Contando e Cantando (Volume 2)

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A biblioteca de ficção científica que reúne mais de 1200 títulos em Ribeirão Preto

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Publicado no Hypeness

Adora livros de ficção científica? Então você precisa conhecer a Biblioteca Roberto C. Nascimento, em Ribeirão Preto, que reúne mais de 1.200 obras do gênero.

O acervo é parte do Departamento de Física da Faculdade de Filosofia, Ciências e Letras de Ribeirão Preto (FFCLRP) e conta ainda com uma gama de livros de divulgação científica em suas estantes. Criada em 2013, a estrutura fica localizada dentro de um laboratório do departamento.

Mesmo pertencendo à universidade, qualaquer pessoa pode pegar livros emprestados na biblioteca. Para isso, é necessário ficar atento aos horários de abertura do espaço: segunda e terça, das 14h30 às 18h30, e nas quintas, das 16h às 18h.

Ao Sci-Fi Blog, o diretor da biblioteca, físico e professor da USP Osame Kinouchi conta que o acervo começou com apenas 400 livros que foram doados pelo Clube de Leitores de Ficção Científica (CLFC). Com a ajuda da comunidade, mais títulos foram sendo acrescentados à coleção. Para encher ainda mais as estantes, doações de livros são aceitas, mas devem ser organizadas através do e-mail [email protected]

Por que presentear quem você ama com livros neste Natal

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Uma biblioteca demarca territórios imaginários de afinidades literárias e intelectuais onde até mesmo os livros não lidos têm sua função Julio Cordeiro / Agência RB

 

Luiz Schwarcz propõe que editores, livreiros e autores busquem soluções “criativas e idealistas” para a crise editorial

Claudia Laitano, no Gaúcha ZH

Já leu isso tudo? Quem guarda muitos livros em casa acaba se acostumando a ouvir essa pergunta – principalmente de quem que não têm o hábito de ler ou comprar livros. A ideia por trás da questão é a de que livros são como utilidades domésticas que devem ser colocadas em uso para não perder o sentido, mas qualquer um que gosta de ler sabe que uma biblioteca expressa não apenas um plano prático de consumo imediato, mas também o vago desejo de demarcar territórios imaginários de afinidades literárias e intelectuais. Uma biblioteca é uma carta de intenções, um plano de voo, um projeto de vida.

A minha começou como uma estante de apenas três prateleiras, fragilmente aparafusada na parede de um quarto minúsculo, e hoje ocupa todas as paredes de uma sala inteira. Não li todos aqueles livros e é pouco provável que isso aconteça um dia. Mas isso não me aflige ou exaspera. Pelo contrário. Todos os meus livros, inclusive os não lidos, me representam e iluminam. São um retrato dos meus interesses, da pessoa que eu gostaria de ser, assim como da pessoa que eu fui e da que talvez, com sorte, um dia eu me torne. Uma biblioteca é um jardim de possibilidades essencialmente inesgotáveis, um organismo vivo que cresce, ganha novas formas, se recria. Se os meus livros ocupam tanto espaço na minha casa, não é apenas porque construí uma vida afetiva, profissional e intelectual em torno deles, mas porque a potência desse conjunto toca meu coração todos os dias – como qualquer coisa bela e transcendente que não se torna invisível com o passar do tempo.

Nos últimos meses, as notícias sobre o mercado editorial brasileiro têm deixado aflitas as pessoas que amam os livros. Governos comprando menos em função da crise, o consumo das famílias em queda, duas das maiores redes de megalivrarias do país (Cultura e Saraiva) entrando em recuperação judicial e uma política agressiva de descontos da Amazon desconcertando o já não muito sólido ecossistema de edição e distribuição no país são alguns dos fatores que contribuíram para esse momento de extrema fragilidade do mercado.

Na última terça-feira, o dono de uma das maiores casas editoriais do país, Luiz Schwarcz, da Companhia das Letras, lançou uma comovente carta aberta falando sobre sua preocupação com o futuro do mercado editorial brasileiro: “O efeito cascata dessa crise é ainda incalculável, mas já assustador”. Schwarcz propõe que editores, livreiros e autores encontrem soluções “criativas e idealistas” para enfrentar a situação.

Mas termina o texto com um apelo direto aos leitores: “Presentear com livros hoje representa não só a valorização de um instrumento fundamental da sociedade para lutar por um mundo mais justo como a sobrevivência de um pequeno editor ou o emprego de um bom funcionário em uma editora de porte maior; representa uma grande ajuda à continuidade de muitas livrarias e um pequeno ato de amor a quem tanto nos deu, desde cedo: o livro”.

Se você, como eu, ama os livros e o que eles significam, faça sua parte: neste Natal, dê o mundo de presente para quem você ama.

Garota de 8 anos que já leu mais de 400 livros faz doação para biblioteca de Pederneiras

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Maria Laura Rached, de 8 anos, já leu mais de 400 títulos entre livros e gibis — Foto: TV TEM/Reprodução

Maria Laura Rached acredita que os livros e gibis doados podem incentivar outras crianças a criarem o hábito da leitura. Tia-avó da menina dá nome à biblioteca da cidade.

Publicado no G1

Uma menina de 8 anos conhecida em Pederneiras (SP) por já ter lido mais de 400 títulos, entre livros e gibis, voltou a virar assunto na cidade depois de decidir doar parte de seu acervo particular para a biblioteca municipal.

Maria Laura Pereira Rached Afonso se diferencia das crianças da mesma idade por preferir as páginas de papel aos smartphones, tablets e outros equipamentos eletrônicos.

Sua atividade favorita é ler, principalmente na cama ou durante passeios com a família.

A garota é um orgulho para a família. Seu hábito de sempre ter por perto um livro já começa a influenciar até mesmo o irmão Pedro, de 4 anos.

Maria Laura Rached ao lado de Daniela Martelini, coordenadora da biblioteca, durante a doação: “Agora podemos atrair mais crianças” — Foto: TV TEM/Reprodução

A menina decidiu decidiu doar mais de 100 livros de sua coleção pessoal para a biblioteca após conhecer a história da moradora que deu nome ao local. Paula Rached era tia-avó da Maria Laura e morreu aos 18 anos, em 1977, após enfrentar uma leucemia.

A própria Maria Laura explica que a decisão é a forma que ela encontrou de homenagear sua tia-avó e também incentivar outras crianças a terem o mesmo gosto pela leitura.

Maria Laura fez questão de levar pessoalmente os livros atér a biblioteca. Durante a doação, a pequena leitora explicou que as histórias contidas nesta centena de títulos já estão bem guardadas em sua memória.

Biblioteca pública de Nova York publica livros nos stories do Instagram

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Biblioteca Pública em Nova York Imagem: Getty Images

Publicado no UOL

A biblioteca pública de Nova York, nos Estados Unidos, está usando a função “Stories” do Instagram para tornar os clássicos da literatura mais atrativos, especialmente, para as novas gerações. A ideia é transformar o aplicativos de fotografias em um leitor de e-books.

Com parceria com a agência de publicidade Mother, a biblioteca criou um serviço chamado “Insta Novels”, disponível desde a última quarta-feira (22) no perfil oficial da NYPL na rede social.

A tecnologia foi lançada com o livro “Alice no País das Maravilhas”, de Lewis Carroll. A obra foi dividida em partes, que são publicadas diariamente pela conta do Instagram da biblioteca. As histórias consistem em uma curta animação, considerada a capa, seguida das páginas do romance.

Nos próximos meses, a Insta Novels adicionará outros dois clássicos: um conto de Charlotte Perkins Gilman, “The Yellow Wallpaper”; e a famosa obra de Franz Kafka, “A Metamorfose”.

Pesquisadores encontram livros envenenados em biblioteca universitária

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Parece O Nome da Rosa, mas não é: livros de biblioteca dinamarquesa possuem arsênio em suas capas (Foto: Flickr/Purple Heather)

 

Jakob Povl Holck e Kaare Lund Rasmussen, na Galileu

Alguns deve se lembrar do livro letal de Aristóteles que tem um papel importante na premissa da obraO Nome da Rosa, de Umberto Eco. Envenenado por um monge beniditino louco, o livro dá início ao caos no monastério italiano do século 14, matando todos os leitores que lambem seus dedos antes de virar as páginas tóxicas. Algo do tipo poderia acontecer na realidade?

Nossa pesquisa indica que sim: descobrimos que três livros raros da coleção da biblioteca da Universidade do Sul da Dinamarca contêm grandes concentrações de arsênico em suas capas. Os livros são de vários assuntos históricos e foram publicados entre os séculos 16 e 17.

As características venenosas dos livros foram detectadas por meio de análises de raios-x fluorescente. Essa tecnologia demonstra o espectro químico de um material ao analisar a radiação “secundária” emitida por ele durante uma grande concentração de energia e é bastante utilizada em campos como os da arqueologia e da arte para investigar os elementos químicos de louças e pinturas, por exemplo.

Um dos livros venenosos (Foto: Universidade do Sul da Dinamarca)

Brilho verde

Levamos esses livros raros para os raios-x porque a biblioteca já tinha descoberto que fragmentos de manuscritos medievais, como cópias da lei romana e da lei canônica, foram utilizados para desenvolver suas capas. É bem documentado que encadernadores dos séculos 16 e 17 costumavam reciclar pergaminhos antigos.

Tentamos identificar os textos usados em latim, ou pelo menos tentar ler parte desses conteúdos. Mas então descobrimos que os textos em latim nas capas dos três volumes eram difíceis de ler por conta de uma camada grossa de tinta verde que escondia as letras antigas. Então os levamos para o laboratório: a ideia era atravessar a camada de tinta usando raios-x fluorescentes e focando nos elementos químicos da tinta que estava por baixo dela, como o ferro e o cálcio, na esperança de que as letras ficassem mais legíveis para os pesquisadores da universidade.

A nossa análise, no entanto, revelou que o pigmento verde da camada era de arsênio. Esse elemento químico está entre as substâncias mais tóxicas do mundo e a exposição a ele pode causar vários sintomas de envenenamento, o desenvolvimento de câncer e até morte.

O arsênio é um metalóide que, na natureza, geralmente é combinado com outros elementos como carbono e hidrogênio. Esse é conhecido como arsênico orgânico. Já o arsênio inorgânico, que pode ocorrer em formas puramente metálicas e em outros compostos, tem variáveis mais perigosas e que não diminuem com o passar do tempo. Dependendo no tipo e duração de exposição, os sintomas do arsênio podem incluir irritação no estômago, no intestino, náusea, diarreia, mudanças na pele e irritação dos pulmões.

Acredita-se que o pigmento verde que contém arsênio seja do tom “verde Paris”, que contém acetoarsênio de cobre. Essa cor também é conhecida como “verde esmeralda” por conta de seus tons verdes deslumbrantes parecidos com o da pedra rara. O pigmento — um pó cristalino — é fácil de fazer e já foi utilizado com vários propósitos, principalmente no século 19. O tamanho dos grãos do pós influenciam o tom das cores, como pode ser visto em tintas a óleo. Grãos maiores produzem um verde mais escuro, enquanto os menores produzem um verde mais claro. O pigmento é conhecido principalmente por sua intensidade de cor e resistência a desaparecer.

Tom conhecido como verde Paris (Foto: Wikimedia/Chris goulet )

Pigmento do passado

A produção industrial do verde Paris começou no início do século 19 na Europa. Pintores impressionistas e pós-impressionistas usavam diferentes versões do pigmento para criar suas vívidas obras de arte. Isso significa que muitas peças de museu hoje contêm o veneno. Em seu auge, todos os tipos de materiais, até capas de livros e roupas, podiam receber uma camada do verde Paris por razões estéticas. O contato contínuo com a substância, é claro, levava a pele dos envolvidos a desenvolver alguns dos sintomas de exposição abordados acima.

Mas na segunda metade do século 19, os efeitos tóxicos da substância eram mais conhecidos, e as variáveis de arsênio pararam de ser utilizadas como pigmentos e passaram a ser usadas mais em pesticidas em plantações. Outros pigmentos foram encontrados para substituir o verde Paris em pinturas e na indústria têxtil. No meio do século 20, o uso da substância em fazendas também foi diminuindo.

No caso dos nossos livros, o pigmento não foi utilizado por motivos estéticos. Uma explicação plausível para a aplicação — possivelmente no século 19 — da substância em livros velhos é para protegê-los de insetos e vermes. Em algumas circunstâncias, compostos de arsênio podem ser transformados em um tipo de gás venenoso com cheio de alho. Há histórias sombrias de papeis de parede vitorianos verdes acabando com a vida de crianças em seus quartos.

Agora, a biblioteca guarda nossos três volumes venenosos em caixas separadas em cabines ventiladas. Também planejamos em digitalizá-los para minimizar o contato físico. Ninguém espera que um livro contenha uma substância venenosa, mas isso pode acontecer.

*Jakob Povl Holck é pesquisador da Universidade do Sul da Dinamarca e Kaare Lund Rasmussen é professor de química e farmacêutica na mesma instituição. O texto original foi publicado em inglês no site The Conversation.

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