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‘O ensino não está pronto para receber superdotados’, diz professor

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Estimativa aponta que até 39 mil crianças sejam superdotadas no Paraná.
Dessas, apenas 526 em idade escolar recebem acompanhamento.

Instituto de Educação do Paraná foi o primeiro local a ter uma sala específica para atender os alunos no estado (Foto: Samuel Nunes/G1)

Instituto de Educação do Paraná foi o primeiro local a ter uma sala específica para atender os alunos no estado (Foto: Samuel Nunes/G1)

Samuel Nunes, no G1

A Organização Mundial da Saúde estima que de 3% a 5% da população mundial pode ser chamada de “superdotados”. No Paraná, de acordo com a Secretaria de Educação (Seed), o número de alunos com essa condição, entre o 6º ano do ensino fundamental e o 3º ano do ensino médio, pode chegar a 39 mil pessoas.

Para o professor André Ribas, que há quase nove anos cuida da primeira sala de recursos destinada ao atendimento desses alunos no Paraná, um dos problemas que dificulta a identificação desses alunos está no próprio ensino. “A escola ainda é a mesma que eu frequentava há 20 anos, que meus pais frequentavam há 40. O ensino não está pronto para recebê-los”, acredita Ribas.

A preocupação dele é compartilhada pela Secretaria da Educação. Segundo a técnica pedagógica Denise Matos Lima, que trabalha no Departamento de Educação Especial e Inclusão Educacional, um dos motivos para o atendimento ainda não ter alcançado números maiores é a dificuldade de identificação dos alunos e a novidade que o atendimento diferenciado a eles representa na pedagogia. “As universidades ainda não formam os professores para identificar os alunos que possuem altas habilidades. Eles costumam receber formação justamente para o contrário, ajudar os alunos que têm dificuldades”, diz.

Ribas diz que materiais usados com os alunos geralmente são doados (Foto: Samuel Nunes/G1)

Ribas diz que materiais usados com os alunos geralmente são doados (Foto: Samuel Nunes/G1)

Descobrindo superdotados

O professor Ribas diz que um dos primeiros locais em que os alunos superdotados são identificados é dentro das próprias famílias. Ele explica que, para essas crianças, a fase dos “porquês” nunca passa. “Elas são mais curiosas e estão sempre questionando tudo e todos. Costumam chamar os professores de burros, às vezes não gostam de ir à escola, o que é óbvio, já que elas selecionam o que querem aprender. Quando algo não lhes interessa mais, passam para o próximo tópico”, conta.

Caso haja uma identificação das habilidades cognitivas do aluno, a criança é encaminhada para a sala de recursos. Dali, ela vai para uma avaliação com um psicólogo, que emite um laudo apontando os pontos em que a criança está acima da média e aqueles em que ainda precisa ter um acompanhamento melhor. “Nós também trabalhamos para deixar essa área [deficitária] o mais próximo possível da média dos demais alunos”, pontua Ribas.

Quando o laudo chega às mãos do professor que coordena a sala de recursos, é preciso encontrar formas de adaptar os materiais às habilidades que o aluno possui. Para isso, são usadas diversas ferramentas que variam desde jogos até projetos acadêmicos, em parceria com outras instituições de ensino e com a comunidade.

Atendimento

A sala comandada por Ribas funciona no Instituto de Educação do Paraná Erasmo Pilotto, em Curitiba. O projeto atualmente atende todo o público interno do colégio, mas em casos especiais acaba recebendo alunos de outras unidades de Curitiba. A escola possui alunos do 6º ano do ensino fundamental ao 3º ano do ensino médio.

Na sala, os alunos desenvolvem vários projetos que tentam se adaptar às necessidades e às curiosidades de conhecimento que os alunos possuem. Um deles, por exemplo, é uma oficina de robótica, que funciona em parceria com a Universidade Federal Tecnológica do Paraná (UTFPR). Nela, três alunos do ensino médio tentam montar um pequeno robô para participar de uma competição. A iniciativa é patrocinada pelo Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq).

Da mesma forma que aqueles que possuem dificuldades de aprendizagem, os alunos superdotados necessitam de acompanhamento diferenciado. No Instituto de Educação, a sala de recursos funciona no contraturno escolar.

O espaço, segundo Ribas, se adapta às necessidades de cada aluno. O professor pontua que a metodologia usada por ele contempla a superdotação pelas áreas de conhecimento. “Ninguém é bom em tudo. Ao todo, são 11 tipos de inteligência que a gente considera. Alguns são melhores em determinadas áreas, mas deficientes em outras”, diz o professor.

Gabriela Passos é uma das alunas atendidas no Instituto de Educação do Paraná, em Curitiba (Foto: Samuel Nunes/G1)

Gabriela Passos é uma das alunas atendidas no Instituto de Educação do Paraná, em Curitiba (Foto: Samuel Nunes/G1)

Competição de robôs

Gabriela de Abraão Passos, de 15 anos, é uma das alunas que participam do projeto. Ela conta que procurou, por conta própria, há um ano, a sala de altas habilidades porque se interessou na ideia de aprender sobre computação. Antes de aprenderem robótica, os alunos passaram por outra oficina, de programação.

“Eu sempre tive curiosidade. Gosto de descobrir várias coisas e por isso acabei entrando no projeto”, diz Gabriela. A menina diz que sempre sentiu mais facilidade nas matérias de Química, Física e História. “São temas que eu gosto bastante”, conta. Segundo ela, os meses que passou aprendendo a programar já fizeram pensar em seguir a carreira como engenheira de computação.

Da parte da UTFPR, duas alunas do curso de engenharia de computação ministraram aulas ao grupo do Instituto de Educação. Kaya Sumire Abe e Bianca Alberton passaram os últimos meses explicando aos alunos o processo de construção de um robô.

Bianca diz que o grupo não teve o rendimento esperado na oficina e acha difícil que consigam montar o robô a tempo da competição, que deve ocorrer em cerca de um mês. “Acho que um dos motivos foi porque não conseguimos passar como se fazia a programação. Mesmo assim, o pessoal da faculdade de engenharia demora bastante a conseguir. Mas para o próximo ano acredito que eles já consigam montar um”, diz.

Teatro, jogos e outras atividades são usadas para incentivar as áreas de inteligência dos alunos (Foto: Samuel Nunes/G1)

Teatro, jogos e outras atividades são usadas
para incentivar as áreas de inteligência dos alunos
(Foto: Samuel Nunes/G1)

Objetivos do atendimento

O sucesso ou fracasso no concurso de robôs, porém, não é o que move os objetivos da sala de recursos. De acordo com Ribas, o projeto visa ajudar os alunos com altas habilidades a se encontrar e a se relacionar melhor com os colegas. “Muitos deles chegam aqui e dizem ‘esse é um lugar em que vão me entender’”, conta o professor.

Segundo ele, a maior parte desses alunos é incompreendida pelos colegas e até por alguns professores, que os veem como pessoas problemáticas. “Ele [aluno] é incompreendido, porque a gente não tem paciência para ouvir”, diz.

É a situação de Gabriela, por exemplo. A menina diz que os conflitos com professores sempre foram constantes. “Às vezes, não concordo com o que eles dizem ou com a forma como ensinam”, lembra.

Mitos dos superdotados

Um dos principais mitos em relação aos alunos superdotados é chamá-los de gênios. “Gênio é aquele que deixou alguma contribuição para a sociedade. Steve Jobs foi um gênio? Isso depende do ponto de vista. Do ponto de vista do design e do modo de se usar computadores, sim”, argumenta Ribas. Para ele, o conceito de “gênio” é relativo e depende do contexto em que se avalia cada caso.

Da mesma forma, os alunos superdotados nem sempre tiram as maiores notas em todas as matérias na escola. “Tem muitos superdotados que tiram zero e reprovam, seja por não gostarem da matéria, seja por pirraça ou até por dificuldade em entender aquele conteúdo”, diz.

Tem muitos superdotados que tiram zero e reprovam.”
André Ribas, professor

‘Altas habilidades’ X ‘superdotados’

Embora pareça pequena, existe uma diferença de significados entre os dois termos. Ribas explica que o conceito de aluno superdotado trabalha apenas com dois tipos de inteligência e privilegia a facilidade acadêmica das crianças. Dessa forma, pessoas que têm a possibilidade de se destacar em outras áreas, acabavam sendo excluídas do atendimento especial. “Um jogador de futebol pode um superdotado, mas isso não significa que ele seja bom na escola”, pontua.

Segundo ele, o termo “altas habilidades” é o que mais tem aparecido entre as pessoas que estudam o tema atualmente. Esse conceito atua nas várias inteligências que as pessoas podem desenvolver. Assim, conforme o professor, é possível pensar em atividades que possam ampliar as habilidades cognitivas específicas de cada aluno, evitando, inclusive, que saiam da escola.

Outros locais de ensino

A Secretaria de Educação informou que as salas especiais de atendimento aos alunos superdotados estão disponíveis em 28 cidades do Paraná. Ao todo, 54 escolas oferecem o serviço. Denise Matos diz que o objetivo da Secretaria da Educação é expandir o projeto aos poucos, até chegar a outras cidades. “Nosso primeiro passo é formar um grupo de multiplicadores, que possam passar os conhecimentos nessa área a outros professores”, diz.

Ela ainda revela ainda que a Secretaria da Educação e o Conselho Brasileiro para a Superdotação estão organizando um congresso internacional sobre o tema, que deve ocorrer em Foz do Iguaçu, em 2014. “A escolha da cidade foi justamente para ampliar a nossa atuação nas cidades da região. Nesses eventos, além de professores, sempre aparecem pais interessados no tema”, conta.

Abaixo, você pode conferir a lista de cidades que disponibilizam a atenção especial. Nos núcleos regionais de educação é possível saber quais escolas estão aptas a receber os alunos que apresentam superdotação. De acordo com a Secretaria da Educação, nenhuma escola particular dispõe de atendimento especializado.

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Com Bolsa Família, alunos do Norte e NE têm aprovação maior que média

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Fernando Moraes/Folhapress

Foto: Fernando Moraes/Folhapress

Mariana Tokarnia, no UOL

Estudantes beneficiados pelo programa governamental Bolsa Família nas regiões Norte e Nordeste têm rendimento melhor do que a média brasileira no ensino médio das escolas públicas. A taxa de aprovação desses alunos é de 82,3% no Norte e de 82,7% no Nordeste, enquanto a taxa brasileira é 75,2%.

Os números foram feitos com o cruzamento de dados de 2011 do MEC (Ministério da Educação) e do MDS (Ministério do Desenvolvimento Social e Combate à Fome) e apresentados hoje (16) pela ministra do Desenvolvimento Social, Tereza Campello, no 14º Fórum Nacional dos Dirigentes Municipais de Educação da Undime (União Nacional dos Dirigentes Municipais de Educação).

“Os mais pobres tiveram um desempenho melhor do que a média”, constata Tereza Campello. “Não só conseguimos garantir que essas crianças não saiam mais da escola, mas conseguimos garantir que elas consigam ir melhor na escola”.

Ela atribui o rendimento ao fato de que os estudantes beneficiados pelo programa não podem ter uma taxa de frequência inferior a 85%. Para os demais alunos, a taxa é 75%.

“Além disso, esses estudantes são superestimulados, as famílias entendem que é um ganho muito grande”, diz a ministra.

No Brasil, esses estudantes também se destacam.  A taxa de abandono escolar brasileira no ensino médio era de 10,8% em 2011, mas entre os alunos beneficiados pelo Bolsa Família, a taxa foi de 7,1%. A taxa de aprovação entre os beneficiados foi de 79,9% em comparação à taxa nacional de 75,2%.

Ensino fundamental pior

No ensino fundamental, estudantes beneficiados do Norte e Nordeste tiveram taxa de rendimento um pouco inferior à taxa nacional. No Norte, a taxa de aprovação dos beneficiados foi 84,4% em 2011 e  82% no Norte, em comparação à taxa nacional de 86,3%.

No Brasil, a taxa geral de aprovação dos beneficiados foi 83,9%. O abandono nacional nessa etapa do ensino foi 3,2%. Entre os beneficiados, também foi inferior, 2,9%.

A ministra também apresentou dados que mostram a maior presença dos 20% mais pobres da população brasileira no sistema de ensino. Em 2001, 17,3% dos jovens com 16 anos, que fazem parte desse grupo, tinham ensino fundamental completo. O número passou para 42,7%, em 2011. No Brasil, em 2001, 43,8% dos jovens nessa faixa etária tinham o ensino fundamental completo, e em 2011, 62,6%.

Entre os 20% mais pobres do país, os jovens de 15 a 17 anos na escola passaram de 71,1%, em 2001, para 81,1%. No Brasil, a porcentagem de jovens nessa faixa etária na escola passou de 81% para 83,7%. Entre os 20% mais pobres de 15 a 17 anos no ensino médio, – a idade adequada a essa etapa de ensino – a taxa passou de 13,6% para 35,9%. A variação nacional foi  37,4% para 51,7%.

“Houve uma melhora no fluxo escolar e são os mais pobres que estão puxando esses indicadores para cima”, constata Tereza.

Quais valores a educação deve transmitir?

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Lydia Cintra, na Superinteressante

Atenção, educadores. Vocês já devem saber, mas não custa repetir: o papel de vocês no mundo é essencial. Ensinar, aprender e retransmitir conhecimento é uma das formas mais nobres de se colocar neste planeta, passar valores e formar verdadeiros cidadãos. Por isso, este texto é especialmente para vocês.

Mas não deixe de ler se você não é educador. Ele também se aplica a todos que acreditam que a educação é a única saída – ou melhor, o único meio – para transformar e fazer do mundo um lugar mais justo, humano e interessante para se viver.

Não se pode esperar, portanto, que as práticas educacionais sejam neutras. É como a imparcialidade no jornalismo: utopia. Quem educa é movido por ideias e ideais. Saber reconhecê-los na sociedade em que vivemos é que consta como grande desafio. “Cabe perguntar qual tipo de ideologia que a educação vem inserindo ao sabor das diversas tendências políticas e principalmente econômicas, em um sistema que entende a educação como aprendizagem para o mercado de trabalho e não como direito humano”, defendem Moema Viezzer e Mônica Osorio Simons, consultoras em Educação Ambiental.

Moema é cientista social com experiência em Projetos Educativos em áreas rurais do Nordeste Brasileiro e fundadora da ONG Rede Mulher de Educação. Mônica é mestre em Educação, Especialista em Educação Ambiental, Bióloga e responsável pela Área Estratégica de Educação Ambiental da Secretaria da Saúde da Prefeitura de Guarulhos.

Para elas, uma educação transformadora é aquela que promove a crítica, a autonomia, a inserção política e a mudança de hábitos, ações que vão muito além do mero acúmulo de informações. Afinal, um cidadão autônomo e com capacidade crítica tende a não seguir o fluxo das coisas como as coisas são. Quem se depara com o mundo e avalia suas possibilidades, sabe que mudar é necessário.

Moema e Mônica fazem parte da Rede Planetária do Tratado de Educação Ambiental para Sociedades Sustentáveis com Responsabilidade Global. O nome é grande e o motivo é nobre: promover a educação ambiental como primordial para a formação do ser humano. Mas, que fique claro: não estamos falando daquela educação ambiental que ensina a separar resíduos recicláveis. Aqui, ela é a própria educação, aquela que poderíamos chamar de “formal”.

No geral, as questões da educação ambiental estão atreladas a determinadas disciplinas específicas como a de ciências. Mas, na verdade, “ela se vincula muito mais a posturas e valores em um profundo respeito pela dinâmica da vida, do que a conteúdos teóricos que em si mesmos não garantem a mudança de atitudes, haja vista a distância que ainda temos entre a teoria e a prática”, dizem.

Mais abordagens holísticas, menos “caixinhas” de conhecimento. A ideia é trazer a educação socioambiental para o centro da vida cotidiana, o centro dos sistemas de ensino, o centro da gestão ambiental. “Uma iniciativa que pretende contribuir para mudar o mundo e salvar-nos junto com o planeta”. É isso: precisamos, antes de tudo, salvar a nós mesmos.

> on October 11, 2011 in Berlin, Germany.

Tratado de Educação Ambiental

A criação da Rede Planetária partiu de ações iniciadas com a criação do Tratado de Educação Ambiental, que resultou da 1ª Jornada Internacional de Educação Ambiental realizada no Rio de Janeiro, em 1992, durante o Fórum Global da Eco 92.

O Tratado é formado por 16 princípios e sugere um plano de ação que deve desdobrar-se em centenas de outros planos nos âmbitos mundial, regional, nacional e local. É um instrumento estratégico para que a educação ambiental esteja no cotidiano das pessoas, na vida da comunidade, no ensino formal, no ambiente empresarial, no terceiro setor…

A sua construção contou com a participação de educadoras e educadores adultos, jovens e crianças de oito regiões do mundo (América Latina, América do Norte, Caribe, Europa, Ásia, Estados Árabes, África e Pacífico do Sul). Inicialmente publicado em cinco idiomas, ele serviu de apoio a ações educativas e inspirou a criação de Organizações da Sociedade Civil, Redes de Educação Ambiental e políticas públicas.

As ações mundiais relacionadas ao Tratado deram origem à 2ª Jornada Internacional de Educação Ambiental, iniciada em 2008 e fortalecida com a Rio +20, que aconteceu no ano passado. Logo depois, os trabalhos se voltaram à construção da Rede Planetária do Tratado de Educação Ambiental, uma estratégia de articulação de experiências e trabalhos.

O que está sendo feito no Brasil?

Há diversos exemplos no Brasil para os quais os princípios do Tratado servem como base de ação. O Instituto Ecoar para a Cidadania foi um dos primeiros frutos e se constituiu como referência da Educação Popular Ambiental, atingindo todos os Atores Sociais que interferem na qualidade do ambiente e de vida: escolas, grupos comunitários, empresas e instituições do poder público.

Em Guarulhos/SP foi criado o GTIEA – Grupo de Trabalho Intersetorial de Educação Ambiental (Decreto Lei nº 28698/11) e o município desenvolve diversas linhas de ação pautadas nos princípios do Tratado, envolvendo mais de 100 mil alunos através do Programa Saúde na Escola, tendo também uma rede de 7 Centros de Educação Ambiental que atendem aos diferentes segmentos da comunidade com inúmeras ações regulares numa programação mensal voltada a prática da sustentabilidade.

Em Piracicaba/SP, a OCA – Laboratório de Educação Ambiental da USP vem desenvolvendo estudos especiais e oficinas pautadas no Tratado de EA. O Instituto Paulo Freire desenvolve jornadas locais do Tratado de Educação Ambiental no MOVA-Movimento de Alfabetização de Jovens e Adultos, utilizando a metodologia dos Círculos de Cultura proposta por Paulo Freire. O Instituto Supereco atua há 18 anos e já envolveu mais de 1,5 milhão de alunos. Os princípios do Tratado permeiam todas as suas atividades que procuram tornar a educação ambiental transversal e transdisciplinar, incluindo nos projetos pedagógicos a valorização da diversidade cultural dos povos tradicionais e a conservação da biodiversidade.

Outro ponto de destaque é que o Tratado embasa toda a Política Nacional de Educação Ambiental no Brasil (Lei nº 9795/99) cujo grupo gestor é constituído pelos Ministérios de Meio Ambiente e Educação.

O que diz o Tratado?

Conheça os 16 princípios do Tratado de Educação Ambiental:

1. A educação é um direito de todos, somos todos aprendizes e educadores.

2. A educação ambiental deve ter como base o pensamento crítico e inovador, em qualquer tempo ou lugar, em seus modos formal, não formal e informal, promovendo a transformação e a construção da sociedade.

3. A educação ambiental é individual e coletiva. Tem o propósito de formar cidadãos com consciência local e planetária, que respeitem a autodeterminação dos povos e a soberania das nações.

4. A educação ambiental não é neutra, mas ideológica. É um ato político, baseado em valores para a transformação social.

5. A educação ambiental deve envolver uma perspectiva holística, enfocando a relação entre o ser humano, a natureza e o universo de forma interdisciplinar.

6. A educação ambiental deve estimular a solidariedade, a igualdade e o respeito aos direitos humanos, valendo-se de estratégias democráticas e interação entre as culturas.

7. A educação ambiental deve tratar as questões globais críticas, suas causas e inter-relações em uma perspectiva sistêmica, em seu contexto social e histórico. Aspectos primordiais relacionados ao desenvolvimento e ao meio ambiente tais como população, saúde, democracia, fome, degradação da flora e fauna devem ser abordados dessa maneira.

8. A educação ambiental deve facilitar a cooperação mútua e equitativa nos processos de decisão, em todos os níveis e etapas.

9. A educação ambiental deve recuperar, reconhecer, respeitar, refletir e utilizar a história indígena e culturas locais, assim como promover a diversidade cultural, linguística e ecológica. Isto implica uma revisão da história dos povos nativos para modificar os enfoques etnocêntricos, além de estimular a educação bilíngue.

10. A educação ambiental deve estimular e potencializar o poder das diversas populações, promover oportunidades para as mudanças democráticas de base que estimulem os setores populares da sociedade. Isto implica que as comunidades devem retomar a condução de seus próprios destinos.

11. A educação ambiental valoriza as diferentes formas de conhecimento. Este é diversificado, acumulado e produzido socialmente, não devendo ser patenteado ou monopolizado.

12. A educação ambiental deve ser planejada para capacitar as pessoas a trabalharem conflitos de maneira justa e humana.

13. A educação ambiental deve promover a cooperação e o diálogo entre indivíduos e instituições, com a finalidade de criar novos modos de vida, baseados em atender às necessidades básicas de todos, sem distinções étnicas, físicas, de gênero, idade, religião, classe ou mentais.

14. A educação ambiental requer a democratização dos meios de comunicação de massa e seu comprometimento com os interesses de todos os setores da sociedade. A comunicação é um direito inalienável e os meios de comunicação de massa devem ser transformados em um canal privilegiado de educação, não somente disseminando informações em bases igualitárias, mas também promovendo intercâmbio de experiências, métodos e valores.

15. A educação ambiental deve integrar conhecimentos, aptidões, valores, atitudes e ações. Deve converter cada oportunidade em experiências educativas de sociedades sustentáveis.

16. A educação ambiental deve ajudar a desenvolver uma consciência ética sobre todas as formas de vida com as quais compartilhamos este planeta, respeitar seus ciclos vitais e impor limites à exploração dessas formas de vida pelos seres humanos.

Para conhecer mais sobre o Tratado e as ações desenvolvidas, acesse o site ou o Facebook da Rede.

Imagens: Getty Images (1 e 2) Divulgação (3)

Brasil ultrapassou marca de 25 mil ebooks em português

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Publicado por Revolução eBook

1Nunca se publicaram tantos livros digitais no Brasil, como nos últimos 8 meses. É o que mostra o terceiro e mais recente levantamento realizado pela Simplíssimo, que verificou a quantidade de ebooks em português à venda nas lojas e livrarias brasileiras, assim como a quantidade total de ebooks únicos disponíveis (ebooks à venda, mais ebooks grátis). Os dados foram obtidos ente os dias 20 e 24 de abril.

Apple e Amazon, os papa-léguas

Os resultados mostram uma ligeira liderança da Apple, com quase 18 mil ebooks à venda, seguida pela Amazon, com aproximadamente 15.800 ebooks à venda. O cenário é completamente diferente daquele mostrado na última edição da pesquisa, em agosto de 2012, quando Saraiva e Gato Sabido tinham os maiores catálogos de ebooks à venda, dois meses antes da estreia da versão brasileira da loja de ebooks da Apple (outubro de 2012) e três meses e meio antes da estreia do trio Amazon, Google e Kobo (dezembro de 2012).

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De lá para cá, apenas a Livraria Saraiva expandiu seu catálogo, mas não em ritmo suficiente para fazer frente à Apple e Amazon. Em oito meses, as gigantes americanas deixaram a concorrência local comendo poeira.

A Amazon, no último levantamento, mostrava meros 6 mil ebooks em português. Em menos de um ano, quase triplicou seu catálogo de ebooks à venda. Livraria Cultura e Apple não constavam do último levantamento, de modo que não é possível comparar a evolução do seu catálogo, mas a liderança da Apple era mais que previsível. Além de ser a principal vendedora de conteúdo digital no Brasil, a Apple investe forte na captação de conteúdo brasileiro para seus aparelhos, inclusive com consultores trabalhando dentro das editoras, auxiliando na colocação e posicionamento dos ebooks na iBookstore.

O Google aparece em cinza no gráfico, pois a Simplíssimo não conseguiu obter informações sobre os ebooks à venda na loja. Os dados da pesquisa são obtidos através de consultas sistematizadas aos sites e catálogos das lojas, abordagem que não funcionou para a loja Google Play. Leia mais aqui.

Professor é preso por atentado ao pudor!

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Marco Macei, no Contra Alienação, Somente Cultura e Educação

Professor é preso por atentado gravissímo ao pudor. O vídeo é fake, é uma brincadeira. A única verdade é o salário pago ao professor.

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