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Game of Thrones | Estudantes de escola técnica criam algoritmo para prever quem vai morrer

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Fórmula usa técnicas de Inferência Bayesiana

Cesar Gaglioni, no Jovem Nerd

Game of Thrones (e os livros da série As Crônicas de Gelo e Fogo) ficou conhecida pela enorme taxa de morte de seus (muitos) personagens.

Com a chegada da oitava e última temporada da série, estudantes da escola técnica de Munique, na Alemanha, criaram um algoritmo para tentarem prever quem vai morrer na reta final da trama.

Para isso, os integrantes do projeto baixaram dados dos mais de 2 mil personagens presentes na série e nos livros, e usando técnicas de Inferência Bayesiana, analisaram quais são aqueles que tem mais chance de sobreviver, e aqueles que devem morrer muito em breve.

As técnicas de Inferência Bayesiana avaliam hipóteses pela máxima verossimilhança, e são usadas, por exemplo, para determinar os possíveis efeitos de quimioterapia em pacientes com câncer.

A fórmula leva em conta fatores que podem alterar o resultado final de uma situação hipotética. No caso do algoritmo de Game of Thrones, elementos como a Casa que os personagens pertencem, gênero, títulos, protagonismo na trama principal, casamentos e alianças são levados em conta para se determinar o resultado final.

A partir disso, eles determinaram que os personagens com mais chance de morrer são Bronn (93,5% de chance), o Montanha (80,3%), Sansa (73%), Arya (57,8%) e o Cão de Caça (47,5%).

Já aqueles que tem menos chance de acabarem sucumbindo ao jogo dos tronos: Daenerys (0,9%), Tyrion (2,5%), Varys (3,2%), Sam (3,3%) e Jaime (4%).

Os dados completos podem ser vistos no site do projeto.

A oitava temporada de Game of Thrones estreia na HBO em 14 de abril, 22h.

Aprendendo a aprender: como reprogramar seu cérebro

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cubo

(Foto: Pexels)

Veja quatro técnicas baseadas na neurociência que vão  te ajudar a adquirir maior conhecimento em qualquer assunto

Publicado na Época Negócios

O estúdio de um dos mais bem-sucedidos cursos online do mundo fica no porão de Barbara e Phil Oakley. É lá que eles gravam o “Learning How to Learn” (Aprendendo a aprender), assistido por mais de 1,8 milhão de estudantes em 200 países – tornando-se, assim, o mais visto da plataforma Coursera. Os vídeos dão dicas práticas para aprender assuntos difíceis, além de indicações para acabar com a procrastinação. As aulas misturam neurociência e senso comum. O curso foi criado pela Dra. Barbara Oakley, professora de engenharia da Universidade de Oakland, em parceria com Terrence Sejnowski, neurocientista do Salk Institute.

Universidades prestigiadas em todo o mundo investiram milhões e contrataram profissionais com experiência em audiovisual, editores e produtores para criar cursos online. Mas o “Learning How to Learn” é filmado em um estúdio que custou apenas US$ 5 mil. Seus idealizadores descobriram como montá-lo simplesmente buscaram no Google “como montar um estúdio de fundo verde” e “como montar iluminação para um estúdio”. Phil Oakley opera a câmera e o telepronter. Barbara Oakley faz a maior parte da edição. O curso é gratuito (mas, assim como outros do Coursera, há uma taxa de US$ 49 para a emissão do certificado).

É tudo caseiro, mas tem funcionado de forma espetacular, segundo avalia o jornal The New York Times. Os Oakley nunca imaginavam o sucesso que teriam. Barbara não é a única pessoa a ensinar como usar ferramentas da neurociência para melhorar o aprendizado, mas sua popularidade é reflexo de da habilidade em apresentar o “conteúdo com uma mensagem de esperança”. Muitos de seus alunos têm entre 25 a 44 anos e estão enfrentando mudanças em suas carreiras, procurando novas formas de aprender para conseguir melhores posições.

As aulas são cheias de metáforas – que ela bem sabe que ajudam a explicar ideias complexas. A prática tem como base a teoria da reutilização neural, que diz que as metáforas usam os circuitos neurais que já existem no cérebro, o que ajuda o aluno a entender novos conceitos de forma mais rápida. Barbara diz acreditar que qualquer um pode se treinar para aprender. “Os estudantes podem olhar para a matemática, por exemplo, e dizer ‘não consigo entender isso, então eu devo ser muito estúpido’, mas dizem isso porque não sabem como o cérebro funciona”, disse ao The New York Times.

A Dra. Barbara Oakley ministra um dos cursos mais bem-sucedidos da plataforma Coursera, chamado "Learning How to Learn" (Foto: Reprodução/Youtube)

A Dra. Barbara Oakley ministra um dos cursos mais bem-sucedidos da plataforma Coursera, chamado “Learning How to Learn” (Foto: Reprodução/Youtube)

 

Na entrevista, ela apresentou quatro técnicas para te ajudar a aprender qualquer coisa.

Focado/difuso
O cérebro tem dois modos de pensar, que a Dra. Oakley define como “focado”, no qual os estudantes conseguem se concentrar na aula, e “difuso”, um estado de descanso mental em que a consolidação do conhecimento ocorre, ou seja, quando as novas informações se acomodam no cérebro. No modo difuso, as conexões entre informações diferentes e insights inesperados podem acontecer. Por isso, é útil fazer pequenas pausas após um período de foco.

Descanse
Para conseguir esses períodos de mente focada e difusa, Barbara recomenda a chamada técnica Pomodoro, desenvolvida por Francesco Cirillo. Aplicar a estratégia é fácil. Coloque um cronômetro de 25 minutos e durante esse tempo foque no trabalho que você precisa realizar. Passado esse tempo, faça uma pausa para a reflexão difusa e se dê algo de presente. A recompensa pode ser ouvir uma música, fazer uma caminhada rápida ou qualquer coisa que te faça pensar em algo que não a tarefa que você precisa completar. Exatamente porque você não está fazendo absolutamente nada relacionado àquele trabalho, o cérebro consegue consolidar o novo conhecimento.

Além disso, o ritual de programar o cronômetro também pode te ajudar a lidar com a procrastinação. Barbara diz que mesmo pensar em fazer algo que não gostamos ativa os centros de dor no cérebro. A técnica Pomodoro, diz ela, “ajuda a mente a focar e começar a trabalhar sem pensar no trabalho em si”. “Qualquer um consegue manter o foco por 25 minutos, e quanto mais você treinar, mais fácil isso fica”.

Pratique
O cérebro tem um processo de criar padrões neurais que podem ser reativados quando necessário. Pode ser uma equação, uma frase em francês ou um acorde no violão. As pesquisas mostram que ter uma “biblioteca” de padrões neurais bem praticados é necessário para se tornar especialista em algo.

A prática traz a fluência, diz Barbara, que compara o processo ao de estacionar um carro. “Na primeira vez em que você aprende a estacionar um carro, sua memória está cheia de novas informações”. Depois de um tempo “você nem precisa pensar mais do que simplesmente ‘vou estacionar o carro’ ”, e sua mente fica livre para pensar em outras coisas.

Além disso, os padrões neurais são construídos em cima de outros, então essa rede vai aumentando junto com seu conhecimento. “Com o tempo, você vai conseguir se lembrar de partes maiores de uma música, ou de frases mais complexas em francês”. Dominar conceitos básicos de matemática pode te ajudar a fazer cálculos mais complexos. “Você consegue facilmente se lembrar do básico mesmo quando sua mente está ativamente focada tentando entender informações novas e mais difíceis”.

Conheça você mesmo

Barbara sempre pede que seus alunos entendam que as pessoas aprendem de formas diferentes. Há quem consiga aprender novas informações rapidamente, enquanto outros precisam de mais tempo para assimilar um conhecimento novo – mas que vão conseguir perceber mais detalhes durante o processo. Reconhecer as vantagens e desvantagens do seu processo de aprendizado, diz ela, é o primeiro passo para aprender a se aprofundar em temas desconhecidos.

Por que este professor quer que você demita o seu coach

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Svend Brinkmann (Foto/Divulgação)

Svend Brinkmann (Foto/Divulgação)

Para filósofo dinamarquês, ler autoajuda não traz sucesso e fazer coaching é mais perigoso do que parece. Veja a entrevista exclusiva

Claudia Gasparini, na Exame

São Paulo — Olhe bem para o espelho, respire fundo e repita para si mesmo em voz alta: o 1º passo para o sucesso é… esquecer a autoajuda. O 2º passo é demitir o seu coach. Pelo menos se você for convencido pelas ideias de Svend Brinkmann, professor na Universidade de Aalborg, na Dinamarca.

Autor do livro “Stand Firm: Resisting the Self-Improvement Craze” (em tradução livre, “Fique firme: Resistindo à mania do autodesenvolvimento”), ele é crítico ferrenho da psicologia positiva e da crença de que a felicidade é uma escolha.

Em entrevista por telefone a EXAME.com, o filósofo dinamarquês afirma que parte da indústria da autoajuda só contribui para reforçar o problema que ela própria diz combater: a infelicidade causada pelo individualismo e pelo desinteresse em soluções coletivas.

Brinkmann faz um diagnóstico parecido sobre o efeito do coaching para o mundo do trabalho. “O próprio conceito de coach [“treinador”, em inglês], que vem do mundo dos esportes, pressupõe que você está competindo com os demais para vencer o jogo. Há um perigo em enxergar a vida como uma partida em que há vencedores e perdedores”, explica. Caminho contrário: Abaixo a competição nas empresas

A seguir, confira os principais trechos da conversa com o professor, em que ele fala sobre as relações entre produtividade, sucesso e ética — e dá um conselho para os brasileiros enfrentarem a situação amarga do mercado de trabalho sem cair em “discursos motivacionais baratos”:

EXAME.com – O que há de errado com a autoajuda?

Svend Brinkmann – Na verdade, o problema não é a autoajuda em si. Não nego que livros desse tipo podem ajudar certas pessoas, até porque também há bons títulos dentro desse gênero. Ainda assim, no geral, essas obras só reforçam o problema que supostamente deu origem a elas.

Incutem a ideia de que felicidade é uma escolha individual, algo que “só depende de você”. E quando as pessoas fracassam — o que acontece com qualquer ser humano — elas se enxergam como as únicas responsáveis pela própria derrota. Elas se sentem culpadas por algo que não estava sob seu controle.

A autoajuda é um sintoma de um outro problema, subterrâneo, mais grave, que é o individualismo. As pessoas se sentem desligadas umas das outras, completamente sozinhas, quando acreditam que podem atingir seus objetivos de vida, por conta própria, se seguirem “7 passos para a felicidade” ou algo parecido.

Livros com “receitas” como essa frequentemente viram best-sellers. Por quê?

Todo mundo deseja ser feliz, fazer fortuna, ter muitos amigos, construir uma carreira incrível. Apresentar esse objetivo como algo que depende só de você, como indivíduo, é algo muito atraente. A ideia se popularizou tanto que podemos dizer que está presente em tudo, inclusive na forma como as pessoas entendem o desenvolvimento das suas competências no trabalho. Aprenda: Como construir uma carreira à prova de crise

Numa era de incertezas como esta que vivemos, as pessoas se viram cada vez mais para dentro de si mesmas para tentar ter sucesso. A indústria da autoajuda ofereceu ferramentas a elas nesse sentido. Antes, não havia essa ideia de que era sua responsabilidade ser feliz. Era algo mais diluído em práticas culturais. Agora virou uma questão individual.

Qual é a origem desse fenômeno?

Os primeiros livros de autoajuda foram lançados na metade do século 20. Um dos exemplos mais famosos é “O poder do pensamento positivo”, lançado em 1952 pelo [pastor norte-americano] Norman Vincent Peale.

Uma curiosidade é que Peale foi o sacerdote da família de Donald Trump desde quando ele era criança, em Manhattan, e chegou a conduzir sua cerimônia de casamento [com a primeira esposa, Ivana]. Trump já citou “O poder do pensamento positivo” como um livro bastante inspirador para ele.

O livro de Peale fala sobre como você pode conseguir o que quiser se tiver pensamentos positivos. E veja o que aconteceu com Donald Trump! É um perigo. Eu pessoalmente sou bastante cético com relação a Trump e, assim, temo que essas técnicas sejam usadas para fins problemáticos.

Como essas técnicas aparecem no mundo do trabalho?

O mundo do trabalho se tornou muito psicologizado. Não são apenas as minhas competências que preciso desenvolver, mas também a minha personalidade, os meus sentimentos mais íntimos. Para ser um bom profissional hoje, preciso fazer cursos de desenvolvimento pessoal, coaching e por aí vai.

O empregador não pede apenas para o funcionário vender o seu tempo por uma certa quantia de dinheiro, mas também vender a si mesmo, a sua personalidade. Se eu me entregar nesse sentido, eu realmente não tenho nada mais que é meu. Esse é o problema.

Que tipo de mentalidade deveria existir, então?

Deveríamos pensar em termos mais coletivos. Não sou contra os objetivos que os livros e cursos de autoajuda pregam. Eu também quero que as pessoas sejam felizes e conquistem seus sonhos! [risos] Mas nós precisamos pensar na forma como tentamos fazer isso. Precisamos lembrar que os nossos males e tristezas têm uma natureza política. Portanto, os desafios precisam ser resolvidos de forma social, e não só individual.

Quando seguem o discurso do autodesenvolvimento, as pessoas tentam ser versões melhores de si mesmas, mas esquecem que também são responsáveis pelas demais. Vivemos numa sociedade que não dirige a sua atenção às necessidades dos outros. A alternativa à autoajuda, a “antiautoajuda”, seria ajudar o outro em vez de ajudar a si mesmo.

O autodesenvolvimento – isto é, estar interessado no próprio aperfeiçoamento pessoal e profissional – exclui a possibilidade de cuidar das outras pessoas?

Não, em princípio não. Teoricamente é possível ter um foco no seu próprio desenvolvimento sem deixar de pensar nos demais. Mas, na prática, essa atenção que você dirige a si mesmo, por meio da autoajuda, dificulta o pensamento nos outros.

Muita gente diz que você precisa primeiro amar a si mesmo para então amar o outro. Elas citam aquela instrução que recebemos em viagens aéreas: em caso de despressurização, coloque a máscara de oxigênio antes em você, e só então ajude a pessoa ao seu lado. Para mim isso está completamente errado. Não no sentido literal do avião, claro! Mas, na vida, precisamos estar lá para o outro, incondicionalmente, e não pensar antes em nós mesmos.

Para aproveitar a metáfora, imagine que a humanidade é um avião em queda livre. Hoje, as pessoas só estão preocupadas em respirar nas suas máscaras de oxigênio. Estamos chamando isso de autoajuda, “mindfulness”, e por aí vai. Ocorre que ninguém se levanta para checar que se há algum piloto na cabine, tentando salvar o avião. Se fizessem isso, descobririam que a cabine está vazia.

O que deveríamos fazer? Assumir o controle da cabine e tentar salvar o avião da queda. O que estamos fazendo? Estamos concentrados em respirar nas nossas máscaras individuais. O que quero dizer com essa imagem é que estamos numa sociedade desestruturada, que está enfrentando muitas crises, como um avião caindo. E nós somos esses passageiros que ficam sentados em suas poltronas, concentrados na sua própria felicidade e no seu próprio sucesso, nas suas máscaras de oxigênio.

Deveríamos sair dos nossos lugares e buscar uma solução sistêmica se quisermos salvar o avião, ou o mundo, do desastre. Não vamos melhorar o mundo se apenas melhorarmos nós mesmos. Precisamos agir juntos.

O mundo de trabalho está cada vez mais competitivo. Não seremos menos produtivos se tirarmos o foco do autodesenvolvimento?

Todos nós queremos ter um emprego e contribuir para o progresso. Não há nenhum problema em ser produtivo, em adquirir novas competências para trabalhar melhor. O problema é que o discurso sobre maximizar a produtividade tem uma consequência paradoxal. Ele deixa as pessoas cansadas e tristes, o que as torna menos criativas e menos eficientes.

Seres humanos fazem um bom trabalho quando se sentem seguros, quando sentem que podem confiar nos seus chefes, nos seus colegas. A economia moderna, a economia do conhecimento, precisa de pessoas que tenham coragem de desenvolver novos produtos e novas ideias. Todo mundo sabe disso. Mas o sistema que temos não tem dado sustentação a esse fato.

Talvez seja uma herança da velha sociedade industrial, por exemplo, que os empregadores ainda falem de seus funcionários como “recursos humanos”. Como se pessoas fossem recursos comparáveis a carvão ou petróleo. Coisas que se deve explorar, usar, otimizar.

Em primeiro lugar, isso é antiético, pessoas não são recursos, são seres humanos, com dignidade e direitos, elas não são coisas. Em segundo lugar, não é produtivo. Na vida moderna, precisamos trabalhar em equipe, com autonomia, com horários flexíveis. O modelo de trabalho mudou, exige mais liberdade. As pessoas precisam ser tratadas como pessoas, não como recursos humanos.

Na Dinamarca e em muitos países, há estatísticas assustadoras sobre a quantidade de profissionais com depressão, ansiedade, estafa por causa dos seus empregos. Esse tipo de coisa não poderia existir em um mundo civilizado. Nós deveríamos conseguir trabalhar sem passar por esses problemas. Você se identifica? 8 sinais de que você pode estar com depressão

Qual é a sua definição de sucesso?

De forma simplificada, ter sucesso é ser capaz de cumprir as suas obrigações. Algumas delas são comuns a todos os seres humanos, algumas são específicas de cada um de nós. Não acho uma boa ideia falar sobre sucesso sem falar em compromissos e obrigações.

Se você perguntar para um coach como Tony Robbins, um dos mais famosos do mundo, ele dirá que sucesso é fazer o que você quer, quando você quer, onde você quer, com quem você quer. Eu questiono isso. E se o que eu quero não for digno? E se o que eu quero for prejudicial para os outros? Se esse for o caso, eu serei realmente bem-sucedido se conseguir o que quero?

Acho que não. Eu preciso ter um objetivo digno. Mas, para saber o que é um objetivo digno, preciso fazer uma avaliação ética da minha vida. Não posso definir sucesso sem ética. Ter sucesso é conseguir fazer muito bem o que eu preciso fazer.

O título de um dos capítulos do seu livro é “Demita o seu coach”. Por que o coaching é algo descartável na sua opinião?

O próprio conceito de coach [“treinador”, em inglês], que vem do mundo dos esportes, pressupõe que você está competindo com os demais para vencer o jogo. Há um perigo em enxergar a vida como uma partida em que há vencedores e perdedores. Talvez o coaching faça algumas pessoas pensarem nesses termos e por isso é potencialmente perigoso.

Além disso, o coach muitas vezes age como um mero espelho seu. Ele fará você olhar ainda mais para si mesmo. No fundo, ele só reforça o individualismo, só cria um ciclo de autorreflexão perpétuo. Não precisamos de mais insights sobre nós mesmos. Precisamos olhar para fora.

Qual é o seu conselho para os brasileiros, que atualmente estão sofrendo com a alta nos índices de desemprego e a escassez de oportunidades em meio à crise?

É importante estar atento para não cair em discursos motivacionais baratos. Quando a economia de um país vai mal, é quase constrangedor ouvir alguém dizendo frases como: “Basta que você esteja motivado para ter sucesso”.

O título original do meu livro, em inglês, é “Stand firm” [“Fique firme”, em português]. Mas para um país que está enfrentando múltiplas crises, como o Brasil, seria importante acrescentar a palavra “juntos” a essa mensagem: “fiquem firmes juntos”.

É importante não transformar a solução em mais um projeto individual. Pensar só em si mesmo é uma tentação muito grande em tempos de crise. Mas eu espero que as pessoas percebam que, a longo prazo, será melhor para todo mundo se buscarem soluções coletivas para os seus problemas.

Confira cinco dicas para ir bem nos vestibulares

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É importante o aluno ter uma rotina de horário e segui-la diariamente para não acumular matéria(Ricardo Matsukawa/VEJA)

É importante o aluno ter uma rotina de horário e segui-la diariamente para não acumular matéria(Ricardo Matsukawa/VEJA)

Além do foco nos estudos, uma alimentação balanceada e a prática de exercícios podem ajudar a enfrentar a maratona de provas e as longas horas de estudos

Lívia Martins, na Veja

A temporada de vestibulares ainda está longe, mas os candidatos não devem perder tempo se querem alcançar bons resultados nos exames. A primeira medida para um ano de sucesso é definir o curso e as universidades em que o vestibulando pretende ingressar. “Refletir bem sobre a carreira de trabalho que ele quer seguir irá ajudá-lo a focar no objetivo pessoal ao longo do ano. É importante também perceber se as suas habilidades, como a facilidade em desenhar, por exemplo, atendem à graduação escolhida”, explica ao site de VEJA Daniel Perry, professor de história e coordenador do curso pré-vestibular Anglo.

Yuri Xavier, de 23 anos, estudou no cursinho Anglo e este ano irá cursar engenharia da computação na Universidade de São Paulo (USP). A sua rotina começava logo de manhã, quando ele assistia às aulas até o horário do almoço. Das 15 às 22 horas, ele revisava na sala de estudo da própria instituição o conteúdo ensinado no período matutino, refazia os exercícios e tirava as dúvidas com os plantonistas. Apesar de ficar sete horas estudando, o estudante reconhece a importância do descanso e dá uma dica para os candidatos: “Seja sincero e aceite os limites do seu corpo. Tem um momento que dá para forçar mais algumas horas de estudo, mas também existe o momento que você está cansado e precisa parar para descansar a mente”.

Para a aluna Ana Laura Pantaleão dos Santos, de 20 anos, futura engenheira biomédica, a prática de exercícios físicos é essencial durante esse ano de estudos e, principalmente, perto das datas de provas. “Nos dias que antecedem os vestibulares é importante que você relaxe um pouco. A atividade física ajuda a diminuir a ansiedade e nervosismo da prova.” Ana foi aprovada em engenharia de bioprocessos na Universidade Estadual Paulista (Unesp) e na Universidade Federal de Pernambuco (UFPE) e em engenharia biomédica em quatro instituições americanas. A estudante optou por estudar nos Estados Unidos, mas ainda não decidiu em qual das escolas irá se matricular.

Confira as cinco dicas que podem ajudar na preparação para a maratona de estudos:

O que quero para mim?

Definir metas e objetivos ajudam o estudante a focar nos estudos e filtrar as universidades que deseja ingressar no ano que vem. Quando há metas e objetivos estabelecidos, o vestibulando consegue reconhecer e direcionar melhor suas habilidades e corrigir seus erros na hora de estudar.

Organizar uma rotina

É importante o aluno ter uma rotina de horário e segui-la diariamente para não acumular matéria. “Eu estudava de manhã no cursinho, das 7h às 13h20. Chegava em casa, almoçava e já ia separando meus livros para iniciar a tarde de estudos. Todos os dias eu fazia isso e ficava até às 20h revisando matéria e refazendo os exercícios”, relatou a estudante Ana Laura Pantaleão.

Alimentação

A maioria das provas de vestibular são depois do horário do almoço, o que significa que a alimentação pela manhã deve ser reforçada para evitar a fome na hora da prova. Estômago vazio pode resultar em hipoglicemia (baixa da taxa de glicose no sangue), causando sonolência, dificuldade de concentração e até queda de pressão. Porém, a refeição não deve ser um prato que demore na hora da digestão, como feijoada. O ideal é consumir carboidratos, que são uma ótima fonte de energia para o cérebro. Levar um lanche natural para comer durante a prova também é aconselhável.

Local de estudo

Um local silencioso e sem bagunça ajuda o estudante na hora da concentração da leitura ou quando estiver resolvendo os exercícios. Bibliotecas públicas, a escola ou cursinho são bons locais para os alunos estudarem.

Atividade Física

Separar um horário para exercícios físicos, mesmo que seja uma caminhada de trinta minutos, três vezes por semana, ajuda o cérebro a armazenar mais informações. Estudos em neurociência de instituições americanas, como a Universidade Illinois, afirmam que, quando nos exercitamos, neurônios existentes fazem novas conexões, aumentando a velocidade de aprendizado.

Aprovados em universidades públicas dão dicas de como estudar sozinho para o vestibular

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Sites especializados, apostilas e videoaulas atrelados a muita disciplina, foco e dedicação são a chave do sucesso para estudantes

Ana Lourenço, no Guia do Estudante

Seja por falta de dinheiro ou de tempo, muitos estudantes estão abrindo mão dos cursinhos pré-vestibulares durante a preparação para os exames. Mas isso não quer dizer que eles estão se preparando menos que os demais. Com bastante disciplina e métodos alternativos de estudos, como videoaulas, sites sobre vestibulares e materiais paradidáticos, esses estudantes têm garantido bons resultados.

Rone Wulff, aprovado em História na USP (foto: arquivo pessoal)

Rone Wulff, aprovado em História na USP (foto: arquivo pessoal)

É o caso de Rone Wulff Araújo, aprovado em quarto lugar no curso de História da Universidade de São Paulo (USP), pelo Sistema de Seleção Unificada (Sisu), e dono de uma nota 960 na redação, e Nathalia Nascimento, que passou em oitavo lugar em Farmácia na Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), também pelo Sisu. Os agora calouros são egressos de escolas públicas e montaram as próprias rotinas de estudo, intercalando as aulas do ensino médio com videoaulas, livros e os resumos e exercícios encontrados em apostilas.

E os números apontam que eles não estão sozinhos: no vestibular 2014 da Fuvest, que seleciona estudantes para a Universidade de São Paulo (USP), por exemplo, quase 40% dos aprovados não fez cursinho – um total de 4.259 estudantes entre 11.111 aprovados. Além disso, 32% dos ingressantes eram oriundos de escola pública. Se antes parecia quase impossível passar em uma universidade concorrida sem o apoio do pré-vestibular, hoje esse cenário vem sendo gradualmente substituído por um mais inclusivo.

Isso não significa que o ensino público tenha crescido em qualidade, mas sim que os estudantes têm à disposição mais opções para complementar o estudo em casa. Segundo Rone, aprovado também com bolsa mérito em Direito na Universidade de Taubaté, o ensino médio foi “complicado” em termos de estrutura e conteúdo. “O que eu fiz foi aproveitar bastante os professores quando tinha dúvida, mas eu basicamente estudava em casa mesmo. Estou me preparando desde o segundo ano”, explica.

O estudante conta que usou muito a internet durante seus estudos em casa, além de ler muito as publicações do GUIA DO ESTUDANTE, principalmente, o guia de atualidades. Na internet, aproveitou bastante a programação do Academia GE, os hangouts do GUIA, que diz ter participado de todos. “Li a última edição inteira do Atualidades, que tinha uma matéria só sobre feminicídio. Quando vi o tema da redação, fiquei muito feliz porque já tinha vários argumentos na cabeça sobre aquele assunto”, diz. O tema da redação do último ano foi “A persistência da violência contra a mulher no Brasil”, sob o qual Rone garantiu 960 pontos.

A rotina de Nathalia foi, em vários aspectos, bastante similar à de Rone: além das horas passadas na escola pela manhã, estudava o restante do dia em casa. A estudante conta que também usava as apostilas do GUIA, além de assistir a videoaulas online e fazer provas antigas do Enem. Ela ressalta que foi o ano mais difícil de sua vida: “O mais complicado de estudar sem o auxílio dos professores é que algumas disciplinas, como as de exatas, exigem muito mais do que só ler a teoria pra compreender, e sozinha tudo fica bem mais difícil”, conta. “Ser vestibulando é viver entre a pressão e o sonho de ser aprovado.”

Nathalia Nascimento, caloura de Farmácia na UFMG (foto: arquivo pessoal)

Nathalia Nascimento, caloura de Farmácia na UFMG (foto: arquivo pessoal)

A estudante e seus colegas também tiveram a ideia de montar um grupo de estudos de literatura na biblioteca da escola. “Nós tirávamos dúvidas uns dos outros, comentávamos sobre livros clássicos brasileiros e desenvolvíamos estratégias para ir bem nas provas. Esse apoio que cada um dava me ajudou muito a evoluir”, diz.

Rotina puxada

Em casa, cada um manteve uma rotina bastante estrita de estudos. “É difícil cumprir todo o estudo programado do dia sem procrastinar, por conta de todas as distrações ao redor”, explica Nathalia. Mas, ainda assim, ela manejava o estudo de três disciplinas por dia, dividindo por área do conhecimento, em sete horas em casa. “Deixava uma hora para ler teoria, uma para assistir videoaulas na internet e uma ao fim do dia para revisar. O restante ficava por conta de resolver exercícios”, conta.

O foco de Rone foram os estudos para a redação e atualidades, e também para solucionar sua dificuldade em exatas: leu muitas notícias, assistiu vários dos filmes complementares indicados e aumentou o tempo dedicado a matemática e física. “Minha pontuação no Enem 2014, que fiz como treineiro, foi de 16 pontos na prova de matemática. Corri atrás de superar essa defasagem e consegui subir meus acertos em 9 pontos em 2015”, conta.

Para garantir o sucesso no Enem, os dois investiram em peso na redação. “Fazia dois textos por semana, um na terça-feira e outro no sábado, e aí pedia para a minha professora de português corrigir”, conta Nathalia. Já Rone, além de treinar o texto em si, procurava estudar os temas pedidos para acrescentar mais ideias no seu repertório. “Quando via um tema novo, já saía procurando notícias e acontecimentos que tivessem a ver com ele para saber argumentar na hora de escrever. Foi um treino que fiz durante o ano”, explica.

E tanto esforço não foi em vão: Rone, já aprovado em História, ainda aguarda o resultado da segunda chamada para Direito, também na USP. E Nathalia, além da aprovação em Farmácia na UFMG, conseguiu 100% da bolsa de estudos pelo ProUni no curso de Odontologia, no Centro Universitário Newton Paiva. Para ela, toda a dedicação valeu a pena. “É claro que, sem cursinho, vai ser mais difícil conquistar a aprovação, mas é uma questão de superação de medos e limites. Vale a pena se restringir de algumas coisas durante o ano de vestibular para alcançar o futuro que tanto almejamos.”

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