Praças da Cidade

Os Miseráveis vai ganhar adaptação para a televisão

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Guilherme Cepeda, no Burn Book

Se você é fã de Os Miseráveis, esse é o seu momento!

A emissora BBC vai adaptar a aclama obra do autor Victor Hugo para a televisão, com destaque para o roteiro que está nas mãos de Andrew Davies (House of Cards).

A nova série da BBC terá 6 episódios, e as gravações devem começar em 2018, com locações na Bélgica e norte da França.

Originalmente lançado em 1862, o romance acompanha o fugitivo Jean Valjean, um ex-prisioneiro que luta para escapar dos erros de seu passado enquanto é perseguido pelo impiedoso policial Javert. Além de um renomado musical de palco, a obra já recebeu inúmeras adaptações de audiovisual, sendo a mais recente um longa estrelado por Hugh Jackman e Russel Crowe em 2012.

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“Boneco de Neve”: universo literário de Jo Nesbo ganha as telas

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Harry Hole, detetive da série de livros policiais, é vivido por Michael Fassbender. Filme tenta traduzir sucesso editorial em franquia

Felipe Moraes, no Metropoles

Contemporâneo de Stieg Larsson, autor sueco da trilogia “Millennium” que morreu antes de desfrutar do sucesso literário, o norueguês Jo Nesbo tenta transformar o detetive Harry Hole, personagem de onze best-sellers, em uma lucrativa franquia de Hollywood. Com Michael Fassbender na pele do policial, “Boneco de Neve” estreia nos cinemas nesta quinta-feira (23/11).

Apesar do inegável sucesso mundial – livros traduzidos para 50 línguas e 33 milhões de cópias vendidas –, Nesbo só teve uma de suas criações adaptadas para o cinema antes de “Boneco de Neve”. Em 2011, o longa norueguês “Headhunters” entrou no mundo corporativo para desnudar um executivo que faz um dinheiro extra como ladrão de obras de arte.

Desta vez, o voo é mais ambicioso. A trama envolve a investigação de Hole em torno de um serial killer que usa bonecos de neve como cartão de visitas. O desaparecimento de uma vítima marca a chegada da talentosa agente Katrine Bratt (Rebecca Ferguson, vista este ano em “Vida”) para conectar o novo crime a casos de décadas atrás nunca solucionados.

Com orçamento de US$ 35 milhões e uma filiação não oficial à atmosfera sombria de “Os Homens que Não Amavam as Mulheres” (2011), baseado na trilogia de Larsson, “Boneco de Neve” marca o retorno do sueco Tomas Alfredson à direção após “O Espião que Sabia Demais” (2011) e “Deixa Ela Entrar” (2008).

Antes das filmagens, Martin Scorsese chegou a ser cotado para comandar a adaptação. Não fechou, só entrou como produtor executivo, mas mandou emissária. Thelma Schoonmaker, montadora de confiança dele há décadas, dividiu a edição de “Boneco de Neve” com Claire Simpson.

Apesar da quantidade de credenciais artísticas atrativas, o filme sofre nas bilheterias – as cifras mundiais mal passam de US$ 37 milhões – e não tem acolhida gentil da crítica.

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Neil Patrick Harris lança seu primeiro livro infantil

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Neil Patrick Harris. Foto: Mark Veltman/The New York Times

Neil Patrick Harris. Foto: Mark Veltman/The New York Times

‘The Magic Misfits’ conta a história de mágicos que tentam impedir um vilão de adormecer uma cidade inteira; obra será dividida em quatro partes

Publicado no Estadão

Neil Patrick Harris acaba de lançar sua mais nova empreitada na área da literatura: o ator escreveu um livro infantil, o The Magic Misfits. A publicação começou a ser vendida na última terça-feira, 21, nos Estados Unidos, mas ainda não se sabe se a obra será traduzida para o português.

O livro conta a história do mágico de rua Carter, que, junto com um grupo de mágicos, vai tentar impedir o vilão B. B. Bosso de jogar um feitiço que faria todos os habitantes de New England dormirem para sempre. O livro é o primeiro de uma série de quatro publicações.

Harris já escreveu um livro antes, com a biografia Neil Patrick Harris: Choose Your Own Autobiography (algo como Escolha sua própria Autobiografia), mas essa é a primeira vez que o ator escreve para crianças.

“Com o mundo atual, é muito difícil ter uma conversa com adultos sem entrar em assuntos traumáticos. Há notícias muito traumáticas agora. E eu acho que é uma coisa maravilhosa não falar sobre essas coisas, e ser uma criança, e ler um livro com o qual você pode escapar da realidade, e escapar em algo que é aproximado da realidade, não é super fantástico e ensina algumas coisas”, disse o ator ao Mashable.

O ator diz que ama o mundo da magia, por isso escolheu uma história que envolve mágicos. “Eu amo magia, eu sou um mágico. Eu pensei que seria legal um livro ilustrado para crianças, ensinar um ou dois truques para elas. Tendo uma ideia legal, não foi difícil escrever. A ideia foi aceita, comecei a fazer, mas a equipe da editora disse: ‘por que você não torna isso um livro maior, uma série de quatro livros?’. E isso foi um desafio interessante, porque aí eu comecei a escrever para crianças que ainda não começaram a ler muito ainda”, contou o ator, que disse que se inspirou em seus próprios filhos para definir a linguagem que utilizaria.

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Edição em dois volumes reúne a obra completa de Vinicius de Moraes

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Organizados por Eucanaã Ferraz livros trazem músicas, poesias, prosas e teatros e permite identificar suas mudanças de estilo e sua evolução artística

Publicado no UAI

Lançada em 1968, a Obra poética de Vinicius de Moraes (1913-1980) buscava reunir a quase totalidade da escrita produzida pelo autor até então, mas o volume seguia uma catalogação que rompia com a cronologia, ainda que tomasse por base uma certa ordem temporal da escrita. Assim, destacavam-se arranjos geográficos, que associavam poemas a algumas cidades onde viveu o poeta, como Los Angeles, Paris e Montevidéu.

Vinicius de Moraes dizia que 'a maior beleza dessa arte modesta e heroica talvez seja a sua aparente inutilidade', referindo-se à poesia. (foto: Paulo Namorado/O Cruzeiro/Arquivo EM)

Vinicius de Moraes dizia que ‘a maior beleza dessa arte modesta e heroica talvez seja a sua aparente inutilidade’, referindo-se à poesia. (foto: Paulo Namorado/O Cruzeiro/Arquivo EM)

A opção provocava uma lista de problemas, como omissões ou desvalorização de trabalhos grandiosos, o que só foi ajustado em 2004, com o lançamento de Poesia completa e prosa (Nova Aguilar), sob a coordenação de Eucanaã Ferraz. É dele também a organização do box lançado agora pela Nova Fronteira, Vinicius de Moraes, continuação do primeiro trabalho e que reúne (em dois volumes) toda a sua produção em música, poesia, prosa e teatro.

Estabelecida, portanto, a magnífica escrita de Vinicius em ordem cronológica, é possível notar com mais clareza sua evolução e, principalmente, como o poeta passou de uma evidente preocupação religiosa no início da carreira para temas mais mundanos, como o cotidiano das pessoas e, principalmente, as relações amorosas.

“A obra de Vinicius de Moraes é um longo aprendizado do amor”, escreve Eucanaã na introdução de outra obra organizada por ele, Todo amor, lançada pela Companhia das Letras. “Em seus primeiros livros, a temática amorosa viu-se embaçada pela religiosidade do jovem atormentado por sentimentos e desejos que traziam consigo a nódoa do pecado. Otávio de Farias referiu-se a esse momento de poesia de Vinicius como o de uma luta entre a pureza impossível e a impureza inaceitável. Foi aos poucos que o poeta conquistou maturidade e desenvoltura nos planos afetivo e estético.”

ESTILOS De fato, a passagem do “sublime” ao “cotidiano” – como bem lembrou o crítico Carlos Felipe Moisés no volume que organizou para a saudosa coleção Literatura Comentada, da Editora Abril – não se fez de uma hora para a outra, mas “corresponde a um percurso acidentado, cheios de idas e vindas, repartido em múltiplos atalhos, que são os vários temas, estilos e direções tentados pelo poeta”.

Ele lembra, por exemplo, que logo em seu primeiro livro, O caminho para a distância (1933), Vinicius revela sua preocupação religiosa sob a forma de uma intensa angústia. “Uma consciência torturada pela precariedade da existência e, por isso, lançada na busca ansiosa de uma superação pela transcendência mística, o ‘sublime’. Some-se a isso o sentimento do pecado, um constante interrogar-se e o desejo de autopunição e estará explicado o porquê do desconsolo e do desespero”, observa Moisés.

O livro seguinte, Forma e exegese (1935), revela uma mudança de perspectiva do poeta, com os versos ganhando liberdade expressiva e, principalmente, em extensão. Também a mulher começa a merecer o foco de Vinicius, passando a ocupar um lugar primordial em sua poesia.

“A partir das Cinco elegias (1943), dois recursos básicos serão convocados por Vinicius de Moraes no sentido da definitiva superação da fase inicial”, comenta Moisés. “De um lado, o apelo ao cotidiano, à (aparente) banalidade da existência diária, como fontes de motivos e inspiração; de outro, a linguagem coloquial, enxuta, mais simples e direta, em que a espontaneidade será um triunfo imediato e não um árduo resultado obtido através do esforço retórico e teatral.”

É o momento em que a poética de Vinicius pousa em solo firme, solidificando seu aspecto humanista por meio do verso curto, do uso do humor e da ironia, que vão facilitar ainda mais a identificação com seu público. É também quando o amor começa a se expandir entre as métricas, atingindo a plenitude que transformou V

“Nos versos do primeiro Vinicius, o amor é exaltado com vocabulário nobre e imagens nebulosas; surge distante das experiências mais chãs e da linguagem do dia a dia, ou, ao contrário, mostra-se decaído por sua pureza aviltada”, nota Eucanaã em Todo amor. “Adiante, o poeta mais bem formado consolidaria uma escrita em que o amor baixa à esfera comum das vivências cotidianas, da expressão coloquial, numa manobra em direção à expressão mais direta, mais simples; a trama afetiva, por sua vez, adensa-se, marcada agora por erotismo e força intuitiva, leveza e naturalidade, ânimo humorístico e potência subversiva.”

Como exemplos, Eucanaã lembra dos sonetos, como os célebres Soneto de fidelidade, Soneto do maior amor e Soneto da separação. A musicalidade de sua poesia conduziu Vinicius naturalmente para as parcerias com cancioneiros célebres, como Baden Powell, Toquinho e, claro, Tom Jobim. O resultado são músicas que se tornaram clássicas graças ao talento do poeta em sintonizar sua sensibilidade pessoal com a coletiva. “O Vinicius-compositor brotou naturalmente do Vinicius-poeta”, atesta Carlos Felipe Moisés.

É curioso notar como o artista observava o próprio trabalho. Em Sobre poesia, publicado no livro Para viver um grande amor , Vinicius observa que, para o burguês comum, a poesia não se pode pendurar na parede, colocar no jardim, pôr no toca-discos ou mesmo encenar como um roteiro cinematográfico – “A maior beleza dessa arte modesta e heroica talvez seja a sua aparente inutilidade”, escreve. “Isso dá ao verdadeiro poeta forças para jamais se comprometer com os donos da vida. Seu único patrão é a própria vida: a vida dos homens em sua longa luta contra a natureza e contra si mesmos para se realizarem em amor e tranquilidade.”

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Intercâmbio despenca com fim do Ciência sem Fronteiras e fica restrito a quem pode pagar

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Participantes do programa Ciência sem Fronteiras (Foto: Divulgação)

Participantes do programa Ciência sem Fronteiras (Foto: Divulgação)

 

Valor seria insuficiente para gastos com passagem aérea, hospedagem e alimentação

Publicado na Época Negócios

número de intercâmbios entre alunos de graduação das universidades públicas brasileiras despencou com o fim do programa Ciência sem Fronteiras, do governo federal. Sem a ajuda do Ministério da Educação (MEC) desde julho de 2016 e em meio à crise econômica, as instituições de ensino federais e estaduais reduziram em até 99% o número de alunos enviados ao exterior até o ano passado. Para especialistas, esse dado representa não só uma perda de experiência acadêmica para os estudantes, mas também um prejuízo para a formação científica no país.

O Estado analisou dados de 17 instituições de ensino superior público – 30 universidades de todas as regiões do País foram procuradas pela reportagem, mas nem todas responderam. Entre as instituições analisadas estão as três estaduais paulistas, Universidade de São Paulo (USP), Universidade Estadual Paulista (Unesp) e Universidade Estadual de Campinas (Unicamp), além de outras 14 federais, de um total de 64. Todos os documentos foram obtidos por meio da Lei de Acesso à Informação enviados por cada uma das instituições.

Um dos casos mais dramáticos está na Universidade Federal do ABC, do Estado de São Paulo, onde só três bolsas foram concedidas no ano passado, ante 551 em 2014, auge do Ciência sem Fronteiras – uma queda de 99,4%. A universidade diz que, sem o respaldo do governo federal, viabilizar intercâmbio tem sido “um desafio”, mas que tem buscado aumentar a quantidade de convênios internacionais ao longo dos anos – atualmente há 18, em 10 países diferentes, segundo a instituição.

Sonho

Aluno de Engenharia de Gestão na UFABC, João Coelho, de 22 anos, ingressou na universidade em 2014 com o sonho de estudar no exterior. “Víamos muita gente indo e, logo que entrei, comecei a participar dos processos de preparação”, conta. Coelho chegou até a prestar o TOEFL, exame de proficiência de língua inglesa cuja inscrição custou cerca de R$ 800. “Nesse tempo de preparação acabou tendo o corte e o sonho ficou para trás”, diz o estudante, que pretendia ir a Dublin, na Irlanda, em 2016. Para ele, o fim do programa não é apenas uma perda para os alunos, mas também para o País. “Quem viaja traz muita coisa para que possamos aplicar aqui, desenvolver a ciência e a tecnologia no Brasil.”

Perdas e ganhos

Desde a sua criação, em 2011, o Ciência sem Fronteiras dividiu a opinião de especialistas. O programa era alvo de críticas pela falta de acompanhamento acadêmico aos estudantes e por ter pouco impacto científico, mas também era visto como uma oportunidade de compartilhar conhecimento, contribuir para o repertório científico do País e enriquecer o sistema educacional.

“O Ciência sem Fronteiras é uma faca de dois gumes. Por um lado, o Brasil apareceu pela primeira vez no cenário internacional. Por outro, teve um custo altíssimo, entre R$ 12 bilhões e R$ 15 bilhões e, até hoje, não se sabe exatamente qual foi o objetivo do programa”, diz o especialista em internacionalização do ensino superior Leandro Tessler, da Unicamp. Para ele, é importante que as universidades tenham algum tipo de oferta de internacionalização na graduação, mas com maior diálogo com os setores de cada uma delas e tentando trazer mais alunos estrangeiros para o Brasil.

O alto custo do programa também foi um dos principais argumentos do Ministério da Educação para encerrá-lo. Quando anunciou seu fim, em julho de 2016, o ministro da Educação Mendonça Filho (DEM) afirmou que, em 2015, o programa custou R$ 3,7 bilhões, para atender 35 mil bolsistas. De acordo com a pasta, esse mesmo valor foi usado para atender 39 milhões de alunos no programa federal de merenda escolar. Para o vice-presidente da Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência (SBPC), Carlos Roberto Cury, a redução das bolsas ofertadas para alunos de universidades públicas é um desfecho “cruel” da crise econômica no país.

“A ciência perdeu a circulação de cérebros, o compartilhamento de conhecimentos e descobertas que havia com os intercâmbios. Porque os alunos da graduação se tornarão os futuros pesquisadores, o prejuízo na formação deles impacta na ciência”, diz. Ele avalia, porém, que um dos problemas do programa foi na seleção dos alunos, que deveria ter ficado sob responsabilidade das universidades.

Bolsas privadas

Bolsas internacionais privadas, como o Santander Universidades, também registraram uma redução neste ano – foram 1.191 internacionais, ante 1.416 no ano passado. Mas o banco promete ampliar a oferta para 1.501 em 2018. “Programas de bolsas passaram por uma reformulação, e adotando um posicionamento focado em 3 pilares: formação, emprego e empreendedorismo”, diz, em nota. O banco apontou ainda que, nos últimos dois anos, concedeu mais de 1.900 bolsas para universidades públicas e, nos últimos cinco anos, 14.743 (incluindo bolsas nacionais).

MEC quer focar em ensino médio e pós-graduaçãoEm nota, o Ministério da Educação (MEC) informou que irá elaborar um estudo para viabilizar o envio de alunos do ensino médio para estudar no exterior. A pasta afirmou ainda que, em 2016, gastou R$ 1,7 bilhão para regularizar auxíliosque estavam atrasados a 19,3 mil bolsistas. Disse também que, agora, o foco do Ciência sem Fronteiras é na pós-graduação.

“Na semana passada, a CAPES (Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior) divulgou o edital do programa CAPES/PrInt, que terá R$ 300 milhões anuais para apoio a Projetos Institucionais de Internacionalização. No total, serão selecionados até 40 projetos.”

Segundo o MEC, os projetos selecionados receberão recursos para missões de trabalho no exterior, bolsas no Brasil e no exterior e outras ações de custeio aprovadas pela CAPES. Procurada, a USP não quis se manifestar. A Unicamp culpou o fim do Ciências sem Fronteiras pela queda nas bolsas e a “deterioração das condições econômicas” no país. Disse ainda que tem se empenhado em desenvolver e aprimorar as condições que viabilizem o intercâmbio internacional, adequando processos acadêmicos e facilitando a emissão de documentos em inglês. Já a Unesp informou que os altos custos e o fim do Ciência sem Fronteiras foram os causadores do problema.
Sem recursos

Sem recursos para custear sua estadia no exterior, a estudante de engenharia civil Sttefany Schiavone, 21, planejava fazer um intercâmbio por meio do Ciências sem Fronteiras quando ingressou na Escola Politécnica (Poli) da USP em 2015. O fim do programa, no entanto, a fez desistir da ideia. “Meus pais não têm condições financeiras de bancar um intercâmbio. Então, ou era o Ciências Sem Fronteiras, ou não tinha outro jeito”, diz.

Segundo a estudante, a faculdade até oferece convênio com universidades estrangeiras, mas a maioria exige investimento por parte do próprio aluno.

Esse é o caso de Ariane de Souza, de 20 anos, aluna do terceiro ano de Economia Empresarial, no câmpus da USP de Ribeirão Preto. Neste ano, ela conseguiu uma bolsa de R$ 20 mil para custear parte das despesas de um intercâmbio. A experiência de seis meses na Bélgica, no entanto, só será possível com a ajuda dos pais. “O valor é insuficiente para cobrir todos os gastos com passagem, alimentação, moradia, transporte. Felizmente eu tenho a ajuda dos meus pais e vou conseguir realizar meu sonho, mas muitas pessoas não conseguem ir mesmo com a bolsa”, diz.
Frustração

A estudante de Engenharia de Produção da Universidade federal do Rio Grande do Sul Cristhine Borges, de 25 anos, se preparou por mais um ano e meio para realizar o sonho de estudar fora. Fez aulas de inglês, juntou documentos e prestou os principais exames de proficiência no idioma – TOEFL e IELTS. Mas quando foi tentar, em 2015, o programa havia sido encerrado. “Eu contava muito com isso para o aperfeiçoamento do meu inglês, na profissão e na questão cultural também”, conta.

Para ela, que pretendia ir à Austrália, a falta do intercâmbio vai impactar sua vida profissional. “Afeta muito porque as empresas dão preferência para quem tem vivência no exterior. A gente percebe isso nas entrevistas e nas dinâmicas”, diz. A estudante conta que muito colegas que possuem o estudo fora do país conseguiram bons cargos no mercado.

Prejuízo e frustração são as duas palavras usadas pelo estudante do curso de Engenharia de Produção da Universidade Federal de Pernambuco , Felipe Veras, de 25 anos, para resumir o impacto causado em sua vida acadêmica pelo fim do programa Ciência sem Fronteiras.

“Eu investi tempo, dinheiro e muita energia na busca por uma vaga para conseguir realizar o sonho que era estudar fora do Brasil e trazer de volta uma bagagem que certamente iria ter um peso grande para o resto de minha vida”, lamenta. Além da decepção, Felipe teve que arcar com o pagamento de mais de um ano de curso de inglês e as taxas para a realização do exame de proficiência na língua inglesa, exigida pelo programa.

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