Canal Pavablog no Youtube

escritores

Pepetela vem ao Brasil para lançar ‘O Quase Fim do Mundo’

0

Pepetela é um dos principais autores africanos Foto: Tiago Queiroz/Estadão

 

O escritor angolano Pepetela lança seu romance pós-apocalíptico no Sempre Um Papo e na USP

Maria Fernanda Rodrigues, no Estadão

O escritor angolano Pepetela, um dos principais nomes da literatura africana contemporânea, vem ao Brasil em outubro para dois encontros com leitores e para lançar o romance O Quase Fim do Mundo pela editora Kapulana.

No dia 15, das 19h30 às 21h, ele estará no Sempre Um Papo, em conversa com Afonso Borges, idealizador do projeto, no Sesc 24 de Maio. No dia seguinte, Pepetela estará na FFLCH-USP, para um debate sobre O Quase Fim do Mundo e uma sessão de autógrafos.

Com prefácio da também angolana Ana Paula Tavares, o livro, publicado originalmente em 2008, tem início em uma cidade africana fictícia e acompanha um grupo de pessoas que sobreviveram a um evento apocalíptico de origem desconhecida.

Na história, o médico Simba Ukolo, ao voltar para casa após um dia de trabalho, presencia um clarão que ilumina todo o céu. Na sequência, toda a vida na terra é aniquilada, sobrando apenas as roupas das pessoas, algumas plantas e poucos animais. Aos poucos, Simba percebe que não está só e um grupo de sobreviventes, de origens e perfis diversos, começa a se formar: uma senhora religiosa, uma adolescente, uma pesquisadora americana, um aviador sul-africano, um curandeiro etíope, uma historiadora somali, um ladrão, um mecânico, um pescador, uma criança.

Quem é Pepetela

Pepetela nasceu Artur Carlos Mauricio Pestana dos Santos, em Benguela, em 1941. Começou a faculdade em Lisboa, se exilou em Paris em 1962 e partiu para a Argélia seis meses depois – lá, ele se formou em Sociologia e trabalhou na representação do MPLA (Movimento Popular de Libertação de Angola) e no Centro de Estudos Angolanos, que ajudou a criar. Em 1969, aderiu à luta de libertação angolana, em Cabinda, quando adotou o nome de guerra Pepetela, e onde foi guerrilheiro e também responsável no setor da educação. Em 1972, foi transferido para a Frente Leste de Angola, onde desempenhou a mesma atividade até ao acordo de paz de 1974 com o governo português.

Em 1975, até a independência de Angola, foi membro do Estado Maior da Frente Centro das FAPLA (Forças Armadas Populares de Libertação de Angola) e participou na fundação da União de Escritores Angolanos. De 1976 a 1982, foi vice-ministro da Educação. A partir daí, exerceu funções na universidade e em instituições de literatura e cultura.

Livros de Pepetela publicados no Brasil

Pepetela estreou na literatura em 1972, com As Aventuras de Ngunga. Autor de mais de 20 livros, ele está presente nas livrarias brasileiras com Mayombe, leitura também de vestibular, Se o Passado Não Tivesse Asas, A Sul. O Sombreiro, sobre o qual ele falou em entrevista à TV Estadão em 2012, O Planalto e a Estepe, O Cão e as Caluandas e A Geração da Utopia. Suas obras são publicadas no Brasil pela Leya e, mais recentemente, também pela Kapulana.

Leia trechos de O Quase Fim do Mundo, de Pepetela

“Chamo-me Simba Ukolo, sou africano, e sobrevivi ao fim do mundo. Se o fim do mundo quer dizer o aniquilamento absoluto da humanidade, haverá algum exagero na afirmação, pois escapou alguém, eu, Simba Ukolo, na ocorrência. Isso foi a primeira impressão, sozinho na minha cidade natal. Terrível sensação de solidão e de perda, mas sobretudo uma tontura de incredulidade. Dava mesmo para acreditar em coisa mais absurda? Viria a descobrir depois, não era de fato o único, havia sobreviventes, embora talvez não fossem todas as pessoas mais desejáveis com quem partilhar os despojos dos bilhões de humanos desaparecidos.”

“Foi quando se deu o relâmpago, chamo-lhe assim à falta de melhor palavra. Uma luz intensa, como um flash num céu azul, indolor. As trovoadas secas são comuns na região, a chuva vem depois. Até pode não vir chuva nenhuma. E foi isso mesmo que pensei, apenas uma trovoada seca. Só muito mais tarde associei essa luz intensa e o fato de ir passando, a partir daí, por carros mal estacionados ao longo da estrada, alguns mesmo no meio da estrada, vazios, imbambas abandonadas ao deus dará, bicicletas caídas, e nem rasto de gente. Alarmado, cheguei aos bairros periféricos, onde se acumulavam os excluídos de todos os processos econômicos e sociais, milhares e milhares de seres a lutarem desesperadamente para viverem um dia a mais. E os bairros estavam vazios. Pensei, terá havido um festival de música, única razão levando toda a gente para fora dos bairros? Ou um culto monstro de uma igreja que oferece todas as curas?”

Livros de J.D. Salinger serão lançados em formato digital pela primeira vez

0

J.D. Salinger. (Foto: Amy Sancetta/ AP/ Shutterstock)

Maior adversário dos livros eletrônicos da literatura, autor do clássico Apanhador no Campo de Centeio em breve terá suas obras nas bibliotecas digitais

Daniel Kreps, na Rolling Stone

O filho e proprietário do patrimônio literário de J.D. Salinger, Matt Salinger, anunciou que as obras clássicas do autor serão lançadas nas bibliotecas digitais. O anúncio foi feito seis meses depois da divulgação do plano para o lançamento dos escritos ainda não publicados do autor.

O New York Times noticiou que os quatro maiores trabalhos publicados de Salinger, O Apanhador no Campo de Centeio, Nove Histórias, Franny&Zooey e Os Carpinteiros, Levantem Bem Alto a Cumeeira & Seyour, Uma Apresentação, receberão versões digitais na terça-feira, 13.

A ausência dos trabalhos de Salinger no universo dos e-books era considerada a maior falha da literatura digital.

“Esse é última ficha a cair em termos das obras clássicas”, disse Terry Adams, editor digital e impresso da editora Little, Brown and Company para o New York Times. “Todos os outros patrimônios literários foram para os e-books, mas Matt, filho de Salinger, tem sido muito cauteloso”.

Apenas nos últimos anos, Matt considerou digitalizar os lendários trabalhos de seu pai. Primeiro, ele recebeu uma carta de uma mulher que dizia que tinha uma condição rara que dificultava a leitura em livros impressos.

Depois, em uma viagem para China, Matt presenciou como o jovens do país, que é cenário no livro O Apanhador no Campo de Centeio, liam quase exclusivamente em dispositivos digitais.

Matt Salinger reconheceu que seu pai provavelmente teria continuado como um antagonista da revolução digital. “Eu escuto sua voz bem clara em minha cabeça, e eu não tenho dúvida de 96% das decisões que eu tenho que tomar, porque eu sei o que ele queria”, disse Matt para o New York Times.

“Coisas como e-books e audiobooks são difíceis, porque ele claramente não as queria.” No entanto, Matt falou que seu pai “não gostaria que as pessoas não pudessem ler seus livros”.

Ele também disse à Associated Press: “Tem algumas coisas que meu pai amava mais do que uma experiência tátil completa de leitura com um livro impresso, mas ele talvez tenha amado seus leitores mais, e não só a ideia de ‘leitor ideal’ que ele escreveu sobre, mas todos os seus leitores.

Em fevereiro, Matt disse que trabalhos não publicados do autor “serão em algum momento compartilhados”.

Os cinco livros mais importantes de Toni Morrison

0

Toni Morrison: escritora produziu romances com temas tabus para a época (Timothy Greenfield-Sanders/Bloomberg)

Primeira negra a ganhar o Nobel de literatura, escritora morreu nesta terça-feira, 6, aos 88 anos

Publicado na Exame

Ganhadora de um Nobel de Literatura e de um Prêmio Pulitzer e uma gigante da literatura afro-americana, a escritora Toni Morrison tratou do legado da escravidão nos Estados Unidos com uma voz poética e ao mesmo tempo crua, influenciando gerações de autores.

Abaixo, algumas de suas principais obras:

‘O olho mais azul’ (1970)

Primeiro romance de Morrison, publicado ao 39 anos, este livro conta a história de uma garota negra na década de 1940 em Ohio, que sonha com ter olhos azuis. Para a menina, um sinônimo de brancura e de beleza em um mundo assombrado pela escravidão.

Vívido, sensível, mas também duro e sem filtros, o livro foi descrito pelo jornal “The New York Times” como “uma prosa tão precisa, tão fiel ao discurso e tão carregada de dor e assombro que o romance se torna poesia”.

À época, teve uma resposta ambivalente do público, com baixas vendas. Começou a ganhar reconhecimento, após ser incluída em uma lista de leitura de uma universidade.

Desde então, enfrentou desafios legais e chegou a ser banido em escolas de vários estados americanos por tratar de temas tabu como incesto e abuso sexual infantil.

‘Canção de Salomão’ (1977)

Segundo romance de Morrison, ganhador do prestigioso US National Book Critics Circle Award, mistura realismo mágico, folclore e sociologia para contar a história de uma adolescente que tenta esquecer de seu passado como uma escrava.

Apresenta um dos temas caros à escrita de Morrison: a complicada busca por identidade em um mundo hostil.

‘Amada’ (1987)

Com seu quinto livro, Morrison virou uma celebridade do dia para a noite, ao dramatizar a dolorosa história real de Margaret Garner, uma escrava fugitiva que matou a filha em 1856 para salvá-la de uma vida de servidão.

“É uma obra-prima americana, a qual repensa, de um jeito curioso, todos os grandes romances da época em que é escrito”, escreve A.S. Byatt, no jornal “The Guardian”, por ocasião do lançamento.

Em decisões polêmicas, “Amada” foi preterido em dois dos principais prêmios americanos da área ao ser publicado, levando 48 escritores a assinarem uma carta aberta na “New York Times Book Review”, denunciando o não reconhecimento de Morrison.

Em 1988, veio, então, o Prêmio Pulitzer, adaptado para o cinema dez anos depois como “Bem-amada”, estrelado por Oprah Winfrey como a mãe, Sethe.

‘Paraíso’ (1998)

“Paraíso” completou a trilogia de romances de Morrison, iniciada com “Amada” e seguida por “Jazz” (1992), desafiando a leitura dominante do passado, ao explorar, especificamente, a história afro-americana desde meados do século XIX até os dias atuais.

Primeiro livro escrito depois de ser agraciada com o Nobel de Literatura, em 1993, “Paraíso” apresenta seu típico estilo de múltiplas vozes narrativas com saltos temporais para abordar as causas de um brutal assassinato em uma cidade de Oklahoma nos anos 1970.

‘Voltar para casa’ (2012)

“De quem é esta casa?” é a pergunta que abre este romance, que trata de um outro tema recorrente no trabalho de Morrison: o que é um lar e como isso nos molda, ou nos dilacera.

Nele, conta a história de um rapaz nos seus 20 anos que volta para casa, em Seattle, depois de lutar na Guerra da Coreia. Um jovem que deixa “um Exército integrado” para retornar para “um país segregado”, como escreveu o jornal “The New York Times” em uma resenha na época do lançamento.

Rapper dos EUA cria Clube do Livro e estreia com obra clássica de Paulo Freire

0

Vitor Paiva, no Hypeness

Enquanto um parte do Brasil persegue um de seus maiores e mais importantes pensadores sem sequer conhecer de fato sua obra, fora do país o educador Paulo Freire segue como um dos mais respeitados e celebrados intelectuais do mundo. E nas mais diversas frentes e esferas: além de ser o brasileiro mais homenageado na história, com pelo menos 35 títulos de doutor Honoris Causa em universidades das Américas e da Europa e depois de ser reconhecido como o terceiro teórico mais citado em trabalhos acadêmicos em todo o planeta, até a juventude do hip-hop estadunidense quer estudar sua obra: Paulo Freire será o primeiro autor do clube do livro virtual recém inaugurado pela rapper Noname.

Noname, a rapper de Chicago, uma das mais celebradas da atualidade

A obra de Freire que irá inaugurar o Noname’s Book Club será seu título mais famoso: “Pedagogia do Oprimido” – que em inglês é publicado em sua tradução literal, “Pedagogy of the Opressed”. O livro inicia o clube junto de outra obra, “We Are Never Meeting in Real Life” (“Não estamos nos encontrando na vida real”, em tradução livre) da autora e comediante estadunidense Samantha Irby. Segundo a rapper a ideia do clube é “dar luz ao trabalho progressista de autores ‘de cor’ e de dentro da comunidade LGBTQ”.

Paulo Freire

Dona de uma poética densa e cheia de força literária e política, Noname, segundo suas próprias declarações, foi uma estudante com dificuldade de leitura ainda na escola em Chicago, onde nasceu. Conseguir mergulhar nos livros foi, para ela, porém, o divisor de águas de sua vida.

Seu clube é virtual, e já possui cerca de 20 mil seguidores no Twitter. A ideia é ler juntos, recomendar e debater através das redes a leitura. Em 2018 a rapper lançou o disco Room 25, considerado um dos melhores do ano em diversas listas.

Acesse manuscritos de Jane Austen que estão disponíveis online

0

Trecho do manuscrito do romance incompleto Os Watsons, iniciado em 1803 (Foto: Edição Digital de Manuscritos de Ficção de Jane Austen)

Publicado na Galileu

A britânica Jane Austen morreu há mais de 200 anos, mas ainda conquista fãs no mundo todo por meio de seus livros. Resultado de sua habilidade de criar personagens femininas complexas, ou porque criava histórias de amor supermelosas (e nem por isso menos incríveis) Orgulho e Preconceito, sua obra mais famosa, já vendeu mais de 20 milhões de cópias, como relata o The Guardian.

Para fãs de carteirinha da autora ou apaixonados por história e literatura, diversos manuscritos de Austen foram disponibilizados pela Universidade de Cambridge. Os documentos escaneados estão espalhados pelo Reino Unido, em locais como a Biblioteca Britânica e o King’s College, para o projeto que “representa todas as fases de sua carreira de escritora e uma variedade de estados físicos: rascunhos de trabalho, cópias justas e manuscritos de publicações para circulação privada”, explicam os responsáveis.

Como conta a Open Culture, este é um recurso utilizado principalmente por estudiosos, já que grande parte do trabalho publicado está inacabado. Dentre os documentos que podem ser observados estão Juveniliarascunhos incompletos, como Os Watsons; e seu último e inacabado romance, Sanditon.

Cada edição digital dos manuscritos inclui uma nota sobre a história textual, procedência e estrutura física do documento em si, bem como uma transcrição do texto de Austen. Também está disponível a opção para visualizar as “edições diplomáticas” que transcrevem o texto com todas as correções e acréscimos da escritora.

Além do clássico romance entre Elizabeth e Mr. Darcy, publicado entre 1813, Austen escreveu Razão e Sensibilidade (1811), Mansfield Park (1814), Emma (1815), A Abadia de Northanger e Persuasão (ambos de 1818). Para visualizar a Edição Digital de Manuscritos de Ficção de Jane Austen basta clicar aqui.

Go to Top