Canal Pavablog no Youtube

Posts tagged dia da consciência negra

10 escritores brasileiros negros

0

Estela Santos, no Homo Literatus

Dez autores que representam a realidade vivida pelas pessoas negras em nosso país
Embora não tenha muito espaço nas grandes editoras e nos grandes eventos literários, existe literatura de boa qualidade escrita por negros e negras no Brasil. É importante haver essa literatura no país, pois ela tem como foco a representatividade, isto é, uma literatura que retrata e explicita o cotidiano, os impasses e os problemas sociais e históricos vivenciados pelas pessoas negras do país.
Esta lista busca indicar, de forma concisa, dez autores, romancistas, poetas, contistas e cronistas. Claro que existem muito mais escritores que igualmente merecem atenção e espaço no mundo literário brasileiro, ainda tão branco e elitista. Abaixo são destacados autores, alguns já muito conhecidos e outros nem tanto, altamente contemporâneos, bem como suas produções literárias. Confira:
 
1. Maria Firmina dos Reis
Maria-Firmina-dos-Reis
A escritora Maria Firmina dos Reis, nascida em São Luís – MA, rompeu barreiras no país e na literatura brasileira. Aos 22 anos, no Maranhão, foi aprovada em um concurso público para a Cadeira de Instrução Primária e, por isso, foi a primeira professora concursada do estado. Seu romance Úrsula (1859) foi o primeiro romance abolicionista brasileiro e, além disso, o primeiro escrito por uma mulher negra no Brasil. No auge da campanha abolicionista, publicou A Escrava (1887), o que reforçou a sua postura antiescravista. Publicou ainda o romance Gupeva(1861); poemas em Parnaso maranhense (1861) e Cantos à beira-mar (1871). Além disso, publicou poemas em alguns jornais e fez algumas composições musicais. Quando se aposentou, em 1880, fundou uma escola mista e gratuita.
 
2. Carolina Maria de Jesus
carolina
Carolina Maria de Jesus, moradora da antiga favela do Canindé, em São Paulo, é conhecida por relatos em seu diário, que registravam o cotidiano miserável de uma mulher negra, pobre, mãe, escritora e favelada. Foi descoberta pelo jornalista Audálio Dantas, encarregado certa vez de escrever uma matéria sobre uma favela que vinha se expandindo próxima à beira do Rio Tietê, no bairro do Canindé; em meio a todo rebuliço da favela, Dantas conheceu Carolina e percebeu que ela tinha muito a dizer. Seu principal livro é Quarto de despejo (1960), no qual há relatos de seu diário. Também publicou Casa de Alvenaria (1961); Pedaços de fome (1963); Provérbios (1963); postumamente foram publicados Diário de Bitita (1982); Meu estranho diário (1996); entre outros.
 
3. Joel Rufino dos Santos
Joel-Rufino-dos-Santos
O carioca Joel Rufino dos Santos, além de escritor, foi historiador e professor, um dos nomes de referência sobre o estudo da cultura africana no país. Foi exilado por suas ideias políticas contrárias à ditadura militar brasileira e, por isso, morou na Bolívia durante um tempo, mas foi detido quando retornou ao Brasil, em 1973. Também trabalhou como colaborador nas minisséries Abolição e República, de Walter Avancini. Além disso, já ganhou diversas vezes o Prêmio Jabuti de Literatura, o mais importante no país. Publicou os livros Bichos da Terra Tão Pequenos (2010); Claros Sussurros de Celestes (2012); Crônica De Indomáveis Delírios (1991); Na Rota dos Tubarões (2008); Quatro Dias de Rebelião (2007); além de outras publicações não literárias.
 
4. Machado de Assis
machado-de-assis
Joaquim Maria Machado de Assis quase dispensa apresentações, pois é considerado o maior nome da literatura brasileira. Além de seus tão conhecidos romances, publicou contos, poemas, peças de teatro e foi pioneiro como cronista. Publicou em inúmeros jornais e foi o fundador da Academia Brasileira de Letras, juntamente com escritor José Veríssimo. Machado de Assis foi eleito presidente da instituição, ocupando este cargo até sua morte. Escreveu mais de 50 obras, mas está para sempre imortalizado por causa das obras Memórias Póstumas de Brás Cubas (1881); Quincas Borba (1891); Dom Casmurro, (1899) e O Alienista (1882). Vale relembrar que até pouco tempo atrás, era representado como um homem branco em determinadas propagandas.

5. Elisa Lucinda
Elisa-Lucinda
Elisa Lucinda dos Campos Gomes é uma poeta brasileira, jornalista, cantora e atriz brasileira. É muito conhecida por suas atuações em novelas da Rede Globo, pelo prêmio que recebeu pelo filme A Última Estação (2012), de Marcio Curi, e pelos seus inúmeros espetáculos e recitais em empresas, teatros e escolas de todo o Brasil. Publicou inúmeros livros, dentre eles A Lua que menstrua (1992); O Semelhante (1995); Eu te amo e suas estreias (1999); A Fúria da Beleza (2006); A Poesia do encontro (2008), com Rubem Alves; Fernando Pessoa, o Cavaleiro de Nada (2014). Além disso, lançou CDs de poesias.
 
6. Cruz e Sousa
cruz e sousa
João da Cruz e Sousa, também conhecido como Dante Negro ou Cisne Negro, foi o único poeta de pura raça negra, não tinha nada de mestiço, segundo Antonio Candido (grande estudioso da literatura brasileira e sociólogo). Era filho de escravos alforriados, mas recebeu a tutela e uma educação refinada de seu ex-senhor, o marechal Guilherme Xavier de Sousa – de quem adotou o nome de família, Sousa. Aprendeu línguas como francês, latim e grego. Além disso, aprendeu Matemática e Ciências Naturais. Seus poemas simbolistas são marcados pela musicalidade, pelo individualismo, pelo espiritualismo e pela obsessão pela cor branca. Publicou os livros Broquéis (1893); Missal (1893) Tropos e Fantasias (1885), com Virgílio Várzea; postumamente foram publicados Últimos Sonetos (1905); Evocações (1898); Faróis (1900); Outras evocações (1961); O livro Derradeiro (1961) e Dispersos (1961).
 
7. Mel Adún
Mel-Adun
Mel Adún é uma escritora afro-baiana que reside em Salvador. Além disso, é pesquisadora e assessora de imprensa e comunicação do Coletivo Ogum’s Toques. Iniciou sua carreira literária no ano de 2007, escrevendo textos dos mais variados gêneros para diversas idades, sempre retratando a presença do lugar feminino na sociedade brasileira, em especial do feminino negro. Publicou o livro A lua cheia de vento (2015), participou da Coletânea Ogums Toques Negros (2014) e de alguns números da antologia Cadernos Negros.
 
8. Conceição Evaristo
Conceicao-Evaristo
A escritora brasileira Conceição Evaristo foi criada em uma favela da zona sul de Belo Horizonte. Em sua vida teve de conciliar os estudos com a vida de empregada doméstica, formando-se somente aos 25 anos. No Rio de Janeiro, passou em um concurso público para o magistério e estudou Letras (UFRJ). É mestra em Literatura Brasileira (PUC-RJ) e doutora em Literatura Comparada (UFF). Atualmente, leciona na UFMG como professora visitante. Estreou na literatura em 1990, com obras publicadas na antologia Cadernos Negros. Suas obras abordam tanto a questão da discriminação racial quanto as questões de gênero e de classe. Publicou o romance Ponciá Vicêncio (2003), traduzido para o inglês e publicado nos Estados Unidos em 2007; Poemas da recordação e outros movimentos (2008) e Insubmissas lágrimas de mulheres (2011).
 
9. Fátima Trinchão
Fatima-Trinchao-por-Roberto-Leal
A escritora baiana Fátima Trinchão, graduada em Letras – Francês, publicou seu primeiro texto literário, o poema “Contemplação”, no jornal A tarde. Desde então, várias outras publicações aconteceram. Seus poemas fazem referência a fatos vividos por povos africanos e seus descendentes brasileiros e seus poemas e crônicas estão sempre ligados às questões sociais relevantes para os afrodescendentes. Participou da antologia Hagorah (1984), da antologia Baia de Todos os Encantos (2011), da antologia Versos e Contos (2010), da antologia Versatilavra (2010) e de três números da antologia Cadernos Negros, com contos e poemas. Publicou Contos, crônicas e artigos (2009) e Ecos do passado (2010).
 
10. Elizandra Sousa
Elizandra-Sousa
Elizandra Sousa é uma escritora paulista, formada em Comunicação Social – habilitação em Jornalismo (Mackenzie). É editora e jornalista responsável da Agenda Cultural da Periferia – Ação Educativa, editora do Fanzine Mjiba e poeta da Cooperifa desde 2004. Publicou o livro Águas da Cabaça (2012), com ilustrações de Salamanda Gonçalves e Renata Felinto (a obra faz parte do projeto Mjiba – Jovens Mulheres Negras em Ação) e Punga (2007), coautoria de Akins Kintê. Participou das antologias Cadernos Negros, Sarau Elo da Corrente, Negrafias; entre outras publicações.

Seis coisas que você provavelmente não aprendeu na escola sobre a África

0

DiaConscienciaNegra

Fernanda da Escóssia, UOL

Kilombo, assim, com “k”, era um acampamento de guerra dos jagas, um povo africano que vivia onde hoje fica Angola. O catolicismo foi introduzido na Etiópia quase ao mesmo tempo que na Europa.

Coisas assim, que você nunca aprendeu sobre a África, ou aprendeu errado – o que dá quase no mesmo -, estão na lista abaixo, elaborada a pedido da BBC Brasil pela historiadora Marina de Mello e Souza, coordenadora do NAP (Núcleo de Apoio à Pesquisa Brasil-África) da USP.

Ela é professora do Departamento de História da universidade e autora, entre outros livros, de Reis Negros no Brasil Escravista e África e Brasil Africano, vencedor do prêmio Jabuti de melhor livro paradidático em 2007 e detentor do selo “altamente recomendável” da Fundação Nacional do Livro Infanto-Juvenil.

Confira a lista, elaborada às vésperas do Dia da Consciência Negra:

Europeus não controlavam o comércio

No continente o comércio existe desde a Antiguidade, tanto entre os povos africanos como com os povos de outros continentes. Até o final do século 19, eram os africanos que controlavam as trocas comerciais com os europeus.

Há católicos na África há de mais de 1.500 anos

A Etiópia é uma sociedade católica desde o século 4. Seu rei se converteu ao catolicismo nesse século, apenas poucas décadas depois que o imperador romano Constantino adotou essa religião e determinou o fim da perseguição aos cristãos.

Brasil fala português, mas com toque banto

Parte considerável do nosso vocabulário é de origem banto, um tronco linguístico africano, o que nos distancia bastante do português de Portugal. São dessa origem palavras como camburão, camundongo, tonto, zonzo, farofa e macaco.

Gana já existiu em outro lugar

O atual Benim se localiza onde antes existiu o Daomé e o antigo reino do Benim localizava-se na atual Nigéria. Gana é onde antes existiu o estado Axante, e na atual Mauritânia existiu, do século 9 ao 13, uma sociedade poderosa chamada Gana. Muitos nomes de países africanos atuais são homenagens a antigos reinos que existiram em outras regiões.

Africanos queriam vender escravos com ‘exclusividade’

Alguns reinos africanos também tinham interesse em manter o tráfico de escravos com o Brasil. Entre 1750 e 1818, reis do Daomé enviaram cinco missões diplomáticas para solicitar ao Brasil exclusividade na venda de escravos africanos.

Quilombo (ou melhor, kilombo) era acampamento de guerra

Kilombo era o acampamento de guerra dos jagas, povo que viveu na região da atual Angola. Muitos vieram para o Brasil como escravos, fugiram de seus senhores e se abrigaram no Quilombo dos Palmares.

Na avaliação de Marina de Mello e Souza, que leciona História da África desde 2001 na USP, havia no Brasil, até pouco tempo, extremo desconhecimento acerca do tema, com exceção de nichos muito específicos.

“Isso fez com que todos nós fôssemos bastante ignorantes a respeito daquele continente e das populações que lá vivem e viveram”, afirma. Por outro lado, a professora diz que tem notado extremo interesse dos alunos sobre o assunto e que a dificuldade inicial costuma ser seguida por espanto e fascinação.

Ao avaliar o material didático, a historiadora considera que antes era difícil obter textos sobre o tema em português e lista como referências, no nível universitário, obras de Alberto da Costa e Silva, como A Manilha e o Libambo (2002) e A África e os Africanos na Formação do Mundo Atlântico, 1400-1800, de John Thornton, publicado no Brasil em 2004.

Sobre o ensino fundamental e médio, entende que houve a partir de 2003 – quando história da África virou disciplina obrigatória nas escolas -, intenso movimento das editoras no sentido de publicar materiais de apoio.

“Muita coisa de qualidade duvidosa foi posta à disposição, mas esse quadro tem mudado. Hoje há muito material de boa qualidade disponível, principalmente entre os paradidáticos e literatura infanto-juvenil. Os livros didáticos ainda carecem de tratar com mais cuidado assuntos relacionados ao continente africano, inseridos como um adendo, para responder à demanda gerada pela obrigatoriedade estabelecida por lei”, afirma.

Go to Top