Canal Pavablog no Youtube

Posts tagged autor

Winter is Coming: tempestade de neve em 1967 influenciou escrita de George R. R. Martin em Game of Thrones

0

George R.R. Martin (Foto: Matt Sayles/ Invision/AP)

O autor ainda comentou sobre os próximos lançamentos da série de livros As Crônicas de Gelo e Fogo

Publicado na Rolling Stone

Em entrevista ao site norte-americano NPR no último sábado, 19, George R.R. Martin revelou como experiência na universidade afetou a escrita dele no arco do “o inverno está chegando” nos livros de Game of Thrones.

O autor estudou na Universidade de Northwestern, em Illinois. Enquanto era calouro, Martin enfentou uma tempestade: “Acho que isso foi no início dos anos 1967, e teve uma incrível tempestade de neve, e a neve era tão espessa que eu me perdi no campus que andava todos os dias”.

Martin ainda diz que “saíamos do dormitório e estávamos em uma vala com paredes de neve e gelo acima das nossas cabeças”. Para o autor, aquele parecia um “mundo transformado”.

A experiência influenciou o autor. “Eu acho que isso entrou na minha memória de alguma forma e pode ter tido alguma influência quando comecei a escrever sobre o Muro em Westeros e os homens da Patrulha da Noite”.

Na entrevista, George R.R. Martin ainda comentou sobre os próximos lançamentos da série de livros As Crônicas de Gelo e Fogo. O sexto e sétimo volume da saga são intitulados de The Winds of Winter e A Dream of Spring, respectivamente.

“É muito importante para mim terminar As Crônicas de Gelo e Fogo. Eu quero terminar. Ainda tenho mais dois livros para fazer e quero terminar com força. Isso para as pessoas olharem e dizerem ‘você sabe, essa coisa toda é um trabalho importante, não um trabalho incompleto ou incompleto’. Eu sei que algumas das pessoas mais cínicas por aí não acreditam nisso, mas é verdade”, disse George R.R. Martin.

Livros de J.D. Salinger serão lançados em formato digital pela primeira vez

0

J.D. Salinger. (Foto: Amy Sancetta/ AP/ Shutterstock)

Maior adversário dos livros eletrônicos da literatura, autor do clássico Apanhador no Campo de Centeio em breve terá suas obras nas bibliotecas digitais

Daniel Kreps, na Rolling Stone

O filho e proprietário do patrimônio literário de J.D. Salinger, Matt Salinger, anunciou que as obras clássicas do autor serão lançadas nas bibliotecas digitais. O anúncio foi feito seis meses depois da divulgação do plano para o lançamento dos escritos ainda não publicados do autor.

O New York Times noticiou que os quatro maiores trabalhos publicados de Salinger, O Apanhador no Campo de Centeio, Nove Histórias, Franny&Zooey e Os Carpinteiros, Levantem Bem Alto a Cumeeira & Seyour, Uma Apresentação, receberão versões digitais na terça-feira, 13.

A ausência dos trabalhos de Salinger no universo dos e-books era considerada a maior falha da literatura digital.

“Esse é última ficha a cair em termos das obras clássicas”, disse Terry Adams, editor digital e impresso da editora Little, Brown and Company para o New York Times. “Todos os outros patrimônios literários foram para os e-books, mas Matt, filho de Salinger, tem sido muito cauteloso”.

Apenas nos últimos anos, Matt considerou digitalizar os lendários trabalhos de seu pai. Primeiro, ele recebeu uma carta de uma mulher que dizia que tinha uma condição rara que dificultava a leitura em livros impressos.

Depois, em uma viagem para China, Matt presenciou como o jovens do país, que é cenário no livro O Apanhador no Campo de Centeio, liam quase exclusivamente em dispositivos digitais.

Matt Salinger reconheceu que seu pai provavelmente teria continuado como um antagonista da revolução digital. “Eu escuto sua voz bem clara em minha cabeça, e eu não tenho dúvida de 96% das decisões que eu tenho que tomar, porque eu sei o que ele queria”, disse Matt para o New York Times.

“Coisas como e-books e audiobooks são difíceis, porque ele claramente não as queria.” No entanto, Matt falou que seu pai “não gostaria que as pessoas não pudessem ler seus livros”.

Ele também disse à Associated Press: “Tem algumas coisas que meu pai amava mais do que uma experiência tátil completa de leitura com um livro impresso, mas ele talvez tenha amado seus leitores mais, e não só a ideia de ‘leitor ideal’ que ele escreveu sobre, mas todos os seus leitores.

Em fevereiro, Matt disse que trabalhos não publicados do autor “serão em algum momento compartilhados”.

Escritor João Carlos Marinho, autor de ‘O gênio do crime’, morre em SP

0

João Carlos Marinho, autor do clássico ‘O gênio do crime’ — Foto: Reprodução/Facebook

Ele estava internado desde fevereiro em hospital na Zona Leste.

Publicado no G1

O escritor João Carlos Marinho, de 83 anos, morreu no domingo (17) em São Paulo. Autor do clássico juvenil “O gênio do crime”, ele estava internado desde fevereiro no Hospital Sancta Maggiore da Mooca, na Zona Leste.

Segundo parentes, o corpo de Marinho será velado a partir das 10h desta segunda no Cemitério do Araçá e enterrado às 16h no Cemitério da Consolação, ambos na capital.

Nascido no Rio de Janeiro em 25 de setembro de 1935, mudou-se com a família ainda criança para Santos e, depois São Paulo. Concluiu o colegial (atual ensino médio) na Suíça. Ao voltar para a capital paulista, cursou Direito na Faculdade do Largo de São Francisco, da Universidade de São Paulo (USP), e passou a advogar em Guarulhos, na Grande São Paulo.

Em 1969, quando ainda advogava, publicou sua obra-prima, “O gênio do crime”. O livro foi a primeira das 13 aventuras que o autor criou para a turma do Gordo. Nele, o personagem principal e seu grupo ajudam o dono de uma fábrica de figurinhas de futebol a descobrir um criminoso que falsificava os cromos mais raros.

Capa do livro ‘O gênio do crime’ — Foto: Divulgação

Segundo cálculos do próprio autor, foram cerca de 1,2 milhão de exemplares vendidos, em mais de 60 edições desde o lançamento. A obra foi traduzida para o espanhol e adaptada para o cinema em 1973, sob o título “O detetive Bolacha contra o gênio do crime”.

Além dos romances juvenis, Marinho escreveu quatro livros voltados para o público adulto, entre eles “O dueto dos gatos”.

Por que, aos 50 anos, ‘O gênio do crime’ ainda é um marco na literatura infanto-juvenil?

0

Algumas das 76 edições do livro ‘O gênio do crime’, de João Carlos Marinho Foto: Reprodução

Livro de João Carlos Martins continua sendo adotado nas escolas e já vendeu mais de 1,2 milhão de exemplares

Paula Autran e Ruan de Sousa Gabriel, em O Globo

RIO — Quando começou a escrever o livro que o fez conhecido por gerações de crianças, João Carlos Marinho empacou num ponto. Era a história de como a turma de Gordo, Edmundo, Pituca e Berenice, da mesma idade de seus futuros leitores, ajudava o dono de uma fábrica de figurinhas de futebol a encontrar o falsário que imprimia os cromos mais difíceis do álbum. Ainda faltava uma ideia original que fizesse com que Gordo, o cérebro do grupo, desvendasse o caso que nenhum adulto conseguira: vencer o esquema dos cambistas para não serem seguidos. A história ficou engavetada por dez meses até que o autor, então um advogado de 30 e poucos anos estreante na literatura, tivesse a tal ideia que levaria o livro à frente. A chave para solucionar o mistério foi seguir o suspeito “pelo avesso”: em vez de ver aonde ele iria, observar de onde vinha.

A genialidade da investigação da turminha é apenas um dos atributos que fazem de “O gênio do crime”, 50 anos depois e 76 edições desde o seu lançamento, até hoje um dos quatro livros mais vendidos da editora Global (originalmente, ele saiu pela Brasiliense e já passou por outras casas).

A estimativa do autor é que o total de vendas esteja em torno de 1,2 milhão de exemplares — o título continua sendo adotado por escolas de todo o Brasil. Já foi publicada em espanhol (“El génio del crímen”) em 2006, e, em 1972, chegou a ser adaptada para o cinema com o título de “O detetive Bolacha contra o gênio do crime”, dirigido por Tito Teijido.

João Carlos Marinho: ‘O gênio do crime’ mudou minha vida Foto: Divulgação

— Esse livro mudou minha vida. Até hoje, metade das vendas das minhas obras são de “O gênio do crime” — diz Marinho, 83 anos, que escreveu mais 12 títulos com os mesmos personagens. Em todos, a garotada sempre leva a melhor sobre os adultos. Em “Sangue fresco”, vencedor do Jabuti em 1982 e o segundo mais vendido do autor, elas abatem bandidos que contrabandeiam sangue de crianças. Já em “O caneco de prata”, de 1992, neutralizam uma guerra bacteriológica. O último, “O fantasma da alameda Santos”, foi lançado em 2015.
O protagonismo é sempre das crianças

Além da originalidade do tema, o caso da falsificação das figurinhas também trazia inovações na forma e na construção dos personagens. Especialista em literatura infanto-juvenil e professora da Universidade Federal do Rio Grande do Sul, Regina Zilberman explica que, depois de um período de estagnação após a morte de Monteiro Lobato, em 1948, a literatura voltada para este público começava a se modernizar nos anos 1960. Com “O gênio do crime”, as crianças ganhavam protagonismo em um romance que tinha elementos dos quadrinhos, paródias e ironias com as narrativas policiais, além de tematizar questões como violência e consumismo.

— Que a inteligência da turma seja representada pelo Gordo é também muito importante: trata-se de um anti-herói pelo aspecto físico, mas de um “super-herói” do ponto de vista do uso do raciocínio e da sagacidade — diz Regina.
Referência para escritores ontem e hoje

Contemporâneas de Marinho na geração pós-Monteiro Lobato, Ruth Rocha , 88, e Ana Maria Machado, 77, são fãs da saga que levou à captura do anão detentor da tal genialidade do crime.

— Quando fui dona da Malasartes (a primeira livraria infanto-juvenil do Brasil, aberta em 1979, no Shopping da Gávea, no Rio) , e chegavam pais dizendo que as crianças não gostavam de ler, eu recomendava logo “O gênio do crime”. Eu mesma ficava esperando as aventuras da turma do Gordo. Era louca pela Berenice — conta Ana Maria, imortal da Academia Brasileira de Letras.

Ruth destaca o ineditismo do perfil do livro, com crianças que seguiam o bandido.

— O João foi o primeiro que fez. Depois outros fizeram. “O gênio do crime” é original, é novo. Por isso ele ficou. Ele influenciou muito a literatura que veio depois.

Para Flávia Lins e Silva , 47, roteirista da série de TV e do filme (além do livro, é claro)“Detetives do Prédio Azul”, o livro que ela leu aos nove anos segue sendo uma de suas referências:

— É um clássico. Para quem gosta de séries detetivescas como eu, é inesquecível. Numa era sem celulares, sem tantas tecnologias, eles tiveram que usar muita memória e massa cinzenta para chegar aos criminosos.

Capa comemorativa dos 40 anos do livro Foto: Divulgação

Entusiasta confesso da obra, que só leu depois de adulto, o escritor José Roberto Torero, 55, autor de “Nuno descobre o Brasil” (Companhia das Letrinhas) e outros, destaca a qualidade literária:

— O texto é ágil, o estilo é límpido, o ritmo é perfeito. Não há uma barriga na história, tirando a do Gordo, é claro. Em “O gênio do do crime” não temos um adulto ditando regras. A visão é a dos jovens. João Carlos Marinho consegue pensar como um pré-adolescente, e isso causa uma grande empatia nos leitores.

Pois até hoje Marinho não abre mão da convivência com seu público. Além de responder pessoalmente às mensagens que recebe nas redes sociais, volta e meia recebe excursões de estudantes no play de seu prédio para conversar e autografar livros, conta um de seus três filhos, o editor Beto Furquim. E, apesar das inovações tecnológicas e das novas gírias surgidas nas últimas décadas, o autor garante que praticamente nada foi mexido:

— Como são muitas edições, não posso acompanhar tudo que o revisor faz. Mas foram coisas mínimas. A base continua a mesma, inclusive a liberdade gramatical. Por uma questão de ritmo eu não coloco muitas vírgulas. E toda a gíria foi mantida.

“A Mulher na Janela” vai virar filme, mas a vida do seu autor é mais sinistra

0

O novelista Dan Mallory, que escreve sob o pseudônimo A.J. Finn Imagem: Reprodução/Twitter

Caio Coletti, no UOL

Antes de chegar às prateleiras e se tornar um dos maiores best-sellers do ano passado, o suspense “A Mulher na Janela” foi vendido para várias editoras norte-americanas como o livro de estreia de um estimado membro da comunidade editorial, que assinou a obra com o pseudônimo A.J. Finn.

O nome verdadeiro do autor, no entanto, não foi revelado até o momento em que os lances no leilão pelos direitos de publicação do livro, ocorrido em 2016, atingiram US$ 750 mil. Assim que a revelação foi feita, várias editoras tiraram o seu nome da corrida

Este é só um dos “causos” relatados em uma matéria do “The New Yorker” sobre Dan Mallory, o homem por trás de A.J. Finn. Conversando com vários empregadores, professores, amigos, familiares, concorrentes e colegas de trabalho de Mallory, o repórter Ian Parker revela um rastro de mentiras que marcou a ascensão do agora celebrado autor no mundo editorial.

O livro de Mallory é protagonizado e narrado por Anna Fox, uma mulher que sofre de agorafobia, condição psicológica que há meses a impede de deixar o seu apartamento. Observando os vizinhos pela janela certa noite, ela testemunha o que acha ser um crime violento.

Enquanto a adaptação cinematográfica de “A Mulher na Janela” é filmada em Nova York, com previsão de lançamento para o final do ano, Amy Adams no papel principal e Joe Wright (“O Destino de Uma Nação”) na cadeira de diretor, a história de seu autor parece cada vez mais saída direto de um livro de mistério.

O talentoso Mallory

As semelhanças entre a vida de Mallory e um thriller literário podem ser mais do que mera coincidência. Na Universidade de Oxford, onde começou, mas nunca terminou, um doutorado em inglês, o futuro autor best-seller escreveu extensamente sobre os livros de Patricia Highsmith estrelados pelo personagem Tom Ripley.

Quem se lembra de “O Talentoso Ripley”, adaptação de 1999 estrelada por Matt Damon, sabe que o personagem título não é exatamente um modelo de comportamento. Mentiroso nato, ele aos poucos toma de assalto a vida de um amigo ricaço, Dickie (Jude Law), para fugir da mediocridade do seu próprio dia-a-dia.

Vários dos entrevistados na matéria do “The New Yorker” compararam o comportamento de Mallory com o do personagem. Em uma parte do filme, por exemplo, Ripley escreve cartas fingindo ser Dickie, a fim de dispersar suspeitas sobre o seu paradeiro.

Por um período de meses durante o ano de 2013, Mallory deixou de aparecer no escritório onde trabalhava, na popular editora Morrow, em Nova York. Ao invés de uma explicação do próprio Mallory, vários de seus contatos pessoais e profissionais passaram a receber e-mails que supostamente vinham de seu irmão.

Nas mensagens, “Jake” contava que Mallory estava internado para retirar um tumor cancerígeno, cirurgia perigosa que poderia até mesmo deixa-lo paralisado da cintura para baixo. Quando Mallory voltou ao trabalho, contou a pelo menos uma colega, que o perguntou sobre “Jake”, que o irmão tinha se matado.

“Dan foi tratado de forma horrível por muitas pessoas em sua infância e adolescência, o que fez com que ele se tornasse alguém profundamente solitário. Ele não confia em muita gente. Mantenham Dan em suas orações”, dizia um dos e-mails dessa época, obtido pelo “The New Yorker”.

A alusão a uma infância e adolescência cheia de tragédias remete a um ensaio que Mallory escreveu, anos antes, para tentar ser aceito em Oxford. O texto impressionou o professor Craig Raine, que orientaria o seu doutorado nunca finalizado.

No ensaio, Mallory narrava como teve que cuidar de sua mãe durante uma longa batalha contra o câncer. Ele também contava sobre o seu irmão, que nessa versão dos fatos sofria de distúrbios mentais e fibrose cística, e dizia que por isso tinha que sustentar a família sozinho.

Mallory dizia que tanto a mãe quanto o irmão haviam morrido no mesmo ano. A “cereja no bolo” do relato vinha quando o autor revelava que ele mesmo já havia sido diagnosticado e vencido um câncer, dessa vez no cérebro, que poderia voltar a qualquer momento para destruir sua vida mais uma vez.

O repórter do “The New Yorker”, no entanto, entrou em contato com a família de Mallory, que vive em Amangasett, no estado de Nova York. Tanto sua mãe quanto seu pai e seu irmão estão vivos, e até mesmo acompanham o escritor em viagens de publicidade.

O pai de Mallory falou brevemente com a reportagem, como que para esclarecer uma má concepção sobre seu filho. “A mãe de Dan teve câncer quando ele era pequeno, esteve perto da morte [mas se recuperou]. Mas Dan nunca teve”, comentou John Mallory.

Em uma declaração oficial sobre a matéria, Mallory admitiu vagamente algumas de suas mentiras, alegando que foram produtos de “severa depressão e transtorno bipolar”, que foi diagnosticado apenas em 2015.

Especialistas entrevistados pelo “The New Yorker”, no entanto, apontam que o distúrbio bipolar “não explica enganações organizadas, especialmente aquelas que servem motivos egoístas de ganho pessoal”.

A professora Carrie Bearden, do departamento de psicologia da Universidade da Califórnia, diz que é “muito irresponsável” justificar o comportamento de Mallory com o diagnóstico de transtorno bipolar. “Isso só vai aumentar o já enorme estigma que existe sobre essa doença”, critica.

Go to Top