Uma Sombra na Escuridão
Cristina Danuta

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Fatos que você desconhece sobre o autor de “Drácula”

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Fabio Mourão, no Dito pelo Maldito

No dia 20 de abril de 1912, morria, em Londres, Bram Stoker, autor do clássico romance de terror “Drácula”. O livro, publicado em 1897, é um ícone da cultura pop. Sua obra popularizou os vampiros de tal forma, que as grandes produtoras afundaram seus dentes em numerosas vertentes derivadas dessa criatura, que até hoje rendem filmes, peças de teatro, quadrinhos, séries e mais algumas centenas de outros livros sobre o assunto.
Com tanto material disponível a respeito, a gente acaba ficando com a amarga impressão de que já sabemos tudo que se há para saber sobre os vampiros, mas será que o mesmo se aplica ao maior difusor desse mito? Mesmo sendo o padrinho dos vampiros atuais, a vida de Stoker ainda é desconhecida por grande parte dos leitores modernos.

Em homenagem a esse grande escritor, resolvemos levantar aqui os mistérios ocultos sobre sua capa, e revelar alguns fatos que você desconhecia sobre o autor de ‘Drácula’:

✔ Até os sete anos de idade ele era um menino doente à beira da morte.
Sendo o terceiro de sete filhos, Stoker foi um menino de saúde muito frágil. De acordo com o próprio, ele era uma criança acamada que nunca ficou em pé até a idade de sete anos. Em seu livro de memórias ele afirma: “Na minha infância eu ouvi muitas vezes que estava à beira da morte. Certamente, até os meus sete anos eu nunca soube o que era ficar de pé.”

✔ Stoker não era conhecido como um escritor
Durante a maior parte de sua vida Stoker não foi conhecido como um romancista, mas como o assistente pessoal do ator Henry Irving, gerente de negócios do Lyceum Theatre em Londres , cargo que ocupou por 27 anos. Como um crítico de teatro para o Dublin Evening Mail, ele começou escrevendo avaliações de peças teatrais. E o seu primeiro livro de não-ficção foi um guia de administração legal burocrático.

Stoker começou a escrever romances em 1890, começando com “The Snake’s Pass” em 1890, e “Drácula” em 1897.

✔ O título original de ‘Drácula’ seria algo como “O Desmorto”
As 541 páginas do manuscrito original de “Drácula” tinham sido perdidas, até que foram encontradas em um celeiro na Pensilvânia durante a década de 80. Embora o manuscrito tenha sido digitado, o título era escrito à mão, e dizia “The Un-Dead” (algo como ‘O Desmorto’ na tradução). O título do romance mais famoso sobre vampiros, ao que parece, foi alterado no último minuto.

Além do mais, se não fosse por outra mudança similar de último minuto, Drácula poderia nunca ter emplacado no mercado literário. O temível “Conde Drácula”, foi originalmente concebido como “Conde Wampyr”.

Quanto a esse manuscrito original que se pensava perdido, foi comprado pelo co-fundador da Microsoft Paul Allen, e agora ele repousa em sua biblioteca pessoal.

✔ “Drácula” foi uma peça de teatro antes de ser um livro
Diferente da maioria das adaptações que normalmente aparecem anos após a publicação do livro em que se baseiam, a adaptação teatral de “Drácula” foi escrita pelo próprio Stoker e apresentada antes da publicação do romance. Ela estreou no Lyceum Theatre, onde Stoker ponderou sob o título “Dracula”, ou “The Undead”, e foi realizada apenas uma vez.
Após essa primeira adaptação teatral, e, claro, o próprio livro, surgiram uma enxurrada de filmes inspirados em Drácula. Estima-se que cerca de 220 filmes americanos foram lançados com Drácula em um papel principal, e cerca de 300 filmes estrangeiros inspirados em vampiros.

✔ O nome “Drácula” foi inspirado pela família real “Dracul”
Depois de ler um relato histórico das regiões romenas da Valáquia e Moldávia, Stoker ficou fascinado com o nome “Drácula”. De acordo com fontes históricas, os descendentes de Vlad II, Duque de Valáquia, adotaram esse nome “Dracul” depois de ingressarem na Ordem de Cavalaria do Dragão, em 1431. Em romeno, “Dracul” significa “dragão” ou “o diabo”.

✔ “Drácula” não foi o primeiro romance sobre vampiros
Claro, é o romance mais famoso de vampiros, mas “Drácula” não é o primeiro a respeito dos sugadores de sangue. Nem é o mais inusitado.

Sheridan Le Fanu escreveu “Carmilla”, sobre uma vampira lésbica que persegue as mulheres jovens solitárias, em 1871. “Varney o Vampiro” (1845-1847) de James Malcolm Rymer, foi uma série de terror gótico, também anterior a “Dracula”. (Na verdade, ” Drácula “foi provavelmente inspirado em” Carmilla “e” Varney o Vampiro. “) e, em 1819, John Polidori escreveu “The Vampyre” baseado no verão que passou com Mary Shelley a criadora de Frankenstein, seu marido o poeta Percy Bysshe Shelley e Lord Byron . Estas e muitas outras obras e experiências de vida ajudaram a inspirar Stoker a escrever “Drácula”.

✔ A mesa onde foi escrito ‘Drácula’ foi recentemente leiloada por 100 mil dólares
Isso mesmo, a mesa onde Stoker escreveu seu romance de horror foi vendida, e não faz muito tempo. De acordo com a empresa que realizou o leilão, ao longo do último século a peça de mobília teve suas pernas serradas, gavetas desaparecidas, ganhou cicatrizes e marcas de desgaste. Mas foi restaurada e promovida como “uma peça apropriada para as inspirações e imaginação do grande homem”. A obra também inclui dois compartimentos secretos que só foram revelados para o novo proprietário.

✔ Você pode agradecer ao Stoker pela overdose de vampiros modernos na literatura
Embora ele não seja o primeiro escritor a escrever um romance sobre vampiros, e certamente não inventou tal criatura, Stoker criou o formato contemporâneo da mitologia dos sugadores de sangue. Como tal, ele é considerado como o herói anônimo da cultura moderna de vampiros que Hollywood, e a indústria editorial, sugam constantemente com coisas como “Crepúsculo”, “Vampire Diaries”, “Abraham Lincoln: Caçador de Vampiros”, “True Blood”, e outros. Graças ao Stoker, os sanguessugas modernos nunca cansam de se alimentar dos vampiros.

✔ Ele não é um autor de um sucesso só
De forma equivocada, Stoker costuma ter a sua imagem reduzida a de um ‘autor de um sucesso só’, pelo triste fato do mercado nacional ignorar suas outras obras, algumas consideradas tão primorosas quanto o próprio ‘Drácula’. Como é o caso de ‘O Covil do Verme Branco’, considerado o segundo melhor trabalho do escritor. A obra foi publicada originalmente em 1911, e também é considerado um clássico cult do terror, ganhando uma adaptação para os cinemas em 1988, e chegando por aqui sob o título de ‘A Maldição da Serpente’.

O Covil do Verme Branco
Uma série de eventos misteriosos e inexplicáveis despertam o interesse do jovem Adam Salton enquanto estava hospedado na casa de seu tio-avô, Richard. Com o intuito de resolver estes mistérios que acabam vitimando crianças e animais da região, Adam acaba se envolvendo numa rede que o leva cada vez mais perto de algo sobrenatural.

Nessa história, Bram Stoker é quase capaz de criar uma versão feminina do seu próprio Drácula, ao apresentar uma criatura sedutora e letal, e associá-la a figura fascinante de uma serpente.

O Covil do Verme Branco foi publicado originalmente em 1911, na Inglaterra, e depois republicado com partes editadas em 1925. Trata-se de um clássico cult do terror e mais uma grande obra de Abraham “Bram” Stoker que virou filme, chegando às telas do cinema em 1988.

Obra que inspirou filme Entrevista com Vampiro vai virar série!

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Graziele Fontes, na Cabana do Leitor

Entrevista com Vampiro, um dos filmes sobre vampiros mais comentados e que jamais foi esquecido, uma obra prima da década de 90, vai virar série, de acordo com o site Variety. A Paramount TV e a Anonymous Content conseguiram os direitos dos 11 livros escritos por Anne Rice e ficará encarregada da adaptação. Se eu estou frenética? É claro que estou.

O roteiro vai ser de Christopher Rice, filho da autora que também será o produtor executivo ao lado de sua mãe. Além deles, David Kanter e Steve Golin estão envolvidos no projeto.

“É inegável que Anne Rice criou um paradigma contra o qual todas as histórias de vampiros são medidas”, disse Amy Powell, presidente da Paramount TV. “O mundo rico e vasto que ela criou com ‘The Vampire Chronicles’ é inigualável e sofisticado com tons góticos dos anos 90 que serão perfeitamente adequados para cativar o público. A série está repleta de personagens convincentes liderados por Lestat, sem dúvida um dos maiores personagens originais, literários ou não. Estamos muito felizes em colaborar com Anne, Christopher e a equipe do Anonymous Content nesta série épica”.

10 Livros infantis que ainda são assustadores para adultos

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Fabio Mourão, no Dito pelo Maldito

As crianças podem ser bem mais fortes do que nós imaginamos. Adultos que se preocupam com histórias de ficção temendo que sejam assustadoras demais para as crianças, estão negligenciando uma verdade irrefutável: As crianças gostam de ter medo. O fato é que os fedelhos são feitos de um material bem resistente, e apreciam o tipo de adrenalina que vem na forma de um livro ou filme assustador.

Mas os adultos são aqueles que não sentem medo. Eles estão sempre no controle e sabem que sempre podem contar com alguma explicação lógica para qualquer coisa que fuja do racional.

Sendo assim, reunimos aqui alguns livros considerados ‘infantis’ com histórias tão apavorantes, que causariam pesadelos até mesmo no mais convicto dos adultos.

✔ Contos dos irmãos Grimm (Irmãos Grimm)
Uma coleção de histórias escritas por esses irmãos macabros, incluindo clássicos como “Rapunzel”, “Cinderela”, “Branca de Neve”, e outros. Só que a frase “… e viveram felizes para sempre” originalmente não se aplicava às irmãs malvadas e invejosas de Cinderela, que tinham seus olhos arrancados por pássaros no final da história. (Editora Rocco)

Por que isso assustaria os adultos: Apesar dos filmes da Disney transformarem o conceito de contos de fadas em histórias de amor melosas cheias de pássaros cantando e finais felizes, os Irmãos Grimm utilizavam todo tipo de lições morais sombrias e punições cruéis para os ímpios. É até um pouco perturbador considerar que estas histórias em que crianças são devoradas, princesas entram em coma, e corações são arrancados, foram escritas para uma faixa de idade tão baixa.

✔ Algo Sinistro vem por aí (Ray Bradbury)
Uma história de horror, magia e poesia na qual dois garotos precisam enfrentar criaturas ameaçadoras dentro de um misterioso parque de diversões itinerante que parece não ter origem nem destino. É cíclico e carrega a força de símbolos e verdades que servem plenamente para representar a existência real e suas eternas conquistas, frustrações, ameaças e dúvidas. (Editora Bertrand Brasil)

Por que isso assustaria os adultos: Esses caras não são apenas ameaçadores como de costume. Eles são o mau encarnado e viajam por aí roubando as almas das pessoas. Logo os habitantes da cidade estão sob o poder do proprietário do parque, Sr. Dark, que tem uma tatuagem para cada pessoa que ele misteriosamente aprisiona.

✔ O Senhor das Moscas (William Golding)
Ao narrar a história de meninos perdidos numa ilha paradisíaca, aos poucos se deixando levar pela barbárie, Golding constrói uma história eletrizante, ao mesmo tempo uma reflexão sobre a natureza do mal e a tênue linha entre o poder e a violência desmedida. Um livro que retrata de maneira inigualável as áreas de sombra e escuridão da essência do ser humano. (Editora Alfaguara)

Por que isso assustaria os adultos: Uma ilha operada por garotos selvagens e sujos? Terrível. Olhe o que acontece quando deixamos os meninos aos seus próprios cuidados: sacrifícios, rituais, cabeças de porcos cortadas e crianças sendo esmagadas por pedregulhos.

✔ Ponte para Terabítia (Katherine Paterson)
Jess Aarons, um garoto de 10 anos, passou o verão treinando para ser o campeão de corrida da escola. Na volta às aulas, é ultrapassado por uma aluna nova. Os dois tornam-se grandes amigos, e criam um reino imaginário chamado Terabítia, onde governam soberanos protegidos das ameaças e zombarias da vida cotidiana. Até que um dia, uma fatalidade os separa, e Jess precisa ser forte para enfrentar essa triste realidade. (Editora Salamandra)

Por que isso assustaria os adultos: Durante um jogo entre as crianças, Leslie, a Rainha de Terabítia, cai para a morte após se balançar em uma corda que se solta da árvore onde estava amarrada. É uma dura lição de como a morte súbita e sem sentido pode atingir até as pessoas mais seguras de si.

✔ Buracos (Louis Sachar)
Acusado de roubar um precioso par de tênis, Stanley Yelnats é condenado a ir para um reformatório, localizado no leito seco de um lago. Todos os dias, casa um dos internos é obrigado a escavar um imenso buraco na terra dura e seca, sob um sol de rachar. Stanley percebe que na verdade os chefes do reformatório buscam alguma coisa que deve estar enterrada por ali. (Martins Fontes)

Por que isso assustaria os adultos: As relações entre os internos, as dificuldades para conseguir água, as brigas pelo poder entre os meninos e entre os dirigentes se entrelaçam com a revelação de episódios assustadores. O diretor do lugar só dá cebolas para os meninos comerem, e els tem que cavar para poder encontrar água.

✔ Uma Dobra no Tempo (Madeline L’Engle)
“Uma linha reta não é a distância mais curta entre dois pontos.” Esta ideia está por trás da incrível história da família Murry, traçada em ‘Uma dobra no tempo’. No livro, a autora Madeleine L´Engle proporciona uma verdadeira viagem, com dissolução e reconstituição de corpos no espaço, através de atalhos que fogem do longo caminho dos anos-luz, e dá lugar a uma passagem da quarta para a quinta dimensão, impensável no espaço tridimensional que conhecemos. (Editora Rocco)

Por que isso assustaria os adultos: O pai de Meg fica preso em um planeta distante, e ela precisa salvá-lo. Todo mundo que ela encontra nesse planeta age em perfeita sincronia, um lugar de extrema conformidade que é controlado por um cérebro incorpóreo do mal, com poderes e habilidades telepáticas chamadas de TI. Não importa quantos anos você tenha, essa ideia é sempre aterradora.

 

✔ Coraline (Neil Gaiman)
Coraline acaba de se mudar para um apartamento num prédio antigo. Seus vizinhos são velhinhos excêntricos e amáveis que não conseguem dizer seu nome do jeito certo, mas encorajam sua curiosidade e seu instinto de exploração. Em uma tarde chuvosa, consegue abrir uma porta na sala de visitas de casa que sempre estivera trancada e descobre um caminho para um misterioso apartamento “vazio” no quarto andar do prédio. Para sua surpresa, o apartamento não tem nada de desabitado, e ela fica cara a cara com duas criaturas que afirmam ser seus “outros” pais. (Editora Rocco)

Por que isso assustaria os adultos: Na verdade, aquele parece ser um “outro” mundo mágico atrás da porta. Porém, a menina logo percebe que aquele mundo é tão mortal quanto encantador e que terá de usar toda a sua inteligência para derrotar seus adversários. Um conto de como algumas percepções internas podem ser assustadoras.

✔ Histórias Assustadoras Para Contar no Escuro (Alvin Schwartz)
Uma seleção imperdível de contos de terror, histórias de vinganças cruéis e relatos sobrenaturais, recontados por Alvin Schwartz. Ele escolheu as histórias do folclore americano e as lendas urbanas mais inquietantes e que fazem todo mundo tremer de medo há muito tempo. Isso porque essa tradição de contar histórias de terror começou há milhares de anos, com grupos se divertindo e se reunindo em volta de fogueiras para ver quem assustava mais. (Editora José Olímpio)

Por que isso assustaria os adultos: Quem será que teve a brilhante ideia de lançar esse livro no mercado direcionado as crianças? Neste livro, você vai aprender como deixar todo mundo horrorizado e imaginando as criaturas mais estranhas e arrepiantes. Um livro perfeito para ser lido no escuro!

✔ Goosebumps – Sorria e Morra (Robert Lawrence Stine)
Greg acha que a velha câmera que encontrou está com defeito. As fotografias sempre saem…diferentes. Na foto que Greg tirou, o carro novo do seu pai apareceu todo destruído. Logo depois, o homem sofre um acidente que quase acabou completamente com o automóvel. É como se a câmera pudesse prever o futuro ou, pior, fizesse o futuro acontecer! (Editora Fundamento)

Por que isso assustaria os adultos: Qualquer um que tenha passado pelos anos 90 conhece o terror que é Goosebumps. Embora todos os volumes tenham seus encantos individuais, o livro ‘Sorria e Morra’ da série é especial! A história apresenta um objeto totalmente inofensivo como uma câmera fotográfica, e a transforma em um instrumento de morte e destruição. Realmente assustador.

✔ As Bruxas (Roald Dahl)
Um menino passa férias em um hotel de luxo com a avó e descobre que o local está sendo usado para uma convenção de bruxas. E para sair dessa inteiros, os dois precisam ser mais espertos que as anciãs diabólicas que se reúnem no lugar. (Editora WMF)

Por que isso assustaria os adultos: Este hotel está infestado por ratos – bem, na verdade os ratos que antes eram crianças e foram transformados pelas bruxas em pequenos roedores peludos. Mas, ainda assim, uma infestação de ratos pode arruinar qualquer férias. O livro também tem uma adaptação para o cinema de 1990, estrelando Anjelica Huston como a ‘rainha das bruxa’.

Quem lê livros é mais popular em aplicativos de namoro

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Publicado no Curiosamente

Um site de namoro descobriu quais são os tipos de leitura preferidas para tornar a pessoa mais atraente para potenciais parceiros. De acordo com o aplicativo eHarmony, as mulheres que listaram Jogos Vorazes como um de seus livros preferido tiveram maior popularidade. Já os homens que adicionaram os livros de negócios de Richard Branson aos favoritos também foram procurados mais vezes.

Os Homens que Não Amavam as Mulheres se mostrou como uma boa opção para os dois gêneros, mas ler qualquer coisa é algo positivo nessa área de conquista. A pesquisa realizada apontou que homens que adicionam leituras ao perfil recebem 19% mais mensagens, enquanto mulheres recebem 3% a mais.

Estudos já haviam mostrado anteriormente que pessoas que leem tem mais empatia, de acordo com o jornal britânico The Guardian. Uma pesquisa da Universidade de Toronto mostrou que leitores ávidos tiveram uma pontuação melhor no teste de empatia e no teste de leitura mental a partir dos olhos. No geral, acredita-se que ficção literária melhora a personalidade.

Uma análise da Reading Agency feita em 51 artigos e relatórios mostrou que leitura também melhora o relacionamento com os outros, reduz os sintomas de depressão e os riscos de demência, além de melhorar o bem-estar ao longo da vida.

Como os livros podem salvar sua vida

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Publicado por Fred Di Giacomo

Antes de ter dinheiro para conhecer o mar ali do lado, no litoral paulista, eu já tinha rodado o mundo com os navios de John Silver e Gulliver, tinha ido até o coração da África com Livingstone e admirara o Mississipi em aventuras passadas com Tom Sawyer. Antes de sonhar em entrar na universidade, eu tivera algumas aulas curtas com mestres como Camões, Darcy Ribeiro e Platão. Eu não tinha uma namorada ainda, mas achava que Romeu e Julieta tinham sido muito ansiosos em se matarem e que o primo Basílio era um tremendo sacana.

Marilyn Monroe lendo o clássico “Ulysses”, de James Joyce. Seus poemas foram reunidos em “Fragments: Poems, Intimate Notes, Letters”

Marilyn Monroe lendo o clássico “Ulysses”, de James Joyce. Seus poemas foram reunidos em “Fragments: Poems, Intimate Notes, Letters”

 

Na minha vida, tive três grandes influências: meus pais, os livros e a música — inicialmente cavalgando os três acordes do punk rock. Provavelmente, meus pais — professores — foram a mais importante de todas, porque foram eles que me estimularam a ler desde os 6 anos de idade. Seu grande tesouro era uma biblioteca recheada de livros que me rodearam por toda infância e adolescência. Livros que disputavam espaço com os móveis e pessoas em casa. Livros e seu cheiro de papel novo ou amarelado, espalhados, deitados, catalogados. Livros cheios de nomes estranhos que eu fui decifrando quando aprendi o “bê — a — bá”: Macunaíma (seria um livro sobre índios?), Trópico de Capricórnio (um livro sobre geografia?), Guimarães Rosa (um homem com nome de flor?). O que aqueles livros grossos e sem figuras tinham de tão legal para tomar a atenção dos meus pais por tanto tempo? Entre um livro da coleção Vaga-Lume e um infantil da Ruth Rocha, fui descobrindo que livros ensinavam, divertiam e viciavam sem grandes efeitos colaterais. Aliás, o único efeito colateral dos livros era te deixar mais inteligente.

Os livros foram meu curso de inglês, meu reforço escolar, minha aula de administração, game design e cultura geral. Graças a eles eu tive assunto em mesas de bar, entrevistas de emprego e reuniões de negócio.

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Cientificamente, já se provou que ler faz muito bem para o ser humano. A leitura retarda suas chances de desenvolver Alzheimeir, melhora sua memória, reduz o estresse e combate a depressão. Mais que isso: ler te ajuda a escrever melhor, aguça o pensamento analítico e aumenta seu conhecimento. E você pode perder sua casa, seu dinheiro e sua família, mas nunca ninguém poderá tirar seu conhecimento. (A não ser que te façam uma lobotomia, é claro.)

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Albert Einstein: o único efeito colateral da leitura é torná-lo mais inteligente

Albert Einstein: o único efeito colateral da leitura é torná-lo mais inteligente

 

Se você quer ficar rico ou garantir a paz mundial. Se você quer entender o sexo oposto ou apenas fazer mais sexo. Se você quer aprender uma língua ou se preparar para o mercado de trabalho, então LEIA. Leia tudo que cair na suas mãos, mas comece com leituras que te agradem. Uma das coisas que mata o prazer da leitura é dar para uma criança de 10 anos a obrigação de devorar as obras de José de Alencar. O menino abre as primeiras páginas cheias de descrição rococó de “O Guarani” e dorme no segundo parágrafo. Quando acorda, vai jogar videogame. Eu adoro videogame , mas acho que todo mundo deve reservar umas horinhas para a leitura no seu dia. E você deve começar lendo o que te dá prazer. Também não vale a pena começar com coisas muito difíceis. Encare a leitura como um jogo: a cada fase você vai evoluindo um pouco. Quando eu tinha 10 anos abri o “Grande Sertão: Veredas” e não entendi uma frase; catorze anos depois, ele se tornou um dos meus livros favoritos. Você é uma pessoa romântica? Leia “Bridget Jones”. Você acha que todos os livros só falam de playboys? Leia “Cidade de Deus”. Você gosta de aventura? Leia “Os Três Mosqueteiros”. Livros não são chatos. Acredite, existem livros sobre sexo e drogas, rock n’ roll. Existe um livro para cada pessoa, você só não achou o seu ainda.

Como já disse, sugiro que você comece lendo sobre o que gosta. E, quando o que você gosta se tornar a leitura, expanda seu universo. Aí está a verdadeira magia da literatura: ela te permite viajar pelo mundo, pelo tempo e para lugares que nunca existiram. Ela te permite ter aulas com os melhores professores do mundo. A literatura é a única universidade onde você pode aprender sobre felicidade com Aristóteles, sobre o mal com Hannah Arendt e sobre a guerra com Sun Tzu. Você pode descobrir como era a vida de uma escrava em “Um defeito de cor”, ir até o inferno com “A Divina Comédia” ou se aventurar com elfos e anões em “O Senhor dos Anéis”.

Bukowski num momento de leitura íntima

Bukowski num momento de leitura íntima

 

Depois que você descobrir um autor favorito, comece a criar uma “teia de autores” que se relacionam com ele. Eu descobri o Bukowski na faculdade e adorei seu “Misto Quente”, que falava da infância e adolescência de um garoto feio, pobre e virgem de uma forma crua, sarcástica e, ainda assim, engraçada. Tive aquela mágica sensação de “escreveram essa história para mim” e terminei o livro com vontade de tomar uma cerveja com o autor. Tinham me falado que Henry Miller seguia uma linha parecida e, então, fui ler seus livros. De lá, passei por Anaïs Nin, Nietzsche, os beats e John Fante numa prazerosa sequência de descobertas de uma literatura (e filosofia) marginal. Em outras palavras: você descobriu o prazer da literatura lendo “50 tons de cinza”? Leia, na sequência, “Crepúsculo” que inspirou o livro de E. L. James e continue com o “O morro dos ventos uivantes”, de Emily Brönte — o livro favorito de Bella e Edward. Em um ano, você estará lendo Jane Austen e vai ter se divertido muito no caminho.

Um dado interessante: ler aumenta sua empatia. Quando você lê histórias da vida de mulheres mulçumanas, meninos afegãos e angolanos alforriados; você passa a ver todas essas pessoas como… Pessoas. Você começa a enxergar a humanidade como uma (turbulenta) família. Você percebe que os “outros” são como você. Você entra na vida de pessoas com as quais você nunca conviveu e se identifica com o que existe de universal em toda vida humana: a dor, o amor, o ciúme, o medo, a inveja… Quase o mesmo efeito de viver em outro país. Por isso, como escrevi antes, eu recomendo que você comece lendo sobre o que te interessa e depois passe a ler de tudo — inclusive livros de pessoas completamente diferentes e opostas a você. Eu sempre simpatizei com autores da esquerda libertária, mas aprendi muito com conservadores como Céline, Nélson Rodrigues, Paulo Francis e Gilberto Freire. O maior símbolo da nossa direita — Reinaldo Azevedo — diz que seu autor favorito é o comunista Graciliano Ramos. Quer se arriscar? Se você é um machista convicto, leia “O Harém de Kadhafi” e depois Simone de Beauvoir. Se você é um stalinista, leia “1984” e “A revolução dos Bichos” (ambos escritos por um militante socialista, o grande George Orwell). Leia quem escreve o que você concorda e quem escreve o que você discorda. Mesmo que você não passe a concordar, isso lhe dará melhoras argumentos em seus próximos debates. Aliás, antes de entrar em um debate no bar ou na internet, antes de emitir opiniões definitivas, antes de sentenciar alguém em seus julgamentos: leia sobre o assunto, pesquise, reflita. Existem excelentes livros sobre seu tema polêmico favorito: leia!
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A Tatiane de Assis, leitora do Glück, nos mandou uma belíssima entrevista com o cineasta Cristiano Burlan — que foi criado na periferia de São Paulo e teve diversos membros de sua família assassinados ao longo de uma vida dura. Entre a pobreza, a marginalidade e a violência; o que mais me impressionou na entrevista de Cristiano foi seu amor pela literatura e as artes. Como a literatura salvou sua vida de um fim trágico. Aliás, arte e cultura têm operado milagres e salvado muita gente de uma morte violenta, como bem lembrou o cantor Criolo. Tem salvado tantas almas quanto as igrejas espalhadas pelo mundo. Mas a literatura não serve de apoio apenas aos marginalizados. Ela ajuda executivos a subirem em suas carreiras, viajantes a conhecerem o globo, apaixonados a fazerem declarações bonitas e deprimidos a enxergarem algum sentido no labirinto da existência.

Malala sofreu um atentado por lutar pelo direito das mulheres poderem frequentar escolas no Paquistão. Na foto, ela lê no hospital.

Malala sofreu um atentado por lutar pelo direito das mulheres poderem frequentar escolas no Paquistão. Na foto, ela lê no hospital.

Se eu tivesse só um conselho para dar para você, leitor desse blog em busca da felicidade, eu repetiria: leia. Leia tudo que você puder. Faça carteirinha na biblioteca municipal da sua cidade, se você não tem dinheiro. Troque suas roupas de marca por centenas de livros, se você é rico. Presenteie seus amigos com livros. Pesquise sobre os autores, vá a sebos, leia livros que estão gratuitos na internet. E, se você quiser bater um papo sobre literatura, estou aqui pronto pra passar uma madrugada enchendo o saco de todos falando sobre meus livros favoritos, os livros que eu preciso ler antes de fazer 40 anos, os livros que quero escrever um dia e até sobre um livro-disco que escrevi. Mas leia. Se tem um conselho que eu posso dar para quem quer mudar de vida é esse.

Os livros salvaram minha vida. Eles podem salvar a sua também.

dica do Marcos Vichi

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