Canal Pavablog no Youtube

livros

‘O Livro dos Prazeres’, de Clarice Lispector, vira filme que privilegia olhar feminino

0

Simone Spoladore interpreta Lóri no longa de Marcela Lordy que será lançado no ano que vem, centenário da escritora

Francesca Angiolillo, na Folha de S.Paulo

Rio de Janeiro

A folha avermelhada precisa descer, pousar no ombro da mocinha e, do chão, ser recolhida pelo galã e então entregue a ela. Ali começa um plano-sequência no qual que o casal vai do flerte ao desentendimento —a tônica do relacionamento entre Lóri e Ulisses.

Mas o movimento agitado à beira da lagoa Rodrigo de Freitas acrescenta novas dificuldades às dos personagens de “O Livro dos Prazeres”.

A locação para esse dia das filmagens —que vão até o fim desta semana, no Rio de Janeiro— é linda, mas o som de helicópteros decolando e pousando ao lado invade a cena.

Venta e, ao segurar o chapelão, Lóri acaba por tapar demais o rosto. Passantes curiosos sem querer entram em cena olhando para a câmera. E a folha —nem sempre ela cai do jeito certo.

No décimo take, Marcela Lordy decide simplificar o que pode. “Vou aplicar em pós-produção essa folha.” Vai cair rodopiando, “bem Hollywood”. Mas a história que Lordy escolheu para sua estreia em longas de ficção, após ter feito carreira na assistência de diretores como José Eduardo Belmonte e Walter Salles, não é hollywoodiana.

É de amor, mas um amor construído sobre falhas que só podem ser reparadas cena a cena, sem truque ou técnica.

“Uma Aprendizagem ou O Livro dos Prazeres”, de Clarice Lispector, é a base do filme. No romance, de 1969, Lóri é uma professora na casa dos 30 que não se aprofunda nas suas relações. Conhece e deseja Ulisses, professor de filosofia mais velho, que lhe ensina a viver o amor, dizendo que aguardará até que ela esteja pronta.

A obra, que se passa quase toda dentro do pensamento de Lóri, pareceria inadaptável.

Transformar o fio de trama em roteiro exigiu dez tratamentos, em seis ou sete anos, recorda Lordy, que a partir de certo ponto teve a contribuição da argentina Josefina Trotta —seu filme é uma coprodução com o país vizinho.

Produtora brasileira do filme, Deborah Osborn, da Big Bonsai, diz que “queria muito internacionalizar o filme”, mostrar para o mundo esse “imaginário que permeia a gente a vida toda”.

O imaginário de Clarice não deixou mais de ser redescoberto no exterior, sobretudo desde que o americano Benjamin Moser lançou “Clarice,”.

Na biografia, Moser descreve “Uma Aprendizagem” como “uma espécie de órfão”, depois de “A Paixão Segundo G.H.”. “Na verdade, artisticamente, superar aquela obra atordoante seria difícil para qualquer escritor”, resume.

O resultado, que traz um final feliz, fato raro na obra da escritora, foi considerado menor ou mais fácil —para os padrões claricianos, que não são exatamente a média.

Concebido há quase uma década, o filme de Lordy será lançado no ano que vem. Calhou de ser o centenário de Clarice, lançando holofotes adicionais sobre a produção, que deve ter a companhia nas telas da adaptação de “G.H.” feita pelo diretor Luiz Fernando Carvalho.

“O Livro dos Prazeres” privilegia o olhar das mulheres —e são muitas no set— sobre uma história que, já em 1969, tinha no centro o desejo feminino.

Porém, meio século depois, a relação vertical estabelecida entre Lóri e Ulisses não faria sentido. “Ele desce do pedestal, aprende com ela”, diz Marcela Lordy, a diretora.

Embora veja a relação do casal como “quase abusiva” —a determinada altura do romance, por exemplo, ele a censura por cortar os cabelos sem pedir permissão—, ela acredita que “Clarice estava discutindo gênero ao colocar Ulisses à espera de Lóri”.

O tipo melancólico de Simone Spoladore se mostra perfeito para a esquiva Lóri. Uma mulher inalcançável, diz a atriz, “que se fechou para a dor”, ecoando a conclusão do diálogo rodado minutos antes.

Seu par é vivido por Javier Drolas. Conhecido no Brasil por “Medianeras”, ele atua pela primeira vez em português e suaviza a arrogância de Ulisses —apesar de no filme ele ser argentino, brinca o ator.

Mas, na visão de Drolas, “um homem já mais velho que nunca se apaixonou, algum problema tem”. Seu Ulisses é especialista em Spinoza, para quem “o fim último da filosofia é a felicidade”, e é nessa busca que, diz ele, o personagem “se torna mais humano”.

Spoladore conta ter sido ela também submissa em outras relações, mesmo se “a mulher contemporânea é diferente”. Essa diferença fundamenta o trabalho das roteiristas.

Há nove anos no Brasil, Josefina Trotta diz que Clarice foi das primeiras autoras que leu em português. Nas últimas releituras que fez de “Uma Aprendizagem”, sublinhou o que o livro tinha de ação de fato.

Era muito pouco. A saída foi desdobrar o que havia.

A mãe morta de Lóri ganha peso no filme. Está num crochê que a filha desfaz e refaz, como uma Penélope, e num diário encontrado no apartamento herdado —nele as palavras são de Clarice.

Da vida da escritora, vieram outros elementos para compor essa figura, que se torna não só autora mas ancestral de Lóri.

Os alunos se fazem mais presentes, como Otto, filho de Luciana, única amiga de Lóri. Esta, engenheira e taróloga, é a expansão da cartomante citada no livro somente em uma fala da protagonista.

Vivida por Martha Nowill —que, como Spoladore, havia atuado em curtas de Lordy, caso de “Aluga-se”, de 2012, do qual foi corroteirista—, Luciana é um contraponto a Lóri.

É, diz Trotta, “uma mãe profissional com defeitos”, que não teme se arriscar, à diferença da amiga. Nowill celebra o papel, uma coadjuvante com um destaque que ela reputa incomum no cinema.

Os personagens e situações se construíram a partir da vivência das próprias roteiristas e de mulheres ouvidas no processo.

Ulisses ganha uma sexualidade vista como ambígua; Lóri tem vários amantes —até uma amante.

Todos se tornam, enfim, mais gente, saindo da dimensão “quase sagrada” que, de início, impactou Trotta, como tantos outros, na obra de Clarice.

Editora Arqueiro lançará distopia escrita por Nora Roberts

0

Victor Tadeu, no Desencaixados

Nora Roberts é uma escritora consagrada com mais de 500 milhões de exemplares vendidos pelo mundo, no Brasil seus romances são publicados pela Editora Arqueiro e recentemente a casa editorial anunciou o lançamento de mais uma obra da autora, porém, desta vez uma distopia que promete causar em 2019.

Ano Um é o primeiro livro da trilogia Crônicas da Escolhida, a série literária de três livros da autora, a história gira em torno do mundo entrando em colapso após uma doença de alastrar rapidamente, justamente na virada do ano, colocando muitos em desespero.

Neste título acompanhamos a jornada de Lana Bingham e seu amante, Max, lidando com toda a situação.

Tudo começa na noite de Ano-Novo. A doença se alastra rapidamente. Em questão de semanas, a rede elétrica para de funcionar, as leis e o sistema de governo entram em colapso e mais da metade da população mundial é dizimada.

Onde existia ordem, agora só há caos. E conforme o poder da ciência e da tecnologia diminuíam, a magia crescia e tomava o seu lugar. Uma parte dessa magia é boa, como a feitiçaria praticada por Lana Bingham no apartamento que divide com o amante, Max. Outra parte dela, no entanto, é inimaginavelmente maligna, e pode se esconder em qualquer canto, numa esquina, nos fétidos túneis sob o rio ou dentro daqueles que você mais ama e conhece…

Espalham-se rumores de que nem os imunes nem os dotados estão a salvo das autoridades que patrulham as ruas devastadas, então Lana e Max resolvem deixar Nova York. Outros viajantes também seguem esperançosos para o oeste: Chuck, um gênio da tecnologia que mantém o bom humor em um mundo off-line; Arlys, uma jornalista que insiste em buscar e registrar a verdade; Fredinha, uma jovem com um otimismo que parece fora do lugar nessa paisagem desoladora; Rachel e Jonah, médica e paramédico, determinados a proteger uma jovem mãe e seus três bebês recém-nascidos.

Em um mundo em que cada estranho no caminho pode representar a morte ou a salvação, nenhum deles sabe o que encontrarão. Porém, um novo horizonte os aguarda, a concretização de uma profecia ancestral que transformará a vida de todos os sobreviventes.

O fim chegou. O início é o que vem agora.

A obra foi comparada com o clássico de Stephen King, A Dança da Morte, inclusive o próprio escritor elogiou a autora e a história. Este é um gênero literário que Nora está apostando, fugindo um pouco da zona de conforto.

NBC está desenvolvendo série prelúdio de O Código Da Vinci

0

Wellington Ricelli, na Poltrona Nerd

O canal norte-americano NBC está desenvolvendo Langdon, uma série baseada na obra O Símbolo Perdido, o quarto da série de livros de Dan Brown que é uma espécie de prelúdio de O Código Da Vinci.

Mas, embora O Símbolo Perdido ocorra cronologicamente após O Código Da Vinci, Langdon será centrada em no jovem Robert Langdon (personagem de Tom Hanks no longa), um professor de Harvard “que se vê envolvido em uma série de quebra-cabeças mortais quando seu mentor é sequestrado”, segundo a descrição oficial. “A CIA o força para uma força-tarefa onde ele descobre uma conspiração arrepiante.”

Os romances de Brown venderam dezenas de milhões de cópias em todo o mundo, com Tom Hanks interpretando Langdon em uma trilogia: O Código Da Vinci de 2006, Anjos e Demônios de 2009 e Inferno de 2016.

Daniel Cerone (The Blacklist, Dexter) está pronto para escrever e produzir o projeto, que recebeu um compromisso de produção da NBC. Ron Howard, que dirigiu os três filmes, também está a bordo como produtor executivo.

Langdon ainda não tem data de estreia.

Fonte: TV Line

Nightflyers, escrito por George R. R. Martin, será relançado no Brasil

0

Victor Tadeu, no Desencaixados

Há alguns meses o Grupo Companhia das Letras anunciou ter comprado os diretos para publicar os títulos de George R. R. Martin no Brasil, inclusive relançou os três primeiros livros de As Crônicas de Gelo e Fogo, porém este mês estará lançamento mais uma obra do escritor.

Nightflyers foi publicado pela primeira vez no Brasil pela Editora LeYa como Voadores da Noite, mas no dia 17 de junho a Editora Suma, selo do Grupo Companhia das Letras, lançará uma nova edição da obra, incluindo ilustrações.

Sinopse:

Nas fronteiras do universo, uma expedição científica composta de nove acadêmicos dá início à missão de estudar os volcryn, uma misteriosa raça alienígena. Existem, no entanto, mistérios mais perigosos a bordo da própria nave. A Nightflyer, única embarcação que se dispôs à missão, é uma maravilha tecnológica: completamente automatizada e pilotada por uma única pessoa. O capitão Royd Eris, porém, não se mistura com a tripulação – conversando apenas através de comunicadores e se apresentando somente por holograma, ele mais parece um fantasma do que um líder.

Quando Thale Lassamer, o telepata do grupo, começa a detectar uma presença desconhecida e ameaçadora por perto, a tripulação se agita e as desconfianças aumentam. E a garantia de Royd sobre a segurança de todos é posta à prova quando uma entidade malévola começa uma sangrenta onda de assassinatos.

Oficialmente publicada em 1980, o título ganhou uma adaptação cinematográfica em 1987 e durante 2018 foi adaptada em série pela Syfy, mas acabou sendo cancelada após a 1a temporada.

Estes são os 5 livros que Bill Gates recomenda você ler nas férias

0

Foto: Divulgação

Cofundador da Microsoft segue com a tradição de compartilhar os livros que mais gostou de ler nos últimos meses

Publicado no Itmidia

Bill Gates é conhecido por ser um leitor ávido. Em uma entrevista ao New York Times em 2016, o cofundador da Microsoft disse que a leitura ainda é a “principal maneira de aprender coisas novas e testar minha compreensão”. Ao jornal, ele disse que lê cerca de 50 livros por ano.

Como parte dos seus hábitos de leitura, Gates mantém a tradição de compartilhar os livros favoritos que leu na última temporada, aproveitando as férias do meio do ano. “Eu sempre gosto de escolher um monte de livros para levar comigo sempre que me preparo para sair de férias. Mais frequentemente, acabo tendo mais livros do que eu poderia ler em uma viagem. Minha filosofia é que eu prefiro ter muito para ler do que muito pouco”, escreveu em post publicado em seu blog.

Na lista de livros deste semestre, Gates lembra que suas escolhas não são uma leitura leve. “Todos, exceto um, lidam com a ideia de disrupção, mas eu não quero dizer ‘disrupção; na maneira como as pessoas de tecnologia costumam dizer isso. Recentemente me vi atraído por livros sobre reviravoltas – seja a União Soviética logo após a revolução bolchevique, aos Estados Unidos em tempos de guerra ou uma reavaliação global de nosso sistema econômico”, reflete.

Na lista abaixo, confira as cinco recomendações literárias e um breve resumo de Gates sobre os títulos. Note, que os livros ainda não possuem edição brasileira, com exceção de “Um Cavalheiro em Moscou”.

“Upheaval”, de Jared Diamond

“Eu sou um grande fã de tudo o que Jared escreveu, e seu mais recente livro não é exceção. O livro explora como as sociedades reagem em momentos de crise. Ele usa uma série de estudos de caso fascinantes para mostrar como as nações gerenciavam desafios existenciais como guerra civil, ameaças externas e mal-estar geral. Parece um pouco deprimente, mas terminei o livro ainda mais otimista sobre nossa capacidade de resolver problemas do que quando o comecei”.

“Nine Pints”, de Rose George

“Se você fica enojado por ver sangue, este provavelmente não é para você. Mas se você é como eu e acha isso fascinante, você apreciará este livro de um jornalista britânico com uma conexão especialmente pessoal com o assunto. Eu sou um grande fã de livros que abordam um tópico específico, então o Nine Pints (o título refere-se ao volume de sangue do adulto médio) era o meu caminho. Está cheio de fatos super interessantes que vão deixar você com uma nova apreciação pelo sangue”.

“Um Cavalheiro em Moscou”, de Amor Towles

“Parece que todo mundo que conheço leu este livro. Eu finalmente me juntei ao clube depois que meu cunhado me enviou uma cópia, e estou feliz por ter feito isso. O romance de Towles sobre um conde condenado à prisão perpétua em um hotel de Moscou é divertido, inteligente e surpreendentemente otimista. Mesmo que você não goste de ler sobre a Rússia tanto quanto eu (já li todos os livros de Dostoiévski), ‘Um cavalheiro em Moscou’ é uma história incrível que qualquer um pode curtir”.

“Presidents of War”, de Michael Beschloss

“Meu interesse em todos os aspectos da Guerra do Vietnã é a principal razão pela qual decidi pegar este livro. No momento em que terminei, aprendi muito não apenas sobre o Vietnã, mas sobre os oito outros grandes conflitos que os EUA entraram entre a virada do século XIX e os anos 70. O amplo escopo de Beschloss permite que você tire importantes lições transversais sobre liderança presidencial”.


“The Future of Capitalism”, de Paul Collier

“O livro mais recente de Collier é uma visão instigante de um tópico que é ideal para muitas pessoas agora. Embora eu não concorde com ele sobre tudo – acho que a análise dele do problema é melhor do que as soluções propostas -, seu histórico como economista de desenvolvimento lhe dá uma perspectiva inteligente sobre o rumo do capitalismo”.

Go to Top