Romances de Época Gutenberg

5 Livros para ler se você sente falta da série: ‘DEXTER

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Fabio Mourão, no Dito pelo Maldito

Todos temos nossas series favoritas, e se dependesse de nós, elas seriam produzidas ad infinitum para o nosso bel prazer; mas infelizmente o formato deste produto tende a passar por nossas vidas durante anos, marcar instantaneamente todo uma geração e deixar nada mais do que muita saudade ao fim de sua última temporada.

Foi pensando nisso que criamos este espaço banzo, com o intuito de indicar livros que possuam conceitos semelhantes ao de séries passadas, e assim tentar resgatar um pouco do espírito que projetou o sucesso desses programas.

Dexter é uma série televisiva americana de drama/suspense centrada em Dexter Morgan, um assassino em série com diferentes padrões que trabalha como analista forense especialista em padrões de dispersão de sangue no departamento da polícia do Condado de Miami-Dade. É considerada umas das melhores séries deste gênero. O programa estreou em 22 de setembro de 2013 no canal Showtime e teve o seu último episódio em 1 de outubro de 2006. Situado em Miami, sua primeira temporada foi largamente baseada no livro Dexter: A Mão Esquerda de Deus de Jeff Lindsay, o primeiro de sua série de romances Dexter. Temporadas posteriores apresentaram uma evolução distinta das obras de Lindsay. O livro foi adaptado para a televisão pelo roteirista James Manos Jr., que escreveu o episódio piloto.
Portanto, se você gostava de ‘DEXTER’, então vai adorar ler…

✔ As Revelações de Dark (Anthony E. Zuiker)
No último livro da inovadora série Grau 26, o implacável perito criminal Steve Dark precisa combater o maior e mais perigoso serial killer de sua carreira: Labirinto.
Motivados por ideologias deturpadas, seus crimes, executados com requintes de crueldade em diferentes lugares do mundo, são antecedidos de charadas, quebra-cabeças e enigmas, que anunciam os próximos alvos e atiçam a atenção da imprensa.

O caso envolve inúmeras vítimas importantes, sem mencionar agências do governo – incluindo a Divisão de Casos Especiais -, as quais fracassam ao tentar refrear o pânico global. Cabe a Dark, juntamente com uma equipe de elite montada a partir de uma comunidade internacional de investigação, encontrar Labirinto onde quer que ele esteja, e acabar de uma vez por todas com o caos. (Editora Record)

✔ Fissura (Karin Slaughter)
Ansley Park, um dos bairros mais tradicionais de Atlanta, é cenário de uma tragédia. Cacos de vidro pelo chão, móveis quebrados, marcas de sangue pela casa, e o mais assustador: um corpo ensanguentado e com o rosto desfigurado jaz no corredor. Ao lado do cadáver, há um homem com uma faca na mão. Esta é a cena com a qual Abigail Campano se depara ao chegar em casa. Desesperada, ela estrangula o sujeito, que ela acredita ter matado sua filha, com as próprias mãos.

Mas o que teria motivado aquele crime? Cabe ao agente Will Trent lidar com esse caso peculiar e cheio de reviravoltas. Mas nem o detetive nem os Campano imaginam trata-se apenas do início de seus mais terríveis dias. (Editora Record)

✔ Colega de Quarto (Victor Bonini)
O romance policial “Colega de Quarto” nasceu com um pé nas histórias de detetives e outro no drama jovem-adulto.

O livro narra a história do estudante Eric Schatz, que começa a encontrar indícios pelo apartamento de que há mais alguém morando com ele. Um par de chinelos novo e gasto, uma escova de dentes estranha. O micro-ondas é ligado sozinho durante a noite. Até que, em determinada noite, Eric enxerga o vulto do misterioso colega de quarto entrar em seu apartamento pela porta da frente. Desesperado, o rapaz vai atrás de Conrado Bardelli, detetive particular, e exige soluções rápidas. Mas Bardelli mal consegue ajudar. Pois nessa mesma madrugada, Eric despenca da janela de seu apartamento.

O suposto suicídio leva Bardelli a investigar os amigos e a família do rapaz – e a perceber que os envolvidos farão de tudo para guardar os seus segredos. Mas qual deles tem a ver com a morte do estudante? O detetive precisa lidar com pessoas de diferentes círculos sociais para esclarecer o mistério, como os ricos pais de Eric, os jovens amigos de faculdade e os funcionários do prédio residencial onde tudo aconteceu. (Faro Editorial)

✔ Os Amantes de Hiroshima (Toni Hill)
Os Amantes de Hiroshima é o terceiro e último volume desta trilogia de tirar o fôlego. No porão de uma casa abandonada, perto do aeroporto, policiais encontram dois corpos entrelaçados e decompostos, “reduzidos a pele e osso, fundidos em um abraço eterno”. No andar de cima, desenhos feitos em grandes telas brancas revestem as paredes e reproduzem com riqueza de detalhes o entorno da casa e os cadáveres no porão, que, a polícia descobre, poderiam ser Cristina e Daniel, um casal de namorados que desaparecera sete anos antes. A investigação do crime leva o inspetor Salgado a mergulhar no mundo de jovens cheios de sonhos perdidos e num universo familiar repleto de segredos e dores.

Ao mesmo tempo, Leire Castro continua a puxar o fio do complexo mistério que envolve o desaparecimento de Ruth, ex-mulher de Salgado, e sua persistência acaba por conduzi-la ao tempo em que as forças da ordem se infiltravam nas universidades para vigiar, prender e torturar aqueles que eram contrários ao regime. E o que ela descobre ao final é que o passado sempre vem à tona, por vezes trazendo trágicas consequências. (Editora Tordesilhas/Alaúde)

✔ Serial Killers – Anatomia do Mal (Harold Schechter)
O que faz gente aparentemente normal começar a matar e não parar mais? O que move – e o que pode deter – assassinos em série como Ed Gein, o psicopata americano que inspirou os mais célebres maníacos do cinema, como Norman Bates (Psicose), Leatherface (O Massacre da Serra Elétrica) e Hannibal Lecter (O Silêncio dos Inocentes). Como explicar a compulsão por matar e o prazer de causar dor, sem qualquer arrependimento? De onde vem tanta fúria? As respostas estão no novo lançamento da editora DarkSide Books: Serial Killers – Anatomia do Mal, dossiê definitivo sobre o universo sombrio dos psicopatas mais perversos da história. Escrito por Harold Schechter – que pesquisa o tema há mais de três décadas, o livro é referência fundamental a todos os que se interessam pelo universo da investigação e da criminologia.

Em Serial Killers, Anatomia do Mal você vai descobrir como eles matam e por que eles matam. Pontuado por curiosidades macabras, dados científicos e fatos pouco conhecidos sobre a trajetória e a mente dos principais criminosos em série dos Estados Unidos, O livro de Schechter abrange desde a criação do termo serial killer no início do século 20 até o fascínio exercido por matadores seriais na cultura pop (cinema, música, literatura).
Histórias reais, assassinos reais, de uma maneira que você nunca viu, estudados com profundidade, rigor científico e conhecimento psicológico. Um livro que vai atrair a atenção dos fãs das séries CSI, Dexter, Criminal Minds e do Canal Discovery Investigation e de todos aqueles que querem entender o que se passa na mente dos assassinos mais temidos e cruéis de todos os tempos. Sem dúvida, oriundos de uma sociedade que precisa repensar urgentemente como cicatrizar essas feridas abertas. (DarkSide Books)

BÔNUS:
É claro que tentamos evitar o caminho mais óbvio que seria citar aqui a saga de livros escrita por Jeff Lindsay, criadora do personagem, e que deu origem a série de TV. Mas como as histórias das duas mídias se distanciam bastante entre si enquanto avançam, deixamos aqui uma única dica dos livros, ligado justamente a maior reclamação dos fãs da série televisiva,… O final.

✔ Dexter Está Morto (Jeff Lindsay)
Depois de sete livros, a saga do analista forense da Polícia de Miami, Dexter Morgan, chega ao fim. E a última história desse serial killer, que só mata os bandidos nunca os mocinhos -, não começa nada bem. Ele está preso sob a acusação de duplo assassinato, incluindo o de sua mulher, Rita – crime que, por incrível que possa parecer, desta vez ele não cometeu -, e de pedofilia. Para se livrar das grades e limpar sua ficha policial, ele terá a ajuda de Brian, seu irmão, que contrata um competente advogado para tirá-lo da cadeia.

No entanto, livre para investigar o que andam tramando contra ele, Dexter se mete em confusões mais complexas e que podem custar-lhe a vida. Terá Jeff Lindsay a coragem de matar seu mais promissor e querido personagem? (Editora Planeta)

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Aos 67 anos, ex-traficante se forma em filosofia e se torna pesquisador em saúde pública

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Ana Beatriz Rosa, no Brasil Post

Aos 67 anos, duas passagens por presídios e muitos roubos, David Norman, ex-traficante de drogas, venceu o seu maior desafio: obter um diploma na Columbia University, em Nova York.

Ele deixou o estereótipo do criminoso perigoso e agora é filósofo e pesquisador em saúde pública.

Mas a trajetória de Norman pelos becos abandonados de Harlem, bairro novaiorquino, não foi fácil. Ainda assim, ele não desistiu.

Ao Daily News, ele contou que obter o diploma foi a prova de que “perseguir os seus sonhos é sempre possível.”

O histórico de Norman é similar ao de muitas pessoas em situação de vulnerabilidade social: começou a beber aos 11 anos; antes dos 15 já injetava heroína; frequentou apenas uma única aula do ensino médio; se prostituiu para alimentar o desejo pelas drogas; foi acusado por homicídio ao esfaquear outro homem em uma briga de rua.

“Eu convivi 35 anos com o vício”, comentou.

Mas a história do ex-traficante se transformou, ironicamente, quando cumpria sua pena no sistema penitenciário. Lá, ele aprendeu hebraico e encontrou o prazer nos livros. A experiência foi tão inspiradora que ajudou Norman a articular um programa que ensina habilidades aos detentos que estão se preparando para a ressocialização após a pena.

“Eu tive momentos de clareza e fui capaz de reconhecer que tudo o que eu tinha feito até aquele momento tinha sido bastante contraproducente. Eu precisava me envolver em algumas novas atividades e ter novos comportamentos”, afirmou ao jornal americano.

Dali em diante, após sua saída em 2000, ele passou a dedicar o seu tempo a desenvolver os seus potenciais.

“Eu refleti sobre o que me levou por esse caminho e o que eu precisava fazer para não ser vítima do vício novamente.”

Ele começou a trabalhar em um hospital auxiliando outros dependentes químicos em recuperação. Depois, passou a ajudar em pesquisas na Columbia University sobre programas de saúde para as comunidades. De lá, foi aceito na Escola de Estudos Gerais da Universidade, onde Norman deu inicio aos seus estudos, mesmo sendo 40 anos mais velho do que a média dos seus colegas.

No dia de sua formatura, ele não escondeu a emoção. Além do trabalho como pesquisador, agora, ele projeta escrever um livro.

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Mães universitárias falam sobre a batalha para continuar estudando

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Beatriz Vichessi, no UOL

Engravidar transforma a rotina de qualquer mulher. Se a mamãe em questão é uma universitária, a maternidade representa um desafio a mais. Não se trata apenas de ajustar as tarefas e leituras à atenção que o bebê demanda. Na maior parte das vezes, ela precisa fazer isso sem o apoio da instituição onde estuda.

Embora a Lei 6.202 estabeleça o direito da mãe estudante ao regime domiciliar durante três meses a partir do oitavo mês de gestação (o que significa basicamente estudar à distância ou ter um esquema diferente de entregas de atividades, previamente combinado) e garanta o direito da prestação dos exames finais. Na prática, as instituições de ensino não têm políticas claras para essa situação: deixam nas mãos de cada professor o acerto sobre como fazer as atividades de casa e repor avaliações.

Também é comum encontrar dificuldades para expedir a licença (de afastamento do curso) ou aceitar atestados. Espaços adequados para troca de fralda e amamentação são outra raridade.

Por conta de todos esses percalços, muitas estudantes acabam trancando a matrícula do curso, atrasando a formatura ou obtendo notas menores do que a média. E para piorar há quem seja submetida a constrangimentos, como mostram os relatos abaixo:

imagem: Arquivo Pessoal

imagem: Arquivo Pessoal

Aline Shirazi Conte, 27, mãe de Laura, 4, e Heloísa, 1 ano e 4 meses

“No ano passado, fui pega de surpresa ao chegar para fazer uma prova na faculdade e descobrir que meu nome tinha simplesmente sumido da lista de presença. Estava de licença da faculdade por causa da gravidez da minha segunda filha. Não assistia às aulas, mas fazia os trabalhos e ia à instituição no dia das provas. O professor dessa disciplina me deu muitas faltas e, para piorar, meu nome, por uma falha no sistema da universidade, sumiu da lista de presença. Eu me formaria em dois meses, e aquela avaliação era muito importante para o meu currículo. Assinei atrás da lista, fiz a prova e formalizei minha reclamação por escrito. Cheguei em casa muito revoltada com a situação e escrevi um post no Facebook contando o que havia acontecido. Tinha me preparado para a prova, apesar das dificuldades em conciliar a criação de duas meninas e estudar. Não era justo que fosse proibida de fazer o teste. Na ocasião, disseram que eu estava sujando o nome da USP (Universidade de São Paulo), mas não é verdade. Estava fazendo uma reclamação legítima e deixei claro que a postura desse professor não era compartilhada por todos os docentes. Depois, fiquei sabendo que, apesar da lei, a diretriz da USP estabelecia que fica a cargo do docente decidir se libera a aluna ou não das aulas por conta de ela ter filhos pequenos. Isso é um absurdo porque a estudante fica à mercê da sensibilidade do docente. Com a polêmica do meu caso, a universidade alterou essa norma e agora toda gestante a partir do oitavo mês pode tirar licença integral e fazer as atividades à distância.”

[Na foto, com as filhas e o marido Vinícius Shirazi Conte]
Jaqueline Batista, 31, mãe de Davi, 2 anos e 10 meses

“Estou prestes a me formar em gastronomia pela Universidade Anhembi Morumbi. Chegar até aqui não foi fácil. Quando comecei a faculdade, meu filho tinha um ano e um mês. As aulas iniciaram no mesmo mês que ele começou na educação infantil. Foi um grande baque para nós dois. Ele nunca tinha ficado sozinho e, como também estudo à tarde, não consegui ficar para fazer a adaptação dele na creche. Minha rotina é bastante exaustiva. Parece fácil, pois não trabalho, mas não é. Acordo todos os dias às 5h30, dou conta das tarefas de casa sozinha, cuido dele e tento ler os textos entre uma tarefa e outra. Quase nunca tiro notas altas na faculdade porque não tenho tempo para estudar. Recentemente, meu filho foi internado com pneumonia. Na mesma semana, eu e meus colegas de classe tínhamos uma atividade em grupo. Alguns cozinhavam, enquanto outros assistiam e tiravam dúvidas.

Precisei me ausentar em duas apresentações e perdi quatro pontos. Levei o atestado do meu filho para o professor, mas não adiantou, pois perdi a pontuação dos dias da apresentação. Não tirei uma nota final ruim, mas ela poderia ser melhor se eu tivesse tido a chance de fazer alguma atividade para compensar o que não fiz. Só que o professor não me deu essa possibilidade.”

imagem: Arquivo Pessoal

imagem: Arquivo Pessoal

Jamille Gomes, 22, mãe de Alice, 1 ano e seis meses

“Engravidei aos 20 anos quando cursava o quarto ano de pedagogia na UFV (Universidade Federal de Viçosa), em Minas Gerais. No início da gestação, ia às aulas e, quando passava mal, levava os atestados e minhas faltas eram abonadas. Os professores eram compreensivos comigo. Os combinados sobre trabalhos e provas são feitos diretamente com os professores, então, fica muito na mão deles decidir se vão repor uma ou outra atividade. Mas nem tudo correu bem. Um dos meus professores só dá nota por meio de provas, não pede trabalhos.

Conversei com ele e combinamos que, se eu não pudesse ir à faculdade no dia das avaliações, marcaríamos novas datas. Só que descobri pelas mensagens do grupo da faculdade que ele passou uma atividade surpresa e lançou a nota como se fosse prova. Perdi essa avaliação, mas achei que ele daria a minha nota considerando a prova que nós combinamos que eu faria no fim do semestre. Na ocasião, deixei a minha filha com 22 dias de vida com a minha mãe e fui para a faculdade. Chegando lá, o professor disse que não daria a nota da atividade. Não quis discutir para não me prejudicar, mas isso baixou a minha média, o que pode me prejudicar quando eu quiser concorrer a um estágio ou a um projeto de pesquisa. Outro problema aconteceu quando o período a licença [prevista na Lei 6.202] terminou.

Alice estava com três meses –ela nasceu em novembro e o afastamento pegou as férias da universidade. Verifiquei previamente quais seriam os professores que me dariam aula e fui conversar com eles antes do início do semestre. Avisei que minha filha era um bebê, não tinha com quem deixá-la e teria de levá-la para a aula algumas vezes. Teve uma professora que entendeu. Outros liberaram que ela ficasse comigo e permitiram que eu amamentasse em aula, já outros pareceram se incomodar. Decidi fazer menos disciplinas do que o normal e só me matriculei naquelas cujos professores entenderam a minha condição. Alguns colegas me criticaram. Outros foram mais compreensivos e até pegavam ela no colo durante as aulas. Também recebi olhares tortos por não conseguir cumprir minha parte nos trabalhos em grupo.”
Valquiria Santos da Silva, 27, mãe de Lívia, 8, e Sofia, 2

“Quando comecei o curso de ciências biológicas na PUC (Pontifícia Universidade Católica) de Porto Alegre (RS), minha filha tinha cinco anos. O contexto era favorável: meus pais não queriam que eu deixasse de estudar e ficavam com ela. No terceiro semestre do curso, descobri que estava grávida novamente. Na mesma época, meus pais mudaram de cidade e eu me vi grávida, com uma filha pequena e fazendo um curso universitário integral. Antes da segunda nascer, pesquisei na internet e descobri que poderia pedir licença. A secretaria do curso nem sabia como protocolar o pedido. Durante o meu afastamento, não assisti às aulas. Só acompanhava as atividades pela plataforma on-line. Minha filha nasceu em maio e, em junho, tranquei o curso. Era impossível conciliar as aulas e a maternidade. Logo percebi que não ia conseguir participar das viagens de campo nem concluir a graduação. A solução foi abandonar a biologia e mudar de curso. Depois de um semestre parada, comecei a fazer psicologia. Ao pedir transferência, a direção questionou se eu ia mesmo conseguir estudar já que havia deixado o curso anterior. Foi um pouco constrangedor. Eles insistiram que psicologia era um curso denso, com alta carga de leituras. Mas consegui convencê-los que daria conta. Estou no terceiro semestre do período noturno. No primeiro ano, cursei o menor número possível de disciplinas (duas) para continuar amamentando a criança. Também deixei de cursar uma disciplina no sábado porque as aulas aconteciam no horário das reuniões da escola da filha mais velha. Como não tenho como justificar essa falta para a professora da matéria, cancelei minha inscrição. Por conta de tudo isso, vou demorar mais do que os cinco anos regulares para me formar. Acho que a faculdade deveria ter uma creche ou reservar um espaço para as alunas que são mães. Isso daria mais segurança para estudar, enquanto os filhos estão por perto, e não atrasaria os estudos.”

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Como são avaliados os professores nos países com a melhor educação do mundo

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Milhares de professores se opõem à reforma de educação proposta pelo governo mexicano . Reuters

Milhares de professores se opõem à reforma de educação proposta pelo governo mexicano . Reuters

 

No último domingo, seis pessoas morreram durante confrontos entre professores e a polícia no Estado mexicano de Oaxaca. Pelo menos 100 pessoas ficaram feridas, incluindo muitos policiais.

Leire Ventas, na BBC Brasil

Este protesto, organizado pela combativa facção de Oaxaca da Confederação Nacional dos Trabalhadores de Ensino (CNTE), o principal sindicato da categoria do México, foi apenas o capítulo mais recente na resistência de um amplo setor da categoria em aceitar reformas educacionais introduzidas pelo governo em 2013.

Entre as medidas, a mais polêmica é a introdução de um sistema de avaliação do desempenho dos professores.

Os professores do México não são os únicos a resistir a esse tipo de iniciativa. No Chile também houve protestos quando , em 2006, foi introduzida uma medida parecida.

Entretanto, “a maioria dos países com bons resultados educativos avalia seus professores”, diz Cristián Cox Donoso, especialista em estratégia docente do Escritório Regional de Educação da Unesco para a América Latina e o Caribe.

É o caso de Xangai, Cingapura, Hong Kong e Japão, que aparecem nas primeiras posições do Programa Internacional para Avaliação de Estudantes (Pisa), utilizado pela Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE) para comparar o desempenho e matemática, ciência e leitura de meio milhão de adolescentes de 15 anos em 65 países, incluindo o Brasil.

A China tem um sistema complexo de avaliação de professores

A China tem um sistema complexo de avaliação de professores

 

Em Xangai, por exemplo, assim como no resto da China, existe um complexo sistema destinado a medir a qualidade dos professores. Os critérios gerais se estabelecem a nível nacional, detalham-se ao nível local, e cada escola é encarregada de levar a cabo as avaliações.

E as avaliações têm ainda critérios como integridade profissional e valores do professor, não apenas habilidades.

O processo tem autoavaliações, questionários dirigidos a colegas, alunos e pais, mas também leva em conta os resultados acadêmicos de seus alunos.

Os dados são enviados ao governo central.

“A China quer redefinir o sistema para fazê-lo mais científico”, diz Vivian Stewart, autora do livro A World-Class Education: Learning from International Models of Excellence and Innovation, que analisa iniciativas internacionais bem-sucedidas no campo da educação.

Stewart também elogia o sistema de avalição de professores em Cingapura. No país asiático, a avaliação anual é obrigatória desde 2005 para todos os professores. Ela leva em conta não apenas os resultados acadêmicos, mas também as iniciativas pedagógicas do professor, as contribuições para seus colegas e sua relação com os pais de alunos e organizações comunitárias.

E, durante três momentos do ano, o plano de aulas de cada professor é vistoriado pelo diretor ou sub-diretor da escola.

No Japão, cada professor estabelece objetivos junto à direção da escola no início do ano, e no final do ano tem seu desempenho avaliado.

Durante o ano, aulas são supervisionadas por grupos de professores – e em alguns casos por inspetores e mesmo autoridades via vídeo. Em Hong Kong, as escolas realizam avaliações anuais, que o governo revê a cada três anos.
Informalidade

Mas nem todos os sistemas são tão formais. Na Finlândia, país que segue sendo um importante referencial educacional a nível internacional, embora tenha perdido posições nas últimas edições do PISA, a maneira de medir o desempenho dos professores é diferente.

A Finlândia tem sistema de avaliação mais informal e baseado na confiança

A Finlândia tem sistema de avaliação mais informal e baseado na confiança

 

No início da década de 90, o paíes europeu aboliu o sistema de inspeção escolar e hoje as avaliações têm lugar na própria escola, com base em conversas entre o professor e o diretor. (mais…)

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Videogame e até açougue ajudaram na criação de livros nacionais recentes

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Antonio Xerxenevsky, Maria Valéria Rezende e Marcelino Freire.

Antonio Xerxenevsky, Maria Valéria Rezende e Marcelino Freire.

 

Rodrigo Casarin, no UOL

Captar a figura do escritor no momento em que ele está criando um novo trabalho. Essa é a proposta de “Ficcionais Volume 2”, título lançado pela Cepe que reúne textos sobre o processo de criação de autores nacionais que lançaram livros nos últimos cinco anos. A obra traz relatos de nomes de gerações e momentos da carreira bem diferentes, como Maria Valéria Rezende, Silviano Santiago, Raimundo Carrero, Marcelino Freire, José Luiz Passos e Antonio Xerxenevsky, que para escrever “F.”, romance de 2014, apostou no videogame para ajudar na construção do cenário. “Usei o Google Street View e – de ultíssima hora – o jogo GTA V para compor Los Angeles, e quase todas as informações sobre a ditadura tomei não de fontes livrescas, mas de relatos de minha mãe, que viveu na pele o clima de medo e paranoia que imperava na Porto Alegre dos anos 1960 e 1970”, revela.

São 30 escritores que entre breves ensaios, autointerpretações e confissões acabam por registrar o próprio trabalho e traçam um interessante panorama da literatura brasileira nesses últimos anos. Dentre os artigos, outra revelação que surpreende é a de Ana Paula Maria sobre o seu “De Gados e Homens”, publicado em 2013. “Decidi que era hora de escrever sobre algo que me atingisse com mais força. Queria o confronto no nível mais pessoal. Esse era o momento para escrever não somente sobre a morte, mas sobre aqueles que se alimentam dela, ou seja, eu e você, que comemos carne. O início disso tudo se deu em idas ao açougue do supermercado. Enquanto eu permanecia na fila aguardando por alguns bifes, só conseguia pensar no boi. E, principalmente, no sujeito que o havia matado”, revela.

Ao comentar sobre o premiado “Um Útero é do Tamanho de um Punho”, de 2012, Angélica Freitas relata algo comum entre praticamente todos os autores que participam do livro: “Cada vez menos acredito em inspiração vinda do nada”. Bruno Liberal, por sua vez, ao falar de “O Contrário de B.”, de 2015, faz uma ponderação importante para o leitor: “Escrever sobre o processo de criação de um livro é como contar uma história de pescador”.

Um terço dos textos presentes em “Ficcionais Volume 2” – o volume 1 saiu em 2012 – são inéditos, os outros já tinham sido publicados na coluna “Bastidores”, do Suplemento Literário Pernambuco. O lançamento oficial do livro acontece na segunda-feira, dia 27, na livraria Blooks do shopping Frei Caneca, em São Paulo, a partir das 19h30, e contará com os autores Julián Fuks, Micheliny Verunschk e Sidney Rocha – todos presentes na obra – e de Schneider Carpeggiani, responsável pela organização do trabalho.

Confira trechos dos textos de alguns escritores:

“Em ‘Lencinhos’, ‘História de Amor’, ‘Um Retrato’ e ‘Clandestinos’, permiti-me amar através da palavra, nunca perdendo de vista, é claro, a formalização, sem a qual poderia cair no melodrama fácil, para não dizer melosidade. Literatura é sempre linguagem e sou tido como um autor que gosta de experimentar e é verdade -, mas nos livros mais recentes permiti soltar mais a minha sensibilidade” – Sérgio Sant’Anna sobre “O Homem-mulher”, de 2014.

“Personagens não são feitos de ideias, mas de coração e experiência. Parte da experiência pode até dá-la o escritor, no entanto o coração e sangue para bombear dão-lhe certa estirpe de demônio inato, o tipo com o qual ou se nasce com ele ou não se é escritor, como disse Faulkner. É no coração humano do personagem que pulsa a verdade” – Sidney Rocha sobre “Fernanflor”, de 2015.

“Eu começo um livro partindo do ponto em que o mundo acaba. Muita gente quer escrever um romance, construir uma obra. Eu geralmente só quero botar uma máquina para funcionar. Apesar do cansaço, dos livros que vieram antes de mim” – Débora Ferraz sobre “Enquanto Deus Não Está Olhando”, de 2014, seu primeiro romance.

“De fato, o cinema me ajudou na feitura do livro. Explico: quando escrevo meus contos, nunca tenho uma história para contar. Vou descobrindo a partir da escrita sendo escrita. Esse método já fez com que eu desistisse de outros romances. Porque eu não conseguia improvisar (caminhar, às cegas) por muito tempo. Daí, fui eu buscar inspiração em filmes policiais, em reviravoltas de suspense, em tramas noir. Pegar a história pela mão até ela vir a vingar” – Marcelino Freire sobre “Nossos Ossos”, de 2013.

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