NÃO ERA VOCE QUE EU ESPERAVA
Cristina Danuta

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Como ler mais na era Netflix

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(stray_cat/iStock)

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Se você gosta de ler, está com uma pilha de livros muito bons à sua espera, mas não consegue fazer a fila andar, este post é para você.

Pâmela Carbonari, na Superinteressante

Sempre desconfiei de leitores a jato.

“Ah, mas eu li Grande Sertão Veredas em uma noite”. Não, você não leu as 600 páginas de Guimarães Rosa em menos de 24 horas. Essa não cola, amigo. Você pode ter olhado para as 600 páginas, mas não leu. Ou melhor, pode até ter lido alguma coisa entre as 600, mas tenho minhas dúvidas sobre o que conseguiu processar da história de Riobaldo.

Não sou uma leitora a jato por princípios: quero que a leitura me dê a oportunidade de me apegar ao enredo, sonhar com os personagens, ter vontade de viajar para o local onde se passa a história, pesquisar sobre o autor, suas inspirações. Mas, admito, talvez um pouco do meu ceticismo seja inveja. No fundo, gostaria de ler 600 páginas em uma madrugada (se fosse em uma semana já ficaria realizada).

Quando descobri que a Agatha Christie costumava ler 200 livros por ano, minha primeira reação foi relativizar “ah, mas no início do século XX não existia internet”. (Segure o queixo: no Brasil, a média de leitura por pessoa é de 4,96 livros por ano, segundo a última edição da pesquisa Retratos da Leitura no Brasil). Por supuesto que a rainha do mistério era e continuaria sendo uma leitora a jato com ou sem distrações pós-contemporâneas, porque dela eu não duvido – apesar de ter aprendido justamente com ela a desconfiar sempre. Mas para cumprir sua meta de leitura anual, é preciso ler quatro livros por semana. E se cada livro tiver em média 300 páginas, serão 1.200 páginas em sete dias, sendo 171 por dia. Difícil, mas humanamente possível.

Comecei a pensar no que costumo fazer no meu tempo livre. E por tempo livre leia-se tempo gasto no transporte público, na sala de espera do consultório, jogada no sofá enquanto espero minhas roommates saírem do chuveiro — não apenas o tempo livre institucionalizado como o domingo à tarde, as noites no bar ou as férias. Lembrei dos minutos em que desço a barra lateral do Facebook rumo ao nada, a sensação desesperadora de olhar para o relógio e ver a multiplicação daquele tempo resultar em absolutamente nada. É como se um dementador tivesse sugado aqueles instantes da minha vida. Irreversível.

E não se trata de procrastinação. Se deixa para depois a louça na pia, a fatura da luz, o relatório da faculdade, não se procastina um brigadeiro, um beijo, uma cerveja com os amigos. Se o hedonismo não é procastinável, por que a leitura deveria ficar para trás na lista de prazeres?

Eis aqui algumas dicas para ler mais mesmo quando incluem você em mais três grupos de WhatsApp, publicam as fotos de uma festa ou quando a Netflix atualiza a lista de filmes:

– Use os números a seu favor

Quem é você na fila da leitura: a Agatha Christie ou um brasileiro médio? Não há nada de errado na quantidade de livros que você decidir ler – já assumi aqui, com lágrimas nos olhos, não ser uma leitora a jato, então sem julgamentos.

Mas ter uma meta é um bom ponto de partida para conseguir cumpri-la. Se forem 24 livros em um ano, serão 2 livros por mês, um livro a cada duas semanas. E, assumindo uma média de 300 páginas por livro, equivale a 20 páginas por dia. Então saiba quantos momentos em um dia normal você realmente consegue ler: se for no transporte público e antes de dormir, estabeleça um número de páginas aproximado para cada uma dessas etapas.

É importante também conhecer seu tempo médio de leitura: caso você leia uma página a cada 2 minutos, vai levar 20 minutos para ler 10 páginas e 40 para concluir sua meta diária. Feito isso, tente fazer uma lista das suas leituras, assim você vê quantos faltam, se o seu método está dando certo e, no futuro, saber em qual ano você leu o quê. Não é porque você gosta de ler que algumas contas vão te matar. Prometo!

– Hierarquia

Se existe uma palavra na língua portuguesa que eu não gosto é essa, mas, em se tratando de hábitos de leitura, ela pode ser bastante útil.

Sabe aquela série que você não sabe por que continua assistindo? É boazinha, mas não se compara a Girls ou Game of Thrones. Pois é nessa série que você perde o tempo que poderia estar sendo aproveitado com boa literatura – ou nem tão boa assim (sou partidária de guilty pleasures, esse é assunto para um próximo post). Falando desse jeito parece um argumento que meus pais usariam quando me mandavam fazer tema de casa. Mas não é, e também não é uma competição livros versus televisão. É lógica pura, hierarquia de prazeres.

Você gosta de ler, certo? Há uma pilha de livros esperando por você? Esses livros são bons? Você quer ler todos ou a maioria deles? Então por que está perdendo tempo com enredo meia boca? Se existir uma boa razão, vá em frente. Se não, sugiro abrir um desses livros da pilha.

– Tecnologia a seu favor e o universo analógico também

Já faz um bom tempo que os livros deixaram de ser dispositivos absolutamente analógicos. E-books podem não ser uma unanimidade entre os leitores, mas são o suprassumo da praticidade literária e têm ótimas ferramentas de busca – uma benção para ler em idiomas que não dominamos ou buscar significados de palavras no nosso próprio idioma.

Mas e quando você está lendo um livro físico, de papel e se depara com uma palavra desconhecida? Saca o smartphone e busca. Simples, né? Mais ou menos. Quem é refém de notificações sabe que aquela desbloqueada de celular vai se multiplicar em olhar as contas no Facebook, Instagram, Snapchat, e-mail e se transformar em mensagens para sua irmã, para os amigos do trabalho e, talvez, virar até um “oi sumido”. A palavra desconhecida, coitada, fica atrás de tudo isso.

Se você tem consciência dessa condição inquieta, deixe a tecnologia de lado enquanto lê (aka sem Wi-Fi). Não tem por que não abrir mão da facilidade high-tech um pouquinho e recorrer ao dicionário em troca de um pouco de foco. Ler é uma atividade que exige atenção. Vai deixar uma corrente motivacional do grupo da família desconcentrar você?

– Amigo leitor

Amigo de verdade é amigo que lê junto.

Aliás, nem precisa ser tão amigo assim para ler em grupo – se for alguém que pensa diferente de você, melhor ainda. O importante é ler o mesmo livro e estar disposto a conversar. Porque literatura não é como matemática que cada um tem que chegar em um resultado comum ao fim da equação para estar correto. É o oposto disso, não existe certo e errado. É absorver o enredo de maneira distinta, sentir afeição por um ou outro personagem, perceber a construção da narrativa de formas diferentes e processar todo o conjunto de uma obra a partir de vivências muito particulares. É nessa subjetividade que mora a beleza da literatura. Dialogar, trocar experiências e impressões sobre o mesmo livro além de motivar a leitura, pode fazer você abrir os olhos para coisas que não perceberia se lesse sozinho.

E você, tem algum truque para fazer sua lista de leituras andar mais rápido? Deixe aqui nos comentários! Quem sabe a sua dica não vira um tema de um próximo post do Literal?

Mapa literário: o escritor mais importante de cada Estado

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(Se você tem alguma dúvida de que a literatura é um dos fatores mais importantes para definir a identidade de um povo, esse post é para você – caso esteja convencido disso, continue aqui mesmo assim)

Pamela Carbonari, na Superinteressante

Quando estava na escola, minha professora de Literatura pediu que escolhêssemos um livro do Érico Veríssimo para analisar ao longo do semestre. Ainda era abril e, apesar de já fazer algum frio nesta época do ano no Rio Grande do Sul, o termômetro naquele dia passava dos 25 graus. Lembro de ir à biblioteca em busca do primeiro volume de O Tempo e o Vento suando e poucas páginas depois de começar a leitura, sentir uma leve friagem ao ler as passagens em que Érico narra o vento Minuano cortando as noites na estância da família Terra – “Noite de ventos, noite de mortos”.

Algum tempo depois, essa mesma professora sugeriu que lêssemos Graciliano Ramos. Pedi o livro Vidas Secas a um amigo que me emprestou com a seguinte recomendação: “Até a metade você vai conseguir ler tranquilamente, mas depois é melhor ter uma garrafinha de água junto contigo”. De fato, durante a leitura senti a secura da cachorrinha Baleia e a apatia dos filhos de Fabiano dentro da boca, não deixando uma só gota de saliva descer pela garganta. Só consegui chegar ao fim seguindo o conselho do meu amigo.

Anos mais tarde, antes de visitar a Bahia, decidi que precisava ler Gabriela, Cravo e Canela. Em menos de 50 páginas, já tinha absorvido a cadência do sotaque mesmo sem ouvi-lo, sentia vontade de comer tapioca, acarajé, moqueca e de tomar uma(s) no bar do Nacib como se estivesse na Ilhéus do início do século.

Com ou sem cinestesias, os livros nos apresentam a lugares que, mesmo quando reais, talvez nunca visitaremos, nos transportam para enredos que não podemos mudar e nos deixam íntimos de personagens cujos sotaques, hábitos, personalidades e aparências são adaptações de alguém, releituras de várias pessoas coladas em um determinado tempo e espaço.

É essa junção de elementos que faz a obra de Jorge Amado ser sinônimo de Bahia e a de Érico Veríssimo de Rio Grande do Sul, é isso que faz a literatura ser um dos mais importantes símbolos para a formação da identidade cultural de um lugar.

Pensando nisso, selecionamos os 26 autores mais representativos de cada estado brasileiro. Nossa seleção se baseou em número de prêmios ganhos, participações em Academia de Letras de suas respectivas federações, cobrança nos vestibulares locais, número de traduções para línguas estrangeiras e, é claro, se o autor é reconhecido por sintetizar a identidade de cada estado — não sendo determinante seu local de nascimento.

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China mira em novo inimigo: os livros infantis estrangeiros

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Foto: Maria João Gala/Global Imagens

Foto: Maria João Gala/Global Imagens

Publicado no Terra

O governo da China quer proteger as crianças das influências de outros países e, para isso, mirou em um novo inimigo: os livros infantis que vêm do exterior, que começarão a ser eliminados, de acordo com um grupo de livreiros.

As autoridades de Pequim preparam uma ordem que reduzirá drasticamente o número de contos infantis estrangeiros publicados no país, conforme disseram várias fontes do setor editorial ao jornal independente de Hong Kong “South China Morning Post”.

A medida faz parte de uma campanha para enfraquecer a influência de ideias estrangeiras e melhorar o controle ideológico deste coletivo, embora esses textos tenham pouco ou nenhum envolvimento político.

As fontes afirmam que o governo pretende impor um sistema de cotas, como já existe no mundo cinematográfico, que limite o número de contos estrangeiros publicados a cada ano na China.

Esta norma, que por enquanto só foi transmitida de forma verbal aos livreiros, exigirá que as editoras publiquem mais contos escritos e ilustrados por autores chineses.

Outro dos editores entrevistados argumentou que os livros de Coreia do Sul e Japão terão agora “poucas possibilidades” de serem publicados na China e que a permissão para livros de outros países será “muito limitada”.

O “South China Morning Post” informou que tentou entrar em contato com as autoridades de Pequim para confirmar a notícia, mas não obteve resposta.

A China é um dos mercados mais atrativos para a literatura infantil. Os livros ilustrados estrangeiros ficaram cada vez mais populares entre os 220 milhões de jovens leitores menores de 14 anos e são muito mais lidos que as publicações chinesas.

Personagens como a porquinha “Peppa Pig”, um dos contos mais vendidos na China, são uma referência entre os pequenos chineses e podem ser afetados por esta medida protecionista governamental.

Os livros infantis se tornaram o segmento mais lucrativo do mercado de livros da China e no ano passado, segundo dados proporcionados pelo jornal, foram publicados mais de 40 mil títulos entre importados e locais.

Embora poucos veículos de imprensa chineses tenham repercutido esta polêmica, o jornal oficial “Global Times” publicou há poucos dias que vários pais se queixavam da possível norma e diziam que muitos estão se preparando e comprando os livros favoritos dos filhos para caso não consigam encontrá-los depois.

O jornal reproduz outras opiniões que asseguram que a nova medida pode ser uma estratégia das livrarias para aumentar as vendas. De acordo com Chen Shaofeng, subdiretor do Instituto de Indústrias Culturais da Universidade de Pequim, a informação ainda tem que ser divulgada por fontes “confiáveis” e as acusações por enquanto são “infundadas”.

No entanto, em outra entrevista ao mesmo meio oficial, o responsável por uma editora infantil de Pequim declarou que agora leva muito mais tempo para conseguir a permissão oficial para publicar novas obras. Enquanto antes demorava só três semanas para ter o “sim” das autoridades, agora demora mais de dois meses.

Há um ano, o governo chinês lançou uma campanha contra as universidades e, ao mesmo tempo, o Ministério da Educação pedia às instituições de ensino que eliminassem os livros didáticos que promovem valores ocidentais ou difamem o Partido Comunista.

As Aventuras do Capitão Cueca ganha trailer dublado

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Marcel Plasse, no Pipoca Moderna

A Fox divulgou a versão dublada em português do trailer da animação do “Capitão Cueca”. A prévia revela a origem do impagável personagem-título, extraído dos livros da franquia infantil “As Aventuras do Capitão Cueca”, do escritor americano Dav Pilkey.

Produção original da DreamWorks Animation, a trama gira em torno de dois amigos de escola, George e Harold, que conseguem hipnotizar o terrível diretor Sr. Krupp e transformá-lo em um irreverente super-herói.

O elenco de dubladores original inclui Kevin Hart (“Um Espião e Meio”) como George e Thomas Middleditch (série “Silicon Valley”) como Harold, além de Ed Helms (“Se Beber, Não Case”) no papel do Capitão Cueca. Kristen Schaal (série “The Last Man on Earth”) e Jordan Peele (série “Key and Peele”) também estão no elenco de vozes.

O roteiro é de Nicholas Stoller (“Cegonhas”) e a direção de David Soren (“Turbo”).

“As Aventuras do Capitão Cueca” estreia em 1 de junho no Brasil, um dia antes do lançamento nos EUA. E ganhou o indefectível subtítulo “O Filme”.

O filme vai se chamar “As Aventuras do Capitão Cueca – O Filme” porque o público brasileiro deve ser estúpido e achar que está comprando livros ou ligando a TV quando adquire ingressos de cinema. Tem outra explicação para a quantidade anormal de lançamentos com o subtítulo “O Filme” no país?

5 lugares para conhecer no Brasil se você ama livros

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Ama livros? Então, indicamos esses 5 lugares no Brasil para conhecer

Publicado no Universia Brasil

Se tem uma coisa capaz de encantar e apaixonar, isso é um bom livro. Às vezes, a receita para um dia feliz é a combinação de um lugar aconchegante e um livro. Que tal, então, conhecer 5 lugares aqui mesmo no Brasil que são perfeitos para quem ama ler? Confira a seguir:

ACADEMIA BRASILEIRA DE LETRAS

Localizada no Rio de Janeiro, a famosa Academia Brasileira de Letras é o principal recanto da nossa literatura. Contando com nomes que marcaram na história, ela une aprendizado e curiosidades em um pacote só e é ideal para os amantes de livros.

CASA DE JORGE AMADO

Um espaço todo voltado à maravilhosa literatura baiana. A Fundação Casa de Jorge Amado fica em um casarão em frente ao Pelourinho, na Bahia, e reúne documentos sobre o autor que lhe dá nome, Zélia Gattai e muito mais. O local tem oficinas, seminários, exposições e, claro, livros.

CAMINHOS DRUMMONDIANOS

Homenageando um dos grandes poetas e escritores brasileiros, o Museu de Território Caminhos Drummondianos, em Minas Gerais, é um museu a céu aberto que traz trechos de poemas do autor em placas que ficam espalhadas pela cidade de Itabira. A paisagem envolta pela natureza é um convite à leitura.

BIBLIOTECA NACIONAL

Muita gente lembra dela por ser o local onde se faz registros autorais, porém, a Biblioteca Nacional, no Rio de Janeiro, é muito mais que isso. O espaço reúne mais de 9 milhões de itens no seu acervo é considerada uma das maiores bibliotecas nacionais do mundo. Se você está em busca de um clássico, lá é o lugar!

BIBLIOTECA DE SÃO PAULO

Também conhecida como a Biblioteca do Parque da Juventude, a Biblioteca de São Paulo, em São Paulo, foi premiada como uma das melhores do Brasil pelo Prêmio IPL – Retratos da Leitura em 2016. O local, que é voltado ao público jovem, possui uma arquitetura inovadora e consiste em, além de leituras, atividades para o público.

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