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Três livros de Agatha Christie serão lançados no Brasil essa semana

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Victor Tadeu, no Desencaixados

A consagrada Agatha Christie continua fazendo muito sucesso dentro das livrarias brasileiras, e nessa semana a Globo Livros estará lançado três incríveis obras da Rainha do Crime. O anúncio foi realizado através do site oficial da empresa, onde todos os lançamentos serão apresentados publicamente, inclusive um desses títulos é considerado o mais sinistros e engenhosos da autora.

Um Pressentimento Funesto é um dos lançamentos, ele conta a história do casal de detetives Tommy e Tuppence Beresford. A história gira em torno de Ada, a tia de Tommy, ela está internada em uma clínica geriátrica e durante as visitas a sobrinha acaba conhecendo outra paciência do instituto. Subitamente Ada morre e a recente conhecida é transferida para outro local, mas acaba deixando um enigmático quadro de presente para a senhora já falecida.

Sócios no Crime, um dos primeiros romances de Agatha, também está incluso nessa lista de lançamentos. O enredo também gira em torno do casal Tommy e Tuppence Beresford, eles estão recém-casados e recebem o convite do Chefe da Inteligência Britânica para recolocar os detetives em ação na Agência de Detetive Internacional. Através dessa oportunidade eles veem sua carreira crescendo e alcançando novos patamares, por isso, em cada capítulo o casal procura desvendar casos curiosos e sinistros ambientados no final da década de 1920.

Por último, Portal do Destino também será lançado. Novamente o casal de detetives estão presentes na narrativa e ela conta a história do casal já aposentado em uma casa no litoral, com uma biblioteca recheada de clássicos, um cão maravilhosamente fiel e um mordomo sempre a postos. Mas tudo pode mudar em questão de segundos.

É notório como o casal de detetives estão em todos os lançamentos, eles são um dos personagens ficcionais mais almejados pelos leitores de Agatha Christie, inclusive eles envelhecem em cada obra que fazem parte.

A Globo Livros é responsável por lançados diversas obras da Rainha do Crime, você pode conhecer todos já lançados clicando aqui e acessando o catálogo completo.

Todos os títulos serão lançados no dia 29 de agosto de 2019, mas você já pode adquirir seu exemplar na pré-venda através das maiores lojas virtuais do Brasil.

Cinco diferenças entre o filme e o livro Me Chame Pelo Seu Nome

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(Sony Pictures/Intrinseca/Divulgação)

Maria Eduarda, no Mundo Estranho

A adaptação cinematográfica do livro homônimo Me Chame Pelo Seu Nome (Call Me By Your Name) tem sido discutida e aclamada tanto pelo público como pela crítica desde o seu lançamento. O filme, indicado a quatro categorias do Oscar 2018 (e vencedor da estatueta de Melhor Roteiro Adaptado), ganhou prêmios importantes, como de Melhor Roteiro Adaptado no BAFTA.

Na história, que se passa no interior da Itália nos anos 80, um professor universitário recebe um estudante americano, Oliver (Armie Hammer) durante o verão para passar seis semanas com ele, seu filho Elio (Timothée Chalamet) e sua mulher. Oliver e Elio acabam desenvolvendo uma história de amor complexa, afetada por desejos e inseguranças.

Quem leu o livro que deu origem ao filme sabe que o diretor Luca Guadagnino se esforçou para preservar muitos dos temas e passagens originais. Mas é claro que muita coisa precisou ficar de fora. Aqui vai uma lista de cinco coisas que se diferem (e fazem falta) entre o livro e o filme.

1) Os relacionamentos hetero de Elio e Oliver

(Reprodução/Sony)

No livro, tanto Elio quanto Oliver se envolvem com mulheres antes de formarem o casal foco da trama. No livro, Oliver conhece Chiara e Elio se aproxima mais de sua amiga Marzia. As escapadas de Oliver com Chiara são bem despretensiosas, enquanto Elio e Marzia desenvolvem até que uma espécie de sentimento (além do envolvimento carnal).

No filme, Chiara tem no máximo duas cenas e Marzia parece gostar muito de Elio, mas de forma não correspondida. Elio parece realmente só estar usando a menina. Oliver tem em Chiara só mais um passatempo também. Dá para creditar essa mudança à falta de espaço para contar o livro todo, mas é inegável que as relações hetero davam mais profundidade aos personagens.

2) A narração de Elio

(Reprodução/Sony)

O livro é a materialização do meme “não consigo falar, só sentir”. Narrado por um Elio crescido a partir de suas memórias, ele mistura lembranças do passado com jornadas de autoconhecimento e reflexões sobre as angústias do garoto.

Esse fator traz uma intimidade gigante ao livro, passando a sensação de que se trata de um velho amigo contanto daquele verão em que vocês não se viram, mas que ele gostaria que você soubesse como foi. As ações que levam Elio a sentir o que conta são apenas pontos de partida, colocando total ênfase no sentimento e em como ele absorveu aquilo.

Com tanta subjetividade e descrições extremamente detalhadas e profundas, é difícil imaginar como tudo aquilo seria passado fielmente num filme linear. Sem o constante ponto de vista do personagem principal, essa condução psicológica se perde. Não fica claro no filme, por exemplo, por que Elio ignora o primeiro avanço de Oliver (quando este lhe massageia), sendo que já tem sentimentos por ele naquele momento. No livro, é explicado que Elio tomou um susto com a situação, mas gostou.

Mesmo que os sentimentos mais importantes tenham sido passados para o filme com a ajuda das expressões de Timothée Chalamet, isso não se compara à história superenvolvente que nos conduz durante o livro.

3) A ambientação dos anos 80

(Reprodução/Sony)

Na leitura, é complicado dizer em que ano aquele verão se passa, o que no filme é extremamente explicito, tanto pelos comentários dos personagens como pela trilha sonora (muito boa, diga-se de passagem). A sensação é de atemporalidade, como se o vilarejo na Itália que serve de plano de fundo estivesse livre da ação do tempo.

No entanto, a década escolhida ajudou no charme do filme, com a ausência de tecnologia reforçando o isolamento da família.

4) Os personagens secundários

(Reprodução/Sony)

Apesar de os diversos figurantes no filme e uma gama de, no máximo, sete personagens secundários importantes, nenhum deles teve a importância que tem no livro. Na obra, há uma personagem chamada Vimini, vizinha da família, que é uma menina de dez anos com leucemia. Ela participa bastante da história e é muito influente na trama, especialmente para Oliver.

As já citadas Marzia e Chiara são, ates de tudo, pessoas que já vinham participando da vida de Elio e têm no livro um significado maior do que simples interesse sexual. No filme, tudo gira tanto em torno do casal principal que apaga um pouco a dinâmica da família, cuja casa era originalmente retratada como sempre cheia de convidados. O filme ficou mais romântico assim? Ficou, mas também menos complexo.

5) Três dias em cinco minutos

(Reprodução/Sony)

Na parte final do livro, os protagonistas saem do vilarejo em que passaram as últimas seis semanas para ficar três dias em Roma a convite do editor do livro de Oliver. Os três dias são narrados com detalhes, dando ênfase para a última noite deles na cidade, quando aparecem numa livraria a convite do editor.

A noite boemia do meio cultural, o calor do verão, a magia do compromisso de todos ali em viverem o momento, o modo inexperiente com que Elio olha para tudo aquilo, tudo isso induz o leitor a uma viagem no tempo. Grande parte de todo o sentimento de efemeridade, de “seja eterno enquanto dure” está nessas 42 páginas do livro.

A mesma passagem ocorre no filme, mas de forma completamente diferente: eles viajam porque querem e não encontram com ninguém no meio do caminho, a não ser por um trio de completos estranhos que estão ouvindo música numa viela. Nada tão impactante quanto foi a noite narrada no livro. Esse foi de longe o maior pecado no roteiro adaptado, que ganhou o Oscar, mas deixou escapar a possibilidade de deixar o filme ainda mais excêntrico.

Destinos turísticos sombrios para os amantes da literatura de terror

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Fabio Mourão, no Dito pelo Maldito

A primavera é uma das melhores estações para se viajar! Nem tão fria que atrapalhe o passeio, e nem tão quente que torne o trajeto insuportável, o que a torna uma época ideal para atividades ao ar livre. Porém, esse não é um clima que agrade diretamente os amantes do gênero de terror. Nós queremos adentrar castelos sombrios, explorar catacumbas profundas, conhecer lendas fantasmagóricas, e, se possível, dormir em cidades perdidas que só podemos visitar através dos livros.
Foi pensando nisso que selecionamos aqui alguns destinos macabros como sugestão turística para os fãs do terror. E não estamos falando de locações de filmes ou parques temáticos, esses locais são reais e realmente perturbadores.

O Hotel Stanley
Colorado, EUA

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O Hotel Stanley é famoso por ter sido a inspiração para o Hotel Overlook de Stephen King em O Iluminado, mas a sua história real não é menos sombria que a fictícia. O local foi inaugurado em 1909 por um casal no intuito de tratar a tuberculose do marido Freelan Oscar Stanley, com o ar puro da montanha. No longo tempo em que hospeda pessoas de todo o mundo, o hotel coleciona histórias bizarras, sendo considerado até hoje como um viveiro de atividades paranormais. Pode ser que as histórias sejam apenas uma jogada de marketing para atrair os leitores de King, mas, na verdade, a vista do lugar é tão linda, que isso pouco importa aos hospedes. Mas, ainda assim, você pode reservar o quarto 217 por sua própria conto e risco.

Castelo de Bran (Castelo do Drácula)
Braşov, Romênia

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Situado na fronteira entre a Transilvânia e a Valáquia, esta bela fortaleza é tida como o lar do lendário Drácula – embora exista controvérsias. Apesar do próprio Bram Stoker nunca ter visitado a Romênia, a sua descrição do castelo de Bran é bem real: “. . . na extremidade de um precipício fantástico. . . com ocasionalmente uma fenda profunda onde há um abismo com fios de prata onde os rios serpenteiam em desfiladeiros profundos através das florestas.” Já sobre o verdadeiro Vlad Tepes, (um dos líderes mais violentos da história) só é confirmado que ele foi preso no Castelo de Bran por dois meses em 1462. Então, seja para conhecer o homem ou o mito, o Castelo de Bran parece o lugar ideal para um jantar sob à luz do luar.

Floresta de Hoia Baciu
Cluj-Napoca, Romênia

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Enquanto você estiver na Romênia, que tal estender o passeio e dar uma passadinha pela infame Floresta de Hoia Baciu? O lugar, muitas vezes denominado como o ‘Triângulo das Bermudas da Romênia’, ostenta diversos relatos de atividades paranormais que varia desde fantasmas a OVNIs. A própria floresta foi nomeada por um pastor que desapareceu por ali com todo o seu rebanho de duzentas ovelhas. A vegetação local cresce estranhamente, muitos relatam marcas misteriosas de queimaduras nas árvores, e os moradores locais têm medo de frequentar a floresta devido às suas lendas e mitos. Se você é corajoso o suficiente para fazer uma visita, sugerimos que tire muitas fotos e depois verifique as imagens em busca de aparições estranhas.

O Museu da Tortura
Amsterdã, Holanda

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Um pequeno museu escondido no coração de Amsterdã, The Torture Museum é exatamente o que o nome sugere: um museu histórico dedicado a dispositivos de tortura. Porém, o que o torna memorável são os quartos pequenos, sombrios e cavernosos que nos passa a sensação de se estar em um labirinto subterrâneo. Sem contar que muitos dos instrumentos expostos estão liberados para que você possa realmente manipulá-los, a maioria incluindo livros com imagens e instruções que descrevem o seu uso. A experiência varia do cômico ao incrivelmente sombrio e perturbador. De fato não é um passeio indicado para os fracos de coração.

Ilha das Bonecas
Cidade do México, México

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O que é mais assustador do que encontrar uma boneca abandonada olhando para o fundo da sua alma? E que tal centenas e mais centenas delas, mutiladas e decrépitas, penduradas em árvores em uma ilha isolada? Isso é o que você vai encontrar se você se atrever a visitar a Isla das Muñecas em Xochimilco. Lendas relatam que o dono da ilha, Don Julián Santana Barrera, encontrou uma garotinha afogada e pendurou a sua boneca em uma árvore como sinal de respeito. Mas depois que ele ficou assombrado por sussurros e choros misteriosos, ele começou a pendurar bonecas em toda a ilha na tentativa de libertar o espírito da menina. Embora os moradores locais afirmem que o lugar está “amaldiçoado”, os visitantes descrevem consistentemente visões assustadora do lugar. Muitos trazem suas próprias bonecas para pendurar como um tipo de oferenda.

A Mansão Winchester
Califórnia, EUA

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A história de Sarah Winchester pode ser considerada uma das mais fascinantes da história dos EUA. Viúva do magnata William Wirt Winchester, Sarah construiu uma mansão que alegou ser assombrada por todos os mortos pelos rifles de Winchester. Contam que alguém a convenceu de que o único jeito de apaziguar os espíritos das vítimas, seria continuar construindo a sua casa. A casa é conhecida por ser um intenso epicentro de avistamentos sombrios até hoje, além de ser famosa pela sua arquitetura excêntrica e não planejada. Muitos afirmam que Sarah continuou ampliando a casa até o dia de sua morte, quando finalmente todas as construções cessaram.

O Ossário de Sedlec
Kutna Hora, República Tcheca

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Uma capela católica localizada embaixo da Igreja do Cemitério de Todos os Santos, conhecida por armazenar dezenas de milhares de ossos humanos – muitos deles arranjados artisticamente. Crânios e outras peças formam paredes inteiras, guirlandas, sinos, brasões e até mesmo um candelabro espetacular. Embora os ossos sejam fruto de séculos de mortes, o atual arranjo macabro é trabalho de František Rint, um estilista com uma estranha visão artística, contratado para organizar os ossos em 1870. Você pode visitar o ossário marcando uma turnê noturna especial.

Cratera de gás Darvaza (A porta do inferno)
Derweze, Turcomenistão

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Nem todos os lugares assustadores do mundo foram construídos pelas mãos humanas, alguns foram presentes da própria natureza. Quando um campo de gás natural no Turquemenistão entrou em colapso, foi gerado uma cratera com mais de 200 pés de largura e quase 100 metros de profundidade, banhada pelo fogo. Os geólogos incendiaram o lugar em 1971 para evitar a propagação do gás metano, e ele está ardendo em chamas desde então. O resultado é um poço incrível e infernal com chamas de um laranja fervente. Uma vez que o fogo é mais visível durante à noite, muitas pessoas levam barracas e acampam no deserto ao redor. É bom avisar que o lugar não é roteiro das companhias de turismo, e nem mesmo existe um estacionamento no local. Portanto, se você decide acampar por lá, certifique-se de levar suprimentos essenciais para a sua sobrevivência.

Casa do terror de Amityville
Nova Iorque, EUA

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Em 1974, Ronald DeFeo Jr. assassinou seis membros da sua família na infame casa de Amityville. E esse é apenas o começo do histórico trágico dessa residência. A família Lutz – O casal George e Kathy mais três filhos – comprou a casa após o acontecido, mudando-se menos de um mês após os assassinatos, e logo na primeira noite no lugar alegam terem sidos aterrorizados por atividades sobrenaturais. A casa ficou ainda mais famosa quando o autor Jay Anson publicou o livro ‘Horror em Amityville’ em 1977, no intuito de relatar a “verdadeira história” do calvário sofrido pela família Lutz. Embora a casa tenha permanecido como uma residência privada, o endereço mudou na tentativa de desencorajar os visitantes.

Central Nuclear de Chernobyl
Pripyat, Ucrânia

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Se você tem mais de 30 anos, provavelmente já ouviu falar do desastre de Chernobyl de 1986, uma explosão que se tornou o pior desastre nuclear que o mundo já viu. Uma tragédia responsável por muitas mortes diretas e indiretas (o número exato é contestado). Disseram que a sua evacuação seria temporária, e a maioria dos moradores abandonaram a cidade deixando todos os seus pertences, e nunca mais conseguiram retornar para suas casas, razão pela qual o lugar tornou-se um destino turístico apesar do eminente perigo de envenenamento por radiação. Pripyat tornou-se uma cidade congelada no tempo – um verdadeiro museu sem vida na Europa Oriental antes da queda da Cortina de Ferro. O resultado é uma cidade fantástica, incrivelmente misteriosa, e que tornou-se um destino icônico para os fotógrafos, os caçadores de atividade mórbidas, curiosos e paranormais. Além de ser uma excelente sugestão de base para um Super Vilão dos quadrinhos.

Casal que saiu da rua graças aos livros recupera com doações o que foi destruído pela chuva

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O casal Tati e Vinicius se conheceu trabalhando na Cootravipa e quando viviam em situação de rua | Foto: Guilherme Santos/Sul21

O casal Tati e Vinicius se conheceu trabalhando na Cootravipa e quando viviam em situação de rua | Foto: Guilherme Santos/Sul21

Fernanda Canofre, no Sul21

Vinicius Camargo Flores, 34 anos, chegou para trabalhar no sábado (16) e levou um susto. Os livros que ele vende todos os dias, na calçada da esquina da Avenida Borges de Medeiros com a Rua Fernando Machado, estavam jogados na rua, desmanchados pela chuva, formando uma espuma branca que já não deixava identificar que formas e histórias tiveram antes. “Foi um choque, porque é meu ganha-pão diário, a gente paga R$ 20 por dia na pensão com esse dinheiro”, conta ele.

Os livros mudaram a vida de Vinicius e da companheira dele, Tatiane Kubiak, 32, há mais ou menos um ano. Os dois se conheceram há três anos e dois meses, trabalhando na Cootravipa (Cooperativa dos Trabalhadores Autônomos das Vilas de Porto Alegre) e vivendo na rua. Com histórias parecidas, eles se apaixonaram. Durante algum tempo, Tati e Vinicius viviam daquilo que conseguiam ganhar das pessoas em frente ao supermercado Zaffari, da Fernando Machado. Até o dia em que uma professora parou e perguntou se não estariam interessados em pegar alguns livros que ela já não usava e colocá-los na calçada para vender.

“Eu falei que sim e a gente começou com esses 10 livros”, lembra Vinicius. “Agora, tenho cliente que compra todos os dias, tem outros que compram só coleção, tem quem peça pra eu arrumar o que eles querem”.

Nesta segunda, ainda havia restos dos livros que foram desmanchados pela chuva | Foto: Guilherme Santos/Sul21

Nesta segunda, ainda havia restos dos livros que foram desmanchados pela chuva | Foto: Guilherme Santos/Sul21

A venda, que começou improvisada, costuma render em torno de R$ 50 por dia e ajudou o casal a sair da rua, para um quarto de pensão. Por isso, todas as noites quando fechava o expediente do dia, ele colocava os livros dentro das caixas, as arrumava contra a parede do prédio, puxava uma lona por cima e saía confiante de que estaria ali, no dia seguinte. No sábado, quando tudo se perdeu com a chuva, eles já tinham um estoque de 800 volumes, indo de biografias a enciclopédias, de romances a manuais de alimentação.

Poucos meses antes, Vinicius já havia tido que recomeçar do zero. Durante uma das tardes em que Tati, que está grávida de cinco meses, não pode acompanhá-lo, os poucos minutos em que ele saiu para ir ao banheiro foram suficientes para que alguém passasse e levasse seu carrinho com todos os livros e o cachorro de estimação do casal. Assim como dessa vez, ele não sabe quem pode ter sido o responsável. Ficou só a suspeita de que seja alguém que eles conheciam dos tempos de rua. “Dessa vez, só fizeram de maldade e jogaram tudo na chuva”.

Ainda no sábado, porém, as coisas começaram a virar para Tati e Vinicius. O cabeleireiro Marcelo Moura Lima, 39 anos, chegou para abrir o salão que mantém em frente ao ponto do casal, e se deparou com uma cena “deprimente”, em suas palavras. Ele fotografou os livros jogados na chuva e postou a imagem no grupo Vizinhos do Centro Histórico, no Facebook, contando como o material era importante para eles. Com mais de 400 curtidas no post, Marcelo começou uma corrente de solidariedade que, em dois dias, conseguiu reunir 500 livros em doações para que eles voltassem às vendas.

O cabelereiro Marcelo Moura Lima conseguiu reunir doações depois de postar a história do casal em uma rede social | Foto: Guilherme Santos/Sul21

O cabelereiro Marcelo Moura Lima conseguiu reunir doações depois de postar a história do casal em uma rede social | Foto: Guilherme Santos/Sul21

“A gente acompanha o trabalho dele, acompanha a luta e sabe que a rua não é [um lugar] fácil. Quando contava o ocorrido, as pessoas ficavam indignadas, porque é um trabalho. Foi uma iniciativa boa deles, porque pararam com as atividades da rua e conseguiram se firmar ali. A esposa dele está grávida, eles moram em uma pensão e ele precisa desse giro diário para se manter”, explica Marcelo.

Desde sábado, o salão virou também um ponto para recebimento de doações. O telefone de Marcelo também recebeu várias ligações de pessoas interessadas em ajudar e querendo saber se o casal estava trabalhando. “Hoje de manhã, me surpreendi quando cheguei e vi que ali já estava cheio de livros outra vez”, diz ele.

O negócio de Tati e Vinicius funciona porque ela entende da parte do dinheiro, ele dos livros.

Enquanto conversávamos, uma moradora do Centro se aproximou trazendo sua doação de livros, roupas e calçados para os dois. Quando Vinicius viu o nome de Isaac Asimov nas capas de alguns deles, logo virou, empolgado: “Olha, esse vale muito, é um cara da ficção científica. Muito bom”.

Os dois Asimov se juntaram a uma pilha de livros que a professora Maria Zenisse levou em seguida. Ela conta que é cliente assídua do casal. “Porque eles vendem, na rua, coisas boas, com preços populares. Eu, que sou professora aposentada, adoro. Muitos professores param aqui para comprar com eles”, diz ela, que lecionava Filosofia e está aposentada pela rede estadual.

Moradores que conhecem o casal, seguiam trazendo doações e comprando livros nesta segunda | Foto: Guilherme Santos/Sul21

Moradores que conhecem o casal, seguiam trazendo doações e comprando livros nesta segunda | Foto: Guilherme Santos/Sul21

“Agora, a gente precisa de dois carrinhos para poder levar os livros para casa. Porque, como eu estou grávida, não posso ajudar. Ele sozinho não consegue carregar tudo em caixas”, diz Tati. “Quem passa aqui, fala que não é para a gente parar de vender, que é pra continuar que vão nos ajudar”. O companheiro completa: “É que eles nos conheciam de quando a gente vivia na rua, então, viram o nosso progresso. Por isso que querem nos ajudar”.

O sonho dos dois é arrumar uma sala no centro, onde possam colocar os livros. O problema seria ter de pagar o valor de dois aluguéis. Enquanto isso não é possível, Vinicius conta que está à procura de uma banca de madeira que o ajude a tirar os livros da calçada.

Depois de perderem um bebê, no ano passado, ainda durante a gestação, o casal ainda vive a expectativa do primeiro filho. Tati havia ficado em casa no sábado para arrumar as roupinhas de bebê que ganhou de moradores que passam por eles todos os dias. Só ficou sabendo do que aconteceu, quando o companheiro chegou emocionado em casa. Apesar do golpe, ela diz determinada: “Fizeram isso só pra gente parar de trabalhar, mas não vamos parar, nós vamos continuar”.

O casal atende vende livros todos os dias, do meio-dia às 22h.

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Foto: Guilherme Santos/Sul21

Autor de livros sobre crimes é preso por matar quatro pessoas na China

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Estação de Huzhou, na China - Reprodução/Wikicommons

Estação de Huzhou, na China – Reprodução/Wikicommons

Polícia acredita que Liu Yongbiao inspirou obras em seu histórico homicida

Publicado em O Globo

PEQUIM — Um escritor chinês de livros com temática de crimes foi preso pela morte de quatro pessoas. Na introdução de “O Segredo Culpado”, Liu Yongbiao revela que sua próxima obra seria “A Bela Escritora” — um drama de uma autora que consegue escapar da polícia enquanto comete uma série de assassinatos.

A polícia acredita que o autor misturou ficção e realidade ao inspirar seus livros nos crimes cometidos por ele há 20 anos. Ele é acusado de matar quatro pessoas a golpes de cacetete em 29 de novembro de 1995.

“Eu esperei por vocês todo este tempo”, repetiu o escritor aos policiais quando os viu chegarem à sua casa, no leste da China.

De acordo com o site local “Sixth Tone”, Liu entrou na Associação de Escritores da China em 2013. O primeiro de seus livros chegou a ser transformado em um seriado de televisão. No prefácio da segundo obra, “A Bela Escritora”, ele revelou o desejo de que a nova história também fosse adaptada para a telinha.

Liu é acusado de entrar em uma casa de hóspedes com um cúmplice, em Huzhou, para roubar os clientes. Uma das vítimas, nomeada de Yu, reagiu e foi morta. Depois, para encobrir a morte, a dupla resolveu matar um casal que geria o estabelecimento e seu neto de 13 anos.

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