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Em sebos on-line, a oportunidade de economizar e encontrar livros raros

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Jornalista passou a comprar livros usados pelos filhos na escola em sebos virtuais (Foto: Fernanda Luz)

Jornalista passou a comprar livros usados pelos filhos na escola em sebos virtuais (Foto: Fernanda Luz)

 

Um dos sites mais antigos do País, o Estante Virtual, já vendeu mais de 16 milhões de títulos em 12 anos

Carolina Iglesias em A Tribuna

Com uma diversidade de livros cada vez maior, os sebos virtuais têm caído no gosto dos consumidores. E engana-se quem pensa que o grande atrativo destes ambientes são só os preços mais baixos. Nos sites de livros de segunda mão, é possível encontrar exemplares que já sumiram dos catálogos de grandes editoras ou livrarias, além de uma infinidade de obras que nem chegaram a ser lançadas no Brasil.

Há cerca de três anos, a jornalista Alcione Herzog trocou as livrarias convencionais pelos sebos on-line. Ela conta que a primeira compra ocorreu após uma indicação. De lá para cá, mais de 50 títulos já foram adquiridos, muitos deles para os filhos, de 12 e 15 anos. O custo de um livro, segundo ela, dependendo da procura, pode chegar a até 50% do valor de uma livraria. “Quando são livros mais raros, economiza-se um pouco menos, mas mesmo assim ainda é mais barato”.

Com o passar do tempo, ao perceber que os livros adquiridos em sebos on-line sempre eram entregues em sua residência, em bom estado, passou também a comprar algumas obras de interesse para ela e para o marido. “Nunca tive problemas. Só uma vez que encomendei, paguei, mas o sebo não tinha mais o exemplar em estoque. Mas, restituíram o dinheiro. É bem organizado”, comenta a jornalista, que afirma que a cultura do reuso também caiu no gosto de outras mães.

“Na escola onde os meus filhos estudam tem um clube de livros, onde as mães trocam. Deixam lá o que eles usaram no ano letivo que se encerra e pegam outros deixados por outras mães. Eu mesma também já me beneficiei desse clube”.

Raridades

Para o jornalista e escritor Flávio Viegas Amoreira, a vantagem da compra em sebos on-line vai muito além da economia. É possível, muitas vezes, encontrar raridades não só para consumo próprio, mas também para presentear amigos que são literários.

Flávio acredita que comprar livros em sebos on-line vai além de economia (Foto: Alberto Marques/AT)

Flávio acredita que comprar livros em sebos on-line vai além de economia (Foto: Alberto Marques/AT)

“Eu já tinha o hábito de comprar livros em sebos físicos, em São Paulo e no Rio de Janeiro. Só transferi essa prática para o ambiente virtual”, conta o jornalista, que há pelo menos 10 anos compra livros de segunda mão pela internet. “Em livrarias comuns, alguns títulos são impossíveis de serem encontrados. Além das obras que adquiri para mim, alguns exemplares utilizo nas oficinas de literatura que aplico e, já encontrei, nestes sites de livros usados, muitas biografias famosas, além de livros de poetas esgotados e de autores esquecidos”.

Garimpar títulos antigos em sites de sebos on-line também passou a ser um hábito na vida da médica veterinária Kathia Brienza, que hoje já coleciona cerca de 50 livros de segunda mão. Amante da literatura, ela conta que muitos dos exemplares adquiridos nesses sites são raridade, ou nunca chegaram a ser vendidos no País.

Kathia coleciona cerca de 50 livros de segunda mão (Foto: Irandy Ribas/AT)

Kathia coleciona cerca de 50 livros de segunda mão (Foto: Irandy Ribas/AT)

“Eu sempre tive o hábito de comprar livros pela internet, mas títulos mais antigos acabam sendo difíceis de encontrar numa livraria convencional. Foi por isso que comecei a vasculhar estes sites, que reúnem muitas obras fora de catálogo. Além das opções mais em conta, encontro muitas obras que nem foram publicadas no País”, conta a veterinária, que só este ano já comprou 13 livros em sebos virtuais.

Onde encontrar:

Estante Virtual – www.estantevirtual.com.br

O site, um dos mais antigos em funcionamento no País, disponibiliza em seu acervo cerca de 16 milhões de livros, entre usados, novos e seminovos. Na página, em média, as obras são vendidas a preços até 52% mais baixos do que nas livrarias. Para comprar, é só digitar na guia de busca o nome ou autor da edição desejada e efetuar a compra.

Livronauta – www.livronauta.com.br

No ar desde 2010, reúne, em média, mais de 400 sebos e 4 milhões de livros.

Portal dos Livreiros – www.portaldoslivreiros.com.br

O site, que promete preços mais baratos, justamente por cobrar uma fatia menor das transações efetuadas, tem vendedores de todo o Brasil.

Sebos Online – www.sebosonline.com

No portal, uma das singularidades é que além da venda de livros é possível encontrar vinis, DVDs, VHS e CDs.

Aprovada em mestrado na Suíça, tataraneta de escrava ressalta luta por educação: ‘Mérito dos meus antepassados’

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Mariana foi aprovada para mestrado na Suíça (Foto: Arquivo pessoal)

Mariana foi aprovada para mestrado na Suíça (Foto: Arquivo pessoal)

Tataravó de Mariana, de Campinas, foi escravizada até os 29 anos, e dedicou o restante da vida para que as futuras gerações tivessem acesso ao ensino.

Murilo Gomes, G1

A história da família da jornalista Mariana Alves Tavares, de Campinas (SP), pode se resumir à palavra educação. Filha de um vendedor e uma recepcionista, neta de professor, bisneta de funcionária pública e tataraneta de escrava, a jovem, de 24 anos, foi aprovada para o mestrado em antropologia e sociologia do desenvolvimento em universidade de Genebra, na Suíça, e será a primeira geração a sair do Brasil para estudar e contar a história da família.

“Eu considero que os méritos do que eu estou tendo hoje são mais méritos dos meus antepassados do que meus. Eles lutaram para transpor as barreiras históricas raciais e sociais para que eu tivesse a oportunidade que eu tenho hoje”, diz Mariana.

A jovem trabalhou na Organização das Nações Unidas (ONU), em Brasília (DF), e já esteve em Genebra para dividir experiências com afrodescendentes de diferentes países. Com toda a bagagem e o que ainda está por vir, Mariana diz que a intenção é olhar para o Brasil de forma a entender por que questões raciais ainda interferem na evolução do país.

“Não dá para desenvolver um país desenvolvendo uma parcela pequena da sociedade, quando a maioria populacional é considerada minoria em acesso aos direitos”, afirma.

Sua tataravó, Sebastiana Sylvestre Correa, nasceu em 1859, em Minas Gerais. Ela foi escravizada até os 29 anos, quando a Lei Áurea a alforriou em 1888. Mãe de oito filhos, Sebastiana nunca aprendeu a ler ou escrever, mas lutou para que suas futuras gerações tivessem acesso à educação.

“A minha bisavó e as irmãs dela ganharam bolsas de estudos e conseguiram estudar. Ela [tataravó] tem um nome, um sobrenome. Ela foi muito mais do que isso, não apenas uma ex-escrava”, exalta Mariana.

Sebastiana Sylvestre Correa, tataravó de Mariana (Foto: Arquivo pessoal)

Sebastiana Sylvestre Correa, tataravó de Mariana (Foto: Arquivo pessoal)

Campanha para a viagem

Com duração de dois anos, o mestrado no Instituto Universitário de Altos Estudos Internacionais (Graduate Institute of International and Development Studies, em inglês), previsto para começar em setembro, tem um valor aproximado de R$ 13,5 mil por semestre. Mariana recebeu bolsa de 75% para a mensalidade [leia mais abaixo], além de auxílio integral dos custos de vida na Suíça.

A família da jovem não consegue bancar as despesas restantes, que seriam em torno de R$ 10 mil para o primeiro ano de estudos. Ela criou, então, a campanha “Mestrado da Mariana no Graduate Institute” em uma plataforma de financiamento coletivo, onde já superou o valor pedido para bancar, além das taxas da universidade, uma passagem só de ida à Genebra.

“O valor que eu ganhar a mais vai cobrir essa diferença de câmbio, e também vai me ajudar a ter um dinheiro emergencial, porque o valor que eu coloquei não me dá nenhuma margem de erro”, explica.

Estágio na ONU

Antes de chegar ao mestrado na Suíça, no último ano do curso de jornalismo na Universidade Estadual Paulista (Unesp), em Bauru (SP), a então estudante foi aprovada em um estágio no Programa Conjunto das Nações Unidas sobre HIV/AIDS (Unaids) em uma agência da Organização das Nações Unidas (ONU), em Brasília, e se mudou para o Distrito Federal.

Neste período, faltando um semestre para a conclusão da faculdade, ela precisou conciliar o trabalho na capital do país com os últimos projetos universitários, além do tempo dedicado à venda de semijoias para complementar a renda.

“Eu sabia que a condição financeira da minha família de arcar com os custos de viver em Brasília, que é uma das cidades mais caras do país, seria algo complicado […] Foi um esforço [vender joias], mas que não atrapalhava a minha dedicação no estágio, que era algo que eu levava como uma oportunidade para a minha família”, relembra Mariana.

No fim de 2015, a jornalista recém-formada foi contratada por outra agência da ONU em Brasília, onde trabalhou por cerca de mais um ano.

Mariana em visita à sede da ONU, em Genebra (Foto: Arquivo pessoal)

Mariana em visita à sede da ONU, em Genebra (Foto: Arquivo pessoal)

Experiência na Suíça

No período que viveu em Brasília, Mariana se inscreveu para o Fellowship for People of African Descent, programa da ONU que oferece aos participantes a oportunidade de fazer uma apresentação sobre questões como direitos civis, políticos e sociais de pessoas afrodescendentes de seus respectivos países.

Aprovada, surgiu assim a primeira oportunidade de Mariana visitar a Suíça, em novembro do ano passado.

“Era uma apresentação aberta na sede da ONU para todos os funcionários das Nações Unidas. Essa pressão de falar sobre um tema envolvendo algo sobre o seu país, além de tudo em inglês, era uma coisa que me trazia muito medo, porque era um peso muito grande”, relembra.

Orgulho

A maneira que ela encontrou para encarar a apresentação foi contando a trajetória de sua família.

Da mesma maneira, em duas cartas, ela contou sua história para ingressar na Graduate e conseguir as bolsas para se manter na Suíça.

“Em uma delas eu falei sobre a minha experiência na ONU e por que eu queria fazer o mestrado no Graduate com foco em antropologia e sociologia do desenvolvimento. Na outra carta eu tinha que falar por que eu precisava de apoio financeiro da universidade, e foi nessa que eu contei a história da trajetória da minha família e do por que eu estava tendo essa oportunidade que eu sonho em ter”, conta.

Mariana, quarta da esquerda para a direita, durante encontro com participantes do Fellowship (Foto: OHCHR)

Mariana, quarta da esquerda para a direita, durante encontro com participantes do Fellowship (Foto: OHCHR)


Aplicando a mudança

Ela conta que tentou desde cedo não se deixar abalar pelo racismo, mas relata que vivenciou momentos que a fazem acreditar que, mesmo com o fim da escravidão, o Brasil ainda não passou por uma “mudança efetiva quando se trata da questão afrodescendente”.

“Uma pessoa afrodescendente no Brasil é cerceada de inúmeros direitos […] Ainda há muita desigualdade, ainda há muita discriminação no dia a dia, no trabalho, nos estudos, na saúde, na política”, diz Mariana.

Aguardando a chegada do visto, ela planeja seguir carreira dentro das Nações Unidas, onde, no futuro, quer trabalhar com cooperação e desenvolvimento internacional.

“Eu considero que o desenvolvimento de um país está muito além da questão política e econômica. Existem ainda questões culturais, históricas e sociais que interferem tanto quanto no desenvolvimento daquele local […] Isso é um dos fatores do porquê eu escolhi esse curso”, finaliza.

*Sob a supervisão de Patrícia Teixeira

Filho de diarista é aprovado em 1º lugar em Direito na PUC-Rio pelo Prouni

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"Ela me criou sozinha. O fato de ter conseguido entrar em Direito atribuo a minha família, a minha criação, aos meus professores", diz João Antonio Lima da Silva, 17 - Douglas Shineidr/Divulgação Ismart

“Ela me criou sozinha. O fato de ter conseguido entrar em Direito atribuo a minha família, a minha criação, aos meus professores”, diz João Antonio Lima da Silva, 17 – Douglas Shineidr/Divulgação Ismart

 

Mirthyani Bezerra, no UOL

As pernas da diarista Roseane Silva de Lima, 41, tremeram quando ela ouviu da boca do filho mais velho a notícia de que ele havia passado no curso de Direito da PUC-Rio (Pontifícia Universidade Católica do Rio de Janeiro). João Antonio Lima da Silva, 17, passou em primeiro lugar entre os aprovados do Prouni (Programa Universidade para Todos) para o curso.

“Eu contei os anos, meses, dias, para que isso acontecesse. Ele me falou na maior simplicidade do mundo que tinha passado no primeiro lugar da PUC. Meu coração acelerou, queria pular de alegria. Comecei a chorar. É um orgulho que eu não consigo explicar”, contou.

João Antonio estudou o ensino fundamental inteiro na Escola Municipal Cardeal Leme, que fica em Benfica, bairro da zona norte do Rio de Janeiro, onde até hoje mora com a mãe, os dois irmãos –um de 12 anos e outro de um ano de idade –, o padrasto e um tio.

Quando estava no oitavo ano, um professor de matemática o aconselhou a tentar umas das bolsas do Ismart – entidade privada que oferece bolsas em escolas particulares para jovens de baixa renda de 12 a 15 anos. Ele participou do processo seletivo em 2011. Naquele ano, houve 9.165 inscritos e 168 aprovados, ou seja, concorrência média de aproximadamente 54 candidatos por vaga.

Conseguiu uma bolsa integral para estudar no Colégio São Bento. “No oitavo e nono ano eu estudei no Cardeal de manhã e no São Bento à tarde. No ensino médio, eu fiquei só no São Bento”, explicou.

Ele conta que sempre sonhou em se formar em Direito. “É uma coisa que eu tenho desde pequeno. Entender como funciona a sociedade, saber dos direitos do cidadão”, diz.

Para João, o seu sucesso no Prouni tem tudo a ver com a sua família. “Ela [minha mãe] me criou sozinha. Há quatro anos só que ela está com meu padrasto. O fato de ter conseguido entrar em Direito atribuo a minha família, a minha criação, aos meus professores. Estou otimista. Sei que vai ser um período muito bom na minha vida”, acredita.

A mãe de João é de Natal (RN) e se mudou para o Rio de Janeiro com o filho quando ele tinha apenas um ano, depois que o relacionamento com o pai do rapaz não deu certo. “Eu trabalhava de segunda a sábado em uma casa de família em Jacarepaguá e deixava ele na casa da minha irmã. Ele nunca deu trabalho”, conta a diarista, que faz faxina duas vezes por semana para ajudar no sustento dos três filhos.

“Os professores dele falavam para mim quando ele era criança para tentar colocar o meu filho numa escola melhor. Mas eu sempre dizia que eu não podia, que não tinha condições. Eu dizia que se ele tivesse de aprender, ia ter que ser na escola pública”, conta Roseane.

Ela diz que sempre soube do orgulho que o filho daria. “Lembro dele sentadinho no sofá, porque a gente não tinha mesa. Ele colocava os livros na perninha para fazer a tarefa de casa. Ele gostava tanto de estudar que chegava da escola e nem queria tomar banho. Eu esperava que ele passasse [no Prouni], mas não tinha ideia que ia ser em primeiro lugar”, conta.

Como entrar para o 1%

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Livro sobre a persistência das elites é um inesperado guia para quem quer conseguir um bom emprego

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Publicado em O Estadão

Consultorias, bancos de investimento e grandes escritórios de advocacia são a Santíssima Trindade das carreiras assalariadas. Juntos, recrutam até um terço dos jovens formados pelas melhores universidades do mundo. Oferecem salários iniciais de acima de US$ 100 mil e a oportunidade de alcançar rendimentos muitas vezes superiores a isso. Também servem de degrau para oportunidades ainda melhores. A McKinsey afirma que 440 de seus ex-funcionários comandam negócios com receitas anuais de pelo menos US$ 1 bilhão. Nos cargos mais altos da administração pública e dos bancos centrais não é raro encontrar veteranos do Goldman Sachs. Empresas de tecnologia, embora venham rapidamente ganhando terreno, estão longe de ter a mesma penetração entre a elite global.

O que levanta uma questão fundamental: como alguém faz para maximizar suas chances de ingressar em companhias de elite como essas? Lauren Rivera, da Kellogg School of Management, da Universidade de Northwestern, passou uma década estudando os mecanismos de recrutamento dessas companhias. O resultado: Pedigree: How Elite Students Get Elite Jobs (“Pedigree: Como Alunos de Elite Conseguem Empregos de Elite”), é um livro acadêmico, com as referências de praxe a teorias de gênero e conceitos marxistas de desigualdade. Mas, uma leitura cuidadosa o transforma em algo bem mais útil: um guia sobre como ingressar na elite global.

A má notícia é que, para se ter acesso a esse exclusivo grupo de companhias de elite, não há nada como ter estudado no exclusivo grupo das universidades de elite – instituições que formam a chamada Ivy League (como Harvard, Yale, Princeton, Columbia, entre outras, onde Rivera realizou seu estudo de campo), nos Estados Unidos, ou Oxford e Cambridge, na Inglaterra. As empresas gastam milhões de dólares paparicando essas universidades com eventos de seleção: os estudantes podem passar a temporada de recrutamento comendo e bebendo a suas custas. No entanto, como observa Rivera, entre os estudantes de elite que são entrevistados, a maioria é rejeitada. Ou seja, mesmo entre os que têm o pedigree mais puro, é preciso aprender a tirar vantagem das características particulares do processo.

A dica mais importante é observar bem o responsável pela seleção. Em vez de recorrer ao pessoal de recursos humanos, consultorias, bancos de investimento e escritórios de advocacia preferem deixar na mão de funcionários que lhes geram receitas a tarefa de identificar os novos talentos. Isso significa que os entrevistadores estão simultaneamente arcando com suas responsabilidades diárias e com a condução do processo de seleção: é raro que gastem mais do que um minuto lendo as fichas preenchidas por cada candidato. Na hora da entrevista, seu comportamento é previsível: seguem um roteiro pré-estabelecido, começando com um bate-papo para quebrar o gelo, em seguida pedindo ao candidato que fale um pouco de si mesmo e, por fim, propondo um problema relacionado com uma situação de trabalho. Isso os deixa prontos para agarrar a primeira oportunidade de escapar do tédio. Conselho ao candidato: mostre-se animado. Preste atenção em cada palavra dos recrutadores. E não perca a oportunidade de rasgar seda para a imagem que eles têm de si mesmos como “os melhores entre os melhores” e como “os que mais entendem de jet lag entre os entendidos em jet lag.”

A qualidade mais importante aos olhos dos recrutadores é “adequação”: a despeito dos testes supostamente rigorosos que aplicam aos candidatos, sua preferência tende a recair sobre alguém que, mesmo não tendo uma mente brilhante, seja de relacionamento fácil, em detrimento do gênio à la Mark Zuckerberg, que perturba o ambiente. Nesse tipo de companhia, as pessoas passam a maior parte do tempo lidando com clientes. Portanto, estilo e aparência apropriados ao papel são fundamentais. É de esperar também períodos de convivência particularmente intensa – em cursos de treinamento, fazendo serão no escritório, em frequentes jantares de trabalho, matando o tempo em aeroportos nos cantos mais isolados do planeta. Em inúmeras ocasiões, Rivera ouviu os recrutadores dizerem que procuram pessoas que poderiam tanto ser seus amigos, como colegas de trabalho. Um deles comparou o processo de recrutamento ao momento “quando você é criança e está no parquinho e forma o seu time”; outro descreveu sua companhia como “uma fraternidade de pessoas bacanas.”

É mais fácil dar a impressão de que você vai se “encaixar” se tiver levantado o máximo de informações sobre a empresa em questão. Converse com qualquer amigo do amigo que trabalhe lá para entender como é a cultura interna e se inteirar sobre o diz que diz do lugar. Um candidato da amostra de Rivera passou por uma entrevista incorporando o papel de um consultor bem-sucedido que ele conhecia na empresa. Mesmo sem chegar a esse extremo, é preciso evitar a todo custo dar a impressão de ser um nerd ou alguém excêntrico: para esse tipo de pessoa, não faltam empregos nas empresas de tecnologia. Ainda prevalece a crença antiquada de que praticar esportes coletivos, especialmente aqueles com certa elã aristocrático, como o remo, é garantia de uma personalidade equilibrada.

A última chave para o sucesso é transformar o entrevistador num padrinho: alguém que esteja disposto brigar por você quando a comissão de seleção se reunir para decidir qual dos selecionados ficará com a vaga. Dê ênfase a quaisquer similaridades que conseguir identificar entre vocês dois. Se o entrevistador enxergar um pouco de si próprio em você – um fenômeno conhecido como “mérito espelhado” – vai considerar qualquer tentativa de eliminá-lo como uma ofensa pessoal.

Drinques das minorias. Quem não teve a sorte de frequentar uma universidade de elite não deve perder as esperanças. Como mostra o livro de Rivera, até o vínculo mais tênue com alguém da companhia pode ajudar. Se você pertence a um grupo sub-representado e encontra um recrutador bebericando um drinque num “evento de valorização da diversidade”, explore a oportunidade sem dó nem piedade.

Rivera diz que uma origem socialmente desfavorecida pode ser até uma vantagem, se a pessoa souber tirar proveito disso. Os recrutadores adoram ouvir histórias sobre candidatos perseverantes, que vencem todas as adversidades. A pesquisadora da Universidade de Northwestern também observa que há organizações que podem ajudar candidatos oriundos de estratos sociais menos favorecidos a se vender. A americana Sponsors for Educational Opportunity tem sido muito bem-sucedida em pré-selecionar jovens de minorias étnicas e arrumar para eles estágios que muitas vezes se transformam em empregos de período integral. Nos Estados Unidos, as Forças Armadas desempenham papel similar, ampliando as chances dos desfavorecidos. “Passei dois anos num trabalho em que cada minuto poderia ser o meu último”, disse um candidato militar a um entrevistador. E acrescentou com indiferença: “É, acho que consigo lidar com situações de muita pressão.” Mas não bata na tecla de que as coisas continuam contra você, e não revele que tem uma mãe doente, ou um filho difícil, ou vai estragar a história da pessoa humilde que está vencendo na vida.

Essa ênfase enorme no estilo, em detrimento do conteúdo, pode parecer um jeito esquisito de selecionar os membros do 1%. Mas quem ocupa os degraus mais elevados na hierarquia das consultorias, bancos de investimento e escritórios de advocacia sabe que o bem de maior valor em tempos de incerteza não é a inteligência, e sim a autoconfiança. Apesar de todo o discurso sobre o mundo vir a ser dominado por uma “elite cognitiva”, na realidade ela não parece ser mais que uma “elite confiante.”

Universidades de ponta abrem inscrições para bolsas de estudos. Saiba como concorrer

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Mapa mostra mais de trinta opções cursos de pós-graduação em cinco áreas de estudo que oferecem bolsas integrais ou parciais para brasileiros. Aulas começam no segundo semestre de 2015

Universidade de Yale, nos Estados Unidos (Foto: Divulgação)

Universidade de Yale, nos Estados Unidos (Foto: Divulgação)

Bianca Bibiano e Luana Massuella, na Veja on-line

Nessa época do ano, as principais universidades da Europa e dos Estados Unidos abrem inscrições para os processos seletivos de bolsas de estudo para cursos de pós-graduação. Os programas podem cobrir desde uma parte das despesas universitárias até os gastos pessoais do estudante durante a estadia no exterior. “As bolsas de estudos têm sido um grande atrativo para os brasileiros, que são bem recebidos nas universidades devido às suas qualificações acadêmicas, facilidade de entrosamento, perfil de liderança, iniciativa e criatividade”, diz Anna Laura Schmidt, coordenadora de projetos da Fundação Lemann, instituição que financia bolsas de estudos em universidade de ponta, como Harvard, Stanford e Yale, nos EUA.

As vantagens para a carreira do profissional que estuda no exterior vão além da formação acadêmica. “O aprimoramento do idioma, a troca de experiência com estudantes de outras nacionalidades e a vivência em outro país resultam em amadurecimento pessoal e profissional”, diz Leonardo de Souza, diretor-executivo da empresa de recrutamento de executivos Michael Page.

Além do programa Ciência Sem Fronteiras, que oferece bolsas de estudos no exterior para estudantes e profissionais das áreas de engenharia, ciências e tecnologia, a maioria das universidades na Europa e nos Estados Unidos investe em programas de internacionalização e oferece bolsas de estudos para pessoas da América Latina, África, Ásia e Oriente Médio em diversas outras carreiras. Em alguns cursos, cerca de 25% dos estudantes não são nativos.
Participar desses programas, contudo, não é tão simples. Cada universidade tem seu próprio sistema de seleção, que inclui etapas que vão desde a análise dos documentos até entrevistas pessoais ou por webconferência e que começam cerca de seis meses antes do início do curso. Para ajudar estudantes na procura por uma bolsa, o site de VEJA fez uma seleção de 30 cursos de mestrado, doutorado e MBA que oferecem bolsas integrais ou parciais.

Como se inscrever — A inscrição para os programas de bolsa é feita em duas etapas paralelas: a admissão na universidade e a obtenção da bolsa. Isso porque as bolsas são ofertadas por fundações ou grupos de apoio que financiam estudos, como a Fundação Lemann e o Instituto Ling, ambos brasileiros. Além disso, também é possível concorrer pelo processo interno nas universidades, que oferecem bolsas parciais de acordo com o currículo do candidato.

Para ser selecionado na universidade, o primeiro passo é escolher um curso de interesse. No mapa elaborado por VEJA.com, é possível escolher programas de bolsas de estudo em cinco áreas: negócios, saúde, educação, direito e ciências humanas. Depois, é preciso saber qual curso se enquadra melhor no perfil do candidato. Para isso, basta clicar no nome da universidade no mapa. No site de cada universidade, o candidato encontra informações detalhadas sobre as áreas de estudo priorizadas em cada instituição de ensino e sobre os programas de pesquisas em andamento.

Os processos seletivos são feitos apenas pela internet. Para isso, serão necessários: cópias digitalizadas de diploma universitário; histórico do curso com as notas obtidas em cada disciplina; documentos pessoais; currículo e cartas de recomendação, em inglês, de profissionais ou professores universitários; e certificado de fluência em inglês, que pode ser TOEFL ou IELTS, dependendo da universidade.

É importante atentar para o período de inscrição para envio de toda a documentação necessária. As entrevistas pessoais ou por telefone e outras solicitações serão feitas nos meses seguintes, após o fim do prazo. “Diferente da pós-graduação no Brasil, em que existe uma seleção quantitativa para seleções de bolsas de estudo, no exterior a seleção é mais qualitativa, baseada nos objetivos do profissional, no histórico acadêmico e na sua capacidade de mostrar liderança”, explica Anna Laura. As entrevistas são usadas para detalhar esses aspectos e para comprovar a fluência em inglês do candidato.

Feira divulga vagas na Europa — Entre os dias 29 e 30, os interessados em estudar na Europa podem entrar com em contato com representantes de  diversas universidades na feira Euro-Pós, que acontece no Centro de Eventos São Luiz, em São Paulo. Promovida pelas instituições de fomento ao ensino superior da França (Campus France), Alemanha (DAAD – Serviço Alemão de Intercâmbio Acadêmico) e Holanda (Nuffic – Organização Neerlandesa para a Cooperação Internacional no Ensino Superior), o evento contará com a participação de países como Bélgica, Dinamarca, Finlândia, França, Reino Unido, Irlanda, Hungria, Suíça, Holanda, Alemanha e Itália.

“Será uma oportunidade para que os estudantes interessados em cursos superiores na Europa conheçam mais sobre a instituição onde desejam estudar. Serão 85 expositores entre universidades europeias e instituições oficiais de informação”, afirma Silvia Bauer, coordenadora de marketing do Serviço Alemão de Intercâmbio Acadêmico. A feira tem entrada gratuita e fica aberta das das 14h às 19h. Para mais informações, acesse o site do evento.

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