Uma Sombra na Escuridão

Vigilante analfabeto escreve livros e compõe músicas em Nova Serrana

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Valdivino conta com ajuda da filha para escrever livros (Foto: Tô Indo/Reprodução)

Valdivino conta com ajuda da filha para escrever livros (Foto: Tô Indo/Reprodução)

 

Anna Lucia Silva, no G1

O morador de Nova Serrana e vigilante Valdivino de Carvalho, de 55 anos, é analfabeto. Não aprendeu a ler e mal escreve o próprio nome. Frequentou a escola quando tinha sete anos e logo abandonou. Contudo, há dois anos descobriu que tinha o dom da palavra e resolveu registrá-las em livros.

De acordo com o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), 8% da população acima de 15 anos é analfabeta, ou seja, não sabe ler e escrever um bilhete simples no idioma que conhece. São 12,9 milhões de pessoas assim como o Valdivino Carvalho. Mas, para ele, essa condição não foi empecilho para registrar suas obras.

Valdivino tem dois livros já publicados em Nova Serrana. Além disso, ele também é compositor e cinco músicas já foram gravadas por um cantor do Vale do Jequitinhonha.

Valdivino relatou ao G1 que a inspiração para a escrita veio em um momento de muita sensibilidade, na ocasião da morte do filho mais velho. O primeiro livro ele deu o nome de: ‘A história real dos três irmãos Barbosa’ – que conta a história de vida da família, descendente de escravos.

Valdivino é morador de Nova Serrana e tem 55 anos (Foto: Tô Indo/Reprodução)

Valdivino é morador de Nova Serrana e tem 55 anos (Foto: Tô Indo/Reprodução)

 

A segunda obra chamada de “Os sinais” é justamente o registro de mensagens de paz e gratidão ao universo. O autor lembra que, mesmo sem entender as letras, já pensava em trechos de escritas, mas eles se perdiam e então resolveu pedir à filha Sarah para que ela fosse sua “caneta”, como ele mesmo destaca.

Sarah conta que não serve apenas de auxílio ao pai que não tem condições de escrever, ela é também a maior incentivadora. “No começo não levei muito a sério, confesso. Mas, ele começou a falar muito sobre isso e então comecei a copiar no caderno o que ele queria, porque na época não tinha ainda o computador. Eu saía de casa e ia até um vizinho pra poder digitar no computador”, contou.

Autor já escreveu dois livros e compôs mais de 800 músicas (Foto: Tô Indo/Reprodução)

Autor já escreveu dois livros e compôs mais de 800 músicas (Foto: Tô Indo/Reprodução)

 

O computador foi comprado depois da publicação do primeiro livro e tudo ficou mais fácil. Valdivino se senta ao lado da filha que com atenção escuta o pai e redige as histórias, versos e músicas.

Além de Sarah, quem ajuda o autor na revisão dos textos é o advogado e também escritor Marcelo Porchat. “O que me chamou atenção no Valdivino foi a simplicidade dele. Ele é analfabeto, nascido no Vale do Jequitinhonha e até os 50 anos era um porteiro comum. Hoje ele é uma unanimidade em Nova Serrana, onde todo mundo gosta dele, se aconselha com ele”, disse.

A falta de alfabetização não traz consigo arrependimentos ou atrasos para o que Valdivino deseja, pois para ele a sabedoria não está em pessoas letradas, como destaca.

Dica da Iva Bittencourt

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13 livros que os britânicos dizem que leram (mas só assistiram ao filme)

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Pesquisa realizada no Reino Unido revelou que jovens costumam mentir mais sobre o que e quanto leram recentemente

Pesquisa realizada no Reino Unido revelou que jovens costumam mentir mais sobre o que e quanto leram recentemente

 

Trabalho, família e filhos. No tempo livre, ainda vale uma espiada nas redes sociais.

Publicado na BBC Brasil

Em um mundo cada vez mais atribulado (e conectado), ler livros parece ter deixado de ser prioridade para muita gente.

Mesmo assim, o hábito continua influenciando na forma como somos vistos pela sociedade.

Atire a primeira pedra – ou o primeiro livro – quem nunca disse que leu um clássico sem nunca ter aberto uma página sequer.

Uma nova pesquisa, realizada pela ONG The Reading Agency no Reino Unido, revelou que a prática é mais comum do que se imagina nos dias de hoje.

Pior: quanto mais jovem, maior a chance de mentir.

De acordo com o levantamento, realizado com 2 mil adultos no país, dois em cada cinco britânicos (41%) confessaram ter mentido sobre o que e quanto leram recentemente.

Entre os millennials (18 a 24 anos), esse índice foi ainda maior: 64%.

Eles mentem não só o número de livros, mas também sobre que tipo de obras leram.

Um quarto deles (25%) admitiu ter dito que leu O Senhor dos Anéis, de JRR Tolkien, quando, na verdade, só assistiu ao filme.

Muitas pessoas dizem ter lido O Senhor dos Anéis, mas só assistiram ao filme

Muitas pessoas dizem ter lido O Senhor dos Anéis, mas só assistiram ao filme

Lamento

No entanto, a pesquisa mostrou que mais de dois terços dos entrevistados gostariam de dedicar mais tempo à leitura.

Segundo a sondagem, 67% deles afirmaram que queriam ler mais, mas praticamente a metade (48%) disse estar “muito ocupada”.

E mais de 35% alegaram ter dificuldade para achar um livro de que gostem.

Confira, abaixo, a lista dos 13 livros que os britânicos dizem que leram, mas só assistiram ao filme, em ordem de popularidade:

1) Romances e contos de James Bond, Ian Fleming

2) O Senhor dos Anéis, JRR Tolkien

3) As Crônicas de Nárnia, CS Lewis

4) O Código de Da Vinci, Dan Brown

5) Jogos Vorazes, Suzanne Collins

6) Trainspotting, Irvine Welsh

7) O Mágico de Oz, L Frank Baum

8) O Diário de Bridget Jones, Helen Fielding

9) Os Homens que Não Amavam as Mulheres, Stieg Larsson

10) O Poderoso Chefão, Mario Puzo

11) Um Estranho no Ninho, Ken Kesey

12) Garota Exemplar, Gillian Flynn

13) O Caçador de Pipas, Khaled Hosseini
Brasil

Segundo a pesquisa ‘Retratos da Leitura’, divulgada no ano passado pelo Ibope por encomenda do Instituto Pró-Livro, 44% dos brasileiros não leem e 30% nunca compraram um livro.

Ainda de acordo com o estudo, o brasileiro lê apenas 4,96 livros por ano – desses, 0,94 são indicados pela escola e 2,88 lidos por vontade própria.

A pesquisa ouviu 5.012 pessoas, alfabetizadas ou não.

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Harry Potter: Teoria de fã sugere que morte de Dumbledore tinha sido revelada em O Prisioneiro de Askaban

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Em profecia da Professora Trelawney, livro trazia pista de que diretor de Hogwarts morreria em Harry Potter e o Enigma do Príncipe.

Vitória Pratini, no Adoro Cinema

Uma das mortes mais marcantes da saga Harry Potter certamente é a de Dumbledore (e, por favor, isso não é spoiler há muito tempo!) – vivido nas telonas por Michael Gambon, Richard Harris e, em breve, por Jude Law na franquia Animais Fantásticos.

É sábido que J.K. Rowling deixou inúmeras pistas ao longo dos livros – e filmes – sobre alguns momentos-chave de Harry Potter, assim como o desfecho de alguns personagens. Em A Câmara Secreta, por exemplo, conhecemos o diário de Tom Riddle, que era uma horcruxe, termo do qual os fãs (e os protagonistas) nunca tinham ouvido falar e sua importância só foi revelada em O Enigma do Príncipe.

Por essa lógica, será que a autora poderia ter indicado a morte de Dumbledore bem antes de ele ser atingido por Severo Snape (Alan Rickman) e atirado da Torre de Astronomia em O Enigma do Príncipe? De acordo com uma teoria que anda circulando no Reddit, a resposta é sim.

O usuário xAnuq recentemente descobriu uma pista que sugere que Rowling insinuou a morte do diretor de Hogwarts no livro Harry Potter e o Prisioneiro de Azkaban, através de uma previsão da professora Sibila Trelawney (interpretada nos cinemas por Emma Thompson).
Warner Bros.

A história é a seguinte: em seu terceiro ano na escola, Harry (Daniel Radcliffe) e Rony (Rupert Grint) decidem passar o Natal em Hogwarts. Então, eles são convidados para um jantar com Dumbledore, Trelawney e outros.

Quando a professora de Adivinhação se aproxima da mesa que tem 12 pessoas sentadas, ela surta e diz que se recusa a se unir a eles, “prevendo” o seguinte:

“Se eu me juntar à mesa, seremos treze! Nada poderia ser dasafortunado! Nunca se esqueça que, quando treze jantam juntos, o primeiro a se levantar, será o primeiro a morrer!”.

Na cena do livro, ninguém prestou muita atenção ao “ataque” de Trelawney, mas Dumbledore se levanta a fim de acalmar sua colega.
Warner Bros.

A teoria comenta um fato interessante: quando a professora de Adivinhação se aproxima, ninguém percebe que treze pessoas já estavam sentadas à mesa – mais tarde, no livro, descobriríamos que Pedro Pettigrew (vivido nas telas por Timothy Spall) estava no bolso de Rony o tempo todo, disfarçado como o rato Rabicho; afinal, o bruxo o carregava no bolso para todo canto.

A presença de Pettigrew aumentaria, então, o número de pessoas sentadas para treze. Logo, quando Dumbledore se levanta, ele cumpre a profecia de Trelawney. Esse pode ter sido o ponto que determinou o destino do diretor e as consequências da profecia da professora.

E você, o que acha dessa teoria?

Vale lembrar que Animais Fantásticos 2 chegará aos cinemas em novembro de 2018.

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Como ler mais e mais rápido

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Crédito: Reprodução

Crédito: Reprodução

 

Maria Confort, no Manual do Homem Moderno

Algumas pessoas conseguem ler mais de 100 livros por ano. Sim, elas existem. Mas como fazem isso? E como elas dizem que as outras pessoas também conseguem fazer se quiserem?

Isso parece impossível pra você? Bom, não é. Eu, por exemplo, costumo ler cerca de 50 livros por ano, e sei que se eu me dedicasse um pouco mais, conseguiria alcançar a meta de 100 livros em 365 dias.

Porém, um especialista em memória e concentração entrevistado pela revista GQ disse que o segredo não é dedicação. Na verdade, é o desprendimento. Como assim? Ele dá dicas infalíveis para você ler mais e mais rápido – um livro por semana, especificamente.

Não leia antes de dormir, leia antes de trabalhar

A maioria das pessoas decide ler antes de dormir. Se você lê à noite, você provavelmente só vai conseguir vencer algumas páginas antes de ficar sonolento. Em vez disso, a recomendação é cair na leitura na parte da manhã. Mesmo se você não é tipo de pessoa que levanta bem mais cedo do que o necessário, use o tempo que você gasta fuçando o Facebook ou no Instagram antes de sair para o trabalho para ler alguns capítulos. Você também pode ler no caminho, se for trabalhar de ônibus, ou durante o café da manhã.

Abuse do transporte público

Além de economizar, ler no transporte público vai te fazer avançar bastante na leitura e te manter mais concentrado na história. Aliás, leve o livro para tudo quanto é canto.

Aliás, é importante levar o livro para tudo quanto é canto: consulta médica, shopping, enfim, qualquer lugar. Ter um livro por perto vai te fazer gastar aqueles minutos que você normalmente gasta no celular, lendo.

Se o livro estiver uma droga, pare

Não se sinta obrigado a terminar um livro porque já começou. Tem livros que não funcionam para determinadas pessoas, histórias que não cativam, tipos de leitura que não prendem. Enfim, se o livro estiver realmente chato ou ruim, largue. Vá ler outra coisa.

As livrarias ainda existem – pegue livros emprestados

Pegar um livro em uma livraria vai te obrigar a ler o livro mais rápido, afinal, você vai precisar devolver em um prazo, certo? Outra dica é pegar livros emprestados e pedir para a pessoa que te emprestou cobrar a devolução.

Leia mais de um livro ao mesmo tempo

Parece loucura, mas é uma boa tática. Leia mais de um livro ao mesmo tempo: um romance, um livro de “não ficção”, um quadrinho…Não importa.

Dessa forma, quando você se sentar para ler, vai sempre encontrar algo que se encaixe com o seu humor do momento. Se você, por exemplo, tiver muito tempo disponível, parta para o romance. Se o seu dia foi chato e cansativo, leia quadrinhos.

Mantenha um histórico do que você leu

Registrar o que você leu em aplicativos específicos ou até mesmo nas suas redes sociais vai te fazer se sentir mais realizado e também incentivado a continuar lendo. Pode apostar.

Dito isso: divirta-se. Ler não deve ser uma obrigação chata, deve ser algo que te dê prazer.

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São Paulo abriga 13 bibliotecas temáticas que você precisa conhecer

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Biblioteca Temática Paulo Setúbal

Biblioteca Temática Paulo Setúbal

 

As bibliotecas temáticas são espaços públicos dedicados a segumentos específicos. Tem biblioteca de poesia, biblioteca de cinema, e muitas outras em SP.

Luiz Paulo Pachella, no Vá de Cultura

A cidade de São Paulo abriga hoje 13 bibliotecas temáticas. São bibliotecas que, além do acervo tradicional de livros, oferecem, em cada unidade, publicações específicas sobre um determinado tema. Tem uma biblioteca focada só em poesia, por exemplo, e outra focada só em música. Outra em cinema, e por aí vai. Todas essas bibliotecas são públicas, e mantidas pela Secretaria Municipal de Cultura da capital.


O acervo das Bibliotecas Temáticas de SP

Um detalhe interessante é que além dos livros, cada biblioteca temática desenvolve programas e eventos ligados ao tema correspondente. Na biblioteca Cassiano Ricardo, que fica no Tatuapé e é dedicada à música, acontecem shows e, além disso, há um acervo de discos e CD’s, com alguns títulos raros.

Já no Ipiranga, na biblioteca Roberto Santos, dedicada ao cinema, há uma sala onde são exibidos filmes a preços populares. A sala SPCINE tem o mesmo nome do projeto que organiza as exibições. Os ingressos para assistir a um filme em cartaz na biblioteca custam R$ 4, com opção de meia entrada.

13 Bibliotecas Temáticas

Esses são só dois exemplos que ilustram de forma rápida como as bibliotecas temáticas de São Paulo funcionam. Há outras 11 bibliotecas em atividade, que funcionam da mesma forma, mas que têm temas diferentes e, alguns deles mais voltados às questões sociais atuais mais importantes, como a causa feminista e a cultura afro-brasileira.

Olha só a lista que a gente preparou, dividida por temas, com links para você conhecer cada uma delas:

 

Saber da existência dessas bibliotecas temáticas te possibilita uma nova experiência literária. Nos últimos anos criou-se, principalmente entre os cidadãos das grandes metrópoles, o hábito de frequentar as grandes livrarias. As bibliotecas quase são deixadas de lado na rotina do dia-a-dia.

Opinião

Se traçarmos um paralelo entre o hábito citado acima, e questões como a sustentabilidade, o consumo consciente e a relação entre os cidadãos, veremos que a própria literatura está fadada aos anseios e imposições do marketing e do consumismo. Nas bibliotecas públicas, e não só nas bibliotecas temáticas, em todas elas, o acesso à leitura é gratuito.

Esse acesso gratuito fomenta ainda o compartilhamento de obras e de experiências entre os leitores. O mais importante, porém, é que essas bibliotecas estão repletas de livros alternativos e outros ricos materiais exclusivos, que você não vê nas prateleiras de uma livraria. Então deixo aqui a dica: Visite as bibliotecas públicas! Conheça as bibliotecas temáticas. Além de ser uma experiência cultural diferente na sua agenda, é de graça.

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