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Olga Tokarczuk e Peter Handke conquistam o Nobel de Literatura

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Olga Tokarczuk e Peter Handke: vencedores do Nobel de Literatura (Divulgação/Reuters)

A escolha de dois vencedores supre o hiato do ano passado, quando um escândalo de assédio sexual tomou os bastidores da Academia Sueca

Publicado na Veja

Olga Tokarczuk e Peter Handke foram anunciados nesta quinta-feira 10 como vencedores do Nobel de Literatura. A polonesa ganhou o prêmio pelo ano de 2018 e o austríaco, por 2019.

Segundo o Nobel, a inovação de Olga veio com seu terceiro romance, Prawiek i inne czasy, de 1996 (Primitivo e Outros Tempos, em tradução livre). O livro, sem edição no Brasil, é, segundo o comitê, “um excelente exemplo de nova literatura polonesa”. Comparado a Cem Anos de Solidão, de Gabriel García Márquez, o livro se passa em uma vila mítica e acompanha a história de três gerações de uma mesma família. O local é afetado por invasões e guerras, alegorias políticas da história da Polônia, território crucial do leste europeu nas duas grandes guerras e da entrada comunista no continente.

“A obra-prima de Olga Tokarczuk, até agora, é o impressionante romance histórico Księgi Jakubowe, de 2014 (Os Livros de Jacó). Ela mostrou neste trabalho a capacidade suprema do romance de representar um caso quase além da compreensão humana”, acrescentou o comitê. O calhamaço de 900 páginas conta a história de Jakub Frank, um líder judeu que forçou a conversão de amigos ao catolicismo no século XVIII. Bastante crítica aos erros históricos da Polônia, a obra virou best-seller no país, mas acendeu a ira da extrema direita local: a editora de Olga chegou a contratar seguranças para protegê-la após ameaças de morte.

Pouco conhecida no Brasil, Olga terá dois livros lançados por aqui pela editora Todavia. O primeiro, previsto para novembro, é Sobre os Ossos dos Mortos, obra adaptada para o cinema no filme Rastros (2017), vencedor do Urso de Prata em Berlim. Em seguida, a editora prepara a tradução de Flights (Viagens, em título provisório), que conquistou o prêmio Man Booker International no ano passado.

Handke, de 76 anos, nasceu em 1942, na região de Kärnten, no sul da Áustria. Seu romance de estreia, Die Hornissen, (As Vespas, em tradução livre), foi publicado em 1966. “Mais de cinquenta anos depois do lançamento de seu primeiro livro, tendo produzido um grande número de obras em diferentes gêneros, estabeleceu-se como um dos escritores mais influentes da Europa após a Segunda Guerra Mundial. A arte peculiar de Handke é a extraordinária atenção às paisagens e à presença material do mundo, que fez do cinema e da pintura duas de suas maiores fontes de inspiração,” avaliou o comitê.

Para além da literatura, Handke é dono de uma interessante carreira no cinema. Escreveu roteiros de filmes como Asas do Desejo (1987) e Movimento em Falso (1975), dirigidos por Wim Wenders, e dirigiu obras como A Mulher Canhota (1978), indicado à Palma de Ouro no Festival de Cannes do mesmo ano.

Hiato

A escolha de dois vencedores este ano vem para suprir o hiato do ano passado, quando um escândalo de assédio sexual tomou os bastidores da Academia Sueca, que, em resposta, cancelou a premiação em 2018.

O caso envolvia Jean-Claude Arnault, marido de Katarina Frostenson, escritora e membro da Academia, acusado de assédio sexual por 18 mulheres. Os depoimentos vieram à tona com o fervor do movimento #MeToo, que denunciou casos de abusos em Hollywood. Na época, sete dos 18 membros da academia, entre eles a secretária permanente, Sara Danius, renunciaram.

Ao cancelar a entrega do prêmio, a instituição disse que perdeu a “confiança” no mundo exterior e que estava “enfraquecida”. A Academia declarou ainda que precisava de “tempo para recuperar sua força plena, envolver um número maior de membros ativos e restaurar a confiança nela antes de escolher um novo vencedor”.

Em outubro do ano passado, aos 72 anos, Jean-Claude Arnault foi condenado a dois anos de prisão por estuprar duas vezes, em outubro e dezembro de 2011, uma jovem em um apartamento em Estocolmo.

O Nobel de Literatura já havia sido cancelado ou adiado outras sete vezes, em sua maioria por causa de guerras. Desde 1949, contudo, não ocorria algo do tipo. Cada Nobel vale 9 milhões de coroas suecas – quase 4 milhões de reais.

O Susto dos Livros: Quando doenças fatais eram contraídas em bibliotecas

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Livro presente na saga Harry Potter – Reprodução

Nos Estados Unidos e na Europa, milhares de pessoas passaram a temer epidemias presentes em livros

Alana Sousa, na Aventuras na História

Uma onda de pânico aterrorizou os Estados Unidos e a Europa durante o final do século 19 e começo do século 20. A razão inusitada por trás do caso era o medo de doenças mortais que seriam supostamente causadas por livros.

Após a morte da bibliotecária, Jessie Allan, na cidade de Omaha, em Nebraska, as pessoas começaram a acreditar que sua doença teria sido contraída de algum livro, em seu local de trabalho. A verdadeira causa da morte era tuberculose, comum na época, e que viria a assustar moradores por alguns anos.

“Sua morte deu origem a uma nova discussão, a possibilidade de infecção de doenças contagiosas através de livros da biblioteca”, escreveu o Library Journal sobre o caso, publicado pela American Library Association, em outubro de 1895.

Atualmente já quase esquecido, o Susto dos Livros disseminava a ideia de que germes estariam presentes nas obras emprestadas das bibliotecas. O que fazia com que o público ficasse não somente assustados, mas também longe das livrarias públicas.

Em uma época marcada por epidemias como tuberculose e varíola, a ideia de que livros também poderiam trazer doenças fatais causou um surto de ansiedade na população. O escritor Gerald S. Greenberg, que estuda o tema, escreve que havia um medo em “contrair câncer entrando em contato com tecido maligno expectorado nas páginas”.

Não só as pessoas comuns acreditavam no susto dos livros, médicos afirmavam que possuíam conhecimento que os rumores eram reais. Logo o pânico se espalhou para além dos Estados Unidos e tomou conta da Grã-Bretanha.

Foi preciso até mesmo criar uma lei para tratar do problema. No Reino Unido, a Seção 59 da Lei de Alterações sobre Atos de Saúde Pública da Grã-Bretanha. 1907, afirmava: “Se alguém sabe que está sofrendo de uma doença infecciosa, não deve levar nenhum livro ou usar ou fazer com que qualquer livro seja levado para uso em qualquer biblioteca pública ou em circulação”. Nos EUA, haviam alertas promovidos pelos Estados para impedir a propagação de infecções.

Foram realizados estudos para desinfetar os livros, desde usar animais como cobaias até vaporizar as páginas doentes. Assim concluíram que, havia sim um risco, mesmo que pequeno, de infecção pelos exemplares.

Os jornais cobriram a situação com fervor, o que deixava a sociedade com uma “fobia de livros”. Em 1900, a situação chegou em seu ponto extremo. Na Pensilvânia foi interrompida a distribuição de livros. Na Grã-Bretanha, e em partes dos EUA, milhares de obras foram incineradas.

Segundo Greenberg, o pânico foi lentamente diminuindo. Eventualmente as pessoas começaram a notar que os bibliotecários não eram mais afetados que o resto da população. O setor ameaçou organizar protestos para defender as instituições, e de repente os rumores não pareciam tão ameaçadores.

Castle Rock ganha trailer repleto de easter-eggs

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A nova temporada de “Castle Rock” foi profundamente inspirada pelo incrível Stephen King. De acordo com o trailer, muitos serão os easter-eggs.

Catarina Novais, no Magazine HD

Lizzy Captan está de regresso como uma espécie de jovem Kathy Bates. Pelo menos, neste novo trailer da segunda temporada de “Castle Rock”, é precisamente isso que a psicótica enfermeira Annie Walkes transparece.

Intensificando ainda mais o mundo recheado de referências às icónicas obras de Stephen King, esta nova fase da série deverá inspirar-se noutra obra clássica do autor. Desta vez, a obra escolhida foi “Misery”. Caplan assumirá a personagem de Bates, Tim Robbins viverá Reginald “Pop” Merrill, e Paul Sparks (de “House of Cards“) será o John “Ace” Merrill. Todas as personagens serão baseadas em várias figuras criadas por Stephen King.

Além disso, Elsie Fisher (“Eighth Grade”), Barkhad Abdi (“Capitão Phillips”), Yusra Warsama (“Call the Midwife”) e Matthew Alan (“13 Reasons Why”) farão parte do elenco da segunda temporada. A série regressa, uma vez mais, com a realização de Dustin Thomason e Sam Shaw.

Como começar a ler Stephen King?

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Scott Eisen

Investigando qual é o melhor livro para conhecer a obra do Mestre do Horror – na perspectiva de alguém que ainda não leu nada dele

Arthur Eloi, no Omelete

Stephen King celebrou 72 anos de vida neste sábado, 21 de setembro. O autor tem bastante a comemorar, com sua obra passando por uma renascença recheada de novas adaptações na TV e cinema. Assim, é natural que muitos se interessem por conhecer seu trabalho literário, mas… isso não é uma tarefa tão fácil assim. Na ativa desde a década de 1970, King tem 61 obras publicadas, sem contar os mais de 200 contos espalhados por aí. Ler Stephen King exige certa pesquisa para os interessados – e eu me encaixo nisso, já que nunca li nenhuma obra do Mestre do Horror. O momento é perfeito para corrigir isso.

A escolha do livro que marcará o primeiro contato é um passo importante. Afinal, a impressão inicial tem peso na motivação para consumir o restante. Assim como tantos autores com longas carreiras, é certo que a qualidade oscila. Além disso, King é conhecido por escrever alguns bons calhamaços, como It: A Coisa de 1210 páginas, ou A Dança da Morte, de 1269 páginas. Muitos dos romances do autor também se passam em um universo compartilhado, o Multiverso, portanto cair de paraquedas em algo como A Torre Negra pode estragar a experiência de um leitor desavisado.

Acredito que o primeiro contato ideal é aquele que passa uma ideia do estilo e temática do escritor de forma concisa, para quando eu, eventualmente, for pegar uma leitura mais longa, fazer isso já tendo uma noção do que esperar. Para não encarar esse desafio sozinho, decidi buscar ajuda de quem entende do assunto.

“Eu sei que muita gente tem começado a ler as obras mais recentes do King justamente porque estamos novamente numa fase muito prolífica de adaptações, tanto pro cinema quanto pra TV”, me falou Niia Silveira, do 101 Horror Movies. “Dessa forma, muita gente acaba tendo o primeiro contato por conta disso e acaba procurando esses livros mais recentes. Claro que toda a bibliografia do cara vale a pena ser lida mas a gente precisa entender que são fases muito diferentes da vida do autor, e isso reflete na sua escrita. Eu sempre recomendo que se leiam os livros mais antigos dele, se quiser conhecer de fato quem Stephen King é. É naquela fase que o horror parecia muito mais genuíno e grandioso, ao mesmo tempo que simples. Cujo é um grande exemplo disso”, recomenda.“É um livro simplório, sem ares sobrenaturais, mas ao mesmo tempo, é tão complexo, tão claustrofóbico. E tem muito dessa coisa do King de fazer o horror se tornar crível. Ser atacado por um cão raivoso é algo que pode acontecer com qualquer um. Louca Obsessão também é um desses, é o horror vindo do ser humano. King é ótimo descrevendo monstros cósmicos ou entidades fantasmagóricas, mas também pode ser excelente quando decide calcar na vida real. Por isso os dramas dele fazem tanto sucesso quanto as novelas de terror.”

Jéssica Reinaldo, do Fright Like a Girl, concorda com a abordagem de ir pelo o que é conhecido, e recomenda começar com pequenas doses. “Acho que uma dica legal pra começar a ler King é ver se tem algum filme que você goste muito e foi inspirado em uma obra dele. Às vezes, se você já está familiarizado com a história, a narrativa pode fluir melhor. E, acho que indicaria contos, e não os romances. Meu primeiro livro de contos dele foi Bazar dos Sonhos Ruins, e cumpriu bem o trabalho de me manter ligada em tudo que ele fez.“

Já Marcelo Miranda, jornalista, crítico de cinema e apresentador do podcast Saco de Ossos (por sua vez, nomeado de acordo com um romance do King), é direto nas dicas: “De romances, ótimos começos são Carrie, O Iluminado e O Cemitério. Quem quiser ter uma ideia mais rápida dele, os livros de contos Tripulação de Esqueletos e Sombras da Noite são boas opções. E quem quiser conhecer um King menos terrorífico e mais próximo do suspense ou do drama, os contos do livro Quatro Estações e os romances À Espera de um Milagre e Jogo Perigoso vão muito bem.”

Ponto de Partida

Pesquisar a obra de Stephen King significa fazer intermináveis listas de recomendações, já que muitos de seus livros ficaram grandes na cultura pop. Portanto, mesmo já tendo algumas boas dicas, decidi olhar para as primeiras obras do autor como um ponto de partida lógico. Acontece que King já teve um excelente começo de carreira: sua primeira obra (publicada sem pseudônimos) foi nada menos do que Carrie, a Estranha, em 1974. O escritor então se consagrou novamente com A Hora do Vampiro (1975). Ambos não só são romances queridos, como também renderam boas adaptações cinematográficas. Faz sentido começar por aqui, certo?

“Eu conheço muita gente que começou por Carrie e A Hora do Vampiro”, explica Jéssica Reinaldo. “Eu mesma, meu primeiro romance do King, depois de ter lido alguns contos, foi A Hora do Vampiro, e se tornou um dos meus livros preferidos. São boas escolhas pra começar e entender um pouco da cabeça do King. A Hora do Vampiro é um livro incrível, a narrativa, o ritmo, é demais. E Carrie é uma das histórias mais conhecidas dele, o impacto da obra no gênero do terror é imenso”. Marcelo Miranda reforça: “Acho que são dois romances muito bons pra ter um contato com King, sim, porque são histórias bem diretas e de uma fase inicial dele. Carrie, seu livro de estreia, já indica praticamente todas as temáticas que ele vai trabalhar a vida toda, desde a descrição da juventude como uma fase violenta e sofrida, passando pelas opressões familiares e chegando aos elementos sobrenaturais que desestabilizam a vivência de uma pequena cidade até então pacata, ainda que cheia de segredos e perversidades, que esse elemento sobrenatural explícita.”

Miranda continua: “A Hora do Vampiro é bem parecido nesse sentido, apenas deslocando o enredo pra uma releitura do Drácula de Bram Stoker, é de fato quase um remake literário. Aqui o King insere a figura monstruosa que inferniza um determinado grupo de personagens, outro encaminhamento narrativo que vai aparecer em quase toda sua obra”. Rodolfo Stancki, jornalista e pesquisador de cinema de horror, adiciona mais alguns títulos aos dois: “Tanto Carrie quanto A Hora do Vampiro são bons livros mesmo para começar. Na verdade, incluiria ainda no pacote de recomendações títulos como Christine, A Zona Morta, A Incendiária e O Cemitério. Isso porque são narrativas mais simples e rápidas e que não dialogam com a complexidade da mitologia que o Stephen King vai criar mais tarde. A Zona Morta, por exemplo, é a porta de entrada para o universo de Castle Rock. Tem coisas em Cujo que funcionam melhor se você conhecer o que se passa nesse primeiro livro.”

Niia Silveira, por outro lado, discorda e oferece uma alternativa: “Eu particularmente acho Carrie um dos livros mais fracos do King, pra ser honesta. Ele é como um diamante bruto, tem sua beleza, mas poderia ter ainda mais se fosse melhor lapidado. Mas mesmo assim consigo ver os méritos pela obra, já que foi dali que ele se sentiu confiante o suficiente pra continuar tentando publicar seus livros. Mesma coisa com A Hora do Vampiro, que é uma declaração de amor ao Drácula. A gente vê muito de Bram Stoker ali, mas também conseguimos sentir aquela assinatura de King, que ele tava começando a moldar. São livros de um escritor iniciante que ainda estava se encontrando. Pra mim, é com O Iluminado que ele, definitivamente, se encontrou naquilo. É um dos meus livros favoritos, e acho que um dos melhores de horror já escritos.”

E qual a hora de começar a explorar o Multiverso? Segundo Rodolfo Stancki, o leitor iniciante ainda não deve pensar nisso: “Pessoalmente, acho que uma série como A Torre Negra deve ser consumida com alguma intimidade com as narrativas do King. Tem umas referências bem legais a outros livros, como A Hora do Vampiro, que funcionam melhor se você leu o livro antes”.

O Veredito

Como esperava, não há um consenso sobre qual é a melhor obra inicial, mas há alguns nomes recorrentes que ajudam a esclarecer as coisas. Tanto Carrie, quanto O Iluminado e Cujo parecem boas apostas, com a coletânea Bazar de Sonhos Ruins como uma ótima pedida para quem procura algo ainda mais conciso. O próprio King, afinal, é um grande entusiasta de contos, continuando a escrevê-los mesmo quando consagrado por seus romances.

Isso, é claro, é apenas a parte um de uma jornada. Enquanto eu corro atrás das recomendações, o importante é prestigiar Stephen King pelo seu aniversário e, claro, pelo enorme impacto na cultura pop.

Livro que Crivella mandou recolher se esgota na Bienal do Rio

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Crivella manda recolher livro dos Vingadores que traz beijo entre homens — Foto: Reprodução/Redes Sociais

O romance gráfico ‘Vingadores, a cruzada das crianças’ mostra beijo entre dois personagens masculinos. Prefeitura ameaçou cassar licença da Bienal e enviou fiscais da Prefeitura ao local.

Fernanda Rouvenat e Lívia Torres, no G1

Os exemplares de “Vingadores, a cruzada das crianças” (Salvat) que estavam à venda em diferentes estandes da Bienal do Livro do Rio se esgotaram em pouco mais de meia hora na manhã desta sexta-feira (6).

A organização da feira afirmou que, às 9h39, não havia mais nenhuma unidade em qualquer um dos pontos que vendiam o romance gráfico (do inglês, graphic novel). O obra tem a imagem de um beijo de dois personagens masculinos.

Nesta quinta-feira (5), o prefeito do Rio, Marcelo Crivella, havia postado mensagem com vídeo em rede social na qual afirmava ter determinado a organizadores do evento que recolhessem “Vingadores, a cruzada das crianças”. Na opinião dele, o livro tem conteúdo impróprio para menores.

A história, de autoria de Allan Heinberg e Jim Cheng, aborda a equipe dos Jovens Vingadores. Dela, fazem parte os personagens Wiccano e Hulkling, que são namorados. A edição, de 2016, era oferecida em “saldões”. A editora Salvat, que a publicou, não expõe na Bienal este ano.

Em nota divulgada ainda na noite de quinta, a direção da Bienal afirmou que não iria retirar os livros dos estantes e que daria voz “a todos os públicos, sem distinção, como uma democracia deve ser” (leia mais abaixo).

No início da tarde desta sexta, fiscais da Secretaria de Ordem Pública da Prefeitura do Rio foram à Bienal para identificar e lacrar livros considerados “impróprios”.

Mais cedo, em nota, a Prefeitura informou que estava cumprindo o Estatuto da Infância e do Adolescente e ameaçou cassar a licença da Bienal (veja mais abaixo).

“Livros assim precisam estar em um plástico preto, lacrado, avisando o conteúdo”, disse o prefeito em vídeo nas redes sociais.

‘Evento plural’ e personagens que namoram

Na nota, os organizadores da Bienal afirmaram que o evento é “plural, onde todos são bem-vindos e estão representados”.

O comunicado continua: “Inclusive, no próximo fim de semana, a Bienal do Livro terá três painéis para debater a literatura Trans e LGBTQA+. A direção do festival entende que, caso um visitante adquira uma obra que não o agrade, ele tem todo o direito de solicitar a troca do produto, como prevê o Código de Defesa do Consumidor”.

A nota da prefeitura

A Prefeitura do Rio citou o Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA) para justificar “a adequação das obras expostas”.

“A legislação determina que publicações com cenas impróprias a crianças e adolescentes sejam comercializadas com lacre (embaladas em plástico ou material semelhante), com a devida advertência de classificação indicativa de seu conteúdo”, diz a nota.

“No caso em questão, a Prefeitura entendeu inadequado, de acordo com o ECA, que uma obra de super-heróis apresente e ilustre o tema do homossexualismo a adolescentes e crianças, inclusive menores de 10 anos, sem que se avise antes qual seja o seu conteúdo.”

Descrição dos personagens de ‘Vingadores, a cruzada das crianças’, publicação no centro de polêmica na Bienal do Livro no Rio — Foto: Fernanda Rouvenat/ G1

A prefeitura afirma que editora Salvat sabia da obrigação legal. “Tanto que a obra estava lacrada. Não havia, porém, uma advertência neste sentido, para que as pessoas fizessem sua livre opção de consumir obra artística de super-heróis retratados de forma diversa da esperada”, cita o comunicado.

A nota relata reclamação de frequentadores da feira, “que têm direito à livre opinião e opção quanto ao conteúdo de leitura de filhos e adolescentes, pessoas em formação”.

O texto rechaça ter havido “qualquer ato de trans ou homofobia ou qualquer tipo de censura à abordagem feita livremente pelo autor”.

“Em caso de descumprimento, o material sem o aviso será apreendido e o evento poderá ter sua licença de funcionamento cassada”, ameaçou a prefeitura.

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