Sua Segunda Vida Começa Quando Você Descobre Que Só Tem Uma
Cristina Danuta

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Saiba por que você precisa (re)ler A Hora da Estrela, de Clarice Lispector

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Foto: Divulgação

Cíntia Moscovich* na Revista Donna

O ano de 1977 reservou dois eventos que viriam marcar a vida literária do país – e não só –, ambos relacionados a uma mesma autora e igualmente imprescindíveis para se compreender a história da cultura brasileira. Completando agora 40 anos, a primeira efeméride cai no dia 26 de outubro: era o dia em que se publicava A Hora da Estrela, que viria a se tornar um dos mais lidos romances de Clarice Lispector. Naquele mesmo ano, no dia 9 de dezembro, no Rio, um dia antes de completar 57 anos, Clarice Lispector morria vítima de um câncer de ovário, sem saber exatamente a repercussão daquele romance que, comparado aos demais, era diferente de tudo o que fizera até ali. Ao lado, listamos alguns motivos pelos quais vale a pena aproveitar a data redonda e ler 1) a obra de Clarice Lispector e 2) ler especificamente A Hora da Estrela.

* Escritora, autora de títulos como “Por que Sou Gorda, Mamãe?” e “Essa Coisa Brilhante que é a Chuva”

Por que Clarice Lispector é leitura essencial

Tudo o que é bom segue atual: o amplo domínio da língua e uma inventividade profunda fazem com que a prosa de Clarice seja das mais elegantes, sofisticadas e ricas da literatura nacional.
Trata-se de um texto singelo: mesmo sendo literatura elaborada, ou porque é literatura elaborada, é de uma simplicidade a toda prova.
As redes sociais têm maltratado Clarice: não se pode conhecer a obra dela confiando nas citações ou excertos (que na maioria das vezes nem são dela ou de nenhum dos autores atribuídos). Para conhecer um autor, vá na fonte.
É absolutamente de vanguarda (era para a época e continua sendo). A literatura de Clarice Lispector inaugura uma nova vertente de intimismo, em grande medida contrariando as bases do realismo praticado então.
Clarice trabalha com personagens que têm a consciência alargada. Os sentidos se tornam mais aguçados, e a leitura é uma aventura praticamente erótica.
Os romances são inquietantes, mas os contos são perfeitos: dificilmente algum outro autor dominou ou dominará a narrativa curta com a mesma habilidade com que Clarice o fazia.

5 motivos para ler “A Hora da Estrela”

É um livro considerado ideal para quem quer começar a ler a obra de Clarice.
É o romance em que, do ponto de vista narrativo, a estrutura se oferece de forma mais linear, sendo sua narrativa longa mais popular.
Macabéa, a protagonista, encarna a típica nordestina que vai tentar a sorte na cidade grande: trata-se, no limite, do romance de Clarice com mais “tintas nacionais”.
Longe de se configurar uma personagem clichê ou arquetípica, Macabéa é das figuras mais comoventes e sensíveis jamais vistas.
O livro foi levado às telas por Suzana Amaral, em 1985, com Marcélia Cartaxo e José Dumont. Vale a pena comparar livro e o filme. Jorge Furtado e o pessoal da Casa de Cinema transformaram o romance em um dos episódios de Cena Aberta, de 2003. A transposição para a teledramaturgia é especialíssima.

Foto: Arquivo Pessoal

Foto: Arquivo Pessoal

A autora

Clarice Lispector é um dos grandes nomes da nossa literatura, reconhecida mundo afora. Sua escrita mistura situações simples do cotidiano (como uma dona de casa que despede a empregada e decide fazer uma faxina no quarto de serviço, em A Paixão Segundo G. H.) com um mergulho profundo nas questões que assolam suas personagens – e todas nós. Foi também cronista e tradutora e tem, entre seus títulos, Perto do Coração Selvagem, Laços de Família e Um Sopro de Vida.

O livro

“É a história de uma moça que era tão pobre que só comia cachorro-quente. Mas não só isso. A história é de uma inocência pisada, uma miséria anônima.” Assim Clarice Lispector resumiu seu livro mais emblemático e popular. Conta a história de Macabéa, nordestina que tenta a sorte no Rio de Janeiro e que, em meio à difícil tarefa de ganhar a vida com menos de um salário mínimo, não abre mão de pequenos prazeres. Como usar um batom vermelho para se sentir como uma estrela de cinema. Por ocasião dos 40 anos de lançamento, a Rocco lançou uma edição comemorativa.

A peça

Os 40 anos de A Hora da Estrela e da morte de Clarice Lispector serão lembrados nos palcos de Porto Alegre. Com direção de Bob Bahlis, Circo para Clarice terá sessão de pré-estreia no dia 7, às 21h, no Teatro Cia de Arte, e depois estreia no dia 14, às 21h, no Teatro Bruno Kiefer, da Casa de Cultura Mario Quintana. Trata-se de uma livre adaptação do livro mais icônico da escritora, incluindo ainda crônicas e cartas de Clarice.

O Pudim de Natal de Charles Dickens

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Publicado no Capitu Vem Para o jantar

Foi minha mãe quem me lembrou do famoso Pudim de Natal Inglês presente em “O Conto de Natal”. Pro bem da verdade, eu não me lembrava e tive que reler o conto. No terceiro capítulo, lá estava ele, o incrível Pudim de Natal da família Cratchit… Mas, espera aí. Trata-se de um pudim flambado? Que demora mais de cinco horas pra ficar pronto? Que parece uma bola de canhão? Como raios eu vou fazer isso?

Recorri a nossa amiga de sempre internet e iniciei uma intensa busca sobre o tradicional Pudim de Natal Inglês. Descobri como se faz esta trabalhosa delícia e um pouco mais sobra a história desta receita.

Ebenezer Scrooge é um homem rabugento que odeia o Natal. Na véspera da festa ele recebe a visita de Jacob Marley, seu ex sócio que morreu há sete anos.

Ebenezer Scrooge é um homem rabugento que odeia o Natal. Na véspera da festa ele recebe a visita de Jacob Marley, seu ex sócio que morreu há sete anos.

Marley sempre foi tão avarento quanto Scrooge e, por isso, aparece para dizer ao companheiro que seu espírito não consegue descansar em paz por causa de tudo o que ele fez em vida. Mas ainda há esperança para Scrooge.

Na noite de Natal ele deve receber três fantasmas que mostrarão o verdadeiro significado do Natal. É o segundo espírito que leva Scrooge para acompanhar a ceia de Bob Cratchit, seu empregado.

A ceia é simples, a casa é fria, as crianças estão com roupas velhas, mas há alegria e amor em volta da mesa. Depois de se deliciarem com um magro pato, chega a tão esperada hora do pudim. Veja o trecho:

Enfim! Derrama-se na atmosfera um vapor!

Era o pudim que saía do forno!
A sala de jantar cheirava deliciosamente um cheiro de
confeitaria! Era o pudim! O pudim!
Momentos depois, entrava a dona da casa, rubra de comoção,
mas sorridente e feliz, com o seu pudim, redondo como uma
bala de canhão, duro, envolto em labaredas de aguardente e
enfeitado com o ramo de pinheiro do Natal!”

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“O Conto de Natal” foi publicado em dezembro de 1843 e foi escrito em apenas um mês para que Charles Dickens pudesse pagar algumas dívidas.

No entanto, a obra vendeu mais de seis mil cópias em apenas uma semana e, claro, entrou para a história como um dos mais famosos contos natalinos.

Agora vou aproveitar que estou falando sobre curiosidades e contar um pouco sobre o Pudim de Natal. Esta iguaria é um prato típico natalino inglês desde o século 14. Originalmente ele começava a ser cozinhado no primeiro domingo do mês de dezembro, o Domingo do Advento, e o preparo se estendia durante as quatro semanas até o Natal.

Era outra época, havia tempo, a vida era lenta e, é claro, o pudim passou por várias transformações. Hoje o mais usual é comprá-lo pronto – como fazemos com o tradicional panetone. Pouca gente se habilita a ir ao fogão e prepará-lo, mas quem o faz segue a risca algumas superstições.

Uma delas é colocar moedas de prata dentro da massa para que quem a encontrar tenha sorte o ano todo. Outra é colocar um anel de noivado para a moça que encontrá-lo, obviamente, seja presenteada com um amor no ano seguinte.

Contudo, a tradição mais seguida pelos ingleses é convidar todos os integrantes da família a mexer a massa e fazer um pedido. (E é claro que segui esta tradição aqui em casa! Afinal, yo no creo en brujas, pero que las hay, las hay!).

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Ingredientes:

 

– 200g de uvas-passas pretas
– 150g de uvas-passas brancas
– 60g de frutas cristalizadas
– 50g de amêndoas trituradas
– 100g de manteiga derretida
– 2 ovos
– 100g de farinha de trigo
– 200g de açúcar mascavo
– 1 colher chá de canela em pó
– 1 colher chá de uma mistura de gengibre em pó com cravo em pó
– 1 pitada de noz-moscada ralada
– 1/3 xícara de cerveja preta
– Raspas da casca de um limão
– 1 maçã pequena cortada em cubos
– 100 ml de rum

Passo a Passo

Numa panela grande misture os ingredientes secos: farinha, açúcar, gengibre, cravo e canela.

Em seguida, acrescente a manteiga derretida, junto com as rapas do limão. Incorpore a maçã, os ovos e a cerveja e, por fim, adicione as passas, frutas cristalizadas e amêndoas.

Mexa bem e não esqueça de fazer o pedido, tá?

Agora começa a parte complicada. Eu usei uma tigela de vidro côncova. Unte a tigela com manteiga e coloque a massa dentro.

A seguir, cubra a tigela com uma folha de papel manteiga e uma folha de papel alumínio e amarre com um barbante bem forte. Não esqueça de tirar as sobras. Veja a foto:

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Em uma panela grande, adicione água até a metade e deixe ferver. Coloque um pires de cerâmica no fundo. Quando a água já estiver borbulhando, coloque a tigela com massa dentro da água. (Tem que ser em cima do pires, pois ela não pode encostar no fundo da panela, ok?).

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Tampe a panela e deixe o pudim cozinhar em banho-maria por seis horas (Sim, seis horas!).

O truque é sempre ficar de olho para a água não evaporar. Tenha uma chaleira com água quente sempre a postos para ir preenchendo a panela. Não pode ser água fria pois interrompe a fervura.

Depois de pronto, desenforme o pudim e o sirva flambado.

Para flambar, leve o rum ao fogo por dois minutos. Em seguida, com muito cuidado, acenda um fósforo em cima da bebida. Ela começará a pegar fogo. Aí basta só despejar a bebida fumegante em cima do pudim.

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Marina Colasanti: “Não perco tempo com leituras insignificantes”

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Escritora ítalo-brasileira ganhou na FIL de Guadalajara o Prêmio SM de Literatura Infantil e Juvenil

Publicado no El País

Os livros ajudaram a pequena Marina Colasanti (Asmara, Eritreia, 1937) a esquecer que vivia sob o cerco da Segunda Guerra Mundial. Desde então, publicou mais de 60 obras para crianças e adultos. Antes, estudou Belas Artes no Rio de Janeiro. Foi jornalista do Jornal do Brasil. Traduziu Roland Barthes e Yasunari Kawabata para o português. Agora, acaba de receber na Feira Internacional do Livro de Guadalajara (México) o Prêmio Ibero-americano SM de Literatura Infantil e juvenil.

 A escritora Marina Colasanti setanta

A escritora Marina Colasanti setanta

Como teria sido a guerra para você sem os livros? Totalmente sem graça. E sem exemplos de sobrevivências significativos. A literatura é construída em torno de conflitos ou perigos que ameaçam os personagens e que precisam ser superados. É o que acontece com Ulisses ou nos contos de fadas, com Peter Pan e os Três Mosqueteiros. É a mesma coisa para quem vive uma guerra. Como teria sido pobre e monótono crescer sob a Segunda Guerra Mundial alimentada apenas pelos slogans e as imposições do regime fascista.

Considerando os seus diversos interesses, como faz para organizar suas leituras?
É bastante caótico. Adoro ler em aeroportos e nos voos. Posso ler de pé em uma livraria apenas para ter uma ideia do que o autor está falando ou abandonar um livro depois de poucas páginas. Fiz 80 anos de idade este ano, e o tempo se tornou algo extremamente valioso. Não posso perdê-lo com leituras insignificantes.

Existe poesia na literatura infantil? Apenas quando ela é excelente.

E literatura infantil na poesia? Se não for poesias para crianças, não. Até mesmo quando o poeta fala sobre sua infância, não estamos no campo da literatura infantil. A poesia é mais vertical e mais codificada.

Continua a acreditar em fadas? Nunca acreditei em fadas, tampouco trabalho com elas. Acredito em símbolos.

Walt Disney está para a literatura infantil assim como uma marcha militar está para a música? Boa frase! Mas uma marcha militar pode se aproximar da música e existem muitos toques militares na grande música clássica, bem como na ópera. Disney, ao contrário, troca o simbólico pelo óbvio, transforma contos milenares em musicais esvaziando-os de seu conteúdo. Sua única finalidade é de caráter mercantilista.

Quais livros infantis atuais serão os clássicos de amanhã?
Gostaria de dizer: os melhores. Mas sabemos que, além da qualidade, também as circunstâncias desempenham um papel importante na construção de um clássico.

O que você gostaria de ser se não fosse aquilo que é? Teria sido artista plástica. Foi para isso que estudei.

O que acha que está sendo socialmente supervalorizado hoje em dia? O desejo individual e o ego.

Que tipo de tarefa você jamais aceitaria fazer?

Qualquer uma que implicasse maltratar seres vivos. Ou em que eu tivesse de mentir.

Por que a loja de livros usados se chama sebo?

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(MaxPixel/Reprodução)

(MaxPixel/Reprodução)

Publicado no Mundo Estranho

Existem duas versões para a história. A primeira diz que, antigamente, as pessoas liam à luz de velas, que, quando derretidas, engorduravam os livros. Mas é uma explicação romanceada e anacrônica, já que a palavra “sebo” se popularizou na década de 1960, quando a luz elétrica já era difundida no país.

egundo Sérgio Rodrigues, escritor e etimologista, e Eurico Brandão Jr., herdeiro do Sebo Brandão, criado no Recife há mais de 60 anos, a teoria mais simples é também a mais provável. O termo teria surgido como uma brincadeira a partir da ideia de que livros muito manuseados ficam cheios de gordura, sujos. Brandão ainda afirma que o primeiro livreiro no Brasil a usar a palavra foi seu pai e que os estrangeiros o chamavam de “Mr. Sebo“, pois achavam que esse era seu nome.

FONTES Jornal Livros, Sobre Palavras, Estante Virtual Blog, Sebo Brandão, Recanto das Letras e Priberam

Para reduzir o tempo na cadeia, Cabral estuda e Cunha lê

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Foto: Reprodução

Foto: Reprodução

Alvaro Costa e Silva, na Folha de S.Paulo

RIO DE JANEIRO – Sérgio Cabral e a ex-primeira dama Adriana Ancelmo vão cursar a mesma faculdade na qual o traficante Fernandinho Beira-Mar está quase se formando. A Fabapar (Faculdade Batista do Paraná) oferece curso a distância para presos que buscam redução de pena. Cabral (condenado no total a 72 anos e quatro meses de reclusão), Adriana (18 anos e três meses) e Beira-Mar (mais de 300 anos) optaram por estudar teologia. Tempo para ocupar-se com Deus não lhes faltará.

Espero estar enganado, mas o esquema me parece aquele do pagou-passou. O valor do semestre na faculdade é de R$ 2.664, podendo ser pagos em seis parcelas de R$ 444. O ex-governador, em seus tempos de estudante de jornalismo, era menos visto nas salas de aula do que nos campinhos de pelada, envergando a gloriosa camisa do Bonecas Forever (o cantor Toni Platão, craque do time, está aí para não me deixar mentir).

Em todo caso, para graduar-se em teologia, Sérgio Cabral terá de ler ao menos as “Confissões” de Santo Agostinho. Livro raro: uma autobiografia sincera. Escrita em 397, aborda a trajetória desse vaidoso professor de retórica que, antes da conversão, dedicou-se à busca mundana da projeção política, dos negócios escusos e do prazer.

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Em outra cela de cadeia, Eduardo Cunha (condenado a 14 anos e meio) aderiu ao programa de remição de pena pela leitura. Até agora, ele garante ter lido nove livros, ou seja, 36 dias a menos na prisão. Entre as obras, que devem ser obrigatoriamente resenhadas pelo detento, estão três romances de Moacyr Scliar; “O Pagador de Promessas”, de Dias Gomes; “Tufão”, de Joseph Conrad; e “O Estrangeiro”, de Albert Camus.

Gostaria de saber o que pensa Cunha de Meursault, o personagem de Camus que cometeu um crime absurdo. E de sua atitude diante do mundo, de pouco se importar pelo que fez.

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