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Polícia detém mais de mil pessoas por escândalo da cola na Índia

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19mar2015---na-quarta-feira-18-pais-foram-flagrados-escalando-paredes-para-passar-cola-aos-filhos-durante-uma-prova-no-estado-de-bihar-na-india-a-presenca-da-policia-nao-impediu-os-pais-de-1426804232554_615x470

Publicado no UOL

A polícia deteve mais de mil pessoas no leste da Índia por envolvimento em um escândalo no qual familiares de estudantes escalaram o muro de um centro de exames para ajudar os alunos a colar, informou uma autoridade neste domingo (22).

Na semana passada, imagens de vídeo mostraram dezenas de adultos pendurando-se nas janelas de um prédio de quatro andares para passar papéis com cola a jovens estudantes no prédio do Estado de Bihar, onde mais de 1,4 milhão de adolescentes faziam seus exames de fim de curso.

Outra imagem, difundida por uma emissora de TV local, mostrou funcionários da escola e oficiais da polícia de pé, enquanto as pessoas passavam a cola para os estudantes que faziam a prova dentro de centros de exames.

O diretor-geral adjunto da polícia de Bihar, Gupteshwar Pandey, disse que mais de mil pessoas foram apanhadas e detidas, mas não foram denunciadas formalmente por nenhum crime.

No entanto, tiveram que pagar multas que variaram entre 2.000 rúpias (US$ 32) até dezenas de milhares de rúpias, dependendo de seu envolvimento na trapaça, para garantir sua soltura.

Pandey disse que pais e professores estavam entre os principais responsáveis “que foram encontrados passando ou facilitando a cola em exames escolares em todo o estado”.

“Mais de mil pessoas foram detidas, a metade delas era de pais e professores, enquanto a outra metade era de amigos e parentes”, contou Pandey à AFP.

“Cinquenta por cento foram soltos, mas eu acredito que provavelmente os outros ainda estejam na prisão”, acrescentou.

“Nós não os tratamos como criminosos profissionais. Foi por isso que os libertamos. Nosso propósito é fazer com que saibam que eles cometeram uma séria transgressão”, afirmou Pandey.

O oficial disse, ainda, que dois policiais foram presos e que outros dez foram desligados da tropa por ligações com o escândalo.

As imagens se tornaram virais no Twitter e dominaram as manchetes em todo o país na semana passada, forçando o ministro chefe de Bihar, Nitish Kumar, e seu governo a agir.

Esta não foi a primeira vez que estudantes são flagrados colando em Bihar. Em 2014, mais de 1.600 estudantes foram desqualificados depois que vídeos similares vieram a público.

Pais são flagrados escalando muro de escola para ajudar filhos a ‘colar’ em provas na Índia

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Publicado em Opera Mundi

‘O que o governo pode fazer se os familiares não estão prontos para colaborar? Deveríamos receber ordens para atirar?’, questiona ministro da Educação

Parentes e amigos foram fotografados escalando um prédio de escola para passar anotações com objetivo de auxiliar estudantes do 10º ano a obter bons resultados em uma prova. O episódio aconteceu no estado de Bihar, situado no nordeste da Índia, e resultou na expulsão de 500 alunos, informou a imprensa local.

A cena foi fotografada, filmada e divulgada por veículos internacionais nesta quinta-feira (19/03), viralizando na internet. Embora a prática de “colar” em exames seja comum em áreas rurais remotas do país, o caso chocou muitos indianos.

De acordo com a BBC India, quem for pego “no flagra” nas instituições de ensino podem pagar multas e até ser preso, mas punições nesses casos raramente são reportadas na região.

“O que o governo pode fazer para parar com as ‘colas’ se os familiares não estão prontos para colaborar? Deveríamos receber ordens para atirar contra eles?”, declarou o ministro da Educação do estado, PK Shahi, ao Times of India.

Segundo o Washington Post, especialistas em educação acreditam que colar é um sintoma de problemas mais profundos que afetam o sistema de educação indiano, como a ausência de professores competentes, a ênfase no aprendizado meramente técnico e as infraestruturas inadequadas das escolas.

A prova em questão faz parte de um exame padrão no país, realizado no 10º e 12º ano, que gera muita expectativa entre os alunos indianos. Muitos acabam repetindo de série e desistindo de estudar por conta disso.

Divulgação/ Twitter

Pais escalam muros na índia para ajudar filhos com exames

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Indianos criam super-heroína dos quadrinhos que foi vítima de estupro

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Um novo livro de quadrinhos que tem como superheroína uma vítima de estupro foi lançado na Índia para chamar a atenção sobre o problema da violência sexual no país.

Cineasta criou heroína depois de ter contato com protestos contra a violência sexual na Índia

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Geeta Pandey, na BBC

O Priya’s Shakti, inspirado por histórias motológicas hindus, conta a história de Priya, uma jovem que sobreviveu ao ataque de uma gangue de estupradores, e da deusa Parvati. As duas lutam juntas contra os crimes de gênero na Índia.

O cineasta indiano-americano Ram Devineni, um dos criadores da obra, disse à BBC que teve a ideia de fazer a história em quadrinhos em 2012, quando uma onda de protestos se espalhou pelo país após o estupro e o assassinato brutal de uma estudante de 23 anos em um ônibus de Nova Déli.

“Eu estava em Déli quando os protestos começaram e me envolvi em alguns deles. Eu conversei com um policial e ele disse uma coisa que me surpreendeu. Disse que garotas sérias não andam sozinhas à noite”, afirmou Devineni.

“A ideia começou desse jeito. Eu percebi que o estupro e a violência sexual na Índia eram culturais e que se sustentavam pelo patriarcalismo, pela misoginia e pela percepção popular”.

Projeto de livro em quadrinhos quer mudar mentalidade da população sobre violência sexual

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Heronína é expulsa de casa por familiares ao revelar que foi vítima de estupro

Heronína é expulsa de casa por familiares ao revelar que foi vítima de estupro

Na sociedade indiana, muitas vezes é a vítima do estupro – e não o agressor – que é tratada com ceticismo e acaba sendo submetida ao ridículo e à exclusão social.

“Eu conversei com sobreviventes de ataques de gangues de estupradores e elas disseram que foram desencorajadas por familiares e pela comunidade a procurar justiça. Elas também foram ameaçadas pelos estupradores e suas famílias. Nem a polícia as levou à sério”, disse Devineni.

Os quadrinhos refletem uma realidade dura: quando Priya conta a seus pais sobre o estupro, ela é culpada por ele e expulsa de casa.

Heroína indiana tem ajuda de deuses da mitologia hindu para superar trauma e vencer adversários

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A personagem representa uma mulher indiana genérica e suas aspirações. “Ela é como todos os rapazes e moças que querem viver seus próprios sonhos. Mas esses sonhos foram destruídos após o estupro”, disse Devineni.

No livro, com a ajuda de Shiva e Parvati – o casal de deuses mais poderoso na cultura hindu – Priya consegue transformar sua tragédia em uma oportunidade.

No final ela volta à cidade montada em um tigre e derrota seus adversários.

Devineni disse que escolheu usar elementos da mitologia poque o hinduísmo é a religião majoritária do país – 80% da população, ou 1,2 bilhão de pessoas, são hindus – e seus mitos e histórias estão enraizados em sua vida cultural.

Ele convenceu artistas de rua e criadores de pôsteres de filmes de Bollywood a pintar murais inspirados na história em quadrinhos na favela de Dharavi, em Mumbai, considerada a maior da Ásia.

As pinturas têm “recursos de realidade aumentada”, que permitem às pessoas ver figuras “saltarem” da parede quando são vistas por meio das câmeras de smartphones.

É possível baixar da internet cópias do livro em hindi e em inglês. O trabalho será exibido em uma feira de quadrinhos em Mumbai em dezembro.

“Nosso público alvo vai desde crianças entre 10 e 12 anos a jovens adultos. É uma idade crítica nas vidas deles e por isso estamos fazendo uma tentativa de conversar com eles.”

Ativistas tentam mudar mentalidade indiana de que a mulher é quem tem culpa pelo estupro

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Na Índia, onde em média um estupro é comunicado a cada 21 minutos, o crime ocorrido em Déli no ano de 2012 foi um divisor de águas. A brutalidade dos seis agressores deflagrou uma série de protestos e forçou o governo a criar leis antiestupro, prevendo inclusive a pena de morte para violência sexual muito grave.

Mas analistas dizem que as leis mais duras resolvem apenas parte do problema. Ele seria resolvido apenas com a criação de consciência e mudança de atitudes sociais.

Davineni diz que esse é o objetivo do livro.

Urvashi Butalia, líder da editora feminista Zubaan Books, diz que o sucesso ou fracasso dependerá “muito da história” e de “quantas pessoas ela atinge”. Segundo ela, tudo que gera algum diálogo ajuda.

Versão em inglês de livro em quadrinhos poderá ser baixado pela internet

Versão em inglês de livro em quadrinhos poderá ser baixado pela internet

“Muitas das mudanças do mundo começaram como ideias. E essa é uma ideia interessante – não há muitas super heroínas”, disse ela.

Jasmeen Patheja é fundadora do Projeto Blank Noise, que realiza uma campanha chamada “eu nunca pedi por isso” referindo-se a agressões sexuais.

O projeto cria instalações urbanas e galerias de imagens na internet com as roupas que as vítimas estavam usando quando foram abusadas em uma campanha para “rejeitar a culpa”.

A maior mudança, segundo ela, será quando “as pessoas entenderem que não há desculpa que justifique a violência sexual, como as roupas que as vítimas estavam usando, a hora ou o lugar em que estavam”.

“Romances, quadrinhos, livros de histórias, filmes – todos têm grande potencial para ajudar”, disse Patheja.

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