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O que Tite lê? Saiba quais livros o técnico usa para fazer a cabeça de seus atletas

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Tite foi jogador com passagens obscuras por times como Portuguesa e Guarani, mas chegou ao comando da Seleção com trabalho celebrado e metódico, que inclui presentear seus atletas com livros (Foto: LUCIANA WHITAKER/AGÊNCIA O GLOBO)

O treinador da Seleção fez a cabeça de seus atletas com muitos livros de autoajuda e superação

João Pedro Fonseca, na Época

Entre quadros táticos e muitas anotações, a sala que o técnico Adenor Leonardo Bacchi, o Tite, ocupa na sede da CBF, na Barra da Tijuca, revela aqui e ali pilhas de livros. Alguns títulos relembram carreiras vitoriosas; outros, a preocupação ética que o treinador derrama em suas entrevistas sinceras e longas. Muitos deles vão parar na mão dos jogadores, categoria não exatamente conhecida por sua intimidade com a leitura.

Antes dos amistosos contra Rússia e Alemanha, em março, cada jogador convocado recebeu um exemplar de Liderar com o coração (Sextante, 2016), escrito por Mike Krzyzewski, assistente do Dream Team de basquete dos Estados Unidos e técnico tricampeão olímpico entre 2008 e 2016. O “Coach K”, como é conhecido, capitaneou uma mudança radical de mentalidade após o fracasso americano em Atenas-2004. Mais do que o trabalho de quadra, dedicou-se a entender e moldar o caráter dos indivíduos que comandava. E exaltou virtudes que o técnico da Seleção Brasileira certamente encamparia.

Mas estender o hábito de leitura aos 23 convocados para a Copa do Mundo não é fácil. Durante as últimas semanas, ÉPOCA procurou diversos jogadores para que falassem sobre os livros indicados por Tite. Apenas um, o meio-campista Renato Augusto, admitiu à reportagem: não chegou a ler nenhum daqueles sugeridos.

Romper essa barreira, que separa os jogadores da literatura, é um desafio quixotesco que Tite se impôs desde 2011. Em agosto daquele ano, quando comandava o Corinthians, Tite presentou os jogadores com um exemplar de Nunca deixe de tentar (Sextante, 1994), de Michael Jordan — no livro de 80 páginas, o Pelé do basquete narra a busca pela excelência ao longo de sua carreira. Naquela temporada, o time paulista foi campeão brasileiro. Um ano depois, conquistou a Libertadores e o Mundial. No elenco, estava Paulo André, hoje no Atlético-PR. O zagueiro, com reconhecido hábito de leitura, admitiu que nem todos embarcam na proposta de Tite. Mas valorizou o esforço do treinador para transformar os jogadores da Seleção.

“O fato de Tite oferecer essa oportunidade de leitura não a torna obrigatória. Depende da disposição de crescimento de cada um. A leitura permite isso. Os homens mais inteligentes e preparados para a vida se tornam jogadores melhores dentro de campo. E a leitura faz um bem danado: expande horizontes, te faz uma pessoa melhor e forma times mais vitoriosos.”

Tite também se preocupa em fazer carinhos pontuais. Quando sacou Filipe Luís do time para dar lugar a Marcelo, em 2016, entregou ao lateral esquerdo um exemplar de Maktub (Rocco, 1994), compilação de crônicas de Paulo Coelho sobre caminho, opções e destino. O lateral ficou sensibilizado. “Tite é uma pessoa extremamente justa. Ele me chamou, disse que me respeitava e que queria me dar um livro de presente. Isso me conquistou. A maneira como ele falou comigo me trouxe ainda mais para o lado dele”, disse Filipe Luís na ocasião.

Caso abram um dia o livro de Krzyzewski, os astros canarinhos vão deparar com um diagnóstico óbvio, muitas vezes esquecido pelos torcedores: a reunião de astros do esporte não forma um time coeso — um cenário que lembra muito a Copa de 2006, em que o quadrado mágico formado por Kaká, Ronaldinho, Adriano e Ronaldo, com Robinho no banco, nunca engrenou. Tite, que tem possivelmente o melhor plantel do mundo à disposição, sabe que evitar essa armadilha é uma de suas missões. E espera que tal noção também seja absorvida por seus comandados.

O escritor Paulo Coelho, autor de Maktub, obra escolhida por Tite para presentear o lateral Felipe Luís, quando esse perdeu a posição para Marcelo na Seleção (Foto: MATEJ DIVIZNA/GETTY IMAGES)

Lendário treinador do basquete americano, John Wooden escreveu Jogando para vencer, obra recomendada pelo ex-técnico da seleção brasileira de vôlei (Foto: ROBERT LABERGE/GETTY IMAGES)

O técnico Mike Krzyzewski (à dir.) fez história ao comandar o Dream Team do basquete americano e publicou Liderar com o coração, um dos preferidos de Tite (Foto: ROBERT LABERGE/GETTY IMAGES)

No livro que os jogadores levaram para casa, o hoje treinador do time da Universidade de Duke compartilha histórias humanas, para além do debate técnico-tático. São capítulos intitulados como “Comunicação”, “Empatia” ou “Integridade”, embalados em episódios comoventes, sabor Sessão da tarde. No capítulo sobre abnegação, um Krzyzewski furioso com o desempenho dos titulares avisa a todos que, na próxima partida, mandará à quadra um time só de walk-ons — espécie de reservas dos reservas. Divulgado o time do jogo seguinte, porém, um dos walk-ons o procura e diz, pleno de humildade: “Treinador, agradeço muito à oportunidade e à confiança, mas acho que seria melhor para a equipe se o Shelden (Williams) começasse em meu lugar amanhã…”.

Valorizar os objetivos do grupo sobre as ambições individuais é uma das lições de Tite, mas há outras. Trata-se de uma profissão que atingiu um enorme grau de conhecimento científico, e é preciso dosá-lo. Ao mesmo tempo, é necessário motivar os jogadores a obter um equilíbrio entre disciplina e criatividade. Em Guardiola confidencial, do jornalista Martí Perarnau, o técnico espanhol reconhece que seus jogadores sofrem diante do volume excessivo de orientações que recebem. Tite parece enfrentar a mesma dificuldade, tanto que, quando anunciou os 23 nomes convocados, agradeceu a todos os atletas que comandou e que o aturaram em preleções de mais de uma hora. “Nem eu me aguentaria por uma hora”, brincou. É possível que Tite recorra à literatura para, quem sabe, falar menos.

“Ler livros é um indício de que ele se coloca em estado de aprendizado, o que inspira as pessoas que estão em volta. O Tite também tem generosidade mental, que é a capacidade de repartir o que sabe, sem achar que essa atitude o diminuiria”, afirmou o filósofo pop Mario Sergio Cortella. “Identifico nele a preocupação com uma liderança edificadora.”

Autor best-seller de autoajuda, Cortella se preparava para uma palestra em um hotel de Porto Alegre, no segundo semestre de 2016, quando foi alertado sobre a presença de Tite, então já técnico da Seleção. Entre os mais de 500 ouvintes, Tite tinha em mãos um exemplar de Qual é a tua obra? (Editora Vozes, 2007), sobre gestão, liderança e ética, e queria um autógrafo. Torcedor do Santos, mas admirador do trabalho do treinador no Corinthians, Cortella fez questão de convidá-lo para um papo no camarim. Nascia ali um intercâmbio de ideias, no qual o filósofo enviava seus lançamentos à sede da CBF e o técnico frequentemente fazia comentários.

Foi assim que os quadros táticos começaram a dividir espaço na sala com outros livros de Cortella, como Viver em paz para morrer em paz (Planeta, 2017), que discute o que realmente importa na vida, e A sorte segue a coragem! (Planeta, 2018), um convite à busca interna para as razões do sucesso e do fracasso. Para os jogadores, no entanto, Tite prefere enviar livros motivacionais, mais voltados para esporte, chancelados pela aura da glória, como Liderar com o coração, que chegou por meio de um esforço de Bernardo Rocha de Rezende, o Bernardinho, técnico bicampeão olímpico com o vôlei masculino.

“É a segunda vez que vejo jogadores de futebol usando esse livro. O meu filho (o levantador Bruninho) já tinha levado um exemplar para o Daniel Alves”, comentou Bernardinho, que escreveu a apresentação da edição brasileira. “O que o Tite faz é trazer um vencedor de outra área para inspirar os jogadores. É uma iniciativa extremamente interessante de um cara que tem a preocupação de desenvolver o lado humano dos atletas e mostrar a importância de todos. Muitas vezes as pessoas só se preocupam com o ganhar ou perder. Mas há muita coisa além. Numa Copa do Mundo, então, você precisa de muito mais.”

A busca de Tite por exemplos no esporte não deixa de ser um contraponto à estratégia adotada por Luiz Felipe Scolari, o Felipão, no triunfo da Copa de 2002, ganha no Japão e na Coreia do Sul. Naquela ocasião, o elenco foi motivado por A arte da guerra, escrito pelo filósofo e general chinês Sun Tzu durante o século IV a.C. e provavelmente o mais famoso “livro de cabeceira” de um técnico verde-amarelo. Inspiração para Napoleão e Mao Tsé-Tung, o livro parte da premissa de que questões de autoconhecimento são mais importantes para a vitória na guerra do que o simples poderio militar de um exército. Se o bélico Felipão teve tempo de reler Sun Tzu antes do fatídico 7 a 1 de 2014, no Mineirão, não se sabe.

Outro título edificante distribuído por Tite a seus convocados foi Jogando para vencer (Sextante, 2010), de John Wooden, decacampeão universitário de basquete com o time da Universidade da Califórnia em Los Angeles (Ucla). Para o americano, hoje aposentado, não são as vitórias que determinam o sucesso de um profissional, mas a consciência de que deu o melhor de si.

O livro chegou a Tite por meio do mesa-tenista Israel Stroh, prata nos Jogos Paralímpicos de 2016. A dupla se encontrou na sede da CBF após a conquista da medalha. “Estava com o livro, que havia comprado uns dois anos antes, na bagagem. Decidi levá-lo como presente, e ele disse que não conhecia”, contou Stroh. “O Wooden nunca cobrava vitória, mas, sim, alto desempenho. E gosto dessa filosofia de respeitar o adversário e o esporte, sem ser frouxo. O brasileiro é muito preocupado com a vitória, e esse livro desmistifica esse culto”, disse o medalhista.

Protagonista inteligente, Tite ecoou muito desse espírito nas entrevistas que concedeu no dia da convocação. A cada vez que alguém perguntava sobre promessa de título, preferia reforçar o esforço. “O resultado final, eu não sei, mas (o time) vai jogar muito”, repetia, arregalando os olhos, cada vez mais fáceis de ler.

Os 23 melhores livros de desenvolvimento pessoal para ler antes dos 23 anos

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  Fonte: Shutterstock

Fonte: Shutterstock

 

Estas obras podem ajudar no aperfeiçoamento de habilidades e na superação de desafios

Publicado no Universia Portugal

A leitura faz parte do crescimento de uma pessoa. Alguns livros podem auxiliar no aperfeiçoamento de habilidades e na superação de desafios. Conheça uma lista de 23 livros que ajudam no desenvolvimento pessoal para ler antes dos 23 anos – a ajuda que estava a precisar pode estar escondida numa das obras abaixo:

1. Whatcha Gonna Do with That Duck?: And Other Provocations, de Seth Godin

O livro reúne o melhor conteúdo do blog do autor Seth Godin. A coletânea escolheu os melhores posts dos últimos seis anos, além de textos exclusivos que falam desde sobre como tratar os clientes até como partilhar histórias e ideias.

2. Fooled by Randomness: The Hidden Role of Chance in Life and in the Markets, de Nassim Nicholas Taleb

O livro faz parte da série Incerto, juntamente a The Black Swan, Antifragile e The Bed of Procrustes. Fooled by Randomness é uma obra sobre sorte, incerteza, probabilidade, erro humano, riscos e tomadas de decisões.

3. As 48 leis do poder, de Robert Greene

A obra conta como agem os mestres em requisitos que envolvem inteligência, perspicácia, planeamento e dissimulação. As 48 Leis do Poder incluem a capacidade de esperar pelo momento certo para atacar e como criar uma aura de mistério para confundir os inimigos.

4. Os Sete Hábitos das Pessoas Altamente Eficazes, de Stephen Covey

Sete princípios que, se estabelecidos como hábitos, ajudam a atrair a verdadeira interdependência efetiva. O livro é o resultado de pesquisa feita em duzentos anos de publicações sobre sucesso pessoal.

5. Eat That Frog!, de Brian Tracy

A obra mostra a maneira certa de organizar as tarefas diárias: fazendo com que o leitor obtenha resultados mais rápidos e assertivos.

6. Pense e Enriqueça, de Napoleon Hill

Investigando a vida de diversos milionários, o autor descobriu um segredo que poucos tinham desvendado: o que esses homens têm em comum que e que fez com que fossem tão bem-sucedidos? Descubra com Pense e Enriqueça.

7. The attention revolution, de B. Alan Wallace

A meditação oferece um método para atingir níveis de concentração previamente inconcebíveis. O autor, que pratica meditação há quase 30 anos, apresenta o seu conhecimento sobre o assunto mostrando resultados reais da prática.

8. The Paleo Manifesto: Ancient Wisdom for Lifelong Health, de John Durant

No seu livro, John Durant defende uma visão evolutiva, revolucionária e futurista para a saúde.

9. Mindsight: The New Science of Personal Transformation, de Daniel J. Siegel

Com suas pesquisas científicas voltadas para a vida quotidiana, o autor desenvolveu abordagens inovadoras, que estão a ajudar centenas de pessoas a livrarem-se dos obstáculos que bloqueiam a sua felicidade.

10. Como Fazer Amigos e Influenciar Pessoas, de Dale Carnegie

Os conselhos, métodos e ideias dados pelo autor Dale Carnegie auxiliam as pessoas, de maneira extremamente direta, a criar boas relações e a alcançar os seus objetivos pessoais e profissionais.

11. Feeling Good, de David D. Burns

O livro mostra como a ansiedade, a culpa, o pessimismo, a procrastinação e a baixa autoestima podem ser curados com uma simples leitura. David D. Burns apresenta técnicas cientificamente comprovadas que irão ajudar os leitores a desenvolver uma perspetiva positiva sobre a vida.

12. Psycho-Cybernetics, de Maxwell Maltz

A obra mostra como é possível criar e alcançar metas que podem transformar a vida, além de mostrar como é possível conquistar o sucesso de maneira simples.

13. Rápido e Devagar: Duas Formas de Pensar, de Daniel Kahneman

O vencedor do Nobel de Economia, Daniel Kahneman, mostra as duas formas de pensar: o pensamento rápido, intuitivo e emocional; e o lento, lógico e ponderado. A obra apresenta-nos de que forma o entendimento do seu funcionamento nos pode ajudar nas nossas decisões pessoais e profissionais.

14. Guia de um astronauta para viver bem na Terra, de Chris Hadfield

A história pessoal do autor, que queria tornar-se astronauta em 1969, quando o primeiro homem pisou a lua.

15. Failing forward, de John C. Maxwell

Qual é a verdadeira razão para o seu sucesso? O autor John C. Maxwell tem a resposta: a diferença entre as pessoas comuns e as pessoas realizadas é sua perceção e resposta ao fracasso.

16. O Poder do Agora, de Eckhart Tolle

Combinando conceitos de diferentes tradições espirituais, o autor elaborou um guia para a descoberta do nosso potencial interior: manual prático que nos ensina a tomar consciência dos pensamentos e emoções que nos impedem de vivenciar plenamente a alegria e a paz.

17. The Last Lecture, de Jeffrey Zaslow e Randy Pausch

Livro sobre a importância de se superar obstáculos e de se aproveitar cada momento. O autor combina humor, inspiração e inteligência na sua escrita.

18. A Coragem de Ser Imperfeito, de Brené Brown

Os maus sentimentos podem prejudicar-nos nos estudos, no trabalho e dentro da nossa própria casa. O autor mostra de que forma as sensações podem ser transformadas em coragem, emprenho e propósito.

19. O Mundo Assombrado pelos Demónios: A Ciência Vista Como Uma Vela No Escuro, de Carl Sagan

O autor reafirma, no seu livro, o poder positivo e benéfico da ciência e da tecnologia para tentar recuperar os valores da racionalidade. A obra aborda a falsa ciência e os irracionalismos acompanhados por lembranças da infância.

20. Philosophy for Life: And Other Dangerous Situations, de Jules Evans

Jules Evans entrevistou soldados, psicólogos, gangsters, astronautas e anarcas e descobriu as maneiras pelas quais as pessoas estão a usar a filosofia agora para construir uma vida melhor.

21. Em Busca de Sentido, de Viktor Frankl

O livro retrata as experiências do autor como um detido de um campo de concentração, descrevendo o seu método psicoterapêutico para encontrar uma razão de viver.

22. Simplify: Ten Practices to Unclutter Your Soul, de Bill Hybels

O autor identifica questões que atrapalham a vida e oferece medidas para ajudar o leitor a viver de uma maneira melhor, erradicando a desordem do seu mundo interior e criando propósitos mais claros e relações mais ricas.

23. Love Yourself Like Your Life Depends On It, de Kamal Ravikant

Coleção de pensamentos sobre aprendizagens diárias: o que funciona ou não; onde é possível encontrar o sucesso; e como lidar com as falhas. O segredo está em saber amar-se a si mesmo.

Emoção! Ex-moradora de rua vence dificuldades e recebe diploma universitário

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Mona Lisa

Publicado no Amo Direito

O que fazer quando vivenciamos momentos difíceis? Para muitos, a entrega em uma atitude de total desistência parece sempre ser o caminho mais fácil, porém, quebrando todas essas “facilitações” surge a figura de Mona Lisa, ex-moradora de rua que conquistou um feito marcante para qualquer pessoa: um diploma universitário.

Mona Lisa passou por poucas e boas durante a infância. Foi abandonada pela mãe assim que nasceu. Criada pela avó, ela sofreu com os maus tratos até os nove anos quando reencontrou a mãe e as irmãs e voltou a “convivência familiar”. O problema desta vivência seria o fato de morar com a família nas ruas e em meio às drogas.

Motivos para recomeçar não faltaram para a família de Mona. A sua mãe conquistou duas casas através de programas de moradia social, porém, para a surpresa geral, ela simplesmente vendeu os imóveis para manter o vício do crack. Mona lisa morou nas ruas da Bahia por 6 anos. Ela narra que dormia em papelões e sobrevivia através das esmolas que pedia e das sopas trazidas por voluntários.

“Foram desafios dos mais simples aos mais complexos, como a fome e a falta de amor. O mais essencial na vida de um ser humano me faltou. Vencer foi muito difícil”, contou.

Com o apoio da Missão Batista Cristolândia da Bahia Mona Lisa teve a oportunidade de uma verdadeira transformação. A instituição tem ajudado na recuperação de pessoas viciadas e desabrigadas. Desde a adolescência Mona participou do projeto.

Em meio às novas oportunidades Lisa seguiu com seus estudos e finalmente no ano de 2011, teve seu nome divulgado como uma das mais novas alunas da Universidade Federal da Bahia. No mês de agosto deste ano, ela novamente foi manchete dos noticiários por ter concluído a graduação no curso de História.

“A maior arma do opressor é a mente do oprimido. Eles falam tanto que a gente não pode, que não somos capazes, que a gente acredita. Isso precisa mudar”, afirmou Mona Lisa.

Ela não conteve o choro e se emocionou ao ser aplaudida por todos os presentes.

“Acima de tudo agradeço a Deus por esse momento maravilhoso que está acontecendo na minha vida. Isso é a realização de um grande sonho que parecia ser impossível”, disse em entrevista ao programa local Bahia no Ar.

No dia de sua formatura, mais de 20 ex-moradores de rua do projeto Cristolândia estiveram prestigiando Mona Lisa. Com seu exemplo de superação e fé, todos puderam ver que é possível mudar de vida de forma digna. Hoje, Mona Lisa é historiadora, voluntária no mesmo programa que a ajudou, casada e mãe de um menino de três anos.

Fonte: educacao uol

Superação: ele vivia no lixão em busca de comida. Encontrou livros velhos e se formou em Medicina

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amo-direito-post-Cícero Pereira Batista

Publicado no Amo Direito

Ele tinha tudo para dar errado. Mas decidiu contrariar os paradigmas de um garoto pobre, negro e criado em meio à violência, drogas e alcoolismo. Cícero Pereira Batista tem 33 anos que podem ser triplicados pelas experiências que viveu. Após tirar literalmente do lixo sua esperança de uma vida melhor, hoje comemora a conquista do diploma de médico conquistado graças à obstinação, como ele mesmo define.

Foi na quadra 20 da QNL, mais conhecida como Chaparral e pelos altos índices de violência, que o então menino Cícero cresceu. Na época ainda era chamado de Juca pelos sete dos 20 irmão que conseguiram sobreviver à pobreza.

Quando tinha apenas três anos, o pai morreu e o futuro que já seria difícil se tornou pior. A mãe de Cícero encontrou no álcool a fuga para as mazelas da periferia que tomaram conta de sua casa. O irmão mais velho passou a traficar e usar drogas. Momentos que marcaram a mente de Juca.

— Meu pai, antes de morrer, pediu ao meu irmão mais velho que cuidasse de nossa família, mas ele não suportou. Ele se envolveu com as drogas e passou a usá-las dentro de casa. Isso aqui era cheio de gente drogada. Eu via meu irmão cheirando cocaína ao meu lado.

Em meio ao caos, Cícero buscou meios para sua própria subsistência. E o foi buscar no lixo o que comer. Entre lágrimas, ele lembra o que precisava fazer para comer e ajudar a irmã mais nova.

— Eu tinha que chafurdar no lixo para encontrar comida. E muitas vezes encontrava pedaço de carne podre, iogurte vencido, resto de comida que ninguém queria. Era aquilo que me alimentava. E no meio do lixo surgiu a minha oportunidade de uma vida melhor.

No meio aos restos, Cícero encontrava livros e discos de vinis velhos. Os livros passaram a ser o refúgio de tanta desgraça. Os vinis, a trilha de uma trajetória que ele jamais imaginava percorrer.

— Eu lia tudo que encontrava pela frente. Eram livros velhos manchados pelo chorume de lixeiras de supermercados, mas era a única coisa que eu tinha. Os vinis eu escutava na casa de um vizinho. Beethoven e Bach foram minhas inspirações.

A irmã de Cícero o matriculou na escola pública próxima a sua casa. Só conseguiu chegar ao ensino técnico graças à ajuda de professores e amigos. Decidiu fazer o curso de técnico em enfermagem que passou em segundo lugar na seleção feita pelo Cespe, banca que integra a UnB (Universidade de Brasília).

Ao concluir o curso logo veio a primeira vitória. Foi aprovado no concurso da Secretaria de Saúde para técnico em enfermagem e passou a trabalhar no HRT (Hospital Regional de Taguatinga). Mas ainda era pouco para quem estava acostumado com tanta dificuldade. Então ele buscou o que já procurava desde a infância. Passou para o vestibular de medicina em uma faculdade particular de Araguari.

Cícero estudava de segunda a sexta-feira e aos fins de semana tirava plantão de 40 horas no HRT. O salário que recebia ia todo para o pagamento da mensalidade. Sobrevivia de doação e da própria determinação.

Como a rotina estava muito difícil, Cícero decidiu fazer o Enem e tirou nota suficiente para lhe garantir uma bolsa de estudos em uma faculdade particular do DF. Passou a estudar medicina no Gama onde enfrentou o preconceito racial e a rotina de estudos.

— Eu nunca pensei em desistir. Meus companheiros sempre foram os livros e a música clássica me dava leveza de espírito para seguir em frente. Eu pensava que se Beethoven se tornou um dos grandes compositores da história eu também poderia me tornar um bom médico.

E deu certo. No dia 6 de junho deste ano, o menino Juca se tornou o Dr. Cícero Batista. Na formatura foi ovacionado por professores, colegas e os pais daqueles que costumavam discriminá-lo por ser negro e pobre.

Hoje faz questão de contar a própria história no lugar onde tudo começou. A casa ainda sem nenhum conforto na QNL 20 é o lugar que abriga a mãe e os livros achados no lixo e nas paradas de ônibus. Os planos agora são outros, mas sempre focados em dias melhores.

— Eu quero justificar a confiança que meus professores e meus amigos depositaram em mim. Por isso estou focado em me tornar um bom médico, dar uma vida melhor para minha mãe e depois me especializar em psiquiatria ou pediatria. Mas ainda penso estudar Direito, quem sabe.

Fonte: mundo gump

“Leitura foi o meu refúgio”, diz confeiteira que fugiu de casa aos 12

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leituLucas Rodrigues, no UOL

Ainda pequena, Dreicy Marques teve de ir com sua mãe do Ceará para São Paulo logo após a morte do pai, vítima de bala perdida durante uma festa. Acabou fugindo de casa aos 12 anos. “A leitura foi o meu refúgio. Adolescente, sozinha, na rua, rebelde. Eu tinha que descarregar tudo isso.”

Dreicy cresceu no ambiente da creche onde a mãe trabalhava na capital paulista e, por conta dela, acabou pegando o hábito da leitura. “O que mais conseguia me prender em casa eram os livros. O meu primeiro foi Poliana”, lembra. Sem a companhia deles, ela se sentia presa na pensão onde moravam. “Minha mãe me batia muito, não me deixava ficar na rua brincando e não falava sobre meu pai. Perguntava e ela dizia que não tinha parente dele vivo. Só fui encontrar uma tia agora com a internet.”

Fugida de casa, chegou a morar com alguns amigos até conhecer o primeiro marido, pai de três dos seus filhos. Cuidou de crianças, lavou roupa de pessoas do prédio onde morava e trabalhou como office girl para um escritório de contabilidade. Atualmente faz doces numa confeitaria na região central de São Paulo.

No trajeto para o emprego, acabou conhecendo uma iniciativa do Instituto Brasil Leitor, que implantou bibliotecas gratuitas nas estações de trem e metrô. Pegou 79 livros da biblioteca da estação Paraíso ao longo do período de um ano. “Quando leio, imagino até o cheiro. Tudo foge da minha mente e eu entro nesse mundo que falo que é só meu”, diz. “Não ando mais de cabeça baixa. Agora presto atenção no que as pessoas leem, comento, puxo assunto. Estou mais comunicativa.”

O projeto teve de acabar por falta de patrocínio. “Fiquei muito chateada quando acabou. As meninas que trabalhavam lá tinham até meu telefone. Agora faço um percurso 15 minutos mais curto para ir ao trabalho porque não faço aquela volta toda só para ir à estação [pegar emprestado os livros].”

Documentário

Dreicy fará parte do documentário “Sobre Livros e Trilhos”, que pretende contar as histórias de alguns usuários das bibliotecas gratuitas localizadas nas estações de trem e metrô da capital paulista. O diretor André Gustavo entrevistou mais de 400 pessoas e selecionou seis nomes.

“Dreicy, por exemplo, ia amargurada para o trabalho. Depois de conhecer o projeto, ela trocou informações sobre leitura e nos disse que parava num boteco para tomar café e conversava bastante com o dono, que também amava ler”, conta André. “Quando ela chega ao trabalho agora, ela devolve toda essa alegria para a vida. O ciclo dela se transformou.”

Segundo o diretor, o documentário está em fase de captação de recursos para a produção e distribuição.

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