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Good Morning, Midnight : George Clooney vai dirigir e estrelar a adaptação

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Publicado no Papo de Cinema

George Clooney assinou contrato com a Netflix para dirigir e estrelar a adaptação de Good Morning, Midnight, best-seller escrito por Lily Brooks-Dalton, apontado pelo Chicago Review of Books como um dos melhores livros de 2017. A história de ficção científica segue os cotidianos paralelos de Agustine (Clooney), cientista solitário no Ártico que se recusa a deixar a sua estação de pesquisa, e do astronauta Sullivan, a bordo da espaçonave Aether, tentando voltar para casa depois de uma missão pioneira a Júpiter. Isso tudo ocorre em meio a um evento possivelmente apocalíptico se desdobrando em vários cantos do planeta Terra.

Mark L. Smith (O Regresso, 2015) é o roteirista responsável pela adaptação do livro. Aliás, seu trabalho foi entusiasticamente elogiado por Clooney no comunicado oficial divulgado à imprensa: “Há muito tempo admiro Mark, e o seu roteiro para esse filme é verdadeiramente assombroso. Estou animado para trabalhar com os meus amigos na Netflix, também”. O último filme dirigido pelo astro foi Suburbicon: Bem-Vindos ao Paraíso (2017). Mais recentemente ele conduziu dois episódios da série Catch-22 (2019), minissérie do Hulu (inédita no Brasil) em que também atuou como coadjuvante.

A produção de Good Morning, Midnight (embora não esteja confirmado se o título do livro será mantido) começa em outubro deste ano.

‘O Livro dos Prazeres’, de Clarice Lispector, vira filme que privilegia olhar feminino

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Simone Spoladore interpreta Lóri no longa de Marcela Lordy que será lançado no ano que vem, centenário da escritora

Francesca Angiolillo, na Folha de S.Paulo

Rio de Janeiro

A folha avermelhada precisa descer, pousar no ombro da mocinha e, do chão, ser recolhida pelo galã e então entregue a ela. Ali começa um plano-sequência no qual que o casal vai do flerte ao desentendimento —a tônica do relacionamento entre Lóri e Ulisses.

Mas o movimento agitado à beira da lagoa Rodrigo de Freitas acrescenta novas dificuldades às dos personagens de “O Livro dos Prazeres”.

A locação para esse dia das filmagens —que vão até o fim desta semana, no Rio de Janeiro— é linda, mas o som de helicópteros decolando e pousando ao lado invade a cena.

Venta e, ao segurar o chapelão, Lóri acaba por tapar demais o rosto. Passantes curiosos sem querer entram em cena olhando para a câmera. E a folha —nem sempre ela cai do jeito certo.

No décimo take, Marcela Lordy decide simplificar o que pode. “Vou aplicar em pós-produção essa folha.” Vai cair rodopiando, “bem Hollywood”. Mas a história que Lordy escolheu para sua estreia em longas de ficção, após ter feito carreira na assistência de diretores como José Eduardo Belmonte e Walter Salles, não é hollywoodiana.

É de amor, mas um amor construído sobre falhas que só podem ser reparadas cena a cena, sem truque ou técnica.

“Uma Aprendizagem ou O Livro dos Prazeres”, de Clarice Lispector, é a base do filme. No romance, de 1969, Lóri é uma professora na casa dos 30 que não se aprofunda nas suas relações. Conhece e deseja Ulisses, professor de filosofia mais velho, que lhe ensina a viver o amor, dizendo que aguardará até que ela esteja pronta.

A obra, que se passa quase toda dentro do pensamento de Lóri, pareceria inadaptável.

Transformar o fio de trama em roteiro exigiu dez tratamentos, em seis ou sete anos, recorda Lordy, que a partir de certo ponto teve a contribuição da argentina Josefina Trotta —seu filme é uma coprodução com o país vizinho.

Produtora brasileira do filme, Deborah Osborn, da Big Bonsai, diz que “queria muito internacionalizar o filme”, mostrar para o mundo esse “imaginário que permeia a gente a vida toda”.

O imaginário de Clarice não deixou mais de ser redescoberto no exterior, sobretudo desde que o americano Benjamin Moser lançou “Clarice,”.

Na biografia, Moser descreve “Uma Aprendizagem” como “uma espécie de órfão”, depois de “A Paixão Segundo G.H.”. “Na verdade, artisticamente, superar aquela obra atordoante seria difícil para qualquer escritor”, resume.

O resultado, que traz um final feliz, fato raro na obra da escritora, foi considerado menor ou mais fácil —para os padrões claricianos, que não são exatamente a média.

Concebido há quase uma década, o filme de Lordy será lançado no ano que vem. Calhou de ser o centenário de Clarice, lançando holofotes adicionais sobre a produção, que deve ter a companhia nas telas da adaptação de “G.H.” feita pelo diretor Luiz Fernando Carvalho.

“O Livro dos Prazeres” privilegia o olhar das mulheres —e são muitas no set— sobre uma história que, já em 1969, tinha no centro o desejo feminino.

Porém, meio século depois, a relação vertical estabelecida entre Lóri e Ulisses não faria sentido. “Ele desce do pedestal, aprende com ela”, diz Marcela Lordy, a diretora.

Embora veja a relação do casal como “quase abusiva” —a determinada altura do romance, por exemplo, ele a censura por cortar os cabelos sem pedir permissão—, ela acredita que “Clarice estava discutindo gênero ao colocar Ulisses à espera de Lóri”.

O tipo melancólico de Simone Spoladore se mostra perfeito para a esquiva Lóri. Uma mulher inalcançável, diz a atriz, “que se fechou para a dor”, ecoando a conclusão do diálogo rodado minutos antes.

Seu par é vivido por Javier Drolas. Conhecido no Brasil por “Medianeras”, ele atua pela primeira vez em português e suaviza a arrogância de Ulisses —apesar de no filme ele ser argentino, brinca o ator.

Mas, na visão de Drolas, “um homem já mais velho que nunca se apaixonou, algum problema tem”. Seu Ulisses é especialista em Spinoza, para quem “o fim último da filosofia é a felicidade”, e é nessa busca que, diz ele, o personagem “se torna mais humano”.

Spoladore conta ter sido ela também submissa em outras relações, mesmo se “a mulher contemporânea é diferente”. Essa diferença fundamenta o trabalho das roteiristas.

Há nove anos no Brasil, Josefina Trotta diz que Clarice foi das primeiras autoras que leu em português. Nas últimas releituras que fez de “Uma Aprendizagem”, sublinhou o que o livro tinha de ação de fato.

Era muito pouco. A saída foi desdobrar o que havia.

A mãe morta de Lóri ganha peso no filme. Está num crochê que a filha desfaz e refaz, como uma Penélope, e num diário encontrado no apartamento herdado —nele as palavras são de Clarice.

Da vida da escritora, vieram outros elementos para compor essa figura, que se torna não só autora mas ancestral de Lóri.

Os alunos se fazem mais presentes, como Otto, filho de Luciana, única amiga de Lóri. Esta, engenheira e taróloga, é a expansão da cartomante citada no livro somente em uma fala da protagonista.

Vivida por Martha Nowill —que, como Spoladore, havia atuado em curtas de Lordy, caso de “Aluga-se”, de 2012, do qual foi corroteirista—, Luciana é um contraponto a Lóri.

É, diz Trotta, “uma mãe profissional com defeitos”, que não teme se arriscar, à diferença da amiga. Nowill celebra o papel, uma coadjuvante com um destaque que ela reputa incomum no cinema.

Os personagens e situações se construíram a partir da vivência das próprias roteiristas e de mulheres ouvidas no processo.

Ulisses ganha uma sexualidade vista como ambígua; Lóri tem vários amantes —até uma amante.

Todos se tornam, enfim, mais gente, saindo da dimensão “quase sagrada” que, de início, impactou Trotta, como tantos outros, na obra de Clarice.

‘Cemitério Maldito’ completa 30 Anos! Conheça Curiosidades sobre o Clássico

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Pablo Bazarello, no CinePop

Cemitério Maldito (1989) assombrou a infância de muita gente, como a deste que vos fala. O filme, obviamente, é baseado num livro de Stephen King, e tem direção de Mary Lambert.

A história apresenta uma típica família saída de comercial de margarina, com o pai médico (Dale Midkiff), mãe (Denise Crosby), filha (Blaze Berdahl) e filho de 3 anos (Miko Hughes, o menino do meme), se mudando para uma propriedade rural no interior, em uma cidadezinha. Apesar da tranquilidade, uma estreita estrada muito próxima traz um intenso fluxo de caminhões. Fora isso, a paz desta família será ameaçada pela presença de um cemitério de animais nas proximidades, dito trazer de volta seus entes queridos enterrados por lá. Às vezes a morte é melhor.

Como o remake está nos cinemas, resolvemos homenagear este verdadeiro clássico do gênero, que está completando 30 anos de seu lançamento. Conheça algumas curiosidades de Cemitério Maldito abaixo.

Stephen King

A ideia para a história surgiu quando o gato da filha do autor, Smuckey, foi atropelado na estrada. Como forma de homenagem ao animal, tanto no livro quanto no filme, um túmulo revela o nome do gatinho Smuckey.

Stephen King participa do filme vivendo um padre na cena do funeral. O autor também adaptou o roteiro de seu próprio livro para o cinema (o primeiro de sua carreira), e esteve presente durante quase toda a gravação do longa, já que sua casa ficava próxima ao set, no Maine.

O autor considerado mestre do terror já escreveu muitas histórias em sua vida. Mas apenas uma lhe deu medo de verdade. Se trata de Cemitério Maldito, segundo relatou o mesmo.

Elenco

Um dos momentos mais creepy do filme envolve a irmã doente de Rachel, Zelda. Para o papel, a fim de atingir o efeito esperado de estranheza, foi escalado Andrew Hubatsek, um homem.

O pequeno Miko Hughes, que interpreta o filho Gage, tinha apenas 3 anos durante as filmagens. O estúdio exigiu o uso de gêmeos, como se costuma fazer nestes casos com crianças tão pequenas. Mas a diretora Mary Lambert havia ficado tão impressionada com o desempenho do garoto, que bateu o pé por ele no elenco.

Foram utilizados sete gatos da raça British Shorthair para o “papel” de Church, o gatinho do “demo”, durante as filmagens.

Para o papel de Ellie, a filha, foram usadas as gêmeas Blaze e Beau Berdahl, embora apenas Blaze tenha sido creditada no papel. Beau recebeu crédito como Ellie II.

O ator Bruce Campbell, mais conhecido por viver Ash da franquia Evil Dead, era a primeira escolha para o papel protagonista Louis Creed, o pai da família.

Diretora

Este foi o segundo trabalho como diretora de cinema de Mary Lambert, que iniciou sua carreira no comando de videoclipes da Madonna, vide Material Girl (1985) e Like a Prayer (1989). Lambert viria a dirigir a sequência Cemitério Maldito 2 (1992) também, sem o mesmo impacto.

Antes de Mary Lambert assumir o projeto, a oferta foi feita para Tom Savini, técnico em efeitos práticos para terror, que recusou o filme. Depois, Savini viria a dirigir o remake de A Noite dos Mortos Vivos (1990).

Quando a cineasta Mary Lambert apresentou o corte final de Cemitério Maldito, os executivos da Paramount acharam o filme longo demais. Assim, ele precisou ser reeditado. Além disso, acharam o desfecho muito “triste, quieto e emotivo”, por isso um novo final mais gráfico foi filmado.

Vejam só isso! O diretor original seria ninguém menos do que George Romero, criador de A Noite dos Mortos Vivos (1968). Devido a atrasos nas filmagens, o cineasta precisou sair do projeto, dando vaga para Mary Lambert assumir. Romero partiria então para dirigir Instinto Fatal (1988), aquele filme sobre um mico de companhia assassino. Os lendários mestres do terror eram muito amigos, e haviam trabalhado juntos em Creepshow (1982), com Romero dirigindo um roteiro de King. Depois disso, voltariam a colaborar em A Metade Negra (1993), no qual Romero adapta um livro de King para o cinema.

Livro e Filme

Apesar de na época muitos terem se preocupado, não houve exposição do pequeno Miko Hughes às cenas mais violentas e assustadoras. Foi tudo criado através da mágica da edição. Para as cenas mais pesadas, foi usado um boneco. Assim, Hughes foi editado em cenas mais grotescas, sem ser de fato exposto a elas durante as filmagens. Por exemplo, o bisturi que ele usa no final do filme não era afiado.

No livro, a pequena Ellie, a filha, tem poderes psíquicos, assim como Danny em O Iluminado. Mas este fator foi cortado do filme pela diretora Lambert, que achou que não encaixava na história.

Referências

No roteiro original de King, ele utiliza um elemento presente no livro. A aparição de um Wendigo – um demônio nativo americano. A ideia foi cortada do filme. Mas em duas cenas, em que os personagens desbravam o caminho do cemitério à noite na mata, podem ser ouvidos estranhos barulhos, gritos e uivos, derivados desta criatura.

Quem conhece a fundo as obras de Stephen King, sabe que é comum em seus livros personagens fazerem referências a outras de suas obras. Em Cemitério Maldito, o personagem Judd, o vizinho, menciona que numa cidade próxima, um cachorro ficou louco e matou diversas pessoas. Esta é uma referência a Cujo, outro dos livros de King, transformado em filme em 1983, protagonizado pela atriz Dee Wallace. Fora isso, quando Victor Pascow, o estudante que volta como fantasma dando dicas ao protagonista, é levado desfalecido ao hospital, um pôster sobre raiva estampando o cão Cujo pode ser visto na cena.

Além de Cujo e O Iluminado, outra referência contida no livro é Os Vampiros de Salem. A citação ocorre quando Rachel passa por uma placa de Salem´s Lot, outro título de King.

Uma referência que não é de um livro de King ocorre quando Timmy Baterman, o rapaz que foi trazido de volta à vida durante a infância do vizinho Jud, finalmente encontra seu destino, e sua casa arde em chamas com ele dentro. Enquanto é queimado junto ao pai na casa, ele grita: “amo morto, odeio viver”. Esta frase é homenagem à “Noiva de Frankenstein” (1935), dita por Boris Karloff no papel do monstro.

Ramones

Stephen King é fã assumido da banda de punk rock da década de 1970, e faz diversas referências de suas canções ao longo do livro ‘Cemitério Maldito’. Retribuindo o favor, os Ramones gravaram a canção tema do terror, de mesmo nome – que se tornou tão conhecida ou até mesmo mais famosa que o filme em si. Fora isso, o caminhoneiro que causa o acidente chave do filme estava ouvindo outra canção do grupo, ‘Sheena is a Punk Rocker’. Esta participação se deu por conta da diretora Mary Lambert, que tinha um background vindo da música, tendo dirigido alguns clipes da Madonna. A diretora conhecia os Ramones e os convidou para gravar a trilha sonora, sabendo como King era fã deles.

Tolkien narra luta do autor de ‘O Senhor dos Anéis’ na Primeira Guerra

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Guilherme Genestreti, na Gaucha ZH

Dos mais sangrentos embates da história, a Batalha do Somme, na Primeira Guerra Mundial, ceifou a vida de um punhado de ingleses interioranos, metralhados pelo fogo alemão.

Ali nas trincheiras britânicas, um segundo-tenente versado em línguas arcaicas e com uma queda por sagas mitológicas foi poupado da carnificina e usou depois a experiência em ricas descrições de confrontos épicos.

A cinebiografia “Tolkien”, que estreia nesta quinta (23), tenta esmiuçar como certos episódios vividos pelo principal escritor de fantasia o inspiraram na criação de “O Hobbit”, “O Senhor dos Anéis” e “O Silmarillion”.
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Nicholas Hoult e Harry Gilby se dividem no papel de J. R. R. Tolkien –o primeiro na juventude e o segundo na infância. O enredo narra como o garoto órfão, de formação católica, cresceu cercado por histórias de dragões e guerreiros. E conta como desde cedo ele era capaz de formular seus próprios idiomas, com gramáticas únicas, inspirados na estrutura de poemas épicos.

Amadurecido, ele se tornaria um aluno brilhante em Oxford. A eclosão da Primeira Guerra e a sua convocação para o front, entretanto, postergariam a sua trajetória como filólogo respeitado que mais tarde lecionaria islandês arcaico e galês medieval.

Diretor do longa, o cipriota Dome Karukoski despeja elementos em cena como se fossem “easter eggs”, isto é, surpresas que os mais fanáticos deverão logo notar.

Dessa forma, por exemplo, as chaminés da fabril cidade de Birmingham, para onde ele se muda, remetem à crítica anti-industrialista que o autor mais tarde embutiria em personagens como o mago Saruman. E o cavaleiro sombrio que vaga pelos campos de batalha nos delírios febris de Tolkien seria uma alusão aos corrompidos nazgûl.

Também é possível ver sinais do sábio Gandalf nos conselhos do padre Francis, que ajuda o autor na infância, e do professor Wright, seu mentor em Oxford.

“Não busquei fazer analogias diretas, mas enfocar a sua experiência emocional”, diz o diretor. Fã da obra do escritor desde a adolescência, Karukoski conta que o escapismo da Terra-Média, o universo onde as histórias se passam, o ajudou a superar a própria orfandade e algum isolamento na infância.

De todas as referências à obra do escritor britânico, aquela que paira como a mais forte é à amizade. A cinebiografia defende a ideia que a união de Tolkien a três de seus amigos de infância é o que pode estar por trás de sua ode à lealdade, presente na Sociedade do Anel, que aparece em seu romance mais conhecido.

Durante a guerra, o protagonista insiste em resgatar seus companheiros, perdidos em algum lugar do front, e tem o auxílio de um fiel soldado de patente mais baixa e sotaque caipira. Fica claro que a dinâmica é menção à relação entre Frodo e Sam, de “O Senhor dos Anéis”. Não à toa, o militar também se chama Sam.

“Tolkien falava dos homens que lutaram ao seu lado, gente simples do interior, levada àquele morticínio, sendo corrompida pelos horrores da guerra. Eram vários Sams”, explica Karukoski.

 

Outra alusão é mais inconteste. O filme narra o romance entre o escritor e Edith Bratt (Lily Collins), sua companheira da vida toda e fonte de inspiração para as musas de seus livros. O autor deixou cartas aos filhos descrevendo o encanto de ver a sua amada dançando em bosques, e a imagem seria materializada na Lúthien, de “O Silmarillion”, e na Arwen, de “O Senhor dos Anéis”.

Passagens bucólicas como essas, aliadas às mensagens antibelicistas e igualitárias presentes na obra, fizeram com que o autor fosse abraçado pela contracultura nos anos 1960, uma década após a publicação de sua obra-prima.

Enquanto cópias piratas dos livros de Tolkien eram consumidas sob o efeito de LSD, o Led Zeppelin pingava passagens dos livros nas letras de suas músicas. Tolkien era um ídolo hippie muito antes de virar uma referência geek.

A guinada ficou mais intensa quando Peter Jackson adaptou “O Senhor dos Anéis” para o cinema, no início dos anos 2000, numa trilogia bilionária e oscarizada que foi o gatilho para que a cultura pop se voltasse ao fantástico. O sucesso de “Game of Thrones” é só o cume do fenômeno, do qual a cinebiografia parece querer morder um naco.

A Amazon também já depositou suas fichas e prepara uma série sobre “O Senhor dos Anéis” para a sua plataforma sob demanda.

No Brasil, a editora HarperCollins está lançando obras literárias inéditas de Tolkien e novas traduções de livros já publicados. Estão previstos títulos do autor para os próximos cinco anos, inclusive uma nova versão de “O Hobbit”, programada para julho.

Os herdeiros do escritor ainda vivem dos frutos da mente de seu patriarca, morto em 1973. Mas são avessos a todas as adaptações audiovisuais de seus livros.

Desautorizaram, por exemplo, a biografia dirigida por Karukoski. “Adoraria mostrar a eles o meu filme”, conta o cineasta. “Mas foi positivo que não estivessem envolvidos. Pude fazer algo sem servir às necessidades dos herdeiros.”

Motivos para ler O Cemitério Maldito mesmo se você não gostar de terror!

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Maria Confort, no Manual do Homem Moderno

Vamos falar um pouco sobre O Cemitério Maldito, livros de terror e Stephen King?

Em 1983, Stephen King já estava entre os romancistas de terror mais bem sucedidos do mundo, com uma série de best-sellers e adaptações cinematográficas ao seu nome. Enquanto ele já estava se tornando reconhecido como um mestre do gênero, havia idéias tão horríveis de serem escritas que até o rei do gênero tinha medo de se aventurar.

Graças a uma mudança para uma nova casa, uma estrada perigosa e um gato morto, King inventou um livro que ele considerava assustador demais para publicar, e colocou-o em uma gaveta. Um contrato de publicação finalmente tirou o livro daquela gaveta, e nós tivemos acesso a Cemitério Maldito – um romance tão assustador que King não quis mostrar ao mundo.

Nos quase 40 anos desde sua publicação, Cemitério Maldito tornou-se um dos livros mais amados e comentados de King, gerando uma adaptação cinematográfica em 1989 e uma segunda versão que chega aos cinemas em 6 de maio de 2019. Veja mais motivos – além do fato de King ter relutado para publicar a obra – para ler O Cemitério Maldito mesmo se você não gostar de terror!

O livro foi inspirado em acontecimentos reais da vida de Stephen King

A inspiração de Stephen King para Cemitério Maldito veio de forma clara e direta dos acontecimentos de sua própria vida. No final dos anos 1970, King foi convidado para ser um escritor em residência e professor na Universidade de Maine em Orono. Para facilitar isso, ele mudou com sua família para uma casa em Orrington, Maine. Tudo sobre o acordo parecia bom – exceto pela estrada que passava pela casa rural.

Era, como a estrada em Cemitério Maldito, cheia de caminhões pesados ​​e rápidos, e frequentemente ceifava a vida de animais de estimação locais. Como resultado, um cemitério de animais de estimação foi estabelecido na floresta por crianças locais. De acordo com King, ele realmente carregava um sinal que dizia “Pet Sematary” – o título original da obra.

Logo após a família King se mudar para a casa, King descobriu o gato de sua filha morto ao lado da estrada, e eles enterraram o animal no cemitério. Um pouco mais tarde, enquanto a família estava do lado de fora empinando uma pipa, seu filho mais novo – que ainda não tinha 2 anos de idade – correu em direção à estrada em uma cena que claramente espelha os eventos do romance. King conseguiu parar seu filho a tempo, mas as implicações do cenário rapidamente se apossaram de sua imaginação, como ele explicou em uma introdução posterior ao romance: “Mas uma parte da minha mente nunca escapou daquele horrível ‘e se’.” Esse pensamento vívido e horripilante – juntamente com os sonhos mais tarde naquela noite de um cadáver reanimado fora da casa – foi a semente do Cemitério Maldito.

O livro tem relações com outras obras de Stephen King

Como a maioria dos romances de King, Cemitério Maldito existe em um universo povoado por outras histórias, personagens e locais do autor, e o romance faz uma breve referência a eles em vários pontos.

No início do romance, enquanto falava sobre os perigos da estrada e do animal que matou, Jud Crandall refere-se a um São Bernardo que “se enfureceu com a situação de dois anos atrás e matou quatro pessoas”, uma referência ao livro Cujo, de King. Mais tarde, no livro, Rachel Creed está urgentemente dirigindo para casa quando ela passa um sinal de saída que lista Jerusalém Lot entre seus destinos. Jerusalem’s Lot é o cenário para o romance de vampiros de King “Salem’s Lot”.

Em certo ponto, a família também olha para o vale do rio Penobscot, e Louis Creed pensa em Derry, o cenário do livro A Coisa. As referências são pequenas e não afetam muito o enredo, mas são suficientes para lembrar aos leitores que King construiu mundos e mundos ao longo de sua carreira.

A frase mais famosa do livro ainda assusta Stephen King

O Cemitério Maldito será, sem dúvida, lembrado como um dos romances mais memoráveis e horripilantes de King, algo com que o próprio autor parece ter feito as pazes. Mas King parece não conseguir abalar os temas com os quais ele estava trabalhando naquele livro, e a influência que eles têm sobre sua própria mente e seu público. Em sua introdução à versão de 2000 do livro, King admitiu que ele também ainda é frequentemente assombrado pela linha mais memorável do romance: “Às vezes, Louis, morto é melhor.” “Essa lição sugere que, no final, só podemos encontrar paz em nossas vidas humanas aceitando a vontade do universo. Isso pode parecer uma porcaria brega da nova era, mas a alternativa me parece uma escuridão terrível demais para criaturas mortais como a nossa.”, diz King.

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