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O que seria de nós sem a literatura?

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Por Fabiene Secches, na Época

Faz um ano que estamos de quarentena, privados de nossas vidas sociais, confinados às nossas casas e atividades essenciais;
como poderíamos estar enfrentando um período repleto de desafios se não fosse a ajuda da literatura, do cinema, da música e de outras expressões de vida?

Faz um ano que tentamos ficar em casa sempre que possível, um ano que usamos máscara sempre que precisamos sair. Um ano que estamos assustados, alarmados e coletivamente enlutados, quando não pessoalmente devastados por perdas de pessoas próximas a nós. São tempos impensáveis, que testam limites e nos colocam em uma condição extrema. Ninguém pode suportar bem uma dor aguda que se transforma em crônica, mas não deixa de doer com a mesma intensidade de antes.

Faz um ano que compartilho nas minhas redes sociais algumas notícias que considero imprescindíveis e um ano que tento me proteger do excesso de informação dessas mesmas redes, que mais nubla o pensamento do que ajuda a pensar. Também faz um ano que agradeço diariamente por ter boas companhias nessa jornada, as que estão por perto todos os dias e as que estão de longe, através das telas, em cada aula que frequento ou que ministro e em cada encontro on-line, com quem tenho trocas tão enriquecedoras. Se não fosse a literatura, o cinema e a música, se não fossem os bichos e as plantas, não sei como estaria sobrevivendo.

É muito importante não se alienar e não se acostumar ao absurdo, principalmente quando estamos diante de um vírus que não é resultado de uma mera fatalidade biológica, mas sim consequência do nosso modo de vida predatório. Apesar disso, muitas mortes poderiam ter sido evitadas. Basta observar a curva de contágio no mundo: enquanto lá fora os números começam a diminuir, no Brasil, continuam aumentando. Nós, que tínhamos tudo para nos tornar uma referência com nosso Sistema Único de Saúde (SUS), que poderia assegurar a vacinação em massa de modo exemplar se tivéssemos insumos, ficamos reféns de um governo que tem a morte como política — e isso, desde antes das eleições de 2018. Infelizmente, Bolsonaro e os seus só fizeram escalonar o que ele já prometia em campanha.

De outro lado, se é muito importante que a gente possa se revoltar e possa expressar essa revolta, que a gente possa se indignar e expressar essa indignação, ninguém pode sobreviver ao que se desdobra diante de nossos olhos falando apenas de morte e de doença. A realidade nos convoca para uma morbidez de proporções inéditas, guiada por aquilo que o pensador camaronês Achille Mbembe chamou de “necropolítica”. Mas nós precisamos de alguma pulsão de vida, de alguma esperança — nos termos que Caetano Veloso propõe a esperança, acompanhada de responsabilidade e de implicação.

Precisamos ler, escrever, desenhar, bordar, cantar, dançar, rir, conversar, encontrar pequenas alegrias no meio de tanto cansaço e desalento. São votos de fé, que longe de expressões alienadas, são expressões de vida. Escrevo esta coluna para puxar conversas sobre o que pode nos ajudar. O instrumento mais valioso, sem dúvida, é o nosso voto. E, para exercê-lo bem, precisamos nos lembrar de um embate descrito pelo psicanalista alemão Sigmund Freud: o princípio do prazer versus o princípio da realidade. Quando votamos, nem sempre podemos escolher o nosso candidato ideal, temos que nos confrontar com as opções reais e com as limitações que cada uma delas oferece. Alianças que desaprovamos, características que rechaçamos, políticas das quais discordamos. Uma delas vencerá as eleições, uma delas decidirá sobre tantas vidas, e a que está em curso não pode continuar.

Enquanto estivermos coletivamente embriagados pela ficção da falsa equivalência, não enxergaremos as diferenças abissais que existem entre o governo atual e qualquer outro governo democrático que o Brasil já teve ou poderia ter. É preciso que estabeleçamos um limite do que é intolerável. Se 30 mil mortes não eram (como Jair Bolsonaro mencionou numa entrevista bem anterior às eleições), será que 300 mil serão?

Mas, até 2022, quando teremos a oportunidade de escolher novamente, como vamos atravessar? Pode ajudar se abrirmos portas que nos permitam visitar outros mundos, que nos permitam sair da catástrofe em que estamos vivendo. Agora que essas portas estão concretamente fechadas, a literatura e o cinema se tornam ainda mais valiosos. É pelas páginas dos livros e pelas telas do celular, do computador e da televisão que podemos viajar, encontrar momentos de trégua, intervalos para o sofrimento, ou mesmo compreensão para o nosso sofrimento. Cada um pode escolher o que pode e precisa ler ou ver para se restabelecer minimamente, para que possa voltar a se sentir capaz de sonhar e de amar.

Nessa quarentena prolongada, tive oportunidade de assistir e de ministrar dezenas de aulas e de participar de outros tantos encontros para falar de literatura. Nessas ocasiões, as pessoas que estiveram comigo à distância pareciam vivissimas, repletas de assuntos e afetos, ávidas para ouvir e para compartilhar impressões, interpretações, questões suscitadas pelas obras discutidas, que foram desde a Antiguidade Clássica, com Medeia, do dramaturgo grego Eurípedes, até a contemporaneidade, com obras que tratam de questões próprias do nosso tempo, como o ótimo romance Sobre os ossos dos mortos, da escritora polonesa Olga Tokarczuk.

Há também quem não esteja conseguindo sequer encontrar a concentração necessária para a leitura, o que é mais do que compreensível. Nesse caso, recomendo se proteger um pouco das notícias — ninguém precisa ser informado de hora em hora, não é mesmo? — e do ambiente muitas vezes fatalista das redes sociais. Se puder, reduza o tempo de exposição a esses meios e escolha um livro que não se coloque como um obstáculo, começando por uma obra que tenha vontade de ler por puro entretenimento, independentemente da qualidade literária. Ou, quem sabe, busque um clube de leitura, com cronograma estabelecido, para que isso e as trocas com colegas possam funcionar como estímulos. Pode ser uma boa forma de quebrar a barreira.

Recentemente, a escritora brasileira Giovana Madalosso compartilhou no seu perfil do Twitter: “Finalmente entendo o que ia dentro daquelas pessoas que bebiam, cantavam, amavam e trepavam, mesmo durante a guerra”. No mesmo clima, acrescentaria que finalmente entendo aqueles que escolhiam ler literatura. São os livros, e também os filmes e as séries, essas produções absolutamente “desnecessárias”, que estão salvando a minha vida e a de tanta gente, assim como as máscaras e as vacinas.

Viva a ciência, que prospera em meio a tanta obscuridade e está nos oferecendo uma porta de saída. E viva a força das histórias, que por vezes funcionam como bóias às quais podemos nos agarrar, enquanto aguardamos socorro. E, por vezes, são elas mesmas barcos que permitem a travessia, nos levando a outros lugares, mais ou menos sãos, mais ou menos salvos.

 

Vale a pena se refugiar na literatura em momentos de crise?

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Por Juliana de Albuquerque, na Folha de S. Paulo

Em um dos capítulos de “Diante do Extremo” (1991) o crítico Tzvetan Todorov comenta como a contemplação do belo pelos prisioneiros dos campos de extermínio nazistas e dos gulags soviéticos deu-lhes a oportunidade de transcender —mesmo que por raros momentos— a miséria a que estavam submetidos. Entre os vários depoimentos colecionados por Todorov, temos o célebre relato do psiquiatra Viktor Frankl sobre a sua experiência em Dachau:

“Por vezes acontecia, num anoitecer em que estávamos deitados no chão, na terra batida do pavilhão, mortos de cansaço depois do trabalho do dia, nossas gamelas de sopa entre as mãos e, de repente, um camarada entrava correndo para suplicar-nos que saíssemos para a Praça de Chamada, somente para não perdermos, apesar do cansaço e do frio que fazia lá fora, um magnífico pôr do sol!”.

Em seguida, Todorov faz referência à escritora Ievguênia Ginzburg, condenada a 18 anos de trabalho forçado na Sibéria, que, no trem que a transportava até Vladivostok, fora desafiada a recitar poesias por pelo menos meia hora —sem consultar qualquer material escrito— sob pena de todos os seus companheiros de vagão completarem a viagem em cárcere batido

Ao relatar este episódio, do qual Ginzburg saiu vitoriosa, Todorov cita uma passagem das memórias da autora de modo a auxiliar-nos a compreender o seu espírito de resistência:

“Meu instinto me dizia que, mesmo que minhas pernas tremessem, mesmo que minhas costas gemessem sob o peso das carriolas carregadas de pedras incandescentes, enquanto a brisa, as estrelas e a poesia continuassem a me emocionar, eu permaneceria viva”.

A poesia também se faz presente no relato de sobrevivente do escritor Primo Levi que, em dado momento da sua passagem por Auschwitz, tornou-se muito amigo de um jovem a quem resolveu ensinar italiano em troca de algumas lições de francês.

Ressalto que na tortuosa “Babel” de Auschwitz —a devorar de maneira impiedosa prisioneiros de todas as partes da Europa— conhecer mais de uma língua era uma questão de sobrevivência.

No entanto, ao se reportar a este episódio, Todorov comenta que —para além dessa instrumentalização dos idiomas na luta por sobrevivência no campo de extermínio— Levi ter-se-ia encorajado com a sensação de liberdade inspirada pela camaradagem intelectual, desejando poder compartilhar com o amigo versos do poeta Dante Alighieri, ciente de que, muito mais do que as barreiras da linguagem, o tempo e a precariedade das suas circunstâncias conspiravam contra a preservação daquele laço afetivo.

Em seu próprio relato, Levi comenta a sofreguidão com a qual tentou se lembrar de algumas estrofes de “A Divina Comédia”:

“Quantas coisas mais haveria que dizer, e o sol já está alto, já é quase meio-dia. Estou com pressa, com uma pressa danada […]. É absolutamente necessário e urgente que ele ouça, que compreenda […] antes que seja tarde demais. Amanhã, ele ou eu poderemos estar mortos, ou nunca mais nos vermos”.

Sobre este episódio em específico, Todorov comenta que a urgência de Primo Levi tinha causa no medo de que ao ver-se incapaz de transmitir o poema para alguém cuja recitação poderia ter feito alguma diferença: “Os versos de Dante teriam habitado uma consciência humana a menos, um momento de elevação espiritual não teria ocorrido e o mundo perderia uma parcela de sua beleza”.

Um dos trechos de “A Divina Comédia” resgatados por Levi refere-se ao mítico comandante Ulisses e diz o seguinte:

“Relembrai vossa origem, vossa essência;
vós não fostes criados para bichos,
e sim para o valor e a experiência”.

Algo que caracteriza os relatos de Frankl, Ginzburg e Primo Levi é a capacidade de cada um desses autores em formar laços, ainda que transitórios, com as pessoas que partilhavam aquele terrível momento das suas vidas, além, é claro, de deixarem-se tocar pela beleza; mesmo quando todas as circunstâncias pareciam-lhes adversas.

Penso bastante sobre isso, quando, em momentos de crise, insisto em escrever sobre literatura. Afinal, será que vale a pena? Nesta semana em que o Brasil bateu o próprio recorde de mortes diárias pela Covid-19, uma amiga comentou a necessidade de encontrar abrigo nos livros.

Ela, no entanto, sabe que, quando tudo nos parece faltar, o refúgio na leitura não nos torna insensíveis à realidade compartilhada e que, ao contrário do que muitos insistem, mesmo os textos mais idílicos podem ser capazes de nos oferecer meios de resgatarmos a nossa humanidade e de preservarmos a memória viva das pessoas que se foram: “Relembrai vossa origem, vossa essência…”.

A reinvindicação por nossa humanidade inspirada pela leitura nos traz ao diálogo com nós mesmos e, notadamente, com todos os outros com quem partilhamos a vulnerabilidade ante o destino. Talvez este protesto, somado aos esforços médicos para mantermo-nos vivos, permita-nos não apenas sobreviver, mas resistir e emprestar algum sentido aos nossos esforços cotidianos.

Gosto bastante da imagem retirada da tradição mística judaica de que o mundo fora criado a partir de um conjunto de letras e números. Um dos autores que melhor invoca essa imagem para si talvez seja o escritor Franz Kafka, cuja leitura exige que estejamos sempre atentos às várias possibilidades interpretativas invocadas pela exata ordem das palavras no texto1.

Em seu diário, por exemplo, Kafka traz-nos a história de um homem que, por alguns instantes, acredita ter visto um anjo no teto do seu quarto:

“‘Um anjo’, pensei eu. ‘Tem estado a voar na minha direcção durante todo o dia e na minha descrença eu não sabia. Vai agora falar comigo’. Baixei os olhos. Quando os levantei de novo, o anjo ainda ali estava, é verdade, suspenso muito abaixo do teto, que se tinha fechado de novo, mas não era nenhum anjo vivo, apenas um busto de madeira pintada, tirado da proa de um barco qualquer, do gênero dos que estão pendurados no teto das tavernas dos marinheiros. Nada mais. O cabo da espada estava feito de tal maneira que servia de base para velas e aparava a cera que caía. Eu tinha arrancado a luz elétrica, não queria permanecer às escuras, havia ainda uma vela e assim subi à cadeira, enfiei-a no punho da espada, acendi-a e então deixei-me ficar sentado noite a dentro à luz pálida do anjo.”

De início, o protagonista acredita que a visão que se formava diante dos seus olhos anunciava a sua libertação: “Era para mim, não havia qualquer dúvida; estava em preparação uma visão que me deveria libertar”.

Porém, ao finalmente constatar que a aparição do anjo havia sido uma ilusão —“Nada mais”— ele, mesmo assim, finda por atribuir algum propósito à miragem, deixando-se iluminar… pela luz daquele mesmo anjo cuja realidade foi contestada!

Ora, quem sabe este não seja um dos principais ensinamentos que a literatura tenha a nos oferecer em momentos de crise? Uma simples vela acesa, apoiada em um boneco de madeira não é o melhor substituto para o que imaginamos ser a claridade proveniente de uma presença angelical.

Mas, e se essa vela acesa por nós mesmos estiver fornecendo a única iluminação de que dispomos? E se aquele for o único anjo que nos assiste? Que lástima seria desperdiçarmos a sua chama quando estamos correndo o risco de uma vez mais tropeçarmos na escuridão!

1 A leitura de Kafka a partir desse ponto de vista será tema de uma próxima coluna.

 

Literatura ganha força com produção de conteúdo pela Internet

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Bel Rodrigues tem um canal no YouTube que discute literatura e criminalidade | Foto: Reprodução / Instagram / CP

 

No Youtube, diversos booktubers aprofundam interesse nos livros

Carol Steques e Camila Souza no Correio do Povo

Um livro faz com que o leitor viaje com uma história, se emocione, dê risada e tenha sentimentos pelos personagens. Quando terminada a leitura, muita gente corre até um amigo ou parente, que também tenha lido, para trocar ideia sobre o assunto. É muito gostoso para o leitor ter outras pessoas que também tenham lido o livro e comentem as histórias, entrando ainda mais no universo lúdico da literatura, que muitas vezes atravessam gerações. Afinal, até hoje todo mundo que conhece Dom Casmurro tem a sua opinião sobre a famosa pergunta: Capitu traiu ou não Bentinho?

Hoje em dia, com as redes sociais, viajar no universo da literatura ficou ainda mais fácil. Amanda Bormida, criadora do Instagram @estanteaoluar, faz resumos de livros no perfil e conta que começou o projeto pois não tinha muitas pessoas para compartilhar ideias e sentimentos sobre os livros que lia, e por meio da plataforma teve essa oportunidade.

“Sempre tive uma afinidade muito grande com livros, e através da página isso se fortaleceu, pois ver publicações com opiniões sobre as mesmas obras que me interesso, traz um sentimento de união, de que haviam pessoas com as mesmas ideias e pensamentos que eu sobre determinados assuntos”, declarou.

Natália Marcelino também produz conteúdo literário em seu perfil no Instagram (@leiturasdanat), criado em 2015. Além de escrever resenhas, Natália compartilha indicações de autores e métodos de leitura com seus seguidores que, hoje, são mais de 23 mil.

Ela conta que a motivação para criar o perfil foi o desejo de dividir suas experiências literárias e, assim, fazer com que outras pessoas também sintam vontade de ler. “Recebo muitos feedbacks de pessoas que voltaram a ler, que descobriram novos gêneros e autores. No Brasil ainda há muitas barreiras com a leitura, então fico muito feliz em saber que, de alguma forma, contribuo para aumentar o número de leitores”, explicou.
YouTube

Nesse momento de isolamento social em função do novo coronavírus, além do Instagram, o Youtube também é uma ótima plataforma para aqueles que querem se aprofundar ainda mais nas histórias. Diversos youtubers, também chamados de booktubers, falam sobre literatura.

Um exemplo disso é o canal da Bel Rodrigues, que traz assuntos como livros, cinema e criminologia. É muito interessante vermos os diferentes gêneros literários que trazem os canais, incentivando o leitor a explorar cada vez mais todos os tipos de temas que o livro pode proporcionar.

Uma das temáticas que Bel aborda é a Segunda Guerra Mundial, e fala sobre livros como “O Diário de Anne Frank” e “Os Fornos de Hitler”. Além da literatura, ela traz outras histórias sobre os temas que aborda em seu canal, como o relato de sua visita ao Campo de Concentração de Sachsenhausen, na Alemanha.

Assim como Bel, Jéssica Ribeiro também optou pela plataforma do YouTube. No canal “Jella em Prosa”, criado em 2015, ela compartilha suas experiências no universo dos livros. Jéssica explica que entrou no BookTube, como é conhecida a comunidade literária na plataforma, pela vontade de falar sobre literatura.

Produzir os vídeos de maneira divertida e despretensiosa fez com que a paixão pelos livros aumentasse. Assim, tomou a decisão de estudar literatura para falar do assunto com mais propriedade. Jéssica conta que recebeu muitos retornos de pessoas que acompanhavam seu canal e decidiram conhecer histórias e livros específicos devido aos seus comentários.

“É muito curioso e muito legal fazer parte do processo de formação leitora de alguém, e digo isso não somente como produtora, mas também como leitora, porque consumo muito esses conteúdos”.

Jéssica destaca a importância da troca de experiências entre leitores na plataforma de vídeos. “A quantidade de pessoas com quem eu posso falar sobre literatura é a coisa pela qual eu mais sou grata dentro da experiência de ter um canal literário”.

Viajar nesse universo é uma alternativa para quem busca distração, principalmente em dias de quarentena. Os produtores de conteúdos literários apresentam, em diversos formatos, análises e indicações para incentivar e despertar a paixão pelos livros.

*Sob supervisão de Luiz Gonzaga Lopes

 

5 livros que narraram epidemias como a do coronavírus

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Nove anos depois de estrear nos cinemas, o filme Contágio, de Steven Soderbergh, voltou a ser um dos 10 filmes mais buscados no iTunes em janeiro. Os números são consequência do surto de coronavírus.

No entanto, o cinema não é o único que retratou de forma bem semelhante a nova pandemia. Além de Contágio, o livro A Peste(1947), de Albert Camus, no momento faz sucesso na Europa e no Japão, de acordo com o Estadão.

Esse é apenas um exemplo dentre outras obras que contaram sobre histórias parecidas com a do COVID-19. O Estadão selecinou 5 livros que narraram epidemias como a do coronavírus. Confira a lista:

O Último Homem (1826), de Mary Shelley

A autora de Frankstein escreveu este livro de ficção científica focada no mundo apocalíptico. Na obra, um território é destruído por uma praga.

Eu Sou a Lenda (1954), de Richard Matheson

Antes de ser protagonizada nos cinemas por Will Smith, a história foi contada em livro. Depois de uma terrível pandemia que transforma as vítimas em zumbis, o único sobrevivente precisa achar uma cura.

A Dança da Morte (1978), de Stephen King

Stephen King, o maior escritor de terror da atualidade, não poderia estar de fora da lista. O livro mostra um mundo apocalíptico, dizimado por uma praga.

Ensaio Sobre a Cegueira (1995), de José Saramago

Na obra acompanhamos um grupo de pessoas afetados por uma epidemia que deixa os infectados cegos.

Guerra Mundial Z (2006), de Max Brooks

A história do livro mostra uma pandemia que assolou a humanidade e transformou todos os infectados em zumbis incontroláveis e sedentos por sangue.

 

5 livros de terror para ler em um dia

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Karol Póss, no Entreter-se

Toda sexta-feira 13 pede boas narrativas de terror para ajudar a entrar no clima. Então, que tal começar por alguns livros curtinhos que podem ser lidos em poucas horas? Pensando nisso, separamos 5 sugestões de leituras bem rápidas, mas ainda assustadoras, para garantir que você irá curtir muito bem esse dia de horrores.

Carrie, a Estranha

Autor: Stephen King

Editora: Suma

Páginas: 200

Sinopse: Carrie é uma adolescente tímida e solitária. Aos 16 anos, é completamente dominada pela mãe, uma fanática religiosa que reprime todas as vontades e descobertas normais aos jovens de sua idade. Para Carrie, tudo é pecado. Viver é enfrentar todo dia o terrível peso da culpa. Para os colegas de escola, e até para os professores, Carrie é uma garota estranha, incapaz de conviver com os outros. Cada vez mais isolada, ela sofre com o sarcasmo e o deboche dos colegas. No entanto, há um segredo por trás de sua aparência frágil: Carrie tem poderes sobrenaturais, é capaz de mover objetos com a mente. No dia de sua formatura, Carrie é surpreendida pelo convite de Tommy para a festa – algo que lhe dá a chance de se enxergar de outra forma pela primeira vez. O ato de crueldade que acontece naquele salão, porém, dá início a uma reviravolta cheia de terror e destruição. Chegou a hora do acerto de contas. Carrie, a estranha é um dos maiores clássicos de terror da literatura contemporânea e um dos livros mais aclamados de Stephen King.

Coraline

Autor: Neil Gaiman

Editora: Rocco Jovens Leitores

Páginas: 159

Sinopse: Coraline acaba de se mudar para um apartamento num prédio antigo. Seus vizinhos são velhinhos excêntricos e amáveis que não conseguem dizer seu nome do jeito certo, mas encorajam sua curiosidade e seu instinto de exploração. Em uma tarde chuvosa, consegue abrir uma porta na sala de visitas de casa que sempre estivera trancada e descobre um caminho para um misterioso apartamento “vazio” no quarto andar do prédio. Para sua surpresa, o apartamento não tem nada de desabitado, e ela fica cara a cara com duas criaturas que afirmam ser seus “outros” pais. Na verdade, aquele parece ser um “outro” completo mundo mágico atrás da porta. Lá, há brinquedos incríveis e vizinhos que nunca falam seu nome errado. Porém a menina logo percebe que aquele mundo é tão mortal quanto encantador e que terá de usar toda a sua inteligência para derrotar seus adversários.

Obscura Epifania

Autor: Diversos

Editora: Jogo de Palavras

Páginas: 120

Sinopse: O terror faz parte do cotidiano e do sobrenatural. Facas cortando pescoços e zumbis mastigando cérebros são exemplos de fatos perturbadores que tendem a mexer com o emocional (e às vezes o físico) dos leitores. São muitos os interessados em visualizar, por intermédio das palavras, pedaços de corpos voando pelos ares após uma explosão. Nesta antologia, escritoras e escritores de Língua Portuguesa narram – seja em prosa, seja em verso – o que há de mais macabro dentro da mente.

Joyland

Autor: Stephen King

Editora: Suma

Páginas: 240

Sinopse: Carolina do Norte, 1973. O universitário Devin Jones começa um trabalho temporário no parque Joyland, esperando esquecer a namorada que partiu seu coração. Mas é outra garota que acaba mudando seu mundo para sempre: a vítima de um serial killer. Linda Grey foi morta no parque há anos, e diz a lenda que seu espírito ainda assombra o trem fantasma. Não demora para que Devin embarque em sua própria investigação, tentando juntar as pontas soltas do caso. O assassino ainda está à solta, mas o espírito de Linda precisa ser libertado – e para isso Dev conta com a ajuda de Mike, um menino com um dom especial e uma doença séria. O destino de uma criança e a realidade sombria da vida vêm à tona neste eletrizante mistério sobre amar e perder, sobre crescer e envelhecer – e sobre aqueles que sequer tiveram a chance de passar por essas experiências porque a morte lhes chegou cedo demais.

Era uma vez uma mulher que tentou matar o bebê da vizinha: Histórias e contos de fadas assustadores

Autor: Liudmila Petruchévskaia

Editora: Companhia das Letras

Páginas: 268

Sinopse: “Liudmila Petruchévskaia pertence ao grupo de escritores que não encontram equivalente em nenhum outro autor, tradição ou país. Considerada por alguns herdeira de Allan Poe e Gogol, a maior autora russa viva combina o contexto soviético em que produziu grande parte de sua obra com uma realidade povoada por assombrações, pesadelos, acontecimentos macabros e personagens sinistras. O resultado são história sobrenaturais que retomam a tradição dos contos folclóricos, porém dotadas de um humor contemporâneo e de uma carga política que não precisa se expressar diretamente para existir, pois, assim como não é à toa que a autora teve sua obra banida da União Soviética até o final dos anos 1990, tampouco é por acaso que ela recebeu em 2002 o prêmio de maior prestígio na Rússia pelo conjunto de sua obra. ”

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