Posts tagged Garante

Faculdade inglesa cria curso de heavy metal

0

ONG que defende educação considera iniciativa uma ‘perda de tempo’

Eddie, o zumbi mascote do Iron Maiden, na capa do single "The Trooper" - Reprodução

Eddie, o zumbi mascote do Iron Maiden, na capa do single “The Trooper” – Reprodução

Publicado em O Globo

RIO – Na canção “Feitio de oração”, Noel Rosa alertava que “ninguém aprende samba no colégio”. Essa parece ser a opinião da ONG inglesa “Campaign for Real Education” em relação a um novo curso de heavy metal criado pela faculdade Nottingham College.

“Pode parecer uma opção atraente e fácil para algumas pessoas, mas você não precisa de um diploma em heavy metal. É uma perda de tempo”, disse o presidente da ONG, Chris McGovern, à BBC News.

Segundo o site da faculdade, o curso foi criado “em resposta a demanda dos alunos e da crescente economia criativa e musical de Nottingham”. As aulas prometem ser animadas, com os estudantes formando bandas, tocando e promovendo shows.

O curso tem como tutor o professor de música Liam Maloy, que afirma ter passado sete meses desenvolvendo o currículo. Os alunos vão aprender teoria musical, composição, improviso, técnicas de gravação, além do contexto do heavy metal na indústria musical.

“Haverá um diploma, então seremos academicamente rigorosos”, garante o professor. “No passado, o heavy metal não era levado a sério e tinha menos credibilidade do que outros gêneros como jazz e música clássica, mas isso é só uma construção cultural”.

A primeira turma começa em setembro de 2013 e o curso tem previsão inicial de durar dois anos. No segundo ano, os estudantes formarão bandar para se apresentar pelo Reino Unido. Depois, podem optar por continuar estudando na faculdade de música por um terceiro ano, garantindo assim um diploma completo da Nottingham Trent University.

Mães de jovens com dislexia lutam por educação adequada ao transtorno

0

Dislexia é um transtorno de aprendizagem de causa neurológica.
Alexandra e Augusta promovem eventos e batalham por aprovação de lei.

Maria Augusta e Ricardo (lado esquerdo) e Alexandra e Anna Lia (direito) (Foto: Vanessa Fajardo/ G1)

Maria Augusta e Ricardo (lado esquerdo) e Alexandra e Anna Lia (direito) (Foto: Vanessa Fajardo/ G1)

Vanessa Fajardo, no G1

A economista Maria Augusta Pacheco Ranhada Gil, de 50 anos, e a psicopedagoga Alexandra Amadio Belli, de 45 anos, diagnosticaram a dislexia nos filhos adolescentes ainda quando eles eram crianças. Foram anos de estudo até entender – e aceitar – como este transtorno de aprendizado de origem neurológica iria afetar a vida de seus filhos. Os disléxicos têm mais dificuldade para ler, interpretar e escrever pois não conseguem ligar os sons às palavras. Geralmente a dislexia é identificada durante a alfabetização e pode ser confundida com déficit de atenção (TDAH).

O distúrbio é diagnosticado por uma equipe multidisciplinar (fonoaudiólogo, neurologista, psicólogo e psicopedagogo) e tem relação com a herança genética. O problema sensibilizou tanto Maria Augusta e Alexandra que mais do que mães de Ricardo Augusto Gil, de 16 anos, e Anna Lia Bellli, de 15, elas se engajaram à causa, mesmo sem estar afiliadas a qualquer associação, e se tornaram defensoras dos disléxicos.

Alexandra foi professora do filho de Maria Augusta. Por conta da dislexia dos filhos as duas se aproximaram e se tornaram amigas. Juntas, elas costumam organizar eventos e palestras e criar espaços para falar sobre o tema. Paralelamente, encabeçam a batalha de conseguir aprovar um projeto de lei no estado de São Paulo que garante direitos aos estudantes disléxicos da rede pública. O projeto está sendo redigido por uma equipe multidisciplinar e ainda precisa seguir para votação.

Quem tem dislexia fica à margem, é discriminado, mas a pessoa não tem problemas cognitivos. São personagens brilhantes que perdem a oportunidade de se desenvolver”
Alexandra Belli,
psicopedagoga e mãe de Anna Lia

Enquanto o projeto de lei não é aprovado, as duas não se cansam de reivindicar direitos dos filhos nas escolas onde estudam. Os pedidos nunca são isolados, e quando concedidos, beneficiam todos os estudantes com problemas de déficit de atenção da escola. Elas costumam ‘brigar’ para que a escola seja mais flexível na correção de determinada avaliação, dê mais tempo para os filhos fazerem as provas ou, ainda, forneça as fórmulas em uma folha anexa para um exame de física, por exemplo.

“Queremos contagiar e fazer com que as pessoas percebam a dislexia. Quem tem dislexia fica à margem, é discriminado, mas a pessoa não tem problemas cognitivos. São personagens brilhantes que perdem a oportunidade de se desenvolver”, diz Alexandra, que também se diz disléxica, apesar de não ter o diagnóstico.

Anna Lia e Alexandra estudam juntas (Foto: Vanessa Fajardo/ G1)

Anna Lia e Alexandra estudam juntas
(Foto: Vanessa Fajardo/ G1)

O apoio das mães

A filha de Alexandra, Anna Lia também tem transtorno de déficit de atenção (TDHA) que foi diagnosticado antes da dislexia. Alexandra conta que percebeu que a filha poderia ser disléxica quando lia com ela percebeu que a garota não conseguia ler uma determinada palavra (ela não se lembra qual é) durante todo o livro. Por dois anos, Anna Lia teve acompanhamento de professores particulares de português e matemática. Está no 2º ano do ensino médio, nunca repetiu um ano, mas às vezes pega uma recuperação. Sempre tem o respaldo da mãe.

“Eu vou estar por trás dela por pior que seja seu fracasso. O que me importa é o seu esforço, cobro para que faça o melhor, sabemos o sacrifício, exigir nota alta é absurdo”, afirma Alexandra. Anna Lia reconhece o apoio da mãe. “Se não fosse minha mãe, eu já teria repetido algum ano. Ela me ajuda a estudar, a decorar a matéria, fazer resumo e sempre procurou ajuda.”

Alexandra acompanha de perto o desenvolvimento da filha porque é psicopedagoga e tem conhecimento técnico sobre o distúrbio. Escreveu sobre TDHA na teste do mestrado e depois a transformou em livro. No entanto, segundo ela, nos demais casos o ideal é que os pais apenas administrem a evolução dos filhos de longe, contratem professores particulares quando necessário, entre outros ações, mas não se envolvam diretamente em sua vida escolar.

Ele é muito responsável e dedicado. Falo sempre que tenho muito orgulho de ele ser disléxico, porque eu me tornei uma pessoa mais sensível e solidária”
Maria Augusta Gil,
economista e mãe de Ricardo

Ricardo não costuma falar sobre dislexia na escola, mas diz que tem o respeito dos colegas, e admira o interesse da mãe pela causa. “Acho muito bom, conheço mães com filhos disléxicos que não fazem nem um terço do que ela faz. O problema é a falta de informação. Minha mãe busca assistência para que eu possa ir bem no colégio. Se não fosse por ela, teria repetido e talvez nem soubesse que tenho dislexia.”

Cursando o 2º ano do ensino médio, Ricardo diz que sua maior dificuldade é em ciências exatas, apesar de a maioria dos disléxicos ter mais problemas com humanas por conta da dificuldade de leitura e interpretação. “Eu me cobro muito porque cada um tem de buscar o melhor naquilo que faz. É muito frustrante quando você estuda, não consegue interpretar a prova e acaba errando o exercício”, diz o jovem.

Maria Augusta e Ricardo que cursa o 2° ano do ensino médio (Foto: Vanessa Fajardo/ G1)

Maria Augusta e Ricardo que cursa o 2° ano do
ensino médio (Foto: Vanessa Fajardo/ G1)

Maria Augusta se emociona ao falar do esforço do filho, a quem considera “herói” “Ele é muito responsável e dedicado. Falo sempre que tenho muito orgulho de ele ser disléxico, porque eu me tornei uma pessoa mais sensível e solidária. É necessário se despir de preconceitos, há uma dificuldade de assumir a dislexia porque a sociedade é muito competitiva.”

Outro resultado do esforço de Alexandra e Maria Augusta tem data marcada: dia 8 de junho, das 13h às 17h30, no Centro Cultural da Índia (Alameda Sarutaiá, 380, Jardim Paulista, São Paulo). Haverá a exibição do filme indiano “Como Estrelas na Terra”, que retrata a história de uma família cujo filho é um garoto disléxico. Após o filme, haverá um debate. A entrada é gratuita, mas é necessário se inscrever pelo telefone (11) 3258-7568 ou e-mail comunica@dislexia.org.br.

Bolsa de pós-graduação é única fonte de renda de muitos estudantes

0
Os cursos de Ciências Agrárias foram os que mais receberam bolsas de pós-graduação no Brasil em 2011, segundo dados da Capes. A área abrange os cursos de Agronomia, Engenharia Agrícola e Recursos Florestais e Engenharia Florestal. No total, são 5.916 bolsas de mestrado, doutorado e pós-doutorado --mais da metade é para o mestrado Jean Marconi/Flickr

Os cursos de Ciências Agrárias foram os que mais receberam bolsas de pós-graduação no Brasil em 2011, segundo dados da Capes. A área abrange os cursos de Agronomia, Engenharia Agrícola e Recursos Florestais e Engenharia Florestal. No total, são 5.916 bolsas de mestrado, doutorado e pós-doutorado –mais da metade é para o mestrado Jean Marconi/Flickr

Mariana Tokarnia, no UOL

Com valores mensais entre R$ 1.000 e R$ 4.000, as bolsas de pós-graduação são, quase sempre, a única fonte de renda de muitos estudantes no país. Eles se dedicam exclusivamente às dissertações, teses, à publicação de artigos e a leituras. É com a bolsa também que pagam despesas como o aluguel e a alimentação. O valor, segundo bolsistas, é insuficiente para algumas localidades, ou dá apenas para pagar as contas. Para aqueles que deixam a família e se mudam para estudar, a bolsa é o que garante a fixação na localidade. A partir deste mês, os estudantes recebem um reajuste de 10% nos valores.

O reajuste das bolsas de mestrado, doutorado e pós-doutorado ofertadas pela Capes (Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior) e pelo CNPq (Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico) foi anunciado em março. Os novos valores começam a ser pagos agora: a bolsa de mestrado passa de R$ 1.350 para R$ 1.500, a de doutorado, de R$ 2.000 para R$ 2.200 e a de pós-doutorado de R$ 3.700 para R$ 4.100.

“A bolsa é interessante porque legitima a nossa função como estudantes, nos dá um aval de pesquisadores”, diz o doutorando em literatura da UnB (Universidade de Brasília) Douglas Sousa. “Mas o valor é ainda mais interessante para aqueles que não são de Brasília [onde o custo de vida é alto], que moram em residência própria. Eles podem usar a bolsa apenas para manutenção do curso, gastam com lanches, livros e viagens para congressos. Para nós que somos de outros Estados, temos que pagar aluguel, alimentação, além de bancar nossa participação em eventos científicos, que é quase uma obrigatoriedade para pós-graduandos”.

Custo de vida
Douglas veio de Socorro do Piauí, a 457 quilômetros da capital piauiense, Teresina. No Estado de origem fez graduação e mestrado. Para o doutorado, escolheu Brasília pelo intercâmbio cultural que teria: “Não precisa sair de Brasília para ter um pedacinho do mundo aqui”. Mas o preço é alto, apenas o aluguel consome 40% do que ganha.

“Eu posso dizer que não vivi Brasília culturalmente. Pesquiso dramaturgia e não tenho dinheiro suficiente para ir a várias apresentações”, diz o mestrando em literatura da UnB Francisco Alves. Ele veio de Boa Vista, Roraima. Francisco conta que sempre viveu intensamente as universidades por onde passou, sendo monitor e participando de projetos de pesquisa. “Em Roraima, na graduação, minha mãe alugou um quarto para mim perto da universidade. Disse que pagava o aluguel e o resto, eu me virasse”.

Ambos estudam uma média de seis a oito horas por dia. A bolsa é uma ajuda para que se dediquem exclusivamente à pós. Na UnB, de um total de 7,6 mil alunos de pós-graduação, 4,5 mil, quase 60%, são brasileiros que não residiam no Distrito Federal.

“Temos muitos alunos que vêm de outros Estados, alunos de classe média baixa que têm muita dificuldade em se fixar. A família sustenta na graduação, mas quando chega na pós, o estudante já é adulto e às vezes fica mais difícil para a família. Além disso, eles estão em uma fase da vida em que começam a se casar, ou já são casados, têm família para sustentar e isso dificulta enormemente a vida acadêmica”, constata o decano de pesquisa e pós-graduação da universidade, Jaime Martins.

“O valor da bolsa melhorou um pouco, mas ainda não é suficiente para que os estudantes possam viver em boas condições e para se dediquem exclusivamente à pesquisa. Não se trata de uma visão romântica, é algo prático, para que o estudante possa ter mais tempo dedicado ao trabalho e fazer aquilo da melhor forma possível. Com dedicação, melhor será o trabalho, melhor a publicação e mais mérito acadêmico para o aluno e para a universidade”, diz o decano.

Confira as áreas que mais recebem bolsas de pós-graduação no Brasil

‘Professor MC’ ensina química ao ritmo de funk

0

Vídeo tem mais de 200 mil compartilhamentos na internet
Silvio Predis afirma que música é sempre o ‘último recurso’
“Nada disso adianta se eu não ensinar a matéria antes”

Leonardo Vieira, em O Globo

Com desenvoltura e acompanhado por batidas de funk, o professor de química Silvio Predis, do Colégio e Curso Miguel Couto, ensina conceitos da disciplina como “corrosão” e “catodo”, em um vídeo que está “bombando” na internet. O vídeo tem pouco mais de 4min e já foi compartilhado por mais 200 mil usuários nas redes sociais.

Ao som de “vem, vem, vem, vem, na oxidação”, o “Rap da Pilha” do professor — ou MC Niterói — é acompanhado com entusiasmo pelo coro dos alunos que se divertem batucam e, ao mesmo tempo, assimilam o conteúdo espinhoso ou “pesadão” da matéria, como o próprio professor define no vídeo. No youtube, este vídeo do “funkão” da química já tem mais de 225 mil visualizações.

Silvio explicou que a música é sempre o último recurso no seu método. Segundo ele, antes de cantar com os alunos, é preciso passar todo o conteúdo e fazer exercícios. As canções, segundo ele, serviriam para fixar a ideia e descontrair o aluno, principalmente os que não teriam afinidade com a Química.

— Com a música eu consigo prender a atenção e interagir com eles. Mas nada disso adianta se eu não ensinar a matéria antes — explicou.

Apesar de já ter escrito oito letras de assuntos relacionados a Química e parodiado com ritmos que vão do funk ao sertanejo, Sílvio garante que nunca parou para “compor”. Segundo ele, as letras vêm surgindo no dia a dia. O professor-cantor conta que começou a cantar timidamente em salas de aulas há oito anos, mas logo após o sucesso do seu método, nunca mais parou.

— Confesso que fiquei inibido na primeira vez, mas os alunos gostaram. E logo um mês após a primeira música, veio a prova da UFRJ com extenso conteúdo que a música abordava. Todos gostaram — afirmou Silvio.

Cota não garante aluno de escola pública em vestibular

0

Érica Fraga, na Folha de S.Paulo

A falta de aulas de geografia durante seu último ano no ensino médio fez com que Monique dos Santos Pires, 21, desistisse do vestibular para as universidades públicas.

“Não tinha como competir com aluno de escola privada”, diz ela, que trabalha e estuda administração na FMU, faculdade particular.

Sua situação ajuda a explicar por que o número de alunos da rede pública nos vestibulares de importantes instituições gratuitas do país caiu ou mudou pouco nos últimos anos, apesar de políticas de bônus e cotas.

Entre dez universidades que enviaram dados à Folha, USP, Unicamp, UERJ, e UFMG registraram queda no percentual de vestibulandos vindos da rede pública. Em outras três universidades, essa proporção mudou pouco.

Monique dos Santos Pires, que desistiu de prestar vestibular para universidades públicas (Adriano Vizoni/Folhapress)

Monique dos Santos Pires, que desistiu de prestar vestibular para universidades públicas (Adriano Vizoni/Folhapress)

Os alunos das escolas públicas ainda são minoria na maior parte dos vestibulares das instituições públicas, embora representem 85% dos que concluem o ensino médio no país –percentual que aumentou na última década.

As universidades federais de Santa Catarina (UFSC) e do Rio Grande do Sul (UFRGS) estão entre as que tiveram aumento de alunos das escolas públicas em seus vestibulares.

Ainda assim, Júlio Felipe Szeremeta, presidente da comissão de vestibular da UFSC, diz que não houve o crescimento esperado. Em 2012, o percentual de candidatos oriundos da rede pública atingiu 37,5% na UFSC. “Imaginávamos que o percentual de vestibulandos de escola pública já teria chegado a 50%.”

Já na Universidade Federal da Bahia (UFBA) houve queda no número de inscritos no vestibular saídos de escolas públicas após a adoção do regime de cotas em 2005. A tendência só foi revertida a partir de 2010, depois de um aumento no número de cursos noturnos de 1 para 33.

Para especialistas, a maior oferta de bolsas do governo também tem influenciado a decisão dos alunos.

“O ProUni [Programa Universidade para Todos] atraiu muitos egressos de escolas públicas para as faculdades privadas”, diz Alexandre Oliveira, sócio da Meritt, empresa de consultoria em educação.

INFORMAÇÃO

Para Mauro Bertotti, assessor do conselho de graduação da USP, a falta de informação também é um fator. “Há os que não tentam porque acham que não têm chance e os que desconhecem o benefício.” Já a aluna Monique conta que não tinha ouvido falar sobre as políticas de cotas e bônus. A partir deste ano, as federais foram obrigadas a ter cotas para quem fez o ensino médio em escola pública (com recortes por renda e cor da pele).

Editoria de Arte/Folhapress

Editoria de Arte/Folhapress

Go to Top