Canal Pavablog no Youtube

Posts tagged leituras

Por um 2019 de mais leituras: como otimizar o tempo e aumentar o número de livros lidos?

0

Isabel Costa, no Leituras da Bel

Resolvi colocar por aqui algumas dicas para otimizar o tempo e garantir mais leituras em 2019.

1 – Leia todos os dias, mesmo que apenas por alguns minutos
O compromisso diário é um exercício. Ler todos os dias vai deixar você mais atento, mais próximo dos objetivos, mais compromissado. De preferência, estabeleça um horário fixo para a leitura – pode ser antes de dormir ou no intervalo do almoço, por exemplo.

2 – Tenha um caderno para anotar impressões, citações, personagens…

Nunca gostei de riscar ou amassar os livros. Então, sempre mantive um caderno e uma caneta por perto para anotar impressões, passagens interessantes, frases de personagens e outros apontamentos. Com o tempo, acabei percebendo que esse hábito me deixava mais concentrada na leitura e me fazia ter mais interesse pelo que estava lendo.

3 – Leia em todos os lugares
Essa é uma dica velha. Fila de banco, fila da padaria, fila das lotéricas, no ônibus, no metrô… Aproveitar cada momento para ler é salvador. Ao invés de perder tempo com o celular e as redes sociais, use essas brechas para garantir mais algumas páginas lidas.

4 – Estabeleça metas reais
Essa dica vale para várias áreas da vida. “Vou ler dois livros por semana” pode não estar dentro das suas possibilidades. Então, por qual motivo vamos estabelecer metas irreais? O ideal é colocar boas metas, tangíveis, reais, mensuráveis, realizáveis. Acredite, isso vai evitar o sentimento de frustração por não ter alcançado aquela proposta prometida.

5 – Leia contos e poesias!
Sim, muitas vezes, nós subestimamos os contos e as poesias. Colocamos como leituras apenas aqueles romances enormes e acabamos por não conseguir avançar muito nas páginas. Por que não colocar um conto como meta semanal? E um livro de poesias para o mês? São leituras ricas, frutíferas e que darão a sensação de “tarefa realizada”.

6 – Busque clubes de leitura
Ler é uma atividade solitária, é claro. Mas compartilhar as impressões sobre o livro é muito divertido. Em Fortaleza, por exemplo, há diversos clubes de leitura – com os mais variados temas e horários. Além disso, ter o compromisso para terminar a leitura até “data x” vai fazer você ler mais rápido e com mais dedicação.

7 – Crie boas rotinas de leitura
A minha é fazer um chá e ficar lendo enquanto aguardo “esfriar”. Cada pessoa pode ter um ritual próprio – capaz de despertar os sentidos e dar prazer. Rituais fazem parte da valorização do nosso momento com os livros.

8 – Leia no formato virtual
Eu sou uma amante do papel. Gosto do cheiro, do peso do livro e de todo o resto. Mas, admito, os formatos virtuais são salvadores. Podemos ler um capítulo no celular, pegar algumas poesias no tablet…

9 – Busque novos livros e novos autores
O mundo está repleto de autores incríveis e livros nunca lidos. Por qual razão estamos sempre buscando as mesmas referências? Diversificar as leituras é um caminho para nos deixar instigados! Então, vamos ler aquela autora norueguesa da qual nunca ouvimos falar, sim! E vamos ler aquele livro de título estranho, mas que pode se tornar a obra da nossa vida!

10 – Mescle leituras
Um livro da faculdade, outro por fruição. Um livro teórico, uma revista em quadrinhos. Mesclar leituras nos deixa mais descansados e dispostos para encarar a próxima obra.

Como fazer os filhos terem prazer pela leitura

0

Publicado no UOL

A importância da leitura é inegável. A questão é: como fazer as crianças criarem o hábito? Pois, sabe-se que para a maioria das crianças a leitura não é tão atrativa. Especialmente se comparada com outras atividades, como esportes, brincar com amigos, e , claro videogames e computadores. Olhando por cima, ler parece chato. Então, como ajudar as crianças a sentirem o prazer da leitura? Olhando por cima, ler parece chato. Você está basicamente sentado encarando um maço de papéis por um longo tempo. Então, como ajudar as crianças ver a magia e possibilidades infinitas que estão escondidas nestas páginas?

Em MindShift, algumas sugestões (listadas abaixo) que podem não garantir curar todo o desdém de algumas crianças pela leitura, mas com certeza vão colocar você e sua família na direção correta.

Passos para desenvolver leitores:

De acordo com pesquisas realizadas em escolas dos Estados Unidos, três quartos dos pais reportam que gostariam que os filhos lessem por diversão. Mas como fazer isso?

Mesmo não sendo só uma alternativa, tem algumas atitudes que as famílias podem fazer para encorajar as crianças a ler, diz o Professor Psicólogo da Universidade da Vírginia, Daniel Willingham, em seu livro Raisiing Kids Who Read: What Parants and Teachers Can Do. A primeira delas é repensar suas razões por querer que seus filhos leiam mais.

Willingham quer que os pais reimaginem a leitura como tendo menos a ver com escola e mais com um prazer. Em vez de dizer as crianças que ler vai melhorar suas notas e ajudar na carreira, devem tornar a leitura parte de um valor familiar maior:o amor por aprender.

“A leitura é parte de um contexto mais amplo de valores que os pais comunicam às crianças”, disse Willingham. “São famílias que valorizam aprender coisas novas. E não apenas no contexto da escola. ”

Quando aprender sobre o mundo através dos livros se torna um valor familiar em vez de uma responsabilidade da escola, os pais não são mais vistos como executores: em vez disso, eles são os aproveitadores, Willingham sugere. As crianças podem então absorver a mensagem de valores, “a leitura é importante para quem somos; ler é o que fazemos.

DISPOSITIVOS DE LEITURA E DIGITAL

Modelar um bom comportamento de leitura também funciona, disse Willingham, em que uma criança pode observar que mamãe ou papai devem gostar de ler, então talvez eu também gostaria de ler. A modelagem pode ser feita até mesmo com o seu celular ou iPad, disse Devorah Heitner, pai de dois e autor de Screenwise: Ajudando Crianças a prosperar em seu mundo digital – apenas diga aos seus filhos o que você está fazendo quando está sentado no sofá, olhando para o seu telefone. “Eu faço muitas leituras na internet e em outras formas de exibição na tela”, ela disse, embora também passe bastante tempo em mídias sociais e jogos. “Então, quando estamos modelando hábitos de leitura para nossos filhos [e você está no seu telefone], informe a eles o que você está lendo. Eles não poderão dizer apenas olhando para você. ”

Uma coisa que Heitner adverte é criar uma mentalidade de Telas vs. Livros, em que os pais podem ser tentados a recompensar a “leitura real” com o tempo de tela. (Willingham também aconselha a pisar levemente com qualquer recompensa pela leitura, embora ele diga que às vezes possa ser usada) No entanto, os pais muitas vezes sentem que os dispositivos digitais competem pelo tempo que as crianças usariam para ler e estão procurando orientação.

O professor de inglês do ensino médio, Jarred Amato, sabe que, para seus calouros de Nashville, os telefones celulares são de fato uma barreira para a leitura. Em um post recente no blog intitulado “O que os 100 alunos do nono ano me disseram sobre o porquê de não lerem”, Amato relata uma pesquisa com estudantes e confirma o que ele já sabia: embora os alunos citam muitas razões para não ler – não consegue encontrar um silêncio lugar em casa, outras responsabilidades e atividades – os telefones celulares assumem a máxima prioridade.

“O vício em telefones celulares é, de longe, o motivo número um pelo qual meus alunos disseram que não liam”, disse Amato. “Eles são quase impotentes para isso. Não é apenas um problema de crianças – adultos e crianças estão lendo menos em todo o mundo. E acho que há um valor em conversar com os alunos sobre isso. “Na esperança de reconectar um hábito, Amato tem feito com que os alunos guardem seus telefones e pratiquem a leitura silenciosa em sua aula com qualquer livro que eles gostem, esperando que façam o mesmo. mesmo por alguns minutos – em casa.

Willingham disse que com o tempo as crianças são adolescentes, quando o aumento da autonomia e atividades sociais lotam seus dias, incentivar a leitura pode ser uma batalha difícil, então é melhor incutir o “valor da família” cedo, quando as crianças passam mais tempo com os pais. E embora ele tenha dito que há pesquisas para comprovar como a chegada da televisão mudou os hábitos de leitura, para os dispositivos digitais, pode não ser tão cortada e seca – afinal, as crianças vêm encontrando outras coisas por muito tempo.

“Não é o caso que houve essa idade de ouro da leitura, nos velhos tempos”, disse ele, rindo. “Eu penso em mim mesmo crescendo nos anos 70, e quem está enganando quem? Se eu quisesse andar com meus amigos, eu queria andar com meus amigos. Nós não gostamos de olhar um para o outro e dizer, bem, não temos nada para fazer, vamos ler! Nós tínhamos outras maneiras de matar o tempo, mesmo que não tivéssemos o X-Box. ”

Embora ler mais melhore o desempenho escolar, essa não a única vantagem. Habilidades de pensamento crítico, empatia e um método de relaxamento estão no topo da lista. No começo seu filho pode ler somente porque não tem escolha, mas Baumert está otimista de que ele encontrará o livro que “inflama” o amor pela leitura. Ela também adorava ler quando criança, e ainda acha que a leitura a ajuda a relaxar e descomprimir.

O que é importante é tentarmos não só com palavras, mas com exemplos. Se os pais amarem a leitura, fica muito mais fácil. Então podemos criar famílias que valorizem e incentivem o prazer de aprender e ler

Lê livros no smartphone? Veja alguns aplicativos que podem melhorar a experiência

0

Marcella Blass, no Diário do Grande ABC

Nem sempre dá para carregar um monte de livros na mochila. A solução que muita gente têm encontrado é passar a ler por meio de smartphone e tablets com ajuda de aplicativos específicos. Com muitos desses apps disponíveis para Android e iOS, eles também são uma boa alternativa para quem procura uma plataforma que proporcione uma leitura personalizada, agradável e gratuita. O 33Giga separou cinco boas opções de softwares dedicados aos leitores. Confira!

Amazon Kindle
Versão para Android e iOS de um dos eReaders mais populares do mundo, o aplicativo oferece os recursos do gadget para usuários de tablet e smartphone. Com o software, na hora da leitura, você pode personalizar a cor do plano de fundo da página, intensidade do brilho da tela e o contraste. Também é possível criar coleções de leitura, fazer pesquisas no dicionário e outros sites, e ainda levar para seu aparelho os eBooks comprados na Amazon.

Aldiko
Este aplicativo roda arquivos em vários formatos, incluindo os com proteção DRM da Adobe. A ferramenta de leitura tem recursos como marcação de texto, compartilhamento, anotações e pesquisas no dicionário. Também é possível configurar brilho e contraste da tela para melhorar a experiência para os olhos e conforme a luminosidade do ambiente. Além de servir como leitor de textos, ele também ajuda o usuário a gerenciar sua biblioteca e organizar leituras de forma automática. Está disponível para Android e iOS.

Google Play Livros
Disponível para Android e iOS, esta é a loja de eBooks do Google. Com uma infinidade de livros digitais pagos e gratuitos, o aplicativo também permite que o usuário utilize as funcionalidades disponíveis para ler documentos carregados por ele no smartphone ou tablet, como arquivos em PDF e ePUB. Com uma interface bastante intuitiva, o aplicativo já vem instalado nos dispositivos do robô, mas precisa ser baixado nos aparelhos da Apple.

Kobo Reader
Desenvolvido pela empresa que produz o eReader Kobo, também é a versão para Android e iOS de um gadget muito popular no mundo. No Brasil, você pode usar o app para ler os eBooks que comprou na Livraria Cultura (parceira da Kobo Inc. no País) ou adicionar documentos em PDF, por exemplo. É importante destacar que o software também é indicado para quem gosta de ler revistas e HQs pelo celular.

Ebook Reader
O aplicativo lê arquivos em vários formatos, comprados ou não na loja virtual ebook.com. Isso significa que o usuário pode transformar o app em um gerenciador de biblioteca, com a possibilidade de editar manualmente as tags referentes a cada título. Entre outros recursos, o leitor também pode fazer backup de toda a sua leitura, marcar partes do texto, personalizar o tamanho da fonte e usar o sistema de buscas para encontrar trechos específicos com mais rapidez. Disponível para Android e iOS.

Por que esquecemos a maioria dos livros que lemos e filmes a que assistimos

0

 

A rede Saraiva vende livros, filmes, games e itens de papelaria – Divulgação

Segundo pesquisador, a forma que consumimos informação mudou o tipo de memória que damos valor

Texto de Julie Beck, na Folha de S.Paulo

As lembranças de Pamela Paul quanto a leituras são menos sobre as palavras e mais sobre a experiência. “Quase sempre me recordo de onde estava, e do livro em si. Lembro do objeto”, diz Paul, editora da revista The New York Times Book Review e pessoa que pode ser facilmente definida como alguém que lê um monte de livros. “Recordo a edição; recordo a capa; usualmente recordo onde comprei o livro, ou de quem o ganhei. O que não recordo —e isso é terrível— é tudo mais”.

Paul me contou, por exemplo, ter terminado recentemente de ler a biografia de Benjamin Franklin por Walter Isaacson. “Enquanto lia o livro, aprendi não tudo que se conhece sobre Ben Franklin, mas boa parte disso, e estava ciente da cronologia geral da revolução americana”, ela diz. “Agora, dois dias mais tarde, eu provavelmente não conseguiria resumir a cronologia da revolução americana”.

Certamente há pessoas capazes de ler um livro ou assistir a um filme uma vez, e reter a história perfeitamente. Mas, para muita gente, a experiência de consumir cultura é como encher uma banheira, entrar na água e depois vê-la escoando pelo ralo. Pode restar uma pequena quantidade de água na banheira, mas o resto se vai.

“A memória em geral tem uma limitação muito intrínseca”, diz Faria Sana, professora assistente de psicologia na Universidade de Athabasca, no Canadá. “É essencialmente um gargalo”.

A “curva do esquecimento”, o nome pelo qual o fenômeno é conhecido, é mais acentuada nas primeiras 24 horas depois que a pessoa recebe uma informação. Exatamente quanto a pessoa esquece, em termos percentuais, varia, mas a menos que ela revise o material, boa parte dele escorre pelo ralo depois do primeiro dia, e a perda aumenta nos dias subsequentes, o que deixa apenas uma fração do que a pessoa recebeu.

Presume-se que a memória sempre tenha funcionado assim. Mas Jared Horvath, pesquisador da Universidade de Melbourne, na Austrália, diz que a maneira pela qual as pessoas consomem informação e entretenimento hoje mudou o tipo de memória a que atribuímos valor —e a nova preferência não é pelo tipo que ajuda a reter a trama de um filme assistido seis meses atrás.

Na era da internet, a memória declarativa —a capacidade de acessar espontaneamente informações que a pessoa guarda na cabeça— se torna muito menos necessária. É boa para jogos de bar ou para recordar a lista de tarefas a fazer, mas, segundo Horvath, a chamada memória de reconhecimento se tornou em geral mais importante. “Desde que você saiba onde está a informação, e como acessá-la, não precisa da memória declarativa”, ele diz.

Pesquisas mostraram que a internet serve como uma espécie de memória externa. “Quando as pessoas antecipam ter acesso futuro a uma informação, elas recordam menos os detalhes dessa informação”, nas palavras de um estudo. Mas mesmo antes que a internet existisse, produtos de entretenimento serviam como memórias externas sobre eles mesmos. Ninguém precisa lembrar uma citação de um livro se puder consultá-lo. Quando surgiram os videotapes, tornou-se fácil voltar a assistir um filme ou programa de TV.

Não existe mais a sensação de que, se a pessoa não gravar uma dada informação em seu cérebro, ela se perderá.

Com os serviços de streaming e os artigos da Wikipédia, a internet rebaixou ainda mais o limiar da recordação, quanto à cultura que consumimos. Mas não é como se antes recordássemos mais ou melhor.

Platão foi um dos mais famosos ranzinzas da antiguidade, se o assunto era conservar memórias fora do cérebro. No diálogo que ele escreveu entre Sócrates e o aristocrata Fedro, Sócrates conta uma historia sobre o deus Thoth, o descobridor do “uso das letras”.

O rei egípcio Tamo diz a Thoth: “Essa sua descoberta criará o esquecimento nas almas dos aprendizes, porque eles não usarão sua memória; confiarão nos caracteres escritos externos e não recordarão sozinhos”. (É claro que as ideias de Platão só nos são acessíveis hoje porque ele as escreveu.)

“[No diálogo], Sócrates odeia a ideia de escrever porque acha que isso matará a memória”, diz Horvath. “E ele está certo. Escrever com certeza matou a memória. Mas pense em todas as coisas incríveis que obtivemos com a escrita. Eu não trocaria a escrita por uma memória declarativa melhor, em hipótese alguma”. Talvez a internet ofereça uma barganha semelhante: o usuário pode acessar e consumir toda a informação e entretenimento que desejar, mas não reterá a maior parte disso.

É verdade que as pessoas acumulam em seus cérebros muito mais do que são capazes de reter. No ano passado, Horvath e seus colegas da Universidade de Melbourne constataram que as pessoas que assistem a muitos episódios de séries de TV em rápida sequência esquecem o conteúdo dos episódios muito mais rápido do que as pessoas que assistem a um episódio por semana.

Pouco depois da conclusão de um episódio, o pessoal que assistia a múltiplos episódios em sequência registrava os melhores resultados em um teste de memória, mas passados 140 dias seus resultados eram inferiores aos dos espectadores que assistiam a um episódio por semana. Eles também reportaram curtir menos a série do que as pessoas que assistiam a um episódio por dia ou por semana.

As pessoas também estão consumindo palavras escritas em grande volume. Em 2009, o americano médio estava exposto a 100 mil palavras por dia, mesmo que não as “lesse” todas. É difícil imaginar que esse número tenha caído, nove anos mais tarde.

Em “Binge-Reading Disorder” [distúrbio da leitura compulsiva], um artigo para o jornal The Morning News, Nikkitha Bakshani analisa o significado dessa estatística. “Ler é uma palavra nuançada”, ela afirma, “mas o tipo mais comum de leitura é provavelmente a leitura de consumo – lemos, especialmente na internet, para adquirir informação, uma informação que não tem chance de se tornar conhecimento a menos que seja retida”.

Ou, nas palavras de Horvath, “é uma risadinha passageira, e você logo quer outra risadinha. Não estamos falando de aprender alguma coisa, e sim sobre uma experiência momentânea que leva a pessoa a sentir que aprendeu alguma coisa”.

A lição do estudo sobre leitura compulsiva é a de que, se a pessoa deseja recordar aquilo que assistiu ou leu, precisa espaçar o processo. Eu costumava me irritar na escola quando o curso de inglês requeria leitura de apenas três capítulos de um livro por semana, mas havia um bom motivo para isso.

A memória ganha força se a pessoa é forçada a reclamá-la constantemente, diz Horvath. Se a pessoa lê um livro todo de uma vez – por exemplo no avião -, a história ficará armazenada em sua memória de trabalho o tempo todo. “Ela jamais será reacessada”, ele diz.

Sana diz que é comum, quando lemos., que haja uma “sensação de fluência” falsa. A informação está fluindo para o cérebro, o leitor a está entendendo, e ela parece estar sendo armazenada em uma pasta que encontrará lugar na nossa biblioteca mental. “Mas na verdade ela não será fixada se o leitor não se esforçar, e não adotar certas estratégias que ajudam a lembrar”.

Pode ser que as pessoas ajam assim quando estão estudando ou lendo algo para o trabalho, mas parece improvável que, em seus momentos de lazer, façam anotações sobre “Gilmore Girls” para teste posterior. “Você pode estar vendo e ouvindo, mas talvez não esteja percebendo e escutando”, diz Sana. “E acho que é exatamente assim que agimos na maioria do tempo”.

Ainda assim, nem todas as memórias que não são armazenadas devidamente se perdem. Algumas delas podem estar retidas na memória, inacessíveis, até que a pista correta as libere – talvez uma cena de episódio anterior exibida no começo de um novo episódio de “Gilmore Girls”, ou uma conversa com um amigo sobre um livro que ambos tenham lido. A memória é “essencialmente associativa”, diz Sana.

Isso pode explicar por que Paul e outros se recordam do contexto em que leram um livro sem se recordarem de seu conteúdo. Paul mantém um “livro de livros”, apelidado de “Bob” [book of books], desde que estava no segundo grau – uma forma analógica de memória externa.

Ela anota no diário todos os livros que lê. “O Bob oferece acesso imediato aos lugares em que estive, psicológica e geograficamente, em cada dado momento de minha vida”, ela explica em “My Life With Bob”, livro que ela escreveu sobre seu livro de livros. “Cada anotação conjura uma lembrança que de outra forma poderia ter se perdido ou se tornado menos nítida, com o tempo”.

Em artigo intitulado “A Maldição de Ler e Esquecer”, para a revista New Yorker, Ian Crouch escreve que “ler tem muitas facetas, uma das quais pode ser bastante indescritível e naturalmente fugaz, uma mistura de pensamento, emoção e manipulação sensória que acontece no momento e desaparece. Que proporção da leitura, portanto, é só uma forma de narcisismo – um marcador de quem você era e em que estava pensando ao encontrar dado texto?”

Para mim, não parece narcisismo recordar as estações da vida com base na arte que as ocupou – a primavera dos romances de amor, o inverno das reportagens sobre crimes. Mas é verdade que, se você consome cultura na esperança de construir uma biblioteca mental à qual possa se referir a qualquer momento, é provável que se decepcione.

Livros, espetáculos, filmes e canções não são arquivos subidos para os nossos cérebros – são parte da tapeçaria da vida, entretecidos a tudo mais. De longe, pode ser difícil distinguir uma das meadas, mas ela estará lá.

“Seria bacana se nossas memórias fossem limpas – uma informação entra e em consequência a pessoa tem uma memória daquele fato”, diz Horvath. “Mas na verdade, todas as memórias são todas as coisas juntas”.

Julie Beck é editora sênior da revista The Atlantic, onde cobre família e educação

Tradução de PAULO MIGLIACCI

‘Recordista’ em biblioteca pública, aposentado já leu 4.902 livros

0

Henrique Gentile Menezes, de 74 anos, em seu apartamento na Cidade Baixa, em Porto Alegre (Paula Sperb/VEJA.com)

Henrique Gentile Menezes consumiu, em média, 446 obras ao ano na última década. Entre seus preferidos, Balzac, Victor Hugo e Machado de Assis

Paula Sperb, na Veja

Os óculos ficam estrategicamente posicionados ao lado dos livros, em uma prateleira da sala de um apartamento de classe média no bairro Cidade Baixa, em Porto Alegre. Todos os dias, o aposentado Henrique Gentile Menezes, de 74 anos, conta com a ajuda dessas lentes para poder enxergar melhor de perto durante sua atividade favorita: a leitura.

Porém, Menezes não é um leitor comum. Usuário assíduo da Biblioteca Pública Municipal Josué Guimarães, ele já retirou e leu 4.902 livros desde 2007, ano em que o sistema passou a ser informatizado. Ele é o leitor “recordista” da biblioteca – o segundo lugar retirou 1.217 obras. Como frequenta o local desde 1996, antes da informatização, o número de livros retirados por Menezes pode chegar a quase 10.000.

Na última década, ele leu, em média, 446 livros por ano. “Depende do número de páginas do livro. Se a obra tem 500 páginas, levo mais tempo. Mas se é um livro mais curto, de 300 páginas, leio em um dia”, contou Menezes a VEJA. Ele prefere livros de ficção, do gênero romance. “Se o narrador é em primeira pessoa, a leitura é mais fácil porque se apresenta em uma sequência mais lógica. Mas quando são vários narradores, exige mais atenção”, explica. Eventualmente, porém, lê também biografias e obras de filosofia.

Os óculos utilizados para leitura e os livros mais recentes retirados por Menezes (Paula Sperb/VEJA.com)

Uma pesquisa realizada pelo Observatório da Cultura, da prefeitura de Porto Alegre, mostrou que quase a metade dos moradores da cidade, 45,8%, estava sem ler um livro há pelo menos um ano. Do total dos 1.220 entrevistados, 8,5% nunca tinham lido um livro e 19,6% nunca estiveram em uma biblioteca. A pesquisa foi divulgada em 2015.

Nascido na capital gaúcha, filho de um pedreiro e de uma dona de casa, Menezes precisou abandonar a escola aos 12 anos por ordem da mãe. O garoto passou, então, a trabalhar para ajudar no orçamento da família. “Não recebi estímulo para leitura durante a infância”, relembra. Anos mais tarde, retornou aos bancos escolares para concluir os estudos, mas não chegou a cursar faculdade. Antes de se aposentar, trabalhou como comerciário.

O interesse pelos livros surgiu na adolescência, ao conviver com um grupo de jovens católicos do qual se diferenciava por não se considerar religioso. Além dos esportes, o grupo trocava leituras.

Foi assim que alguém lhe emprestou Sonho de uma Noite de Verão, de William Shakespeare. “Depois disso, não parei mais de ler”, recorda. Com tantos livros lidos, os preferidos continuam sendo os canônicos como Honoré de Balzac e Victor Hugo. Entre os brasileiros, seus preferidos são Machado de Assis, Jorge Amado, Erico Veríssimo e Rubem Alves. Quando depara com uma obra ruim, não desiste. “Eu leio até o fim para saber explicar por que não é bom”, conta.

Segundo Renata de Souza Borges, diretora da biblioteca da prefeitura, o acervo possui 33.250 títulos e 42.723 exemplares. Portanto, Menezes já retirou, desde 2007, 14% dos títulos oferecidos. Para que não retire o mesmo livro novamente, criou uma estratégia que discretamente burlava as regras do local. Ele marcava, a lápis, uma letra “H”, inicial do seu primeiro nome, na última página. A tática, porém, foi descoberta e delatada por uma ex-funcionária. “Não tiro a razão dela, estava errado fazer aquilo”, afirma. Todavia, a necessidade de saber qual livro foi lido por ele se mantém. Por isso, revelou um segredo: ele deixa uma discreta marca em cima do número que indica a página de número 50.

Depois que foi descoberto, Menezes parou de deixar sua marca: um “H”, de Henrique, escrito em letra cursiva com um lápis na última página (Paula Sperb/VEJA.com)

No total, a biblioteca tem 12.484 usuários cadastrados. Destes, 5.835 são ativos. De acordo com a diretora, no ano passado, foram feitos 21.306 empréstimos e 44.258 consultas ao acervo. É possível retirar cinco livros por vez. Por isso, Menezes frequenta a biblioteca duas vezes por semana, retirando dez obras.

“Ele lê demais, os olhos ficam ardendo, não se importa de ler no escuro. Faz muito bem ler, mas demais não dá”, conta Mary Ieda Anoni Lourenço, de 61 anos, casada com Menezes. O aposentado tem dois filhos adultos, fruto do primeiro casamento.

A pedido da mulher, Menezes tem interrompido a leitura à noite, para não prejudicar a visão. Ele só fecha os livros para assistir a jogos de futebol ou ouvir música. Ele torce para o Internacional e gosta de escutar Paul Anka, The Platers, Elvis Presley, Beatles, Legião Urbana e Raul Seixas.

“Por causa da literatura, eu mudei muito. A literatura me ajuda, me ensina”, explica. Para ele, o incentivo à leitura deve partir especialmente da escola. “Os alunos precisam receber indicações de livros, resumi-los, apresentá-los. Isso faz falta.”

Go to Top