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Posts tagged Crônicas Saxônicas

Romances históricos, como ‘Crônicas Saxônicas’, guiam produções de TV

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Ricardo Bonalume Neto, na Folha de S.Paulo

Exibida no canal de TV a cabo Fox Action e com três temporadas disponíveis na Netflix, a série “Vikings” (2013-) narra a saga de dois famosos guerreiros dinamarqueses, Ragnar Lothbrok e seu irmão Rollo. Eles teriam iniciado a sequência de incursões dos nórdicos nas ilhas britânicas.

A série se passa poucos anos antes do início das “Crônicas Saxônicas” do escritor britânico/americano Bernard Cornwell, 72. Embora não seja vinculado aos livros de Cornwell, o seriado claramente foi inspirado por ele e pela série de livros e de TV “O Último Reino”.

O país que se chamou depois Inglaterra era então constituído por quatro reinos –Wessex, Nortúmbria, Mércia e Ânglia Oriental. O rei Alfredo, o Grande, o pioneiro na unificação do país, é um personagem-chave das “Crônicas” e aparece como bebê em “Vikings”. Cornwell é hoje, sem a menor dúvida, o principal autor dos chamados “romances históricos”. O termo é no mínimo curioso.

“O romance histórico, como eu descobri com alguma preocupação depois de ter escrito dois ou três, pertence a um gênero desprezado”, escreveu o autor inglês Patrick O’Brian (1914-2000), pseudônimo de Richard Patrick Russ.

O’Brian produziu uma obra de 20 livros entre 1970 e 1999 contando as aventuras de um capitão da Marinha Real britânica durante as Guerras Napoleônicas, Jack Aubrey, e seu amigo médico, naturalista e espião, Stephen Maturin (um 21º livro, incompleto, foi publicado postumamente em 2004, com o curioso título “21”, já que o autor ainda não tinha criado um).

Dois dos romances serviram de base ao filme de Peter Weir de 2003, “Mestre dos Mares – O Lado Mais Distante do Mundo”, com Russell Crowe no papel de Aubrey.

Os livros foram classificados como os “melhores romances históricos já escritos” pelo escritor e editor da revista “American Heritage”, Richard Snow, em resenha de capa do suplemento literário do jornal “The New York Times” em 1991.

Apesar de todo esse pedigree, O’Brian reclamava do desprezo –em geral acadêmico– pelo romance histórico.

A categoria só foi reconhecida como um gênero “menor” da literatura no século 20, o mesmo que aconteceu com o romance policial.

CLÁSSICOS MUNDIAIS

Mas é algo que existia há mais tempo, e antes era tratado com louvor. Dois exemplos bastam. O escritor russo Lev Tolstói (1828-1910) escreveu “Guerra e Paz”, sobre a campanha de Napoleão na Rússia em 1812.

O escritor americano James Fenimore Cooper (1789-1851) escreveu “O Último dos Moicanos” baseado em fatos da guerra entre britânicos, franceses e índios de 1754-1763.

Os dois livros são clássicos da literatura mundial. Mas não costumam ser chamados de “romances históricos”, apesar de seus autores escreverem sobre fatos que aconteceram antes de nascerem. Tecnicamente, deveriam ser.

Cornwell sem dúvida é um dos autores mais produtivos do gênero. Produziu cinco séries de romances, além de outros com temas individualizados. A mais conhecida narra as aventuras de um soldado britânico nas Guerras Napoleônicas, Richard Sharpe, também transformada em filmes de TV.

Talvez o detalhe mais interessante nos seus livros seja uma nota final, um posfácio, comentando as fontes históricas da obra, e as “licenças” que ele tomou para produzir sua narrativa. Fica clara a enorme erudição do autor, dando confiança ao leitor de que muitos dos fatos e detalhes correspondem ao melhor conhecimento existente sobre o tema.

Cornwell é admirador daquele que pode ser considerado o pioneiro entre os romancistas históricos do século 20, o escritor inglês Cecil Scott Forester (1899-1966).

Forester escreveu 11 livros da série “Hornblower”, um comandante naval durante as Guerras Napoleônicas, publicados de 1937 a 1967. O primeiro-ministro britânico Winston Churchill leu alguns desses livros ao longo de uma travessia do Atlântico para encontrar o presidente americano Franklin Roosevelt, durante a Segunda Guerra. Churchill adorou os livros.

Cornwell também. Mas, em vez imitar Forester criando um outro capitão da Marinha Real –como foi feito por autores como O’Brian, Dudley Pope ou Victor Suthren, Richard Woodman ou James Nelson–, ele preferiu criar um personagem diferente. Assim surgiu Sharpe, protagonista de 24 romances. Históricos.

5 Adaptações literárias que chegam à TV, devido o sucesso de ‘Game of Thrones’

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Fábio Mourão, no Dito pelo Maldito

Lá se foram quatro temporadas e o sucesso da série ‘Game of Thrones’ da HBO continua crescendo assustadoramente. A cada ano que passa, o programa vem ganhando mais e mais adeptos e ficando cada vez mais popular, chegando a superar o seriado The Sopranos como o mais assistido da rede. Para os fãs de fantasia medieval que sempre aclamaram por algo bem feito dentro do estilo, chega a ser uma homenagem por tanto tempo de espera. Durante anos sofremos com péssimas adaptações dos nossos livros e quadrinhos favoritos, com produções tão diluídas, que tínhamos que usar muita imaginação para reconhecer os elementos comuns dentro da história.

Mas, finalmente, com a série ‘Guerra dos Tronos’, as produtoras abriram os olhos para o gênero, viram que é um excelente negócio, e só agora parecem dispostos a investir o que for necessário para encontrar um sucessor para a saga criada por George RR Martin.
Com um corredor aberto para novas adaptações literárias, confira abaixo a lista com alguns livros que estão embarcando nesse sucesso e ganharão uma versão para a TV em breve. Quem sabe o seu livro favorito não é o próximo…

 

✔ Outlander, de Diana Gabaldon (estreou este mês)

O produtor executivo da série já confirmou em entrevistas que o sucesso desempenhado por Game of Thrones foi vital para tornar Outlander viável para a TV. Isso porque a história possui todos os elementos característicos para atingir a mesma glória: Um cenário ricamente descrito (Escócia do século 18), uma narrativa convincente sobre os personagens e um toque sútil de magia. O último livro da série alcançou rapidamente a lista de mais vendidos do New York Times, e os comentários inicias parecem ser muito bons.

 

✔ A Espada de Shannara, de Terry Brooks (estréia em 2015 na MTV)

Ao longo das últimas três décadas, Terry Brooks já escreveu mais de vinte romances baseados na terra mítica de Shannara, a maioria deles best-sellers. É um pouco surpreendente que tenha demorado tanto tempo para que uma adaptação chegue até as telas. É aí que a MTV, ansiosa para ganhar algum dinheiro com o universo de espadas e dragões, resolveu produzir uma versão do segundo livro da série, que conta uma história independente e se concentra em um elenco jovem de heróis. Com o autor envolvido com o processo do projeto e a equipe de Smallville por trás na produção, parece que finalmente teremos uma vertente da Terra de Shannara adaptada para a televisão.

 

✔ Os Magos, de Lev Grossman (em desenvolvimento pela SyFy)

A trilogia obscura de fantasia criada por Lev Grossman, vem sendo considerada uma versão sombria e mais adulta do mundo de Harry Potter. Inicialmente imaginada para ir as telas dos cinemas, a FOX acabou decidindo fazer uma série adaptada pelo seu canal SyFy. Ansiosos para construir uma futura reputação de seriados de fantasia, a produção conta com o roteirista de Sobrenatural que já está desenvolvendo os primeiros episódios encomendados, ainda sem previsão de lançamento.

 

✔ Deuses Americanos, de Neil Gaiman (em desenvolvimento pela Starz)

Assim que tomou ciência do sucesso inicial de Game of Thrones, logo a HBO pensou em investir na fantasia moderna sobre os deuses esquecidos de Gaiman para o seu próximo lançamento. Mas apesar de vários anos em desenvolvimento e diversos rascunhos na prancheta, um episódio piloto nunca chegou a ser produzido. Bem, tanta enrolação acabou fazendo a HBO perder os direitos do livro, que foram adquiridos pela Starz. Agora o roteiro já está em desenvolvimento e a produção da série já é dada como certa.

 

✔ Crônicas Saxônicas, de Bernard Cornwell (em desenvolvimento pela BBC)

Uma série que contará a história de Alfredo, o Grande, e seus descendentes. Cornwell reconstrói a saga do monarca que livrou o território britânico da fúria dos vikings, vista pelos olhos do órfão Uthred, que aos 9 anos se tornou escravo dos guerreiros no norte, surge uma história de lealdades divididas, amor relutante e heroísmo desesperado. Nascido na aristocracia da Nortúmbria no século IX, Uthred é capturado e adotado por um dinamarquês. Nas gélidas planícies do norte, ele aprende o modo de vida viking. No entanto, seu destino está indissoluvelmente ligado a Alfredo, rei de Wessex, e às lutas entre ingleses e dinamarqueses, e entre cristãos e pagãos. A BBC já encomendou 8 episódios para a primeira temporada, que receberá o mesmo título do livro. A direção será de Stephen Butchard.

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