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A Saga de Thanos é relançada no Brasil pela editora Panini

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Reprodução/Marvel

Renan Lelis, na Poltrona Nerd

Aproveitando o embalo de Vingadores: Ultimato, a editora Panini está lançando uma nova edição de A Saga de Thanos, que apresenta a vida do vilão mais temido do universo Marvel… e sua primeira morte também. Dividida em duas edições com acabamento de luxo, em capa dura e com mais de 400 páginas, o volume 1 foi lançado hoje, 25 de abril, data em que o filme também chega aos cinemas brasileiros.

São 448 páginas recheadas de detalhes sobre Thanos, que mostram como o personagem já era uma força perigosa a ser considerada, antes mesmo de tentar exterminar metade do Universo. Na nova história em quadrinhos, os fãs do universo Marvel poderão acompanhar grandes fatos, como a criação de Warlock, sua batalha para libertar a Contraterra, a busca de Thanos pelo Cubo Cósmico e suas maquinações contra o Capitão Marvel. Além disso, a HQ conta com a presença de grandes outros super-heróis como Thor, Homem de Ferro, Quarteto Fantástico, Hulk e Drax.

Escrito por Stan Lee e por outros renomados autores do universo das HQs, o título A Saga de Thanos terá dois volumes, com a primeira edição já disponível em pré-venda na lojapanini.com.br.

Rua do Medo | Emily Rudd e McCabe Slye são escalados para adaptação dos livros

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Primeiro filme deve estrear em 2020.

Thais Araújo, no Cinema com Rapadura

Segundo o Deadline, Emily Rudd (da série “The Romanoffs”) e McCabe Slye (“O Peso do Passado”) foram escalados para “Rua do Medo“, nova trilogia da Fox que adaptará a trilogia de terror juvenil de Robert Lawrence Stine, autor também de “Goosebumps“. Ambos aparecerão pela primeira vez no segundo filme, ambientado em 1978.

Rudd irá interpretar a irmã mais velha da personagem vivida por Sadie Sink, enquanto Slye será dois personagens: Bobby Slater, que trabalha no acampamento de verão, e Mad Thomas no terceiro filme, que se passa em 1966, um bêbado local que atiça a histeria da cidade.

Lançada em 1989, a saga de livros acontece na cidade fictícia de Shadyside e gira em torno de adolescentes que enfrentam maléficos, e às vezes paranormais, oponentes.

As adaptações ainda contam com Kiana Madeira (da série “Flash”) e Olivia Welch (da série “Modern Family”), que já tiveram detalhes sobre suas personagens divulgados. Além delas, Benjamin Flores Jr. (“Game Shakers”), Ashley Zukerman (“The Wind”), Fred Hechinger (“Oitava Série”), Julia Rehwald (“Where’s Darren?”) e Jeremy Ford (“The Ghost and The Whale”) completam o elenco. Leigh Janiak (“Honeymoon“) irá dirigir os três longas.

O primeiro filme da trilogia está programado para estrear em 2020.

A Hora do Vampiro | James Wan vai produzir nova adaptação de Stephen King

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Bruno Gomes, em O Vicio

A New Line Cinema anunciou que está desenvolvendo uma adaptação de “A Hora do Vampiro“, conhecida obra de Stephen King. Entre os envolvidos no projeto, fica o destaque para James Wan (Invocação do Mal) na equipe de produção.

Gary Dauberman, que trabalha ao lado de Wan na franquia de Invocação do Mal, será responsável pelo roteiro, e existe a possibilidade dele também assumir a direção.

A Hora do Vampiro foi publicado em 1975, e a trama se passa na cidade de Jerusalem’s Lot, na Nova Inglaterra.

Após a chegada de três forasteiros – o escritor Ben Mears, o senhor Barlow e o senhor Straker – fatos inexplicáveis passam a perturbar a rotina da cidade. Ben e seus novos partidários, entre eles o garoto Mark Petrie e o Padre Callahan devem então agir para salvar a cidade de garras vampirescas.

Festa Literária de Santa Teresa acontece neste fim de semana no Rio

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Festa Literária de Santa Teresa leva mais de 10 mil pessoas ao Parque das Ruínas, em Santa Teresa. — Foto: Divulgação/FLIST

Evento vai homenagear o compositor, escritor e músico Chico Buarque. Roteiro gastronômico e cultural reúne dez restaurantes do bairro com pratos relacionados ao músico.

Publicado no G1

Chico Buarque será o grande homenageado da Festa Literária de Santa Teresa (FLIST), que acontece neste sábado (27) e domingo (28) no Rio.

O evento gratuito está marcado para ocorrer no Parque das Ruínas, em Santa Teresa, região central da cidade.

Além do compositor e escritor, também serão homenageados o ilustrador Ivan Zigg, o educador Paulo Freire e a escola de design alemã Bauhaus.

Haverá, ainda, a comemoração aos 50 anos do Centro Educacional Anísio Teixeira (CEAT).

Durante o fim de semana, dez restaurantes do bairro também vão participar da celebração com apresentações musicais, debates e produção de pratos em homenagem às músicas de Chico Buarque.

Festa Literária de Santa Teresa homenageia Chico Buarque. — Foto: Divulgação/FLIST

Entre eles estão: o Café do Alto, Espírito Santa, Maloca Carioca, Adega do Pimenta, Alda Maria Doces Portugueses, Tribas´s Pizzas e Favela Hype.

No sábado, o público pode ver, pela primeira vez, Clara Buarque, Chico Brown e Lia Buarque – netos do cantor – juntos no palco. O show Prata da Casa acontece às 17h.

No domingo, o grupo “Mulheres de Chico” canta os sucessos “João e Maria”, “A Banda” e “Roda Viva” às 17h.

Confira a programação da FLIST 2019

SÁBADO (27/04)

Manhã

10h – Abertura

10h30 – Lançamento do jornal Língua de Brincar

10h30 – Teatro – A vida ideal das crianças

10h30 – Exibição do curta da Multirio, O Boto

11h – Teatro – Felizópolis – a cidade ideal

11h – Apresentação literária sobre Paulo Freire, com o cordelista Edmilson Santini

11h – Bate-papo sobre Lendas e Mitos Polêmicos na Literatura Infantil

11h – Contação de história – Chapeuzinho amarelo, Chico Buarque / Contação de histórias de Ivan Zigg

Tarde

12h – Lançamento da edição especial da Revista Philos em homenagem aos 50 anos do CEAT 50 anos, com as presenças de escritores e ilustradores

12h30 – Apresentação literária, musical e teatral Ópera dos malandros (apresentação literária, musical e teatral)

13h – Bate-papo com Virginia Cavalcante sobre o livro Exílio na primeira classe

13h – Bate-papo Aquilo que ninguém vê – a história por trás da História, com as autoras Andrea Viviana Taubman e Anna Claudia Ramos. A mediação é do escritor Igor Gonçalves

13h – O mundo de Narciso, contação de histórias, seguida de autógrafos, com a autora Tatiana Ribeiro

14h – Homenagem a Chico Buarque com o autor Elias Fajardo

14h – Bate-papo A casa e o mundo lá fora: cartas de Paulo Freire para Nathercinha, seguido de autógrafos de livros

14h – Apresentação poética Poesias ao vento: a brisa virou ventania

14h – Bate-papo O Chico sambista: tabelando com Ismael e Noel com o historiador Luiz Antonio Simas e o cantor Moyseis Marques

14h – Bate-papo Diáspora brasileira: O crime do cais do Valongo e Água de barrela, seguido de autógrafos de livros

14h30 – Chico em prosa, música e versos

15h – Café literário com Márcia Lobosco

15h – Contação de histórias Menino movimento, seguida de autógrafos de livros com as autoras Denise Calasans e Sandra Nascimento

16h – Bate-papo Guardados do coração: avô + avó = a voz, bate-papo, seguido de autógrafos com o autor Francisco Gregório

16h – Bate-papo Caminhos e descaminhos femininos: onde acertamos, onde erramos, com as especialistas Ana Beatriz Manier (autora e editora), Hilvânia de Carvalho (psicanalista e poeta), Iracema Macedo (filósofa e poeta), Jana Meilman (professora e romancista), Rosana Miziara (historiadora e poeta) e Maria Bitarello (jornalista/cronista)

16h – Artesanato, Leitura e trabalho na recuperação de presos (Bruno Parreiras)

16h30 – Leitura da peça Riobaldo. Adaptação da obra Grande Sertão: Veredas, de João Guimarães Rosa com o ator Gilson de Barros

17h – Buarquianas: A Prata da Casa canta Chico Buarque

DOMINGO (28/04)

Manhã

10h – A importância de bruxas, fadas e outros seres fantásticos na Literatura Infantil com autores da AEILIJ

10h – Apresentação musical – Os saltimbancos

11h – Exibição curta do Hugo, o Monstro, da MultiRio

11h – Autógrafos do livro Nuvem, com a presença dos autores

11h – Bate-papo A Suíça brasileira não é aqui: construção identitária de professoras negras no município de Nova Friburgo, seguido de autógrafos de livros (Márcia Lobosco – autora e professora)

11h – Contação de história Chapeuzinho amarelo com a contadora de histórias Cilene Oliveira

11h15 – Bate-papo sobre temas polêmicos na literatura para a infância com a MultiRio

Tarde

12h – Apresentação literária Paulo Freire: lendo o mundo em cordel, com o cordelista Edmilson Santini

12h – Leitura no Sítio atraca nas escolas com as professoras Antônia Pereira da Silva Lima, Eliandra de Oliveira Belforte, Gleidenira Lima Soares, Maria Antônia Fernandes da Silva e Suzi Shen Alcântara Pires. A mediação é de Glória Valladares Grangeiro, especialista em literatura infantil

12h – Sarau poesia A roleta do Chico

13h – Leituras e brincadeiras em versos Pulando de poesia, seguidas de autógrafos de livros com autora Cecilia Botana

13h – Homenagem ao ilustrador Ivan Zigg, seguida de autógrafos de livros

13h – Bate-papo Diáspora brasileira: Eles, seguido de autógrafos de livros com autor Vagner Amaro

14h – Bate-papo Carolina Maria de Jesus: uma biografia, seguido de autógrafos de livros com o autor Tom Farias

14h – Apresentação Lendas amazônicas com a contadora de histórias Lucia Morais

14h – Apresentação musical Apesar de você: Ensino Médio canta Chico

15h – Apresentação poético-musical com o Coletivo Caneta Preta de Poesia

15h – Bate-papo Como anda a literatura na Amazônia? Identidade e Cultura Amazônica na Literatura infantil e juvenil, com Jaqueline Gomes da Costa – mestre em literatura, professora de Rondônia e mediação da professora Maria Antônia Fernandes da Silva

15h – Mesa de debates Coisas (e pessoas) que viram outras: do lixo à arte, seguida de autógrafos de livros com o artista plástico Adilson Dias, a editora Ana Beatriz Manier, a artista plástica Elê Nogueira e a autora Ninfa Parreiras 16h – Mesa de debates Temas polêmicos na literatura: 50 anos do CEAT com os professores Igor de Oliveira Costa, Marlene Araújo e Oswaldo Martins

16h – Apresentação musical com o Coral CEAT, sob a regência de Gloria Calvente Van Den Bos

16h – Bate-papo com Maria Fernanda Figueiredo “Desculpe a demora. Não repare na bagunça”.

17h – Show de encerramento com o grupo Mulheres de Chico

CONHEÇA OS RESTAURANTES E PRATOS

Adega do Pimenta, em Santa Teresa. Currywurst com batata rústica canoa. — Foto: Divulgação/FLIST

Adega do Pimenta. Prato: Currywurst com batata rústica canoa. Chico Buarque tinha um irmão alemão. Uma história que só soube aos 22 anos, quando o poeta Manuel Bandeira, num encontro que também reuniu Vinicius de Morais e Tom Jobim, revelou o segredo de família. Rua Almirante Alexandrino, 296 / Tel: (21) 2224-7554

Alda Maria Doces Portugueses (Museu do Doce). Sobremesa: Rocambole de Laranja – “Roda Viva” de Laranja, em homenagem à música de Chico. Preço: R$15,00 fatia. Rua Almirante Alexandrino 1116 / Tel: (21) 2232-1320

Espírito Santa. Prato: Cuscuz à paulista, cuscuz à pernambucana, cuscuz à mineira e cuscuz à baiana. Um Cuscuz passeando pelo Brasil para mostrar que a diversidade cultural e a arte são os nossos principais recursos para combater os nossos problemas mantendo a ternura e a integridade. Mini: R$38. Família: R$55. Rua Almirante Alexandrino 264 / Tel: (21) 2507-4840

Maloca Carioca, em Santa Teresa. Feijoada. — Foto: Divulgação/FLIST

Maloca Carioca. Prato: Feijoada Completa (Preparada com carnes defumadas, arroz, farofa, couve e laranja. Acompanha shot de caipirinha). Valor: R$35 (individual). Rua Paschoal Carlos Magno 103B / Tel: (21) 3174-3597

FESTA LITERÁRIA DE SANTA TERESA – FLIST

ENDEREÇO: RUA MURTINHO NOBRE, 169 – SANTA TERESA – PARQUE DAS RUÍNAS

DATA E HORÁRIO: 27 E 28 DE ABRIL DE 2019, DAS 9H ÀS 18H

Eles publicaram os próprios livros e descobriram não precisar de editoras

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Autopublicação, que atrai até famosos como Paulo Coelho, ganha espaço com crise do mercado editorial. Autores mais lidos de plataformas como o Kindle chegam a ganhar 50.000 reais em um mês

Rodolfo Borges, no El País

John Kennedy Toole ganhou o prêmio Pulitzer de ficção de 1981 por A Confederacy of Dunces (Uma confraria de tolos), mas não pôde celebrar. Doze anos antes, o autor do livro que se tornaria uma referência de Nova Orleans tinha tirado a própria vida, sem conseguir lidar com a rejeição do editor Robert Gottlieb a sua obra. A trágica história de Toole, conhecida porque sua mãe persistiu anos depois no projeto de publicar o livro, soa distante numa época em que é possível publicar livros por conta própria sem qualquer custo — e quando fazê-lo pode ser até melhor (e mais rentável) do que aguardar por editoras que possivelmente não teriam tempo ou dinheiro para sequer avaliá-los.

A economista Eliana Cardoso, já com dois livros de ficção publicados pela Companhia das Letras, chegou a buscar uma editora para publicar o terceiro, Dama de paus. Diante da negativa, partiu para o Kindle Direct Publishing (KDP), plataforma de autopublicação da Amazon que chegou ao Brasil em 2012. Meses depois, a escritora recebeu a notícia de que tinha ganhado o concurso anual promovido pela gigante do varejo desde 2016 no Brasil. “É um luxo ter o livro revisto e editado por uma grande editora. Por outro lado, a autopublicação através do KDP é uma saída espetacular”, celebra Cardoso, que embolsou o prêmio de 30.000 reais e verá seu livro impresso pela editora Nova Fronteira. Ela conta que o aplicativo de edição disponibilizado pela Amazon é muito fácil de usar, que o processo não apresenta nenhum custo para o autor e que cabe a ele definir o valor a ser cobrando, do qual ele pode ficar com até 70% do preço de capa — as editoras costumam repassar cerca de 10% para seus autores por livros físicos e 25% pelos digitais.

O negócio é tão bom que até escritores de grande sucesso, como Paulo Coelho, publicam seus livros pela plataforma. Enquanto a Companhia das Letras distribui seus livros físicos no Brasil, os e-books são vendidos diretamente pela Amazon em todo o mundo (com exceção dos EUA), o que lhe permite ficar com 35% do valor de cada volume, já que a venda não é exclusiva da Amazon. Gerente para o KDP da Amazon no Brasil, Talita Taliberti destaca que outros sucessos literários, como Mário Sergio Cortella e Augusto Cury, também já publicaram pela ferramenta, e diz que da lista dos 100 livros mais vendidos pela empresa no Brasil, em torno de 30 costumam ser de autopublicação.

Entre eles dificilmente não estará um livro de Nana Pauvolih, uma professora que trocou as aulas de história pelo sucesso literário (e financeiro) em 2013. Em seu segundo mês de KDP, a autora de literatura erótica já ganhava mais do que nos seus dois empregos como professora, nas redes pública e privada do Rio de Janeiro. O sucesso de livros como A coleira e de séries como Redenção acabou chamando a atenção da agente literária Luciana Villas-Boas, que fez a ponte da autora com editoras como Rocco e Planeta, que hoje publicam suas obras. Sete anos depois de começar a publicar suas histórias em blogs, Pauvolih conta 29 livros, 25 deles autopublicados, e mais de 100.000 e-books vendidos — além disso, a mencionada série Redenção está para virar minissérie da Rede Globo.

Autores de sucesso como Nana Pauvolih podem ganhar até 20.000 reais mensais, com picos de 50.000 reais em um bom mês de lançamento, mas precisam se empenhar na divulgação das próprias obras, ressalva Janice Diniz, outra autora independente de sucesso. Ex-professora de português, a autora de livros sobre histórias com cowboys como Casamento sem amor calcula em cerca de 48 os seus títulos publicados. “Publico mês sim, mês não. Só no último ano [2018], quando tive de escrever para a Happer Collins, que eu fiquei três meses sem publicar”, conta.

Hoje, Diniz publica pelo selo Harlequin da editora, com quem tem contrato até 2020, mas diz que vive bem desde 2015 apenas com os rendimentos da autopublicação. “Peguei todas as fases do preconceitos. De autora independente, em relação à literatura erótica e ao livro digital”, lembra a autora, que começou sua carreira literária pagando para imprimir seus livros. “Era inviável. Não tinha lucros, só gastos. E eu ainda comecei com uma trilogia. Tinha de manter um estoque dos dois primeiros e ainda pagar pela impressão do terceiro”, conta. Ela estava quase desistindo de se tornar escritora quando surgiu a possibilidade de publicar em meio digital.

Hoje, Janice Diniz conta com o auxílio de três amigas para administrar os cerca de 100 grupos de Facebook utilizados para divulgar sua obra, que, para ela, está acomodada confortavelmente na plataforma de publicação da Amazon. A escritora diz que até tentou utilizar outra opção, a Kobo Writing Life, mas o fato de os valores das vendas serem repassados aos autores apenas duas vezes por ano a afastou — já o KDP repassa os valores mensalmente e ainda remunera os autores por página lida, a partir de um fundo global que hoje gira em torno de 88 milhões de reais. A eficiência da Amazon, cujo serviço de venda direta chegou ao Brasil neste ano, contrasta com a crise do mercado editorial brasileiro.

Mercado editorial

No ano passado, Saraiva e Livraria Cultura, duas da maiores redes de varejo de livros do país pediram recuperação judicial — a Cultura, aliás, é a representante da plataforma Kobo no Brasil. O mesmo ocorreu com a distribuidora BookPartners. Além disso, a rede de livrarias Laselva, que tinha pedido recuperação judicial em 2013, enfim decretou falência em 2018. A crise obviamente reverbera nas editoras, que não recebem os pagamentos devidos. Quando pediu recuperação judicial, a Saraiva informou à Justiça ter uma dívida de 675 milhões de reais.

Foi nesse contexto que a editora Cosac Naify fechou as portas melancolicamente em 2015. Um ano depois, em mais uma demonstração de força, a Amazon comprou parte do passivo, de 230.000 livros, e poupou a falida editora do fardo de estocá-los, mas não do desconforto de lidar com as notícias de que a outra parte do acervo teria de ser destruída e transformada em aparas.

Ao lamentar em seu blog os “dias mais difíceis” para os livros no Brasil, o presidente do Grupo Companhia das Letras, Luiz Schwarcz, escreveu em novembro do ano passado que “as editoras ficaram sem 40% ou mais dos seus recebimentos” por conta da crise nas redes de livrarias. “Passei por um dos piores momentos da minha vida pessoal e profissional quando, pela primeira vez em 32 anos, tive que demitir seis funcionários que faziam parte da Companhia há tempos”, escreveu o editor, acrescentando linhas depois: “Numa reunião para prestar esclarecimentos sobre aquele triste e inédito acontecimento, uma funcionária me perguntou se as demissões se limitariam àquelas seis. Com sinceridade e a voz embargada, disse que não tinha como garantir”.

Numa situação dessas, não é de se espantar que um autor estreante como J. L. Amaral tenha buscado refúgio na autopublicação. Após trabalhar 20 anos como bancário, esse publicitário por formação resolveu parar tudo para tentar uma carreira literária. Em janeiro de 2017, enviou seu Entre pontos para cinco editoras. Em setembro daquele ano, como não tinha recebido nenhuma resposta, resolveu publicar o livro por conta própria, no KDP. Três meses depois, estava entre os finalistas do Prêmio Kindle daquele ano. “Enquanto o mercado não se estabilizar, vai ser difícil ter um espaço à sombra”, constata o autor, que publicou Borboletas azuis pela mesma plataforma no ano passado e, enquanto escreve o terceiro livro, tenta aprimorar sua formação como escritor e roteirista.

Em contraste com as redes físicas de livros, os ambientes virtuais têm celebrado crescimento. A Amazon não revela seus números, mas só no prêmio promovido neste ano foram 1.500 livros inscritos. O Clube de Leitores, que permite publicar livros digitais e físicos, diz lançar 40 obras por dia em sua plataforma e celebrou no ano passado um crescimento de 30%, como registra o portal Publishnews. A Bibliomundi, outra plataforma digital, publicou 931 livros no ano passado e diz que dobrou seus registros de autores independentes. São poucos, contudo, os que conseguem andar com as próprias pernas no mundo da literatura. Eliana Cardoso, que ganhou o último Prêmio Kindle, confessa expectativa quando à relação que pode vir a desenvolver com a Nova Fronteira após a publicação de Dama de paus, mas seu próximo projeto literário, um livro infantil, já tem destino certo: o Kindle Direct Publishing. “A Nova Fronteira não está trabalhando nesta área, e o KDP oferece um aplicativo só para livros infantis”.

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