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Livraria nas montanhas oferece o prazer da leitura a 3.400 m de altura

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Biblioteca laFetrinelli, Mont Blanc Foto: LORENZO PASSONI / ICON DESIGN

laFetrinelli ganhou o título de livraria mais alta da Europa – muito provavelmente do mundo

A. J. Oliveira, no Estadão

Em um pequeno espaço perto do topo de uma das maiores montanhas da Europa, abriu as portas recentemente uma loja de livros diferente de qualquer outra: a laFeltrinelli 3466. Situada no interior de uma estação de teleférico a uma altitude de 3.466 metros, ganhou o título de livraria mais alta da Europa – muito provavelmente do mundo. Foi construída em Ponta Helbronner, um dos cumes que despontam do icônico Mont Blanc, que não é um único monte, mas sim um maciço de montanhas dividido pela Itália, França e Suíça.

Para chegar lá, é preciso subir por 20 minutos a bordo de uma cabine ampla e moderna, com grandes janelas que proporcionam vista panorâmica da deslumbrante natureza selvagem dos Alpes. É como o bondinho do Pão de Açúcar, só que giratório, para que todos os até 80 visitantes a bordo tenham a chance de contemplar tanto as montanhas, quanto os dois cênicos vales lá embaixo, Ferret e Veny, além da charmosa Courmayeur. A cidade, destino famoso entre alpinistas, fica a poucos quilômetros da fronteira francesa.

Durante a subida, dá para ver do alto as cabras ibex, exímias escaladores nativas daquela região. No século 19, a espécie foi implacavelmente caçada e levada à beira da extinção: estima-se que, em 1856, havia só 60 animais confinados em uma reserva. Mas projetos de preservação conseguiram elevar o número de espécimes para 40 mil e reintroduzi-los pelos Alpes. Lá em cima, fica até um pouco difícil de respirar, já que o ar é mais rarefeito.

Interior da biblioteca laFetrinelli Foto: LORENZO PASSONI / ICON DESIGN

A livraria em si tem o tamanho de um bom apartamento: 60 m². Apesar de pequena, é aconchegante e convidativa. Com catálogo de 376 títulos e 1.726 volumes, a laFeltrinelli 3466 foi inaugurada em 21 de junho, a princípio com a ideia de ser algo temporário, uma pop-up store. Duraria só até setembro, para aproveitar a alta temporada dos meses de verão. “Mas vendeu tão bem, tanto livros quanto souvenirs, que decidimos manter”, afirma Maria Lagazzi, porta-voz da Skyway Monte Bianco, empresa que opera o teleférico.

Ela conta que a visão do Mont Blanc e a sensação de estar em um lugar único no mundo incentiva os visitantes a levarem uma recordação. Toda vez que alguém compra um livro na livraria mais alta da Europa, Ylenia Mareliati, atendente de caixa, usa um carimbo especial para eternizar nas páginas a lembrança da visita. “É belo trabalhar aqui com essa vista”, ela confessa. O ponto forte são os livros de montanhismo: uma vasta seleção de títulos conta histórias de superação de alpinistas e explora a relação do ser humano com a montanha.

Impossível não se arrebatar por elevadas reflexões ao folhear um bom livro em uma das mesinhas à frente da janela. Entre uma página e outra, novas ideias vão sendo absorvidas e ganham ares sublimes ao levantar o olhar e contemplar o gelo eterno do Mont Blanc. Mesmo no verão, lá em cima fazia 3 graus — no inverno pode chegar a menos 40. Há um mirante em cima da estação para admirar a magnificência e respirar o ar puro do cume.

Por trás do projeto da livraria, há um conceito que desdobra paralelos instigantes entre viajar, ler e subir a montanha. “Os leitores, como os próprios livros, têm dentro de si o desejo extraordinário de horizontes sempre novos, e o fôlego para ir adiante e buscá-los”, lê-se na placa em uma das paredes da sala que, até junho, abrigava uma exposição de cristais extraídos do subsolo da montanha. “Este lugar é feito para eles: leitores e livros. Um lugar único e inesperado onde se pode fazer uma pausa, encontrar novas histórias, imergir na leitura com o Mont Blanc como companheiro e fonte de inspiração.”

A verdade é que a parceria se mostrou bastante proveitosa para ambas as empresas. Como uma das maiores redes de livrarias italianas, com mais de 120 lojas espalhadas pelo país, a marca atrai visitantes para o teleférico, que por sua vez oferece ao grupo Feltrinelli a chance única de estar presente no ponto mais alto da Europa Ocidental – o Monte Elbrus, com seus 5,6 km de altura, chega a ser maior que o Mont Blanc.

Mas, tecnicamente, fica no Cáucaso, em território russo, então é meio europeu, meio asiático. Outra livraria com título curioso, que está até no Guinness Book, fica a 230 metros do chão, no 60º andar de um hotel em Xangai, na China: é a mais alta dentro de um prédio.

Em termos de altura absoluta, é claro que ela não chega nem perto da nova livraria alpina. Durante sua inauguração, a presidente da Skyway Monte Bianco, Federica Bieller, ressaltou seu significado. “Graças à abertura da laFeltrinelli 3466, nosso tecnológico teleférico valoriza ainda mais a subida, tornando-a uma excursão cultural”, explicou a executiva. “A valorização da cultura de montanha, passar adiante as palavras dos autores que a amaram e a desafiaram, o Mont Blanc como cenário para fantasiar”, diz Bieller.

Em funcionamento no lado italiano da montanha desde 1947, toda a infraestrutura passou por uma gigantesca reforma entre 2011 e 2015. Com um investimento de € 110 milhões, a capacidade de visitantes por ano cresceu de 100 mil para 300 mil. As estações formam um verdadeiro complexo turístico, com diversas atrações ao longo da subida. Na estação-base, Courmayeur: The Valley (O Vale) há apenas a bilheteria e um café.

Mas, na parada intermediária, Pavillon: The Mountain (A Montanha), a 2.173 metros de altitude, o visitante se torna explorador e tem uma miríade de atividades à sua disposição. No Buffet Alpino, pode degustar os deliciosos sabores da bela região do Vale de Aosta, onde fica Courmayeur; dentro da estação tem até cinema e centro de convenções, além de uma vinícola um tanto especial – a Cave Mont Blanc.

Seu espumante Cuvée des Guides, com apenas cem garrafas produzidas ao ano, tem propriedades únicas por conta das baixas pressão atmosférica e temperatura naquela altitude. Do lado de fora, um passeio pelo Jardim Botânico Saussurea, que reúne mais de 900 espécies de plantas e flores de várias partes do mundo, oferece um vislumbre da natureza alpina, com uma profusão de insetos voando, pulando e zunindo por toda parte.

Montanhistas podem ir e vir como quiserem pelo ambiente ao redor, fazendo trilhas nos meses mais quentes, mas recomenda-se sempre o acompanhamento de guias. “A montanha é livre, nós não freamos ninguém”, afirma Lagazzi. O mesmo vale para esquiadores, que podem descer o Mont Blanc no inverno, mesmo sem grandes estruturas para a prática. É preciso ter experiência. “Não é como esquiar em pista”, ela diz. Já quando chega na estação final, Punta Helbronner: The Sky (O Céu), o explorador vira peregrino.

Aqui, no ponto mais alto da Europa, ou em outra perspectiva, o ponto mais baixo do céu, além da laFeltrinelli 3466 e do observatório 360 graus, é possível fazer uma leve refeição ou tomar um café no bistrô panorâmico, e até atravessar a vertiginosa passarela toda de vidro SkyVertigo. A sensação é de estar caminhando pelo céu sobre o gelo eterno do cume lá embaixo. Àquela altitude, o clima muda rápido: Lagazzi dá a dica de fazer a subida de manhã, quando a visibilidade é melhor. Tocar o céu e regressar ao vale é um pouco como começar e concluir a leitura de um bom livro – não se é mais o mesmo no final.

Travessa abre sua primeira livraria de rua em São Paulo

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(Reprodução/Instagram)

Espaço fica em uma pequena casa de 200 metros quadrados, na Rua dos Pinheiros

Publicado na Veja

A Travessa, dona das livrarias mais charmosas e bem-sucedidas do Rio, inaugura dia 9 sua primeira loja de rua de São Paulo. Ela fica no número 513 da Rua dos Pinheiros, em uma pequena casa de 200 metros quadrados que foi totalmente reformada para abrigar a nova livraria do bairro. Esta é a segunda loja de Rui Campos na cidade – a outra, ainda menor, fica no Instituto Moreira Salles, na Avenida Paulista.

“Sempre tivemos o desejo de fazer uma Travessa em São Paulo, e também muitos pedidos, e ficávamos pensando onde ela poderia estar. Se a Travessa tem uma estratégia é a de interpretar o lugar onde ela vai atuar, tentar falar a língua do pessoal que está por ali”, conta Campos que começou a frequentar o bairro depois que a Travessa assumiu a livraria oficial da Festa Literária Internacional de Paraty – é ali que fica a sede da Casa Azul, organizadora da Flip.

Rui gostou da vizinhança e tratou de procurar um imóvel grande para instalar sua livraria, e então percebeu que nada por ali era espaçoso. “Começamos a pensar nisso entre maio e junho do ano passado, muito antes de essa crise da Saraiva e Cultura e do modelo de megaloja mostrar problema. Foi quando decidimos que não tínhamos que fazer ali uma loja grande e que teríamos que agir de acordo com a linguagem de Pinheiros – de lojas com uma curadoria muito especial”, diz.

A ideia de Rui é investir em atendimento de qualidade e acervo especial, moderno, com uma seleção muito mais rigorosa do que a feita nas demais lojas. Só para se ter uma ideia, a de Pinheiros deve abrigar, em seus 200 m², algo como 18 mil livros. A Livraria da Travessa de Ipanema, uma das mais tradicionais da rede, tem 80 mil volumes e um espaço cinco vezes maior que a filial paulistana. O projeto arquitetônico daqui, como das demais lojas da rede, é de Bel Lobo.

A seleção inclui todos os gêneros, com destaque para temas atuais, como política e feminismo, e também para obras de autores portugueses – numa espécie de contrapartida informal pela operação em Lisboa, onde ela desembarcou em maio para ocupar 300 m² da Casa Pau Brasil, num casarão tombado do bairro cult de Príncipe Real.

A livraria é dividida em dois andares e Rui garante que vai ter espaço para sentar, ler um livro, tomar um café ou um vinho. “Vamos ter um mini mini minicafé, algumas poucas coisas para comer, uma geladeira com um vinhozinho e outras opções. O cliente escolhe o que quer, faz o seu próprio café, se serve e paga na saída. Vai ser um espaço gostoso e isso é fundamental porque a função da livraria é ser a criadora de demanda pelo livro”, explica. Segundo o livreiro, antigamente, as pessoas chegavam ao balcão e pediam o que queriam. Hoje, não. Elas vão, passeiam e descobrem um livro.

Neste momento de crise do mercado editorial, o modelo proposto agora por Rui pode funcionar melhor, tornando o negócio mais viável. Comenta-se que esse modelo poderia ser replicado pela Travessa em outros bairros de São Paulo, mas ele não confirma nem descarta.

“Não temos projeto para uma segunda loja, mas isso não está fora de questão. É claro que se percebermos que esse modelo funcionou superbem e enxergarmos um outro lugar, nós continuaremos”, diz o livreiro. A questão, ele explica, é que a Travessa sempre atua de acordo com o momento. “Lisboa nunca esteve no plano. Fomos convidados, conhecemos o projeto, começamos a pensar nele, nos apaixonamos e fizemos. São Paulo foi assim também.”

Em 30 anos, a Travessa abriu 10 lojas – para 2020 está prevista uma em Niterói. “Mas São Paulo não faz parte de um plano de expansão, não temos um plano de negócio; só paixão.”

A Livraria da Travessa começa a vender seus livros nesta sexta-feira (9) e eventos já estão programados para a próxima semana.

A inauguração oficial, porém, será no domingo, 18, com uma festa que começa ao meio-dia e vai até as 22 horas. Rui Campos explica que a inauguração das lojas da Travessa são sempre assim: com atividades, música e leitura de poesia ao longo do dia.

O escritor cubano Leonardo Padura será o primeiro a autografar na nova livraria. Ele estará lá no sábado (10) das 18h às 20h, assinando A Transparência do Tempo e seus outros títulos publicados pela Boitempo. Na quarta, 14, Miguel Del Castillo lança Cancún, pela Companhia das Letras.

Após mais de 40 anos, Livraria Camões, no Centro do Rio, encerra suas atividades

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Livros estão sendo vendidos com descontos | Nelson Lima Neto

Nelson Lima Neto, no Blog do Ancelmo Gois

A vida da Livraria Camões, a histórica loja que há mais de 40 anos ocupa o mesmo espaço no Edifício Central, na Av. Rio Branco, encerra-se hoje. Durante os últimos dias, como se vê na foto, a loja colocou os livros à venda com descontos que fizeram o movimento triplicar — no horário do almoço, ficava difícil até circular pelo salão. Será o fim da última livraria física no Rio dedicada à literatura portuguesa.

Desde 2014, o espaço foi assumido pela editora Almedina, que passou a oferecer suas edições de livros, a maioria sobre especialidades como o Direito, Ciências Sociais e Humanos, e Economia.

Conheça duas duas livrarias na China de tirar o fôlego

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Projeto assinado pelo escritório Alberto Caiola Design funciona como livraria, café e loja de móveis (Foto: Reprodução)

Projetos impressionam pelo toque de ousadia ao repensar a experiência da compra de livros

Maria Beatriz Gonçalves, na Casa e Jardim

A combinação de livraria e café é bastante comum mundo afora. Mas dois projetos recentes na China redefiniram o conceito de livraria contemporânea com consideráveis níveis de ousadia.

Multifuncionais, os arcos funcionam como divisores de espaço, como estante e até apoio para o caixa. (Foto: Reprodução)

Na Harbook, em Hangzhou, o escritório Alberto Caiola Design criou arcos que são o grande destaque do projeto. Multifuncionais, eles são usados como divisores de espaço, como estante e até apoio para o caixa. Com 600 m², o espaço é dividido em livraria, café e showroom de móveis de design.

Outra livraria bem enfeitada e extravagante é a rede do editor de livros Jin Hao, de Xangai. Para enfrentar a concorrência (vinda principalmente das lojas virtuais), Jin convidou o designer Li Xiang, da XL-Muse, para ajudá-lo a reimaginar o espaço de 930 m². Tetos espelhados e estantes coloridas marcam os abientes inspirados na natureza.

Tetos espelhados e estantes coloridas marcam o espaço, inspirado na natureza. (Foto: Reprodução) 

Não importa se os livros estão em decadência ou voltando com tudo, são dois lugares para gastar um tempo a mais.

Travessa: uma das melhores livrarias do Brasil chegou a Lisboa

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Fica no Príncipe Real e tem uma curadoria e programação cultural cuidada.

Ricardo Farinha, no NIT

Rui Campos tinha 19 anos quando se mudou para o Rio de Janeiro, no Brasil, vindo de Belo Horizonte. Era o ano de 1975 e a ditadura ainda era uma realidade naquele país, pelo que o trabalho de livreiro não era fácil.

Na loja tentavam comprar livros a editoras de vários países, incluindo Portugal, mas muitos autores e temas eram proibidos e os exemplares acabavam por ficar na alfândega. Essa primeira livraria onde trabalhou, a Muro, acabou por fechar. Em 1986 Rui Campos lançava o próprio negócio, na Travessa do Ouvidor, e foi assim que ficou batizada a Livraria da Travessa.

O resto, como se costuma dizer, é história. No Brasil existem oito espaços atualmente e a 18 de maio foi inaugurada a primeira fora do país — o local escolhido foi o Príncipe Real, em Lisboa. Está integrada no piso térreo da Casa-Pau Brasil, que já era conhecida por acolher várias marcas brasileiras de diferentes áreas.

São paredes e paredes com estantes com livros, num espaço de 300 metros quadrados que pretende receber apresentações e tertúlias com regularidade, entre outras iniciativas culturais.

As obras estão divididas em áreas como Literatura, Fotografia, Arquitetura, Artes, Ciências Humanas ou Biografias. Apesar de haver bastantes autores brasileiros — como Vinicius de Moraes, Machado de Assis, Chico Buarque, Caetano Veloso, Jorge Amado ou Milton Hatoum —, os portugueses também estão em destaque na Travessa.

Nas várias estantes podemos encontrar livros de nomes como Antônio Lobo Antunes, Mia Couto, Alexandra Lucas Coelho, Miguel Torga ou Eça de Queirós, entre outros.

Nas próximas semanas, vai ser instalada uma cafeteria no espaço, que será explorada pela Brigadeirando, que serve brigadeiros e vai ter sumos brasileiros naturais. A Travessa pode ser visitada todos os dias: de segunda-feira a sábado entre as 10 e as 22 horas, sendo que aos domingos abre mais tarde, pelas 11 horas, e fecha mais cedo, às 20 horas.

A tendência na capital portuguesa tem sido mais o encerramento das livrarias, mas o negócio da Travessa parece estar a correr bem. Depois desta, Rui Campos vai abrir a sua décima livraria em São Paulo.

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