Contando e Cantando (Volume 2)

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Não são só heróis! Conheça HQ’s que exploram temas de provas

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Cleberson Alcantara e Eduardo Aguilar, no Terra

Quanto mais se aproxima a época dos vestibulares, mais aumenta a pressão e o estresse com estudos. É importante nesse momento conseguir relaxar e ter um tempo de descanso, com atividades mais tranquilas. Pode ser com livros, filmes, passeios em exposições e até mesmo histórias em quadrinhos.

Não, quadrinhos não são só histórias de heróis. Existem obras que debatem assuntos pertinentes ao mundo ou que mostram visões diferentes sobre importantes momentos. O Terra Educação preparou uma lista com seis livros em formato de quadrinhos que servem tanto para distrair quanto ajudar a entender melhor assuntos que caem frequentemente nas provas.

Pérsepolis

Escrita pela iraniana Marjane Satrapi, “Persépolis” conta a infância e adolescência da própria autora, que viveu durante a ditadura islâmica em 1979. A obra pode ser um apoio para entender a história dos conflitos no Oriente Médio, assunto que está em pauta na mídia atualmente e, bem possivelmente, pode aparecer nos vestibulares. “Persépolis” foi adaptado para o cinema e concorreu ao Oscar de melhor animação em 2008.

 Persépolis - Marjane Satrapi Foto: Divulgação

Persépolis – Marjane Satrapi
Foto: Divulgação

Mafalda

Figura carimbada em provas, o cartunista argentino Quino se aproveitou da visão inocente e questionadora de uma criança para debater questões sociais e filosóficas. As tirinhas de Mafalda foram publicadas no período do regime militar da Argentina e mostram críticas à ditadura, mas apontam problemas pertinentes à América Latina até hoje, como crise econômica e desigualdade social. O livro “Toda Mafalda” compila todas tirinhas publicadas por Quino entre 1964 e 1973.

 Toda Mafalda - Quino Foto: Divulgação

Toda Mafalda – Quino
Foto: Divulgação

Asterix

“Estamos no ano 50 antes de Cristo. Toda a Gália foi ocupada pelos romanos… Toda? não! Uma aldeia povoada por irredutíveis gauleses ainda resiste ao invasor”. É assim que começa todo livro escrito pelos franceses Albert Uderzo e René Goscinny sobre as aventuras de Asterix e Obelix. Os famosos personagens tratam com humor de um momento importante da história europeia: o império romano. Além dos 35 livros lançados, Asterix já deu origem a cinco filmes.

 Asterix, o Gaulês - Albert Uderzo e René Goscinny Foto: Divulgação

Asterix, o Gaulês – Albert Uderzo e René Goscinny
Foto: Divulgação

Hiroshima – A Cidade da Calmaria

O mangá (nome dado aos quadrinhos japoneses) escrito por Fuimyo Kouno trata da história de sobreviventes da bomba atômica que devastou a cidade japonesa em 1945. Indo na contra mão da ação pela qual as animações japonesas são conhecidas, “Hiroshima” investe numa história mais delicada sobre o fato. O livro se passa dez anos após a tragédia e trata do impacto que a bomba causou no cotidiano da personagem Minami Hirano, que sobreviveu à destruição da cidade. (mais…)

50 anos de Mafalda

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A personagem argentina questionadora e ácida completa 50 anos, e ganha homenagens de cartunistas brasileiros

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Jacqueline Lafloufa, no B9

A primeira vez que me encontrei com Mafalda eu nem tinha entrado na adolescência. Era um enorme calhamaço de “Toda Mafalda” com várias tirinhas de uma menininha enfezada.

Gostei do que li, mas principalmente gostei de ficar intrigada. Dava para perceber que quem escrevia aquelas tirinhas queria dizer algo mais. De vez em quando eu entendia algo, mas no geral eu ficava apenas encafifada tentando compreender aquele sentido oculto latente que eu não conseguia desvendar sozinha.

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Do alto dos meus 11 anos, provavelmente muito do conteúdo das tirinhas de Mafalda passaria mesmo batido. Eu não fazia, na época, parte do público alvo do cartunista Quino. Os textos das tirinhas, ainda que ditos por uma garotinha de 6 anos, eram voltados para os adultos que viviam em uma época de repressão.

Publicadas entre 1964 e 1973, as insatisfações de Mafalda tinham como pano de fundo a ditadura argentina, considerada uma das mais violentas da América Latina. Portanto, eu jamais compreenderia sem a ajuda das aulas de história que a odiada sopa era uma alegoria dos governos militares, “algo que ela não gostava, mas que tinha que suportar”, nas palavras do próprio Quino.

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No dia 29 de setembro, Mafalda completou seu 50º aniversário, sendo lembrada por fãs do mundo todo pela sua sagacidade. Mesmo em um período histórico tão delicado, a personagem de Quino conseguia questionar o público, criticar as notícias do momento e a situação vigente na Argentina. Parte de uma família de classe média, Mafalda e seus amiguinhos representavam estereótipos do momento, funcionando como alegorias.

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Alguns cartunistas brasileiros, como Laerte, Caco Galhardo e Orlando, prestaram nas últimas semana tributos à personagem da forma que fazem melhor – através de cartuns divertidos, relembrando o jeitinho espevitado de Mafalda.

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Como parte das comemorações, a exposição “O Mundo de Mafalda” também deve chegar a SP em dezembro, depois de passar pelo país natal da personagem e por México, Chile e Costa Rica.

Mesmo não sendo publicada em jornais há mais de 40 anos, Mafalda ainda conta com uma enorme legião de fãs. Grande parte das críticas da personagem, ainda que pontuais e voltadas para a época, continuam muito atuais. Recentemente, adquiri minha própria edição de “Toda Mafalda”, para ler de novo tirinha por tirinha, agora provavelmente compreendendo melhor o que Quino pretendia passar nas entrelinhas. No meu último encontro com Mafalda, em Buenos Aires, encontrei-a pequenina, discretamente sentada em um banquinho, e quase passei batido por ela.

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A verdade é que a estátua que homenageia Mafalda não precisaria ser nem um centímetro maior do que é: considerada uma das personagens argentinas míticas mais famosas, ao lado de Che Guevara, Evita Perón e Carlos Gardel, a pequenina enfezada deixa evidente que tamanho jamais foi documento. Ao colocar questionamentos sérios em palavras infantis, Quino conseguiu despistar a repressão e manter a sua expressão sobre o momento.

“Há dois aspectos importantes sobre Mafalda: o primeiro foi o diálogo com fatos da época, algo inovador em tiras sul-americanas; o segundo, foi o diálogo estabelecido com o leitor adulto. Hoje, muitos se esquecem de que a série foi produzida num momento político bastante delicado da Argentina e que os adultos eram o público-alvo prioritário das histórias”, explica Paulo Ramos, jornalista especialista em HQs e blogueiro do UOL,

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Principalmente por conta de Mafalda, Quino foi recentemente agraciado com a principal honraria cultural espanhola, o Príncipe das Astúrias. Até para agradecer a premiação, percebe-se nele a mesma acidez que aparece em Mafalda. “Geralmente ganhamos prêmios quando já estamos cansados. Seria melhor se nos dessem quando somos jovens”, provocou o cartunista, hoje com 81 anos.

Parafraseando Julio Cortázar, o importante nessa história toda não é exatamente o que eu penso de Mafalda. Provavelmente tem mais a ver com o que Mafalda pensaria de nós, hoje em dia.

Feliz meio século, Mafalda! 🙂

Sucesso de Mafalda mostra que mundo mudou pouco em 50 anos, lamenta Quino

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Sucesso de Mafalda mostra que mundo mudou pouco em 50 anos, lamenta Quino

Publicado no IstoÉDinheiro

O mundo de desigualdades, guerras e injustiças que a pequena e mordaz Mafalda não conseguia entender há 50 anos continua atual, o que surpreende e até deprime o criador do famoso quadrinho, o argentino Quino.

O cartunista e humorista gráfico nunca imaginou a transcendência de sua irreverente criatura. Quino imaginava que, nessa era de novas tecnologias, “a garotada perderia o interesse na personagem e ela morreria de maneira natural”.

“Me surpreende que, cada vez, esteja mais atual. Me surpreende e me deprime um pouquinho também, porque quer dizer que (o mundo) não mudou grande coisa”, admitiu Joaquín Salvador Lavado, o Quino, em uma videoconferência realizada na Argentina.

Em plena celebração do 50º aniversário de Mafalda, Quino lamenta que, hoje em dia, haja mais gente pobre do que quando sua personagem nasceu, ou que aconteçam coisas “tão preocupantes” como as bárbaras decapitações do grupo jihadista Estado Islâmico.

Aos 82 anos, as preocupações de Quino continuam sendo as mesmas de quando criou essa ingênua e esperta menina, em 1964.

“As ideias que a Mafalda propaga são as minhas, e eu não sou um homem feliz a essa altura, vendo tudo que acontece no mundo (…). Estou bastante amargurado e transmiti à minha personagem as amarguras que eu sinto”, explicou o cartunista, entre risos.

“Uma coisa que continua me surpreendendo é que as pessoas me agradecem por tudo que eu dei a elas, e eu não sei muito bem o que eu lhes dei. Sei que fiz algo que tem muita repercussão, mas não sou muito consciente do que eu fiz”, afirmou.

Quino tem livros traduzidos para 26 idiomas e milhões de exemplares vendidos no mundo todo

Mafalda chega ao 50 anos sem perder atualidade; quadrinistas homenageiam

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A pedido do UOL, Maurício de Sousa imaginou o encontro cordial entre as duas maiores estrelas das histórias em quadrinhos sul-americanas: Mônica e Mafalda (Maurício de Sousa/UOL)

A pedido do UOL, Maurício de Sousa imaginou o encontro cordial entre as duas maiores estrelas das histórias em quadrinhos sul-americanas: Mônica e Mafalda (Maurício de Sousa/UOL)

Rodrigo Casarin, no UOL

“Papa?”
“O papai está trabalhando, Guile”
“Po quê?”
“Porque gente grande precisa trabalhar”
“Po quê?”
“Porque senão não dá para comprar comida, nem roupa, nem nada”
“Po quê?”
“Porque o mundo está organizado assim, Guile”
“Po quê?”
“Um ano e meio, e já é candidato às bombas de gás lacrimogênio”.

Os desenhos que ilustram a história acima são até dispensáveis para mostrar como continua atual o universo que rodeia Mafalda, clássica personagem de Quino e que nesta segunda-feira (29) completa 50 anos. A garotinha de cabelos negros ornados por uma fita e rosto gorducho ficou conhecida por causa de suas contestações e inconformismo com o mundo que lhe serviu de palco durante 1964 e 1973.

Filha de pais de classe média, Mafalda nunca se limitou a problemas típicos da infância e levou o olhar crítico e apurado para questões econômicas e sociais de todo o planeta. Demonstrava ojeriza às desigualdades, às injustiças e à violência da mesma forma que repudiava um prato de sopa. Na direção oposta, colocava Beatles no mais alto dos patamares.

“Mafalda é uma heroína ‘enraivecida’ que recusa o mundo tal qual ele é. (…) Já que nossos filhos vão se tornar –por escolha nossa– outras tantas Mafaldas, será prudente tratarmos Mafalda com o respeito que merece um personagem real”, cunhou o escritor Umberto Eco em “Mafalda ou A Recusa”, texto publicado em 1969 e que ajudou a torná-la famosa mundialmente.

Em sua cidade natal, Buenos Aires, Mafalda virou praça e estátua, uma das atrações preferidas de muitos turistas para as fotos. Mas ela representa muito mais que isso: apesar de ter vivido somente nos desenhos e tirinhas –e uma brevíssima incursão pelo desenho animado–, tornou-se uma referência de seu país, uma das dez figuras argentinas mais conhecidas em todo o mundo no século 20.

“Olhando em perspectiva, há dois aspectos importantes sobre Mafalda: o primeiro foi o diálogo com fatos da época, algo inovador em tiras sul-americanas; o segundo, foi o diálogo estabelecido com o leitor adulto. Hoje, muitos se esquecem de que a série foi produzida num momento político bastante delicado da Argentina e que os adultos eram o público-alvo prioritário das histórias. Esse fato direcionou a produção de tiras nos jornais argentinos a partir da década de 1970 e é sentido até hoje”, explica Paulo Ramos, jornalista especialista em HQs e blogueiro do UOL, autor de “Bienvenidos – Um Passeio pelos Quadrinhos Argentinos”.

"Conheci a Mafalda em 67 ou 68, acho. Foi um dos motivos para eu começar a fazer tiras. Quino é um dos modelos de humor mais claros que tive", revela Laerte (Laerte/UOL)

“Conheci a Mafalda em 67 ou 68, acho. Foi um dos motivos para eu começar a fazer tiras. Quino é um dos modelos de humor mais claros que tive”, revela Laerte (Laerte/UOL)

Um capricho no RG

Mafalda completa 50 anos neste 29 de setembro por capricho de seu criador. Na verdade, a menina surgiu em 1963 para uma campanha publicitária, mas Quino, então com 38 anos e já um dos principais desenhistas de humor do seu país, optou por considerar sua data de nascimento o dia em que ela estreou em uma tira independente, publicada no “Primeira Plana”, semanário importante da Argentina na época. O pedido do veículo era para que Quino tivesse uma colaboração regular com ênfase na sátira, e o sucesso veio rápido: em 1966, as tirinhas de Mafalda já eram veiculadas em diversos jornais da América Latina e a garotinha começava a despontar para o mundo.

Quino é o nome artístico de Joaquín Salvador Lavado, que nasceu em 1932 em Mendoza, no oeste da Argentina. Assim como sua personagem, ele veio de uma família de classe média. Começou a desenhar influenciado por um tio pintor e publicou sua primeira tira em 1954. Exilou-se em Milão, na Itália, em 1976 por conta da situação política de seu país, que se encontrava sob ditadura militar. Mais tarde, passou a viver entre Madrid –tornou-se cidadão espanhol em 1990– e Buenos Aires. Neste ano, ganhou o Prêmio Príncipe das Astúrias. O júri destacou o valor educacional e as características universais de sua obra.

Foi a universalidade que fez com que Mafalda extrapolasse a Argentina e virasse uma personalidade mundial. Até hoje faz bastante sucesso em países mais diversos, até mesmo do extremo oriente, como China e Japão. “É difícil precisar uma data de quando teria sido a primeira publicação de Mafalda fora da Argentina. No Brasil, ocorreu no comecinho da década de 1970. O eco se tornou maior quando chegou à Europa. O texto de Umberto Eco feito para a contracapa de ‘Toda Mafalda’, que reúne tiras da personagem, seguramente ajudou a dar o empurrão final. O escritor se referia a ela como ‘contestadora'”, registra Ramos.

Essa contestação se voltava a assuntos como a guerra no Vietnã, a situação econômica argentina e o futuro da humanidade. Pela postura, em 1977 Mafalda foi adotada pela Unicef (Fundos das Nações Unidas para a Infância) para ilustrar e comentar a Declaração dos Direitos da Criança. Por causa de suas ideias fortes, certa vez o escritor Julio Cortázar declarou: “O que eu penso da Mafalda não importa. O importante é o que a Mafalda pensa de mim”.

Apesar de todo posicionamento crítico, ela conseguiu escapar da censura de seu país em uma época que os militares procuravam calar qualquer voz que destoasse das posições oficiais da nação. Quino acredita que isso possa ter acontecido porque as tiras eram percebidas como algo menor, um mero entretenimento –algo evidentemente equivocado.

“Cresci com ela e, cada vez que a lia, entendia de novas formas. Sinto que ela também foi crescendo comigo. São quadrinhos reflexivos e com altos voos poéticos. Mafalda representa a todas as pessoas que sonham com um mundo melhor”, diz Gervasio Troche, quadrinista que nasceu na Argentina, mas se tornou cidadão uruguaio.

"O traço limpo e simples do Quino e as contestações sociais eram tudo que um pré-adolescente como eu precisava para continuar gostando de desenhar", afirma o ilustrador Orlando (Orlando/UOL)

“O traço limpo e simples do Quino e as contestações sociais eram tudo que um pré-adolescente como eu precisava para continuar gostando de desenhar”, afirma o ilustrador Orlando (Orlando/UOL)

Colegas de Mafalda e Quino

O sucesso de Mafalda é dividido também com seus colegas de tiras, personagens que em muitas ocasiões foram fundamentais para que a inteligência da garota se destacasse. Depois do pai, que adora cultivar plantas, e da mãe, dona de casa vista como medíocre, o primeiro a aparecer, no começo de 1965, foi Felipe, um rapaz magro, de dentes projetados e personalidade bastante introspectiva.

Aos poucos foram surgindo outros, como Manolito, um gorducho que coloca o dinheiro acima de todas as coisas; Susanita, garota de rosto alongado e marcada pela futilidade; e Miguelito, um menino mais novo que costuma levar tudo ao pé da letra; além de Guile, o irmãozinho mais novo de Mafalda. “Admiro como Quino refletiu a sociedade nas diferentes personalidades de seus personagens”, diz Troche.

O sucesso das tiras fez também com que toda obra de Quino fosse observada com atenção. O próprio Troche conta que foi graças à garotinha que conheceu os outros trabalhos de autor. “O livro que mais influenciou a minha carreira foi ‘Gente En Su Sitio’. Eu era um adolescente e buscava uma forma de me expressar com desenhos. Quando o li, senti uma emoção gigante e encontrei o que gostaria de fazer”.

Quem segue linha semelhante é o quadrinista brasileiro André Dahmer. “Assim como [Robert] Crumb e [Charles] Schulz, Quino é uma escola dentro dos quadrinhos e da arte gráfica. Mafalda é icônica, brilhante e exata. Acho o trabalho de cartum do Quino mais importante e interessante, mas fica aqui o registro da invenção de um clássico”.

A declaração de Allan Sieber, outro quadrinista nacional, vai ao encontro à de Dahmer. “Na verdade, fui mais influenciado pelos cartuns do Quino do que pelas tiras. E reza a lenda que ele acabou com a Mafalda porque o Jaguar falou que era uma m…”.

"Me colocando como leitora mas também como cartunista, o que mais admiro na produção do Quino, e principalmente na Mafalda como personagem, é a perspicácia. Essa ironia fina que traduz aquela realidade pungente, sem tirar nem pôr. Que nos comove - frente a questões sociais que até hoje não foram resolvidas! - e causa identificação. A piada sagaz, no tempo e no tom certo. É um mestre", diz a quadrinista Chiquinha (Chiquinha/UOL)

“Me colocando como leitora mas também como cartunista, o que mais admiro na produção do Quino, e principalmente na Mafalda como personagem, é a perspicácia. Essa ironia fina que traduz aquela realidade pungente, sem tirar nem pôr. Que nos comove – frente a questões sociais que até hoje não foram resolvidas! – e causa identificação. A piada sagaz, no tempo e no tom certo. É um mestre”, diz a quadrinista Chiquinha (Chiquinha/UOL)

Aposentadoria precoce

Ao longo de sua história, Mafalda passou por algumas publicações argentinas, mas em meados de 1973 seu criador decidiu que era hora de encerrar as tirinhas com a personagem. Dizia estar cansado de fazer sempre a mesma coisa, que encontrava dificuldades em não se tornar repetitivo. Apesar de desenhá-la novamente em uma situação específica ou outra, colocava ali um ponto final nas tramas da garota e seus colegas. Mas Mafalda continuou sendo lida e muito bem quista pelas décadas e gerações seguintes.

Em recente entrevista à agência de notícias EFE, Quino disse ser “como um carpinteiro que fabrica um móvel, e Mafalda é um móvel que fez sucesso, lindo, mas para mim continua sendo um móvel, e faço isto por amor à madeira em que trabalho”.

Por mais que tente transformar a garotinha em um mero objeto, o cartunista jamais conseguiu desvincular seu nome do de sua criatura. “Não sei dizer se, na época, ele tinha dimensão do ícone que iria ser criado a partir de então. Assim como Che Guevara, Evita Perón, Carlos Gardel, Mafalda foi inserida no rol de personagens míticos da cultura argentina, que saíram de cena no auge de suas diferentes atuações. Mafalda é uma filha que Quino carrega até hoje”, diz Ramos. “É uma dessas obras que atravessaram o tempo. Cada artista reflete a sua época, mas há obras que perduram porque foram feitas para transcender”, completa Troche.

Argentina comemora 50 anos de Mafalda com mostra

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Publicado por Folha de S.Paulo

Mafalda, uma das mais famosas personagens dos quadrinhos argentinos, é tema de uma exposição em Buenos Aires que teve início nesta semana.

“El Mundo Según Mafalda” (“O Mundo segundo Mafalda”, em livre tradução do espanhol) traz reconstruções de cenas dos quadrinhos desenhados por Joaquín Salvador Lavado, mais conhecido como Quino, além de estátuas dos personagens, jogos, músicas e muitas outras peças interativas.

O cartunista Quinto, criador da Mafalda, na inauguração da exposição em Buenos Aires (Natacha Pisarenko/Associated Press)

O cartunista Quinto, criador da Mafalda, na inauguração da exposição em Buenos Aires (Natacha Pisarenko/Associated Press)

A exposição marca o aniversário de 50 anos de Mafalda, assim como os 60 anos da estreia de Quino como chargista.

Após passar também por México, Chile e Costa Rica, a mostra está programada para chegar a São Paulo em dezembro deste ano.

Mafalda é uma garotinha argentina cheia de questionamentos sobre a vida e a sociedade.

Junto a seus amigos e seus pais, suas histórias comovem crianças e também adultos há décadas e suas aventuras já foram traduzidas para cerca de 30 línguas.

Quino ganhou este ano o prêmio Príncipe de Astúrias de Comunicação e Humanidades.

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