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‘Brincava com os livros’, diz cearense vencedor de Olimpíada de Português

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Ceará teve três vencedores, o maior número entre os estados brasileiros (Foto: Iury Holanda/Arquivo pessoal)

Ceará teve três vencedores, o maior número entre os estados brasileiros (Foto: Iury Holanda/Arquivo pessoal)

Três cearenses estão entre os vinte vencedores das olimpíadas.
Eles concorreram com mais de três milhões de estudantes de todo o País.

Verônica Prado, no G1

As estudantes Ester Raquel Fereira de Araújo e Joyce Maria Almeida Correia e a professora Tárcia Maria Gomes Martins, de São Gonçalo do Amarante, e o aluno Carlos Iury Holanda da Silva e a professora Maria Helena Mesquita Martins, de Fortaleza, estão entre os 20 vencedores nacionais da Olimpíada de Língua Portuguesa Escrevendo o Futuro. Joyce e Carlos foram vencedores na categoria artigo de opinião. Ester foi vencedora na categoria Crônica.

Os cearenses concorreram com mais de três milhões de alunos que participaram desta edição. A premiação correu no último dia 17, em Brasília e fizeram do estado o maior vencedor na edição 2014 da Olimpíada.

Professora diz que aluno tinha confiança em ganhar o prêmio (Foto: Helena Martins/Arquivo pessoal)

Professora diz que aluno tinha confiança em ganhar
o prêmio (Foto: Helena Martins/Arquivo pessoal)

“Não foi fácil. Foram semanas de dedicação na escrita do texto até chegar em Brasília. Entre milhões de textos do Brasil todo, ficaram 38 finalistas e dentre esses, cinco vencedores nacionais. Estar entre esses cinco textos campeões é algo que ainda não dá pra acreditar. mas a medalha de ouro está aqui no meu pescoço para lembrar que o sonho é mesmo real”, conta Carlos, que tem 17 anos e cursa o 2º ano do Ensino médio, na Escola de Ensino Fundamental e Médio Renato Braga.

Ele conta que a paixão por livros vem de muito tempo. “Quando eu era bem pequeno, os meus avós não tinham dinheiro para comprar brinquedos e me davam livros. Eu cresci ‘brincando’ com os livros”, diz. “A ficha ainda está caindo. Mas é muito bom ver o crescimento de um aluno, a paixão dele pela leitura e pela escrita. Ele acreditava mais na vitória do que eu”, diz a professora e orientadora, Maria Helena Mesquita Martins, da Escola Renato Braga.

O Ceará foi o único estado brasileiro com três vencedores na Olimpíada de Língua Portuguesa Escrevendo o Futuro e o único também onde uma professora foi vencedora em duas categorias, pela mesma escola e com dois alunos. “É uma felicidade incontida passar por essa experiência”, conta emocionada a professora Tércia Maria Gomes Martins, da Escola Adelino Cunha Alcântara, de São Gonçalo do Amarante.

Ela fala com orgulho das duas alunas vencedoras. “A Ester [Raquel Ferreira de Araújo] é uma menina fantástica, talentosa, espontânea e canta muito bem. De uma família simples, veio de Brasília morar em São Gonçalo do Amarante. Apesar das dificuldades, é muito estudiosa, muito capaz. O pai é o maior incentivador para que ela realize os sonhos”. Estudante do 1º ano do Ensino Médio, a professora conta que Ester ainda não se decidiu pela profissão. “Mas deve ser algo ligado à arte, à música”, acredita.

“A Joyce [Maria Almeida Correia] é maravilhosa, inteligente, capaz. Uma escritora nata, escreve porque tem prazer. Ela já disse que pretende cursar letras”, revela a professora. “A leitura faz parte do cotidiano das duas meninas e isso me enche de orgulho. É muito ver que com persistência e com trabalho sério a gente consegue conquistar os objetivos”, diz.

Concorrentes
Participaram alunos de 5º, 6º, 7º, 8º e 9º anos do Ensino Fundamental e 1º, 2º e 3º anos do Ensino Médio. Os alunos de 5º e 6º anos no gênero Poema, os de 7º e 8º anos desenvolvem textos do gênero Memórias Literárias, 9º ano do ensino Fundamental e 1º ano do Ensino Médio trabalham o gênero Crônica. Os alunos do 2º e 3º anos do Ensino Médio produzem artigos de Opinião. Em 2014, foram realizadas cinco etapas de triagem: escolar, municipal, estadual, regional e, finalmente, a nacional.

Os 20 vencedores nacionais, professores e alunos, receberam medalhas de ouro, um notebook e uma impressora. As escolas nas quais lecionam/estudam os selecionados também foram contempladas com laboratórios de informática, compostos por dez microcomputadores e uma impressora, além de um projetor multimídia e um telão para projeção e livros.

Olimpíada
A Olimpíada de Língua Portuguesa Escrevendo o Futuro é desenvolvida pelo Ministério da Educação e pela Fundação Itaú Social, sob a coordenação técnica do Centro de Estudos e Pesquisas em Educação, Cultura e Ação Comunitária (Cenpec). O programa, que este ano alcançou 5.014 municípios brasileiros, busca aprimorar a prática dos professores em sala de aula para o ensino de leitura e escrita em escolas públicas.

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“GTA” ganha livro que narra sua controversa (e bem-sucedida) história

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"GTA" ganha livro que narra sua controversa (e bem-sucedida) história

Foto: Divulgação / Divulgação

Recém-lançado no Brasil, “O Grande Fora da Lei – A Origem do GTA” conta como o jogo da Rockstar virou o maior fenômeno da cultura pop da última década

Gustavo Brigatti, no Zero Hora

Sam Houser ainda era uma criança quando o pai, dono de um sofisticado bar de Londres, o apresentou a Dizzy Gillespie. O músico, um dos grandes trompetistas do jazz, perguntou ao garoto o que ele gostaria de ser quando crescesse. A resposta do futuro cérebro por trás do maior simulador de crimes do mundo não poderia ter sido mais premonitória: ladrão de banco.

A passagem está em O Grande Fora da Lei – A Origem do GTA, extensa reportagem do jornalista norte-americano David Kushner sobre o mais controverso, popular e bem-sucedido jogo de videogame da história. Lançado no Brasil pela Darkside Books, o livro mergulha no caos em que orbita Houser desde sua chegada aos Estados Unidos, aos 20 e poucos anos, disposto a forçar limites dentro e fora da indústria do entretenimento.

O ponto de partida de GTA (abreviatura de Grand Theft Auto, O Grande Ladrão de Carros, numa tradução literal) é o caso de amor de Houser e seu irmão, Dan, pelo cinema e a música norte-americanos. Criados sob o rígido sistema educacional britânico, nada os atraía mais que os filmes de gângsteres e o hip hop, que glamourizavam a contravenção e cultuavam o dinheiro, o sexo e a violência. Usando uma mídia ainda em desenvolvimento e levada pouco a sério, eles misturariam tudo isso com uma dose extra de humor negro.

– GTA é uma carta de amor aos EUA – define Kushner, em entrevista por e-mail. – Seus criadores cresceram imersos na cultura pop americana, e o jogo foi a maneira que encontraram para celebrar e satirizar o país.

Deu certo, mas também deu errado. Para além da máquina bem azeitada de imprimir dinheiro, GTA foi responsável por amadurecer à forceps a opinião pública a respeito dos videogames. De repente, os jogos eletrônicos passaram a demandar a mesma atenção que o cinema, a música e a literatura – o que significou, por exemplo, serem culpados por cada tragédia envolvendo crianças e adolescentes que decidem matar os coleguinhas na escola.

Desde o primeiro título, lançado em 1997, GTA é um campeão de processos e está sempre no banco dos réus. O que para alguns seria má publicidade, para os irmãos Houser transformou-se no cartão de visita de sua produtora, a Rockstar. Controvérsia é, com orgulho, o sobrenome deles.

– Mas controvérsia sozinha não vende – Kushner pondera. – GTA desafiou nossos preconceitos sobre o que videogames deveriam ser, inovando e influenciando no âmbito da arte. É por isso que continuaremos a falar sobre ele por muito tempo.

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E-book de “A Culpa é das Estrelas” foi o mais baixado em 2014

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E-book de "A Culpa é das Estrelas" foi o mais baixado em 2014

A versão digital do livro, escrito por John Green, teve o maior número de downloads este ano na internet.

Publicado no Purebreak

 

A versão digital de “A Culpa é das Estrelas” foi a mais baixada no Google Play em 2014. O e-book passou na frente dos concorrentes e é o material com maior número de downloads na internet. Bom, digamos que isso não é bem uma surpresa. Depois do grande sucesso da adaptação cinematográfica estrelada por Shailene Woodley, o best-seller roubou os holofotes e não saiu da boca do povo.

Na categoria de livros gratuitos, por sua vez, o líder entre os mais procurados foi “Dom Casmurro”, lançado por Machado de Assis em 1899. Tá aí uma coisa que a gente não esperava! Mesmo sendo uma lenda da literatura brasileira, quem diria que aquele clássico que te obrigaram a ler na escola seria tão requisitado hoje em dia, né?

O filme baseado na história de John Green chegou aos cinemas em junho deste ano e conquistou fãs por todo o mundo. Além de Shailene, outros nomes como Ansel Elgort e Nat Wolff também estão presentes no elenco. “A Culpa é das Estrelas” tem direção de Josh Boone e, sem dúvidas, foi um dos filmes mais comentados de 2014.

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Colômbia irá imprimir cédulas com rosto de Gabriel García Márquez

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García Márquez morreu aos 87 anos em sua casa na Cidade do México (Foto: Divulgação)

García Márquez morreu aos 87 anos em sua casa na Cidade do México
(Foto: Divulgação)

Publicado no Correio do Estado

O Banco Central da Colômbia irá imprimir cédulas para homenagear o escritor Gabriel García Márquez, que morreu em abril de 2014 e é visto como o pai do estilo literário conhecido como realismo fantástico.

O Congresso colombiano aprovou, na terça (16), um projeto de lei instruindo o banco a estampar a imagem de “Gabo”, como ele era afetuosamente chamado, nas próximas notas que produzir. A lei também exige que certos locais de sua região natal sejam preservados para o turismo.

García Márquez, que começou a carreira como repórter de jornal, ficou famoso por sua obra-prima “Cem Anos de Solidão”, que lhe garantiu o Prêmio Nobel de Literatura em 1982. Credita-se a ele ter despertado a América Latina para milhões de leitores com suas histórias de amor e saudade.

“Gabo deixou uma coleção extraordinária de obras literárias e jornalísticas, cuja distribuição, leitura e estudo devem ser ativamente divulgados”, teria dito o congressista Antenor Durán segundo o jornal “El Espectador”.

García Márquez morreu aos 87 anos em sua casa na Cidade do México depois de sofrer durante algum tempo com uma pneumonia. Seus arquivos, incluindo manuscritos, álbuns de foto, máquinas de escrever e computadores, foram adquiridos pela Universidade do Texas no mês passado.

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O homem que distribuía livros

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O homem que distribuía livros
Conheça a história de Binho, o criador da Bicicloteca

Robinson Padial, no Projeto Draft

Binho1

Binho. Do Bar do Binho. Do Sarau do Binho. Da Bicicloteca. Um poeta cuja maior poesia é distribuir livros.

“Nasci em Taboão da Serra e fui criado no Campo Limpo, bairro da zona sul de São Paulo, carente de centros culturais. Sempre gostei de literatura, mas quando era mais jovem tinha que me deslocar para outros lugares em busca de bibliotecas.

“Há quase vinte anos abri o Bar do Binho, que hoje não funciona mais. A coisa mais bacana que acontecia por lá era a Noite da Vela, evento em que nos reuníamos para ouvir boa música em discos de vinil, sob luz bem baixinha. Apareciam umas 30 pessoas, e vez ou outra alguém resolvia recitar poesias.”
“Acho que aquele ambiente acolhedor, repleto de amigos, inspirava potenciais poetas. E não é que surgiram alguns? Em 2013 até lançamos um livro, o Sarau do Binho, que reúne poesias de 179 autores da região.

“Em 2004, a Noite da vela deu lugar ao Sarau do Binho, evento que acontece toda semana em escolas, praças e até em unidades do Sesc de bairros distantes da zona sul. Também já inventamos outras atividades itinerantes, como a Bicicloteca, que começou em Mongaguá, no litoral paulista. Era assim: uma bike adaptada repleta de livros rodava divulgando o sarau e distribuindo exemplares. Também já fomos até Curitiba organizando saraus em várias cidades. E, detalhe, caminhando!

“Além do grupo de amigos poetas, minha mulher, a Suzi, sempre me apoiou. Ela me ajuda, e muito, na nossa nova empreitada: receber doações de livros e distribuí-los sem custo no Terminal Campo Limpo. O evento, que acontece em média a cada dois meses desde 2013, arrecada mais de 3 mil livros a cada vez que acontece. Os exemplares costumam acabar em menos de 5 horas.

“Meu sonho, atualmente, é morar fora de São Paulo, em um sítio, e fazer deste lugar um centro cultural. Se acho que o meu trabalho na capital vai acabar? Claro que não. A semente já está plantada!”

Robinson Padial, o Binho, 50, poeta, vive em São Paulo (SP).

Esta matéria, e muitas outras conversas de marca da Natura, podem ser encontradas na Sala de Bem-Estar, no Rede Natura. Seja bem-vindo!

Envie a sua história para a Sala de Bem-Estar da Natura. A Natura quer conhecê-la. A Natura quer publicá-la.

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