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Posts tagged alunos

Universidade promove passeios com cachorros para reduzir os índices de depressão dos alunos

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Bianca Alves, na Casa e Jardim

Diante dos dados crescentes de depressão entre os jovens, a Universidade East Anglia, na Inglaterra, pretende ajudar seus alunos com passeios com pets

A depressão é uma doença cada vez mais comuns entre jovens. A Associação Brasileira de Psicanálise estima que 10% dos adolescentes brasileiros sofrem com o problema e, mundialmente, esse dado cresce para 20% de acordo com a Organização Mundial da Saúde (OMS). O estado negativo permanece, muitas vezes, por várias fases da vida e, ao perceber o crescimento do fenômeno em sua região, a Universidade East Anglia, na Inglaterra, se dispôs a ajudar os alunos que sofrem com esse mal e também prevenir a enfermidade aqueles que não demonstram sintomas.


Longe de remédios e sessões terapêuticas, a instituição resolveu aproveitar a rotina dos estudantes para recomendar tarefas comuns que podem servir como tratamento. Dentre elas, passeios com cachorros são organizados pela própria universidade, nos intervalos das aulas. 


Os benefícios da prática são físicos e mentais, diminuindo a ansiedade e o risco de depressão. “Acreditamos que o contato com animais pode ser extremamente destressante para os nossos alunos e esperamos que, a longo prazo, essas caminhadas reduzam o risco de depressão”, afirmaram os iniciadores do projeto. Agora, é só esperar para ver os resultados e aplicar a medida aqui no Brasil, também.

Escola pública americana instala máquina de livros para incentivar leitura entre alunos

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Estudantes recebem moedas na sala de aula e têm direito de escolher obras na máquina para irem formando sua própria biblioteca.

Publicado no G1

A Escola Arthur O. Eve, em Buffalo, no estado americano de Nova York, instalou uma máquina de venda automática, como aquelas que normalmente oferecem doces e bebidas, mas cheia de livros, para incentivar a leitura entre seus alunos.

Máquina de livros foi instalada em escola de Buffalo, nos EUA — Foto: Reprodução/Twitter/Dee Romito

O vice-diretor Unseld Robinson contou à afiliada local da rede NBC que o primeiro passo após ter a ideia foi conseguir os US$ 3 mil necessários para comprar a máquina. A diretora do colégio apoiou a iniciativa e, um ano depois, a máquina está instalada na biblioteca da escola. Os livros são escolhidos para desafiar os alunos à medida que progridem pelos diferentes níveis de leitura.

Outro objetivo é ajudar os alunos a desenvolver suas próprias bibliotecas e incentivá-los a ler em casa com seus próprios pais. Os estudantes recebem moedas na aula e podem depositar na máquina para comprar um livro. Cada série terá a oportunidade de pegar livros na máquina uma vez por mês.

O método de ensino com o qual estudaram os criadores de Amazon, Google e Wikipedia

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Jeff Bezos, fundador da Amazon (Foto: Alex Wong/Getty Images)

Outros gênios em suas áreas, como Beyoncé e Gabriel Garcia Marquez, foram ensinados com a filosofia de autonomia e desenvolvimento de habilidades

Publicado na Época Negócios

que algumas das pessoas mais bem-sucedidas do mundo têm em comum?

Comecemos pelo homem mais rico do planeta: o americano Jeff Bezos, cuja fortuna está avaliada em US$ 140,2 bilhões, segundo a revista americana Forbes. Ele é dono de 16% da Amazon, gigante do e-commerce, que fundou em uma garagem em Seattle em 1994 e se tornou um sucesso estrondoso no mercado.

Sergey Brin e Larry Page, por sua vez, são dois outros empreendedores que souberam moldar sua criatividade para criar o mecanismo de busca da internet por excelência: o Google. Eles também estão entre as pessoas mais ricas do globo, nas posições 12 e 13, respectivamente. Somadas, as fortunas de ambos ultrapassam os US$ 96 bilhões.

Outros empreendedores criativos e bem sucedidos são Jimmy Wales, fundador da Wikipedia, e Will Wright, designer de videogames e criador do popular jogo SimCity.

Num setor muito diferente, encontramos Beyoncé, uma artista que soube cativar o público, tornando-se uma estrela da música e uma referência feminista – além de ser uma das mulheres mais bem pagas da indústria.

E, por último, destacamos o Prêmio Nobel de Literatura Gabriel García Márquez, morto em 2014.

Apesar das diferenças entre esses personagens, suas trajetórias se cruzam em um ponto: desde pequenos, todos estudaram sob o mesmo sistema educacional, o método Montessori.

O que é o método Montessori?

É um processo de aprendizagem fundado pela médica e educadora italiana Maria Montessori (1870-1952), que enfatiza um ambiente colaborativo onde notas e provas não existem.

Além disso, as salas de aula são formadas por estudantes de várias idades que oscilam principalmente entre 2 anos e meio e 7 anos (embora existam programas que incluam jovens de até 18 anos), onde a aprendizagem e a descoberta são processos individuais e acontecem durante longos períodos de tempo.

“Nossa principal preocupação deve ser educar a humanidade, os seres humanos de todas as nações, a fim de orientá-la para a busca de objetivos comuns”, diz um texto da Associação Montessori Internacional (AMI, na sigla em italiano), publicado em seu site.

“Devemos fazer da criança nossa principal preocupação. Os esforços da ciência devem se concentrar nela, porque ela é a fonte e a chave dos enigmas da humanidade”, continua o artigo.

“O que se destaca na educação Montessori é o desenvolvimento individual das pessoas. Ele não cria um sistema centrado no professor, mas no desenvolvimento das necessidades do indivíduo. E não é apenas acadêmico, mas também físico, social e emocional”, diz Scott Akridge, proprietário da Academia Riverstone Montessori, na Geórgia, nos Estados Unidos.

Trata-se, segundo seus defensores, de um sistema baseado em habilidades.

“Não ensinamos só o acadêmico, também ensinamos habilidades para empreender. É o que se chama de habilidades de função executiva, que é prestar atenção, organizar, planejar, iniciar tarefas e se concentrar nelas, controlar emoções e auto-observação”, explica Akridge.

“E é por isso que graduados Montessori se tornam grandes líderes, porque todas as funções executivas para serem bem-sucedidos foram aprendidas na pré-escola e no ensino fundamental”, acrescenta.

Atualmente, existem cerca de 25 mil escolas Montessori em todo o mundo – embora Associação Montessori Internacional reconheça que é difícil saber o número exato, porque as instituições não são obrigadas a se registar na associação.

Quando tinha apenas 2 anos, Jeff Bezos frequentou uma escola Montessori em Albuquerque, nos Estados Unidos, durante um ano e meio. “É incrível”, Jeff Bezos disse à revista Montessori Life em 2000. “Que programa bom.”

“Intuitivamente, acho que foi uma experiência muito formativa ter ido àquelas aulas, naquele ambiente e ter sido estimulado desde muito cedo”, analisou Bezos sobre seu tempo na escola.

Em setembro, Bezos criou um fundo de caridade de US$ 2 bilhões para ajudar os sem-teto e estabelecer uma nova rede de escolas inspiradas por esse método educacional.

Os fundadores do Google também já destacaram a importância da educação primária que receberam para suas conquistas. “Nós dois fomos para a escola Montessori e acho que parte do treinamento de não seguir ordens e regras nos motivou a pensar o que estava acontecendo no mundo e a pensar em coisas diferentes”, disse Larry Page, em entrevista à rede americana ABC, em 2004.

Gabriel García Márquez foi outro dos antigos alunos de Montessori, fato que o escritor destacou em seu livro autobiográfico “Viver para contar”. “Eu não acho que há um método melhor do que o Montessori para sensibilizar as crianças para as belezas do mundo e para despertar a curiosidade sobre os segredos da vida”, Márquez escreveu.

“É curioso que os empreendedores de sucesso que estudaram na Montessori falem sobre sua formação inicial quando perguntados sobre como se tornaram o que são”, diz Akridge.

“Quando falamos de realizações (por causa das práticas) Montessori, às vezes é difícil, porque nosso método é apenas de primário. Então há uma lacuna desde (o momento em) que as pessoas deixam a escola (até começarem a trabalhar). Por isso, chama a atenção que esses empreendedores milionários o mencionem”, diz.

Mas nem todos os comentários são positivos quando se fala do método Montessori. Alguns críticos acreditam que o ambiente de sala de aula é livre demais, questionam as prioridades de ensino de Montessori ou o fato de que as crianças normalmente não terem dever de casa.

Há também aqueles que desaprovam a liberdade dos alunos de escolherem o que vão estudar, porque acreditam que isso os leva a não dominarem algumas áreas de conhecimento no futuro.

Como não há exames formais, há também aqueles que temem que a falta de uma estrutura mais rígida deixe a criança em desvantagem durante a transição entre a escola Montessori e a tradicional, de acordo com um artigo da Universidade Concordia em Oregon, nos Estados Unidos.

Akridge contesta essa visão. “As pesquisas mais recentes sobre educação refletem o que fazemos em termos de sucesso. Por exemplo: misturar idades na escola, dar menos lição de casa, focar nas necessidades emocionais da criança …”, diz. “Tudo isso, estamos fazendo há 100 anos”, diz.

Em um estudo de 2017 publicado na revista Frontiers in Psychology, pesquisadores avaliaram o início da pré-escola para cerca de 70 alunos do método Montessori e para outros 70 de uma escola tradicional nos Estados Unidos. Todos eles iniciaram os estudos com pontuações semelhantes.

Nos três anos seguintes, as 70 crianças do método Montessori tiveram melhores resultados em testes de matemática e alfabetização. No final da pré-escola, os alunos da Montessori tiveram um desempenho significativamente melhor nessas áreas.

No entanto, na resolução de problemas de grupo, função executiva e criatividade, não houve diferenças significativas.

Outro estudo do ano passado publicado na revista Nature destacou que não há evidências de que os resultados em estudantes do método Montessori indiquem maior eficácia do método.

A pesquisa, do Departamento de Psicologia e Desenvolvimento Humano da University College of London, no Reino Unido, analisou estudos feitos sobre o sistema educacional e ressaltou que “não há elementos individuais do método Montessori que poderiam explicar algum dos efeitos positivos que eles afirmam encontrar” nos alunos.

O que fica claro é que medir o êxito de alguém é muito difícil. E atribuí-lo à educação primária, como nos casos de celebridades milionárias, também é.

“A história por trás do sucesso dos pessoaas de negócios é delas próprias. Se elas atribuem isso à sua educação em Montessori, também é uma decisão delas”, respondeu a Associação Montessori Internacional à BBC.

“Todos eles são pessoas de negócios inspiradas na tecnologia e, nesse sentido, suas mentes são, naturalmente, curiosas, inquisitivas e motivadas pelo desejo de descobrir”, afirmou a entidade. (Analía Llorente)

Um herói escocês na Amazônia

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A escola criada por Paul Clark no alto Rio Negro alfabetiza crianças e chacoalha a vida de uma comunidade ribeirinha

Henrique Skujis, na Revista Trip

Paul Clark é uma espécie em extinção. Para dedicar a vida a uma causa gigante e invisível, trocou a gelada, cosmopolita e populosa Glasgow, na Escócia, pela abafada, microscópica e deserta Gaspar, no Amazonas. De mãos dadas com a mulher, a italiana Bianca Bencivenni, o escocês criou uma escola de ensino fundamental nos confins da floresta amazônica, no meio do nada.

O escocês tem a floresta refletida nos olhos verdes e esculpida no corpo magro e forte. Quando fala – voz grossa e mansa –, é enfático, preciso, decidido. As rugas enganam a idade. Gosta de caminhar descalço, com as barras da calça dobradas na altura das janelas. Nos lábios, sempre um cigarro – mesmo após o enfisema e o infarto que quase o fulminaram dias antes do último Carnaval. Não larga uma garrafa térmica com café. A caneta fica pendurada na orelha. Os óculos, no pescoço. É frenético. Anda muito. Fala. Gesticula. Ensina.

Paul Clark durante uma aula na escola Vivamazônia Crédito: Henrique Skujis/Acervo Trip

O casal pousou no Brasil pela primeira vez em 1984. A passeio. Voltaram no ano seguinte. Chegaram a flertar com um negócio turístico para ganhar a vida na comunidade de Xixuaú. Desistiram. Em uma nova visita, em meados dos anos 90, um caboclo, tão paciente e anfitrião nas primeiras lições em terras selvagens, pediu aos gringos vindos do norte do planeta que ajudassem na alfabetização dos filhos. Paul e Bianca toparam. Ensinavam inglês, matemática e o que sabiam de português e da vida para quem quisesse aprender. “No começo, eles é que ensinaram tudo para nós. Muitas crianças nunca tinham visto um livro, mas sabiam o nome de centenas de espécies de peixes e plantas”, lembra-se Paul.

À época, a escola da comunidade de Itaquera, a 15 minutos de barco do Gaspar, estava largada. O poder público, sabe-se, nunca deu bola para essa bobagem chamada educação. Paul e Bianca levaram a brincadeira de ensinar adiante. Em 1998, quando a história começou a ficar mais séria, passaram a sacola entre amigos italianos, aproximaram-se das mentes e corações mais abertos da comunidade e, assim, materializou-se o improvável: em uma palafita a beira do rio Jauaperi, no meio do nada, na divisa entre Amazonas e Roraima, estava criada por um escocês e por uma italiana uma escola para alfabetizar e educar brasileirinhos.

Com auxílio dos alunos e sem verba ou apoio governamental, precisaram desenvolver livros didáticos e um método próprio de ensino, baseado na pedagogia construtivista, com uma boa pitada de holismo e muita natureza. “Foi necessário produzir um material, porque o livro de ciências, por exemplo, usava a Groenlândia para falar da importância da água”, revela Paul, com a irreverente ironia britânica.

Barco transporta os alunos da escola Vivamazônia, no Amazonas, para a comunidade de Itaquera, em Roraima Crédito: Henrique Skujis/Acervo Trip

Duas décadas de batalha

Centenas de alunos vindos da comunidade de Itaquera passaram pela escola do escocês, batizada Vivamazônia. No currículo, língua portuguesa, inglês, matemática, geografia, história, arte e muito meio ambiente. E é aí que mora o perigo. Paul bate de frente com uma cultura predatória. Se os filhos aprendem sobre a importância óbvia da preservação, muitos pais ignoram tal consciência – ou tem outra visão sobre a floresta. Peitam o escocês, que, sem dar corda ao assunto, conta já ter apagado incêndios criminosos e escapulido de duas ameaças de morte. “O fato de um gringo comandar a escola e lutar contra a pesca predatória incomoda cegos que tratam a floresta como pura mercadoria.”

Paul é vice-presidente da Associação dos Artesãos do Rio Jauaperi (AARJ), presidida pelo amigo Francisco Lima, piloteiro da barca que transporta as crianças entre Itaquera e Gaspar e cujas seis filhas estudaram na Vivamazônia. Além de fazer jus ao nome, a associação luta contra a pesca predatória e toca um projeto de proteção de quelônios. Com apoio da Katerre – agência de viagens do empresário paulistano Ruy Carlos Tone, Paul capitaneia a coleta de ovos de quatro espécies – iaçá, irapuca, tracajá e tartaruga da Amazônia – em seis praias, de quatro comunidades: Gaspar, Itaquera, Samaúma e Xixuaú.

Paul Clark na visão de um de seus alunos na escola Vivamazônia Crédito: Henrique Skujis/Acervo Trip

Os moradores engajados no projeto recebem salário para monitorar as praias e ganham R$ 3 por ovo coletado e cuidado. Em 2014, a equipe do escocês recolheu 2.339 ovos e por eles zelou até o nascimento dos filhotes, soltos pelos alunos nas águas do Jauaperi. Em 2015, o número de ovos encontrados e salvos caiu para 1.662. Em 2016, para 1.212. E em 2017, para pouco mais de 600, um indício de que, a despeito dos esforços da comunidade, o bicho pode estar a caminho da extinção, ao menos neste trecho do rio.

Paul Clark nasceu 60 anos atrás, filho de um pai editor de livros e de uma mãe que também amava a leitura. Passava férias na casa da família na Toscana, região central da Itália. Para estudar literatura francesa, mudou-se para Florença, também na Toscana, onde foi corretor de imóveis e conheceu Bianca.

Nesse período na Amazônia, tiveram dois filhos – Yara, 21 anos, e Ian, 12, dois loirinhos em meio aos caboclos –, totalmente enturmados e convertidos ao “amazonismo”. “Ter filhos na Amazônia foi a melhor escolha que fizemos na nossa vida”, diz Bianca. Os irmãos remam, pescam, nadam e vivem como se o DNA europeu fosse só aparência. Em fevereiro, quase perderam o pai. Como já escrito acima, o escocês foi ao chão às vésperas do Carnaval quando seus alvéolos acusaram o golpe de uma vida com doses cavalares de fumaça. Ao enfisema pulmonar, seguiu-se um infarto, que não exigiu cirurgia, mas o colocou de molho e sob cuidados médicos em Manaus.

Paul Clark e Ruy Tone, empresário paulistano e colaborador da escola Vivamazônia Crédito: Henrique Skujis/Acervo Trip

Se tivesse batido as botas, teria perdido o anúncio da notícia pela qual lutou com força nos últimos 16 anos. Dia 5 de junho, depois de incontáveis dribles do governo, da resistência de parte dos moradores e das já citadas ameaças de morte, Paul comemorou a criação da Reserva Extrativista Baixo Rio Branco-Jauaperi. Era uma de suas maiores demandas desde que fincou raízes na floresta. Ao lado de Francisco, o escocês liderou audiências públicas, escreveu cartas de próprio punho, coletou assinaturas e bateu de frente com adversários. “O mérito é da AARJ, mas é uma vitória pessoal do Paul”, diz Ruy, que acompanhou o processo de perto.

A nova reserva tem 580 mil hectares – quase quatro vezes o tamanho da cidade de São Paulo – distribuídos entre os municípios de Rorainópolis, em Roraima, e Novo Airão, no Amazonas. Nesta imensa área, agora protegida por lei, são encontradas espécies de peixes ornamentais e comerciais, como surubim, tucunaré, barbado e piranha. Há cerca de 42 espécies de mamíferos, entre elas, onça-pintada, onça-parda, jaguatirica, ariranha, tamanduá-bandeira e tatu-canastra. A área é lar de 150 famílias, que vivem da pesca artesanal e da extração de castanha. “Educação mais preservação é igual a progresso”, crava Paul, aliviado com a conquista, mas ciente dos limites do seu heroísmo.

Dia desses, o escocês viu uma tartaruga amazônica, daquelas de quase um metro de comprimento, ser capturada e colocada de ponta-cabeça na beira da trave de um campo de futebol para virar prêmio de um torneio de cobrança de pênaltis. “As famílias e a cultura são influências muito mais fortes do que as nossas. Precisaríamos de 20, 50 escolas como a Vivamazônia para pensar em uma pequena revolução cultural. Mas acredito que, ao enriquecer cada casa, cada família, cada criança com educação, estamos semeando essa revolução.”
Paul nas telas

A história da Vivamazônia virou documentário em curta-metragem (abaixo), produzido pela Bossa Nova. O filme foi lançado no dia 13 de agosto na abertura do show de Milton Nascimento no Teatro Amazonas, em Manaus. Paul e Bianca foram chamados ao palco e receberam as devidas homenagens na voz do próprio artista.


Vai lá

Para visitar a Vivamazônia, entre em contato com a Katerre. A agência organiza anualmente um roteiro de barco entre Novo Airão e a Comunidade do Gaspar. A viagem coincide com a soltura dos quelônios no rio e inclui interação das crianças locais com os visitantes – é, portanto, ideal para viajantes de todas as idades. Os pernoites são a bordo do Jacaré-Açu, embarcação de madeira extremamente confortável e aconchegante, com oito cabines climatizadas, e todas as refeições incluídas. www.katerre.com

Nunca se escreveu tanto, tão errado e se interpretou tão mal

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Ana Moioli, 18, tirou nota máxima na redação do Enem em 2016
Marcus Leoni – 10.mar.16/Folhapress

Saber ler e interpretar é questão de sobrevivência e amplia nossos horizontes

Otávio Pinheiro, na Folha de S.Paulo

A pesquisa Indicador de Alfabetismo Funcional, conduzida pelo Instituto Paulo Montenegro em parceria com a ONG Ação Educativa, aponta que apenas 22% dos brasileiros que chegaram à universidade têm plena condição de compreender e se expressar.

Na prática, esses jovens adultos estão no chamado nível proficiente –o mais avançado estágio de alfabetismo. São leitores capazes de entender e se expressar por meio de letras e números. Mais ainda, compreendem e elaboraram textos de diferentes modalidades (email, descrição e argumentação) e estão aptos a opinar sobre um posicionamento ou estilo de autores de textos.

Em contrapartida, a pesquisa de 2016 aponta que 4% dos universitários estão no grupo de analfabetos funcionais.

Os dados de leitura, escrita e interpretação do Brasil ajudam a entender algumas das origens desse baixo índice de letramento como, por exemplo, os resultados de Enem (Exame Nacional do Ensino Médio) de 2014, que mostra que 537 mil alunos zeraram a redação da prova –ou seja, quase 10% do total de 6 milhões de participantes que entregaram a prova. Em 2017, por sua vez, 309 mil alunos zeraram a redação, e apenas 53 tiraram a nota máxima.

Na análise do Pisa (Programa Internacional de Avaliação de Alunos), a distância do Brasil em relação a outros países é imensa. Os dados de 2016 colocam luz sobre um dos problemas cruciais da educação brasileira, visto que indicam que entre os 70 países avaliados, o Brasil fica na posição 59 em termos de leitura e interpretação.

Com todas as evidências e dados, é hora de colocar a escrita, a leitura e a interpretação como bandeira em todos os níveis da sociedade. A capacidade de comunicação e a linguística são habilidades complexas do ser humano e, para exercitar, precisamos de estímulos, referências e políticas de Estado que deem prioridade a estes aspectos educacionais.

A leitura nos leva a aprender, a sonhar e a ter experiências de lógica, além de vivências criativas que mudam vidas. A vida é construída com falas, recepção, risos, sarcasmos, fábulas. Também é construída a partir do entendimento daquilo que é diferente, entendimento do outro.

Quando converso com professores, empresários, pais e mães –ou seja, com várias matrizes da sociedade–, todos falam que um número expressivo de pessoas tem dificuldades de escrita, leitura e interpretação. Em muitos casos, o mundo fica difícil de ser interpretado.

Espinhoso e polêmico, o problema da educação no Brasil não será resolvido com uma bala de prata, uma única iniciativa. Deve-se pensar em soluções integradas como a Olimpíada Brasileira de Redação, que estimula a mobilização de todos os estudantes do país.

É preciso que os processos de recrutamento das empresas deem mais valor para atividades que incluam o texto como avaliação. E também contar com os negócios de impacto social focados em educação para endereçarem soluções viáveis.

Como educador, tenho acompanhado com perplexidade que nunca se escreveu tanto, tão errado e se interpretou tão mal na história da humanidade. Como empreendedor da Redação Online –primeira edutech acelerada na Estação Hack, iniciativa do Facebook em parceria com a Artemisia– defendo que o empreendedorismo de impacto social é uma importante ferramenta para vencer esse desafio de melhorar o letramento dos brasileiros.

A Redação Online é uma solução que viabiliza correções de redações preparatórias para Enem, vestibulares e concursos, com qualidade e em escala nacional. São 32 mil estudantes atendidos, sendo 35% oriundos de escolas públicas.

Em 2018, tivemos a alegria de ter, entre os alunos, 120 aprovados em medicina, a maioria deles vindos de escolas públicas. Em locais como Ilha de Marajó, com acesso de internet difícil, a solução comprova o impacto social. Com um upload rápido, o aluno pode baixar o conteúdo em uma área com wayfi, por exemplo. É diferente da aula online que requer um serviço de internet melhor.

A cada dez alunos do Redação Online, oito aumentaram as próprias notas em até 400 pontos. Hoje, temos uma rede de 600 revisores em todo o Brasil que, além da correção ortográfica, traçam comentários sobre como melhorar, dicas de livros e links de conteúdo.

Defendo que saber ler e interpretar é questão de sobrevivência. O prazer de ler, escrever e interpretar amplia nossos horizontes, amplifica a nossa imaginação e nos liberta de preconceitos, extremismos e opiniões fundamentalistas.

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