Vitrali Moema

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Príncipe Harry dá livro raro de R$ 41 mil para o sobrinho, o príncipe Louis

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O pequeno ganhou um clássico da literatura infantil inglesa – Foto: Divulgação

Juliana Gomes, na Folha de Pernambuco

O príncipe Harry fez a linha tio fofo e fez questão de dar um presentão de batizado para o sobrinho mais novo, o príncipe Louis. Ele pagou £ 8 mil (R$ 41 mil) por uma primeira edição do clássico da literatura infantil inglesa, “Winnie-the-Pooh”, publicado pela primeira vez em 1926. Naquela época, apenas 30 mil cópias da obra chegaram às livrarias de todo o mundo. E da leva original, as que restaram são consideradas relíquias.

Winnie-the-Pooh – Crédito: Divulgação

Peter Harrington foi o responsável pela venda. Ele é especializado em livros raros e tem um ateliê no Kensignton, bairro nobre da capital inglesa. Em algumas entrevistas, Harry já disse que uma das melhores memórias que tem da infância são as historinhas que ele ouvia da mãe, princesa Diana, antes de dormir.

Segundo o “The Sun”, o príncipe Harry considerou comprar a primeira edição original de “Aline Através do Espelho”, de Lewis Carroll, mas acabou desistindo. Mas não foi por causa do preço – o triplo do que ele acabou levando –, mas por considerar que as aventuras do ursinho eram mais cativantes para o pequeno.

Pesquisadores encontram livros envenenados em biblioteca universitária

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Parece O Nome da Rosa, mas não é: livros de biblioteca dinamarquesa possuem arsênio em suas capas (Foto: Flickr/Purple Heather)

 

Jakob Povl Holck e Kaare Lund Rasmussen, na Galileu

Alguns deve se lembrar do livro letal de Aristóteles que tem um papel importante na premissa da obraO Nome da Rosa, de Umberto Eco. Envenenado por um monge beniditino louco, o livro dá início ao caos no monastério italiano do século 14, matando todos os leitores que lambem seus dedos antes de virar as páginas tóxicas. Algo do tipo poderia acontecer na realidade?

Nossa pesquisa indica que sim: descobrimos que três livros raros da coleção da biblioteca da Universidade do Sul da Dinamarca contêm grandes concentrações de arsênico em suas capas. Os livros são de vários assuntos históricos e foram publicados entre os séculos 16 e 17.

As características venenosas dos livros foram detectadas por meio de análises de raios-x fluorescente. Essa tecnologia demonstra o espectro químico de um material ao analisar a radiação “secundária” emitida por ele durante uma grande concentração de energia e é bastante utilizada em campos como os da arqueologia e da arte para investigar os elementos químicos de louças e pinturas, por exemplo.

Um dos livros venenosos (Foto: Universidade do Sul da Dinamarca)

Brilho verde

Levamos esses livros raros para os raios-x porque a biblioteca já tinha descoberto que fragmentos de manuscritos medievais, como cópias da lei romana e da lei canônica, foram utilizados para desenvolver suas capas. É bem documentado que encadernadores dos séculos 16 e 17 costumavam reciclar pergaminhos antigos.

Tentamos identificar os textos usados em latim, ou pelo menos tentar ler parte desses conteúdos. Mas então descobrimos que os textos em latim nas capas dos três volumes eram difíceis de ler por conta de uma camada grossa de tinta verde que escondia as letras antigas. Então os levamos para o laboratório: a ideia era atravessar a camada de tinta usando raios-x fluorescentes e focando nos elementos químicos da tinta que estava por baixo dela, como o ferro e o cálcio, na esperança de que as letras ficassem mais legíveis para os pesquisadores da universidade.

A nossa análise, no entanto, revelou que o pigmento verde da camada era de arsênio. Esse elemento químico está entre as substâncias mais tóxicas do mundo e a exposição a ele pode causar vários sintomas de envenenamento, o desenvolvimento de câncer e até morte.

O arsênio é um metalóide que, na natureza, geralmente é combinado com outros elementos como carbono e hidrogênio. Esse é conhecido como arsênico orgânico. Já o arsênio inorgânico, que pode ocorrer em formas puramente metálicas e em outros compostos, tem variáveis mais perigosas e que não diminuem com o passar do tempo. Dependendo no tipo e duração de exposição, os sintomas do arsênio podem incluir irritação no estômago, no intestino, náusea, diarreia, mudanças na pele e irritação dos pulmões.

Acredita-se que o pigmento verde que contém arsênio seja do tom “verde Paris”, que contém acetoarsênio de cobre. Essa cor também é conhecida como “verde esmeralda” por conta de seus tons verdes deslumbrantes parecidos com o da pedra rara. O pigmento — um pó cristalino — é fácil de fazer e já foi utilizado com vários propósitos, principalmente no século 19. O tamanho dos grãos do pós influenciam o tom das cores, como pode ser visto em tintas a óleo. Grãos maiores produzem um verde mais escuro, enquanto os menores produzem um verde mais claro. O pigmento é conhecido principalmente por sua intensidade de cor e resistência a desaparecer.

Tom conhecido como verde Paris (Foto: Wikimedia/Chris goulet )

Pigmento do passado

A produção industrial do verde Paris começou no início do século 19 na Europa. Pintores impressionistas e pós-impressionistas usavam diferentes versões do pigmento para criar suas vívidas obras de arte. Isso significa que muitas peças de museu hoje contêm o veneno. Em seu auge, todos os tipos de materiais, até capas de livros e roupas, podiam receber uma camada do verde Paris por razões estéticas. O contato contínuo com a substância, é claro, levava a pele dos envolvidos a desenvolver alguns dos sintomas de exposição abordados acima.

Mas na segunda metade do século 19, os efeitos tóxicos da substância eram mais conhecidos, e as variáveis de arsênio pararam de ser utilizadas como pigmentos e passaram a ser usadas mais em pesticidas em plantações. Outros pigmentos foram encontrados para substituir o verde Paris em pinturas e na indústria têxtil. No meio do século 20, o uso da substância em fazendas também foi diminuindo.

No caso dos nossos livros, o pigmento não foi utilizado por motivos estéticos. Uma explicação plausível para a aplicação — possivelmente no século 19 — da substância em livros velhos é para protegê-los de insetos e vermes. Em algumas circunstâncias, compostos de arsênio podem ser transformados em um tipo de gás venenoso com cheio de alho. Há histórias sombrias de papeis de parede vitorianos verdes acabando com a vida de crianças em seus quartos.

Agora, a biblioteca guarda nossos três volumes venenosos em caixas separadas em cabines ventiladas. Também planejamos em digitalizá-los para minimizar o contato físico. Ninguém espera que um livro contenha uma substância venenosa, mas isso pode acontecer.

*Jakob Povl Holck é pesquisador da Universidade do Sul da Dinamarca e Kaare Lund Rasmussen é professor de química e farmacêutica na mesma instituição. O texto original foi publicado em inglês no site The Conversation.

Documentário reconta história do maior ladrão de livros raros do país

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Nathalia Durval, na Folha de S.Paulo

Laéssio Rodrigues de Oliveira, 44, decidiu largar o trabalho de balconista em uma padaria em São Bernardo do Campo, em São Paulo, para se tornar ladrão de livros.

Hoje na penitenciária Milton Dias Moreira, no Rio, teve outras quatro passagens pelo sistema carcerário. Cumpriu quase dez anos e foi condenado a mais uma década.

O jornalista e diretor Carlos Juliano Barros acompanhou a trajetória do ladrão incomum e trocou correspondência com ele de 2012 a 2017.

Em parceria com Caio Cavechini, ele conta essa história no documentário “Cartas para um Ladrão de Livros”.

O filme estreou no Festival do Rio e tem neste sábado (28), às 16h, sua última exibição na 41ª Mostra Internacional de Cinema de São Paulo.

Considerado pela Polícia Federal o maior criminoso do gênero no país, Laéssio levou livros, fotos, mapas e documentos raros de bibliotecas e museus em diversos Estados.

O ladrão culpa Carmen Miranda pelos atos. Fã da cantora, decidiu colecionar a seu respeito. Uma revista “Fon Fon” dos anos 1940 com ela na capa foi o primeiro furto.

Motivado pela pobreza, diz, viu oportunidade nas falhas de segurança dos acervos e começou a agir no fim dos anos 1990. Percebeu que havia colecionadores dispostos a pagar por obras raras.

Laéssio gostou tanto da iconografia 'Os Trinta Valérios' (1901), de Valério Vieira, que decidiu não roubá-la

Laéssio gostou tanto da iconografia ‘Os Trinta Valérios’ (1901), de Valério Vieira, que decidiu não roubá-la

Seu maior feito, afirma, foi levar mais de 2.000 documentos, avaliados em cerca de R$ 1,5 milhão, do Palácio do Itamaraty, no Rio.

Foi detido pela primeira vez em 2004, após denúncia de um vendedor que comprou dele por R$ 2.000 um livro estimado em R$ 70 mil, pertencente ao Museu Nacional.

Barros quer mostrar uma visão pessoal do criminoso, a quem considera “peculiar”. “Acho que a função do cinema é apresentar outro ponto de vista sobre uma boa história”, diz. “Isso não me faz relevar os atos criminosos”, ressalva o diretor. Ele, afinal, “lesou museus e bibliotecas”.

Nascido em Teresina, no Piauí, Laéssio fala inglês e iniciou faculdade de biblioteconomia. Ele afirma querer “deixar sua marca” para não ser “mais um na multidão”.

Na primeira carta a Barros, só concordou em falar se recebesse uma biografia de Carmen Miranda. Depois, recomendou a leitura de “A Menina que Roubava Livros”, de Markus Zusak.

As investigações não procuraram identificar quem comprou obras de Laéssio nem o paradeiro delas. Mas algumas foram recuperadas.

“Vários compraram essas obras de arte e se safaram. Me parece pouco provável que não soubessem da origem criminosa”, pondera Barros.

10 filmes brasileiros da Mostra de São Paulo inspirados em livros

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Cena de ‘Berenice Procura’, com Claudia Abreu. Foto: EH! FILMES

Cena de ‘Berenice Procura’, com Claudia Abreu. Foto: EH! FILMES

 

Seção ‘Mostra Brasil’ da 41.ª Mostra Internacional de Cinema tem vários filmes que tomaram a literatura como ponto de partida

Guilherme Sobota, no Estadão

A Mostra Internacional de Cinema de São Paulo chega à sua 41.ª edição este ano com cerca de 390 filmes entre curtas e longas metragens, estreias e reexibições, de filmes inéditos ou consagrados no Brasil.

É o evento em que todos vamos ver filmes persas com legendas em inglês em salas de cinema São Paulo afora, o que é ótimo.

Separei alguns filmes brasileiros que foram inspirados em livros (romances ou contos) ou têm personagens literárias.

A programação com datas, horários e locais está no site da Mostra.

O PADRE E A MOÇA, de Joaquim Pedro de Andrade (1965)

Na estreia do diretor na ficção de longa-metragem, o roteiro é inspirado no poema de Carlos Drummond de Andrade de mesmo título. O filme tem um ar mais solene do que os seus seguintes.

O HOMEM NU, de Roberto Santos (1968)

Comédia dirigida por Roberto Santos, tem roteiro de Fernando Sabino e do diretor, baseado em crônica de Sabino no livro O Homem Nu.

MACUNAÍMA, de Joaquim Pedro de Andrade (1969)

Inspirado no clássico de Mário de Andrade, o filme foi eleito o 10.º melhor filme da história do cinema brasileiro pela Abraccine em 2016.

SEVERINA, de Felipe Hirsch (2017)

O filme é inspirado num conto do escritor guatemalteco Rodrigo Rey Rosa (admirado por Bolaño). Conforme adiantou Ubiratan Brasil em julho, “Severina trata de um amor obsessivo – R., o dono de uma livraria, fica intrigado com uma moça que começa a frequentar sua loja. Logo, ele se descobre em um emaranhado que encobre Ana, moça que rouba volumes de livrarias para ler e compartilhar com um suposto avô. Aos poucos, o desorientado homem descobre que a fronteira entre o racional e o irreal é fina demais”.

TORQUATO NETO – TODAS AS HORAS DO FIM, de Eduardo Ades, Marcus Fernando (2017)

Poeta piauiense se engajou na Tropicália e ajudou a romper com convenções em vários níveis. Tirou a própria vida no dia de seu aniversário de 28 anos, em 1972. O documentário também foi exibido no Festival do Rio.

BERENICE PROCURA, de Allan Fiterman (2017)

Inspirado no livro de Luiz Alfredo Garcia-Roza, o filme de trama policial tem Claudia Abreu como protagonista.

A FERA NA SELVA, de Paulo Betti, Eliane Giardini, Lauro Escorel (2017)

“O longa, baseado numa novela de Henry James, dirigido e interpretado por Eliane Giardini e Paulo Betti, co-dirigido e fotografado por Lauro Escorel, adota tom teatral e não naturalista”, segundo Luiz Zanin Oricchio, lá no blog dele.

CALLADO, de Emília Silveira (2017)

Documentário faz perfil do jornalista e escritor Antonio Callado (1917-1997). O Sérgio Augusto escreveu no Aliás sobre o filme.

CARTAS PARA UM LADRÃO DE LIVROS, de Caio Cavechini, Carlos Juliano Barros (2017)

Laéssio Rodrigues de Oliveira é considerado pelas autoridades brasileiras o maior ladrão de livros raros do País — o documentário buscar contar a história do jovem balconista de padaria e por meio dela mostrar a “necessidade do Brasil de cuidar da própria história”.

NÃO DEVORE MEU CORAÇÃO, de Felipe Bragança (2017)

O filme com Cauã Reymond é inspirado em dois contos de Joca Reiners Terron.

Em sebos on-line, a oportunidade de economizar e encontrar livros raros

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Jornalista passou a comprar livros usados pelos filhos na escola em sebos virtuais (Foto: Fernanda Luz)

Jornalista passou a comprar livros usados pelos filhos na escola em sebos virtuais (Foto: Fernanda Luz)

 

Um dos sites mais antigos do País, o Estante Virtual, já vendeu mais de 16 milhões de títulos em 12 anos

Carolina Iglesias em A Tribuna

Com uma diversidade de livros cada vez maior, os sebos virtuais têm caído no gosto dos consumidores. E engana-se quem pensa que o grande atrativo destes ambientes são só os preços mais baixos. Nos sites de livros de segunda mão, é possível encontrar exemplares que já sumiram dos catálogos de grandes editoras ou livrarias, além de uma infinidade de obras que nem chegaram a ser lançadas no Brasil.

Há cerca de três anos, a jornalista Alcione Herzog trocou as livrarias convencionais pelos sebos on-line. Ela conta que a primeira compra ocorreu após uma indicação. De lá para cá, mais de 50 títulos já foram adquiridos, muitos deles para os filhos, de 12 e 15 anos. O custo de um livro, segundo ela, dependendo da procura, pode chegar a até 50% do valor de uma livraria. “Quando são livros mais raros, economiza-se um pouco menos, mas mesmo assim ainda é mais barato”.

Com o passar do tempo, ao perceber que os livros adquiridos em sebos on-line sempre eram entregues em sua residência, em bom estado, passou também a comprar algumas obras de interesse para ela e para o marido. “Nunca tive problemas. Só uma vez que encomendei, paguei, mas o sebo não tinha mais o exemplar em estoque. Mas, restituíram o dinheiro. É bem organizado”, comenta a jornalista, que afirma que a cultura do reuso também caiu no gosto de outras mães.

“Na escola onde os meus filhos estudam tem um clube de livros, onde as mães trocam. Deixam lá o que eles usaram no ano letivo que se encerra e pegam outros deixados por outras mães. Eu mesma também já me beneficiei desse clube”.

Raridades

Para o jornalista e escritor Flávio Viegas Amoreira, a vantagem da compra em sebos on-line vai muito além da economia. É possível, muitas vezes, encontrar raridades não só para consumo próprio, mas também para presentear amigos que são literários.

Flávio acredita que comprar livros em sebos on-line vai além de economia (Foto: Alberto Marques/AT)

Flávio acredita que comprar livros em sebos on-line vai além de economia (Foto: Alberto Marques/AT)

“Eu já tinha o hábito de comprar livros em sebos físicos, em São Paulo e no Rio de Janeiro. Só transferi essa prática para o ambiente virtual”, conta o jornalista, que há pelo menos 10 anos compra livros de segunda mão pela internet. “Em livrarias comuns, alguns títulos são impossíveis de serem encontrados. Além das obras que adquiri para mim, alguns exemplares utilizo nas oficinas de literatura que aplico e, já encontrei, nestes sites de livros usados, muitas biografias famosas, além de livros de poetas esgotados e de autores esquecidos”.

Garimpar títulos antigos em sites de sebos on-line também passou a ser um hábito na vida da médica veterinária Kathia Brienza, que hoje já coleciona cerca de 50 livros de segunda mão. Amante da literatura, ela conta que muitos dos exemplares adquiridos nesses sites são raridade, ou nunca chegaram a ser vendidos no País.

Kathia coleciona cerca de 50 livros de segunda mão (Foto: Irandy Ribas/AT)

Kathia coleciona cerca de 50 livros de segunda mão (Foto: Irandy Ribas/AT)

“Eu sempre tive o hábito de comprar livros pela internet, mas títulos mais antigos acabam sendo difíceis de encontrar numa livraria convencional. Foi por isso que comecei a vasculhar estes sites, que reúnem muitas obras fora de catálogo. Além das opções mais em conta, encontro muitas obras que nem foram publicadas no País”, conta a veterinária, que só este ano já comprou 13 livros em sebos virtuais.

Onde encontrar:

Estante Virtual – www.estantevirtual.com.br

O site, um dos mais antigos em funcionamento no País, disponibiliza em seu acervo cerca de 16 milhões de livros, entre usados, novos e seminovos. Na página, em média, as obras são vendidas a preços até 52% mais baixos do que nas livrarias. Para comprar, é só digitar na guia de busca o nome ou autor da edição desejada e efetuar a compra.

Livronauta – www.livronauta.com.br

No ar desde 2010, reúne, em média, mais de 400 sebos e 4 milhões de livros.

Portal dos Livreiros – www.portaldoslivreiros.com.br

O site, que promete preços mais baratos, justamente por cobrar uma fatia menor das transações efetuadas, tem vendedores de todo o Brasil.

Sebos Online – www.sebosonline.com

No portal, uma das singularidades é que além da venda de livros é possível encontrar vinis, DVDs, VHS e CDs.

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