Os Dois Mundos de Astrid Jones

Jovem brasileira é única semifinalista da América em olimpíada de engenharia nuclear

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Arquivo pessoal

Adeline Daniele, na INFO

As áreas de engenharia e tecnologia ainda contam com pouca presença feminina, mas isso não impede que estas mulheres façam a diferença e e se destaquem em suas carreiras.

É o caso de Alice Cunha da Silva, a jovem estudante de 25 anos que se tornou a única semifinalista do Brasil e das Américas na Nuclear Olympiad, competição internacional de engenharia nuclear promovida pela World Nuclear University (WNU) para premiar alunos de graduação e pós-graduação que apresentem formas de aplicação nuclear que vão além da geração de energia ou combustível.

E o desafio foi grande para a estudante do último ano de engenharia nuclear na Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ). Alice conta a INFO que ficou sabendo do concurso pelo Facebook e pelo site da WNU, e apesar de focar seus estudos justamente na área de geração de energia e usinas, ela teve a ideia de participar da olimpíada falando sobre medicina nuclear – utilizada em tratamentos contra o câncer, mesma doença de sua avó. “É uma área grande e interessante que tem salvado vidas e muita gente não sabe disso”, diz.

Para participar da competição, a estudante teve que criar um vídeo de no máximo 60 segundos sobre o tema escolhido. Segundo Alice, os chamados radiofármacos são remédios que podem ser ingeridos ou inalados pelo paciente e têm a característica de se concentrar em regiões isoladas do corpo. “Então, com uma câmera especial que detecta radiação, os médicos podem ter uma imagem melhor de alguns órgãos permitindo fornecer um diagnóstico mais preciso da doença”, diz.

Para chegar até a penúltima fase do concurso, o vídeo de Alice passou por uma triagem com os juízes da World Nuclear University – que analisavam conteúdo, criatividade e relevância do tema – e, depois, foi avaliado pelo número de curtidas no YouTube, plataforma utilizada como base para o concurso.

Agora, a estudante está entre 10 semifinalistas do mundo inteiro e, caso tenha o maior número de curtidas em seu vídeo, passará junto a mais quatro finalistas para a etapa final, que será realizada em 17 de setembro na Agência Internacional de Energia Atômica em Viena, na Áustria.

Esta não é a primeira vez que a jovem se destaca na engenharia. Em entrevista para INFO, Alice conta que já teve a oportunidade de apresentar seu trabalho em um congresso organizado pelo MIT, já estudou por um ano nos Estados Unidos pelo Programa Ciência sem Fronteiras e chegou a co-fundar e presidir a Seção Estudantil de Engenharia Nuclear da UFRJ. Em 2012, ela teve o seu trabalho eleito como o melhor projeto do Centro de Tecnologia durante a Jornada de Iniciação Científica em sua universidade.

Alice durante III Semana de Engenharia Nuclear da UFRJ, em 2013

Alice durante III Semana de Engenharia Nuclear da UFRJ, em 2013

Mesmo morando longe da faculdade, na região de Santíssimo, a estudante também ajudou a organizar durante três anos a Semana de Engenharia Nuclear da UFRJ e hoje concilia sua rotina de estudos com um estágio. “Apesar das dificuldades para estudar, a universidade me possibilitou oportunidades que nem meus pais imaginavam pra mim”, afirma.

Para ajudar Alice a chegar em Viena e vencer a olimpíada, basta clicar no botão ‘Gostar’ em seu vídeo no YouTube até quinta-feira, 9 de julho, data em que os juízes farão a contagem no número de curtidas.

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O que é melhor: o livro original ou a adaptação para o cinema?

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Publicado em Revista Escola

As adaptações cinematográficas sempre foram alvos da revolta de fãs dos livros que as precederam. Há quem diga que um filme nunca irá superar a qualidade de uma obra literária. Um título em que senti esse desapontamento foi a versão cinematográfica de O Caçador de Pipas, livro sobre o qual já comentei aqui no blog. Fiquei com a impressão de que o caráter do protagonista mudou muito e empobreceu a obra. Então, saí pensando que deveria ser porque filmes não superam livros.

Para pesquisar o tema, voltei às décadas de 1950 e 1960 e revisitei a obra do grande cineasta Alfred Hitchcock (1899-1980), que produziu várias adaptações. A mais famosa se tornou o clássico Psicose (1960), baseado no livro homônimo de Robert Bloch (1917-1994). O cineasta acreditava que livros medianos podiam dar belíssimos filmes, enquanto obras-primas se tornavam filmes medíocres.

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Certa vez, em entrevista ao diretor francês François Truffaut, ele comentou sobre a impossibilidade de se adaptar obras como Crime e Castigo, do russo Fiódor Dostoiévski. “Jamais a deformaria. Não compreendo como alguém pode se apoderar da obra de outro que demorou anos e anos para escrevê-la e que é toda a sua vida”, afirmou, defendendo que um filme sério sobre tal livro deveria ter pelo menos 6 horas de duração! Apesar do exagero, penso que Hitchcock está correto ao enfatizar que não é possível comparar as obras nas duas linguagens.

Eu me lembro de que, quando ainda estagiava na antiga revista BRAVO!, dedicada à cultura, tive a oportunidade de conversar com o jornalista de cinema Rodrigo Salem. Foi ele quem me apontou que um filme não é a “materialização” de um livro e, sim, uma nova obra que toma como base o texto escrito. Concordo com ele.

Mas por que as pessoas têm essa sensação de que um é melhor do que o outro?

Rubens Rewald, professor de roteiro em audiovisual da Universidade de São Paulo (USP), diz: “Provavelmente esse julgamento tem a ver com a relação anterior que o indivíduo estabeleceu com o livro”. Para Rewald, a tendência é de que as pessoas gostem mais da primeira obra com a qual tiveram contato – seja um livro ou um filme. Seria uma dificuldade que nós leitores e espectadores temos de nos desvencilhar da ideia da história que formamos originalmente em nossa cabeça.

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Diminuição da população em idade escolar pode aumentar em 37% os salários dos professores brasileiros até 2025.

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Publicado em O Globo

O Brasil se comprometeu, no Plano Nacional de Educação (PNE), a pagar melhores salários aos seus professores. A meta é que, até 2020, um profissional com nível superior que dê aulas numa das etapas da educação básica receba o mesmo, em média, que os demais profissionais do ensino superior. Trata-se de um dos objetivos do PNE que mais vai demandar recursos públicos. Em 2013, último ano com dados do IBGE disponíveis, ainda estávamos longe de alcançar a meta em todos os níveis da educação básica. Na educação infantil, setor em que os salários eram os mais baixos, a renda média de um professor com carga horária de 40 horas semanais e nível superior completo representava 46% (menos da metade) do verificado para os demais profissionais com diploma universitário. No ensino médio, o quadro era só um pouco melhor: os salários médios dos docentes representavam 68% do registrado nas demais carreiras de ensino superior.

O esforço para cumprir esta meta não será simples, mas, também neste caso, ao menos um fator jogará a favor: a população em idade escolar está em queda. No livro “Professores Excelentes”, cuja edição em português foi lançada recentemente no Brasil pelo Banco Mundial, os pesquisadores Barbara Bruns e Javier Luque calculam, para dez países da América Latina e Caribe, qual seria o possível impacto da redução do número de alunos nos salários docentes. O raciocínio é que, com menos crianças e jovens, haverá também menor necessidade de professores para atender a demanda. Com isso, será possível pagar melhor aqueles que estiverem na profissão em 2025.

Mesmo considerando que o Brasil ainda precisa elevar a taxa de matrícula na educação básica, seria possível, segundo a estimativa, aumentar em 37% o salário médio dos professores. Entre dez países para o qual o cálculo foi feito, apenas o Uruguai terá situação ainda mais favorável: lá, o aumento salarial pode chegar a 65%, pois a queda projetada da população jovem até 2025 é ainda maior. Outros países da América Latina e Caribe teriam ganhos menores (ou nulos) porque sua população jovem cai em ritmo menos intenso, ou por causa de uma proporção maior de crianças ainda fora da escola.

Esta conta, no entanto, considera que os países terão que fazer escolhas. Esses percentuais só se aplicam no caso de a relação de alunos por professor se manter estável. O tamanho ideal de uma turma é um dos temas mais debatidos — e menos consensuais — na literatura acadêmica. Há pouca discordância, no entanto, de que salas de aula com mais de 40 alunos são certamente problemáticas, ainda mais num país onde os professores reportam altos níveis de indisciplina (No Brasil, a média no ensino fundamental é de 29 alunos por professor, mas há grande variação entre estados e escolas). O que gera mais controvérsia é a estimativa da melhoria da qualidade do ensino caso haja uma redução, por exemplo, de 30 para 20 alunos por turma. Isto teria certamente um custo alto, e, segundo os autores do livro, um impacto bem menor no aprendizado.

Seria, segundo eles, mais eficiente usar os recursos para aumentar o salário dos professores. Os ganhos dessa política certamente não seriam imediatos, já que o salário do professor tem pouca correlação, no curto prazo, com o desempenho dos alunos. O principal argumento é o de elevar o prestígio da carreira docente, ajudando assim a atrair mais profissionais qualificados e elevando o grau de exigência acadêmica para quem pretende entrar na profissão. É esta a lição dos países com melhor desempenho educacional.

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‘Maior poeta da história do Brasil’ ganha nova tradução para o inglês

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Tradução para “Quadrilha'', de Carlos Drummond de Andrade, no “New York Times''

Tradução para “Quadrilha”, de Carlos Drummond de Andrade, no “New York Times”

Publicado no Brasilianismo

O Brasil é “um país onde os poetas são levados a sério”, diz um texto publicado no “New York Times” para apresentar de forma muito elogiosa uma nova tradução para o inglês de textos de Carlos Drummond de Andrade, “amplamente considerado o maior poeta da história do Brasil”, segundo o jornal.

Crítica a livro com tradução de poesia de Drummond, no “New York Times''

Crítica a livro com tradução de poesia de Drummond, no “New York Times”

“Multitudinous Heart” (multitudinário coração) foi traduzido por Richard Zenith e reúne quase 400 páginas de versos do poeta brasileiro.

“Conhecemos um poeta sofisticado e cerebral (…) que se alterna entre melancolia e ironia, sentimental e auto-depreciativo, remoto e juvenil”, diz o jornal norte-americano.

A crítica publicada no “New York Times traz ainda trechos de algumas das mais famosas poesias de Drummond traduzidas (como os versos de “Quadrilha”, que vira “Square Dance” e que aparece no topo deste post).

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Garota de 15 anos conquista fãs ao escrever cinco livros, em Goiânia

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Keslley já escreveu cinco livro e tem outros dois em andamento (Foto: Arquivo Pessoal/Keslley Cremonezi)

Keslley já escreveu cinco livro e tem outros dois em andamento (Foto: Arquivo Pessoal/Keslley Cremonezi)

Um deles, ‘O sabor da vingança’, foi publicado e os outros, divulgados na web.
Romances se passam no século XIX e fazem críticas sociais durante história.

Vitor Santana, no G1

A estudante Keslley Michelly Cremonezi tem conquistado diversos fãs nas redes sociais por já ter escrito cinco livro com apenas 15 anos de idade, em Goiânia. Seus romances, divididos em uma trilogia e duas obras, se passam no século XIX e estão baseados em críticas sociais que se encaixam até mesmo nos tempos atuais. Um exemplo dessa temática é a busca constante e exagerada por dinheiro e poder. Além dos romances já finalizados, ela está escrevendo outros dois livros simultaneamente e os divulgando, parte por parte, na internet.

“As ideias surgem da análise das pessoas, da formação da sociedade. Gosto de fazer essas análises. Comecei com isso aos 10 anos, lendo grandes filósofos e livros iluministas”, diz a adolescente. Entre os autores que mais a influenciaram, Keslley cita Confúcio e Voltaire e explica que, ao ter contato com eles, começou a pesquisar suas vidas e ideias centrais de suas teorias.

Em seu primeiro livro publicado “O sabor da vingança”, escrito quando ainda tinha 13 anos, Keslley conta a história de um homem que não faz parte da elite social e se apaixona por uma jovem rica. Entretanto, ela o esnoba por não serem da mesma classe. Com raiva de tantas humilhações sofridas, o rapaz se muda para outra cidade, ganha poder e dinheiro e decide voltar para seu local de origem e se vingar de todos que o desprezaram.

“A história se passa em um lugar fictício, mas tem traços da história da sociedade brasileira”, explica. A escritora diz ainda que todos seus livros são de amor, mas cada um trabalha uma crítica diferente diante das mais variadas questões sociais.

Primeiro livro publicado trata de amor que se torna vingança(Foto: Arquivo Pessoal/Keslley Cremonezi)

Primeiro livro publicado trata de amor que se torna
vingança(Foto: Arquivo Pessoal/Keslley Cremonezi)

Orgulho
A mãe de Keslley, a vendedora Fabrícia Cremonezi disse que, no início, não desconfiava do potencial da filha. “Ela ficava até tarde no computador escrevendo. No início eu não dei muito valor. Quando ela terminou e eu fui ler, achei demais. Foi quando ela me falou que queria publicar”, lembra.

Ela também conta que a filha sempre se destacou na escola com boas notas. “É um orgulho para mim e uma surpresa toda essa inteligência e criatividade na escrita. Pelo que andei pesquisando, ela é a romancista mais nova do Brasil”, diz.

Com tamanha dedicação aos estudos, Keslley fez a prova do Exame Nacional do Ensino Médio (Enem) e, ainda no 1º ano do ensino médio, foi aprovada em duas faculdades particulares para administração e direito. Porém, por ainda não ter idade para entrar em um curso superior, ela continua estudando e, principalmente, escrevendo.

“Ela está com dois livros em andamento. E na internet, em um site, ela vai divulgando aos poucos, a medida que ela vai escrevendo as pessoas vão acompanhando. E tem muita gente que manda mensagem para ela, curiosos, querendo ler ainda mais, saber o que acontece com os personagens”, relata orgulhosa a mãe.

Além boa aluna e promissora escritora, Keslley também é uma inspiração para os irmão. “Tenho outros dois filhos, de 13 e 14 anos que viram ela escrevendo e também começaram, então a família toda está sendo contagiada e virando escritora graças à Keslley”, finalizou.

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