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O livro “Bom Dia, Verônica” ganha adaptação em série pela Netflix

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Victor Tadeu, no Desencaixados

Ontem (17) a DarkSide Books anunciou um banquete recheado de mistérios na hora do almoço, pois através das suas redes sociais revelou que o livro Bom Dia, Verônica, escrito pelo pseudônimo Andrea Killmore, vai ganhar adaptação em série pela Netflix, mais um título da editora sendo adaptado para o streaming.

Bom Dia, Verônica narra a história de Verônica, uma escrivã do Departamento do Homicídio e Proteção a Pessoa, porém sua vida começa tomar destinos imagináveis quando uma mulher tenta suicídio ao sair do escritório de Wilson Cavares e piora mais ainda quando uma mulher liga pedindo socorro.

Notando a falta de interesse das pessoas que ali trabalhavam para manter a proteção dessas vítimas, Verônica começa tomar atitude para solucionar o caso dessas mulheres, mas mal sabia ela da imensa e arriscada que seria essa.

Durante as semanas da XIX Bienal Internacional do Livro do Rio de Janeiro a editora aproveitou para revelar os verdadeiros escritores por trás dessa história, já que esse também era um dos mistérios deixavam os leitores incrédulos, pois em entrevista Andrea Killmore afirmava que seu verdadeiro nome ocultado era para manter sua segurança.

A Caveirinha conseguiu surpreender seu público ao revelar que Killmore, na verdade é Ilana Casoy e Raphael Montes, ambos escritores aclamados dentro do mercado editorial brasileiro, contendo obras de sucesso nas mais variadas livrarias do Brasil.

A Noiva Fantasma é outro livro também publicado pela DarkSide Books que ganhou adaptação pela Netflix, inclusive algumas informações sobre a produção foram reveladas.

Bom Dia, Verônica foi um dos primeiros livros de escritor nacional publicado na DarkSide Books, a história é extremamente instigante, misteriosa e inovada, durante a narrativa acompanhamos a introdução de assuntos assustadores, como necrófilo, golpe virtual, sequestro e entre vários outros que deixa o enredo único.

Essa será uma série protagonizada por Tainá Müller, mas que também apresenta Camila Morgado, e Eduardo Moscovis Elisa Volpatto, Silvio Guindane, César Melo, Adriano Garib e Antônio Grassi no elenco. A direção é sob responsabilidade de José Henrique Fonseca (Heleno) com produção da Zola Filmes.

Até o momento poucas informações sobre essa adaptação foram reveladas, mas conforme o andar da produção serão anunciados mais detalhes.

A previsão de lançamento é para 2020.

Depois de 34 anos, Margaret Atwood lança a sequência de ‘O Conto da Aia’

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Foto: AFP

‘The Testaments’ se passa 15 anos após a história original

Publicado no Destak Jornal

A escritora canadense Margaret Atwood apresenta nesta terça-feira (10) em Londres “The Testaments”, a sequência do aclamado “O Conto da Aia” (1985), uma distopia misógina aterradora que se tornou um verdadeiro manifesto feminista na era do movimento #MeToo.

“A obra é uma advertência sobre a violência exercida contra as mulheres”, disse Melisa Kumas, uma holandesa de 27 anos que compareceu na segunda-feira à noite à cerimônia de lançamento, vestida de vermelho, para recordar o uniforme das “aias”.

Atwood “me tornou mais consciente da política que me cerca. Agora estou mais concentrada na atualidade para assegurar que não aconteça o pior”, completou, na conversa com a AFP, antes de ouvir, logo após a meia-noite, a leitura feita pela escritora, de 79 anos, de trechos do novo livro.

A sequência, que chega às livrarias nesta terça-feira (10), promete ser um grande sucesso: o livro foi selecionado entre os finalistas do Booker Prize 2019, prestigiosa premiação literária britânica, e sua adaptação para a TV já está em curso.

O livro segue os passos do predecessor, que registrou uma retomada das vendas por sua adaptação como uma série de televisão. “O Conto da Aia” vendeu oito milhões de cópias no mundo apenas em sua versão em inglês.

Tia Lydia

Em 1985, Atwood imaginou os Estados Unidos transformados em “República de Gilead”, um país totalitário teocrático onde os dirigentes estupram, em cerimônias religiosas com a ajuda de suas esposas, as mulheres capazes de procriar, as “aias”, para ficar com seus bebês.

As regras são justificadas por um suposto Deus onipresente nos costumes diários, inclusive nos cumprimentos: em Gilead, todas as conversas começam com a expressão “Bendito seja o fruto”.

Neste mundo obscuro, uma mulher, June, tenta sobreviver. No primeiro livro, ela é a responsável por conduzir o leitor, por meio de um monólogo angustiante, por esta ditadura misógina, na qual o papel de aia reprodutora é imposto, e o de mãe, retirado.

June têm duas filhas, mas não tem direitos sobre nenhuma delas.

“The Testaments” se passa 15 anos depois da história original: Agnes vive em Gilead, enquanto sua irmã Daisy mora no vizinho Canadá e fica horrorizada com os abusos cometidos do outro lado da fronteira.

É, sobretudo, a voz de uma terceira narradora que mantém o leitor em suspense: tia Lydia, a maquiavélica líder das “tias”, grupo de mulheres responsáveis por escravizar as compatriotas férteis.

Ao longo dos capítulos, o leitor descobre seu passado de mulher livre e as etapas de sua transformação em um monstro, construída pelo instinto de sobrevivência diante dos homens tirânicos, mas também por seu desejo de poder… Até que se torne bastante poderosa para abalar aqueles que a dominam.

35 anos buscando respostas

Atwood demorou quase 35 anos para conceber a sequência, inspirada pelas perguntas feitas por seus leitores.

Trinta e cinco anos representaram muito tempo para refletir sobre as respostas possíveis, que evoluíram à medida que a sociedade evoluiu e as hipóteses se tornavam realidade, afirma a escritora no final do livro.

“Os cidadãos de muitos países, incluindo os Estados Unidos, sofrem hoje tensões mais fortes que há três décadas”, completa.

Grande sucesso após sua publicação em 1985, “O Conto da Aia” se tornou um verdadeiro manifesto feminista dos tempos modernos após sua adaptação como série de TV em 2017, que apresentou a obra a um novo público.

Em diversos países, a figura da “aia”, com a capa vermelha e chapéu branco, virou um símbolo imediatamente reconhecido em manifestações da pauta feminista, como a defesa do direito ao aborto.

Nos Estados Unidos, tornou-se um símbolo contra Donald Trump, mas também um alto-falante do movimento #MeToo, como uma parábola da tendência conservadora americana desde sua chegada ao poder.

Sucesso de Julia Quinn consagra nova tendência da literatura para mulheres

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FINAIS FELIZES - Julia Quinn: série adaptada por Shonda Rhimes para a Netflix (Claudia Morillo/VEJA)

A onda do momento são os romances de época em que destemidas heroínas lutam pelo amor

Raquel Carneiro, na Veja

Aos 13 anos, a americana Julie Pottinger levou uma bronca do pai: ele não gostava da literatura apreciada pela filha, que devorava romances açucarados, alguns com cenas de paixão ardente estampadas na capa. O motivo não era puritanismo, mas sim a qualidade do texto — a família prezava a formação intelectual. Para contornar o mau humor paterno, Julie disse que o interesse pelo gênero decorreria, na verdade, de sua meta de escrever ela própria um romance naqueles moldes. Resultado: foi desafiada pelo pai a fazê-lo. A adolescente teceu, então, sua primeira novela — nunca publicada, mas valorizada por Julie hoje como um primeiro passo para tomar gosto pela escrita. Anos depois, ela mudaria seu nome para Julia Quinn (Julia para soar mais adulta e Quinn para, na ordem alfabética das estantes das livrarias, ficar perto da autora romântica Amanda Quick). Conquistou seu primeiro contrato com uma editora ao mesmo tempo que era aceita no curso de medicina em Yale. “Decidi dar um tempo na faculdade para me dedicar ao livro, mas logo bateu o desespero: ‘E se não der certo essa história de ser escritora?’. Voltei para Yale, mas fiquei só dois meses”, contou Julia a VEJA.

Hoje, aos 49 anos e 37 livros depois, ela não tem arrependimentos. Autora de romances femininos ambientados em cenários históricos, Julia contabiliza mais de 10 milhões de cópias vendidas no mundo, sendo 1,15 milhão só no Brasil — sim, seu principal mercado fora de países de língua inglesa é aqui. Seu novo livro, Um Cavalheiro a Bordo (Arqueiro), chega às livrarias nesta semana. A saga, ambientada no século XVIII, é derivada de outra trama da autora, a bem-sucedida Os Bridgertons, sobre uma família aristocrática formada por oito irmãos (quatro homens e quatro mulheres) conduzidos por uma sábia matriarca. A trama foi eleita por Shonda Rhimes para integrar seu portfólio na Netflix — no acordo de 150 milhões de dólares entre a produtora de Grey’s Anatomy e a plataforma de streaming estão oito seriados de estilos variados. “Um representante da Shonda ligou para perguntar se os direitos dos meus livros ainda estavam disponíveis. Eu respondi aos berros: ‘Sim!’ .Sou uma grande fã, fiquei chocada”, afirma Julia. Com pretensão de ser uma nova Downton Abbey, a série deverá estrear em 2020. Até agora, só um nome do elenco foi divulgado: ninguém menos do que Julie Andrews, na pele de Lady Whistledown, uma cronista social de língua afiada. Um pontapé inicial e tanto.

O sucesso de Julia Quinn ilumina as novas tendências de um segmento editorial tradicionalíssimo. Com a ascensão feminina no mundo do trabalho e sua afirmação na cultura pop, a literatura para mulheres tomou um banho de loja: moças ingênuas e sonhadoras deram lugar a heroínas emancipadas e mulheres, vá lá, “de carne e osso” (leia o quadro na pág. 90). Nas listas de best-sellers figuram distopias sobre mulheres em luta contra a opressão, como O Conto da Aia, de Margaret Atwood, e dramas psicológicos com anti-heroínas às voltas com a depressão, como a protagonista de Sharp Objects, de Gillian Flynn. Mesmo na era do feminismo, no entanto, há indícios de que certas coisas mudam na forma, mas continuam iguais na essência. As fantasias sexuais da personagem de Cinquenta Tons de Cinza, de E.L. James, são dosadas para não ferir suscetibilidades. Da mesma forma, as histórias açucaradas sobrevivem nos livros de Julia Quinn. Só que agora as moças casadoiras têm sede de autonomia e a ambientação de época garante que a atmosfera romântica se revele crível para a leitora de hoje.

Leve, bem-humorado e com uma sensualidade liberada a conta-gotas, o estilo de Julia chegou a ser comparado pelas fãs ao da incomparável Jane Austen (1775-1817). O exagero é reconhecido — ainda bem — pela própria. “Jane fez um retrato profundo da época em que viveu. Eu simplesmente viajo ao passado e imagino protagonistas fortes.” Viagem parecida tem sido feita por outras autoras do filão, como Lisa Kleypas, de Os Hathaways, e Diana Gabaldon, de Outlander. Quem percebeu o potencial do gênero no Brasil foi a editora Arqueiro, selo da Sextante que abraçou os romances femininos de época para surfar em números expressivos — a exploração do gênero já rendeu mais de 2 milhões de livros vendidos. No topo do filão, Julia reina absoluta. “No catálogo da editora, ela já figura junto de autores como Dan Brown e Nicholas Sparks”, conta Nana Vaz de Castro, executiva da Sextante.

A fórmula do sucesso é facilmente identificável: casal se conhece, se repele, participa de bailes pomposos, se apaixona e se casa. Mas o que acontece entre a primeira página e o final feliz de um romance enlatado é o que faz uma autora distanciar-se das outras na lista dos best-sellers. Julia ganha pontos por seus personagens carismáticos. Os homens são ríspidos, mas elegantes — todos, no frigir dos ovos, exibem excelente trato com as damas. As mulheres revelam-se afiadas, ainda que às vezes sejam desajeitadas, e buscam um amor verdadeiro — que raramente acontece à primeira vista, mas nunca deixará de se consumar antes da última página.

Para Julia, famílias felizes não são entediantes (diferentemente do que escreveu Tolstoi no célebre início de Anna Karenina). Ao contrário: são sua fonte de renda. “Os leitores gostam de mães que não traumatizam os filhos e de homens que não maltratam as mulheres”, diz a autora, que conheceu o marido há trinta anos. “A única coisa que me irrita quando criticam meus romances é dizerem que crio expectativas muito altas nas mulheres em relação aos homens. Ora, imaginar uma relação longa e monogâmica entre duas pessoas que se respeitam seria um exagero?” Sua função social, por assim dizer, seria justamente alertar sobre relacionamentos abusivos. “Muitas leitoras perceberam que estavam em namoros ruins”, diz. Exaltar heróis masculinos com conduta de bad boys está fora de sua cartilha. “Não entendo o apelo de alguém que trata a mulher como lixo. Um romance precisa de homens bons.” E bonitões, claro.

‘O Livro dos Prazeres’, de Clarice Lispector, vira filme que privilegia olhar feminino

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Simone Spoladore interpreta Lóri no longa de Marcela Lordy que será lançado no ano que vem, centenário da escritora

Francesca Angiolillo, na Folha de S.Paulo

Rio de Janeiro

A folha avermelhada precisa descer, pousar no ombro da mocinha e, do chão, ser recolhida pelo galã e então entregue a ela. Ali começa um plano-sequência no qual que o casal vai do flerte ao desentendimento —a tônica do relacionamento entre Lóri e Ulisses.

Mas o movimento agitado à beira da lagoa Rodrigo de Freitas acrescenta novas dificuldades às dos personagens de “O Livro dos Prazeres”.

A locação para esse dia das filmagens —que vão até o fim desta semana, no Rio de Janeiro— é linda, mas o som de helicópteros decolando e pousando ao lado invade a cena.

Venta e, ao segurar o chapelão, Lóri acaba por tapar demais o rosto. Passantes curiosos sem querer entram em cena olhando para a câmera. E a folha —nem sempre ela cai do jeito certo.

No décimo take, Marcela Lordy decide simplificar o que pode. “Vou aplicar em pós-produção essa folha.” Vai cair rodopiando, “bem Hollywood”. Mas a história que Lordy escolheu para sua estreia em longas de ficção, após ter feito carreira na assistência de diretores como José Eduardo Belmonte e Walter Salles, não é hollywoodiana.

É de amor, mas um amor construído sobre falhas que só podem ser reparadas cena a cena, sem truque ou técnica.

“Uma Aprendizagem ou O Livro dos Prazeres”, de Clarice Lispector, é a base do filme. No romance, de 1969, Lóri é uma professora na casa dos 30 que não se aprofunda nas suas relações. Conhece e deseja Ulisses, professor de filosofia mais velho, que lhe ensina a viver o amor, dizendo que aguardará até que ela esteja pronta.

A obra, que se passa quase toda dentro do pensamento de Lóri, pareceria inadaptável.

Transformar o fio de trama em roteiro exigiu dez tratamentos, em seis ou sete anos, recorda Lordy, que a partir de certo ponto teve a contribuição da argentina Josefina Trotta —seu filme é uma coprodução com o país vizinho.

Produtora brasileira do filme, Deborah Osborn, da Big Bonsai, diz que “queria muito internacionalizar o filme”, mostrar para o mundo esse “imaginário que permeia a gente a vida toda”.

O imaginário de Clarice não deixou mais de ser redescoberto no exterior, sobretudo desde que o americano Benjamin Moser lançou “Clarice,”.

Na biografia, Moser descreve “Uma Aprendizagem” como “uma espécie de órfão”, depois de “A Paixão Segundo G.H.”. “Na verdade, artisticamente, superar aquela obra atordoante seria difícil para qualquer escritor”, resume.

O resultado, que traz um final feliz, fato raro na obra da escritora, foi considerado menor ou mais fácil —para os padrões claricianos, que não são exatamente a média.

Concebido há quase uma década, o filme de Lordy será lançado no ano que vem. Calhou de ser o centenário de Clarice, lançando holofotes adicionais sobre a produção, que deve ter a companhia nas telas da adaptação de “G.H.” feita pelo diretor Luiz Fernando Carvalho.

“O Livro dos Prazeres” privilegia o olhar das mulheres —e são muitas no set— sobre uma história que, já em 1969, tinha no centro o desejo feminino.

Porém, meio século depois, a relação vertical estabelecida entre Lóri e Ulisses não faria sentido. “Ele desce do pedestal, aprende com ela”, diz Marcela Lordy, a diretora.

Embora veja a relação do casal como “quase abusiva” —a determinada altura do romance, por exemplo, ele a censura por cortar os cabelos sem pedir permissão—, ela acredita que “Clarice estava discutindo gênero ao colocar Ulisses à espera de Lóri”.

O tipo melancólico de Simone Spoladore se mostra perfeito para a esquiva Lóri. Uma mulher inalcançável, diz a atriz, “que se fechou para a dor”, ecoando a conclusão do diálogo rodado minutos antes.

Seu par é vivido por Javier Drolas. Conhecido no Brasil por “Medianeras”, ele atua pela primeira vez em português e suaviza a arrogância de Ulisses —apesar de no filme ele ser argentino, brinca o ator.

Mas, na visão de Drolas, “um homem já mais velho que nunca se apaixonou, algum problema tem”. Seu Ulisses é especialista em Spinoza, para quem “o fim último da filosofia é a felicidade”, e é nessa busca que, diz ele, o personagem “se torna mais humano”.

Spoladore conta ter sido ela também submissa em outras relações, mesmo se “a mulher contemporânea é diferente”. Essa diferença fundamenta o trabalho das roteiristas.

Há nove anos no Brasil, Josefina Trotta diz que Clarice foi das primeiras autoras que leu em português. Nas últimas releituras que fez de “Uma Aprendizagem”, sublinhou o que o livro tinha de ação de fato.

Era muito pouco. A saída foi desdobrar o que havia.

A mãe morta de Lóri ganha peso no filme. Está num crochê que a filha desfaz e refaz, como uma Penélope, e num diário encontrado no apartamento herdado —nele as palavras são de Clarice.

Da vida da escritora, vieram outros elementos para compor essa figura, que se torna não só autora mas ancestral de Lóri.

Os alunos se fazem mais presentes, como Otto, filho de Luciana, única amiga de Lóri. Esta, engenheira e taróloga, é a expansão da cartomante citada no livro somente em uma fala da protagonista.

Vivida por Martha Nowill —que, como Spoladore, havia atuado em curtas de Lordy, caso de “Aluga-se”, de 2012, do qual foi corroteirista—, Luciana é um contraponto a Lóri.

É, diz Trotta, “uma mãe profissional com defeitos”, que não teme se arriscar, à diferença da amiga. Nowill celebra o papel, uma coadjuvante com um destaque que ela reputa incomum no cinema.

Os personagens e situações se construíram a partir da vivência das próprias roteiristas e de mulheres ouvidas no processo.

Ulisses ganha uma sexualidade vista como ambígua; Lóri tem vários amantes —até uma amante.

Todos se tornam, enfim, mais gente, saindo da dimensão “quase sagrada” que, de início, impactou Trotta, como tantos outros, na obra de Clarice.

Autora de ‘The Handmaid’s Tale’ anuncia sequência do livro para 2019

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Nova produção de Margaret Atwood se passará 15 anos após o 1º livro

Publicado no Estadão

Nesta quarta-feira, 28, a canadense Margaret Atwood anunciou em seu Twitter que está escrevendo a continuação de The Handmaid’s Tale, livro escrito em 1985 e que deu origem à série homônima. A novidade se chamará The Testaments e o lançamento está previsto para o segundo semestre de 2019.

“Sim, de fato, para aqueles que perguntaram: eu estou escrevendo uma sequência para The Handmaid’s Tale. The Testaments se passa 15 anos depois da cena final de Offred e é narrado por três personagens mulheres. Vai ser publicado em setembro de 2019”, escreveu a autora.

Lançado no Brasil como O Conto de Aia, o romance distópico é ambientado em Gilead, um Estado teocrático e autoritário, onde as mulheres vivem subordinadas aos homens. O sucesso garantiu ótimas posições nas listas de livros mais vendidos em diversos países do mundo.

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