Contando e Cantando (Volume 2)

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Dia do Bibliotecário: conheça espaços cariocas dedicados aos livros

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Real Gabinete Português de Leitura Foto: Agência O Globo

Confira uma lista com algumas das principais bibliotecas da cidade, como o Real Gabinete Português de Leitura

Sergio Luiz, em O Globo

No Brasil, desde 1980, o Dia do Bibliotecário é comemorado a cada 12 de março. Para celebrar a data e a profissão, que organiza ideias, pensamentos e informação para o acesso do público, protegendo e disseminando conhecimento, preparamos uma lista com algumas das principais bibliotecas do Rio. Bom passeio e boa leitura!

Biblioteca Parque

Apesar de a estrutura atual ter sido inaugurada em 2014, inspirada no modelo de gestão das bibliotecas públicas de Bogotá e Medelin, a Biblioteca Parque Estadual tem uma história que remonta a 1873, e já foi chamada de Biblioteca Municipal do Rio de Janeiro, Biblioteca Pública do Estado do Rio de Janeiro e Biblioteca Estadual Celso Kelly. A instituição chegou ao atual endereço em 1943, na então nova Av. Presidente Vargas.

Em 1987, após um incêndio três anos antes, um novo prédio foi inaugurado, seguindo as diretrizes de seu idealizador, o antropólogo e ex-vice-governador do Rio Darcy Ribeiro. O edifício de hoje mantém as características imaginadas por ele.

— A ideia era criar uma instituição que fosse ligada a outras iniciativas com o intuito de servir a população e combater a violência. É através da cultura que você cria um cidadão, muda uma cidade — diz Ana Ligia Medeiros, diretora do Centro de Memória e Informação da Fundação Casa de Rui Barbosa, que trabalhou com Darcy Ribeiro na montagem do projeto das bibliotecas estaduais.

Com 15 mil metros quadrados, teatro com 195 lugares, auditório com 75 assentos, salas multiuso, café, pátio e bicicletário, a BPE tem um acervo que conta com 250 mil livros, 20 mil filmes e 2,5 mil livros em braile, além de seu espaço infantil.

— Um equipamento desse equivale a um aparelho de resistência, a um quilombo. É um crime não educar seus cidadãos — afirma a poeta e atriz Elisa Lucinda.

Biblioteca Parque Estadual: Av. Presidente Vargas 1.261, Centro — 3171-7505. Seg a sex, das 10h às 18h. A partir do dia 28 de maio. Grátis. Livre.

Bibliomaison

Situada no 11º andar do Consulado Geral da França, no Centro, a BiblioMaison já vale a visita apenas pela vista deslumbrante que oferece da Baía de Guanabara.

Com seu acervo de 23 mil peças — entre livros (literatura, HQ, arte, ciências sociais, filosofia e infantis), jornais, DVDs e CDs —, a biblioteca, fundada em 1961 e totalmente reformada, apresenta um espaço arejado que traz sofás confortáveis, mesas de estudo, poltronas e salas para os amantes da cultura francesa.

Nos computadores ou tablets disponíveis, o visitante ainda pode acessar serviços como Europresse (revistas e jornais como “Le Monde”, “Libération”, “Lire” e “L’Express”) e Izneo (HQs). O acesso à rede de wi-fi também é gratuito. Quem não fala o idioma de Proust não precisa se preocupar, já que há títulos em português também.

Para completar o passeio, ainda há o CafeMaison, do chef francês David Jobert, além do Teatro Maison de France e o CineMaison, com programação gratuita.

BiblioMaison: Consulado Geral da França. Av. Antonio Carlos 58, 11º andar, Centro — 3974-6669. Seg, qui e sex, das 10h às 19h. Qua, das 10h às 19h. Sáb (1º e 3º de cada mês), das 9h às 13h. Grátis. Livre.

Biblioteca Nacional

Mais antiga instituição cultural brasileira, a Biblioteca Nacional foi fundada em 1810, com um acervo de cerca de 60 mil itens (entre manuscritos, livros, mapas e estampas), que desembarcaram no Brasil com a família real portuguesa dois anos antes.

Prateleiras da Biblioteca Nacional: acervo tem mais de 10 milhões de itens Foto: Bárbara Lopes / Agência O Globo

Responsável pela execução da política governamental de captação, preservação, guarda e difusão da produção intelectual do Brasil, a BN possui um acervo de mais de dez milhões de objetos, sendo a maior biblioteca da América Latina e uma das maiores do mundo, segundo a Unesco.

Mas quem nunca visitou o local não se espante com a ausência de… livros. Apesar de todos os títulos estarem disponíveis para consulta, os muitos andares que guardam o acervo não são acessíveis ao público, que precisa pedir aos bibliotecários as obras desejadas para consultá-las nas salas de estudo e pesquisa, como a de Periódicos e Referência e de Iconografia.

Entre os milhões de itens da BN, destacam-se arquivos como a Bíblia de Mogúncia, de 1462, que pode ser vista em versão digital interativa no hall principal da biblioteca, e uma cópia da primeira edição de “Os Lusíadas”, de Luis de Camões, de 1572.

Além da sede, a Fundação Biblioteca Nacional ainda administra espaços como a Casa de Leitura, em Laranjeiras, o Auditório Machado de Assis, no Centro, a Biblioteca Euclides da Cunha e o Escritório de Direitos Autorais, ambos na Cidade Nova, e acervo de Música e Arquivo Sonoro, no Palácio Capanema.

Biblioteca Nacional. Av. Rio Branco 219, Centro — 2220-3040. Seg a sex, das 9h às 19h. Sáb, das 10h30m às 15h. Grátis. Livre.

Real Gabinete

Desconhecido de muitos cariocas, o Real Gabinete Português de Leitura, fundado em 1837, é uma das bibliotecas mais bonitas do mundo.

O edifício de estilo manuelino apresenta um salão de pesquisa com mesas de madeira bem no centro dos três andares repletos de estantes e prateleiras de livros dedicados à cultura lusófona. O ambiente é tão espetacular que muitos frequentadores costumam dividir suas atenções entre o livro e os detalhes do prédio.

Entre suas obras raras, o Real Gabinete guarda títulos dos primórdios da impressão de livros, como outra edição princeps de “Os Lusíadas”.

Real Gabinete Português de Leitura. Rua Luís de Camões 30, Centro — 2221-3138. Seg a sex, das 9h às 18h. Grátis. Livre.

Casa de Rui Barbosa

Situada num casarão do século XIX no coração de Botafogo, a Casa de Rui Barbosa é uma mescla de museu, arquivo e biblioteca que guarda a mobília e toda a coleção bibliográfica original do político, jurista e advogado brasileiro.

Na casa principal, o visitante pode ver exatamente como Rui Barbosa organizava seus 37 mil livros de diversas línguas — reza a lenda que ele falava 13 idiomas — que podem ser consultados mediante pedido aos bibliotecários.

A sede da fundação ainda oferece um jardim (todos os dias, das 8h às 18h), reformado há pouco para tentar reconfigurar sua estrutura original, a Biblioteca Infantojuvenil Maria Mazzetti (seg a sex, das 9h30m às 12h e das 14h às 17h) e o edifício de administração, pesquisa, armazenamento e restauração de seu amplo arquivo, como os 25 mil títulos do acervo do bibliófilo Plínio Doyle.

Casa de Rui Barbosa. Rua São Clemente 134, Botafogo — 3289-4600. Ter a sex, das 10h às 17h30m. Grátis. Livre.

Biblioteca do CCBB

Fundada em 1931, a Biblioteca do Banco do Brasil passou décadas com um acervo dedicado a obras técnicas. Com a abertura do Centro Cultural Banco do Brasil, em 1989, ela mudou sua linha de atuação e se tornou referência em áreas como artes, literatura e ciências sociais, com cerca de 150 mil exemplares em sua coleção.

Gratuita, assim como todas as exposições do museu, a biblioteca — que traz sala de multimídia, de leitura, três salas para obras gerais, sala de referências com enciclo- pédias e dicionários, sala de literatura infantojuvenil com mais de 4 mil títulos, além de salas com coleções especiais — é bastante concorrida durante a semana, tanto por quem pesquisa em seu arquivo quanto por estudantes que precisam de um lugar agradável, arejado e calmo para estudar.

Centro Cultural Banco do Brasil. Rua Primeiro de Março 66, Centro — 3808-2020. Qua a seg, das 9h às 21h. Grátis. Livre.

Biblioteca do MAR

Caçula do grupo, a Biblioteca do Museu de Arte do Rio foi inaugurada em 2014. Numa pequena porém agradável sala do quarto andar do museu da Praça Mauá, o espaço mostra um acervo focado em artes visuais, história do Rio e cultura afro-brasileira.

Museu de Arte do Rio. Praça Mauá 5, Centro — 3031-2741. Ter a sex, das 10h às 17h. Grátis. Livre.

Você já imaginou poder dormir em uma biblioteca?

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Na Biblioteca de Gladstone , na Inglaterra, isso é possível

Cristina Danuta

 

Se você já se imaginou dormindo rodeado por livros em uma enorme biblioteca, agora você pode realizar o seu sonho. A Biblioteca de Gladstone possui mais de 150 mil livros e tem também uma espécie de hotel, onde se pode ficar hospedado por cerca de 78 Euros por noite.

As paredes dos quartos são revestidas com papel de parede que possuem imagens de livros, para criar todo um ambiente de biblioteca.

 

A Biblioteca de Gladstone é a única na Inglaterra, e provavelmente no mundo, com essas características. Ela tem certificados de excelência no Tripadvisor e há pelo menos três anos seguidos que consegue medalhas como melhor bed & breakfast: 2016, 2017 e 2018.

Os quartos ainda tem vista para a floresta

 

Ela fica localizada em Hawarden, uma pequena localidade do País de Gales. Por cerca de 78€ se pode passar uma noite com direito a café da manhã e ficar rodeado por livros, muitos deles históricos, e num ambiente que parece saído dos livros de Harry Potter. O hóspede ainda tem acesso às salas de leitura até às 22:00 horas, cinco horas após o fechamento da biblioteca e poder levar um livro para seu quarto. Embora o jantar não esteja incluído nos preços, há um restaurante bistrô, Food for Thought , aberto todas as noites das 18h30 às 19h30.

Todos os quartos possuem uma escrivaninha para aqueles que quiserem ler ou estudar. Essa tem cama de casal e fica no último andar, com escrivaninha junto a janela

 

A instituição presta homenagem a William Gladstone, primeiro ministro do Reino Unido no século XIX, um estadista vitoriano muito respeitado na história daquele país. Foi fundada pelo próprio Gladstone e, após sua morte em 1898, tornou-se num memorial nacional à sua vida e obra.

A biblioteca ainda possui um restaurante

 

E aí, partiu Inglaterra?

 

Com informações de NIT

Transformando lixo em livros: Biblioteca com 1,2 mil livros é inaugurada em Jardim Gramacho

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Publicado no Hypeness

O Rio de Janeiro é formado por pequenas ilhas ricas e paradisíacas, tendo as praias e os bairros nobres como cenários, porém quase sempre cercados de sintomas da pobreza, da desigualdade social e do descaso público. E, nem tão longe desse universo paradoxal, existe algo ainda pior. Distante 30 quilômetros das praias da Zona Sul carioca, encontramos o bairro de Jardim Gramacho, no município de Duque de Caxias.

Lá, de 1976 a 2012, funcionou o maior lixão da América Latina, que recebia, na época, cerca de 7 mil toneladas diárias de rejeitos químicos e orgânicos, que acabavam, em sua maioria, nas águas da Baía de Guanabara. Durante os 36 anos de funcionamento, cerca de 1800 catadores trabalharam no local, mas com a confirmação de que o Rio se tornaria sede das Olimpíadas, em junho de 2012 o lixão foi, enfim, desativado.

O que era o princípio de uma boa notícia, tornou-se, no entanto, incerteza e medo para as famílias que moravam em Jardim Gramacho ou nos arredores, e que dependiam do lixo como única fonte de renda. Hoje, passados seis anos de seu fechamento, cerca de 300 catadores trabalham em 18 cooperativas de reciclagem de lixo da região, mas outros 4 mil estão sem ocupação ou mesmo perspectiva, agravando ainda mais a situação de pobreza extrema em que já viviam.

Saem as toneladas de lixo e entram milhares de livros

Em meio à situação de miséria e vulnerabilidade social, uma esperança acaba de surgir em Jardim Gramacho: uma biblioteca comunitária cujo principal objetivo é proporcionar o contato dos catadores de material reciclável, e de toda a comunidade do seu entorno, com a literatura. A iniciativa conhecida como Cantos de Leitura procura, através da educação e da literatura, ajudar a criar novas páginas para a história deste bairro.

“A ideia do projeto é criar espaços agradáveis e lúdicos de socialização em comunidades, utilizando a leitura como atrativo e ponto de encontro”, afirma Kátia Rocha, CEO da Rede Educare. “É claro que um projeto de tal natureza, quando levado a um local extremo e simbólico como Jardim Gramacho, ganha um peso, uma densidade e um sentido ainda mais fortes”, completa.

O Cantos de Leitura localizado no famoso bairro de Duque de Caxias é o quarto inaugurado no Rio de Janeiro, só em 2018, e a décima edição aberta no País pela Rede Educare com o patrocínio da Ball Embalagens para Bebidas América do Sul nos últimos dois anos.

Construída em um espaço de 41 metros quadrados, no mesmo galpão onde também funciona um projeto voltado para orientar jovens grávidas, a biblioteca de Gramacho oferece clássicos como Jorge Amado e Clarice Lispector e até livros mais recentes, como Harry Potter e Percy Jackson. O projeto pensa na leitura como um direito humano essencial, que pode ajudar a ampliar o campo de interesses dos moradores, oferecendo oportunidades para aprimorar o comportamento, o desempenho escolar (ou até mesmo iniciar uma trajetória escolar), além de funcionar como alternativa ao crime e às drogas, por exemplo.

A Ball, a maior fabricante de latas de alumínio do mundo, investiu R$ 400 mil só nas quatro unidades do Rio de Janeiro, por meio da Lei de Incentivo à Cultura, do Ministério da Cultura.

Mas a participação da empresa não se restringiu somente às bibliotecas abertas em Jardim Gramacho, Três Rios, Itaguaí e Nova Iguaçu (RJ). Outras seis foram inauguradas em cooperativas de reciclagem pelo Brasil. São elas: Reciclázaro (SP), Aliança (AM), Cooperfênix (DF), Pró-Recife (PE), Agentes Ecológicos de Canabrava (SAA) e Reciclando Pela Vida (POA).

Livro reúne fotos das bibliotecas mais bonitas do mundo

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Página do livro “The world’s most beautiful libraries” Foto: Reprodução

Obra da editora Taschen traz um endereço brasileiro: o Real Gabinete Português de Leitura, no centro do Rio de Janeiro

Emiliano Urbim, em O Globo

Se não devemos julgar livros pela capa, que tal julgar bibliotecas por suas estantes? Foi o que fez o fotógrafo italiano Massimo Listri no livro “The world’s most beautiful libraries” — em tradução literal, “as bibliotecas mais bonitas do mundo”.

Real Gabinete Português de Leitura, Rio de Janeiro, Brasil Massimo Listri / Divulgação

O novo coffee table book de 550 páginas em edição trilíngue (inglês, alemão e francês) é da editora Taschen, especializada em títulos de arte e fotografia. A peregrinação de Listri incluiu desde bibliotecas medievais até endereços do século XIX, como você vê abaixo.

Biblioteca do Convento de Mafra, Mafra, Portugal Massimo Listri / Divulgação

Ainda sem previsão de lançamento por aqui, a obra inclui um endereço do Brasil — ou melhor, no Brasil. Trata-se de uma atração turística: o Real Gabinete Português de Leitura, inaugurado em 1837 no Centro do Rio e uma pérola do estilo neomanuelino, em voga em Portugal na época.

Biblioteca Statale Oratoriana dei Girolamini, Nápoles, Itália Divulgação

 

Stiftsbibliothek Sankt Gallen, em St. Gallen, Suíça Massimo Listri / Divulgação

Com biblioteca no estilo Harry Potter, Rio de Janeiro continua lendo

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Com mais de 350 mil livros, alguns deles edições raras, atualmente a biblioteca é mais uma atração turística e cenário para selfies – AFP/Arquivos

Publicado na IstoÉ

Do lado de fora parece apenas mais um edifício histórico no centro do Rio de Janeiro, mas por dentro é uma biblioteca com vários andares que se assemelha ao cenário de um filme de fantasia e que continua encantando visitantes depois de mais de um século de fundação.

“Em ‘Harry Potter’ vimos bibliotecas como esta!”, exclama Didier Margouet, um turista francês de 57 anos, enquanto percorre as estantes cheias de livros de couro que ocupam as altas paredes do Real Gabinete Português de Leitura.

“Sim, é como no cinema”, complementa sua namorada, Laeticia Rau, enquanto os dois observam a claraboia octogonal composta por vitral em vermelho, azul e branco.

O espaço foi construído no final do século XIX sob a administração de uma associação de imigrantes portugueses que ainda cuida da instituição.

Sua arquitetura gótica e renascentista, assim como sua infinidade de mosaicos e esculturas, celebram as glórias das aventuras marítimas dos portugueses nos séculos XV e XVI.

Com mais de 350 mil livros, alguns deles edições raras, atualmente a biblioteca é mais uma atração turística e cenário para selfies do que uma sala de leitura, embora para alguns permaneça sendo um refúgio indispensável para a maior coleção de livros de língua portuguesa fora de Portugal.

– Leitor fiel –

Carlos Francisco Moura, de 86 anos, é um desses leitores fiéis.

Moura chegou ao Brasil proveniente de Portugal com seus pais e se tornou um visitante assíduo da biblioteca desde criança.

Agora, como um arquiteto aposentado, passa seu tempo folheando os volumes e copiando informações para seus próprios livros, que versam sobre a história de Portugal.

“É a alma mater dos portugueses no Brasil. O Gabinete é tudo isso e mais alguma coisa”, conta Moura à AFP, ocupando uma das mesas de madeira escura.

A biblioteca é um recurso valioso – continua – porque desde a década de 1930 se tornou um repositório de cada livro publicado em Portugal.

A conexão histórica do Brasil com a sua antiga potência colonial é profunda. Em 1808, o rei de Portugal e o seu governo declararam o Rio de Janeiro a capital do império português.

Depois, o filho do rei declarou a independência e se converteu no imperador do Brasil. O português se manteve como o principal idioma do país e, com ele, uma cultura literária bidirecional entre ambas as nações. Atualmente, as duas bandeiras, de Portugal e Brasil, estão hasteadas do lado de fora da biblioteca.

– O encarregado –

Orlando Inácio, de 67 anos, administra o lugar. Também veio de Portugal quando criança, para nunca mais voltar.

“É um orgulho saber que essa biblioteca criada pelos portugueses é uma das mais bonitas do mundo”, declara.

Seguindo a sua história, Inácio rastreou as raízes da biblioteca até uma associação de imigrantes portugueses que nasceu em 1837.

“O objetivo era ajudar os emigrantes que eram, em geral, pessoas com pouca instrução a melhorar os conhecimentos, a melhorar sua instrução mesmo”, explicou.

A associação continua sustentando a biblioteca: seus membros pagam uma mensalidade que cobre parte dos gastos gerais. A renda restante vem de outros edifícios que são propriedade da associação e estão alugados.

Inácio reconhece que com as mudanças trazidas pela Internet, a quantidade de pesquisadores e de “ratos de biblioteca” que costumam frequentar o local diminuiu, restando apenas os que precisam consultar livros raros que só estão disponíveis em sua versão física.

Apesar disso, é evidente o quanto aprecia seu trabalho diário. Afinal, ele é o encarregado de um templo literário cheio de história que conecta, além disso, Brasil e Portugal em um laço linguístico.

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