Comments

comentários

Powered by Facebook Comments

10 livros de suspense e mistério para presentear no Natal

0

collageme

Publicado no Literatura Policial

Se você quer dar um livro de suspense para um amigo mas não sabe qual escolher, a gente vai te dar uma mãozinha. Separamos 10 romances policiais entre clássicos, lançamentos e reedições que certamente vão agradar fãs de uma boa história de mistério.

1. Assassinato no Expresso do Oriente, Agatha Christie

A gente começa a lista com esse clássico da Agatha Christie publicado em 1934, mas que é um sucesso até hoje. Aproveitando a bela adaptação para o cinema feita por Kenneth Branagh, foram lançadas algumas edições com a capa do filme (que eu geralmente não gosto, mas que nesse caso ficaram lindas). Ah! Essa é uma das histórias mais famosas com Hercule Poirot, o detetive belga que gosta de exercitar as células cinzentas.

2. Histórias Extraordinárias, Edgar Allan Poe

Ele criou os parâmetros para as histórias de detetive como conhecemos hoje, com seu personagem francês, o detetive Auguste Dupin. Essa edição da Companhia das Letras vem com um design lindo de morrer, trazendo dezoito contos clássicos de Edgar Allan Poe como “A carta roubada” e “O gato preto”. Um presente que mais parece um tesouro.

3. O Sorriso da Hiena, Gustavo Ávila

Quer se surpreender com um thriller psicológico e um final arrebatador? Então esse é o livro indicado. Um dos melhores lançamentos nacionais de 2017, O sorriso da hiena é o primeiro livro de Gustavo Ávila, que conquistou de cara os leitores ficando semanas na lista de mais vendidos do país. Publicado pela Verus Editora. Leia a resenha.

4. A Grande Ilusão, Harlan Coben

O simpático Harlan Coben é sempre uma boa pedida para quem gosta de histórias de suspense. Em A grande ilusão, publicado pela Editora Arqueiro, uma ex-militar investiga as circunstâncias da morte do marido e acaba descobrindo uma teia de intrigas e revelações. Para ler numa sentada só. Confira a resenha.

5. A Zona Morta, Stephen King

Não é bem um “suspense”, mas quem acompanha o site sabe que sou apaixonada pelas histórias de King, então encaixar um livro dele nessa lista não é difícil. Escolhi A zona morta, que é de 1979 e foi reeditado esse ano pela Editora Suma. Também já virou filme nos anos 80 com o excelente Christopher Walken. A trama é sobre um homem que sofre um acidente quase fatal, ficando 5 anos em coma. Quando acorda, descobre que tem poderes sobrenaturais como enxergar o passado e o futuro. Há um certo mistério pois ele irá prever situações conflitantes e terá que decidir como vai reagir a essas previsões. História incrível e muito envolvente do Mestre King. Leia a resenha.

6. Boneco de Neve – Capa do Filme

Eu sei que o livro não é um lançamento, mas como a adaptação saiu este ano no cinema esse livro do autor norueguês Jo Nesbo voltou a ser falado (inclusive foi relançado pela Editora Record com a capa do filme, como podem ver). É considerado por muitos o melhor da série com o detetive Harry Hole, um personagem atormentado e cheio de demônios pessoais para tratar. Sensacional não expressa o que senti quando acabei a leitura! Fiquei muito impressionada com a escrita do Jo Nesbo e completamente arrepiada com essa história, que é uma caçada a um serial killer que está matando mulheres após o primeiro dia de neve em Oslo. Chilling! Leia a resenha.

7. Ninfeias Negras, Michel Bussi

Outra leitura que me arrebatou em 2017 foi Ninfeias negras, desse autor francês que eu não conhecia ainda chamado Michel Bussi. Saiu pela Editora Arqueiro, foi muito comentado por fãs de histórias de suspense e com razão. Trata da investigação do assassinato de um médico, encontrado morto nos jardins de Monet, em Giverny. Para falar a verdade, morri de vontade conhecer os tais jardins depois de ler esse livro. Leia a resenha.

8. Um Romance Perigoso, Flávio Carneiro

Uma história com uma premissa super divertida, escrita pelo carioca Flávio Carneiro e que traz descrições sobre vários lugares legais no Rio de Janeiro. Na trama, o detetive particular André e seu amigo Gordo, dono de um sebo na rua do Lavradio e apaixonado por literatura policial, seguem o rastro de um serial killer que está matando autores de autoajuda e deixando o mercado editorial, e toda a cidade, em polvorosa. By the way, Um romance perigoso saiu pela Editora Rocco. E eu dei boas risadas com essa história. Leia a resenha.

9. Coração Satânico, William Hjortsberg

A Darkside Books lançou tantos livros lindos este ano que, se eu pudesse, indicaria todos de uma vez só (e quem sabe eu faça isso num post separado). Mas por enquanto escolhi Coração satânico, uma história que ficou mais conhecida no cinema com Robert de Niro e Mickey Rourke como protagonistas. Essa é uma autêntica história de detetive com pitadas de terror, trazendo o detetive particular Harry Angel pelas ruas de Nova York em 1959. Vale pela história e pela edição caprichada da Dark, com comentário de luxo de Stephen King. Leia a resenha.

10. Um Estudo em Vermelho – Coleção Clássicos Zahar

Não poderia faltar ele! Um estudo em vermelho é a primeira aventura do Sherlock Holmes, o detetive mais famoso do mundo. O livro foi originalmente publicado em 1887 e é um sucesso até hoje. Se a pessoa presenteada gostar de histórias de suspense, não tem como não gostar desse livro. Gosto principalmente dessa coleção da Zahar porque é pequenina e graciosa. Um bom presente em qualquer ocasião, não só no Natal.

Comments

comentários

Powered by Facebook Comments

Go to Top