Contando e Cantando (Volume 2)

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Livrarias em crise: Saraiva fecha mais três lojas

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Saraiva: empresa confirmou o fechamento das três lojas (Saraiva Facebook/Divulgação/Divulgação)

As más notícias não param por aí e momento não é fácil para a empresa, nem para o setor

Publicado na Exame

São Paulo – A Livraria Saraiva fechou duas lojas nesta sexta-feira, (15): a de Copacabana, no Rio, e a da Rua São Bento, em São Paulo. As más notícias não param por aí. A livraria Saraiva do Shopping Higienópolis também vai fechar – ela só funciona até o fim de março.

Não é um momento fácil para a empresa, que tentou passar o ponto da loja de Copacabana por R$ 400 mil no ano passado – o aluguel do espaço custava R$ 140 mil, segundo informações divulgadas na época.

Poucos dias antes, em outubro, mercado e clientes foram surpreendidos com a notícia de que a Saraiva estava fechando 20 lojas. Um mês depois, seguindo os passos da Livraria Cultura, também em crise, ela entrou com pedido de recuperação judicial.

Em janeiro, a rede registrou prejuízo de R$ 10,6 milhões, com a queda de 64% das receitas líquidas da empresa – que ela credita principalmente à descontinuidade, em outubro, da categoria eletrônicos e informática. No mesmo período de 2018, houve lucro de R$ 5 milhões.

Em comunicado à coluna, a Saraiva disse que “está em constante avaliação da operação de sua rede de lojas, considerando aberturas, reformas e fechamentos, como parte de seu plano de manter sua operação saudável”. A empresa confirmou o fechamento dessas três lojas. Nos bastidores, falava-se também do fechamento de outras três ou quatro livrarias, mas a Saraiva disse que a informação não procede.

A loja dos livros impossíveis

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Conhecida como a ‘loja dos livros impossíveis’ a Livraria Simples, em SP, quer ser um ponto de cultura e é a segunda da série ‘Livrarias do Brasil’

Talita Facchini, no Publishnews

Na segunda matéria da série Livrarias do Brasil, que quer mapear e apresentar iniciativas de livrarias independentes Brasil adentro, o PublishNews foi conhecer de perto a Livraria Simples, a “loja dos livros impossíveis” e que tem como objetivo ser um ponto de cultura e causar impacto social.

Localizada na Bela Vista (Rua Rocha, 259), bairro da região central de São Paulo, a história da livraria começou mesmo na Mooca, em 2016, quando dois amigos, Adalberto Ribeiro e Felipe Faya, juntaram seus acervos e começaram a vender livros para os amigos. Meses depois, a livraria mudou de lugar e tomou os cômodos de uma casa na Bela Vista, com livros do chão ao teto, um ar intimista e um jardim para quem quiser ler um livro ou apenas passar o tempo.

“Fizemos 80% da mudança em um fusca, o resto foi com o carro emprestado da mãe do Felipe, ou seja, fizemos tudo com um Fusca e um Corsa”, conta Adalberto, que trabalha com livros desde os 16 anos. O visual da livraria também foi construído aos poucos e com a ajuda de vários amigos: móveis usados, estantes de madeira reutilizadas, muito garimpo, cada item veio de um lugar diferente e ajudou a construir um ambiente aconchegante e que pudesse acolher o leitor.

Na casa, junto com a livraria funcionam dois outros projetos: uma tabacaria – a Marajó Tabaco – e o acervo do artista Otavio Roth, por isso a ideia de ser mais que uma simples livraria e se tornar um ponto de cultura.

Já o acervo começou com 900 livros – 700 de Adalberto e outros 200 de Felipe – e agora já conta com 11 mil exemplares. Segundo Adalberto, ele continua crescendo e se modificando todos dias. “Nosso acervo se move muito com base na demanda que recebemos, se qualquer pessoa vier aqui e perguntar se temos um livro específico, sistematicamente vamos responder que não, mas que podemos conseguir. Independente do livro que seja, se está esgotado há muito tempo, se é um livro de outro país, um livro em japonês, dificilmente vamos falar que não temos e ficar por isso mesmo”, explica deixando claro o porquê da alcunha de “loja dos livros impossíveis”.

A ideia da Simples é ser um espaço democrático, um ambiente agradável para dar acesso ao maior número de pessoas. “Nossa ideia foi criar um ambiente em que as pessoas não se sintam acanhadas de entrar. O importante é a nossa marca ficar na cabeça das pessoas e quando elas pensarem em comprar alguma coisa elas venham comprar com a gente”, conta Alberto.

Para ficar na cabeça das pessoas, tem que ser diferente e se fazer presente de alguma maneira. Além do ambiente, a livraria viu nos seus pacotes uma maneira de chamar atenção e ir para a casa do leitor junto com o livro comprado. “Os pacotes começaram desde o início, temos várias empresas parceiras da livraria que fazem as coisas acontecerem e a Veio na Mala é uma delas, que desde o começo fornecem os carimbos pra gente”, explicou. Junto com os pacotes personalizados a Simples acertou também no modo de administrar as redes sociais, e com legendas divertidas e imagens bem feitas, o Instagram da loja já faz sucesso. “Ele é muito divertido e dá muito trabalho, mas daria mais ainda se não fosse do jeito que é”, brinca Adalberto. “Ele tem essa coisa meio “tosca”, mas é divertido, chama atenção e dá um resultado muito legal, acho que conseguimos acertar na verdade”.

Outra ação da livraria são as entrevistas feitas com os moradores do bairro e foi o modo que a Simples encontrou de fazer parte da comunidade. Já passaram por lá o garçom do boteco da esquina, a dona do brechó da rua e até um bailarino poliglota com muita história para contar e cultura para compartilhar. As entrevistas são postadas no Instagram da loja para todo mundo poder acompanhar.

Adalberto Ribeiro, Felipe Faya, Felipe Berigo e Aline Tiemi, os nomes por trás da Simples sabem que têm que fazer muito com pouco se quiserem crescer. “Simples é o contrário do fácil”, lembra Adalberto, e junto com a vontade de fazer mais, surgiu em novembro passado a oportunidade de fazer parte da programação paralela do Sesc Paulista.

A partir daí surgiu a Feira de Trocas que ficou por lá durante dois meses, mas que deu tão certo que os sócios sentiram a necessidade de torna-la recorrente. “Conseguimos ainda juntar a troca de livros com o projeto do Otavio Roth. Quando vivo, ele tinha um projeto que chamava Árvore, em que crianças do mundo inteiro desenhavam em papéis no formato de folhas. A ideia dele era conseguir um milhão de papeizinhos, e com as feiras retomamos esse projeto. Realizamos uma oficina em que as crianças vão lá, desenham nas folhas e ganham um livro”. Para quem quiser ver a exposição, Liberdade para respirar, é só visitar o Sesc Bom Retiro.

Sobre os planos para o futuro, Adalberto não fala em números, para ele, o impacto social que a livraria pode causar é mais importante do que o lucro em si. E sobre sonhos, ele também prefere guardar segredo por enquanto, mas a ideia, é sempre se fazer presente. “‘Que ninguém se engane, só se consegue a simplicidade através de muito trabalho’, essa frase da Clarice Lispector acho que resume bem, ela combina muito com o nome da livraria e como levamos nosso trabalho”, lembra Adalberto.

A Livraria Simples funciona de segunda a sábado, das 10h às 18h, e de vez em quando aos domingos e feriados, como a própria página da loja já avisa.

Livraria em Connecticut se especializa na publicação de livros brasileiros

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Livro de Machado de Assis traduzido para o inglês

Publicado no Achei USA

A Série Brasil da editora inclui volumes bilíngues de alguns dos maiores trabalhos de literatura clássica do Brasil

A New London Librarium, pequena editora literária localizada no estado de Connecticut, se tornou a principal editora de livros sobre cultura, história, literatura e temas brasileiros na América do Norte. “O Brasil ainda é um mistério para a maioria dos americanos”, disse Glenn Alan Cheney, editora-chefe da New London Librarium. “As praias, a Amazônia e algumas cidades são reconhecidas por muitos, mas as áreas mais profundas da cultura, história e literatura ainda estão fora do escopo do conhecimento geral.”

A Série Brasil da editora inclui volumes bilíngues de alguns dos maiores trabalhos de literatura clássica do Brasil. Quatro títulos são de Machado de Assis, considerado um dos maiores escritores da literatura ocidental. Outros escritores incluem Rubem Alves, um popular psicanalista e teólogo; João do Rio, um dos primeiros jornalistas literários; e Mário de Andrade, criador da ficção modernista brasileira.

Muitas das traduções foram possíveis com o apoio da Fundação Biblioteca Nacional e do Ministério da Cultura. Com esse apoio, a editora espera produzir novos títulos escritos por Monteiro Lobato e Lima Barreto em breve.

“A New London Librarium é corajosa em seu nobre esforço de trazer a literatura brasileira para o mundo fora do Brasil”, diz a doutora Ana Lessa-Schmidt, editora de tradução sênior. “Embora o público em geral tenha pouco notado, acadêmicos e brasileiros nos EUA estão demostrando muito interesse em nossa coleção.” Lessa-Schmidt traduziu os recém-lançados Good Days! Chronicles of Machado de Assis 1888-1889 (Bons Dias! Crônicas de Machado de Assis, 1888-1889). Esta coleção bilíngue de ensaios da Gazeta de Notícias do Rio de Janeiro é a mais completa em qualquer idioma.

O catálogo da Série Brasil da New London Librarium pode ser baixado em NLLibrarium.com/brazil.

“Livraria chinesa usa espelhos no teto para criar ambientes além da imaginação”

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“Projeto do escritório XL Muse na China transporta a fantasia dos livros para o mundo real”


Publicado na Gazeta do Povo

“Transportar a fantasia dos livros para o mundo real não é das tarefas mais fáceis. Mas os arquitetos do escritório XL Muse a executaram com maestria no projeto da livraria Zhongshuge, localizado em Hangzhou, na China.”

“O encantamento começa já na fachada. Envidraçada e coberta por um texto escrito em diferentes línguas, ela dá para o primeiro dos quatros espaços da livraria, no qual pilares brancos fazem a vez de prateleiras e trazem um sem número de títulos, que dobram de quantidade a partir do reflexo espelhado pelo teto.”

“Fotos: Shao Feng/reprodução”

“Os espelhos, inclusive, são as grandes estrelas do projeto. Presentes em todos os ambientes da livraria, são eles os responsáveis não apenas por ampliar, mas também por destacar as cores, formas e soluções que trazem ludicidade ao projeto, como os displays coloridos da sala de leitura das crianças.

Reproduzindo formas de montanha-russa, carrossel, roda-gigante, navio pirata e balões de ar quente, ela é um convite à interação e à fantasia e sua explosão de cores faz com que seja difícil até mesmo precisar os limites físicos do ambiente.”

“Nos demais espaços, destinados aos adultos, quem reina é a madeira que, em tonalidade escura e alidada às luminárias dispostas ora no teto, de forma que parecem flutuar, ora sobre o assento da arquibancada (que também serve de prateleira), assegura a sensação de conforto aos espaços, indispensável para uma boa leitura.


Veja mais fotos do projeto”




“Harry Potter” ajuda a salvar histórica Livraria Lello, em Portugal

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Local se tornou passagem obrigatória para os fãs da franquia

Publicado no Correio do Povo

À beira da falência, a histórica livraria Lello, do Porto – que teria inspirado J.K. Rowling a escrever “Harry Potter” – foi salva ao cobrar entrada dos turistas, entre eles os fãs do bruxo. Com aparelhos fotográficos nas mãos, dezenas de pessoas fazem fila para visitar a livraria localizada no centro histórico do Porto, que se tornou uma das principais atrações turísticas da cidade do norte de Portugal.

O local se tornou passagem obrigatória para os fãs de “Harry Potter”. A romancista britânica J.K. Rowling, que viveu no Porto no início dos anos 1990, inspirou-se no local para descrever o ambiente e decorações da saga. Como outras livrarias independentes do país, a Lello esteve prestes a fechar as portas quatro anos atrás, mas agora recebe perto de 4.000 visitantes diariamente na alta temporada.

Atualmente, livraria cobra 5 euros para o acesso e vende, em média, 1.200 livros por dia | Foto: Miguel Riopa / AFP / CP

Para evitar a falência, a direção da livraria teve a ideia de aumentar as atividades culturais e de cobrar uma entrada, que agora é de 5 euros. O preço do direito de entrada é como um “bônus dedutível quando você compra um livro”, explicou um dos assessores de imprensa da livraria.

Esse sistema instalado há quatro anos “facilitou a regulação do fluxo de turistas” e “transformou o visitante em leitor”, comemorou Aurora Pedro Pinto, presidente do conselho de administração. Este modelo é um sucesso, porque fez a livraria se recuperar e superar um milhão de visitantes em 2018, passando de nove funcionários em 2015 para 60 no começo de 2019, e vendendo em média 1.200 livros por dia, segundo números divulgados pela Lello.

Esta livraria neogótica, com sua fachada branca e sua famosa marca “Lello & Irmao”, é considerada um “templo da literatura”, com um estoque de mais de 60 mil livros, e viu os maiores escritores portugueses circularem por suas estantes. Suas paredes, portas, janelas e colunas esculpidas em madeira, sua imensa claraboia colorida no teto, suas prateleiras de vários metros de altura e, especialmente, sua escadaria em forma de oito coberta de laca vermelha, concederam a ela – que comemora seu aniversário de 113 anos -, a possibilidade de ser distinguida várias vezes como uma das mais belas do mundo.

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