Canal Pavablog no Youtube

Posts tagged novo livro

Flip 2019: Conheça as cinco principais atrações da Festa Literária Internacional de Paraty

0

Com homenagem a Euclides da Cunha, edição quer promover debates políticos. Mulheres são maioria entre convidados.

Publicado no G1

A 17ª Festa Literária Internacional de Paraty (Flip) reunirá 41 autores, músicos, atores e artistas entre 10 e 14 de julho em Paraty. Pela primeira vez, a festa literária terá mesas mais curtinhas, de 45 minutos, intercalando com as tradicionais de 1h15. Também terá uma competição de poesia falada com poetas internacionais, o Flip Slam.

Seguindo a tendência iniciada em 2016 de incluir mais convidadas na programação, a Flip deste ano tem maioria de mulheres: são 22, ou 53,6%. Ela também é, sobretudo, brasileira: São 22 convidados nacionais, 12 de países de língua não inglesa e 7 de países inglesa.

Com homenagem a Euclides da Cunha, a edição quer promover debates que o escritor levantou ao longo de seu trabalho e o tom político será forte durante os cinco dias de debates e apresentações.

O G1 selecionou os cinco temas que certamente vão dominar as discussões ao longo de todo o evento. Veja no vídeo acima.

Veja, abaixo, os 5 temas imperdíveis da Flip 2019:

O escritor angolano Kalaf Epalanga, integrante da banda de kuduro Buraka Som Sistema que vem para a Flip 2019 — Foto: David Pattinson/Divulgação

1. Política e temas atuais

Os debates que extrapolam a literatura e abordam questões atuais, como política, racismo, crise migratória, questão indígena são tradição da Flip. Nesta edição de 2019, o cardápio está vasto.

É o caso do debate que junta o escritor e músico angolano Kalaf Epalanga e o rapper e romancista franco-ruandês Gael Gaye. Um dos temas deve ser a vida dos negros na Europa. Kalaf Epalanga, que é conhecido como poeta-cantor, é autor de “Também os brancos sabem dançar”, que tem forte inspiração autobiográfica e narra a história de um músico e escritor angolano que vai tocar na Europa.

Já o Gael Gaye é autor de “Meu pequeno país”, que fala da guerra e do genocídio em Ruanda do ponto de vista de uma criança.

A questão racial deve pautar também a participação da escritora, psicóloga e artista portuguesa Grada Kilomba. Ela é autora de “memórias da plantação: episódios do racismo cotidiano”. Grada está escalada para um dos horários nobres do evento, sexta-feira à noite e sozinha no palco. e isso deve render, porque a Grada usa livros, faz performance, leitura, filme, instalação.

Outro tema atual, a questão indígena, deve ser assunto em ao menos dois momentos da Flip 2019. Um deles é na mesa da antropóloga brasileira Aparecida Villaça, que é autora de “Paletó e eu”. O livro é um relato pessoal sobre a vida dela ao lado do paletó do título, que é considerado “o pai indígena” dela. Outro é no debate que tem o escritor e líder indígena Ailton Krenak. Ele vai estar num encontro com o diretor de teatro José Celso Martinez Corrêa.

A escritora americana Kristen Roupenian, autora de ‘Cat person’, primeiro nome confirmado para a 17ª Festa Literária Internacional de Paraty — Foto: Elisa Roupenian Toha/Divulgação

2. As mulheres e suas angústias

Um dos destaques é a americana Kristen Roupenian, de 36 anos. Ela escreveu o conto “Cat person”, que viralizou em 2017 com a história de um encontro ruim e gerou debates sobre consentimento em relações casuais. Kristen reuniu outros 11 contos que também discutem essas ideias de amor, desejo, poder e consentimento e publicou seu livro de estreia, uma coletânea que no Brasil chama “Cat person e outros contos”. Com histórias leves e contemporâneas, ela é a representante millennial da Flip e tem tudo pra atrair um público jovem e arejado para o evento.

Ela vai dividir mesa com a canadense Sheila Heti, eleita pelo “New York Times” como uma das quinze autoras internacionais que estão “moldando a maneira como lemos e escrevemos ficção no século 21. Sheila vem promover seu novo livro, “Maternidade”, que fala com muito humor e franqueza sobre a decisão de não ser mamãe. Além da obra, ela tem outros sete livros de ficção e não ficção. O encontro entre as duas promete render porque vai questionar como as mulheres têm sido representadas nos livros.

E pra fechar o time das gringas tem a Nigeriana Ayobami Adebayo autora de “Fique comigo”. O romance toca em todas essas feridas que a gente precisa tratar hoje como o patriarcado e o papel da mulher em sociedades conservadoras. Este livro foi eleito um dos melhores de 2018 por várias listas, do “New York Times”, do Guardian. E vale citar que a Adebayo não anda sozinha, ela teve ótimas companhias nessa jornada, foi aluna da Margaret Atwood, autora de O Conto da Aia, e colega de turma da Chimamanda. Então é um nome que vale ficar de olho.

Por fim, tem a cearense Jarid Arraes que também fala sobre o sertão, mas com uma perspectiva de raça e gênero. Um de seus livros mais importantes, “Heroínas negras brasileiras em 15 cordéis”, resgata a história de mulheres negras que foram apagadas da história. Jarid Arraes é cordelista, poeta e acaba de lançar um livro de contos, “Redemoinho em dia quente”.

 

3. Destaques internacionais

Dos autores internacionais convidados para a Flip que podem sair como grandes nomes desta edição, podemos destacar alguns aqui.

A primeira é Ayelet Gundar-Goshen, que é considerada uma revelação da literatura de Israel. Ayelet, que além de escritora é roteirista e psicóloga, não é muito conhecida do Brasil. Tem aqui este livro dela que saiu há pouco tempo, “Uma noite, Markovitch”.

O livro é inspirado em uma história real, fala de rapazes que vão da Palestina para a Europa, que estava sob domínio nazista, para participar de casamentos fictícios, arranjados, e assim resgatar mulheres judiais.

Na Flip, Ayelet vai participar de um debate com a escritora Ayobami Adebayo, também um dos destaques da programação. É pra prestar atenção.

Mas o segundo destaque internacional que vale citar aqui é o jornalista americano David Wallace-Wells. Um dos principais trabalhos dele é um livro excelente sobre mudança climática chamado “Planeta inabitável”, que está saindo no Brasil. O livro, que é um best-seller do “New York Times“, é resultado de uma grande reportagem feita pelo Wallace-Wells em 2017 sobre aquecimento global.

O texto é excelente, é bom a ponto de interessar até a quem não se liga muito em ciência e assuntos do tipo.

Na Flip, ele vai ocupar um dos horários nobres da festa, a mesa dele é no sábado à noite. Um debate com a jornalista brasileira Cristina Serra, autora do livro “Tragédia em Mariana: a história do maior desastre ambiental do Brasil”.

Pra fechar, deve fazer sucesso a participação da jornalista e escritora venezuelana Karina Sainz Borgo, autora de “Noite em caracas”, que é o livro de estreia dela na ficção e deve render muitos debates lá em Paraty.

Adriana Calcanhotto — Foto: Murilo Alvesso / Divulgação

4. Destaques brasileiros

A feira se chama Flip, mas não tem só literatura. E aí que os brasileiros se destacam nesta edição.

O ensaísta José Miguel Wisnik terá uma mesa dedicada à atividade das mineradoras. Seu livro mais recente, “Maquinação do mundo: Drummond e a mineração” explora a relação entre a obra do poeta mineiro e a mineração e vai passar obviamente pelos últimos desastres ambientais envolvendo a atividade no estado de Drummond: as tragédias de Mariana e Brumadinho.

Adriana Calcanhotto também escreve e estará na feira. Seu livro de 2008, “Saga Lusa”, foi escrito depois de um surto psicótico causado pelo uso de remédios para gripe. Calcanhotto é embaixadora e professora convidada da Universidade de Coimbra, em Portugal, e sua mesa no evento vai falar da mistura boa entre literatura, música e arquitetura.

José Celso Martinez Corrêa adaptou e dirigiu por quatro anos, no Teatro Oficina, um espetáculo baseado em “Os Sertões”. Ele mesmo atuou na peça como Antônio Conselheiro e incorporou jovens e adolescentes do bairro do Bexiga no elenco. Na Flip, ele divide mesa com o porta-voz indígena Ailton Krenak para discutirem sobre valorização das diferentes culturas brasileiras.

O escritor Euclides da Cunha — Foto: Reprodução

5. Euclides da Cunha, o homenageado

O primeiro destaque é Euclides da Cunha, o grande homenageado da Flip 2019. Ele é autor do clássico “Os sertões”. O livro foi lançado em 1902 e é uma obra de não ficção. Ele é resultado da cobertura do Euclides da famosa revolta de Canudos, que aconteceu no interior da Bahia no final do século 19. O escritor foi enviado ao local como repórter pelo jornal “O Estado de São Paulo”. Lá, ele registrou o conflito entre o exército brasileiro e o movimento liderado pelo Antônio Conselheiro.

Como acontece em todas as edições, o homenageado permeia diversos momentos da programação da Flip. Então, haverá, sim, muitas discussões sobre o Euclides da Cunha, e não só sobre o aspecto literário.

A curadora da Flip, Fernanda Diamant, quando anunciou o nome do Euclides da Cunha como homenageado, citou que “Os sertões”, que ela chama de “um dos primeiros clássicos brasileiros de não ficção”, mistura jornalismo, geografia, filosofia, teorias sociais e científicas – muitas delas ultrapassadas, segundo a curadora – para falar de um país em transição.

5 motivos para você ler o livro sobre o universo de ‘Stranger Things’

0

Fernando Gomes, no M de Mulher

A terceira temporada de ‘Stranger Things‘ está prestes a ser lançada pela Netflix e os fãs estão doidos para ver esses novos episódios. Conforme mostra o mais recente trailer, a trupe de Hawkins presenciará grandes mudanças em suas vidas – e conhecerá novos inimigos também.

E essa não é a única novidade acerca da série. ‘Stranger Things: Raízes do Mal‘ é o novo livro sobre o universo da trama – e conta detalhes interessantes do passado de Terry Ives, a mãe da Eleven.

Escrito por Gwenda Bond, a história gira em torno de Terry e seu envolvimento com os experimentos mirabolantes de Dr. Martin Brenner, responsável posteriormente pelos testes em Eleven. Entre diálogos e acontecimentos envolvendo os personagens, a obra consegue explorar o terror do Laboratório de Hawkins e sustenta-se como um spin-off de boa qualidade da série.

A gente já devorou o livro e listamos aqui cinco razões para apostar nessa leitura.

1- A narrativa é envolvente

Assim como na série, o leitor é completamente abraçado pela narrativa da obra. Entre diálogos e passagens de tempo, ‘Raízes do Mal’ tem o dom de prender o leitor em uma história que entretém e surpreende em diversos momentos.

O envolvimento da protagonista com os assuntos confidenciais e muitos suspeitos do governo ligados ao Laboratório de Hawkins criam uma teia de aranha instigante. A leitura é leve e divertida. Você se importa com as personagens e se vê ali, sentindo com elas as mesmas aflições contadas.

E é importante o leitor se sentir confortável com a história, principalmente se ele nunca tiver assistido à produção antes. Aqui, os leigos de ‘Stranger Things’ serão igualmente muito bem acolhidos.

2- Você entende basicamente toda a motivação da série

Agora, se você é fã, com certeza o livro irá te agregar muito. Por ser uma história antes dos eventos da série, a gente pensa que não haverá nenhuma conexão com ela – isso, claro, além do fato de que a mãe de Eleven é o centro das atenções neste contexto. Mas existem ganchos bem pertinentes aos mistérios de Hawkins retratados na série.

Assim que Terry começa a adentrar no mundo sombrio de Brenner, tomamos conhecimento sobre todo o projeto por trás da criação de Eleven. Isto é, as motivações, a organização e o poder de chefia dos líderes. Parte disso é introduzida na primeira temporada da série, mas aqui temos uma visão mais panorâmica do que realmente levou ao treinamento de crianças superdotadas como armas de guerra.

3- Conhecemos o primeiro time de voluntários de Hawkins

Além de Terry, outros personagens integram o primeiro time de voluntários dos experimentos super secretos. Alice, Ken e Glória rapidamente dominam as páginas com suas vivências, opiniões e desventuras durante o processo de Brenner.

Em linhas gerais, esta é a trupe original de Hawkins, equivalente ao grupo de Eleven no momento atual da série. Esse olhar sobre a primeira leva de pessoas é importante porque detalha alguns procedimentos realizados no Laboratório que não são muito aprofundados na produção em si.

Até mesmo reconhecemos alguns métodos reproduzidos em Eleven que foram originados lá atrás, quando esses personagens se propuseram a desvendar o porquê de tudo aquilo estar acontecendo.

4- A obra assinala a questão dos monstros da série

O mais próximo do que veio a ser chamado de Demogorgon na série teve sua primeira aparição durante os experimentos com o grupo de Terry. Uma das personagens começa a descrever visões de criaturas com “cabeça de flor” medonhas, o que significa muita coisa para a narrativa da história.

Um outro ponto positivo para a sua leitura é que você entenderá melhor como eles surgiram para as cobaias e qual é a mecânica por trás dessas visões.

5- Uma personagem da série tem um melhor aproveitamento no livro

No 7º episódio da segunda temporada da série, “A Irmã Perdida“, descobrimos pela primeira vez que existia uma garota parecida com Eleven, uma outra menina com poderes que cresceu sob os efeitos dos experimentos de Brenner. No livro, essa mesma personagens reaparece, ou melhor, aparece pela primeira vez.

Kali – batizada como Eight – foi uma das garotas que vivenciaram as mesmas bizarrices que Eleven. E isso desde pequena. Na época que em Terry entrou para os estudos de Hawkins, Eight era controlada por Brenner para que fizesse exatamente aquilo que ele havia planejado: ser uma evolução da raça humana e usar seus poderes em benefício do governo.

Felizmente, a forma como esta figura é apresentada é muito eficiente, ao contrário do que foi feito na série. Conhecemos como tudo começou com ela e temos uma visão mais aprofundada do que sabemos dela a partir daquele episódio da produção.

Uma bela dica é reassistir ao episódio após ler ‘Raízes do Mal’, pois tudo fica mais claro e a confusão causada pelos roteiristas da série é, portanto, desfeita.

De fato, este livro acrescenta não só ao entretenimento e prazer da leitura, mas também aos acontecimentos que série – que, às vezes indiretamente, estão interligados. Se você estava procurando um título para ler, agora você já sabe em qual deve apostar.

George R. R. Martin diz que deve terminar novo livro até o meio de 2020

0

George R. R. Martin, criador de Games of Thrones (Rich Polk / Stringer/Getty Images)

A série da HBO Game Of Thrones foi adaptada a partir dos livros que antecederam “Os Ventos do Inverno”, aguardado desde 2011

Victor Sena, na Exame

A espera parece estar chegando ao fim. George R. R. Martin revelou que pretende terminar o sexto livro da série “As Crônicas de Gelo e Fogo” até o começo de 2020, antes de uma viagem que fará à Nova Zelândia. Os livros deram origem ao fenômeno da TV Game Of Thrones.

Intitulado de “Os Ventos do Inverno”, o livro é aguardado pelos fãs desde 2011, ano em que Martin lançou o volume anterior, “A Dança dos Dragões”.

George disse em um post no seu blog nesta quarta-feira (21) que pretende chegar à Nova Zelândia com o próximo livro “em mãos”. O autor deve ir ao país para participar da World Science Fiction Convention (Convenção Mundial de Ficção Científica, em tradução livre), que acontecerá entre 29 de julho e 2 de agosto de 2020. Martin foi convidado para ser uma espécie de mestre de cerimônias.

“Se eu não tiver ‘Os Ventos do Inverno’ em mãos quando eu chegar na Nova Zelândia para a convenção, vocês têm aqui a minha permissão formal para me aprisionar em uma pequena cela, sobre aquele lago de ácido sulfúrico, até eu terminar. Contanto que os vapores acre não atrapalhem meu velho processador de texto DOS, eu ficarei bem.”

Com o fim de Game Of Thrones, os fãs voltaram-se mais uma vez para a perspectiva de lançamento de “Os Ventos do Inverno”. George R. R. Martin é conhecido por escrever devagar, tanto é que a série da HBO ultrapassou os livros nas últimas temporadas, criando, então, um enredo inspirado em algumas orientações de Martin e nas ideias dos produtores David Benioff e D.B Weiss.

O autor já havia comentado que o fim dos livros será parecido e diferente, ao mesmo tempo, do que foi mostrado em Game Of Thrones.

“Como tudo vai acabar? Ouço as pessoas perguntando. O mesmo fim que a série? Diferente? Bem… Sim. E não. E sim. E não. E sim. E não. E sim”, escreveu, causando certo mistério.

Após “Os Ventos do Inverno”, George R. R. Martin pretende lançar o último livro da série, com o nome de “Um Sonho de Primavera”.

Em novo livro, Stephen Hawking dá breves respostas a grandes perguntas

0

Foto: Flickr/Charis Tsevis)

 

Publicado na Galileu

Deus existe? O que há dentro de um bruaco negro? É possível viajar no tempo? Essas são algumas das perguntas mais feitas à Stephen Hawking ao longo dos anos em que o físico se dedicou à ciência. E como bom divulgador da mesma, ele tentou responder a cada uma delas em um livro que, infelizmente, não conseguiu finalizar antes de sua morte, no dia 14 de março de 2018, aos 76 anos.

Seu filhos e colegas acadêmicos, por outro lado, conheciam bem o cosmólogo e sabiam que ele se alegraria com a publicação de Brief Answers to the Big Questions — o que aconteceu na terça-feira, 16 de outubro. Com a ajuda da família e dos amigos de Hawking, a obra foi finalizada com as memórias do autor e lançada pela editora norte-americana Bantam Books.

Confira abaixo algumas perguntas respondidas no livro e um breve resumo das visões de Hawking sobre elas:

Edição norte-americana de Brief Answers to the Big Questions (Foto: Bantam Books)

Deus existe?
O físico diz que a explicação mais simples é a de que Deus não existe e que não há evidências confiáveis de que haja vida após a morte mesmo que as pessoas possam viver através da sua influência e dos genes.

Como tudo começou? Há outros tipos de vida inteligente no universo?

Apesar de serem completamente diferentes, Stephen Hawking tem uma previsão semelhante para ambas questões. Segundo o físico, teremos a resposta para elas nos próximos 50 anos.

Nós sobreviveremos na Terra?

Para Hawking, a raça humana terá que melhorar suas qualidades mentais e físicas, mas a criação de super humanos geneticamente modificados — com uma memória melhor e mais resistentes a doenças — seria capaz de pôr em risco a vida dos outros.

Além disso, o cientista acreditava que, quando nos dermos conta do perigo representado pelas mudanças climáticas, já será tarde mais.

Edição britânica de Brief Answers to the Big Questions (Foto: John Murray)

Deveríamos colonizar o espaço?

Em novembro de 2016, o físico já havia afirmado que deveríamos deixar o planeta nos próximos mil anos. No início de 2017, ele tirou 900 anos do nosso prazo e disse que estava convencido de que isso deve acontecer dentro do próximo século.

Em seu novo livro, Hawking reafirma que não há outra opção senão deixar o planeta, arriscando a “aniquilação” da humanidade se isso não ocorrer.

A inteligência artificial irá nos ultrapassar?

Hawking acredita que sim, a inteligência das máquinas ultrapassará a nossa no próximo século e pode substituir a humanidade. Por isso, “precisaremos nos assegurar de que os computadores têm objetivos alinhados aos nossos’, escreve o cosmólogo na nova obra.

Como nós moldamos o futuro?

Segundo sua filha, a jornalista e escritora Lucy Hawking, uma das maiores preocupações de Stephen era a de que, “em uma época em que os desafios são globais, estamos nos tornando cada vez mais locais na nossa forma de pensar.”

Entre outras questões, em Brief Answers to the Big Questions Hawking também tenta responder o que há dentro de um buraco negro, se podemos prever o futuro ou se viagens no tempo são possíveis.

Livro inédito de J.R.R. Tolkien inicia projeto de sua nova editora no Brasil

0

‘A Queda de Gondolin’, organizado e editado pelo filho Christopher Tolkien, tem lançamento simultâneo nos EUA, Reino Unido e Alemanha, e no Brasil, em português, pela HarperCollins Brasil

Guilherme Sobota, no TERRA

Uma nova geração de edições e livros de J.R.R. Tolkien (1892-1973) começa a chegar nesta quinta-feira, 30, às livrarias brasileiras: A Queda de Gondolin, livro inédito do autor, organizado e editado pelo filho Christopher Tolkien, é lançado hoje simultaneamente no Brasil, EUA, Reino Unido e Alemanha – uma iniciativa também inédita alcançada pela nova editora de Tolkien no País, a HarperCollins Brasil.

Nove cidades brasileiras recebem eventos para celebrar o lançamento daquele que provavelmente é o último livro inédito com escritos de Tolkien (Christopher, o responsável pela obra do pai, está com 93 anos e afirma no prefácio que esse é seu último trabalho). Em São Paulo, o evento está marcado para as 20h na Saraiva do Shopping Pátio Paulista (Rua Treze de Maio, 1.947), em parceria com os fãs-clubes Tolkien Talk e O Bolseiro. Haverá concurso de cosplay, leituras do livro e debates sobre a história da obra.

O livro marca também o primeiro trabalho assinado por Tolkien no novo projeto da HarperCollins Brasil para a obra do autor de O Senhor dos Anéis: dois livros biográficos já estão nas livrarias (inclusive a biografia de Humphrey Carpenter, considerada a história mais completa da vida do escritor), mas a proposta da editora é lançar tudo que leva o nome dele na capa. Ainda em 2018, sai Beren e Lúthien (inédito no Brasil); no primeiro de semestre de 2019 estão programados O Silmarillion, Contos Inacabados e As Cartas de J.R.R. Tolkien; e no segundo, O Hobbit e O Senhor dos Anéis – todos com novas traduções.

Para a empreitada, a editora organizou um conselho de tradutores, num trabalho parecido com o aplicado à Bíblia. O conselho é formado pelos pesquisadores Ronald Kyrmse e Reinaldo José Lopes, pelo tradutor Gabriel Brum e pelo gerente editorial da HarperCollins Brasil, Samuel Coto, o responsável pelas obras de Tolkien na casa.

Para o editor, a ideia é levar a literatura de Tolkien a outros alcances, e não deixá-la restrita aos fãs de literatura fantástica. “Tolkien pavimentou o caminho para o que chamamos de literatura fantástica, mas mais do que isso ele queria criar uma mitologia para a Inglaterra, dar uma raiz literária para o seu país”, explica. “Nosso plano não é esquecer o que já foi feito no Brasil, mas repensar o projeto. Tem um trabalho de reposicionamento. Temos usado como analogia as portas dentro de uma casa: oTolkien tem uma complexidade e uma profundidade muito grandes, e algumas portas de acesso a essas profundezas. A única porta que sentimos que está escancarada no Brasil é a porta do universo geek. Mas há outras portas importantes: de literatura infantojuvenil, que tem aplicação na formação educacional, mas também de pesquisas acadêmicas, a porta religiosa e teológica, a linguística, até a botânica.”

O tradutor de A Queda de Gondolin é Reinaldo José Lopes, jornalista, mestre e doutor pela USP em tradução e Tolkien. Para ele, o grau de trabalho formal que Tolkien aplicou em suas obras é comparável ao de grandes escritores contemporâneos seus, como James Joyce e Guimarães Rosa. “Embora a abordagem seja diferente desses autores modernistas, não dá para subestimar o trabalho formal. Além disso, na temática, Tolkien também traz questões muito profundas e importantes para o momento atual, como por exemplo a questão ambiental, da ação do homem sobre a natureza, e principalmente a questão do poder de maneira geral”, explica.

“A mensagem é: em quem você pode confiar ao jogar o poder na mão de alguém? A resposta é: ninguém. Existe ali também um aspecto teológico, da decadência do homem em relação a Deus. Esse ceticismo saudável em relação a qualquer forma de poder é importante”, conclui.

O novo livro é um material inédito editado por Christopher Tolkien, e é um dos “três grandes contos” referentes à Primeira Era da mitologia deTolkien – o que seria a Antiguidade para os personagens de O Senhor dos Anéis, da Terceira Era.

Uma parte do material já era conhecida dos fãs, mas o novo livro traz um nível de detalhamento inédito sobre a história da cidade élfica construída para ficar escondida do vilão Melkor – que em última instância a descobre e a leva à queda.

“O livro traz elementos de várias fases da carreira literária de Tolkien, desde os anos 1910 até os 1950, é um corte transversal no qual o leitor vai conseguir ter uma visão de conjunto da mitologia que o autor construiu”, explica Lopes. “Nessa versão original do texto, dragões e monstros têm um aspecto quase robótico. O pessoal costuma fazer relação entre isso e a participação do Tolkien na 1.ª Guerra, quando ele testemunhou a ação de aviões e tanques”, explica.

Go to Top