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Aos 87 anos, imigrante italiana conclui faculdade e emociona em cerimônia de formatura

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Idosa, de 87 anos, se formou em nutrição em faculdade de Jundiaí (Foto: Artfinal Eventos/Divulgação)

Idosa, de 87 anos, se formou em nutrição em faculdade de Jundiaí (Foto: Artfinal Eventos/Divulgação)

Luísa Valencic Ficara escreveu trabalho de conclusão do curso de nutrição inteiro à mão. Cerimônia foi realizada na semana passada, em Jundiaí, onde imigrante vive há 40 anos.

Ana Carolina Levorato e Fernanda Szabadi, no G1

Os cabelos branquíssimos e o sorriso tímido de uma formanda chamaram a atenção de quem estava na colação de grau de estudantes de nutrição do Centro Universitário Padre Anchieta, em Jundiaí (SP).

Ao andar pelo palco para pegar o diploma, Luísa Valencic Ficara, de 87 anos, foi aplaudida de pé pelo público que acompanhava a cerimônia.

Dona Luísa emocionou colegas e professores na colação de grau em Jundiaí (Foto: Artfinal Eventos/Divulgação)

Dona Luísa emocionou colegas e professores na colação de grau em Jundiaí (Foto: Artfinal Eventos/Divulgação)

“Fui contente por terminar a minha tarefa. Achei que fosse ficar nervosa quando fosse receber o diploma, mas na hora estava bem calma”, lembra.

Dona Luísa, como é conhecida, nasceu na Itália e veio para a América do Sul no período da Segunda Guerra Mundial. Morou em três países sul-americanos até se mudar para Jundiaí, no interior de São Paulo, onde vive há 40 anos.

Após a morte do marido e da irmã, a idosa conta que decidiu “ocupar a cabeça” e, por isso, se matriculou na faculdade.

Surpresa

Dona Luísa diz que ainda lembra da expressão de surpresa do restante da turma quando entrou na sala de aula. “Eu me matriculei quando o curso já tinha começado. Quando cheguei na sala a turma ficou meio espantada. Eles devem ter pensado: ‘O que essa velha quer?’. Com o passar do tempo fui vencendo a vergonha, fiz amizade com os professores, mas o 1º ano foi o mais difícil.”

Após seis anos de curso – por conta de algumas disciplinas que ela teve que refazer – a imigrante conseguiu o tão sonhado diploma. Na cerimônia não havia nenhum parente da idosa, que mora sozinha, mas isso não diminuiu sua alegria. “Ganhei muitos abraços do mestre de cerimônia e da turma toda. Foi lindo”, diz.

Luísa Valencic, de Jundiaí, na apresentação do trabalho de conclusão de curso (Foto: UniAnchieta/Divulgação)

Luísa Valencic, de Jundiaí, na apresentação do trabalho de conclusão de curso (Foto: UniAnchieta/Divulgação)

Rachel Ciaramella da Silva acompanhava a colação de grau de uma prima quando se supreendeu ao ver todos de pé para aplaudir Dona Luísa.

“Foi muito emocionante. Quando ela entrou, todo mundo ficou de pé e eu fiquei sem entender muita coisa, mas assim que a vi já que toda aquela homenagem era um presente para o esforço dela. Imagine, 87 anos e se formar na faculdade. Tem que comemorar”, comenta a dona de casa.

TCC escrito à mão

A persistência da italiana que venceu a barreira da timidez é vista também no seu trabalho de conclusão de curso sobre a cana-de-açúcar no Brasil.

Além de impressionar com sua dedicação às aulas, a idosa também surpreendeu ao escrever o TCC inteiro à mão. “O que me maltratou um pouco foi que eu não sabia nada de computação”, conta.

Foram os funcionários da faculdade que ajudaram a idosa a digitar todo o trabalho para ser apresentado à banca.

“A experiência de orientá-la demonstrou que para educar é preciso aprender. Cada nova situação é um novo aprendizado e quem mais saiu ganhando, na minha percepção, é o educador que se abre para entender seu educando”, afirma a orientadora do projeto, Valéria Campos.

Idosa, de 87 anos, se formou em nutrição em faculdade de Jundiaí (Foto: Fernanda Elnour/TV TEM)

Idosa, de 87 anos, se formou em nutrição em faculdade de Jundiaí (Foto: Fernanda Elnour/TV TEM)


Pós-graduação

Mesmo com o diploma em mãos, nos planos de dona Luísa não está parar de estudar tão cedo. A idosa – que também escreve poemas e frequenta aulas de alemão, inglês e francês – já pensa em ingressar na pós-graduação.

Professor faz ‘CSI’ em escola e desafia estudantes a resolverem ‘crimes’

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Estudantes montam cenários e solucionam homicídios cenográficos (Foto: Erivaldo Junior/Arquivo Pessoal)

Estudantes montam cenários e solucionam homicídios cenográficos (Foto: Erivaldo Junior/Arquivo Pessoal)

 

Estudantes montam cenários e solucionam ‘homicídios’ em Jundiaí.
Gosto de alunos por séries policiais virou assunto em aula de biologia.

Jomar Bellini, no G1

Marcas de “sangue” espalhadas pelas paredes e um “corpo” jogado no chão com supostas marcas de tiros nas costas. A cena, que até então poderia ser de um crime ou seriado policial como CSI: Crime Scene Investigation, nada mais é do que um dia de aula para estudantes de 14 anos de uma escola em Jundiaí (SP). O gosto deles por programas de TV fez um professor de ciências biológicas levar o assunto para o ambiente escolar, desafiando os alunos a resolverem os “homicídios” cenográficos.

Alunos analisaram pistas para desvendar 'cenas de crimes' (Foto: Erivaldo Junior/Arquivo Pessoal)

Alunos analisaram pistas para desvendar ‘cenas de crimes’ (Foto: Erivaldo Junior/Arquivo Pessoal)

“A ideia surgiu quando comecei a discutir sobre o corpo humano, dentro do conteúdo curricular, onde quis investigar os conhecimentos prévios que os alunos tinham sobre os órgãos e os sistemas que formam o nosso corpo. Fiz perguntas para eles – como, por exemplo, em lado do corpo humano fica o fígado – e, para minha surpresa, muitos alunos tinham uma boa noção sobre a anatomia humana por serem fãs ávidos de séries como ‘CSI’, ‘Dr House’, ‘Monk’ e ‘Law & Order'”, conta o professor Erivaldo Ribeiro Júnior.

O professor lançou então a ideia de montar o projeto em que os estudantes seriam os próprios construtores e investigadores de uma série criada por eles. Júnior conta que a proposta, até então considerada ousada, causou estranheza, mas empolgou os estudantes. “O objetivo era conhecer o corpo humano e desenvolver habilidades de observação e crítica.”

Crimes cenográficos
Divididos em grupos, os alunos montaram os cenários usando a criatividade junto com as dicas em sala de aula e o que já viram na televisão. Eles usaram lupas, microscópio, sangue falso vendidos em lojas de fantasias, corda, algodão e perucas para construção das vítimas, além de tecnologias para gravar e simular os cenários.

Em cada aula, uma equipe apresentava o crime que deveria ser investigado pelos outros estudantes. Após isto, deveriam fazer entrevistas com funcionários de escola e agir como verdadeiros peritos policiais, coletando pistas e analisando os detalhe dos corpos.

Tudo isso para preencher um questionário e fazer uma apresentação respondendo perguntas sobre a identidade da “vítima”, os motivos da “morte” e como o crime teria acontecido, além de explicar como poderiam testar as hipóteses e as evidências encontradas.

“Na área de Ciências Biológicas, já estamos acostumados a tratar de assuntos polêmicos, como o aborto, a eutanásia, clonagem, sexualidade, origem da vida, evolução humana, entre outros temas. Esse foi mais um desafio que valeu a pena”, diz ao afirmar que a proposta também contou com ajuda de professores de disciplinas como geografia, língua portuguesa, história, artes e educação física.

O projeto, que foi desenvolvido na forma de um piloto, teve duração de dois meses, mas já empolgou a direção da escola. No ano que vem, o “CSI na sala de aula” deve agregar ainda outras disciplinas da grade curricular e ser realizado por um período maior.

Professor desafia estudantes a resolverem crimes cenográficos (Foto: Erivaldo Junior/Arquivo Pessoal)

Professor desafia estudantes a resolverem crimes cenográficos (Foto: Erivaldo Junior/Arquivo Pessoal)

 

Aposentada resenha mais de 1,5 mil obras de graça em site: ‘Meu trabalho’

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Leila conquistou 1ª posição no ranking de avaliadores do site (Foto: Reprodução/Amazon.com)

Leila conquistou 1ª posição no ranking de avaliadores do site (Foto: Reprodução/Amazon.com)

 

Moradora de Jundiaí é ‘top 1’ em ranking, com mais de 4 mil votos.
Cerca de 97% de críticas são consideradas úteis pelos usuários.

Publicado no G1

“Especialmente recomendado. É uma leitura divertida e muito bem cuidada”. O comentário poderia estar na capa de qualquer best-seller, mas foi escrito por uma moradora de Jundiaí (SP) em um site de venda de livros eletrônicos. Leila de Carvalho e Gonçalves, de 57 anos, se tornou avaliadora número 1 de um ranking com mais de 1,5 mil resenhas publicadas.

Aposentada incentiva a leitura por meio das avaliações (Foto: Arquivo Pessoal/ Leila Gonçalves)

Aposentada incentiva a leitura por meio das
avaliações (Foto: Arquivo Pessoal/ Leila Gonçalves)

Tomada pelo gosto da leitura desde pequena, ela “trabalha” analisando as mais variadas obras. Para ter uma noção, Leila tem mil resenhas publicadas a mais do que o segundo colaborador e a credibilidade dela é tanta que 97% das suas críticas são consideradas úteis pelos usuários.

O hobby começou no Natal de 2012, quando Leila ganhou um aparelho leitor de livros digitais e ficou tão encantada com a praticidade do eletrônico que se desfez de cerca de três mil livros de sua biblioteca particular. “Doei as obras para pessoas e lugares. Praticamente só lia no papel, mas gastava muito tempo com a manutenção [da biblioteca], já que os livros consumiam muito espaço e demandavam cuidados. Com o kindle, foi um alívio porque ganhei mais tempo para realmente ler”, afirma.

Dois meses depois, em fevereiro de 2013, a aposentada resolveu aproveitar o espaço disponível no site onde comprava os e-books para compartilhar suas impressões sobre a obra “O Assassinato de Roger Ackroyd”, da escritora britânica Agatha Christie.

Depois dela, vieram resenhas dos mais variados livros: desde títulos do romancista Fiodor Dostoiévski até a trilogia de Cinquenta Tons de Cinza, da escritora E. L. James. “Já tinha o hábito de pesquisar e fazer anotações nos livros físicos e, como havia um espaço aberto na Amazon, resolvi colocá-las no site. Acredito que o ideal é a pessoa ler comentários sobre a obra e não apenas a sinopse, assim, ela mesma vai avaliar se vale a pena ler. Tomei um susto quando ganhei meu primeiro voto. A princípio, duvidei do meu próprio trabalho”, conta.

A atividade voluntária ganhou notoriedade e, quase três anos depois, Leila tem mais de 1,5 mil resenhas publicadas e um grupo de leitores que esperam por seus comentários. “Pouco a pouco se formou um grupo de interesse. Os [resenhistas] que fazem parte do top 10 tem um público que acompanha. Fico feliz porque gosto de incentivar a leitura, dar os dois lados do livro, mas, principalmente, evidenciar os pontos positivos e não desestimular.”

Dedicação diária
Apesar de não ser remunerada, Leila é rigorosa e publica as dicas de leitura diariamente. Ela dedica cerca de oito horas por dia entre ler e resenhar. “Encaro como um trabalho. Resenhar não é fácil, tem que voltar na história. Algumas são escritas em meia hora e outras levam dias, depende da complexidade, que nada tem a ver com número de páginas. Para manter sempre atualizado, faça resenhas de contos, por exemplo, entre um livro e outro”, explica.

Leitor de e-books substituiu biblioteca particular (Foto: Arquivo Pessoal/ Leila Gonçalves)

Leitor de e-books substituiu biblioteca particular
(Foto: Arquivo Pessoal/ Leila Gonçalves)

Leila, que é formada em estatística, conta ainda que os clássicos são os que mais dão trabalho porque exigem mais cuidado e que não tem um gênero literário favorito. “Procuro pelos que sejam indicados como bons livros, mas leio todos os gêneros. Considero meu gosto eclético.”

“Estrelada”
As resenhas se tornam ainda mais importantes no incentivo na leitura quando a aposentada faz críticas ao sistema de avaliação por estrelas. “Acho falho. Por exemplo: ‘Madame Bovary’, de Gustave Flaubert, e ‘Inferno’, de Dan Brown. Ambos são ótimos livros e merecem cinco estrelas, mas depende do interesse no momento. Às vezes a pessoa quer um filé Wellington e, em outros dias, prefere um hambúrguer”, brinca.

Questionada sobre a credibilidade, Leila garante que em nenhum momento teve a pretensão de ser a número 1. “Faço as resenhas por prazer e para incentivar a boa leitura, sinto como se fosse um dever. A obra ‘Lolita’ é complexa por causa do personagem, através da resenha procuro dar ao leitor condições de entender com o que vai lidar, levei mais de dois dias para resenhar. Enfim, o objetivo é que o leitor ‘comum’ consiga destrinchar o livro. Os votos vieram naturalmente”, finaliza.

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