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Livro inédito escrito por Fernanda Young quando tinha 17 anos pode ser antecipado

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Fernanda Young em Paraty, em 2018: dois livros inéditos Foto: Marcelo Saraiva Chaves / Agência O Globo

 

Nelson Gobbi, na Época

RIO — Morta na madrugada deste domingo, aos 49 anos, após parada cardíaca decorrente de uma crise de asma , a escritora, atriz e roteirista Fernanda Young entregou há um mês os originais de seu novo livro para a editora Leya. Com o títitulo “Posso pedir perdão, só não posso deixar de pecar”, sugerido pelo marido Alexandre Alexandre Machado e a editora e amiga Eugénia Vieira, que também estimularam a autora a publicar, a obra tinha o lançamento previsto para novembro, mas pode ser adiantado.

Autora de 14 livros, Fernanda procurou há cerca de um ano a LeYa Brasil, editora de seu último livro, “Pós-F.: Para além do masculino e do feminino”, de 2018, para a publicação de um grande romance, na qual ela iria rever diversas fases de sua carreira. No processo, ela encontrou os originais inéditos de seu primeiro livro, escrito aos 17 anos e nunca publicado, o que mudou completamente os seus planos.

— Há uns quatro meses, enquanto trabalhava neste grande romance, que chamávamos de “O livro”, ela pediu para interromper momentaneamente a escrita porque sentia que precisava refletir sobre vários pontos de sua carreira autoral. Foi neste momento que ela encontrou este primeiro romance datilografado, escrito aos 17 anos — conta Leila Name, diretora geral da LeYa Brasil. — Ela nos disse que, num primeiro momento, achou engraçado, como se fosse uma pretensão juvenil. Mas relendo o texto, viu que muito da autora que ela se tornou já estava ali, o olhar sobre as questões femininas, o corpo da mulher e as imposições que ele sofre. Ela retrabalhou o romance e nos entregou há cerca de um mês.

Além de “Posso pedir perdão, só não posso deixar de pecar”, a LeYa Brasil também trabalha nos originais do projeto anterior, considerado praticamente concluído pela editora.

— Ela nos entregou um material de fôlego, umas 300 laudas, vamos nos debruçar neste texto agora. Fernanda me disse ter pensado em não escrever mais, mas que ao encontrar o primeiro livro ela se reencontrou como escritora — lembra Leila. — Ela estava questionando o peso que passou a sentir como autora, e naquele primeiro texto encontrou a leveza que precisava. A Fernanda de 17 anos anos acabou salvando os dois livros.

Ainda impactada pela notícia da morte da escritora, Leila lembra de sua participação em uma sessão de autógrafos na Feira Cultural LGBT na Praça da República, em São Paulo, em junho:

— Ela estava ali representando exatamente o que ela escreve, que você não precisa ficar presa a um papel para defender o que acredita. Ela demonstrava que é possível ser mãe de quatro filhos, ter um casamento de 20 anos, e abraçar todas as questões que vão além deste lugar. Ela era essa transgressora que não aceitava, inclusive, que isso a limitasse a um personagem.

Escritora, atriz e colunista do jornal O GLOBO, Fernanda morreu às 3h deste domingo, no hospital de Gonçalves (MG), cidade onde a família tem sítio. A autora, que sofria de asma desde a adolescência, começou a sentir falta de ar no fim da tarde de sábado, foi socorrida pela caseiro à noite e levada ao hospital, mas não resistiu. Ela entraria em cartaz no dia 12 de setembro em São Paulo com a peça “Ainda nada de novo”, em que contracenaria com Fernanda Nobre .

Leia abaixo um trecho inédito de “Posso pedir perdão, só não posso deixar de pecar”:

Saímos da igreja e eu me sentia culpada. As palavras do pastor Ortiz me martelavam a mente, eu sentia como se sempre estivesse falando com deus para ter os seus poderes, usando Jesus como uma cartola de mágico.

Meu pai ia na frente dando suas opiniões sobre o sermão, mamãe calada — demonstrava interesse como se Papo soubesse a grande verdade.

Eu não conseguia escutá-lo, estava perdida em minha auto-piedade, pois queimaria nas trevas do inferno em breve. Sim, eu deveria pagar com a vida pelo desleixo que tive com o senhor.

Meus pensamentos me puniam e eu me via cada vez mais infeliz e desgraçada, enquanto isto minha irmã caçula cantava baixo uma música do anjo que se chamava solidão.

Meus pés ardiam, o suor descia em grosso filetes, tudo estava tão seco, a voz de Papo, a canção de Alice, o silêncio de mamãe, a minha dor.

Eu comecei a sentir uma tonteira e a ficar gelada, deus estava me castigando.

Quando acordei estava em minha cama. Demorei um pouco para me situar, olhei para Al e ela dormia leve. Em sua boca entreaberta brilhava sua saliva infantil.

Levantei-me, mas logo voltei para a cama, eu não queria ser flagrada no corredor, eu não queria ser abordada pelo fato ocorrido, sentia fome, mas todos faziam sua sesta rotineira.

Demorei um pouco a retornar a dormir e sonhei com deus, Jesus e o espírito santo. O primeiro era como o meu avô do sul, pai de Papo, o segundo era como no quadro que tinha na sala de jantar e o terceiro era o carteiro com olhos de mel que vinha de quinze em quinze dias trazer o jornal da cidade mais próxima.

Acordei e me assustei com mamãe que ao lado bordava algo que não dei atenção. Me arrependo de não ter dado valor a este detalhe.

— Não precisa se preocupar minha filha — odeio ser chamada assim — pensamos em chamar o médico, mas quando olhei seu vestido — mostrou o vestido —e o vi sujo, bom, eu pensei: a dona menstruação visitou minha Nina.

Não precisa se preocupar, aconteceu quase o mesmo comigo, o seu pai está orgulhoso e foi comprar um vestido de moça para você e depois passará na casa dos Mendes para comemorar — passando a mão em meus cabelos molhados. — Irei lhe preparar uma sopa, você deve estar com fome.

Disse-lhe que sim só para que me deixasse sozinha, e então chorei de vergonha e depois deste dia nunca mais brinquei com os filhos dos Mendes. Voltei a ter contato com eles somente quando aceitei desposar o mais velho, mas isto é uma história que ainda irei cintar em outro momento, com detalhes.

A vergonha de ir à igreja ia crescendo a cada dia da semana, minha culpa se transformava em ódio por deus, seu filho, espírito santo e principalmente pelo pastor Ortiz, que almoçava lá em casa de vez em quando.

Ele era convidado pelo Papo que mandava nos arrumar como se fossemos à missa. Tínhamos que beijá-lo a mão. Alice ficava esbaforida com a presença do pastor, achava que ele era o espírito santo.

Quando lhe disse que o achava com cara de chupeta, correu para o Papo e contou-lhe chorosa:

— Papo! Nina disse que o pastor tem cara de chupeta com face!

Atualmente eu sei o que queria dizer, ele parecia um testículo com formas moldáveis.

De sábado para domingo eu quase não dormi. Quando amanheceu, Al eufórica penteou o cabelo cantando a música do anjo: “Se esta rua, se esta rua…”

Site mostra quantos livros você poderia ler em vez de usar redes sociais

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Redes sociais: moderação de uso é tendência global (Reprodução/Getty Images)

Ao deixar de usar aplicativos como Facebook, Instagram e Twitter, tempo médio de uso poderia ser usado para ler 200 livros ao ano

Lucas Agrela, na Exame

São Paulo – Quanto tempo você passa usando Facebook, Instagram e Twitter diariamente? Se seu perfil se encaixa na média mundial, o tempo gasto nas redes sociais por dia é de duas horas e 23 minutos, segundo a edição deste ano do relatório chamado Flagship, da empresa de análise de mercado GlobalWebIndex. Um site chamado Omni Calculator mostra quantos livros que você poderia ler anualmente se substituísse o hábito de checar constantemente suas redes sociais pelo hábito da leitura.

Quem passa duas horas por dia usando esses aplicativos sociais, em um ano, poderia ler 195 livros – considerando que cada um deles tenha 240 páginas (de 250 palavras) e que a sua velocidade de leitura seja de 200 palavras por minuto. No site, você pode configurar o seu tempo de uso (logo no primeiro campo do formulário) e as demais informações são exibidas automaticamente. Todo o site está em inglês, mas tem palavras conhecidas, como books (livros) ou social media (redes sociais).

Recomendado no site do Fórum Econômico Mundial, o Omni Calculator também mostra outras comparações menos úteis, como quantas vezes você poderia ouvir Despacito por dia ou quantas vezes poderia assistir a todas as dez temporadas do seriado americano Friends por ano, caso optasse por deixar de usar as redes sociais.

Como escrevem os criadores do site, o tempo, mesmo que pareça pouco, pode ter um impacto significativo na óptica anual. “Um intervalo de cinco minutos a cada hora são centenas de horas por ano”, dizem.

Por conta disso, a recomendação dos criadores do site é tirar férias de redes sociais de tempos em tempos e desativar notificações para evitar que você abra várias vezes por dia um app de rede social.

Segundo a GlobalWebIndex, 58% jovens da geração Z (nascidos a partir dos anos entre as décadas de 1990 e 2000) dos entrevistados para seu relatório de uso global da Internet afirmaram ter tomado medidas para reduzir o uso das redes sociais no último ano. No entanto, a consultoria vê essa tendência como uma maturidade das redes sociais, que mantêm a relevância para acompanhar notícias, obter informações sobre produtos e estabelecimentos comerciais e compra e venda de artigos. Essa tendência global de moderação no uso de celulares fez com que empresas como Apple, Google e Instagram oferecessem recursos para o uso mais consciente de seus aparelhos e aplicativos.

‘Walking tour’ passeia por livrarias e sebos do Rio nesta sexta

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Guia de turismo Juliana Fiúza mostra como o mercado livreiro carioca influenciou a vida cultural no Brasil (Foto: Lincoln Menezes/Divulgação)

Publicado no Jornal do Brasil

Quem nunca teve que recorrer aos velhos sebos para conseguir aqueles livrinhos baratos e até aqueles títulos que tornaram-se raros nas livrarias convencionais e que só conseguimos encontrar naquelas estantes das livrarias especializadas? Além de serem e possuírem um acervo único, sebos, livrarias e cafés são marcados pela por sua estética e estilo nostálgico, bucólico e aconchegantes e também por suas histórias que se confundem com o próprio surgimento das cidades e seus polos culturais. Por isso, a guia de turismo Juliana Fiuza criou o walking tour “Revelando um Rio de Livrarias, Sebos e Cafés”, que passeará pelos principais marcos livreiros do Rio, nesta sexta (16), o ponto de encontro é na escadaria do Theatro Municipal, às 15h. Contribuições a partir de R$10.

Muita gente não sabe, mas a origem dos sebos é a origem das livrarias no Rio, que começaram no período colonial. Era comum que as pessoas encomendassem livros aos seus parentes que viajavam de Portugal para o Rio, quando não possuíam um, recorriam à figura do livreiro viajante, que trazia os livros e vendia por toda a colônia. A origem da palavra sebo possui inúmeras versões, a mais conhecida é que seria uma metonímia sobre livros que são muito manuseados ficarem ensebados. Quem conta essas histórias é Juliana, que foi a fundo nas pesquisas e nos livros para montar o roteiro do passeio cultural:

“Eu recebi um folheto com a referência de todos os sebos e livrarias do Rio, alguns eu não conhecia, mesmo frequentando mensalmente a maioria deles. Como já faço inúmeros passeios no meio literário, resolvi criar um que falasse dos sebos e das livrarias, sem excluir os cafés que coexistem em algumas. A pesquisa se concentrou então e livros escritos por cronistas, como João do Rio, Luís Edmundo, Machado de Assis e Lima Barreto, que se preocuparam em registrar o Rio e sempre abriam um espaço para a literatura. Artigos acadêmicos também foram essenciais”, afirma a guia de turismo.

O tour tem a concentração inicial no Theatro Municipal e passa pelos principais sebos da cidade: Academia do Saber, Letra Viva e Antiqualhas. E também pelas maiores e mais antigas livrarias alternativas: Folha Seca e Leonardo da Vinci. Esta última existe há mais de cinquenta anos e atualmente é comandada por Daniel Louzada que trouxe novos ares para a livraria, como café e coleções interativas e instigantes. Um exemplo: uma das bancadas da livraria ficam livros embrulhados em papel, de forma que é impossível saber o livro que está dentro. No embrulho, Daniel escreve frases, pequenos resumos ou figuras. O leitor, caso goste, compra sem saber qual é o livro que está levando.

“Trabalho com livros há muito tempo. A Da Vinci foi a oportunidade de realizar um sonho pessoal e continuar trabalhando com livros em algo que fizesse sentido para mim, uma livraria independente que não fosse um mero entreposto de venda, mas um espaço de discussão e troca para a comunidade, para a cidade. Acredito que esse é o presente e o futuro possível para o comércio de rua com as nossas características. A Da Vinci se baseia, em primeiro lugar, no espírito que a livraria cultivou e desenvolveu ao longo de décadas. Esse é o pilar fundamental. Em segundo lugar, estamos sempre atentos ao que as livrarias independentes estão fazendo no mundo e no Brasil para se manter em conexão com os leitores e cidadãos”, afirma Daniel

Três histórias cariocas que ilustram como o Rio mudou o mercado editorial no Brasil:

1) Outra descoberta de Juliana foi a forma como os livros eram vendidos e que contrasta com o cenário atual do setor livreiro. Em “A Alma Encantadora das Ruas”, João do Rio detalha sobre os livreiros, que não só eram muitos pelas ruas, mas que também recitavam versos e histórias para venderem as obras: “O curioso é que ele informa que era uma profissão muito rentável, que o lucro do dono de uma livraria era de seiscentos por cento, e que a comissão dos livreiros ambulantes era ótima, portanto, se vivia tranquilamente só vendendo livros. Hoje vivemos em uma crise do mercado editorial, e se passaram só cem anos”, explica Juliana.

2) A livraria José Olympio, com fundador homônimo, foi criada em 1931, em São Paulo, mas logo depois, em 1934, foi transferida para o Rio, na Rua do Ouvidor, 110. Foi a maior editora do país nas décadas de trinta e quarenta. Entre os trabalhos editoriais mais proeminentes de Olympio estão uma coleção de José de Alencar, de 1951; e, em 1952, publicou a primeira tradução brasileira de Dom Quixote.

3) Numa época em que o comércio de livros era dominado por estrangeiros: Garnier (francês), Laemert (irmãos e alemães), surge o fluminense Pedro da Silva Quaresma, que comprou a Livraria do Povo. Por cinquenta anos foi o único livreiro brasileiro. Ele sentiu que tinha um público-alvo a ser conquistado: a população semiletrada e ofereceu um livro fácil de compreensão e bem prático de ser lido. Propõe então um livro de cunho popular em formato reduzido, o que chamamos hoje de Pocket Book. Acessível também no preço. Ficaram conhecidos como “Edições Quaresma”.

Estas e outras histórias podem ser aprendidas em “Revelando Um Rio de Livrarias, Sebos e Cafés” e é dedicado a todos aqueles que amam livros, cultura e história. O valor é o pedido de uma contribuição a partir de R$10, que pode ser pago no dinheiro ou cartão, para a manutenção do projeto e remuneração dos guias, que não recebem qualquer tipo de patrocínio e o projeto é financiado com as contribuições dos próprios participantes. Outras datas estão previstas para acontecer o mesmo tour, para mais informações basta entrar em contato com a guia de turismo Juliana Fiuza pelo telefone e whatsapp 21 98091-2606.

Serviço: Evento: Revelando um Rio de Livrarias, Sebos e Cafés / Walking tour que revela as origens dos livreiros do Rio de Janeiro através de visitações a sebos, livrarias e cafés históricos do centro da cidade / Data: 16 de agosto (Sexta) / Horário: 15h / Duração: 3h aprox. / Começa: Escadaria do Theatro Municipal / Termina: Livraria Folha Seca (Rua do Ouvidor) / Guia de Turismo: Juliana Fiúza / Sugestão do que levar: Água, sapatos e roupas confortáveis / Valor: Contribuições a partir de R$10. É possível pagar em dinheiro e cartão de crédito ou débito. Em caso de contribuição acima de R$20, é possível parcelar o valor.

Bienal do Livro do Ceará começa nesta sexta; confira os destaques da programação

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Bienal do Livro terá um espaço dedicado ao cordel, apresentando a cultura do folheto em várias formas desde a música até as artes visuais — Foto: Divulgação

São mais de 300 convidados confirmados no evento, que se estende por dez dias no Centro de Eventos, entre 16 e 25 de agosto

Rômulo Costa, no G1

Com tema “As cidades e os livros”, a 13ª Bienal Internacional do Livro do Ceará começa na próxima sexta-feira (16), no Centro de Eventos, e segue até o dia 25 de agosto com uma extensa programação. O evento envolve ainda outros espaços de Fortaleza, como a Escola Porto Iracema das Artes, e até de outros municípios, como a Casa de Saberes Cego Aderaldo, em Quixadá.

Com dez dias de programação que envolve lançamentos de livros, mesas redondas, oficinas e shows, as atividades circulam em eixos temáticos como mulheres, ilustração e juventude. São mais de 60 autores brasileiros e estrangeiros confirmados entre os 300 convidados do evento literário.

A seleção foi da escritora cearense Ana Miranda, do escritor, produtor cultural e professor Carlos Vasconcelos e da professora Inês Cardoso, com a coordenação geral de Goreth Albuquerque. A expectativa é que a programação atraia 450 mil visitantes.

Veja os destaques

Autores nacionais

Conceição Evaristo, autora de “Olhos d’água”, um dos principais nomes da literatura contemporânea (Dia 24 de agosto, às 18h)

Ronaldo Correia de Brito, escritor e dramaturgo, autor de “Galileia” (Dia 21, às 16h)

Chico Alvim, poeta e diplomata, autor de “O metro nenhum” (Dia 19, às 18h)

Frei Betto, jornalista e escritor brasileiro, autor de “Batismo de Sangue” (Dia 19, às 20h)

Amara Moira, escritora, professora e ativista transexual (Dia 25, às 16h)

Ana Miranda, escritora cearense, autora de “Dias & Dias” e “Boca do Inferno” (Dia 18, às 16h)

Marco Luchesi, poeta e romancista, atual presidente da Academia Brasileira de Letras (Dia 17, às 20h)

Antônio Torres, autor de “Um cão uivando para a Lua” e membro da Academia Brasileira de Letras (Dia 20, às 16h)

Autores internacionais

Eduardo Agualusa (Angola), autor de “Nação crioula” (Dia 17, às 16h)

Abdellah Taïa (Marrocos), escritor e cineasta marroquino com oito romances publicados (Dia 18, às 20h)

Ivan Wolffers (Amsterdã), escritor, médico e professor (Dia 24, às 16h)

Vera Duarte Pina (Cabo Verde), autora de “A Candidata” (Dia 19, às 16h)

Além da literatura

Monja Coen (SP): a monja zen budista participa de evento na Praça Cordel, no dia 17 de agosto, às 13h, o bate-papo “Meditação e cantoria como prevenção do câncer”.

Debates e temas

As cidades e os livros: espaço principal do evento, recebe a maioria dos nomes destacados acima, além de Mariana Ianelli, Tércia Montenegro, Fausto Nilo, Gilmar de Carvalho e outros.

Letras de mulher: pretende divulgar autoras femininas, principalmente na literatura, com mesas formadas unicamente por mulheres, como Lola Aronovich, Maria da Penha, Mayara e As Severinas.

Oralidade e Ancestralidade: destaques para a tradição oral envolvendo múltiplas etnias, mestres da cultura popular e outras abordagens. Recebe convidados como Cláudia Quilombola, Daniel Munduruku, Vaqueira Aboiadora, Cacique Pequena, Jean dos Anjos e Gilberto Calungueiro.

Juventude e periferia: visibilidade e debates sobre o movimento de leitura e literatura promovido nas periferias de Fortaleza com foco nos jovens. Recebe representantes de iniciativas como Jangada Literária, Livro Livro Curió, Cia. Bate Palmas e Paideia.

Literatura de cordel: com espaço dedicado ao gênero, a Bienal do Livro reúne autores e apresenta a cultura do folheto em várias formas desde a música até as artes visuais

Espaço infantil: área voltada para crianças reúne livros e atividades como encontro com autores, oficinas e contação de histórias. Recebe nomes como Paula Yemanjá, Luci Sacoleira, Cris Alhadeff e Clarice Cardel.

Festival de Ilustração: palestras, mesas redondas e oficinas para refletir sobre a relação entre texto e imagem, com participações de Fernanda Meireles, Tino Freitas, Marilda Castanha e outros nomes.

Bienal fora da Bienal: atividades que integram a programação mas acontecem fora do Centro de Eventos, em espaços como Porto Iracema das Artes, Mercados dos Pinhões, Poço da Draga, além da Casa de Saberes Cego Aderaldo (Quixadá) e outros locais.

Café literário: discussões sobre cidade, que orientam a Bienal. O eixo principal da programação é o espaço “Diz-me o que comes e te direi de onde és”. Terá nomes como Sânzio Azevedo, Thiago Tizzot e Lina Luz.

Serviço:

13ª Bienal Internacional do Livro do Ceará
Quando: 16 a 25 de agosto, das 10h às 22h
Onde: Centro de Eventos do Ceará (Av. Washington Soares, 999 – Edson Queiroz)
Ingresso: Gratuito

Menino de 13 anos cria cordelteca no interior de SP

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Pedro Popoff, 13, criou uma biblioteca de cordel em sua cidade, Bauru (SP); garoto recebeu doações de obras da Academia Brasileira de Literatura de Cordel
Jaime Prado/Divulgação

Com a ajuda de autores, garoto reuniu cerca de 2.000 cordéis no quintal de casa

Cristina Camargo, na Folha de S.Paulo

São Paulo – O filme “Lampião, o Rei do Cangaço”, de 1964, que conta a história de Virgulino Ferreira da Silva, líder de cangaceiros no Nordeste, foi uma das primeiras inspirações de Pedro Popoff, aos cinco anos.

Desde então, ele começou a inventar rimas e a fazer perguntas e mais perguntas. Conheceu a música de Luiz Gonzaga e a literatura de cordel, divulgou a cultura nordestina em escolas e, agora, aos 13, resolveu criar uma biblioteca só com a linguagem do cordel.

A ideia da cordelteca surgiu há dois anos, já que Pedro começou a receber muitas doações de obras. Resolveu criar o espaço em Bauru (a 330 km de São Paulo), onde mora com os pais.

Com o apoio de poetas e academias especializadas, inaugurou o espaço em abril deste ano, no quintal de casa. A cordelteca recebeu o nome de Gonçalo Ferreira da Silva, poeta de Ipu, no Ceará, um dos fundadores da Academia Brasileira de Literatura de Cordel.

Gonçalo é um dos incentivadores do menino. “É uma iniciativa espetacular. O Pedrinho tem se dedicado à divulgação da literatura de cordel por onde anda. Ele deixa um rastro de luz na história da cultura nacional”, afirma o cordelista.

Em Bauru, ganhou o apelido de Pedro do Cordel. Ficou famoso por sempre usar chapéu nordestino, alpargatas e bornais típicos. Com os pais, criou o projeto Brincando de Cordel e passou a percorrer escolas e eventos para apresentar a cultura nordestina.

Ao mesmo tempo, reúne livretos. Já são cerca de 2.000 obras obtidas por meio de doações de diversos artistas.

“Esse país precisa de cultura. O estrangeiro é muito bom, mas a gente precisa conhecer nossas raízes”, afirma o garoto.

Ele chegou a organizar uma campanha online de financiamento coletivo para reformar o espaço onde hoje funciona a cordelteca. Antes o lugar era escritório da mãe e precisava de reparos. Conseguiu arrecadar apenas 41% do valor total (R$ 2.600 de R$ 6.300), mas não desistiu. Pediu para os pais trocarem o presente de aniversário de 13 anos pela ajuda para a inauguração.

Os familiares juntaram as economias, alguns empresários contribuíram e Pedro realizou o sonho. Além do acervo literário, a cordelteca tem objetos garimpados no Nordeste, uma coleção de chapéus e um gibão doado pelo poeta Chico Neto Vaqueiro, de Fortaleza (CE).

“Toda semana recebemos cordéis de dezenas de poetas”, conta a empresária Carla Mota, mãe do adolescente. Segundo ela, são esses artistas que garantem o funcionamento do espaço.

No início, a paixão de Pedro surpreendeu a família. Ele é neto de imigrantes russos da Sibéria, tem pais roqueiros e não tinha nenhuma relação com o tema. “Ele brincava no tapete de casa com os bonequinhos, com sotaque nordestino. Também cantava no chuveiro canções sobre sagas sertanejas”, lembra a mãe.

Intrigados, os pais chegaram a procurar ajuda de uma psicóloga e foram orientados a deixar o filho se expressar. Quando ele tinha oito anos, foi convidado por uma escola de Bauru para falar aos estudantes sobre o amor pelo Nordeste. Contou a trajetória de Lampião, falou sobre Luiz Gonzaga e aconselhou as crianças a conhecerem a história do Brasil.

Ele costuma dizer que nasceu com esse gosto e pergunta: “Como não gostar da cultura nordestina?”
“Eu pretendo continuar com a luta pela cultura, aprender bastante, fazer faculdade de comunicação e ser presidente do Brasil”, conta. Um presidente que adora o Nordeste.

A cordelteca fica na rua Treze de Maio, 12-45, na região central de Bauru. Funciona de segunda a sexta-feira, das 9h às 17h; e aos sábados, das 9h às 13h. As visitas monitoradas precisam ser agendas pelo telefone (14) 99731-5676.

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