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Posts tagged autores negros

Em mesa emocionante, Conceição Evaristo é ovacionada na Flip

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Mesa "Livro de cabeceira", com Conceicao Evaristo - Monica Imbuzeiro

Mesa “Livro de cabeceira”, com Conceicao Evaristo – Monica Imbuzeiro

Escritora foi homenageada em bate-papo com a autora Ana Maria Gonçalves

Sergio Luz, em O globo

PARATY – Numa Festa Literária Internacional de Paraty (Flip) marcada pela diversidade, tanto na programação oficial quanto nas ruas da cidade do sul fluminense, e pelo homenageado desta edição, o autor negro Lima Barreto, a escritora mineira Conceição Evaristo foi ovacionada pelo público, que lotou o Auditório e a Tenda da Matriz.

Vencedora do Prêmio Casa de la Américas pelo romance “Um defeito de cor”, Ana Maria Gonçalves comandou uma mesa emocionante em homenagem à conterrânea Conceição. Ao introduzir a amiga, a autora elogiou a “curadoria inclusiva e participativa” de Joselia Aguiar e bradou:

— Que a gente comece a pensar numa literatura feita por negros, indígenas e mulheres. Feminismo, racismo e imigração são três temas integrados nesta edição. Queremos mais escritores, curadores e mediadores mulheres e negras. Precisamos quebrar o estereótipo de que negros e mulheres não produzem de literatura e qualidade — disse Ana Maria, que lembrou a professora Diva Guimarães, que tomou a palavra numa mesa paralela do evento, num dos momentos mais marcantes da Flip. — Ela foi a musa desta edição.
Celebrada pelo público do início ao fim do encontro, Conceição Evaristo falou sobre sua obra, seu processo criativo, sua história de vida e questões como racismo, machismo, preconceito contra autores negros e a importância da união de forças para derrotar esses ainda tão presentes na sociedade brasileira.

— Esse momento significa a comprovação da força coletiva. Não estou aqui sozinha. E não podemos deixar de afirmar que não foi concessão. Este lugar é nosso por direito — disse Conceição, para nova forte rodada de aplausos.

O fio narrativo da conversa foi uma apresentação de slides com fotos da escritora, abrindo um caminho para contar a trajetória e a história de vida de Conceição. Na primeira imagem, uma menina de oitos anos posa para a câmera no dia de sua primeira comunhão.

— O catolicismo negro, em determinados momentos, traz a memória das religiões de matrizes africanas. Nem a força do cristianismo tinham conseguido apagar essa memória coletiva. Cresci também ao som das congadas, em que se celebra um mito católico, mas são marcados por rituais africanos. São práticas que os africanos conseguiram implantar e desenvolver para não perder uma referência que continua através do tempo e é retomada pela memória na explicitação da fé — comentou a escritora.

Para Conceição, “em matéria de fé, quanto mais proteção, melhor”:

— Por medidas de segurança, sou devoda de Imaculada Conceição. Mas, toda vez que estou com ela, eu negocio com Oxum. Falo padres nossos e canto para mamãe Oxum. Negocio com Santa Rita de Cássia, Iemanjá, Anastácia… Quase todas as entidades que me protegem são mulheres.

No diálogo, a autora de “Ponciá Vicêncio” retomou a imagem da escrava Anastácia, foi castigada com uma máscara para que não pudesse falar.

— Tenho a imagem dela no meu quarto há anos. Mas aquela máscara, que simboliza a interdição da fala, metaforicamente reverbera em grito. Ela foi tema de escola de samba, e não há nada mais efusivo que isso. Deu nome a um grupo de rap feminino do Rio, foi tema de filme com a Oprah Winfrey. Mas falamos com tanta veemência pelos orifício da máscara que a estilhaçamos — concluiu Conceição, novamente muito aplaudida.

Outro ponto da mesa foi a importância da educação, com lembranças do trabalho da escritora como professora do sistema público.

— Uma coisa que eu tenho certeza é de que eu tentei construir dentro de sala de aula uma ambiência diferente da que eu encontrei enquanto menina. tinham problema de falta de professores e materiais. Mas não podemos ter a ilusão de que a educação oferecida pelo estado pretende atingir as classes populares. A revolução da educação está mais na mão dos professores do que dos projetos educacionais — garantiu.
Segundo Conceição, “o único momento em que o homem negro se equivale ao homem branco é na hora do machismo”:

— Fora disso, sabemos muito bem quem a polícia irá criminalizar ao se deparar com um homem branco e outro negro.

A autora também falou sobre maternidade e criticou a figura da mulher negra na “literatura canonizada brasileira”:

— Quando crio a maternidade na literatura, como em “Olhos d’água”, estou pensando não só de uma maternidade do ponto de vista físico, mas das tias que tomam conta dos sobrinhos, das vizinhas que auxiliam, da amigas, nas mães de santo, que dão colo aos filhos no terreiro, das rainhas de congado. Se a literatura brasileira não consegue criar mulheres negras fecundantes, ela coloca a mulher negra sempre no lugar do mal, com um corpo estéril. É um corpo para o prazer. Quando ela aparecia como mãe, aparecia como mãe preta. A que existia para cuida da prole alheia. E é um mito horrível. Muita gente diz: “não sou racista, tive uma mãe preta, uma babá que me criou”. E a gente pergunta: e daí? — indagou Conceição.
A escritora, que enfrentou muitas dificuldades para estrear em livro, fez uma comparação entre a aceitação de duas grandes escritoras brasileiras. Uma branca, incensada pela academia, e outra negra, ainda pouco conhecida do grande público.

— Por que todos leem Clarice Lispector e conseguem perceber que ela fala de uma dúvida existencial, das angústias humanas, e não percebem isso na Carolina Maria de Jesus? A Carolina é uma grande autora brasileira, mas os pesquisadores dizem que ela fere as normas cultas da língua. Mas eu digo que são as normas ocultas, porque só algumas categorias sociais conseguem acesso a essas normas cultas da língua — disse Conceição, ovacionada por uma plateia lotada que fez questão de aplaudi-la de pé.

Flip 2017: número de autoras mulheres será superior ao dos homens pela primeira vez

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Natalia Borges Polesso, autora da obra Amora, que recebeu o Prêmio Jabuti na categoria Contos e Crônicas em 2016 (Foto: Acervo pessoal / Divulgação )

Natalia Borges Polesso, autora da obra Amora, que recebeu o Prêmio Jabuti na categoria Contos e Crônicas em 2016 (Foto: Acervo pessoal / Divulgação )

 

Incrível, né? Confira a escala de mentes femininas que participarão das mesas redondas entre os dias 26 e 30 de julho

Publicado na Revista Glamour

A Festa Literária Internacional de Paraty (Flip) terá sua primeira edição em que o número de autoras mulheres é superior ao dos homens. O evento existe desde 2003, mas nunca conquistou esse marco. Em 2017, serão 24 mulheres e 22 homens.

Entre as autoras confirmadas, a historiadora e antropóloga Lília Schwarcz; Carol Rodrigues, autora de “Sem Vista para o Mar” (2014), que recebeu o Prêmio Jabuti e o da Fundação Biblioteca Nacional; Adelaide Ivánova, editora do zine anarcofeminista MAIS PORNÔ PVFR; Leila Guerriero, escritora e jornalista, colunista do “El País”; Natalia Borges Polesso, que ganhou o Prêmio Jabuti com “Amora” (2016); e muito mais. Confira os nomes aqui.

O número de autores negros aumentou em 30% comparado ao ano anterior. Outro dado importante é que a primeira vez em uma década que a curadoria do festival conta com a expertise de uma mulher, a jornalista baiana Joselia Aguiar.

Em tempo: o tema da Flip 2017 será o autor e escritor Lima Barreto (1881-1922). O romance “Triste Fim de Policarpo Quaresma (1915)” é uma de suas melhores obras.

Esta é a 1ª vez em 15 anos que a Flip será mais negra e feminina

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Evento literário acontece entre os dias 26 e 30 de julho, em Paraty (RJ).

Andréa Martinelli, no HuffpostBrasil

Conceição Evaristo, Djaimilia Pereira de Almeida, Scholastique Mukasonga, Ana Maria Gonçalves.

Estes são alguns dos nomes de mulheres escritoras que estarão em destaque na programação da Flip 2017. Com a jornalista e especialista em literatura Josélia Aguiar no comando, o evento deste ano terá, em sua programação, um número de autoras supera o de autores.

Divulgação A escritora mineira Conceição Evaristo é uma das convidadas da Flip 2017.

Divulgação
A escritora mineira Conceição Evaristo é uma das convidadas da Flip 2017.

 

Esta é a primeira vez em 15 anos que o evento consegue trazer um número maior de mulheres do que homens entre seus convidados e também a primeira vez em dez anos que a feira tem uma mulher como curadora. Neste ano, serão 22 mesas com 46 autores, dos quais 22 são homens e 24 são mulheres.

Segundo o UOL, em conversa com jornalistas nesta terça (30), Josélia disse que procurou um diálogo com os movimentos sociais para buscar diversidade e representatividade nesta edição.

“Foram dois movimentos paralelos de ativismo. Precisamos repensar a representatividade nestes eventos. Não dá mais para ter uma programação toda de homens brancos, com uma mesa de mulheres, uma de negros, uma de indígenas”

E parece que deu certo.

Mesmo com ainda pouca representatividade, segundo a organização, além do homenageado Lima Barreto, autor de livros icônicos da literatura nacional como O Triste Fim de Policarpo Quaresma e O Homem Que Sabia Javanês, o evento deste ano terá 30% de autores negros na programação entre homens e mulheres.

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Reprodução Lima Barreto aos 33 anos em sua primeira internação no Hospício Nacional.

A escolha de Barreto cumpre um desejo antigo de Joselia Aguiar – que há três anos promoveu uma campanha para que ele fosse escolhido. E também atende a uma demanda que chegou a seu ápice na edição de 2016 Flip. À época, o então curador do evento, Paulo Werneck, mesmo homenageando a poeta Ana Cristina Cesar, foi amplamente criticado pela a ausência de mulheres e negros.

Segundo a Revista CULT, Josélia disse:

“Estamos trazendo autores que há muito tempo já poderiam ter vindo, mas que talvez por fugirem do padrão e por trabalharem com editoras independentes não vieram. São autores que estão aí já presentes, e que a gente pode redescobrir. É como entrar numa livraria e ir ali para baixo na prateleira, ou então em cima – e não apenas ver o que está só ali na frente como proposta”

Ainda de acordo com o UOL, a curadora ainda conseguiu firmar uma parceria com o Grupo Intelectuais Negras da UFRJ (Universidade Federal do Rio de Janeiro) para o lançamento do projeto Intelectuais Negras, um catálogo de informações biográficas e profissionais de mulheres.

Os ingressos custarão R$ 55 e começam a ser vendidos no dia 13 de junho.

Você pode ver a programação completa clicando aqui.

Juiz obriga jovens racistas a ler autores negros e visitar museu do Holocausto

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Escola de Ashbourn, em Virgínia, foi depredada com tinta por jovens no ano passado - Reprodução/Facebook

Escola de Ashbourn, em Virgínia, foi depredada com tinta por jovens no ano passado – Reprodução/Facebook

 

Objetivo era ensinar americanos entre 16 e 17 anos sobre a gravidade de discursos de ódio

Publicado em O Globo

RIO — Um juiz dos Estados Unidos resolveu educar, ao invés de simplesmente punir, cinco adolescentes que haviam feito pichações com expressões racistas e imagens vulgares em uma escola de uma comunidade negra de Ashburn, no estado de Virginia. Os jovens, entre 16 e 17 anos, receberam uma sentença nada comum: visitar o Museu Memorial do Holocausto dos Estados Unidos, em Washington; ler livros de autores negros, judeus e afegãos; e, ainda, escreveu um trabalho escolar sobre o discurso de ódio. A intenção do juíz foi mostrar aos meninos, que não tinham passagens anteriores pela polícia, o significado das suas ações e o quanto a disseminação do discurso de ódio poderia prejudicar a sua cidade.

A escola depredada pelos jovens recebeu alunos negros entre 1892 e a década de 1950, quando os negros não podiam ter aulas junto com os alunos brancos. Nas paredes, escreveram: “poder branco”. No entanto, segundo o juíz, eles foram mais influenciados pela ingenuidade adolescente do que por ódio racial cultivado a longo prazo. Um dos jovens chegou a escrever também “poder marrom” no muro da escola.

Os cinco adolescentes confessaram ter invadido e depredado a escola no tribunal do condado de Loundoun. Eles usaram tinta em spray para danificar a escola histórica. E disseram que haviam escolhido vandalizar a escola porque um dos meninos envolvidos no caso havia deixado uma outra escola — que é proprietária do prédio da escola histórica — em más condições.

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O caso gerou comoção em Ashbourn. No Facebook, a escola disse que contou com mais de 600 voluntários para restaurar o prédio depredado no ano passado — que hoje já está novinho em folha.

O juíz, que é filho de uma bibliotecária, disse que ela sempre recorria aos livros para aprender sobre o mundo. E achou que esta era uma boa oportunidade para ensinar aos jovens uma lição de vida.

— Aquele realmente pareceu ser um bom momento para ensinar. Nenhum deles parecia compreender, até que tudo isso explodiu nos jornais, a seriedade do que haviam feito. Era uma oportunidade para ensiná-los sobre raça, religião e discriminação — afirmou o juíz ao “Washington Post”.

10 escritores brasileiros negros

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Estela Santos, no Homo Literatus

Dez autores que representam a realidade vivida pelas pessoas negras em nosso país
Embora não tenha muito espaço nas grandes editoras e nos grandes eventos literários, existe literatura de boa qualidade escrita por negros e negras no Brasil. É importante haver essa literatura no país, pois ela tem como foco a representatividade, isto é, uma literatura que retrata e explicita o cotidiano, os impasses e os problemas sociais e históricos vivenciados pelas pessoas negras do país.
Esta lista busca indicar, de forma concisa, dez autores, romancistas, poetas, contistas e cronistas. Claro que existem muito mais escritores que igualmente merecem atenção e espaço no mundo literário brasileiro, ainda tão branco e elitista. Abaixo são destacados autores, alguns já muito conhecidos e outros nem tanto, altamente contemporâneos, bem como suas produções literárias. Confira:
 
1. Maria Firmina dos Reis
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A escritora Maria Firmina dos Reis, nascida em São Luís – MA, rompeu barreiras no país e na literatura brasileira. Aos 22 anos, no Maranhão, foi aprovada em um concurso público para a Cadeira de Instrução Primária e, por isso, foi a primeira professora concursada do estado. Seu romance Úrsula (1859) foi o primeiro romance abolicionista brasileiro e, além disso, o primeiro escrito por uma mulher negra no Brasil. No auge da campanha abolicionista, publicou A Escrava (1887), o que reforçou a sua postura antiescravista. Publicou ainda o romance Gupeva(1861); poemas em Parnaso maranhense (1861) e Cantos à beira-mar (1871). Além disso, publicou poemas em alguns jornais e fez algumas composições musicais. Quando se aposentou, em 1880, fundou uma escola mista e gratuita.
 
2. Carolina Maria de Jesus
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Carolina Maria de Jesus, moradora da antiga favela do Canindé, em São Paulo, é conhecida por relatos em seu diário, que registravam o cotidiano miserável de uma mulher negra, pobre, mãe, escritora e favelada. Foi descoberta pelo jornalista Audálio Dantas, encarregado certa vez de escrever uma matéria sobre uma favela que vinha se expandindo próxima à beira do Rio Tietê, no bairro do Canindé; em meio a todo rebuliço da favela, Dantas conheceu Carolina e percebeu que ela tinha muito a dizer. Seu principal livro é Quarto de despejo (1960), no qual há relatos de seu diário. Também publicou Casa de Alvenaria (1961); Pedaços de fome (1963); Provérbios (1963); postumamente foram publicados Diário de Bitita (1982); Meu estranho diário (1996); entre outros.
 
3. Joel Rufino dos Santos
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O carioca Joel Rufino dos Santos, além de escritor, foi historiador e professor, um dos nomes de referência sobre o estudo da cultura africana no país. Foi exilado por suas ideias políticas contrárias à ditadura militar brasileira e, por isso, morou na Bolívia durante um tempo, mas foi detido quando retornou ao Brasil, em 1973. Também trabalhou como colaborador nas minisséries Abolição e República, de Walter Avancini. Além disso, já ganhou diversas vezes o Prêmio Jabuti de Literatura, o mais importante no país. Publicou os livros Bichos da Terra Tão Pequenos (2010); Claros Sussurros de Celestes (2012); Crônica De Indomáveis Delírios (1991); Na Rota dos Tubarões (2008); Quatro Dias de Rebelião (2007); além de outras publicações não literárias.
 
4. Machado de Assis
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Joaquim Maria Machado de Assis quase dispensa apresentações, pois é considerado o maior nome da literatura brasileira. Além de seus tão conhecidos romances, publicou contos, poemas, peças de teatro e foi pioneiro como cronista. Publicou em inúmeros jornais e foi o fundador da Academia Brasileira de Letras, juntamente com escritor José Veríssimo. Machado de Assis foi eleito presidente da instituição, ocupando este cargo até sua morte. Escreveu mais de 50 obras, mas está para sempre imortalizado por causa das obras Memórias Póstumas de Brás Cubas (1881); Quincas Borba (1891); Dom Casmurro, (1899) e O Alienista (1882). Vale relembrar que até pouco tempo atrás, era representado como um homem branco em determinadas propagandas.

5. Elisa Lucinda
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Elisa Lucinda dos Campos Gomes é uma poeta brasileira, jornalista, cantora e atriz brasileira. É muito conhecida por suas atuações em novelas da Rede Globo, pelo prêmio que recebeu pelo filme A Última Estação (2012), de Marcio Curi, e pelos seus inúmeros espetáculos e recitais em empresas, teatros e escolas de todo o Brasil. Publicou inúmeros livros, dentre eles A Lua que menstrua (1992); O Semelhante (1995); Eu te amo e suas estreias (1999); A Fúria da Beleza (2006); A Poesia do encontro (2008), com Rubem Alves; Fernando Pessoa, o Cavaleiro de Nada (2014). Além disso, lançou CDs de poesias.
 
6. Cruz e Sousa
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João da Cruz e Sousa, também conhecido como Dante Negro ou Cisne Negro, foi o único poeta de pura raça negra, não tinha nada de mestiço, segundo Antonio Candido (grande estudioso da literatura brasileira e sociólogo). Era filho de escravos alforriados, mas recebeu a tutela e uma educação refinada de seu ex-senhor, o marechal Guilherme Xavier de Sousa – de quem adotou o nome de família, Sousa. Aprendeu línguas como francês, latim e grego. Além disso, aprendeu Matemática e Ciências Naturais. Seus poemas simbolistas são marcados pela musicalidade, pelo individualismo, pelo espiritualismo e pela obsessão pela cor branca. Publicou os livros Broquéis (1893); Missal (1893) Tropos e Fantasias (1885), com Virgílio Várzea; postumamente foram publicados Últimos Sonetos (1905); Evocações (1898); Faróis (1900); Outras evocações (1961); O livro Derradeiro (1961) e Dispersos (1961).
 
7. Mel Adún
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Mel Adún é uma escritora afro-baiana que reside em Salvador. Além disso, é pesquisadora e assessora de imprensa e comunicação do Coletivo Ogum’s Toques. Iniciou sua carreira literária no ano de 2007, escrevendo textos dos mais variados gêneros para diversas idades, sempre retratando a presença do lugar feminino na sociedade brasileira, em especial do feminino negro. Publicou o livro A lua cheia de vento (2015), participou da Coletânea Ogums Toques Negros (2014) e de alguns números da antologia Cadernos Negros.
 
8. Conceição Evaristo
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A escritora brasileira Conceição Evaristo foi criada em uma favela da zona sul de Belo Horizonte. Em sua vida teve de conciliar os estudos com a vida de empregada doméstica, formando-se somente aos 25 anos. No Rio de Janeiro, passou em um concurso público para o magistério e estudou Letras (UFRJ). É mestra em Literatura Brasileira (PUC-RJ) e doutora em Literatura Comparada (UFF). Atualmente, leciona na UFMG como professora visitante. Estreou na literatura em 1990, com obras publicadas na antologia Cadernos Negros. Suas obras abordam tanto a questão da discriminação racial quanto as questões de gênero e de classe. Publicou o romance Ponciá Vicêncio (2003), traduzido para o inglês e publicado nos Estados Unidos em 2007; Poemas da recordação e outros movimentos (2008) e Insubmissas lágrimas de mulheres (2011).
 
9. Fátima Trinchão
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A escritora baiana Fátima Trinchão, graduada em Letras – Francês, publicou seu primeiro texto literário, o poema “Contemplação”, no jornal A tarde. Desde então, várias outras publicações aconteceram. Seus poemas fazem referência a fatos vividos por povos africanos e seus descendentes brasileiros e seus poemas e crônicas estão sempre ligados às questões sociais relevantes para os afrodescendentes. Participou da antologia Hagorah (1984), da antologia Baia de Todos os Encantos (2011), da antologia Versos e Contos (2010), da antologia Versatilavra (2010) e de três números da antologia Cadernos Negros, com contos e poemas. Publicou Contos, crônicas e artigos (2009) e Ecos do passado (2010).
 
10. Elizandra Sousa
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Elizandra Sousa é uma escritora paulista, formada em Comunicação Social – habilitação em Jornalismo (Mackenzie). É editora e jornalista responsável da Agenda Cultural da Periferia – Ação Educativa, editora do Fanzine Mjiba e poeta da Cooperifa desde 2004. Publicou o livro Águas da Cabaça (2012), com ilustrações de Salamanda Gonçalves e Renata Felinto (a obra faz parte do projeto Mjiba – Jovens Mulheres Negras em Ação) e Punga (2007), coautoria de Akins Kintê. Participou das antologias Cadernos Negros, Sarau Elo da Corrente, Negrafias; entre outras publicações.

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