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Posts tagged identidade

The Handmaid’s Tale é renovada para a terceira temporada

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Priscila Ganiki, no Jovem Nerd

A segunda temporada de The Handmaid’s Tale mal começou, mas o Hulu já anunciou que a série está renovada para a terceira temporada.

A estreia da segunda temporada teve o dobro de audiência do que a anterior, segundo o The Hollywood Reporter.

The Handmaid’s Tale é baseado em O Conto da Aia, livro escrito por Margaret Atwood, e mostra uma sociedade distópica e teocrática onde as mulheres não têm direito à própria identidade e são obrigadas a seguirem um conjunto de regras fascista e servir aos homens ao seu redor.

Os episódios estrearam em 25 de abril no Hulu. O canal Paramount exibe a série no Brasil.

Star Wars: Os Últimos Jedi | Livro do filme pode revelar identidade da esposa de Luke

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Pedro Vieira, no Observatório do Cinema

Na próxima semana, chegará às livrarias norte-americanas uma versão em romance da história do filme Star Wars: Os Últimos Jedi. O livro deverá trazer mais detalhes sobre a trama vista nos cinemas, mas um desses detalhes parece já ter caído na internet.

Segundo o ComicBook, uma parte da primeira página do prólogo do livro foi divulgada por alguém que teve acesso antecipado à obra e ela revela algo muito interessante: Luke Skywalker tinha uma esposa.

Na imagem da primeira página da obra (veja mais abaixo), é possível ler “Luke Skywalker estava sobre as areias de Tatooine, sua esposa ao seu lado”. A imagem não é oficial, então tudo não passa de rumor, mas seria interessante saber se Luke teve ou não uma esposa – bem como o motivo dele ter voltado para Tatooine.

O próximo filme da saga Star Wars é Han Solo: Uma História Star Wars, que estreia em 24 de maio de 2018.

Mapa literário: o escritor mais importante de cada Estado

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(Se você tem alguma dúvida de que a literatura é um dos fatores mais importantes para definir a identidade de um povo, esse post é para você – caso esteja convencido disso, continue aqui mesmo assim)

Pamela Carbonari, na Superinteressante

Quando estava na escola, minha professora de Literatura pediu que escolhêssemos um livro do Érico Veríssimo para analisar ao longo do semestre. Ainda era abril e, apesar de já fazer algum frio nesta época do ano no Rio Grande do Sul, o termômetro naquele dia passava dos 25 graus. Lembro de ir à biblioteca em busca do primeiro volume de O Tempo e o Vento suando e poucas páginas depois de começar a leitura, sentir uma leve friagem ao ler as passagens em que Érico narra o vento Minuano cortando as noites na estância da família Terra – “Noite de ventos, noite de mortos”.

Algum tempo depois, essa mesma professora sugeriu que lêssemos Graciliano Ramos. Pedi o livro Vidas Secas a um amigo que me emprestou com a seguinte recomendação: “Até a metade você vai conseguir ler tranquilamente, mas depois é melhor ter uma garrafinha de água junto contigo”. De fato, durante a leitura senti a secura da cachorrinha Baleia e a apatia dos filhos de Fabiano dentro da boca, não deixando uma só gota de saliva descer pela garganta. Só consegui chegar ao fim seguindo o conselho do meu amigo.

Anos mais tarde, antes de visitar a Bahia, decidi que precisava ler Gabriela, Cravo e Canela. Em menos de 50 páginas, já tinha absorvido a cadência do sotaque mesmo sem ouvi-lo, sentia vontade de comer tapioca, acarajé, moqueca e de tomar uma(s) no bar do Nacib como se estivesse na Ilhéus do início do século.

Com ou sem cinestesias, os livros nos apresentam a lugares que, mesmo quando reais, talvez nunca visitaremos, nos transportam para enredos que não podemos mudar e nos deixam íntimos de personagens cujos sotaques, hábitos, personalidades e aparências são adaptações de alguém, releituras de várias pessoas coladas em um determinado tempo e espaço.

É essa junção de elementos que faz a obra de Jorge Amado ser sinônimo de Bahia e a de Érico Veríssimo de Rio Grande do Sul, é isso que faz a literatura ser um dos mais importantes símbolos para a formação da identidade cultural de um lugar.

Pensando nisso, selecionamos os 26 autores mais representativos de cada estado brasileiro. Nossa seleção se baseou em número de prêmios ganhos, participações em Academia de Letras de suas respectivas federações, cobrança nos vestibulares locais, número de traduções para línguas estrangeiras e, é claro, se o autor é reconhecido por sintetizar a identidade de cada estado — não sendo determinante seu local de nascimento.

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“Autores negros insistem em suas origens africanas. As coisas não são assim”

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Teju Cole/Tim Knox

Teju Cole/Tim Knox

 

Escritor e fotógrafo nigeriano radicado em Nova York, Teju Cole virou fenômeno literario

“Minha identidade é incapturável e múltipla”

Eduardo Lago, no El País

“A escrita é só metade da história, a outra metade, às vezes a mais importante, é a imagem.” Assim Teju Cole (Michigan, 1975) resume a poética por trás da sua forma de entender a arte e contar histórias.

Para ele, que é fotógrafo além de um dos escritores mais reputados do ano, uma boa narrativa depende não só do que é revelado pela voz, mas também do que o olhar consegue apanhar. È a fórmula que ele aplica desde Every Day Is For the Thief (“todo dia é do ladrão”, 2007), seu primeiro livro, relato de uma viagem à Nigéria. Nele, a força da história depende em grande medida da reportagem fotográfica. Fora da Nigéria, onde o autor passou uma parte importante de sua vida, o livro passou despercebido. Em 2011, Teju Cole ganhou notoriedade internacional com a publicação de um romance quase perfeito, Cidade Aberta (Companhia das Letras), uma homenagem a Nova York, sua cidade adotiva, em forma de passeio. Influenciado por exegetas do olhar como Susan Sontag e John Berger, Cole afirma que sua prosa deve tanto ou mais a fotógrafos e cineastas do que à plêiade de escritores, oriundos das mais diversas tradições literárias, que o ajudaram a encontrar sua voz. Durante a conversa, o escritor nigeriano-americano – afável, agudíssimo e jovial – deixou claro que suas preocupações políticas nunca estão muito distantes da sua obra. Perguntado a respeito sua identidade, afirma que se trata de algo em extremo fluido: “Minha identidade é incapturável e múltipla. Não tenho um centro de gravidade como artista e como ser humano, ou talvez devesse dizer que meu centro de gravidade está sempre longe de onde me encontro”. Qual é a imagem favorita que você tem de si mesmo? “Alguém que estando em Nova York se lembra com saudade da Nigéria, só que estando lá seu sonho é voltar o quanto antes para Nova York.”

PERGUNTA. Quais diferenças você vê entre Cidade Aberta, romance que durante muito tempo todos acreditaram ser o seu primeiro, e o que realmente foi, Every Day Is For the Thief?

RESPOSTA. Não há tantas diferenças. No que diz respeito à gênese deles, na verdade são contemporâneos. Comecei Every Day… no começo de 2006 e o publiquei em 2007 na Nigéria. Naquela época encarei também a escrita de Cidade Aberta, que só viria a sair em 2011, nos Estados Unidos, porque demorei muito mais para escrevê-lo, três anos. Cidade Aberta é um romance muito mais complexo. Foi muito influenciado pelo modernismo europeu. Every Day Is For the Thief é muito mais clássico, mas a linguagem é também mais bela.

P. Com quem se sente em dívida como escritor? Acredita que a questão da origem racial é determinante?

R. Todo tipo de escritor me interessa. Muitos autores negros insistem em salientar a autenticidade das suas origens africanas, como se não houvesse nada além. As coisas não são assim. Todos nós tivemos uma sólida educação colonial. É absurdo negar, embora nem tudo se reduza a isso. Uma coisa que me parece muito importante apontar é que, da mesma maneira que o sumô é japonês, o romance é uma forma artística europeia. Você pode fazer as variações que quiser, como fizeram García Márquez e Vikram Seth, mas, de qualquer forma que se faça, o romance é uma forma artística europeia.

P. Todo mundo festejou a visão de Nova York exposta em Cidade Aberta, mas também são surpreendentes (e arrepiantes) as páginas que transcorrem em Bruxelas, onde aparece a situação em que vivem os muçulmanos. O livro parece profetizar o que aconteceu naquele país há alguns meses.

R. Não há nada de profético nisso. Ninguém pode adivinhar o futuro, mas quando se olha bem para o presente, quando se observa com atenção o que está acontecendo neste mesmo instante, vê-se com toda a clareza o que vai acontecer mais adiante. Vê-se que a assimilação dos norte-africanos está vedada. Quando fui a Bruxelas me chamou a atenção ver que havia muitos jovens, alguns muito bem preparados e inteligentes, aos quais era barrada a entrada na sociedade branca, que os considera árabes sujos. Muitos nasceram e se criaram ali. A Bélgica ou a França são o único mundo que conhecem, mas estão totalmente marginalizados, alienados, e quando as pessoas estão completamente alienadas se envolvem com a primeira ideologia doentia que lhes abre caminho.

P. Em seus livros sempre há um chamado à tolerância.

R. Um atentado como o de Nice é horrível não só pela matança, mas porque quem o perpetrou era francês. Qual é a origem de um ódio tão profundo? Claro que não se pode culpar a França, que é vítima de uma terrível tragédia, mas o que conduziu a tudo isto é originalmente a alienação, e a resposta tem sido alienar ainda mais esse setor da população.

P. Que papel a religião desempenha em tudo isto?

R. É importante não identificar o terror com o islã. O cristianismo é tão violento ou tão pacífico como o islã. Por outro lado, os maiores crimes contra a humanidade foram perpetrados por regimes antirreligiosos, como os da União Soviética e China. Os jovens que se alistam no Estado Islâmico não são religiosos. Um modelo é alguém de 20 anos que depois de anos de drogas, álcool e sexo um dia abraça uma forma de radicalismo que se cruza com a espiral de sua vida e, embora diga agir em nome do islã, nem conhece os textos sagrados nem fala árabe.

P. Você tem dupla nacionalidade. Como norte-americano, o que acha de um sistema político capaz de produzir tanto Trump como Obama?

R. Obama foi o produto do que na tecnologia da informação se conhece como “máquina capaz de aprendizagem”. O sistema político norte-americano funciona como essas máquinas. Com o tempo foi sendo refinado e chegou um momento em que gerou alguém como Obama, um negro alto, bonito, eloquente, cuja visão política se atém estritamente ao sonho do imperialismo americano. O problema é que, como qualquer sistema de informática, pode aparecer um hacker que conheça um ponto fraco da máquina e a faça saltar pelos ares. Trump está perfeitamente consciente de que o ponto fraco do sistema é o ressentimento dos brancos. Claro, os negros estão piores, mas isso não importa. A isso se soma sua habilidade para se servir dos meios de comunicação, que são incapazes de criar uma narrativa, têm poder tão somente para amplificá-la. Funcionam como um alto-falante, e os alto-falantes carecem de ética. Limitam-se a aumentar o volume do sinal que entra.

P. Qual é a questão de mérito?

R. Uma vez perguntaram a Gandhi o que achava da civilização ocidental, e ele respondeu: Acho que seria uma boa ideia. O mesmo vale dizer da democracia norte-americana. Acho que seria uma ideia fantástica, mas neste momento não existe.

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