Vitrali Moema

Posts tagged professores

Os superprofessores particulares que educam filhos de milionários

0

Fok recusou US$ 20 mil de pais de aluno para garantir que ele tirasse nota máxima em exame Imagem: Arquivo pessoal

Philippa Fogarty, no UOL

O trabalho de Melissa Lehan como professora particular a levou a lugares fantásticos. Ela trabalhou nas Bermudas por alguns anos, depois no Canadá. Também teve passagens pelo sul da França, pelas Bahamas e pela região da Toscana, na Itália. No momento, está atuando no interior de Luxemburgo, onde ganha um salário anual de seis dígitos.

Formada na prestigiada Universidade de Oxford, no Reino Unido, Lehan, de 36 anos, educa crianças em casa há 10 anos. Seus clientes são geralmente pais ricos que, por várias razões, não se contentam com as escolas locais e querem uma educação melhor para seus filhos.

Ela diz amar seu trabalho, que inclui acomodação e viagens de graça. Mas, quando questionada por que, não destaca ter ensinado em locais exóticos ou dentro de um iate. Em vez disso, Lehan discorre sobre os relacionamentos que desenvolve com seus alunos e da liberdade que tem para lecionar, explicando os assuntos de uma forma diretamente relevante para eles.

“Ter essa conexão emocional com uma criança e ajudá-la, conhecendo-a tão bem que você sabe o que ela vai aprender – é o que me faz seguir em frente”, diz.

Boom de aulas particulares

Ao redor do mundo, a indústria de ensino privado está crescendo. Segundo previsões, seu faturamento vai alcançar US$ 227 bilhões (cerca de R$ 895 bilhões) até 2022, impulsionado pelo crescimento na Ásia e pelo desenvolvimento de aulas on-line, na medida em que mais empresas conectam estudantes a professores, independentemente da distância física.

No entanto, esse setor continua em grande parte não regulamentado e há todos os tipos de provedores do serviço: freelancers, escolas, grandes redes, serviços online, agências personalizadas e muito mais.

No topo, há um pequeno número de pessoas extremamente bem pagas, conhecidas como “superprofessores”. O significado varia de acordo com a região.

Na Europa, a figura mais conhecida costuma ser a do professor particular em tempo integral, como Lehan, em muitos casos usado por pais super-ricos que trabalham no exterior e que querem levar seus filhos para as melhores escolas e universidades nos EUA ou no Reino Unido.

Já no leste da Ásia, a expressão “superprofessor” normalmente se refere a um especialista em um determinado assunto que ensina grupos – um exemplo de destaque é Lam Yat-yan, de Hong Kong, um professor de língua chinesa que recusou uma oferta de emprego de US$ 11 milhões (R$ 43 milhões) em 2015.

Nos Estados Unidos, onde em 2017 mais de 3,7 milhões de estudantes fizeram testes de admissão para universidades, trata-se de um profissional conhecido por preparar candidatos para provas e que cobra taxas altíssimas por hora.

Mas além de cobrar altas somas, o que faz um superprofessor? Que tipo de habilidades eles têm, por que eles escolheram essa profissão e como chegaram aonde estão?

Preparação e sacrifício

No caso de Lehan, o termo “superprofessor” não lhe desperta interessa. Ela diz que a expressão glamouriza um papel que “não é bem compreendido”. “No dia a dia, sou professora”, diz “que trabalha duro”.

A maioria dos professores de Ensino Médio se especializa em um ou dois assuntos, mas Lehan ensinou várias disciplinas a crianças. Ela é formada em línguas e compartilha um amor pela matemática, mas desde cedo dominar o campo das ciências sempre foi um desafio. Em seu primeiro emprego, ela trabalhou sem parar para se certificar de que estava a par de toda a ementa.

“Para mim, a química (com o aluno) foi a única coisa em que tive que focar minhas atenções”, diz ela. “E, então, você obviamente passa o tempo tentando aperfeiçoar seu método de ensino, incluindo pequenos truques.”

Planejamento e preparação também levam tempo. “Você planeja para ter certeza de que o que ensina está funcionando especificamente para o seu aluno. Isso significa que, embora você tenha uma ementa em mente, é preciso revisá-la ao longo do tempo e fazer ajustes, de forma que o conteúdo pareça agradável ao aluno”.

Para Anthony Fok, sacrificar o tempo com a família e com os amigos faz parte do trabalho. Ele é professor em Cingapura, onde 70% dos pais matriculam seus filhos em aulas extras.

Fok, de 35 anos, dá aulas de economia para grupos de estudantes que se preparam para entrar em universidades locais e estrangeiras. Ele trabalha à noite e nos fins de semana e faz parte de um pequeno, mas crescente grupo de “superprofessores”. O faturamento de sua empresa gira em torno de US$ 726 mil (R$ 2,9 milhões) por ano.

Para isso, cobra dos seus alunos US$ 305 (ou R$ 1,2 mil) por quatro aulas de 90 minutos, taxas que ele diz estarem no mesmo nível de outros tutores ou “talvez com um pouco acima da média”. Suas aulas estão cheias – a tal ponto que alguns pais chegam a reservar um lugar em sua turma com três anos de antecedência ou mesmo oferecer dois anos de pagamento adiantado.

Em dada ocasião, um dos pais lhe ofereceu US$ 20 mil (R$ 78 mil) se Fok garantisse que seu filho tiraria a nota máxima no exame. Ele recusou. “Não é possível realizar milagres no último minuto”, diz ele. “A primeira dificuldade é que os pais acham que o dinheiro resolve todos os problemas. Mas não é verdade!”

Em um mercado competitivo, Fok conquistou seu nicho aperfeiçoando seu currículo. Ele começou a dar aulas na universidade, depois passou cinco anos como professor de uma escola antes de abrir seu próprio negócio de ensino em 2012.

Hoje, é o autor de vários livros sobre economia. Ele garante que se mantém atualizado pelos exames anteriores, bem como pelas últimas tendências, além de permitir que seus alunos lhe enviem mensagens a qualquer momento.

‘Não prometa demais e não entregue menos’

Nos imensos mercados de ensino de Hong Kong e da Coreia do Sul , os professores “estelares” dependem de um grande número de estudantes, fazendo palestras on-line ou ao vivo para aumentar seu alcance. Mas Fok diz não querer comprometer a qualidade de seu ensino ao fazer isso.

Ele critica quem entra nesse setor apenas pelo dinheiro e argumenta que a chance de fracassar é alta. “Os professores devem ser genuinamente apaixonados por ensinar e precisam se esforçar 100% para ajudar os alunos a melhorar”, diz Fok. “Não prometa demais e não entregue de menos. Trabalho duro, trabalho duro e trabalho duro.”

Enquanto isso, na Califórnia, Matthew Larriva ganha US$ 600 por hora dando aulas particulares para as provas SAT ou ACT, usadas para admissão em universidades americanas. Larriva começou a dar aulas em 2011 e, desde então, abriu sua própria agência de preparação para os testes.

Outras empresas do setor eram “generalistas”, defende ele, e havia espaço para uma alternativa de alto nível. Agora, conecta famílias com professores que recebem US$ 250 (R$ 985) por hora, escreve livros, faz apresentações e aceita apenas um ou dois alunos por vez.

“O que eu entrego – e a razão pela qual acho que eles estão dispostos a pagar – é a durabilidade dos resultados”, diz ele. Muitas pessoas só trabalham no campo por um curto período de tempo, diz ele, mas, se você ficar, “começa a desenvolver um ritmo que é realmente forte”.

Em sua opinião, professores experientes podem ajudar alunos a escolher a prova certa, o cronograma e a meta de pontuação, além de adaptar seu ensino para maximizar o progresso em diferentes níveis de habilidade.

Algumas pessoas, diz Fok, calculam que ele ganhe mais de US$ 1 milhão (R$ 3,94 milhões) por ano, mas não veem o tempo gasto trabalhando nos bastidores.

“Para cobrar US$ 600 (R$ 2.365) por hora, é preciso constante preparação, viagens e marketing”, diz ele. “E, uma vez no batente, é um trabalho cansativo durante as noites, fins de semana e feriados. Tenho que ser professor para meus alunos, conselheiro para os pais deles e mediador entre as famílias.”

Larriva estima que seja uma das cerca de 100 pessoas mais bem pagas em seu campo, mas lembra que há outros que cobram muito mais. Quanto ao conceito de “superprofessor”, ele diz não se importar com pessoas com status de celebridade, desde que seus resultados estejam alinhados com o marketing que fazem.

Sua maior preocupação, diz, é que não há qualificação padronizada para ser professor nos EUA. Muitas pessoas se anunciam como instrutores de preparação de testes, mas às vezes não está claro de que forma beneficiam seus alunos. Ele gostaria que as empresas publicassem os resultados dos estudantes, dando aos pais maior transparência.

Padrões profissionais

Adam Caller concorda. Ele é fundador da Tutors International, com sede em Londres, que fornece professores em tempo integral (incluindo Melissa Lehan) para famílias ricas. Atualmente, sua empresa está oferecendo salários de seis dígitos nos EUA, Bermudas, Luxemburgo e Hong Kong.

Em vez de se concentrar em salários ou “superprofessores” (um termo de que ele não gosta por mexer com o medo dos pais), Caller diz que o importante é resultado para o aluno. Ele contrata apenas professores qualificados (a menos que o cliente solicite o contrário) e suas funções podem incluir requisitos específicos – idiomas extras, música ou esportes, experiência com crianças problemáticas ou dificuldades de aprendizado.

Ele diz acreditar que deve haver uma qualificação profissional que reconheça formalmente a experiência dos professores.

“Seria excelente se houvesse um órgão de fiscalização por meio do qual seu profissionalismo, seu conhecimento, seu desenvolvimento profissional fossem medidos”, diz ele.

No caso de Lehan, se posta em prática, essa iniciativa poderia levar a uma melhor compreensão do que ela faz para ganhar a vida. “Acho que há muitas pessoas que não percebem que eu não estou apenas dando um pouco de aulas de francês, mas ensinando um conjunto completo de disciplinas”, diz ela.

Para ela, são os alunos – a garota rejeitada por sua escola como uma “aluna de baixo desempenho” que passou a se destacar em todas as provas, por exemplo – que tornam seu trabalho recompensador, em vez de inúmeras qualificações no currículo.

Matthew Larriva concorda. “Sim, o trabalho é sedutor às vezes – ter bilionários fazendo café para você e ser convidado para jantar em família com um congressista – mas mais envolvente do que glamour é o privilégio: entrar na vida de alguém nesta posição única, conhecer uma família e fazer com que eles confiem a você uma grande parte do futuro de seus filhos.”

Alunos da rede pública receberão livros literários a partir de 2019

0

Publicado no UOL

Estudantes da rede pública receberão livros de literatura em 2019, além do material didático, de acordo com o novo formato do Programa Nacional do Livro e do Material Didático Literário (PNLD). A escolha das obras pelas escolas credenciadas ainda não foi iniciada. A previsão é que o sistema seja aberto para registro a partir do dia 8 de outubro.

De acordo com o Ministério da Educação, a escolha será feita pelas escolas, a partir de uma lista, e levará em conta a opinião dos professores e diretores de escola. No catálogo para o ensino médio, estão livros como a biografia da paquistanesa Malala – a mais jovem a receber um Prêmio Nobel da Paz; o clássico de ficção Admirável Mundo Novo, de Aldous Juxley; e poemas de Cecília Meireles.

Até este ano, o programa destinava as obras literárias apenas para as bibliotecas e para serem usadas em salas de aula. A previsão é que os estudantes recebam os dois livros literários.

Para a assessora de projetos da Campanha Nacional pelo Direito à Educação, Andressa Pellanda, é importante o aspecto individual da leitura, mas o papel didático da biblioteca não se deve ser esquecido. Ela defende que a escolha dos livros deve ser a mais democrática possível, envolvendo não só os professores, como prevê o programa, e que os alunos também sejam consultados.

“Sempre falamos da necessidade sobre o processo de gestão democrática dentro da escola. Então, a escolha dos livros didáticos também tem que passar por isso, existe todo um trabalho que é feito e pensado para que as escolas possam ter de fato gestão democrática”, disse. “Se os professores, os diretores, os coordenadores pedagógicos puderem discutir com os estudantes a escolha dos livros de literatura e também os livros didáticos, isso sempre é muito mais frutífero porque uma gestão democrática gera apropriação de cultura, então gera educação e aprendizado”, acrescentou.

Na avaliação de Cândido Grangeiro, sócio de uma pequena editora que teve livros escolhidos para o catálogo literário do programa, houve conquistas com o novo modelo. “Isso é uma conquista enorme [o livro ficar com o estudante] porque o aluno tem um acesso maior à literatura”, disse, ressaltando ser mais um incentivo para publicações no mercado editorial.

Os professores terão acesso a um guia com resenhas das obras selecionadas pelo programa e a escolha será feita após uma reunião de professores e diretoria da escola. Ainda de acordo com as regras, uma mesma editora não poderá ter dois livros escolhidos. As obras serão devolvidas às escolas depois do período de um ano para reutilização. Cada editora pode inscrever quatro obras para serem selecionadas para o catálogo.

O PNLD não permite que as editoras, com obras selecionadas para o catálogo, façam ações promocionais, distribuam brindes ou visitem as escolas. Grangeiro alerta para um disputa desigual entre as grandes e pequenas editoras. “Essas editoras [grandes] trazem toda uma tradição de chegada, um poder comercial mesmo, tem distribuidor, tem dinheiro, enfim, de chegar nas escolas e conseguir concentrar todas as adoções [de livros]. As editoras pequenas não dominam esse universo comercial, nem tem recursos financeiros para esses estudos. A disputa é extremamente desigual”, disse.

 *Colaborou Nelson Lin, da Rádio Nacional

Professores dão aulas com base em álbuns de figurinhas da Copa em SP

0

Amanda Perobelli/Estadão Conteúdo

Alunos do Colégio Humboldt, na zona sul de São Paulo, participam de atividade com foco em leitura e interpretação de textos que constam no álbum de figurinhas da Copa do Mundo

Isabela Palhares, no UOL

Como em outras Copas do Mundo de Futebol, os álbuns de figurinha conquistaram as crianças e invadiram as escolas. Em vez de enxergar a brincadeira como uma distração para as aulas, professores perceberam uma oportunidade de trabalhar conceitos de Matemática, Português e Geografia do ensino infantil ao fundamental.

O professor de Português Ari Mascarenhas, do Colégio Humboldt, na zona sul de São Paulo, ficou impressionado com o interesse que as figurinhas de papel – tão distantes do mundo digital ao qual os adolescentes estão acostumados – provoca. “Podia encarar como distração ou aproveitar essa atenção para tratar dos assuntos de aula.” E ele optou por tirar proveito.

Mascarenhas desenvolveu uma atividade para os alunos do 8.º ano com foco em leitura e interpretação de textos que constam no álbum. Dividiu os estudantes em grupos e propôs que procurassem o maior número possível de informações textuais e de imagem, como cores, números, bandeiras e mapas. A equipe vencedora leva um pacote de figurinhas no fim da aula.

A iniciativa ganhou a turma. “Geralmente os professores nos proíbem de abrir o álbum na sala, por isso achei muito legal poder usá-lo dentro da classe”, conta Maria Clara Garcia, de 12 anos, que coleciona pela segunda vez figurinhas das seleções de futebol com o pai.

Para o professor de Educação Física Arthur Campelo, do Colégio Santa Maria, também na zona sul, foi o custo da coleção que motivou o uso do álbum. Com alunos do 5.º ano, ele desenvolveu um trabalho de educação financeira.

“Comecei a questionar e instigar a reflexão sobre o que eles poderiam comprar com o valor gasto, por exemplo, com dez pacotinhos. A ideia é incentivar o consumo consciente e, principalmente, mostrar que a troca tem poder social”, afirma Campelo, que fez os alunos perceberem que poderiam completar o álbum mais rápido se trocassem figurinhas com mais gente.

O professor destaca ainda as características necessárias para as trocas. “A vontade de conseguir as figurinhas faz com que desenvolvam habilidades, fiquem mais desinibidos, cheguem a acordos. Eles aprendem a negociar, por exemplo, com a troca das brilhantes ou das que consideram mais difíceis de conseguir.”

Coletivo

Com as crianças menores, de 5 anos, o Colégio Marista da Glória, no centro da capital, decidiu montar álbuns coletivos para cada turma e, para isso, as professoras reservam horários específicos. “O álbum contempla várias linguagens: numérica, textual, de imagem, do espaço social. E a criança aprende dentro de um contexto real. Por isso, é muito mais prazeroso”, diz Vanessa Alvim, assistente de coordenação da educação infantil.

Além de aprenderem a reconhecer o sequenciamento numérico, as crianças se divertem com as camisas de cores diferentes e as bandeiras, conta Vanessa. E até o simples ato de tirar a figurinha do plástico, que exige coordenação motora fina, pode estimulá-las. “A brincadeira é sempre uma oportunidade de aprendizado.” As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.

5 livros que todo mundo deve ler em 2018, segundo professores de Harvard

0

5 livros que todo mundo deve ler em 2018, segundo professores de Harvard – InfoMoney

Se você não sabe qual será seu próximo livro, indicações de professores de Harvard pode ser uma boa

Publicado no InfoMoney

SÃO PAULO – A leitura  é um método simples para adquirir mais conhecimento e pode fazer toda diferença na sua vida profissional e pessoal. Se você não sabe qual será seu próximo livro, indicações de professores de Harvard pode ser uma boa.

O Business Insider pediu a 5 professores de Harvard que compartilhassem um livro que eles pensam que todos os alunos deveriam ler em 2018. Entre os professores estão ganhadores do prêmio Nobel, cientistas, economistas e vencedores do Prêmio Pulitzer.

Os livros que escolheram foram tão diversos quanto os antecedentes profissionais. Confira os 5 livros livros selecionados:

“Anna Karenina”, de Liev Tolstoi

A professora de história econômica Cáudia Goldin indica o livro “Anna Karenina”, de Tosltoi. “Eu recomendo este livro esse ano porque não há uma narrativa melhor sobre como as mulheres são ignoradas, oprimidas e têm baixo respaldo jurídico. As mulheres carregam a sociedade e oferecem a salvação – mesmo que os padres levem todos os créditos”, diz. Ela firma que o romance é tão relevante hoje como foi quando lançado em 1877. “Em paralelo à narrativa principal, também oferece um aprendizado sobre mudanças técnicas na agricultura e como foi incentivar agricultores a adotar essas mudanças”, disse Claudia.

“Teoria dos Sentimentos Morais”, Adam Smith 

Outro livro indicado foi a Teoria dos Sentimentos Morais, de Adam Smith. Quem recomendou foi o professor de economia Eric Maskin, ganhador do Nobel em 2007. “Todo estudante de economia conhece o livro Riqueza das Nações, mas antes dele, lembre-se do Teoria dos Sentimentos Morais. Esta obra apresenta uma visão sobre uma natureza humana de forma muito mais rica e detalhada que seu sucessor”.

“The Internationalist”, de Oona Hathaway e Scott Shapiro

Este livro, indicado pelo professor de psicologia da universidade Steve Pinlker, faz uma análise dos fatores que envolveram a criação o Pacto de Paris, tratado internacional que “renunciava a guerra como instrumento de política nacional” assinado em 1928. The Internactionalist (O Intercionalista, em tradução livre) foi publicado em 2017. “O livro apresenta uma visão panorâmica da cena internacional e alguns aspectos da análise são úteis para desenvolvimentos atuais e recentes da história”, afirma Pinker.

“Just Mercy”, de Bryan Stevenson 

Já o professor de literatura inglesa Stephen Greenblatt, vencedor do Pulitzer (com a obra The Swerve: How the World Became Modern), recomenda esta obra, que foi lançada em 2014. A história narra a vida de um jovem advogado que luta por aquilo que acredita ser a “verdadeira justiça”.

“Robot-Proof: Higher Education in the Age of Artificial Intelligence”, de Joseph Aoun

Há sugestões em diversas áreas do conhecimento. O professor de química orgância e vencedor do Nobel em 1990 EJ Corey indica o livro lançado em 2017 Robot-Proof: Higher Education in the Age of Artificial Intelligence (“À prova de robô: educação em temos de inteligência artificial”, em tradução livre). Ele conta que a obra perpassa o impacto da inteligência artificial nos negócios e na sociedade e as trannsformações que serão necessárias na educação superior a partir disso.

Como é o ‘método de Cingapura’, usado pelo homem mais rico do mundo para ensinar matemática aos filhos

1

Alunos em escola de Cingapura (Foto: Caroline Chia / ST / Singapore Press Holdings)

Abordagem didática é cercada de polêmica, mas foi escolhida por Jeff Bezos por seus excelentes resultados em provas internacionais.

Publicado no G1 [via BBC Brasil]

Os melhores estudantes de matemática do mundo estão em Cingapura, segundo a prova de avaliação internacional Pisa, realizada todos os anos pela OCDE (Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico).

Não chega a surpreender, portanto, que o chamado “método de Cingapura” (também conhecido como “Mastery Approach” ou “Abordagem Maestria”), voltado ao ensino da matemática, tenha se espalhado por todo o mundo.

O sucesso do método é tal que Jeff Bezos, o homem mais rico do mundo e fundador da Amazon, decidiu, junto com sua mulher, incluir o modelo na educação dos filhos.

“Tentamos todo o tipo de coisas, como lições de mandarim ou o método de Cingapura”, disse MacKenzie Bezos à revista Vogue.

Mas o método de Cingapura é cercado de polêmica e divide educadores ao redor do mundo.

Alguns pedagogos chegaram, inclusive, a optar por uma terceira via: usam elementos do modelo, mas com uma abordagem ocidental, segundo eles, “mais livre e criativa”.

BBC (Foto: Método seguido por Jeff Bezos, fundador da Amazon, incentiva pais a terem ‘conversas matemáticas’ em casa)

Nos Estados Unidos, o método de Cingapura vem ganhando cada vez mais força e seus adeptos propagandeiam os excelentes resultados conquistados com a didática.

“Os currículos de matemática de escolas primárias em vários países do mundo usam o método de Cingapura como modelo”, diz o professor americano Kevin Mahoney, um dos defensores da abordagem que se dedica a treinar outros professores para aplicá-la.

E por que crianças de Cingapura têm bons resultados em testes de habilidades matemáticas?

“É uma combinação de currículo, pedagogia e cultura”, acrescenta Mahoney.

Afinal, em que consiste o ‘método de Cingapura’?

No método de Cingapura, os professores trabalham em equipes usando objetos reais para ensinar matemática.

A idéia é se concentrar em resolver problemas e entender o raciocínio lógico por trás das operações, em vez da habitual “decoreba”.

Os alunos aprendem através da chamada abordagem CPA: concreto, pictórico e abstrato.

Em outras palavras: as aulas usam objetos, fotografias e símbolos para exemplificar problemas. Blocos de diferentes cores representam todos os tipos de idéias matemáticas, como frações, por exemplo.

É comum o professor incorporar desenhos e diagrama às aulas. Trata-se, assim, de uma abordagem muito visual e também auditiva.

O cingapuriano Yeap Ban Har, matemático considerado um dos líderes mundiais no método, argumenta que os objetos permitem que as crianças explorem diferentes ideias quando estão aprendendo um conceito.

“Mais do que simples operações, o modelo quer fazer os alunos “pensarem como um matemático”, diz Andreas Schleicher, diretor de educação da OCDE e coordenador do teste Pisa.

Trata-se de ensinar menos tópicos, mas em maior profundidade. Em teoria, todos os alunos evoluem em um ritmo semelhante, porque os professores esperam que todas as crianças aprendam um conceito específico antes de passar para o próximo.

Estudos realizados pelo Instituto de Educação da Universidade College London (UCL) e pela Universidade de Cambridge, ambas no Reino Unido, revelaram que o método melhora a velocidade com que se aprendem habilidades matemáticas.

Mas a técnica está longe de angariar consenso.

“Não há evidências de que este seja o melhor método, há algumas evidências limitadas de que seria um pouco mais eficaz do que o método empregado em alguns países ocidentais como a Inglaterra, mas os efeitos parecem ser relativamente pequenos a longo prazo “, diz John Jerrim, pesquisador do Instituto de Educação da Universidade College (UCL).

‘Matemática por toda a parte’

No mundo ocidental, alguns elementos desse método foram incorporados em outras metodologias de ensino na escola e também em casa.

Por exemplo, os pais são estimulados a incentivar seus filhos a falar sobre como chegaram a um resultado, a comentar o processo, os erros, os sucessos e as ideias que tiveram.

A idéia é verbalizar o processo usando frases completas, fazendo desenhos ou construindo modelos com qualquer material doméstico. E o papel dos pais é reconhecer o esforço das crianças na tentativa de chegar à solução, em vez de apenas dizer qual é a resposta correta.

Outra maneira simples de aplicar o método de Cingapura é transformar as coisas da vida diária em conversas matemáticas.

Por exemplo, quantos brinquedos teremos em uma caixa se guardarmos todos eles ali ou quantas maçãs sobrarão na fruteira se você e seus irmãos comerem uma cada um agora?

Recomenda-se, por exemplo, olhar o mesmo objeto de diferentes pontos de vista ou chegar ao mesmo resultado usando caminhos diferentes.

Sala de aula “igualitária”

Na Ásia, particularmente na China, é usado o método Xangai Master, que tem alguns pontos em comum com o método de Cingapura.

As aulas giram em torno de um conceito matemático específico antes de passar para ideias mais complexas após uma progressão linear.

Todas as crianças estudam ao mesmo tempo o princípio básico que devem aprender em sala de aula e o professor não dá o próximo passo até que todos tenham absorvido as premissas daquele assunto.

Esse tipo de abordagem difere muito daquela típica em outros países do mundo, onde as aulas são consideradas boas quando incluem uma grande quantidade de conteúdo ou quando alguns alunos avançam a uma taxa muito mais rápida do que o resto para aproveitar seu potencial.

Para os críticos do método Cingapura, essa ideia de classe igualitária acaba por desestimular alunos que aprendem mais rápido.

Além disso, a repetição em voz alta das respostas, as carteiras enfileiradas e a falta de interação entre as crianças fizeram muitos pedagogos descreverem o método como tradicionalista, despersonalizado e com foco na obtenção de resultados em provas internacionais como o PISA.

O debate é acalorado, considerando que a educação atualmente está se voltando para o desenvolvimento de habilidades como pensamento crítico e criativo, trabalho em equipe para resolver desafios cotidianos e o desenvolvimento de habilidades sociais em ambientes mais livres e interativos.

Outro ponto discutido é que, em vários países asiáticos (inclusive em Cingapura), os pais pagam aulas particulares após a escola para que as crianças tenham melhores notas nas provas, em contraste com as práticas na Finlândia, por exemplo, onde há mais ênfase nas brincadeiras do que em trabalhos dentro da sala de aula durante a primeira infância.

Mas, apesar das diferenças culturais e das políticas públicas em diferentes países do mundo, o método de Cingapura mostrou ter apelo a ponto de ter alguns de seus elementos incorporados a sistemas educacionais estrangeiros.

Go to Top