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As melhores dicas para organizar seus livros

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Se você adora livros e não troca os modelos físicos pelos virtuais, é provável que tenha algum problema para organizá-los

Renan Lelis, na Poltrona Nerd

A leitura pode acrescentar muito mais do que conhecimento à sua vida. Ela estimula a imaginação, desenvolve a criatividade e muitas vezes faz você se apaixonar pelas histórias contadas. Quando se adquire esse hábito, é normal colecionar uma série de títulos e ter sempre um exemplar na cabeceira.

Se você é do tipo de pessoa que adora livros e não troca os modelos físicos pelos virtuais, é provável que tenha algum problema para organizá-los. Hoje vamos te dar as melhores dicas para organizar os seus livros e tê-los sempre à mão.

Faça uma triagem dos seus livros

Antes de começar a fazer a organização, separe todos os livros em um lugar. Dessa forma, você conseguirá visualizar todos os exemplares que adquiriu e verificar quais deles podem ser destinado para doação, venda ou entregues a algum amigo que você acredita que gostaria de ler.

Sabemos que muitas vezes é difícil desapegar, e na verdade nem sempre isso é necessário. Essa é apenas uma forma de te fazer perceber quantos livros você tem que não usa, quais ainda não foram lidos, quais não gostou. Se você considerar se desfazer de algum deles, poderá garantir mais espaço para os que você realmente não abre mão de ter em casa e para os novos que com certeza você já pensa em adquirir.

Compre móveis especiais

Estantes, nichos, móveis feito sob medida. Escolha o que vai se adaptar melhor ao seu ambiente e à quantidade de livros que tem. Você pode levar em consideração a decoração e o espaço disponível. Determine em qual ambiente eles deverão ser guardados – sala, escritório, quarto – e se ficarão expostos, ou não.

Além de serem objetos de apego, os livros também servem como excelentes objetos decorativos. “O móvel que for escolhido para guardar os livros precisa representar a personalidade do morador no ambiente. São vários os modelos disponíveis desde o clássico ao rústico, para espaços grandes ou pequenos. Um dos fatores que contam muito é a funcionalidade do móvel”, explica a porta-voz do site MagoDeCasa.com.br, Amanda Sousa.

Escolha uma forma de catalogar

Agora que você já sabe com quais vai ficar, é hora de colocar a mão na massa. As formas mais frequentes de organização são por cores, tamanho, tema ou ordem alfabética. A primeira e a segunda servem mais como elementos decorativos do que funcionais.

Uma dica legal é deixar nos lugares mais altos ou ao fundo os que você já leu. Deixe à frente os que você ainda não leu, para ficar mais fácil de procurar.

Siga as regras de conservação

Por serem feitos de material degradável, é importante mantê-los em local adequado para que durem por muito tempo. Lembre-se sempre de colocá-los em local arejado, com pouca umidade. Evite deixá-los inclinados e não coloque os livros pesados por cima de outros para não ter o risco de deformarem.

Quanto à limpeza, sempre que possível, passe um pano macio para tirar a poeira. A acetona pode ser usada para tirar sujeiras da capa. Já a borracha, tira as manchas amareladas das páginas. Faça tudo com muito cuidado.
Se tiver crianças, monte um espaço só para elas

Não existe melhor professor do que o exemplo. O hábito de leitura, quando iniciado na infância, tem muito a acrescentar à vida da criança. Não só cognitivamente, mas no seu desenvolvimento global. Se você tem filhos, considere montar um espaço de leitura também para eles seguindo o exemplo que foi feito para você. Utilize móveis parecidos, com a mesma cor e padrão, porém adaptado ao tamanho deles.

Deixe que a criança participe do processo de organização e faça ela perceber a importância que os livros podem ter na vida delas e os cuidados que eles precisam. Coloque os exemplares favoritos dela e leve-a sempre para escolher novos títulos para leitura.

Aprenda a montar um canto de leitura, organizar e limpar os livros

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Para incentivar o gosto pelos livros, eles devem estar sempre à mão do seu filho. Veja as dicas de organização, limpeza e escolha do espaço para acomodá-los

Aline Dini, na Crescer

1. Tira, põe, deixa ficar
A regra de ouro básica da organização vale também para livros. Por isso, o primeiro passo é separar os que já não têm muito a ver com a idade do seu filho e encaminhar para doação. Pode ser para um amigo, para a escola ou para aquela instituição do coração. Vai ser útil para alguém!

2. Limpeza em dia
Capriche ao tirar o pó dos livros que ficaram. Isso exige uma pitada de delicadeza, então vale passar um pano seco ou até mesmo um pincel de cerdas macias. Ele deve “varrer” a sujeira ao longo de todo o livro. Truque: aperte bem o exemplar para evitar que a poeira entre nas páginas.

3. No mesmo lugar
Você pode até deixar um ou outro livro pela casa, mas definir um local para guardá-los ajuda as crianças a encontrá-los com mais facilidade e a se acostumarem com um canto para a leitura. Ter em mente o montante do que precisa organizar auxilia a definir o espaço ou o móvel para a arrumação.

4. Nem sol, nem umidade
Evite fixar prateleiras ou colocar a caixa de livros em paredes ou locais onde bata sol, o que pode desbotar as pinturas e deixar as páginas amareladas. Também vale mantê-los longe das paredes que fazem divisão com o banheiro, pois há risco de eles ficarem úmidos e, consequentemente, mofados.

5. Tipo de organização
Os livros podem ser separados por tema, autor, tamanho, editora… Defina qual dessas categorias faz mais sentido para a coleção do seu filho e organize-os. Regra geral: se a prateleira é daquelas mais comuns, de fileira única, vale colocar os maiores atrás e os menores na frente, facilitando a visualização.

6. Ao alcance do braço
De nada adianta fazer uma arrumação linda para os olhos, mas que, na prática, o pequeno tenha dificuldade de acessar. Por isso, leve sempre em consideração a altura do seu filho e, de preferência, decida junto com ele onde os livros serão colocados. Assim, ele se sente responsável pelo espaço.

Fonte: Juliana Faria, fundadora da Yru Organizer (SP).

A importância da leitura para as crianças e jovens

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Foto: Assessoria / DINO

 

Os livros de literatura fantástica nacional são ótimos atrativos para crianças e jovens que estão sendo introduzidos à vida de leitores

Publicado no Terra

Já foi comprovado por alguns estudos recentes que a leitura auxilia no desenvolvimento dos jovens leitores. Para as crianças que estão no início da sua aprendizagem linguística, sempre são indicadas leituras mais fáceis, como histórias em quadrinhos, por exemplo, Turma da Mônica, que em julho se transformará em filme pela primeira vez com a estreia de “Laços”.

Quantos dos adultos da atualidade que você conhece que afirmam ter aprendido a ler com Turma da Mônica? Aposto que muitos.

Grande parte dos professores de português começa a introduzir o interesse pela literatura em seus alunos o mais cedo possível. Na minha época, por exemplo, uma ótima literatura introdutória era a Coleção Vagalume.
A literatura, principalmente a nacional, é de extrema importância para as crianças e adolescentes que estão sendo introduzidos na sua vida de leitores. Livros de aventura e fantasia conquistam de cara os novos leitores, porque ler um bom livro é algo prazeroso.

Uma boa dica para você, professor, introduzir seus alunos à leitura, ou você, pai, ensinar seu filho a gostar de literatura, é a trilogia de livros “Johnny Bleas”. Por ser uma trilogia nacional, isso já facilita o acesso aos livros e até mesmo ao autor. Também facilita a leitura, pois são palavras do nosso uso cotidiano.

O autor J.G. Brene escreve cordialmente, e o primeiro livro da trilogia, “Um novo mundo”, é um livro curto, atrativo para quem está começando. Além disso, em sua capa e contracapa contém imagens do novo mundo que é apresentado no livro, Asterium, o que também pode ser atraente para jovens que ainda precisem do apoio de imagens.

Na história, Johnny Bleas é um adolescente normal de 17 anos, até que um assassinato de um ente querido revoluciona sua vida, um morador de Asterium o leva para essa nova dimensão, e Johnny descobre que o mundo é muito maior do que imaginou, já que ele é o príncipe herdeiro deste reino desconhecido. Ele terá que passar por provações para se mostrar digno, além de enfrentar seu antagonista, enquanto aprende sobre as novidades que esse mundo tem, como mágica, duendes, cavaleiros, castelos e criaturas mágicas.
Por ser uma literatura de fácil acesso, e também fácil de acompanhar, já que as palavras utilizadas são palavras utilizadas cotidianamente pelos leitores, é um ótimo meio para introduzir crianças à leitura. Incentive a literatura nacional!

Paula Fornaziero da Silva | AM3 Conteúdo

Insegurança da leitura: efeitos nocivos da Internet vira estudo e são comparados com livros

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Muitos dizem que ler artigos pela Internet não se aproxima à qualidade de uma leitura em papel. Mas parece que nem sempre foi assim

Thais Ribeiro, no Showmetech

Parece ficção mas ainda há uma grande parcela da sociedade que questiona a legitimidade da leitura online. Não somente isso, mas a coloca em xeque em comparação aos livros. O que parece escapar pelos dedos, e, assim como as páginas amareladas desgastadas, não faz tanto tempo assim que a legitimidade de romances foi, em seu próprio tempo, questionada, insultada e esnobada.

Muitas vezes, eram acusados de levarem seus entusiastas mais fervorosos a erros inexcusáveis e, para todos os efeitos, capazes de arruiná-los para a praticidade da vida real. Soa familiar?

Essas expectativas, e também os preconceitos em ambas modalidades de leitura, tornou-se estudo na universidade. Afinal, tecnologia e literatura possuem muito em comum. Em seu ensaio sobre o chamado fenômeno “insegurança da leitura”, Katy Waldman descreve o clima atual como um resultado inevitável da oralidade.

Mas vai além disso, porém. O que seu estudo tenta não é condenar a leitura da internet em detrimento da leitura clássica, mas sim estabelecer um paralelo entre as duas modalidades, como forma de documentar histerias acerca dos hábitos da juventude.

Leitura e a fonte confiável

Parte do sentimento de que a leitura online é inferior à chamada leitura tradicional não é conceito existente somente por se tratar de um hábito dos jovens. Mesmo que isso seja a fonte de alguns dos preconceitos. Quanto a isso, Katy argumenta que “livros e artigos investigam a maneira como lemos agora” e “uma longa série de estudos sugere que as pessoas leem a Internet de maneira diferente como leem romances”.

Katy vai além e faz paralelos à leitura em contexto histórico, observando que a linguagem falada sempre foi retratada como não confiável, isso pode ser especialmente verdadeiro em relação à linguagem falada por mulheres. Waldman escreve:

“Eu não posso deixar de pensar que o grande debate em torno da ‘oralidade e alfabetização‘ – a natureza escorregadia de um versus a autoridade estável do outro – está de volta, mais ou menos. Desta vez, lançamos a nova tecnologia como não confiável e o livro impresso parecido com uma relíquia como a fonte confiável”.
Katy Waldman – A Insegurança da Leitura.

O que acaba por abrangir o debate talvez seja o fato de que, inevitavelmente, o que faz com que os livros hoje gozem de certos status são os mesmos motivos nos quais eram condenados em seu tempo. Muitos deles relacionados à sua capacidade de engajamento e a forte relação com a prática oral e a juventude.

Madame Bovary à frente de seu tempo

Vale lembrar que nem mesmo os romances que marcaram história conseguiram escapar da régua da condenação. Não podemos esquecer que, em seu tempo, o romance absoluto, Madame Bovary (1856) fora condenado entre os seus. E foi além, já que para muitos, o que parecia uma grande celebração do amor romântico era nada mais que uma crítica afiada.

Em seu romance, Gustave Flaubert descreve uma adolescente Emma Bovary que “sujou as mãos com livros emprestados de velhas bibliotecas”. Tudo o que Emma lê é excitante em comparação à sua vida. Antes do casamento, ela se achava apaixonada; mas a felicidade que deveria ter seguido esse amor não chegou, e ela, por sua vez, se sentiu enganada.

O que ela não encontrou em seu casamento, Emma tentou descobrir o que é felicidade, paixão, arrebatamento, que lhe pareceram tão belas em livros, em tantos outros lugares. Nos braços de outros homens. Adultério. Escandâlo. Um romance a frente de seu tempo.

No conflito de Emma Bovary e seus devaneios, Flaubert está canalizando um século de preocupações sobre jovens mulheres particularmente suscetíveis às fantasias que encontram nos romances e nas seduções da leitura.

Para Katy Waldman, o enredo de Madame Bovary não é despropositado. Já que, do final do século XVIII até a metade do século 19, ela acrescentou, as mulheres eram consideradas em risco por não serem capazes de diferenciar ficção e vida.

Em Madame Bovary, Flaubert pode estar elaborando algumas de suas próprias ansiedades, estando realmente dividido entre essa imaginação romântica e uma espécie de realismo, que sucederia essa vanguarda.

Parte de Madame Bovary é Flaubert tentando exorcizar sua própria imaginação romântica realmente poderosa. E a alienação cujos efeitos colaterais são realmente poderosos. Ao criticar Emma, ele critica a todo uma sociedade obcecada na superficialidade.

Austen e a histeria dos excessos

Andando na marcha ré, vem Jane Austen, que, seguindo o exemplo de Flaubert, foi outro romancista que brincou com ideias sobre leitura. Em A Abadia de Northanger (1817) Austen conta a história de Catherine Morland, uma amante de romances cuja leitura a faz acreditar que um homem com quem ela está hospedada é um assassino.

Catherine é uma jovem típica que não consegue distinguir entre fato e ficção. Mas, ela não ousa criticar tão ferrenhamente sua protagonista. Pelo contrário. Austen é uma espécie de mestre em satirizar os excessos, mas ela também está elogiando a capacidade dos romances de cultivar o julgamento e gosto.

A leitura de mulheres, especialmente as adolescentes, sempre fora associada ao inflamar das paixões sexuais; com idéias radicais e liberais; com arrogância; com a tentativa de derrubar o status quo. A Abadia de Northanger ridiculariza a noção social que retratava as mulheres como tão estúpidas que elas não seriam capazes de distinguir realidade e ficção.

Um paralelo que podemos traçar, por exemplo, com todo o preconceito acerca das comunidades de fanfiction. Quem já não se viu criticando esse estilo de leitura online? Ou até mesmo com aquilo que lemos em redes sociais. Embora os medos de hoje sejam diferentes dos tempos de Austen – mais focados no que encontramos na Internet do que em como interpretamos o que lemos -, há uma semelhança afinal.

Nossas ansiedades contemporâneas em relação à leitura refletem uma desconfiança de que o indivíduo seja capaz de diferenciar materiais bons de materiais ruins ou usar as informações que eles absorvem de forma produtiva, construtiva e segura.

Do outro lado da moeda, o que antes era visto como um risco nos livros é agora elogiado como uma força a ser reconhecida. Hoje, muitos valorizam romances por promover direcionamento, foco. O que, para alguns dos críticos do romance dos séculos XVIII e XIX, perder-se era exatamente o problema.

Claro que não seja de todo modo preocupante a maneira na qual nos permitimos alguns meios de comunicação nos absorverem. Um eco talvez distante das preocupações anteriores sobre jovens e romances podem tecer um paralelo ao atual discurso sobre jovens e videogames.

Porém todo o imaginário de que os livros podem ser perigosos parece ter caído no esquecimento, o que levanta a questão de como as novas fontes de entretenimento e informação atuais irão parecer para os críticos e estudiosos do futuro.

Daqui 50 anos, talvez lamentemos nossa incapacidade de ler online de maneira satisfatoriamente eficiente. Quais serão os estímulos que o futuro nos reserva? Por ora, basta fazer apostas e, por via das dúvidas, pegar carona na nostalgia.

fonte: New York Times

Hábitos digitais estão ‘atrofiando’ nossa habilidade de leitura e compreensão?

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Será que uma geração que se acostumou a ler tudo online vai perder o poder de fazer uma leitura profunda e crítica de um texto complexo? (Foto: Getty Images via BBC News Brasil)

Será que uma geração que se acostumou a ler tudo online vai perder o poder de fazer uma leitura profunda e crítica de um texto complexo?

Publicado na Época Negócios

A neurocientista cognitiva americana Maryanne Wolf costuma ser abordada, em suas palestras e aulas, por pessoas que se queixam de não conseguir mais se concentrar em textos longos ou “mergulhar” na leitura tão profundamente quanto conseguiam antes.

“As pessoas estão percebendo que algo está mudando em si mesmas, que é seu poder de leitura. E há um motivo para isso”, diz Wolf.

A razão, segundo a pesquisadora da Universidade da Califórnia em Los Angeles (UCLA), é que o excesso de tempo em telas – celulares e tablets, desde a infância até a vida adulta – e os hábitos digitais associados a isso estão mudando radicalmente a forma como muitos de nós processamos a informação que lemos.

Segundo um livro de Wolf prestes a ser lançado no Brasil (O Cérebro no Mundo Digital – Os desafios da leitura na nossa era; ed. Contexto) e algumas pesquisas sobre o tema, o fato de lermos cada vez mais em telas, em vez de papel, e a prática cada vez mais comum de apenas “passar os olhos” superficialmente em múltiplos textos e postagens online podem estar dilapidando nossa capacidade de entender argumentos complexos, de fazer uma análise crítica do que lemos e até mesmo de criar empatia por pontos de vista diferentes do nosso.

Tudo isso tem o poder de impactar desde a nossa performance individual no mercado de trabalho até nossa tomada de decisões políticas e a vida em sociedade.

Mas o que acontece com a leitura no nosso cérebro, e o que podemos fazer a respeito?

O circuito da leitura
Wolf, que é diretora do Centro de Dislexia, Aprendizagem Diversa e Justiça Social da UCLA, explica à BBC News Brasil que, ao contrário da visão e da linguagem oral, a habilidade de ler e interpretar letras e números não é algo com que nascemos: a leitura é resultado de um circuito que os seres humanos começaram a criar no cérebro cerca de 6 mil anos atrás.

‘As pessoas estão percebendo que algo está mudando em si mesmas, que é seu poder de leitura. E há um motivo para isso’, diz Maryanne Wolf (Foto: Getty Images via BBC News Brasil)

Esse circuito cerebral começou a se desenvolver quando nossos antepassados passaram a contar cabeças de gado e a criar símbolos para fazer seus primeiros registros escritos. E evoluiu, em (relativamente) pouco tempo, até a elaborada capacidade que temos hoje, de processar argumentos, sutilezas e emoções impressos nas páginas de livros e jornais.

“Não existe, portanto, um circuito genético para ler, que se desenvolva logo que uma criança nasce”, explica Wolf à BBC News Brasil.

“(A habilidade de) ler é algo que precisa ser criada no cérebro, e o circuito vai refletir a linguagem que a pessoa usa, seu sistema de escrita, e o meio pelo qual lê.”

Ou seja, esse circuito é moldado pela forma como lemos e pelo tempo que gastamos na leitura. Como os hábitos digitais atualmente favorecem uma leitura pouco aprofundada, em que apenas passamos os olhos por textos diversos, o perigo, diz Wolf, é que a habilidade de entender argumentos complexos – sejam eles presentes em um contrato legal, em um livro, em uma reportagem mais longa – pode ser “atrofiada” caso não seja exercitada.

Em um cenário de leitura apenas superficial, “o circuito da leitura no cérebro não vai alocar tempo suficiente para um processamento cognitivo” necessário para um processamento crítico, diz a acadêmica.

“Ao apenas ‘passar os olhos’ em um texto, a pessoa passa por cima da argumentação, dos pontos mais sofisticados do texto, e receberá menos da substância de pensamento que é importante para a análise crítica.”

Tempo de tela
A preocupação principal de Wolf e de acadêmicos como ela é o que acontecerá com as gerações mais jovens, habituadas desde os primeiros anos de vida a passar horas nos celulares e tablets e a consumir ali toda a sua informação, com rapidez e diversas distrações.

Embora muito se fale dos riscos que o excesso de tempo passivo diante de telas pode causar para a saúde infantil – dos problemas de visão à obesidade -, só agora a ciência começa a explorar o potencial impacto dos hábitos digitais sobre o poder de leitura e a concentração dessas crianças no futuro.

Uma meta-análise feita por estudiosos da Espanha e de Israel analisou dados de 171 mil pessoas na Europa, coletados entre 2000 e 2017, para comparar a compreensão de leitura dos participantes nos meios digital e papel.

O estudo diz que ainda é difícil chegar a conclusões absolutas, porque o desempenho das pessoas é “inconsistente”, mas identificou o que chama de “inferioridade da tela”: a leitura digital parece não favorecer as habilidades de compreensão dos leitores, e o processamento das informações é mais “raso” nesses meios online.

O que acontecerá no futuro ainda é difícil prever. O estudo levanta a possibilidade de as vantagens da leitura no meio impresso se perderem ao longo do tempo.

Já Maryanne Wolf teme que, em vez disso, as pessoas percam aos poucos as capacidades de leitura que levamos milênios para desenvolver no nível atual.

“É isso o que me preocupa nos mais jovens: eles estão desenvolvendo uma impaciência cognitiva que não favorece (a leitura crítica)”, diz a acadêmica. “Deixamos de estar profundamente engajados no que estamos lendo, o que torna mais improvável que sejamos transportados para um entendimento real dos sentimentos e pensamentos de outra pessoa.”

É nesse aspecto que Wolf acredita que a “leitura rápida” pode reduzir a nossa capacidade de sentir empatia pelos demais ou de superar mais limites de conhecimento. E também dificultar o nosso entendimento sobre o que está acontecendo na política, na economia ou em qualquer outro fenômeno social complexo, que exija uma leitura cuidadosa e que tenha causas – e soluções – não simplistas.

“As pessoas ficam muito mais suscetíveis a fake news e demagogos que criam falsas expectativas”, opina ela.

Outra possível consequência é que diminua nossa capacidade de pensar mais criticamente e de levar em conta diferentes pontos de vista, habilidades consideradas cada vez mais importantes no mercado de trabalho à medida que empregos que exigem menos capacitação vão sendo automatizados.

O psicólogo Daniel Goleman, que também estuda esse assunto, alerta para o que chama de “atenção parcialmente contínua” – citando, por exemplo, participantes de seminários que, de olho em seus celulares e notebooks, não conseguem prestar atenção plena ao que diziam os palestrantes do evento.

O perigo, diz ele, é que percamos parte da nossa habilidade de chegar ao fim de leituras e de tarefas offline.

É preciso ser realista
No entanto, os pesquisadores concordam que não adianta querer evitar o inevitável: as pessoas leem cada vez mais online e de modo rápido, e isso certamente não mudará em um futuro próximo.

“Está claro que a leitura em meios digitais é uma parte inevitável das nossas vidas e uma parte integral do campo da educação”, diz a meta-análise europeia.

“Ainda que os resultados atuais indiquem que a leitura em papel deva ser preferida à leitura online, não é realista recomendar que se evitem os dispositivos digitais. No entanto, ignorar os resultados de um robusto efeito de inferioridade da tela pode (…) impedir que leitores se beneficiem plenamente de suas capacidades de leitura e que crianças desenvolvam essas habilidades.”

Wolf lembra, ao mesmo tempo, que são inegáveis os benefícios da internet e da leitura online para democratizar e agilizar a transmissão de informação. Para ela, o primeiro passo é termos consciência do que está acontecendo com nossa capacidade de leitura.

“Quero reforçar que não vejo isso como uma questão binária, como uma oposição (entre telas e material impresso). Temos apenas de saber qual o propósito do que estamos lendo e qual é a melhor forma de fazê-lo. Não se trata de escolher um meio em detrimento do outro, mas sim entender o que está acontecendo com nosso cérebro e entender o propósito do que se está lendo”, diz a pesquisadora.

“Se eu precisar ler algo simples e superficial, a tela é ótima. Mas se for algo complexo, que necessite de um olhar sob diferentes perspectivas, em que precise discernir o verdadeiro valor da informação, então tenho de pensar se o meio vai promover o processamento mais lento e profundo de uma análise crítica.”

Como incentivar a leitura crítica
Não há, diz ela, uma receita universal para preservar nossa habilidade de leitura crítica, mas sim a necessidade de prestar atenção a nossos próprios hábitos e aos das crianças.

Para algumas pessoas, bastará concentrar-se em uma leitura sem distrações – mesmo que seja online – e manter o olhar atento para múltiplas perspectivas e pontos de vista. Outros talvez precisem ter a autodisciplina de limitar seu tempo diário diante das telas, para ter o que ela chama de “vida digital mais saudável”, além de retomar o hábito de ler livros impressos.

E, para crianças e adolescentes, eis algumas recomendações do livro de Wolf:

– Ensinar a evitar o “multitasking”. A realização de múltiplas tarefas simultaneamente online dá aos jovens a capacidade de lidar com múltiplos fluxos de atenção, mas cria dependência de dopamina (que recompensa o cérebro por buscar constantes estímulos) e desestimula a memória;

– Proteger o tempo ocioso das crianças, ou seja, não deixar que todo momento de ócio vire desculpa para usar telas. É no ócio que nasce a criatividade;

– Ler livros para as crianças, antes mesmo de elas começarem a falar. Isso estimula conexões neurais, a atenção recíproca entre pais e filhos, a experiência tátil dos livros e é, diz ela, o “começo ideal para uma vida de leitor”. Wolf faz coro com especialistas que sugerem que crianças com menos de 2 anos não devem ser expostas a telas;

– Entre dois e três anos, limitar a no máximo meia hora o tempo diário de tela. Para os maiores, limitar a duas horas diárias. Wolf acha que não adianta proibir totalmente as telas, porque isso só causará mais obsessão por elas. O jeito é buscar equilíbrio;

– Sobretudo entre 2 e 5 anos de idade, cercar as crianças de lápis coloridos, livros, números e música, que estimulem a criatividade e a exploração física do meio. O aprendizado de música e de esportes também ajuda a ensinar disciplina e recompensas de longo prazo;

Por fim, ela lembra que muitas crianças conseguem manter a conexão com os livros mesmo acessando tablets e celulares com moderação. “O importante é estimular a formação de uma mente curiosa”, escreve ela. “A formação cuidadosa do raciocínio crítico é a melhor maneira de vacinar a próxima geração contra a informação manipuladora e superficial, seja em texto (de papel) ou em telas.”

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