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Eliane Brum e Luís Augusto Fischer dividem maior prêmio do Açorianos de Literatura

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Vencedores foram anunciados em cerimônia no Teatro Renascença

Eliane Brum (direita) e Luís Augusto Fischer (esquerda) dividiram o prêmio de livro do Ano no Açorianos Foto: Adriana Franciosi / Agencia RBS

Eliane Brum (direita) e Luís Augusto Fischer (esquerda) dividiram o prêmio de livro do Ano no Açorianos
Foto: Adriana Franciosi / Agencia RBS

Publicado por Zero Hora

O Açorianos de Literatura anunciou os premiados em sua lista de categorias. Em 2013, não houve um livro do ano, e sim dois.

A coletânea de crônicas A Menina Quebrada, de Eliane Brum, e a publicação de Terra Gaúcha e Artinha de Leitura, de Simões Lopes Neto, organizada por Luís Augusto Fischer (Belas-Letras), dividiram o prêmio de maior destaque das letras gaúchas no ano.

A cerimônia de entrega do maior prêmio literário para as obras do Estado foi realizada na noite desta segunda-feira no Teatro Renascença, em um espetáculo com direção de Rene Goya Filho, que contou com Nico Nicolaiewsky ao piano e apresentação da atriz Márcia do Canto. Na Noite do Livro, foram entregues os troféus aos vencedores em 10 categorias (veja lista abaixo) – os premiados de cada categoria concorriam também a Livro do Ano. A Menina Quebrada e Terra Gaúcha e Artinha de Leitura dividiram o grande prêmio e vão receber cada um R$ 5 mil. Um total de 213 obras foram inscritas para concorrer ao prêmio.

A Menina Quebrada foi premiada também na categoria crônica. É uma coletânea lançada em junho deste ano reunindo colunas escritas pela jornalista no site da revista Época, no qual manteve até este ano um dos espaços jornalísticos mais populares e compartilhados da imprensa brasileira na internet.

– Receber esse prêmio para mim é algo muito grande, porque há 20 anos o Açorianos foi o primeiro prêmio que ganhei, com meu primeiro livro, sobre a Coluna Prestes, um livro que foi recebido com muito preconceito, e por isso aquele prêmio foi muito importante para mim. Estar aqui para receber o Açorianos outra vez é uma honra – disse Eliane, ao subir ao palco para receber o troféu.

Terra Gaúcha e Artinha de Leitura são dois livros de Simões Lopes Neto, autor de Contos Gauchescos e Lendas do Sul, que estiveram desaparecidos por um século. Com o objetivo de difundir a alfabetização, Lopes Neto redigiu os dois livros em 1904 e 1907, respectivamente, mas nunca encontrou quem os publicasse. A edição finalmente publicada este ano, organizada por Luis Augusto Fischer, venceu em duas categorias além da de livro do ano: Especial e Projeto Gráfico.

– Para mim, receber este prêmio é especial. Esta é a 20ª edição do Açorianos de Literatura, e há 20 anos participei da operação das primeiras edições, ao lado de dois colegas já falecidos que tiveram livros reeditados há pouco tempo, Guilherme Pozzobon e Luiz Sérgio Metz, o Jacaré – comentou Fischer, emocionado.

A premiação do Açorianos também consagrou os melhores do ano categoria por categoria. Em romance, o livro premiado foi O Amante Alemão, da jornalista Lélia Almeida, uma narrativa longa e ambiciosa que entretece um triângulo amoroso a uma descrição social da região fumageira do Estado. Em contos, o vencedor foi Recortes para Álbum de Fotografia sem Gente, livro de estreia de Natalia Borges Polesso, editado pela Modelo de Nuvem. O Açorianos deste ano foi o do reconhecimento às pequenas e médias editoras locais. A maioria dos premiados ganhou as prateleiras por selos jovens e modestos, de atuação destacada no Estado, como Arquipélago Editorial, Não, Dublinense, Modelo de Nuvem e Belas-Letras – estas duas últimas surgidas em Caxias do Sul.

O Açorianos também escolheu o livro vencedor na categoria Criação Literária, que avalia todos os anos originais inéditos para publicação pela Editora da Cidade. Este ano, concorriam competidores na categoria conto, e o escolhido foi Ocupa Porto Alegre e Outros Contos, de Marcelo da Silva Rocha. Além da edição do livro, no ano que vem, o autor receberá um prêmio de R$ 10 mil.

Veja a lista oficial dos premiados no Açorianos de Literatura:

LIVRO DO ANO

* A Menina Quebrada, de Eliane Brum (Arquipélago)

* Terra Gaúcha e Artinha de Leitura, de Simões Lopes Neto, organizado por Luís Augusto Fischer (Belas-Letras)

CONTO

* Recortes para Álbum de Fotografia sem Gente, de Natalia Borges Polesso (Modelo de Nuvem)

CRÔNICA

* A Menina Quebrada, de Eliane Brum (Arquipélago)

ENSAIO DE LITERATURA E HUMANIDADES

* Anarquia na Passarela, de Daniel Rodrigues (Dublinense)

ESPECIAL

* Terra Gaúcha e Artinha de Leitura, de Simões Lopes Neto, organizado por Luís Augusto Fischer (Belas-Letras)

INFANTIL

* Conchas, de Hermes Bernardi Jr. (Edelbra)

INFANTO-JUVENIL

* Filho de Peixe, de Marcelo Carneiro da Cunha (Projeto).

NARRATIVA LONGA

* O Amante Alemão, de Lélia Couto Almeida (IEL/Corag)

POESIA

* Aqui Jasmim, de Caroline Milman, Editora Modelo de Nuvem.

CAPA

* Samir Machado de Machado, para Monstros Fora do Armário, de Flávio Torres (Não Editora)

PROJETO GRÁFICO

* Celso Orlandin Júnior, para Terra Gaúcha e Artinha de Leitura, de Simões Lopes Neto, organizado por Luís Augusto Fischer (Belas-Letras)

DESTAQUES LITERÁRIOS

* Projeto Adote um Escritor, da Câmara Rio-Grandense do Livro (CRL) e da Secretaria Municipal de Educação.

* Programa de TV DIREITO E LITERATURA

PRÊMIO AÇORIANOS DE CRIAÇÃO LITERÁRIA

* Ocupa Porto Alegre e Outros Contos, de Marcelo da Silva Rocha.

:: Veja galeria com fotos da noite de premiação:

bailarina apresenta cartazes com as categorias premiadas da noite no prêmio Açoriano de Literatura 2013 Foto: Adriana Franciosi/Agencia RBS

bailarina apresenta cartazes com as categorias premiadas da noite no prêmio Açoriano de Literatura 2013
Foto: Adriana Franciosi/Agencia RBS

Ca categoria Capa- Samir Machado de machado com Monstros Fora do Armário. Foto: Adriana Franciosi/Agencia RBS

Ca categoria Capa- Samir Machado de machado com Monstros Fora do Armário.
Foto: Adriana Franciosi/Agencia RBS

categoria Conto- Natalia Borges polesso com Recortes para Álbum de Fotografia Sem Gente. Foto: Adriana Franciosi/Agencia RBS

categoria Conto- Natalia Borges polesso com Recortes para Álbum de Fotografia Sem Gente.
Foto: Adriana Franciosi/Agencia RBS

na categoria Infantil o vencedor foi Hermes Bernardi JR com o livro Conchas. Foto: Adriana Franciosi/Agencia RBS

na categoria Infantil o vencedor foi Hermes Bernardi JR com o livro Conchas.
Foto: Adriana Franciosi/Agencia RBS

O Livro Do Ano ficou entre Eliane Brum E Luís Augusto Fischer Foto: Adriana Franciosi/Agencia RBS

O Livro Do Ano ficou entre Eliane Brum E Luís Augusto Fischer
Foto: Adriana Franciosi/Agencia RBS

Vencedores do prêmio Açoriano de Literatura 2013 Foto: Adriana Franciosi/Agencia RBS

Vencedores do prêmio Açoriano de Literatura 2013
Foto: Adriana Franciosi/Agencia RBS

Mia Couto aponta reinvenção do português como processo político

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Publicado por Folha de S.Paulo

Um dos mais celebrados autores de língua portuguesa na atualidade, o escritor moçambicano Mia Couto, vencedor do prêmio Camões e autor de livros como “Terra Sonâmbula”, participou de encontro no último sábado no teatro Geo, em São Paulo.

Em quase duas horas de conversa, Couto falou sobre sua maneira de reinventar a língua portuguesa ao escrever, seu envolvimento com a luta pela independência de seu país, a relação dos africanos com o Brasil e os estereótipos que rondam a África e a literatura do continente.

No evento organizado pela Folha, o Fronteiras do Pensamento, a Companhia das Letras e a Livraria da Vila, Couto foi entrevistado por Raquel Cozer, repórter e colunista da Folha, e Eliane Brum, escritora e colunista da revista “Época”.

O escritor Mia Couto durante o encontro / Zanone Fraissat/Folhapress

O escritor Mia Couto durante o encontro / Zanone Fraissat/Folhapress

Leia a seguir os principais trechos da conversa.

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Língua portuguesa

Hoje o português é a língua nacional dos moçambicanos, mas a maior parte deles tem outra língua materna. É uma língua em constante movimento, e isso para um escritor é muito sedutor. Essa reinvenção da língua ocorre como um processo social.

João Guimarães Rosa foi uma grande influência. Era como um sinal verde que na literatura se pudesse fazer esse processo de reinvenção da língua. É a reinvenção da nação como linguagem. E Guimarães dá conta desse Brasil ameaçado pelo moderno. É uma coisa que vivemos em Moçambique. A linguagem vira campo de resistência.

Força das mulheres

É como se as personagens femininas se impusessem em minha obra. Mesmo sendo de uma geração em que era preciso dar provas de ser homem, eu venci o medo de encontrar essa mulher em mim.

Eu escutava as histórias que as mulheres contavam sentado fazendo o dever de casa no chão da cozinha. Eu me fiz escritor ali. Via as suas saias passando, ondulando. As mulheres produziram em mim essas memórias.

Imagem da África

O Brasil tem uma ideia muito mistificada da África. A gente imagina que, por ser negro, um brasileiro teria mais intimidade com a África, mas isso é uma bobagem.

Essa visão reducionista e simplificada também é uma coisa que os próprios africanos adotaram. Muitos deles traduziram uma África que os próprios europeus criaram.

Não houve a África do bom selvagem, em que todos viviam em harmonia até a chegada dos colonizadores. Houve uma mão de dentro até na escravatura, cumplicidades entre africanos e europeus.

Quando [os escritores] saímos do estereótipo da África com seus bichos e feiticeiros, enfrentamos outros preconceitos. Mas a África tem de fazer esse esforço.

Prosa e poesia

Sou mais poeta quando escrevo prosa do que quando escrevo poesia. Quando vejo algo que me espanta, escrevo até num guardanapo, em notas de dinheiro, em coisas que nem posso dizer. Tem de haver uma urgência naquilo.

Teor político

Minha literatura é política porque quero dizer coisas com a intenção de produzir um mundo melhor. Fiz parte de uma geração que lutou pela independência e venceu. Tem esse sentimento épico.

Professoras da rede pública gastam salário com equipamentos para aula

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Marcelle Souza, no UOL

Verônica Batista gastou R$ 1.300 com projetor (Acervo Pessoal)

Verônica Batista gastou R$ 1.300 com projetor (Acervo Pessoal)

Se a escola pública oferece poucos recursos, a professora Verônica Eliane de Souza Batista, 42, não hesita em tirar dinheiro do bolso para tornar as aulas de biologia e química mais atrativas para os alunos. Sua lista de investimentos tem desde material em áudio sobre o corpo humano até um projetor multimídia e um microfone.

O mini-projetor com controle remoto custou cerca de R$ 1.300 e teve que ser parcelado em cinco vezes. Com o microfone e o amplificador, foram gastos outros R$ 340 –o piso salarial nacional de um professor é de R$ 1.567.

“No ano passado, um grupo de alunos preparou uma apresentação para um trabalho, mas não conseguiu mostrar para a turma porque o responsável pela montagem do projetor da escola ainda não tinha chegado. Fiquei bem chateada e decidi comprar o meu”, conta.

Verônica garante que valeu a pena. “Acho que faz muita diferença, gosto de tentar sempre melhorar a minha aula, mudar um pouco a rotina. Comprei o equipamento faz uns dois meses e percebo que consigo prender mais a atenção dos alunos”, diz ela, que dá aulas na zona leste de São Paulo.

O equipamento de som previne as inflamações de garganta, os antibióticos e as faltas – antes mais frequentes por causa da rouquidão constante.

Mês de salário
Assim como Verônica, a professora de sociologia Valéria Tenório, 29, também cansou de disputar o único projetor da escola pública em que leciona e decidiu gastar R$ 1.800 – que corresponde a aproximadamente um mês de salário – para comprar um projetor.

“Eu uso para preparar aulas mais dinâmicas, trabalhar com imagens e vídeos. Sociologia não tem exercício na lousa, é mais verbal, mais teórica. Então, a aula não vai ser convidativa se eu ficar falando por 50 minutos em uma sala com mais de 45 alunos”, afirma a professora da zona leste da capital.

As professoras dizem que existem projetores nas escolas em que trabalham, mas que os equipamentos são disputados e, às vezes, é preciso enfrentar problemas como tomadas que não funcionam e demora na hora de instalar a aparelho na sala de aula.

“Muitas vezes, você tenta falar e o aluno não presta atenção. Eu não acho que é culpa dele, nem todo mundo tem a obrigação de gostar de tudo. Mas se você se interessa em dar aula, o aluno valoriza”, diz Valéria.

Falta de condições de trabalho
Para a professora Andrea Caldas, do setor de Educação da UFPR (Universidade Federal do Paraná), a atitude das duas professoras é um mérito, mas melhorar as condições de trabalho da categoria deveria ser uma prioridade dos governos.

A professora de sociologia Valéria Tenório gastou um mês de salário para comprar um projetor

A professora de sociologia Valéria Tenório gastou um mês de salário para comprar um projetor

“Isso revela o quanto os professores se sentem sozinhos no seu trabalho. É uma ação isolada, emergencial, uma improvisação, enquanto quem tinha que prover essas ferramentas de trabalho é o Estado”, afirma.

A especialista acrescenta que Estados e municípios precisam planejar a adoção de novas tecnologias para que ações como a das professoras não sejam dispersas e desarticuladas. Para Caldas, os equipamentos são acessórios e, em primeiro lugar, é preciso investir na formação dos professores. “O professor pode tornar a aula mais interessante se ele souber exatamente o que fazer com a ferramenta.”

Sempre mais
A professora Verônica promete não parar no projetor e no microfone, agora está estudando comprar um microscópio para as aulas de biologia.

“Dar aula é um trabalho em que temos que comprar desde a caneta que a gente escreve, só temos o giz a lousa”, diz. “E, mesmo depois de 18 anos, eu sinto que preciso sempre me adaptar, porque a tecnologia está na mão dos alunos”, afirma.

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