Harry Potter ensina a lutar contra o preconceito

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Pesquisa revela o que os fãs da série já sabiam: ler as aventuras do ‘menino que sobreviveu’ faz de você uma pessoa melhor

(FOTO: FLICKR/ ESCALLA)

(FOTO: FLICKR/ ESCALLA)

Luciana Galastri, na Revista Galileu

Uma pesquisa, publicada noJournal of Applied Social Psychology, mostra que a leitura de Harry Potter ensina crianças a lutar contra o preconceito. De acordo com os psicólogos responsáveis pelo estudo, da Universidade de Modena e Reggio Emilia, ler a série torna mais favorável a percepção de jovens sobre minorias como imigrantes, homossexuais e refugiados.

Para chegar à conclusão, os pesquisadores criaram um experimento em três fases. Na primeira, ministraram um curso de seis semanas sobre o universo de Harry Potter para 34 alunos da quinta série (também queríamos um curso desses quando estávamos na escola). Depois os estudantes receberam um questionário – e os que se disseram interessados pelas aulas e sabiam mais sobre o mundo bruxo se mostravam mais favoráveis a situação de imigrantes na Europa.

A segunda parte do estudo analisou 117 estudantes do ensino médio – novamente, aqueles que leram e gostaram de Harry Potter tinham opiniões positivas sobre questões homossexuais. E a terceira etapa analisou estudantes do Reino Unido e mostrou que os Potterheads ‘que se identificavam menos com o personagem de Voldemort’ (que, lembrando, quer um mundo dominado por bruxos, onde pessoas sem poderes mágicos não teriam lugar) também se preocupavam com refugiados.

Aparentemente, a maior conquista de Harry não é derrotar Voldemort. Sua luta para manter os trouxas seguros, assim como os bruxos que não são “sangues-puros”, se reflete no pensamento de fãs da série, transpostos no mundo real como um posicionamento mais forte e positivo em relação às minorias. Infinitos pontos para a Grifinória!

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Escritora de autoajuda, a coreana Choi Yoon-Hee, comete suicídio

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Yoon-Hee deixou uma carta revelando uma doença e pedindo desculpas

Escrever mais de 20 livros de autoajuda não ajudou Foto: Reprodução / Article Joins

Escrever mais de 20 livros de autoajuda não ajudou
Foto: Reprodução / Article Joins

Publicado por Diário Catarinense

Contradizendo tudo o que pregava em seus mais de 20 livros e na televisão, a coreana Choi Yoon-Hee, famosa por prestar autoajuda para que as pessoas encontrassem a felicidade, cometeu suicídio, junto ao seu marido, aos 63 anos.

Conforme informam as agências de imprensa da Coréia, Yoon-Hee – também conhecida como a “sacerdotisa da felicidade” – enforcou-se junto com seu marido na habitação de um motel de Goyang, ao norte do Seul. Seu marido tinha 72 anos.

Yoon-Hee deixou uma carta pedindo desculpas aos seus seguidores, familiares e amigos, e explicando os motivos de suicidar-se. A carta foi divulgada pela polícia. “Tive um momento muito difícil porque sofro do pulmão e do coração”.

Em seus livros de autoajuda, a escritora pregoava fórmulas para alcançar a felicidade e a esperança no país desenvolvido que conta com a taxa de suicídios de mulheres mais alta do mundo e a segunda mais alta para os homens, depois do Japão.

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“Nenhum autor escreve um best-seller de propósito”

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O autor de ‘A verdade sobre o caso Harry Quebert’, que já vendeu dois milhões de exemplares, conta que encontrou o sucesso escrevendo “apenas para se divertir”

Marina Rossi, no El País

 

Joël Dicker, em uma foto de 2013. / Carmen Valiño

Faz apenas dois meses que o livro A verdade sobre o caso Harry Quebert (Intrínseca, 39,90 reais) foi lançado no Brasil, mas as vendas já passaram dos 20.000 exemplares. O frisson, talvez causado pelo imenso número de exemplares vendidos no exterior – foi traduzido para mais de 30 idiomas e só na França vendeu mais de dois milhões de cópias -, talvez pelo fato de o autor ter apenas 29 anos ou talvez pelo simples fato de o livro ser bom mesmo, está fazendo do escritor suíço Joël Dicker uma estrela pop da literatura. E ele é um dos queridinhos da 12ª edição da Flip, que começou na quarta-feira.

Mas o sucesso não veio do dia para a noite para esse rapaz. Embora jovem, Dicker escreveu cinco livros, todos rejeitados pelas editoras, antes de seu best-seller, que demorou dois anos e meio para ficar pronto, chegar às livrarias. O que diferencia seu romance policial, sucesso de vendas, dos outros livros que foram recusados? “Eu cresci nos últimos anos e talvez Harry Quebert seja um romance mais maduro do que os outros”, disse o autor, em uma entrevista por e-mail, em seu segundo dia no Brasil. Além disso, “Quebert foi escrito sem nenhuma outra expectativa além do prazer de escrever, o que é um processo bem diferente”.

O livro conta a história de um jovem escritor de 28 anos, Marcus Goldman, que fica rico com o sucesso de seu primeiro livro. Pressionado e em crise para escrever o segundo título, Goldman é convidado a passar uns dias na casa de seu professor e tutor, Harry Quebert, em Aurora, uma pequena cidade fictícia em New Hampshire, na costa leste dos EUA. Chegando lá, descobre a misteriosa história de Nola Kellergan, uma jovem que desapareceu há mais de 30 anos e, por coincidência, foi a namorada de Quebert, o maior suspeito do crime. Tudo vem à tona quando o cadáver da jovem é descoberto no jardim de Quebert. Para provar a suposta inocência do adorado amigo e professor, Goldman sai investigando a história, que se enrola e desenrola ao longo das mais de 500 páginas do livro.

Um livro de verão, para levar nas férias e esvaziar a cabeça. Ainda que seja uma literatura respeitável para um jovem de vinte e poucos anos, Dicker se perde um pouco em alguns clichês – antes de cada capítulo, há um pequeno diálogo entre Goldman, o pupilo, e Quebert, seu tutor que lhe dá conselhos amorosos e dicas para a escrita de um livro. E talvez se enrole demais com as idas e vindas, que acontecem em um ritmo mais frenético nos cinco últimos capítulos.

Pergunta. Você escreveu cinco livros antes do seu best-seller A verdade sobre o caso Harry Quebert.Todos eles foram rejeitados pelas editoras. Quais são as diferenças entre Harry Quebert e os outros livros?

Resposta. É uma boa pergunta. Eu definitivamente cresci durante esses 10 anos que se passaram e talvez Harry Quebert seja um romance mais maduro que os outros. O que posso dizer com certeza é que os primeiros cinco romances foram escritos para serem publicados. Quebert foi escrito sem nenhuma outra expectativa além do prazer de escrever, o que é um processo bem diferente.

P. Você disse em uma entrevista que você escreveu Harry Quebert “apenas por diversão”, já que você não acreditava que seria um livro de sucesso. E que se fosse rejeitado também, você faria outra coisa da vida. O que faria nesse caso?

R. Com certeza eu continuaria escrevendo. Mas eu teria que encontrar um trabalho “full time” e escrever apenas durante os finais de semana. Preciso fazer uma pequena correção: Eu não escrevi Harry Quebert apenas por diversão, eu escrevi para me divertir, o que é levemente diferente.

P. Você escreveu livros que foram rejeitados e, ao mesmo tempo, um best-seller. Por que você acha que Harry Quebert é um grande sucesso?

R. Nenhum autor consegue escrever um best-seller de propósito. Um autor pode apenas escrever livros, que podem vir a ser um best-seller apenas se os leitores, as livrarias e os críticos decidirem por isso. Meu livro se tornou um best-seller na França só por causa do boca a boca. Eu era um autor desconhecido, publicando um livro por uma editora bem pequena. A primeira pessoa que prestou atenção no meu livro foi o vendedor de livros, que gostou e sugeriu aos clientes, que gostaram e sugeriram aos amigos. Eu sou muito grato por esse suporte que foi o grande responsável pelo sucesso do meu livro. Você sabe, a beleza e a mágica dos livros não é algo científico, não há uma receita. Não é possível dizer exatamente por que um livro faz sucesso e outros não. Tem algo a ver com a química entre os leitores e a história.

P. Por que você escolheu a costa Leste dos EUA como lugar para a história se passar? Por que não a Suíça ou algum outro lugar da Europa?

R. Por três razões. Primeiro, meu romance anterior se passava na Europa e eu senti como se precisasse tentar um novo lugar para configurar a minha história. Segundo, eu estava passando um tempo na costa Leste quando comecei a trabalhar neste livro. Eu passei todos os meus verões lá por mais de 20 anos consecutivos, então esse é um lugar que eu conheço muito bem. Terceiro, porque eu queria contar a história usando a primeira pessoa (o “eu”, que é a voz do Marcus) mas que não fosse algo autobiográfico. Então eu senti que precisava colocar alguma distância entre a minha vida em Genebra e o narrador do meu livro.

P. De onde vem essas “dicas de escritor” que estão no livro? Você as segue?

R. Essas dicas são pura invenção. E elas nem mesmo são dicas! Eu não só não as seguiria, como elas são exatamente o oposto de quando eu escrevo! Como eu já te disse antes, eu acredito que não há dicas ou receitas para escrever um livro. Em Harry Quebert, as dicas são para lembrar aos leitores da original relação metre-pupilo entre Harry e Marcus.

P. Harry Quebert diz a Goldman que ele precisa saber o fim da história antes de começar a escrever o livro. Você sempre soube quem matou Nola?

R. Não, não soube. E isso é outra prova de que as dicas de Harry não são para serem seguidas!

P. Você está escrevendo outro livro? Está pensando em um novo thriller?

R. Sim, estou trabalhando em um novo, mas não, não é um thriller. É engraçado porque eu nunca considerei que Harry Quebert fosse um thriller. Na França, ele não é considerado um thriller. O livro começou a ser mencionado como tal quando a versão estrangeira do livro foi publicada.

P. O escritor Joca Reiners Terron disse na Folha de S. Paulo que seu livro era uma “literatura de banheiro”, ou algo que você só lê no banheiro, quando não tem nada melhor para ler. O que você acha dessa crítica?

R. Em primeiro lugar, eu estou muito bem como todas as críticas do meu livro, não importa se sejam boas ou ruins. Contanto que os críticos expliquem o que eles gostaram ou não gostaram, eu respeito todas as opiniões. Pessoalmente, existem livros que eu gosto e livros que eu não gosto. No meu caso, como sou muito jovem, eu li as críticas com um ponto de vista particular: Eu tenho apenas 29 anos, eu escrevi Harry Quebert entre os 25 e os 27 anos, então eu tenho certeza de que posso fazer melhor! Pelo menos é o que eu espero, e seria uma vergonha se eu já tivesse escrito um livro perfeito, pois isso significaria que eu não poderia fazer nada melhor mais. Então eu sempre tomo nota sobre o que os críticos dizem e uso isso para melhorar o meu trabalho no meu próximo romance. Sobre o comentário da “literatura de banheiro”, eu não tenho certeza se poderia fazer algo sobre esse tipo de observação. Mas é justo: Você não pode agradar a todo mundo. Eu espero que o crítico goste mais do meu próximo livro.

P. Como você classificaria seu livro se fosse um crítico?

R. Eu não sei, porque não sou um crítico. Eu acho difícil para um autor criticar livros. Na arte, no cinema ou na pintura, não são pintores ou cineastas que fazem as críticas dos trabalhos de alguém, mas um jornalista especializado e com esse domínio. Da mesma forma, escritores não deveriam fazer a crítica dos livros de outros escritores.

P. Você está gostando do Brasil?

R. Muito! Estou há apenas dois dias aqui, mas estou achando incrível a atmosfera do Rio de Janeiro. E eu também estou muito impressionado com o quanto a indústria de livros parece ir bem no Brasil!

P. Você já leu Meu pé de Laranja Lima (escrito por José Mauro de Vasconcelos em 1968). Existe outro livro brasileiro ou algum autor brasileiro que você gostaria de ler ou conhecer?

R. Sim, meu editor brasileiro me deu Memórias Póstumas de Brás Cubas, do Machado de Assis (em francês, claro). Eu acabei de começar e estou gostando muito!

P. O que você espera da Flip?

R. Eu estou muito animado com a Flip porque eu tenho ouvido muito sobre o evento. Tem uma reputação de ser um festival rigoroso e de alto nível e é uma grande honra para mim ser convidado. Estou esperando conhecer outros autores e por falar sobre o meu trabalho.

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Juiz impõe multa de até R$ 2.896 para professor que não cantar o Hino Nacional

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Oito docentes foram intimados a comparecer na delegacia por não terem cumprido a medida

 A determinação obriga escolas públicas e privadas de ensino fundamental a tocarem o hino nacional (foto: Agência Brasil )

A determinação obriga escolas públicas e privadas de ensino fundamental a tocarem o hino nacional (foto: Agência Brasil )

Publicado no R7

O juiz José Brandão, que trabalha na comarca de Conceição da Feira (localizada a 130 km de Salvador), adotou uma medida que prevê detenção ou multa por “abandono intelectual” contra professores que não cantarem o hino nacional.

A portaria judicial já está em vigor e integra um estudo idealizado pelo juiz, que também pretende reduzir a evasão escolar no município.

Em Crisópolis (BA), cidade em que o Brandão implantou a mesma medida em 2013, oito professores foram intimados a comparecer na delegacia por não terem cumprido a ordem.

Regras

A portaria obriga escolas públicas e privadas de ensino fundamental a tocarem o hino nacional pelo menos uma vez por semana, sob a pena de multa variável de até quatro salários mínimos. Segundo o autor, o objetivo é fazer cumprir a lei federal nº 12.031/09, que regula os símbolos nacionais.

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Vilão, O Herói da História

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Maik Barbara, no Homo Literatus

Em tramas sempre aparecem os personagens clássicos! Hora personagem bonzinho, hora personagem malzinho. Personagens planos, e redondos. Aos autores que se dedicam a criar personagens redondos (criatura + meio em que vive + psicológico + transformação durante a trama), e acima de tudo personagens redondos maléficos, antagonistas com fortes propensões a mudarem a forma em que o leitor é atingido e mudado: a esses autores a boa sorte os acompanha, Caso tenham a destreza de tramarem uma ótima história e trabalharem bem o enredo.

Sim, esse é um tema complexo que cabe estudos mais profundos. Para tanto, se for pego a raiz da palavra antagonista teremos: antagonista: o que se opõe! Essa seria uma ótima breve conclusão para o que resume uma personagem como esta. Do grego: ἀνταγωνιστής, ou antagonistes, significando: rival, oponente, competidor, aquele ou aquilo que dificulta.

Pois bem, tomaremos então a linha de raciocínio sobre personagens de livros e filmes, ou filmes inspirados em livros, haja vista que para o jovem escritor o exemplo cinematográfico fica muito mais viável de entendimento e de fácil e rápida assimilação – bastar ver o filme se não o conhece. Entretanto há de se entender que mesmo filmes têm seus autores por trás, roteiros e ideias divisoras de águas não brotam do chão, vêm também de alguém que teve que escrever para ser lido!
Antes, no entanto, há de se questionar sobre duas questões:

1. Na literatura o antagonista seria exatamente o oposto do protagonista! Correto?
Resposta: Sim, seria.

2. Ele, portanto, seria o vilão, o malzão. O que só quer destruir, atrapalhar, fazer mal, dominar o mundo, assassinar, enfim, fazer o que é julgado “mal” pelo protagonista?
Resposta: NÃO.

Pois bem, a resposta dois é abrangente em dezenas de respostas que podem ser ponderadas, ainda mais se considerar as mudanças que a personagem pode ter durante a trama, tanto mudanças psicológicas, de convicção, físicas, entre outras. Ou até mudança de ponto de vista. Pensando da seguinte maneira, se uma personagem enxerga que a bandidagem organizada está tomando conta de um sistema corrupto de leis e policiais, o que fazer? Talvez seria o ideal quebrar o sistema econômico para que o dinheiro não valha mais como “moeda” de suborno e, sendo assim, não haveria mais como corromper o corrupto que se vende mediante suas ambições. Correto?

Talvez seja correto, mas como “quebrar” esse sistema? Vejam o exemplo que a completa personagem do Coringa dá no HQ (quadrinhos) e posteriormente em sua adaptação cinematográfica Batman: O Cavaleiro das Trevas.

Um antagonista tanto na literatura quanto no cinema, artes, teatro, música, e até em medicamentos, é aquele que representa o contrário do que a personagem principal se dedica e propõe a fazer, seja em uma história, romance, peça teatral, música, ou receita farmacológica. Seja fazer o bem, o mal ou ambos (anti-herói). Isso tudo considerando o véu da perspectiva da narrativa. Ele dá o equilíbrio, o balanço exato.

Ainda, o antagonista não se resume apenas a uma pessoa, mas também pode ser definido por um grupo de pessoas, ou uma instituição, uma máquina, um animal, um objetivo, uma parte da paisagem, e até mesmo por um lugar. Ou seja, se torna aquilo que se opõe ao objetivo do protagonista.

Num breve exemplo atípico: se uma trama narra a história de um vilão – julgado assim pela sociedade –, sob o ponto de vista de tal malfeitor, aquilo que é feito e tomado como maléfico talvez não seja algo mal, ou esse mal não chegar a ser tomado pelo leitor conscientemente, todavia continua a desempenha-lo devido a algum fator externo. O publico por sua vez fará seus julgamentos e conclusões.

Já por outro lado, o antagonista da trama se tornaria o vilão, pois o protagonista da história seria o contrário e opositor dos objetivos do foco da narrativa, dessa forma aquele que faz o mal se torna o herói, ou o protagonista. Tal como no exemplo acima do Batman: O Cavaleiro das Trevas, se a trama fosse narrada a partir do ponto de vista do Coringa, ele estaria fazendo o certo julgado sob seu ponto de vista, fazendo o melhor para a cidade (sob métodos nada ortodoxos), e o Batman seria seu inimigo, seu antagonista, seu vilão.

Desconstruindo ideias!

LOCAIS

Há enredos e tramas que se passam em locais tão hostis que não é necessário encarnar um personagem para que o mal aconteça ao(s) protagonista(s).

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De certa forma, o ambiente hostil e totalmente anormal de Alice no País das Maravilhas (1ª Ed. 1865 – Charles Lutwidge Dodgson/Lewis Carroll) carrega sua carga de vilão da história narrada devido justamente ao que o autor fez quanto colocar o cenário na perspectiva da heroína e personagem principal, Alice. Sob os olhos da protagonista, acima de seu desejo de sair daquele lugar estava o medo pelo ambiente que estava, haja vista os perigos que a aguardavam a cada passo dado rumo ao desconhecido.

Em outro exemplo mais popular e de fácil visualização está a ilha do seriado televisivo chamado LOST, escrito, adaptado e dirigido por J. J. Abrams. No início, a ilha por si só já era o suficiente para ser o vilão da história.

Em O Parque dos Dinossauros, ou Jurassic Park em seu título original (1ª Ed. 1990) do autor Michael Crichton, há algumas ambições humanas envolvidas no enredo, mas a trama foca-se sobre a ilha, seus perigos mortais e, enfim, nas criaturas diversas que ali vivem. O ambiente novamente é o foco maléfico da narrativa.

GRUPO | INSTITUIÇÃO

Já em outros momentos o protagonista vê-se diante de conspirações, corrupção ideológica, politicagem internacional, interesses capitalistas, batalhas intergalácticas por dominação, entre muitos outros tipos de conflitos. Estes dos quais são frutos de um fator antagônico que pode se definir pelo interesse e ação de um grupo e não de um personagem em específico.

Nesses casos, quando um personagem desse grupo deixa de existir, o perigo, a oposição ao enredo ainda continua.

PERSONAGENS

Mas, vamos ao que a maioria dos escritores se interessa mais: ao antagonista encarnado, reto ou redondo, seja lá a forma que ele tenha!

Um antagonista tem várias características e facetas, pode seguir inúmeras vertentes, e cada um tem sua ideia de certo e/ou errado. Alguns têm a ilusão de fazerem o melhor, o bem. Mas, é analisando o tipo de sentimento que está envolvido na causa de cada objetivo que se consegue ter uma visão primaria da situação geral que se encontra o “vilão”.

Sentimentos são foco de exploração literária desde sempre, sejam em histórias contadas pelos homens das cavernas aos seus meninos das cavernas sobre os perigos do Tigres Dente-de-Sabre, incitando o medo e promovendo a autopreservação, seja pela coragem necessária para encarrar um oceano e seus perigos mortais a fim de matar uma obsessão, Moby Dick, mostrando a superação e enfrentamento pessoais.

Se egoísmo, ganância, ódio, prazer, ou qualquer outra paixão desse tipo estiver envolvido no objetivo final do personagem, logo esse sentimento se define por ser a causa, e por consequência esse “mal” desempenhado pelo antagonista seria o efeito. Simples lei da troca equivalente segundo os antigos escritos alquimisticos, ou a atual lei de causa e efeito. Claro que há também muitos outros tipos e classificações a se considerar.

Tomando ainda, por exemplo, os psicóticos como alvo de estudo: tal como o Coringa já citado anteriormente, este da nova trilogia Batman dirigida por Christopher Nolan.

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Não seria um grande problema ele ser um louco maníaco, mas o agravante é: ele é um louco maníaco com motivos, diga-se de passagem até muito interessantes e úteis se conseguirmos eliminar o olhar hipócrita da sociedade sobre seus ideais.

No filme The Dark Knight (O Cavaleiro das Trevas – 2008) ele apenas queria abrir os olhos dos gananciosos da cidade e desregular a economia de Gothan. Seu objetivo era dar um tapa na cara dos moradores da cidade para acordarem e tomarem alguma atitude contra a putrefação social que tudo se encaminhava. Claro que o Coringa é muito mais complexo que isso, há também o fato dele não querer matar o Batman. Sim, de fato o Coringa nunca quis matar seu inimigo, matar o Batman, mas sim DERROTÁ-LO ou até destruí-lo (por dentro). Joguetes e decisões de vida ou morte são exemplificados claramente no HQ, já no filme isso pode ser visto também, mas deve-se ter certo senso e percepção para colocar em palavras aquilo que está se vendo.

Partindo desse pressuposto, ou seja, que nem todos têm um senso crítico apurado para enxergar aquilo que vê, os livros e escritos estariam à frente dos filmes, mas apenas se o escritor fizer esse papel de colocar nas linhas lidas pelo público aquilo que ele deseja plantar na trama e objetivos do enredo. Parece uma ideia simples e lógica, mas nem sempre tão claro para o escritor em meio aos seus objetivos ao escrever o livro. Inspiração, talento, criatividade podem ser o principal, mas técnica se torna essencial.

Outro destaque que fica mais claro nos escritos do HQ que no filme é: o Coringa ainda tem um elemento maior a se destacar, ele é um agente do caos, sendo assim não precisa de motivos para fazer o que faz! Tal como em sua descrição: louco maníaco, distúrbio psicológico grave com psicopatias acentuadas.

Nesse exemplo pode-se perceber a magnitude e tamanho que o antagonista tem mediante a também magnitude e tamanho, complexidade do protagonista, ou seja, o que seria do Batman sem seu vilão.
Ou seja, o autor deu a devida atenção à intensidade e dimensão de uma personagem a fez ser ser proporcional ao seu oposto. O Batman foi moldado de uma forma a ser gigantesco em significado, inteligência, astucia e, principalmente, em simbologia. Da mesma forma não poderia ser colocado em seu caminho um antagonista medíocre, e isso não foi feito!

Partindo para outra visão, há de se questionar se existem arquétipos a serem usados na construção de um antagonista. Há sim arquétipos na psicologia que podem, e são usados na formação da personagem, mesmo inconscientemente pelo autor, o qual carrega esse fardo numa trama. Mas, esse é um extenso tema a abranger em outro post. Ou para ser lido no livro O Herói de Mil Faces, de Joseph Campbell. Diga-se de passagem, a magnitude de Darth Vader e a mitologia de Star Wars deve muito à longa consultoria feita por Campbell à George Lucas enquanto Lucas desenvolvia esse roteiro.

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Dentre os arquétipos antagônicos há os mais conhecidos, e usados, tais como: tirano, bastardo, demônio, trickster, traidor, proscrito, gênio do mal, sádico, terrorista. Cada qual com sua característica e formação clássica. Aliás, quaisquer arquétipos podem ser usados, e até combinados para a construção de uma personagem, haja vista que para ter-se um opositor às ações do protagonista, não é necessariamente uma regra que o antagonista seja mal! De fato nem todo antagonista é mal, mas de certa forma é o vilão.

O sistema de inteligência artificial Hal 9000, da série Odisseia Espacial, de Sir Arthur C. Clarke, aparecendo primeiramente em 2001: Uma Odisseia no Espaço (1ª Ed. 1968), é dado como o ilustre e inusitado protagonista da história, mas ao cometer um erro no primeiro livro tudo muda, e o que segue é uma angustiante batalha entre Homem e máquina. Julgado por alguns até como antagonista.

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Na série televisiva intitulada Dexter. Apesar da trama justificar seus assassínios como ele sendo um serial-killer de serial-killers, o herói protagonista não deixa de ser um assassino em série. Mata não para livrar a sociedade de serial-killers, mas também para saciar seu próprio vício. A série é narrada do ponto de vista de Dexter.

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Portanto, na história ele é o personagem principal. Sim é! Na história ele é o protagonista. Sim é! Na história ele é bom. Não, não é. Por que não? Por que a sociedade e leis que a regem condena o ato de assassinar pessoas, não importando o tipo de pessoa.

Quem é o antagonista no seriado? Esse seria o papel da polícia, ou qualquer pessoa de bem que ameace descobrir sobre seus atos. Haja vista que a série tem sua trama sob a perspectiva do “vilão”. Portanto, em Dexter, a polícia seria ironicamente o antagonista!

ANTI-HERÓIS

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Os que mais gostamos! Fazem tudo que queríamos, da forma que queríamos e não se importando muito com as consequências.

Ainda em outro exemplo, exemplifica-se os anti-heróis.

Geralmente um tipo de personagem que pratica a “justiça” de sua própria forma e sob seu julgamento, segundo sua ideia de certo ou errado, sob métodos próprios e nada normais (para não citar justos ou corretos tal como poderia ser julgado pela sociedade), tudo baseado em motivos egoístas, pessoais, vingança ou qualquer gênero que não seja altruísta (quando as ações de um individuo beneficiam outrem). Em resumo são manipuladores, imprevisíveis, social e emocionalmente desapegados, mas acima de tudo são sinceros e não hipócritas, e esse é um dos motivos pelo qual conquistam e cativam tanto o publico: eles fazem o certo tal como muitos gostariam de fazê-lo.

Qualquer personagem que tiver em si um perfil muito bem traçado terá um resultado excepcional quanto à empatia do público aos seus escritos. Sendo assim, qualquer anti-herói é o protagonista de sua história, e do outro lado o antagonista seria quem quer o impedi-lo de fazer o que se propõe a fazer.

O Doutor House da série já encerrada que carregava o nome do protagonista é um excelente exemplo de anti-herói. Ele era um asshole – como muitos o chamavam no seriados –, um babaca, ou ao pé da letra como baixo calão um “cuzão”, todavia salva vidas aparentemente sob circunstâncias enigmáticas e impossíveis, tudo devido sua genialidade. Além de ser ótimo no que fazia. Seu defeito: subestima as pessoas, suas inteligências, emoções e profissionais à volta. Também era excessivamente acido e amargo em seus comentários. Falava o que pensava e dizia o que muitos não falariam, mas gostariam infinitamente de dizerem, se não, gritar! Sim, um babaca que todos adoram.

Esse exemplo deixa bem claro que nele era feita a projeção das vontades do publico de como gostariam de ser em certos aspectos e momentos.

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O Wolverine, personagem adorado por muitos, principalmente devido à imagem que a franquia de filmes lançados nos últimos anos o deu. Já nos HQs ele sempre foi traçado como um sem-rumos, andarilho condenado pelos outros heróis por sua selvageria, atos e instintos animalescos, sem mencionar o temperamento estourado, paciência quase zero, e garras de adamantium para arrancar o sorriso de rosto de qualquer um que o irrite… ou arrancar o rosto todo!

Alguém que resolve tudo como qualquer homem da idade do público-alvo destinada as história gostaria de resolver. Escrito e direcionado com foco, criado com objetivos e criativamente.

Outra projeção bem sucedida das vontades do publico quanto à personagem principal.

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Jack Sparrow
Ele sorri para você, mas não se iluda. Ele também pensa em te trair, extorquir, chantagear, estuprar,
e atirar a qualquer momento – não necessariamente nessa mesma ordem! Afinal de contas, ele é um pirata!

Jack Sparrow também pode ser citado. Conhecido pirata desastrado e primordial da franquia cinematográfica Piratas do Caribe. Ele é um pouco de tudo listado acima, ou seja, características de um vilão, mesmo assim os espectadores o adoram. Um trickster e traidor que revela uma personagem redonda, ou esférica, a qual muda e oscila durante toda a trama.

Ele foi quisto e a empatia aconteceu, e até detalhes importantes sobre a persona de um pirata foi esquecida mediante a destreza do escritor que fez o roteiro do filme. Ou seja, o publico se espelhou tanto e até crianças desejaram ser um pirata sem nem mesmo pensar que mesmo Jack Sparrow: saqueia, estupra, rouba, assassina, decapita, enforca, mente, engana, mata a sangue frio, extorque, iludem, ludibria, embebeda, etc.

A fama foi tanta que lhe rendeu um filme solo, o quarto da franquia. E em um ano e meio aproximadamente será lançado o quinto filme ainda mantendo Jack na trama. Uma série de livros infantis/ infanto-juvenis foi lançada sobre o jovem Jack Sparrow. O autor é Rob Kidd.

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E isso não seria o perfil de um herói, seria? Ou de alguém que merece admiração, seria?

Não é por que um personagem é engraçado que não pode ser um vilão, ou no mínimo um anti-herói.

Loki da mitologia nórdica e também destaque nos HQs e ultimamente nos filmes de ação envolvendo seu meio-irmão Thor (Loki é adotado por Odin), e até antigamente em filmes tal como a comédia O Máscara (1994) – do qual tem um objeto, uma máscara que era munida de poderes que o Deus Loki havia conferido a ela e a qualquer usuário da mesma. Ele que não deixa dúvidas, o maior trickster de todos e ainda admirado!

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Por fim, ao jovem escritor não há fórmula para se criar uma personagem, assim como para se escrever um livro. Mas sim! Existe bom senso e metodologia. Se acompanhar a série de vídeo instrutivos e para discussão no canal do Homo Literatus intitulado “A Arte de Contar Histórias por Escrito” voltado para jovens autores (e até alguns veteranos mau instruídos), verá que não basta apenas talento e criatividade, mas há a necessidade de muita teoria por trás da criação e desenvolvimento continuo do autor e escritor!

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O preponente a escritor deve pensar bem na construção de cada personagem. Eles podem se tornarem ainda maiores que a própria trama e/ou enredo. Talvez para alguns facilite usar a estratégia dos jogadores de RPG que fazem fichas onde há todas as características físicas, psicológicas, comportamentais, etc., de seus personagens. E até colocarem a descrição do tipo de personagem, reto/ linear ou redondo/esférico, sem mudanças durante a trama, ou com mudanças durante a trama, respectivamente. Ou talvez seja interessante traçar uma linha do tempo e definir como o personagem estará em cada momento do enredo, criando assim uma meia de mudanças.

Enfim, há inúmeras metodologias de criação… mas, o mais importante é: não deixe a criatividade de lado! O potencial do novo autor brasileiro é colossal e o mercado/ público vem reconhecendo-o e dando o devido valor que merece cada vez mais! A mitologia nacional é inexplorada. Um território que há ainda muito a se desbravar com enredos alocados pelas terras tupiniquins.

Sempre há um novo e original para se descobrir, criar, desconstruir e construir…

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