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educação

Ela criou o “Tinder dos Livros” para facilitar o acesso à leitura a pessoas negras

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Já são mais de 500 matchs no país todo!

Rafael Melo, no Razões para Acreditar

A ideia já deu match no país inteiro! Winnie Bueno é uma pesquisadora e ativista do movimento negro. Depois de constatar o acesso restrito de pessoas negras aos livros, ela criou o “Tinder dos Livros”.

“A ideia surgiu do engajamento das pessoas em doar livros. A provocação inicial foi só um disparador. O que originou o projeto foi perceber que as pessoas querem ajudar e às vezes não sabem como. Eu proporcionei uma ferramenta para que todos possam se engajar contra o racismo de forma prática e efetiva”, relatou Winnie.

Winnie sugeriu no seu Twitter que as pessoas brancas fizessem algo de eficaz na busca por justiça social para as pessoas negras, como a doação de livros.

Depois disso, várias pessoas se prontificaram a doar e Winnie começou a receber os desejos daqueles que queriam ter acesso a um livro, mas não tinham condições de comprar. Então, ela começou a fazer a ponte entre doadores e receptores e não parou mais. Já são mais de 500 matchs, tudo por meio do seu perfil no Twitter (@winniebueno).

É muita gente satisfeita em doar e centenas de leitores felizes! Os livros vão quase sempre acompanhados de um bilhete gentil.

“Você dizer que apoia a luta antirracista é importante, mas apoio não pode ser só retórico. Tem que ter ação, uma ação que se propõe a diminuir a distância entre pessoas negras e o acesso aos livros é uma forma prática de exercer o discurso antirracista e que gera impactos muito maiores que o mero discurso. E sim, o acesso ao conhecimento é uma política emancipatória fundamental para a construção de projetos para a justiça social”, analisou.

Winnie Bueno tem mais de 27 mil seguidores no Twitter. A doutoranda em Sociologia tem 31 anos e uma trajetória acadêmica e social toda voltada para os estudos da negritude e da cultura afro. Ela é Iyalorixá e atua junto à Rede Nacional de Religiões Afro Brasileiras e Saúde – RENAFRO.

Amizades criadas a partir do Tinder dos Livros

Além de dar match literário, a iniciativa tem aproximado pessoas. Elisângela Alves e Cecília Vaz são vizinhas e se aproximaram a partir da ponte feita por Winnie. Cecília doou o livro “Americanah” para Elisangela. “Como se já não bastasse o trabalho espetacular que a Winnie tem feito, ela ainda teve a delicadeza de encontrar a Cecília, que é praticamente minha vizinha, pra me presentear”, disse Elisangela. Ao ver o endereço da solicitação, Cecília foi entregar pessoalmente. “Muito feliz por tê-la feito feliz”, disse.

Lisiane e Izabel se conheceram por intermédio de Winnie e seu projeto. Foto: Ávila/Agência RBS)

Já Lisiane Pereira, 34 anos, mora em Porto Alegre, e foi contemplada com cinco livros por meio da ideia de Winnie. Na época, ela estava fazendo pós-graduação em História e Cultura Afro-brasileira e Psicopedagogia da Uniasselvi. “Meu pai dizia que os livros fazem com que a gente seja um devorador de mundos. Mas, além disso, acredito que a leitura me coloca em um lugar seguro, de acolhimento”, disse Lisiane em entrevista ao portal Gaúcha ZH.

A funcionária pública moradora da mesma cidade, Izabel Belloc, 49 anos, foi quem presenteou Lisiane com duas obras. “Minha família sempre teve condições de comprar livros. Eu não frequentava a biblioteca do meu colégio porque tinha obras em casa. Ou seja, minha experiência, como branca, é diferente da vivência da Lisiane, que é negra. E, se a gente não estiver atenta às problemáticas raciais, vai continuar reproduzindo e perpetuando desigualdades”, disse Izabel, que também ajudou outras quatro pessoas pelo Tinder dos Livros.

Estudante cria ‘sebo solidário’ para vender livros e arrecadar dinheiro para cursar faculdade no interior de SP

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Estudante de Itapetininga (SP) criou ‘sebo solidário’ para arrecadar dinheiro com a venda de livros doados — Foto: Thiago Pires Fotografia/Divulgação

Juliana de Albuquerque Marçal, moradora de Itapetininga (SP), vende livros a baixo custo pela internet para incentivar a leitura.

Nicole Annunciato, no G1

Com a paixão pela leitura e o sonho de cursar medicina veterinária, uma adolescente de Itapetininga (SP) criou um “sebo solidário”. Ela recebe doações de livros, os vende pela internet e o dinheiro arrecadado é destinado ao “porquinho” da faculdade.

Em entrevista ao G1, Juliana de Albuquerque Marçal, conta que começou a juntar dinheiro com a venda de roupas e jogos que não usava. Quando as peças acabaram, ela teve a ideia de vender os livros que tinha em casa pela internet.

“Eram dez livros e acabei vendendo todos em um dia. No mesmo dia consegui doações e quando o sebo completou uma semana, terminei com mais de 100 títulos. Hoje estou com quase 400.”

A estudante vende de 20 a 30 livros por mês e eles custam entre R$ 0,50 e R$ 15 para que todos tenham a oportunidade de ler.

“A ideia do sebo é também promover a leitura a baixo custo para aqueles que não têm condições de comprar livros novos. Os livros que não saem eu faço doação para pessoas que tem algum projeto. Nenhum livro é dispersado”, afirma.

Juliana tem o sonho de estudar medicina veterinária e arrecada dinheiro com a venda de livros em ‘sebo solidário’ — Foto: Thiago Pires Fotografia/Divulgação

A família de Juliana também a apoia com o projeto: a mãe dela vende roupas para pets feitas com crochê, o pai dela a ajuda com as entregas dos livros e a irmã os cataloga. “A família toda me apoia e me dá muito amor.”

Interesse pela leitura

Juliana pegou gosto pelos livros quando leu a saga de Harry Potter. “Eu tenho síndrome do pânico e nunca tive paciência para pegar um livro e ler. Pode parecer exagero, mas quando li os primeiros livros da saga, minha vida mudou.”

A estudante passou a frequentar a biblioteca semanalmente e em meio às páginas, encontrou livros que foram os alicerces para que ela tivesse a iniciativa de juntar dinheiro para realizar o sonho de estudar medicina veterinária.

“Um dos livros que vi dizia que quem luta pela lenda pessoal, o universo conspira para que ela se realize. O outro afirmada que nunca devemos dizer que não temos dinheiro para comprar algo porque nosso cérebro vai trabalhar para que acreditemos nisso. A partir daí, me dei uma chance”, diz.

Além de batalhar pelo objetivo, Juliana afirma que os livros a ajudaram a vencer as crises de pânico.

“As pessoas me abraçam quando eu entrego um livro. Elas sorriem e dizem que acreditam em mim. Isso me ajudou. Os livros me transformaram.”

Abrem nesta terça inscrições para curso gratuito da USP sobre Harry Potter

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Publicado no Metro Jornal

A fim de aprender sobre literatura e ainda discutir a saga do bruxinho mais famoso do mundo? Agora, você pode. A Universidade de São Paulo abre nesta terça-feira (26) as inscrições para o curso “Harry Potter: caminhos interpretativos”, que acontece aos sábados na Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas (FFLCH).

O curso é totalmente gratuito, e é oferecido por alunos da pós-graduação em Teoria Literária. As aulas ocorrem entre 6 de abril e 1 de junho, aos sábados, das 9h30 às 12h. Para participar, é preciso ser maior de 18 anos, e é recomendável ter lido todos os livros da saga.

Quem obtiver 75% de frequência ou mais terá direito a um certificado de participação. Esta é a segunda edição do curso, que foi oferecido também em 2018.

As inscrições ficam abertas até a meia-noite de segunda-feira, 1 de abril. Mas não bobeie: são apenas 60 vagas.

Quem é o queniano eleito o ‘melhor professor do mundo’

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Peter Tabichi foi premiado como um “professor excepcional” dentro e fora da sala de aula

Um professor de ciências da zona rural do Quênia, que doa a maior parte de seu salário para apoiar os alunos mais pobres, ganhou um prêmio de US$ 1 milhão (R$ 3,9 milhões) ao ser eleito o melhor professor do mundo.

Sean Coughlan, na BBC Brasil

Peter Tabichi, membro da ordem religiosa franciscana, ganhou o Global Teacher Prize de 2019, conferido pela Fundação Varkey, organização de caridade dedicada à melhoria da educação para crianças carentes.

Tabichi foi elogiado por suas realizações em uma escola sem infraestrutura, em meio a classes lotadas e poucos livros didáticos.

Ele quer que os alunos vejam “a ciência é o caminho certo” para ter sucesso no futuro.

O prêmio, anunciado em uma cerimônia em Dubai, reconhece o compromisso “excepcional” do professor com os alunos em uma parte remota do Vale do Rift, no Quênia.

Ele doa 80% de seu salário para apoiar os estudos dos seus alunos, na Escola Secundária Keriko Mixed Day, no vilarejo de Pwani. Se não fosse a ajuda do professor, as crianças não conseguiriam pagar por seus uniformes ou material escolar.

Melhorando a ciência

“Nem tudo é sobre dinheiro”, diz Tabichi, cujos alunos são quase todos de famílias bem pobres. Muitos são órfãos ou perderam um dos pais.

Seu objetivo é que os estudantes tenham grandes ambições, além de promover a ciência, não apenas no Quênia, mas em toda a África, diz.

Mas Tabichi diz que enfrenta “desafios com as instalações precárias” de sua escola, inclusive com a falta de livros ou professores.

“A escola fica em uma área muito retoma. A maioria dos estudantes vêm de famílias muito pobres. Até pagar o café da manha é difícil. Eles não conseguem se concentrar, porque não se alimentaram o suficiente em casa”, contou em entrevista publicada no site do prêmio.

Getty Images
Image caption Muitos alunos caminham mais de seis quilômetros para chegar a escola no Vale do Rift

As classes deveriam a ter entre 35 e 40 alunos, mas ele acaba ensinando grupos de 70 ou 80 estudantes, o que, segundo o professor, deixa as salas superlotadas.

A falta de uma boa conexão de internet faz com que ele vá até um café para baixar os materiais necessários para suas aulas de ciências. E muitos dos seus alunos andam mais de 6km em estradas ruins para chegar à escola.

No entanto, Tabichi diz que está determinado a dar aos alunos uma chance de aprender sobre ciência e ampliar seus horizontes.

Seus estudantes foram bem sucedidos em competições científicas nacionais e internacionais, incluindo um prêmio da Sociedade Real de Química do Reino Unido.

Fora da sala de aula

Tabichi diz que parte do desafio tem sido persuadir a comunidade local a reconhecer o valor da educação, o que leva a visitar famílias cujos filhos correm o risco de abandonar a escola.

Ele tenta mudar a mentalidade de pais que esperam que suas filhas se casem cedo – encorajando-os a deixar as meninas continuarem seus estudos.

O professor também ensina técnicas de cultivo mais resistentes aos moradores dos arredores, já que a fome é uma realidade frequente na região.

“Insegurança alimentar é um grande problema, então ensinar novos jeitos de plantar é uma questão de vida ou morte”, disse em entrevista à Fundação Varkey.

Além do contato com as famílias, a atuação de Tabich se estende aos “clubes da paz” que ele organiza na escola, para representar e unir as sete tribos presentes ali. A violência tribal explodiu no Vale do Rift depois da eleição presidencial de 2007 e houve muitas mortes em Nakuru.

“Para ser um grande professor você tem que ser criativo e abraçar a tecnologia. Você realmente tem que abraçar essas formas modernas de ensino. Você tem que fazer mais e falar menos”, ele disse à fundação.
O prêmio

O prêmio conferido a ele busca elevar o status da profissão de docente. O vencedor do ano passado foi um professor de arte do norte de Londres, Andria Zafirakou.

O fundador da premiação, Sunny Varkey, diz esperar que a história de Tabichi “inspire os que procuram entrar na profissão e seja um poderoso holofote sobre o incrível trabalho que os professores fazem no Quênia e em todo o mundo, diariamente”.

“As milhares de indicações e inscrições que recebemos de todos os cantos do planeta são testemunho das conquistas dos professores e do enorme impacto que eles têm em as nossas vidas”, diz.

Professora brasileira está entre os 10 finalistas do ”Global Teacher Prize”: ”Foi um sonho”

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Débora Garofalo está no top 10 do maior prêmio para educadores do mundo Foto:Arquivo Pessoal

Considerado o “Prêmio Nobel da Educação” tem prêmio de US$ 1 milhão

Publicado no UOL

A professora paulista Débora Garofalo está entre os 10 finalistas do anual “Global Teacher Prize”, considerado o maior prêmio de educação do mundo. O vencedor será anunciado no dia 24 de março, em Dubai (EAU) e ganhará o prêmio de US$ 1 milhão (cerca de R$ 3,7 milhões) da  Fundação Varkey. 

A ideia é premiar práticas que causem impacto na comunidade, melhorando a profissão docente e ajudando alunos a tornarem-se cidadãos. Débora leciona matérias relacionadas à tecnologia na EMEF Ary Parreira, em São Paulo (SP), em uma região que é cercada por quatro grandes comunidades.

Ela contou à AnaMaria que sua vocação para ser professora começou ainda na infância e que não esperava estar entre os 10 finalistas do prêmio. Afirmou, inclusive, que foi pega de surpresa quando recebeu a notícia em casa. 

“Fizeram uma coisa muito bonita. O presidente da Varkey anunciou para todo mundo que eu era uma top 10. Foi uma grande emoção porque eu só sabia chorar, e não por mim, né? É pelas crianças, tudo aquilo que a gente carrega, tudo aquilo que a gente idealiza na educação. Foi um sonho.”

O PROJETO

Para concorrer a premiação, é necessário inscrever um projeto de destaque. Débora idealizou o “Robótica com sucata para sustentabilidade”, que a levou até a grande final. 

O trabalho incentiva crianças do 1º ao 9º ano a retirarem lixos das ruas, sobretudo das comunidades onde vivem, e transformá-los em protótipos, que são escolhidos por elas mesmas.

“Quando eu cheguei na escola onde estou hoje, apareceu a oportunidade de trabalhar com questões que eu achava tão importante”, declarou. 

AÇÃO

Débora ressaltou a importância de olhar a realidade de seus alunos e a quantidade de lixo que os cercavam. 

“Eram coisas que chamavam muito a atenção. E eu pensei que não adiantava eu tentar ensinar qualquer coisa para essas crianças se eu não interferisse na realidade delas. O projeto tem isso, uma intervenção social. Não é só o ensino de programação ou robótica. Ele vai além, extrapola os muros da escola ao propor que o aluno também intervenha na sociedade”, explica a professora. 

Logo, o ensino sobre reciclagem, redução e descarte correto de resíduos começou a ser ensinado em aulas públicas, de forma que a comunidade começasse a ser sensibilizada. 

Ela ainda contou que os alunos tiravam fotos dos lixo que viam nas ruas e faziam arrecadação do que era possível. “Aquilo que não era possível nós acionávamos os órgãos públicos.”

RESULTADOS

Em três anos de projeto, uma tonelada de sucata já foi retirada das ruas para ser trabalhada por meio da robótica, porém da forma como as crianças quiserem. “O aluno precisa ter voz e participar ativamente da construção de seu conhecimento. Eu apenas comecei a 
estimular.”

As aulas já renderam a produção de carrinhos e semáforo inteligente, mas Débora não esconde o projeto que mais chamou sua atenção, feito por um menino do 6º ano. 

“Ele reproduziu a casa dele. Na comunidade é muito comum ter ‘gato’, e ele refez então toda a parte elétrica da casa, mas de maneira sustentável, com placa solar, programando os horários que a luz deveria acender e apagar, para aproveitar a luz do sol. Era uma criança trazendo uma solução palpável para uma vida adulta, um solução para a comunidade”, explicou Débora. 

ENSINO

A professora ressaltou acreditar que práticas docentes devem ser revisadas e que é preciso que os professores olhem com carinho para o que já é realizado dentro da sala de aula. Ela destacou que considera fundamental que educadores ouçam mais seus alunos e se envolvam com políticas públicas. “A educação é a arma que transforma a sociedade.”

Em sua 5ª edição, o “Global Teacher Prize” já teve dois brasileiros no top 10, o capixaba Wemerson da Silva e o paulista Diego Mahfouz. Débora disputa com outros professores que representam Reino Unido, Holanda, Japão, Argentina, Estados Unidos, Quênia, Índia, Geórgia e Austrália. Ela sonha em ser a primeira brasileira a ganhar o prêmio.

Ana Caroline Mota

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