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Posts tagged 5 livros

Estes são os 5 livros que Bill Gates recomenda você ler nas férias

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Foto: Divulgação

Cofundador da Microsoft segue com a tradição de compartilhar os livros que mais gostou de ler nos últimos meses

Publicado no Itmidia

Bill Gates é conhecido por ser um leitor ávido. Em uma entrevista ao New York Times em 2016, o cofundador da Microsoft disse que a leitura ainda é a “principal maneira de aprender coisas novas e testar minha compreensão”. Ao jornal, ele disse que lê cerca de 50 livros por ano.

Como parte dos seus hábitos de leitura, Gates mantém a tradição de compartilhar os livros favoritos que leu na última temporada, aproveitando as férias do meio do ano. “Eu sempre gosto de escolher um monte de livros para levar comigo sempre que me preparo para sair de férias. Mais frequentemente, acabo tendo mais livros do que eu poderia ler em uma viagem. Minha filosofia é que eu prefiro ter muito para ler do que muito pouco”, escreveu em post publicado em seu blog.

Na lista de livros deste semestre, Gates lembra que suas escolhas não são uma leitura leve. “Todos, exceto um, lidam com a ideia de disrupção, mas eu não quero dizer ‘disrupção; na maneira como as pessoas de tecnologia costumam dizer isso. Recentemente me vi atraído por livros sobre reviravoltas – seja a União Soviética logo após a revolução bolchevique, aos Estados Unidos em tempos de guerra ou uma reavaliação global de nosso sistema econômico”, reflete.

Na lista abaixo, confira as cinco recomendações literárias e um breve resumo de Gates sobre os títulos. Note, que os livros ainda não possuem edição brasileira, com exceção de “Um Cavalheiro em Moscou”.

“Upheaval”, de Jared Diamond

“Eu sou um grande fã de tudo o que Jared escreveu, e seu mais recente livro não é exceção. O livro explora como as sociedades reagem em momentos de crise. Ele usa uma série de estudos de caso fascinantes para mostrar como as nações gerenciavam desafios existenciais como guerra civil, ameaças externas e mal-estar geral. Parece um pouco deprimente, mas terminei o livro ainda mais otimista sobre nossa capacidade de resolver problemas do que quando o comecei”.

“Nine Pints”, de Rose George

“Se você fica enojado por ver sangue, este provavelmente não é para você. Mas se você é como eu e acha isso fascinante, você apreciará este livro de um jornalista britânico com uma conexão especialmente pessoal com o assunto. Eu sou um grande fã de livros que abordam um tópico específico, então o Nine Pints (o título refere-se ao volume de sangue do adulto médio) era o meu caminho. Está cheio de fatos super interessantes que vão deixar você com uma nova apreciação pelo sangue”.

“Um Cavalheiro em Moscou”, de Amor Towles

“Parece que todo mundo que conheço leu este livro. Eu finalmente me juntei ao clube depois que meu cunhado me enviou uma cópia, e estou feliz por ter feito isso. O romance de Towles sobre um conde condenado à prisão perpétua em um hotel de Moscou é divertido, inteligente e surpreendentemente otimista. Mesmo que você não goste de ler sobre a Rússia tanto quanto eu (já li todos os livros de Dostoiévski), ‘Um cavalheiro em Moscou’ é uma história incrível que qualquer um pode curtir”.

“Presidents of War”, de Michael Beschloss

“Meu interesse em todos os aspectos da Guerra do Vietnã é a principal razão pela qual decidi pegar este livro. No momento em que terminei, aprendi muito não apenas sobre o Vietnã, mas sobre os oito outros grandes conflitos que os EUA entraram entre a virada do século XIX e os anos 70. O amplo escopo de Beschloss permite que você tire importantes lições transversais sobre liderança presidencial”.


“The Future of Capitalism”, de Paul Collier

“O livro mais recente de Collier é uma visão instigante de um tópico que é ideal para muitas pessoas agora. Embora eu não concorde com ele sobre tudo – acho que a análise dele do problema é melhor do que as soluções propostas -, seu histórico como economista de desenvolvimento lhe dá uma perspectiva inteligente sobre o rumo do capitalismo”.

5 livros incríveis de 2018 para ler em 2019

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Marilia Marasciulo, na Galileu

O ano de 2018 foi de crise no mercado editorial brasileiro — de livrarias a grandes editoras, houve quem chegou a decretar falência. Mas isso não significa que foi um ano sem bons lançamentos de livros. Veja uma seleção para preparar a lista de leitura para o início do próximo ano:

Pequenos Incêndios Por Toda Parte, Celeste Ng (Intrínseca, 416 páginas, R$ 49,90)
O segundo romance da americana Celeste Ng ganhou uma edição em português em 2018. A história explora a relação de duas mulheres completamente diferentes, obrigadas a conviver quando seus filhos se tornam amigos. O livro vai ser adaptado para uma minissérie produzida por Reese Witherspoon (Big Little Lies) e Kerry Washington (Scandal).

As duas atrizes adaptarão o renomado livro para a televisão (Foto: Reprodução)

 

O Pai da Menina Morta, Tiago Ferro (TodaVia, 176 páginas, R$ 44,90)
Em seu romance de estreia, o paulistano escreve sobre a própria experiência com o luto de perder a filha de oito anos, vítima de uma doença aparentemente banal, a gripe H1N1. Sem se prender aos fatos ou acontecimentos reais, a história não deixa de ser dolorosamente real e explora a busca por uma vida normal após uma tragédia.

O Pai da Menina Morta é o romance de estreia do brasileiro Tiago Ferro (Foto: Divulgação)

 

O Sol na Cabeça, Geovani Martins (Cia das Letras, 120 páginas, R$ 34,90)
Outra estreia na literatura brasileira, o carioca narra em 13 contos a infância e adolescência de moradores de favelas, marcadas pela violência e discriminação racial. O escritor, que vem sendo considerado uma nova voz do realismo brasileiro, equilibra bem a linguagem e gírias típicas das comunidades do Rio de Janeiro com o português formal.

O Sol na Cabeça foi um dos livros nacionais mais comentados de 2018 (Foto: Divulgação)

 

Canção de Ninar, Leila Slimani (Tusquets, 192 páginas, R$ 46,90)
O livro, que rendeu à autora franco-marroquina o prêmio Goncourt, o mais prestigioso reconhecimento literário francês, é uma espécie de thriller com tema moderno: uma babá mata as duas crianças que deveria cuidar. Mas, ao contrário do que talvez seja o esperado, a narrativa cheia de tensão mostra que, no fundo, ninguém é inocente.

Canção de Ninar é um premiado thriller literário internacional (Foto: Divulgação)

 

Semente de Bruxa, Margaret Atwood (Morro Branco, 352 páginas, a partir de R$ 35)
A autora de O Conto da Aia, que virou sensação após ser adaptado para uma série de TV, reconta o clássico A Tempestade, de William Shakespeare. Na história, um diretor de teatro fracassado decide montar a peça shakespeariana com presos canadenses, ao mesmo tempo em que planeja uma vingança contra os políticos responsáveis pela decadência de sua carreira.

Da mesma autora de O Conto da Aia, livro traz versão de A Tempestade, de Shakespeare (Foto: Divulgação)

5 livros que vão virar filmes no primeiro semestre de 2019

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Publicado em Os Geeks

Muitos serão os livros que serão adaptados para as telonas do cinema neste ano de 2019. Selecionamos aqui cinco títulos para ficarmos ligados nas estreias neste primeiro semestre do ano. Confira:

“Boy Erased: Uma Verdade Anulada”

Dirigido e adaptado por Joel Edgerton (“O Presente“), o filme é baseado no livro “Boy Erased: A Memoir“, de Garrard Conley, que será lançado no Brasil pela editora Intrínseca. O livro conta a história de um garoto que foi obrigado a passar por um método de “cura gay” de uma igreja.

O filme traz dois veteranos atores: Nicole Kidman, vencedora do Oscar pelo filme “As horas” e Russell Crowe, vencedor do Oscar pela atuação em “Gladiador“; ambos viverão os pais do menino que será interpretado pelo talentoso Lucas Hedges, que já foi indicado ao Oscar por ator coadjuvante em “Manchester à Beira-Mar“.

A adaptação chega aos cinemas brasileiros em 31 de janeiro de 2019 e já conta com duas indicações ao Globo de Ouro: Melhor ator (Lucas Hedges) e Melhor Música para filmes (“Revelation“).

“Cinderela Pop”

Da obra da autora Paula Pimenta, chega aos cinemas a adaptação do livro “Cinderela Pop“, da editora Galera Record. Quem protagoniza o filme é a Maisa que faz uma releitura mais moderna do clássico da Cinderela com uma garota que quer ser DJ e acaba conquistando Freddy Prince (Filipe Bragança). Dois atores com nomes já famosos entre o público adolescente.

Maisa já é conhecida do público televisivo por passagens em “Carrossel“, “Carinha de Anjo” e “Patrulha Salvadora“, além da atuação em “Tudo por um Pop Star“, adaptação de um livro da Thalita Rebouças.

Já Filipe Bragança que faz a versão moderna do príncipe encantado interpretou o youtuber Christian Figueiredo no filme “Eu Fico Loko“, além de atuar na novela “Chiquititas” e ter vencido o prêmio Bibi Ferreira de Teatro com Melhor Ator Revelação pelo seu personagem Marius, do aclamado musical “Les Misérables“.

O filme tem a direção de Bruno Garotti (“Eu fico Loko“) e chega aos cinemas no dia 28 de fevereiro de 2019.

“Cadê você, Bernadette?”

O livro, que é escrito por Maria Semple e publicado aqui no Brasil pela Companhia das letras, vai contar a história de uma mulher que sempre foi odiada pela vizinhança, porém essa mesma vizinhança terá que conviver com o sumiço dela.

O filme tem no elenco grandes astros do cinema como Cate Blanchett (“O Aviador“) Kristen Wiig (“Missão Madrinha de Casamento“) e Laurence Fishburne (“Matrix“) e é dirigido por Richard Linklater, que já foi indicado ao Oscar pela direção em “Boyhood: Da Infância à Juventude“.

A adaptação têm previsão de chegar aos cinemas brasileiros no dia 25 de abril de 2019.

“A Cinco Passos de Você”

O livro “A Cinco Passos de você” (“Five Feet Apart“), escrito por Mikki Daughtry e Tobias Iaconis será lançado em fevereiro aqui no Brasil pela editora Globo Alt. A história é de um jovem casal que acaba se conhecendo no tratamento de suas respectivas doenças e acabam se apaixonando.

Dirigido pelo estreante Justin Baldoni, o filme conta com Claire Forlani que esteve ao lado de Brad Pitt em “Encontro Marcado“, Cole Sprouse que é conhecido pelo seu trabalho na série “Riverdale” e Haley Lu Richardson que fez o papel de uma das jovens sequestradas em “Fragmentado” ao lado de Anya Taylor-Joy.

A previsão para chegar aqui no Brasil é 21 de março de 2019.

“O Motivo”

O livro “O Motivo“, da série “Mundo em Caos” do autor Patrick Ness foi lançado pela editora Pandorga em 2008 e só agora ganha uma adaptação para os cinemas.

“Chaos Walking: The Knife of Never Letting Go” acompanha a história de um futuro pós-apocalíptico aonde uma infecção matou todas as mulheres e tornou audíveis os pensamentos de todos os homens.

O filme tem a direção de Doug Liman, que esteve a frente de filmes como “Jumper” e “No Limite do Amanhã” e conta com dois grandes astros em ascensão no elenco: Tom Holland (“Homem-Aranha: De Volta ao Lar“) e Daisy Ridley (“Star Wars: Os Últimos Jedi“).

A adaptação deve chegar aos cinemas dos Estados Unidos no dia 1º de março de 2019, porém sem data ainda confirmada para desembarcar por aqui no Brasil.

5 livros incríveis para ler em julho

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Isabela Moreira, na Galileu

Julho é o mês perfeito para conhecer novos universos e retornar a alguns muito queridos. Na lista abaixo, separo algumas das obras que li e pretendo ler nas próximas semanas. Confira:

1 – Meu Livro Violeta, Ian McEwan (Cia das Letras, R$ 44,90, 128 páginas)

Autor de um dos meus livros favoritos da vida, Reparação, Ian McEwan leva um baita jeito para envolver os leitores em tramas sufocantes e, por vezes, com poucos personagens. É o caso de Meu Livro Violeta, no qual reúne um conto (que leva o nome do livro) sobre um amigo que rouba o romance de outro, e uma peça chamada “Por Você”, que trata de um maestro cuja vida é toda construída por traições.

2 – Mulherzinhas, Louisa May Alcott (L&PM, a partir de R$ 22, 332 páginas)
A obra é considerada um clássico da literatura juvenil norte-americana. Já tinha ouvido falar sobre ela, mas fiquei ainda mais interessada ao descobrir que será adaptada para os cinemas por Greta Gerwig (diretora de Lady Bird) com Emma Stone, Saiorse Ronan e Meryl Streep no elenco. Trata-se de um romance de formação que acompanha um grupo de irmãs e sua mãe crescendo e apoiando umas às outras.

Livros ideais para julho (Foto: Reprodução/Instagram/Emma Roberts)

3 – De Espaços Abandonados, Luisa Geisler (Alfaguara, R$ 59,90, 416 páginas)
Luisa Geisler é gaúcha e uma das escritoras mais promissoras da literatura nacional. Em seu novo romance, ela usa cartas, e-mails e outros tipos de registros para contar a história de Maria Alice, uma jovem que vai para Irlanda em busca da mãe. Por lá, acaba conhecendo vários brasileiros que deixaram seus lares na procura de coisas novas e acabaram se perdendo no meio do caminho.

4 – A Teus Pés, Ana Cristina Cesar (Cia das Letras, R$ 24,90, 144 páginas)
Há tempos queria ler algo da Ana Cristina Cesar e receber esse livro de presente foi um dos indícios de que já passou da hora de começar. Essa foi a única coletânea poética lançada pela escritora em vida e mistura outras obras lançadas por ela de forma independente, como Cenas de Abril, Correspondência Completa e Luvas de Pelica. Imperdível.

5 – Jane Eyre – Edição Comentada e Ilustrada, Charlotte Brontë (Zahar, R$ 79,90, 536 páginas)

Jane Eyre é um desses clássicos que temos que reler de tempos em tempos: a primeira e única vez que o li foi há cinco anos, o que torna o lançamento da edição ilustrada e comentada uma oportunidade perfeita de voltar ao universo criado por Charlotte Brontë. A obra acompanha Jane, uma órfã que, após uma infância difícil, se torna tutora de uma menina em uma casa cheia de mistérios — incluindo seu proprietário, senhor Rochester.

5 livros para entender o Brasil por autores negros

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Foto: Arquivo Pessoal

Publicado no Nexo

O professor de sociologia da Unicamp Mário Medeiros faz uma seleção de 5 autores negros contemporâneos que, à sua maneira, explicam o Brasil

Como todas as listas, essa é igualmente difícil e problemática. Trata-se de uma seleção em que a dificuldade maior foi selecionar excelentes trabalhos para ficarem de fora. Livros de intelectuais negras e negros que tratem do Brasil existem há muito tempo em nossa história social e literária, mesmo que ignorados sistematicamente ou conhecidos apenas de um público especializado. Assim, selecionei trabalhos de intelectuais negras e negros contemporâneos, fáceis de encontrar em livrarias ou sebos, que se encontram em atividade de pesquisa e/ou que produziram há poucos anos resultados de pesquisas que eu considero como referências importantes para compreender aspectos da história social do Brasil, rever temas sobre o múltiplo mundo negro no Brasil e no exterior, que permitam revisitar trabalhos clássicos de autores negros e não negros, que avancem nas e tensionem criticamente as interpretações sobre o Brasil e sobre os negros em nosso país.

O mundo negro: relações raciais e a constituição do movimento negro contemporâneo no Brasil

Amílcar Araújo Pereira

O historiador Amílcar Pereira publicou sua tese de doutoramento defendida na Universidade Federal Fluminense, uma rigorosa pesquisa que revisita os estudos sobre relações raciais no Brasil. Ele faz um debate sobre a ideia de democracia racial, propondo interpretações alternativas em que intelectuais, ativistas e movimentos negros brasileiros aparecem como protagonistas, articulados com um complexo mundo negro nos Estados Unidos e em países africanos. Além disso, aproveitando os dados e as entrevistas de pesquisa anterior realizada em parceria com Verena Alberti (“Histórias do movimento negro no Brasil”, citada na lista de ‘Favoritos’ do próprio Amilcar, aqui no Nexo), o autor analisa a atuação de homens e mulheres negros na constituição dos movimentos negros no Brasil dos últimos 40 anos, importantes para a luta antirracista, mas também para a luta pela democracia política, contra a ditadura civil-militar, pela ampliação dos sentidos da cidadania contemporânea, com a valorização histórica e cultural da população negra, pelas leis de ensino de história afro-brasileira e contra o racismo, num debate que interessa a todos aqueles que lutam pela igualdade de direitos.

Imprensa negra no Brasil do século XIX

Ana Flávia Magalhães Pinto

A historiadora Ana Flávia M. Pinto realizou, em sua dissertação de mestrado defendida na Universidade de Brasília (UnB), uma pesquisa de fôlego. Que se tornou um livro de enorme importância, tanto por publicizar a existência de jornais negros em cidades como Porto Alegre, Recife, Rio de Janeiro e São Paulo ainda no século 19, como também por colocar em xeque, para os especialistas no assunto, questões como a cronologia da imprensa negra no Brasil, os lugares onde ela existiu, os sentidos da associação de ativistas, intelectuais negros em meio à escravidão e após a abolição. Seu livro ainda tem a qualidade da fluidez da linguagem, tornando-o bastante acessível para iniciantes no assunto, permitindo rever percepções do senso comum acerca da história brasileira e ação de homens e mulheres negros nela, nos primórdios da luta por igualdade de direitos entre as pessoas em nosso país, em que os negros, com suas demandas, são protagonistas.

Vozes marginais na literatura

Érica Peçanha do Nascimento

A antropóloga Érica Peçanha do Nascimento foi a pesquisadora pioneira nos estudos sobre a literatura marginal e periférica dos anos 2000 (estética e movimentos criados em torno do escritor Ferréz e suas obras, das edições Caros Amigos: Literatura Marginal e de saraus pioneiros, como a Cooperifa). “Vozes marginais” é resultado de sua dissertação de mestrado defendida no Programa de Pós-Graduação em Antropologia Social da Universidade de São Paulo, mapeando a produção cultural de intelectuais e ativistas periféricos nas periferias paulistanas, seus projetos coletivos, entrevistando protagonistas de uma cena cultural e política iniciada em São Paulo e que hoje é uma realidade incontornável para a compreensão da história cultural, política e literária brasileira contemporânea para qualquer interessado ou pesquisador comprometido com o assunto. Livro igualmente incontornável como referência do assunto.

A negação do Brasil: o negro na telenovela brasileira

Joel Zito Araújo

Para além de um produto comercial, a telenovela tem sido importante, desde a segunda metade do século 20, na construção de uma imagem de si para o Brasil, por meio de personagens e narrativas que procuram espelhar o cotidiano urbano e rural, do passado e do presente, de valores e costumes tradicionais ou em mudança. O livro do cineasta Joel Zito Araújo, originado de pesquisa na Universidade de São Paulo e que também gerou um documentário homônimo, enfrenta a discussão dessa mídia como produtora de identidade nacional, seu papel na construção e explicitação de hábitos de diferentes classes sociais e também da manutenção de preconceitos e discriminações, em particular sobre os negros. Num minucioso trabalho de pesquisa em arquivos de redes de televisão (como Tupi e Globo), além de uma bela publicização de cenas de telenovelas e de personagens vividos por atores negros e não negros em nossas telas, o autor coloca em discussão um tema contemporâneo da realidade de milhares de telespectadores e os sentidos atribuídos e construídos de sua autopercepção como brasileiros.

Angola Janga: uma história de Palmares

Marcelo d’Salete

“Angola Janga” é um ponto alto em muitos sentidos. Alto numa carreira cheia de cumes, do desenhista de “Noite Luz, Encruzilhada e Cumbe”. Alto na construção de uma história coletiva com protagonistas negros e suas vidas cheias de emoção, desejos, heroísmos, fracassos e lutas pela liberdade humana. Marcelo D’ Salete, mestre em história da arte pela Universidade de São Paulo e professor da Escola de Aplicação da USP, enfrentou o desafio de construir graficamente uma história de Palmares, alicerçada em pesquisa de fontes históricas, ainda disputáveis nos dias correntes. O processo de construção da história é também reconstrução, nos lembra o autor. Palmares vive como memória coletiva negra e uma história de complexa resistência na experiência brasileira. D’Salete interpreta essas memórias e histórias, tão acionadas em diferentes momentos do século 20 para o século 21, para uma nova geração de leitores, com a beleza, rigor e dignidade que ela requer.

Mário Medeiros é professor e pesquisador do departamento de sociologia do IFCH-Unicamp. Autor do livro “A descoberta do insólito: literatura negra e literatura marginal no Brasil (1960-2000)”, publicado pela Aeroplano Editora em 2013.

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