William Douglas

Diário da Princesa surgiu porque meninas merecem mais que casar, diz autora

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A escritora Meg Cabot diz que começou a escrever porque não haviam livros para jovens adultos na sua juventude

A escritora Meg Cabot diz que começou a escrever porque não haviam livros para jovens adultos na sua juventude

 

Eduardo Graça, no UOL

A americana Meg Cabot, 49, reinventou o hoje bilionário gênero de literatura para jovens adultos. Criadora de um certo “O Diário da Princesa” (2000), ela lança agora no Brasil dois livros: a continuação de seu clássico, “Diário de Uma Princesa Improvável”, e “Lembrança” (Editora Galera Record, 400 páginas), o sétimo tomo de “A Mediadora”.

O primeiro (Editora Galera Júnior, 208 páginas) revela a existência da meia-irmã da princesa Mia Thermopolis, Olivia, uma princesa negra, de 12 anos e com belos cabelos cacheados. O segundo, “Lembrança”, traz a heroína Suzannah novamente mediando a relação de espíritos e ‘fantasmas’ com os vivos ao seu redor, mas, quinze anos depois do primeiro livro da série, ela aparece mais madura, casada – vá lá, com sua alma gêmea, nascida no século 19 – e às voltas com dramas emocionais de gente grande, como a obsessão amorosa de um ex-namorado de quem ela já não gosta mais e a possível destruição de sua antiga casa.

Considerada a ‘rainha da literatura teen’ nos Estados Unidos, com mais de 25 milhões de exemplares vendidos mundo afora, Cabot conversou com o UOL sobre sua paixão por temas e personagens de cunho feminista na literatura infantojuvenil. “Meninas, nós temos sim opções além de encontrar o homem ou mulher certos e formar nossas famílias”, afirma.

Ela também anunciou o início da transformação em musical na Broadway de “O Diário da Princesa”, responsável no cinema pela explosão das carreiras de Anne Hathaway e Chris Pine, e contou que as negociações para um terceiro filme da franquia “estão em andamento, em passos lentos”.

Os melhores trechos da conversa seguem abaixo.

UOL – Você é apontada como a pioneira no gênero de literatura para jovens adultos. O que a fez escrever livros com trama e personagens voltados para leitores adolescentes?
Meg Cabot – Sabe por que eu comecei a escrever? Simplesmente não havia livros de jovens adultos para eu ler! Meu primeiro livro foi publicado na virada dos meus 30 anos, ainda era uma jovem adulta (risos). Os editores achavam, àquela época, que adolescentes queriam fazer outras coisas da vida, não ler. Havia uma ideia de que livros para jovens tinham de ser educativos, ou com conotação religiosa, mas sem diversão.

"Diário de uma Princesa Improvável" acaba de chegar às livrarias brasileiras e acompanha a meia-irmã da protagonista de "Diário da Princesa"

“Diário de uma Princesa Improvável” acaba de chegar às livrarias brasileiras e acompanha a meia-irmã da protagonista de “Diário da Princesa”

Algum título de outro autor para jovens adultos a tirou do sério a ponto de desejar que ele tivesse sido escrito quando a senhora era uma adolescente?
Harry Potter! Mas não vou me fazer de rogada, li como se fosse uma adolescente, do primeiro ao último livro. Também amo os livros da inglesa Louise Rennison (1951-2016), especialmente “Sonho de uma Meia-Calça de Verão”. E gosto muito dos livros da série “Crepúsculo”, de Stephenie Meyer. Achei interessantíssimo que as meninas, especialmente, tenham se identificado tanto com a história, contada do ponto de vista da protagonista (Bella).

Em seus livros os protagonistas também são quase sempre femininos. Há aí uma decisão de tratar do hoje tão falado empoderamento das mulheres?
Sim este é um dos aspectos mais importantes. Cresci em um ambiente tradicional e religioso, em que não se esperava muito das mulheres além de casamento e criação de filhos. Meninas, nós temos sim opções além de encontrar o homem ou mulher certos e formar nossas famílias. Para muitas de nós, é crucial encontrar a vocação profissional e/ou um hobby que nos faça feliz, que nos complemente, e não há nenhuma vergonha nisso. Quando comecei a escrever não haviam livros para adolescentes com personagens femininas fortes. Minha heroína era a Princesa Leia, de “Star Wars”, par a par com os homens ao seu redor. Era o tipo de princesa que me interessava, menos focada em encontrar seu príncipe encantado e sim em mudar o universo.

Sua princesa Mia, como Leia, também chegou a Hollywood, nas duas adaptações para o cinema de “O Diário da Princesa”, ambas dirigidas por Garry Marshall (1934-2016)…
Sim, e o Gerry foi um sonho para mim, a Disney comprou os direitos do primeiro filme antes mesmo de meu livro ser publicado, só com o manuscrito terminado, e ele dirigiu com o maior carinho e cuidado. Claro, os filmes, especialmente o segundo, são bem diferentes dos livros, como tinha mesmo de ser, mas Garry manteve a tônica no empoderamento feminino, algo que me interessava muito.

Há planos para um terceiro filme?
Posso dizer, sem levar bronca, que as coisas estão em andamento para um terceiro filme, em passos lentos. Mas, em primeira mão, posso contar que demos o pontapé inicial para um sonho antigo meu: um musical da Broadway a partir do primeiro livro. A Anne (Hathaway) é uma atriz de palco, canta lindo, porém não creio que ela poderia fazer a Mia de novo, por conta da idade. Mas ela acaba de ter um filho e fico aqui pensando: já imaginou se ela pudesse fazer a avó, a rainha (papel de Julie Andrews nos dois filmes)? Mas isso sai da minha alçada. Fico em casa escrevendo meus livros e torcendo para dar tudo certo.

O que você está escrevendo no momento?
Estou agora justamente escrevendo um livro relacionado ao “Diário da Princesa”, mais uma história em torno da Olívia, que está no centro de “Diário de Uma Princesa Improvável” (continuação de “Diário da Princesa” focada na meia-irmã da personagem), mas não posso contar mais nada além disso.

É correto assumir que a realidade serve de inspiração para séries com temas fantásticos como “A Mediadora” ou “O Diário de Uma Princesa Improvável”? Olivia, afinal, é negra…

Sim, Olivia tem raízes multiétnicas e sofre com isso, quando, na minha opinião, deveria ser algo a ser celebrado. Ela nasceu de minhas inquietações com este tema, com o preconceito racial que sempre tivemos de enfrentar na minha família. Agora mesmo vivo uma situação particular com toda a tragédia em torno das relações étnicas aqui nos EUA, com a polícia sendo acusada de agir de forma violenta contra cidadãos afro-americanos, um caso após o outro. Um de meus irmãos é policial. E o outro, adotivo, é negro. As discussões se dão na mesa de jantar, estamos todos buscando soluções.

Lá se vão 15 anos desde o primeiro livro de “A Mediadora”. Você tem fãs que viraram adultos acompanhando a Suzannah. Como é a sua relação com eles?
Alguns hoje tem a idade da protagonista, me convidaram para seus casamentos, para conhecer seus filhos. Quando fui ao Brasil pela última vez, em outubro, aconteceu algo que me tocou muito: alguns fãs levaram livros autografados por mim quando eles eram ainda crianças, com fotos, eu parecendo muito mais jovem, claro (risos). E vários chegaram com histórias comoventes, como os livros os ajudaram a passar por situações como a separação dos pais. Uma menina me marcou muito, a melhor amiga dela havia morrido em Santa Maria, no incêndio da boate (Kiss), no sul do Brasil, e os livros a ajudaram a sair de um estado terrível de depressão. Jamais havia experimentado algo assim. Foi forte.

E a senhora conseguiu aproveitar para conhecer mais o Brasil?
Sim, desta vez fui à Bahia. Não apenas Salvador, mas também Cachoeira, onde acontece a Flica (Festa Literária Internacional da Bahia). O que é a comida baiana, gente? É, aí sim, algo de outro mundo! Queria comer de novo acarajé e moqueca, mas aqui não encontro ninguém que faça. Fico só no sonho por enquanto, mas os meus, como sou sortuda, costumam se realizar (risos).

Anne Hathaway e Julie Andrews em cena de "O Diário da Princesa" (2001)

Anne Hathaway e Julie Andrews em cena de “O Diário da Princesa” (2001)

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Venda de livros de youtubers cresce 120% no País, aponta pesquisa

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Sessão de autógrafos com Evelyn Regly na Leitura do Shopping Nova América (Divulgação)

Sessão de autógrafos com Evelyn Regly na Leitura do Shopping Nova América (Divulgação)

 

Esse e outros dados foram apresentados pela GFK na Convenção Nacional de Livrarias, que discutiu, na quarta-feira, 24, o futuro do negócio

Maria Fernanda Rodrigues, no Babel

Se em 2015 o livro de colorir salvou o mercado de um ano que poderia ter sido catastrófico, em 2016 a aposta é nos livros derivados de canais do YouTube. Segundo a GFK, que acompanha o varejo de livro no País, a oferta de obras escritas por youtubers duplicou em comparação com o ano passado e o faturamento com o gênero cresceu 120%. É um refresco, mas outro dado preocupa: a venda de exemplares de livros em livrarias caiu 15,5%.

Dois gêneros registraram crescimento em 2016: Direito, por causa das atualizações dos códigos, cresceu 26% e HQ, que se beneficiou do cinema, 21%. Literatura brasileira registrou queda de 8,4% e literatura estrangeira, com 15,6% do mercado, é o segmento com melhor desempenho. Ainda de acordo com o levantamento da empresa, o e-commerce representa 29,7% do faturamento das redes.

Os dados foram apresentados na Convenção Nacional de Livrarias nesta quarta-feira, 24, em São Paulo, que reuniu livreiros de todo o País em conversas sobre o futuro do negócio. Confira outros destaques do evento.

A livraria do futuro

O painel com representantes das livrarias Travessa, Leitura e Curitiba era para discutir a livraria do futuro, mas a crise econômica e como o setor está tentando sobreviver a ela tomaram conta das discussões. A Travessa, do Rio, já enxugou 20% de seu quadro de funcionários. A Leitura está abrindo algumas lojas e fechando outras – mas a rede diz que ainda está no azul. A rede Livrarias Curitiba está otimista com a capacidade dos padres e dos youtubers de atrair um público diversificado para as lojas. Mas ninguém vê claramente o que vem pela frente.

Benjamin Magalhães, da Travessa, reforçou que é preciso pensar no mercado editorial como um todo. Ou seja, que livrarias e editoras revejam seu relacionamento e, no caso das editoras, que elas acertem suas dívidas.

Há quem defenda a diversificação de produtos como uma forma de chegar melhor lá no futuro, há quem prefira a ideia de especialização em alguma área. “Vamos ficar enchendo as lojas com bichinhos de pelúcia? É por aí?”, questiona Magalhães Mais adiante, Marcos Telles, da Leitura, disse: “Não queremos ser livraria de bombom, mas se ele está ali no caixa o cliente leva”. À propósito, hoje, livros respondem por 50% das vendas da Leitura.

Uma das reclamações dos palestrantes foi a impossibilidade de competir com as livrarias ponto com, que querem ser a Amazon e aceitam perder dinheiro para oferecer o livro mais barato até que a gigante americana. Esse modelo é irracional. Imagino que em algum momento essa maluquice acaba”, disse Marcos Pedri, da Curitiba. Magalhães aproveitou a deixa e reclamou do fato de os programas de compras governamentais negociarem direto com as editoras, tirando as livrarias da jogada.

A lei do preço fixo do livro, a nova (velha) bandeira do mercado, apareceu discretamente no debate.

Jabuti nas livrarias

A Câmara Brasileira do Livro quer o Prêmio Jabuti mais presente nas livrarias e aproveitou a convenção para pedir o apoio dos livreiros. A ideia é que ele funcione como uma espécie de curadoria dentro das lojas. Ou seja, que as livrarias dediquem um espaço especial para as obras premiadas. Vai haver uma promoção para motivar os livreiros, mas isso ainda será anunciado. Além disso, ela vai mandar um selo para que eles coloquem nos livros finalistas.

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Qual era o livro mais vendido no ano em que você nasceu?

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Compilamos os best-sellers dos últimos 40 anos no Brasil e nos Estados Unidos

Pamela Carbonari, na Superinteressante

Você já deve ter lido por aqui que quem lê vive mais. Ok, leitura não garante longevidade, mas pode diminuir suas chances de morrer se você mantiver o hábito de ler livros durante toda a vida – e não apenas jornais ou revistas (não há nenhuma ressalva se você ler Superinteressante, então continue conosco). Por isso e pelos outros tantos benefícios da leitura, não é novidade para nenhum leitor que a atividade seja primordial desde muito cedo.

Não importa se você é leitor desde o berço ou se adquiriu o hábito depois de adulto: se você pudesse comprar um livro no ano em que nasceu, que livro seria?

Compilamos os maiores best-sellers de ficção: para selecionar os hits literários no Brasil recorremos à lista dos mais vendidos da revista Veja. Também utilizamos a lista do The New York Times para encontrar as obras mais compradas pelos americanos nas últimas quatro décadas. Boa leitura!

1975

Brasil – Gabriela, Cravo e Canela, Jorge Amado

Estados Unidos – A Saga do Colorado, James Michener

1976

Brasil – Araceli, Meu Amor, de José Louzeiro

Estados Unidos – Triniy, Leon Uris

1977

Brasil –

Estados Unidos – Pássaros Feridos, Colleen McCullough

1978

Brasil- Conversa na Catedral, Mario Vargas Llosa

Estados Unidos – A Herdeira, Sidney Sheldon

1979

Brasil – Farda, Fardão, Camisola de Dormir, Jorge Amado

Estados Unidos – O círculo Matarese, Robert Ludlum

1980

Brasil- A Falta que Ela me Faz, Fernando Sabino

Estados Unidos- A identidade Bourne, Robert Ludlum

1981

Brasil- Crônicas de uma morte anunciada, Gabriel García Márquez

Estados Unidos- Os Rebeldes, James Michener

1982

Brasil – O Analista de Bagé, Luis Fernando Veríssimo

Estados Unidos – O Mosaico de Parsifal, Robert Ludlum

1983

Brasil – A Velhinha de Taubaté, Luis Fernando Veríssimo

Estados Unidos – A Garota do Tambor, John Le Carré

1984

Brasil – Tocaia Grande, Jorge Amado

Estados Unidos – Operação Aquitânia, Robert Ludlum

1985

Brasil – A Insustentável Leveza do Ser, Milan Kundera

Estados Unidos – Tripulação de Esqueletos, Stephen King

1986

Brasil – A Insustentável Leveza do Ser, Milan Kundera

Estados Unidos – A Coisa, Stephen King

1987

Brasil – As Brumas de Avalon, Marion Zimmer Bradley

Estados Unidos – O Preço do Amor, Danielle Steel

1988

Brasil – As Brumas de Avalon, Marion Zimmer Bradley

Estados Unidos – O Cardeal do Kremlin, Tom Clancy

1989

Brasil – As Areias do Tempo, Sidney Sheldon

Estados Unidos – A casa da Rússia, John Le Carré

1990

Brasil – Diário de um Mago, Paulo Coelho

Estados Unidos – O Ônus da Prova, Scott Turow

1991

Brasil – O Alquimista, Paulo Coelho

Estados Unidos – Scarlett, Alexandra Ripley

1992

Brasil – O Alquimista, Paulo Coelho

Estados Unidos- O Dossiê pelicano, John Grisham

1993

Brasil – Noite sobre as Águas, Ken Follett

Estados Unidos – As Pontes de Madison, Robert James Waller

1994

Brasil – Brida, Paulo Coelho

Estados Unidos – A Profecia Celestina, James Redfield

1995

Brasil – Comédias da Vida Privada, Luis Fernando Veríssimo

Estados Unidos – A Profecia Celestine, James Redfield

1996

Brasil – O Mundo de Sofia, Jostein Gaarder

Estados Unidos – Segredos do Poder, Joe Klein

1997

Brasil – O Mundo de Sofia, Jostein Gaarder

Estados Unidos – A Montanha Gelada, Charles Frazier

1998

Brasil – O Livro das Virtudes para Crianças, William j. bennett

Estados Unidos – O Advogado, John Grisham

1999

Brasil – O Homem que Matou Getúlio Vargas, Jô Soares

Estados Unidos – O Testamento, John Grisham

2000

Brasil – Harry Potter e a Pedra Filosofal, J.K Rowling

Estados Unidos – A Confraria, John Grisham

2001

Brasil – Harry Potter e a Pedra Filosofal, J.K. Rowling

Estados Unidos – O diário de Suzana para Nicolas, James Patterson

2002

Brasil – Harry Potter e a Câmara Secreta, J.K. Rowling

Estados Unidos – The Lovely Bones, Alice Sebold

2003

Brasil – Onze Minutos, Paulo Coelho

Estados Unidos – O Código da Vinci, Dan Brown

2004

Brasil – Budapeste, Chico Buarque

Estados Unidos – O Código da Vinci, Dan Brown

2005

Brasil – Fortaleza Digital, Dan Brown

Estados Unidos – O Corretor, John Grisham

2006

Brasil – Quando Nietzsche Chorou, Irvin D. Yalom

Estados Unidos – For One More Day, Mitch Albom

2007

Brasil – A Cidade do Sol, Khaled Hosseini

Estados Unidos – A Cidade Do Sol, Khaled Hosseini

2008

Brasil – A Menina que Roubava Livros, Markus Zusak

Estados Unidos – O Recurso, por John Grisham

2009

Brasil – A Cabana, William Young

Estados Unidos – O Símbolo Perdido, Dan Brown

2010

Brasil – A Cabana, William P. Young

Estados Unidos – A Rainha do Castelo de Ar, Stieg Larsson

2011

Brasil – A Guerra dos Tronos, George R. R. Martin

Estados Unidos – A Resposta, Kathryn Stockett

2012

Brasil – A Escolha, de Nicholas Sparks

Estados Unidos – Cinquenta Tons de Cinza, E. L. James

2013

Brasil – Inferno, Dan Brown

Estados Unidos – Um Porto Seguro, Nicholas Sparks

2014

Brasil – A Culpa é das Estrelas, John Green

Estados Unidos – O Pintassilgo, Donna Tartt

2015

Brasil – O Pequeno Príncipe, Antoine de Saint-Exupéry

Estados Unidos – A Garota no Trem, Paula Hawkins

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Quando a mulher era proibida de ler livros

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Rachel Weisz como Hipátia em cena do filme Alexandria.

Rachel Weisz como Hipátia em cena do filme Alexandria.

 

Mario Sérgio Lorenzetto, no Campo Grande News

Em uma tarde de março de 415 d.C. uma mulher de 60 anos é tirada de sua carruagem por uma multidão enfurecida, em Alexandria, no Egito. Em seguida, é despida e tem sua pele e carne arrancadas com ostras (ou fragmentos de cerâmica, segundo outra versão). É destroçada viva pela turba alucinada. Já morta, arrancam seus braços e pernas. O cadáver é queimado em uma pira nos arredores da cidade. Era o fim da trajetória impressionante de Hipácia de Alexandria. Hipácia foi a primeira mulher de fama internacional no mundo da matemática, astronomia e da botânica. Hipácia foi a primeira intelectual de renome e imensa influencia. “As mulheres que leem são perigosas”, assim pensavam, e agiam, os homens por dezenas de séculos.

Ilustração de Hipátia sendo retirada de sua carruagem. (fonte: irenesoldatos.eu)

Ilustração de Hipátia sendo retirada de sua carruagem. (fonte: irenesoldatos.eu)

 

Somente no século XIX o livro se tornou comum para as mulheres. Foi, e continua sendo, sua maior arma para a conquista da liberdade, sua possibilidade de existência, de se lançar em novos horizontes.

Entre a mulher e o livro estabeleceu-se uma aliança. Com ele, ela podia desejar e imaginar um mundo para si própria. Gesto um tanto ousado – e perigoso. Daí os homens desejarem impedi-la de ler ou controlar o que liam. Até o século XIX, os homens marginalizavam as mulheres que liam, rotulando-as de neuróticas e histéricas. Sobretudo as mulheres que liam “demais”. A leitura permitiu que tomassem consciência do mundo. A leitura, esse ato tão intimo, tão secreto, terminou por colocar a mulher para fora. Fora do núcleo familiar opressor. O vazio do mundo real foi tomado pela ficção.

Para quem vivia, e vive, na prisão do casamento sem amor, das regras sociais sufocantes, a leitura foi a possibilidade de viver em outro mundo que não o seu e, em seguida, mudar a própria vida. De adquirir prazer que lhe era negado. Um prazer solitário de início. Mas que passou à voz. E, depois um grito… de liberdade.

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Correios mudam regras e frete de livros pesados ficará mais caro

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Publicações compradas pela internet terão o custo elevado com a nova medida

Publicado no Noticias ao Minuto

Uma nova medida dos Correios, que enfrenta uma crise, vai deixar os livros comprados pela internet mais caros a partir do primeiro dia de setembro.

Segundo reportagem da Folha de S.Paulo, os Correios devem passar a permitir oficialmente o uso do registro módico, que torna possível o rastreamento de encomendas por 50% do valor do registro comum (de R$ 4,30), mas proibirão a postagem de livros como mala direta, o que é comum aos livreiros e a mais barata ao consumidor.

Questionados sobre a mudança, os Correios disseram à Folha que “o serviço vinha sendo utilizado para remessa de livros, o que causava desequilíbrio na estrutura de preços da empresa e na cobertura dos custos”. A resposta da empresa ainda fala que a “a proibição se baseia na própria definição e objetivo do serviço, que, no geral, funciona para para publicidade com vistas a vendas, prospecção e fidelização de clientes”.

Além das restrições de mala direta, os Correios vão limitar o volume na postagem através da modalidade impresso a faturar, que também é muito utilizada pelas lojas, que não consideram a distância entre CEPs. Sendo assim, os 20 kg atuais passam para 500 g. O que for maior que esse volume, deverá ser enviado por outros serviços, como PAC e Sedex, por exemplo, que são mais caros.

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