Canal Pavablog no Youtube

Posts tagged Selton Mello

Biblioteca de Babenco é doada para Centro Cultural São Paulo

0
201607140904_ced36223c0

Foto: Divulgação

 

Entre os títulos doados pela família do diretor, que trabalhou com Selton Mello, estão raridades beatniks

João Gabriel Veiga, no Bahia

A partir de setembro, o Centro Cultural São Paulo (CCSP) vai abrigar 454 livros da biblioteca pessoal do cineasta Hector Babenco. O argentino morreu em 2016, e seu último filme, “Meu Amigo Hindu”, contou com a participação de Selton Mello.

Entre os inúmeros títulos que Babenco deixou de herança, estão edições raras de autores beatniks – como Allen Ginsberg, Lawrence Ferlinghetti e Richard Brautigan.

Os usuários da biblioteca terão acesso a esses livros, que ganharão o selo “Acervo Hector Babenco”.

“Ligações Perigosas” ganhou diferentes adaptações para o cinema

0
Patricia Pillar e Selton Mello protagonizam nova produção Foto: Caiuá Franco / TV Globo/Divulgação

Patricia Pillar e Selton Mello protagonizam nova produção Foto: Caiuá Franco / TV Globo/Divulgação

 

Minissérie que estreia nesta segunda, na Rede Globo, é mais uma versão do clássico escrito por Choderlos de Laclos

Publicado no Zero Hora

Com estreia nesta segunda, na Rede Globo, a minissérie Ligações Perigosas é uma adaptação do romance de Choderlos de Laclos, publicado em 1782. O clássico francês também inspirou diferentes versões para o cinema. Conheça quatro filmes que se baseiam na história criada por Laclos.

15688

Ligações Amorosas (1959)

Famoso por sua estreia com E Deus Criou a Mulher (1956), o diretor Roger Vadim realizou esta que foi a primeira versão para o cinema do romance de Choderlos de Laclos, estrelada por, entre outros, Jeanne Moreau e Gérard Philipe.

Em 1988, Glenn Close e John Malkovich participaram de uma adaptação da obra Foto: Ver Descrição / Agencia RBS

Em 1988, Glenn Close e John Malkovich participaram de uma adaptação da obra Foto: Ver Descrição / Agencia RBS

 

Ligações Perigosas (1988)

Considerada a melhor adaptação para o cinema do livro, o filme de Stephen Frears destaca as maquinações de alcova dos ardilosos personagens vividos por Glenn Close e John Malkovich. Com Michelle Pfeiffer e Uma Thurman.

valmont5

Valmont – Uma História de Seduções (1989)

Apesar de ser um grande diretor, Milos Forman teve sua adaptação ofuscada pelo filme de Frears. Destaca como protagonistas Colin Firth, vivendo um Valmont mais simpático que o de Malkovich, e Annette Bening.

cruel-intentions-392776l

Segundas Intenções (1999)

A novidade do diretor Roger Kumble foi colocar a trama em um cenário contemporâneo instalado na alta roda de Manhattan. Nos papéis centrais, estão Sarah Michelle Gellar, Ryan Phillippe e Reese Witherspoon.

Questão de Terapia: por que os livros “problemas” são a nova onda do momento?

0

1

Clariana Touza, no Literatortura

Hoje vemos um crescimento gritante da temática terapia na televisão e no cinema. Seria este o começo de uma nova febre no nível vampiros fofos e 50 tons? Sessão de terapia, Go on, O lado bom da vida e Um método perigoso entre tantos outros não me deixam negar o fato. Ah, mas a temática sempre fez parte do imaginário comum. Fato. Porém, não como centro de toda a narrativa; a temática sempre foi presente, completando a dramaturgia, mas não como a base desencadeadora de todo o resto. Livros, filmes e séries sobre o tema estão caindo no gosto popular de forma nunca vista antes e isso nos faz pensar em dois pontos: por quê agora, e como estas dramaturgias vêm sendo trabalhadas de forma a agradar tanto o público?

Sessão de terapia, série exibida pelo GNT, confirma sua segunda temporada para 7 de outubro. Dirigida por Selton Mello é baseada em outra série: a israelense BeTipul, criada pelo psicanalista Hagai Levi e já teve mais de trinta adaptações feitas, entre elas para os EUA (In Treatment, também exibida aqui no Brasil pela HBO), Canadá, Argentina e Holanda.

Go on, estrelada pelo ex-Friend Matthew Perry, na qual um famoso locutor e comentarista esportivo é obrigado, pelo chefe, a participar de sessões de terapia em grupo, para superar a morte da esposa, já tem sua segunda temporada encomendada pela NBC.

O livro O lado bom da vida, trazido ao cinema pelas mãos do diretor David O. Russell no início desse ano, relata a vida do ex-interno de um sanatório que tenta retomar o lado bom da sua existência e até reconquistar a ex-esposa. Tanto o livro quanto o filme agradaram público e crítica.

Já Um método perigoso, de 2012, rendeu uma indicação ao Globo de Ouro de Melhor ator coadjuvante a Viggo Mortensen, que interpreta o pai da psicanálise, Sigmund Freud. A narrativa fílmica traz como a relação entre Carl Jung e Sigmund Freud possibilitou o surgimento da psicanálise e o relacionamento de ambos com a intensa paciente Sabina Spielren.

Bom, pensemos: o que todos eles têm em comum? Além da própria questão terapêutica, todos eles trazem personagens complexos e bem-construídos, as narrativas são elaboradas e inteligentes, além do fato de todos eles trazerem excelentes representações do cotidiano, o que possibilita uma aproximação com o público. As pessoas não assistem a esse tipo de série e filme porque querem ver as estrelas, ainda que isso desperte um interesse (confesse que sempre queremos ver o resultado de Selton Mello como diretor). As pessoas veem suas questões sendo tratadas ali de forma coesa e comum, não são mais problemas distantes de pessoas fictícias. O diálogo com o público, diferente do que acontece com as ondas “50 tons” e vampiros, dita não mais o interesse pelo irreal e impossível, mas os dilemas comuns do nosso dia-a-dia. Todas as dramaturgias aqui citadas nos mostram de forma complexa, ainda que numa linguagem simples, as incertezas, medos e questões de qualquer ser humano e isso sempre foi uma questão que afligiu o homem. Como lidarmos com nossos problemas? É normal se sentir assim? Preciso de análise ou é exagero meu? Ainda que não tragam uma resposta, essas dramaturgias nos permitem tirar certas conclusões e tocam num assunto tão íntimo de forma séria. Aqui, cada problema e aflição importa e o espectador se vê pertencente a um meio-comum, não é mais um peixe fora d’água. O gosto parte por uma identificação pessoal e cada episódio, cena e página do livro funciona como um abraço e com um “eu entendo”, como uma grande sessão de terapia, e cabe a nós, espectadores, saber dialogar com o que a dramaturgia nos traz. Interessante, né? Vai ver chegou a hora de querermos falar sobre nós mesmos ainda que de forma distante, de queremos ver nosso reflexo na telinha ou na telona.

Ryan King (Mattew Perry) e seu grupo de terapia

Ryan King (Mattew Perry) e seu grupo de terapia

O porquê dessa temática justo hoje é um drama um pouco mais profundo (brincadeirinha à parte!). A palavra hoje é entendida devido a um processo que vem se desencadeando e amadurecendo há três anos. Atualmente, passamos por um paradoxo cultural. O padrão de vida está lá em cima e as pessoas parecem mais tristes e deprimidas do que nunca. Por quê? Eis a questão: estamos nos afastando muito das pessoas por causa das tecnologias, levamos uma vida online mais intensa do que a real e aí, ficamos sozinhos e tristes. Além disso, somos tão cobrados a fornecer resultados nesse brainstorm global que quando não o fazemos, ficamos frustrados. Mas sejamos sinceros: às vezes não parece que falta tempo para algo? Por outro lado quando paramos, ficamos perdidos e como dizem “cabeça vazia é instrumento do Diabo”. Cabeça cheia também. O que fazermos com tanta informação se temos que dar resultados rápidos e de forma coesa? Bom, esse grande paradoxo social deixa as pessoas deprimidas e o número de pessoas com algum transtorno psicológico cresceu muito nos últimos anos e você certamente conhece alguém que toma remédio indicado pelo psiquiatra. Esse grupo de pessoas aflitas encontrou algum vestígio de luz nessas dramaturgias e as grandes empresas televisivas e fílmicas, que sabem muito bem vender, viram ali sua mina de ouro. A aflição da sociedade geral dá margem para as grandes empresas venderem seus produtos e ainda agrada ao público. Essa reciprocidade tem dado certo, os dois lados estão ganhando de alguma forma: nós espectadores encontramos um conforto quando enxergamos nossos problemas postos ali e eles enchem seus cofrinhos, todos felizes.

Só espero que as próximas séries, filmes e livros que tragam a questão terapia mantenham o nível criativo e bem-feito. Não queremos mais uma febre que caia no ridículo e no comercialmente gritante e artificial. Uma temática tão boa não merece sofrer um processo de depressão (irresistíveis esses trocadilhos) no nível Crepúsculo.

Go to Top