William Douglas

Biblioteca Particular de Fernando Pessoa sai pela primeira vez de Portugal e vai até Paris

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Publicado no Comunidade Cultura e Arte

A Biblioteca Particular de Fernando Pessoa sai pela primeira vez do país, na próxima semana, para ser exposta em Paris, no âmbito do Festival Do Desassossego, organizado pela Fundação Calouste Gulbenkian, anunciou a Casa Fernando Pessoa (CFP).

“São cerca de 800 títulos, o espólio mais valioso da casa Fernando Pessoa, que serão mostrados ao público francês até 06 de novembro“, disse à Lusa fonte daquela instituição tutelada pela Empresa municipal de Gestão dos Equipamentos e Animação Cultural (EGEAC), de Lisboa.

“Além do valor por terem sido oferecidos ou adquiridos e lidos por Fernando Pessoa, a este conjunto de livros acresce o valor incalculável das notas que o escritor deixou nas margens, capas, contracapas, por vezes suporte de poemas completos, manuscritos a lápis. A marginália [as notas, escritos e comentários pessoais] faz desta biblioteca uma biblioteca ainda mais particular“, sublinhou a mesma fonte.

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A exposição, que é inaugurada na próxima terça-feira, é comissariada por Paulo Pires do Vale, também responsável pela nova museografia da CFP que “em breve” disponibilizará de forma permanente a exposição deste espólio em Lisboa.

Os livros da Biblioteca Particular foram mostrados em diferentes alturas na CFP, “dentro do que tem sido possível e tendo em conta as necessidades de preservação, no entanto, a maior parte dos títulos que compõem a Biblioteca Particular tem estado em reserva“, referiu.

“Nos últimos dois anos estes livros foram alvo de restauro, ao abrigo de um protocolo celebrado com a Biblioteca Nacional de Portugal, o que permite que estejam em melhores condições de conservação para serem mostrados ao público“, disse a mesma fonte.

“A viagem até Paris de grande parte da Biblioteca Particular de Fernando Pessoa é um acontecimento inédito na história deste espólio“, realçou a mesma fonte, salientando que esta mostra em Paris é “um importante passo da programação da CFP“.

“A colaboração institucional com a Fundação Calouste Gulbenkian que acontece com este empréstimo segue a linha de divulgação internacional de Fernando Pessoa, possibilitando agora um contacto único com o seu universo e abrindo a sua obra a novas interpretações, ao articular esta mostra com trabalhos de artistas contemporâneos, como Fernando Calhau, João Onofre, Dora Garcia e Pierre Leguillon“, explicou.

Depois da apresentação em Paris, os livros “não regressam na sua totalidade para as reservas, mas sim que também em Portugal, na CFP, no bairro de campo de Ourique, em Lisboa, possa ser finalmente mostrada a dimensão da Biblioteca Particular do poeta, que será o núcleo central da nova museografia para a Casa, em desenvolvimento“, adiantou.

“Estamos a trabalhar na Casa Fernando Pessoa para criar as condições para em breve melhor mostrar na Rua Coelho da Rocha, n.º 16 este tesouro nacional“, garantiu.

Todavia, refira-se que a Biblioteca Particular “está toda digitalizada e disponível online, à exceção dos títulos protegidos ainda pelo Código dos Direitos de Autor e Direitos Conexos“.

A Biblioteca Pessoal do autor de ‘Mensagem‘ permite conhecer “outra dimensão de Fernando Pessoa, a de leitor”

O festival vai contar com um ciclo de conferências, outras exposições e projeção de filmes, tendo como temas a incerteza, o desconhecido e a utopia, 500 anos após a publicação do livro ‘A Utopia‘ de Thomas Moore.

Texto de Lusa

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Livro de jornalista que foi amante de Pablo Escobar sairá no Brasil em 2017

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A fictícia Valeria Velez e a verdadeira Virginia Vallejo - Reprodução/Netflix e Hernán Díaz/Site oficial de Virginia Vallejo

A fictícia Valeria Velez e a verdadeira Virginia Vallejo – Reprodução/Netflix e Hernán Díaz/Site oficial de Virginia Vallejo

 

Publicado no UOL

A Globo Livros lançará em 2017 o livro de memórias da jornalista colombiana Virginia Vallejo, que foi amante de Pablo Escobar entre os anos de 1983 e 1987. Vallejo inspirou a personagem Valeria Velez em “Narcos”, que teve um fim trágico na segunda temporada da série protagonizada por Wagner Moura. No entanto, diferentemente da ficção, ela ainda está viva na vida real.

Com o título de “Amando a Pablo, odiando a Escobar”, o livro foi originalmente lançado em espanhol em 2007 e releva histórias dos bastidores do cartel e segredos do narcotraficante que morreu em 1993, aos 44 anos.

A obra servirá de base para um filme produzido pelo francês Luc Besson e protagonizado pelo casal Penélope Cruz e Javier Bardem, com filmagens previstas para o início de 2017.

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Flica 2016 terá Milton Hatoum, Conceição Evaristo e Ana Maria Machado

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O escritor amazonense Milton Hatoum, autor de livros como Dois Irmãos e Relato de um Certo Oriente, participa, na sexta, da mesa A Voz do Autor, junto com o escritor baiano João Filho (Foto: Divulgação)

O escritor amazonense Milton Hatoum, autor de livros como Dois Irmãos e Relato de um Certo Oriente, participa, na sexta, da mesa A Voz do Autor, junto com o escritor baiano João Filho (Foto: Divulgação)

 

Em sua sexta edição, a Flica chega à sexta edição entre os dias 13 e 16 de outubro, em Cachoeira

Publicado no Correio 24Horas

A mesa de abertura da Flica – Festa Literária Internacional de Cachoeira, no dia 13 de outubro, às 15h, terá a participação de Mary Del Priore. A historiadora carioca vai falar sobre o seu mais recente livro, Histórias da Gente Brasileira, que, em vez de se concentrar nas grandes personalidades brasileiras, registra os hábitos do brasileiro comum, mostrando como as pessoas se vestiam, onde moravam e o que comiam.

Pela primeira vez, a Flica vai dedicar uma mesa, exclusivamente, a um autor e a um livro. O mediador da conversa é Jorge Portugal, professor e secretário estadual da Cultura. Outros autores nacionais, como Milton Hatoum e Ana Maria Machado, a homenageada deste ano, também participarão da Flica 2016.

Hatoum, autor de livros como Dois Irmãos e Relato de um Certo Oriente, participa, na sexta, da mesa A Voz do Autor, junto com o escritor baiano João Filho. Ana Maria Machado, conhecida também por sua produção dedicada às crianças, falará sobre seus romances voltados para o público adulto.

A literatura fantástica também terá espaço, com Eduardo Spohr, de A Batalha do Apocalipse, e a baiana Scarlet Rose, de Finlândia. A poesia e a prosa de ficção são destaques na mesa com a mineira Conceição Evaristo e a baiana Lívia Natália.

Os destaques internacionais são o colombiano Juan Gabriel Vásquez e congolês Kabengele Munanga. A Flica, que chega à sexta edição, segue até dia 16. O evento é uma realização da iContent e da Cali – Cachoeira Literária, com patrocínio da Coelba, Oi e governo do estado.

PROGRAMAÇÃO FLICA 2016

Quinta 13/10

Mesa 1 – 15h
“Histórias da gente brasileira”
Mary Del Priore
Mediação: Jorge Portugal

Mesa 2 – 19h
A confirmar

Sexta 14/10

Mesa 3 – 10h
“Do Éden à Finlândia”
Eduardo Spohr e Scarlet Rose
Mediação: Suzane Lima Costa

Mesa 4 – 15h
“A voz do autor”
Miltom Hatoum e João Filho
Mediação: Mirella Márcia

Mesa 5 – 19h
“O mar, um mapa, a audácia”
Ana Maria Machado conversa com Mônica Menezes

Sábado 15/10
Mesa 6 – 10h
“Histórias de humor sutil, micromundos familiares e fratura generalizada”
Juan Gabriel Vásquez (Colômbia) e Antonio Prata
Mediação: Zulu Araújo

Mesa 7 – 14h
“Exílios interiores”
Ana Martins Marques e Ângela Vilma
Mediação: Mônica Menezes

Mesa 8 – 17h
“As águas dos contrassonetos e os olhos da vândala insubmissão”
Conceição Evaristo e Alex Simões
Mediação: Lívia Natália

Mesa 9 – 20h
“Entre cidades atlânticas”
Kabengele Munanga (Congo) e Goli Guerreiro
Mediação: Zulu Araújo

Domingo 16/10

Mesa 10 – 10h
Caruru dos 7 Poetas na Flica

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Se não forem vendidos ou doados, livros podem virar papel higiênico

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Galpão de empresa que faz aparas de papel em São Paulo

Galpão de empresa que faz aparas de papel em São Paulo

 

Mauricio Meireles, na Folha de S.Paulo

Sabe como um editor faz para se matar? Ele sobe na pilha de livros encalhados –motivo de sua terrível dor de cabeça– e pula. Pelo menos é essa a piada corrente no meio, para ilustrar o problemão que é se livrar das obras que não deram certo.

Quando nem fazer promessa para São Jerônimo, padroeiro dos editores, dá certo, uma das soluções é destruir os livros –ou “transformá-los em aparas”, eufemismo preferido pelos profissionais do ramo.

O assunto veio à baila na semana passada, revestido de indignação com a notícia de que a Cosac Naify poderia destruir os livros de seu estoque que não fossem vendidos até o fim do ano. À Folha a editora afirmou que essa era apenas “uma das possibilidades”.

Pode parecer uma medida radical, mas é um caminho ao qual a maioria das editoras apela –aqui e no mundo.

A última edição da pesquisa de produção e vendas do setor, realizada pela Fundação Instituto de Pesquisas Econômicas, mostra que, em 2015, 57 milhões dos 446 milhões de exemplares impressos no país não foram vendidos.

Em geral, o argumento dos editores é que é caro manter os livros em galpões alugados –e nem sempre promoções ou vendas a empresas de saldões acabam com o estoque. De todo modo, eles veem a medida como “a última opção”.

“É triste, num país com o baixo índice de leitura do Brasil, vender livros como aparas. É quase a mesma coisa que jogar no lixo. É o último dos recursos. No ciclo de vida de um livro, há outras opções antes”, diz Sônia Jardim, presidente da Record.

O valor das aparas é irrisório. De acordo com a Anap (Associação Nacional de Aparistas de Papel), o preço hoje está em cerca de R$ 0,60 a cada quilo. Um livro como “O Código Da Vinci” (Arqueiro), que está longe de ser um encalhe, hoje custa R$ 44,90. Transformado em aparas, valeria R$ 0,40.

Como em geral o mercado de aparas trabalha com toneladas, seria preciso uma pilha de 33 metros da mesma obra para atingir a cifra (de fato, um editor morre se pular dessa altura, que equivale a um prédio de 11 andares).

Uma vez picotados, é provável que os livros virem papel higiênico –e não dos bons, porque os de folha dupla preferem fibras virgens de celulose. De acordo com a Anap, 70% da produção vai para a indústria desse tipo de papel.

De todo modo, produtores de aparas consultados pela reportagem dizem ser raro receberem livros para destruição.

“Não temos um número, porque não é significativo. A maior parte do fornecimento é de sobras das gráficas. E o papel do livro está em quarto lugar na escala de qualidade, por conta da tinta”, diz Pedro Vilas Bôas, consultor da Anap.

Por que então não doar o encalhe para bibliotecas? Editores em geral reclamam de precisarem arcar com a logística de uma doação –somado à crença de que bibliotecas não têm interesse em receber centenas de exemplares de um mesmo título.

“É preciso ver os contratos [com os autores, se permitem a doação], caso a caso. Quando o autor é estrangeiro, pior ainda. Há o frete da doação também. Doar não é uma coisa simples”, diz Luis Antonio Torelli, presidente da Câmara Brasileira do Livro.

Ele destaca ainda que já trabalhou com franquias internacionais de livros cujos contratos determinavam que, quando expirassem, o estoque devia ser destruído.

“Há canais para doar o encalhe, como o Sistema Nacional de Bibliotecas Públicas, mas os editores não costumam gostar de doar para o governo”, diz Galeno Amorim, ex-presidente da Biblioteca Nacional.

Amorim vê na rejeição em doar para o governo o medo –não infundado– de que o poder público deixe de comprar livros se passar a recebê-los de graça. Em anos bons, as compras governamentais chegam a representar um terço do faturamento do ramo.

A destruição dos livros não é uma questão só no Brasil. A editora portuguesa Bárbara Bulhosa, da Tinta da China, diz que nunca precisou destruir seu encalhe –mas que os grandes grupos no país o fazem.

“Acabei de doar 24 mil livros para o Ministério da Cultura. Mas publico obras de referência, por isso eles quiseram”, diz Bárbara.

Para ela, a produção de encalhes numerosos está relacionada à concentração do mercado global em grandes grupos, com seu foco nos best-sellers –que costumam ter enormes tiragens e nem sempre são o foco das bibliotecas públicas.

“Por isso acho um absurdo destruírem o estoque da Cosac. Eles produzem livros como nós. Exportem para Portugal, tenho certeza de que haverá quem compre.”

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Turismo literário: alguns dos melhores destinos para quem ama literatura

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Kafka, Neruda, Jorge Amado, Hemingway: faça as malas siga os passos dos mestres da ficção.

Betina Neves, no Superinteressante

Casas de Neruda – Chile

O poeta chileno Pablo Neruda tem três casas- museus dedicadas à sua memoria. La Chascona, em Santiago, tem uma planta caótica, repleta de puxadinhos, e guarda pinturas e obras que Neruda ganhou de amigos, como um retrato de sua companheira de toda a vida, Matilde Urrutía, feita por Diego Rivera. Em Valparaíso, a casa La Sebastiana fica na encosta de um morro ? as paisagens da janela mudam a cada andar (no segundo, todo cor-de-rosa, fica o bar onde Neruda preparava seu coquetelón). Isla Negra, isolada na comuna de El Quisco e de frente para o mar, é uma típica casa de acumulador, com muitas quinquilharias, estátuas e coleções.

Museu Franz Kafka – República Tcheca

Praga não nos deixa fugir. É uma mãe com garras?, escreveu Kafka. O museu do autor de A Metamorfose estuda como a capital tcheca afetou o seu trabalho e ensina a vê-la através do seus olhos. Estão ali primeiras edições de seus livros, cartas e fotos.

Museu Beat – EUA

Este museu de San Francisco é dedicado à Geração Beat, o movimento principalmente literário da década de 1950 que se rebelou contra o modelo quadradão de ordem estabelecido nos EUA após a 2ª Guerra e inspirou a onda hippie e as manifestações estudantis dos anos 1960. O acervo, quase todo doado por amigos dos Beats, coleciona fotos, livros raros, pinturas, discos, pôsteres e objetos pessoais e ensina como a geração emergiu do contexto da Guerra Fria. Jack Kerouac é, naturalmente, o maior destaque, junto de William Burroughs.

Casa dos Bicos – Portugal

Em Lisboa, o edifício do século 16 é sede da Fundação José Saramago [josesaramago.org], que organiza exposições, recitais, cursos e palestras; algumas com o escritor como tema. Para uma imersão mais intensa no universo de Saramago, é possível se hospedar, por meio do site Airbnb [airbnb.pt/rooms/3754444?sug=50], na Casa Museu Sofia e Tomás, onde ele viveu com a ex-mulher, a também escritora Isabel da Nóbrega entre 1970 e 1986 e escreveu Memorial do Convento. A diária custa a partir de R$ 140.

Cafés literários – França

Cafés parisienses guardam memórias de grandes nomes da literatura do século 20 (alô, Meia-Noite em Paris). A dupla mais famosa é o Les Deux Magots e o vizinho Cafe de Floré, cujas varandas recebiam por horas gente como Jean Paul Sartre, Simone de Beauvoir, Jean Giraudoux e Ernest Hemingway. Outra visita importante para comer croissant e observar os parisienses à la Baudelaire é o Café de la Mairie (8 Place Saint-Sulpice). Foi lá que rolou o primeiro encontro entre os dois maiores nomes do existencialismo, Sartre e Albert Camus.

A Casa do Rio Vermelho – Brasil

Desde 2014, a casa em que Zélia Gattai e Jorge Amado moraram em Salvador foi aberta ao público. O espaço é o personagem principal do romance de Zélia que se chama, veja só, A Casa do Rio Vermelho. Quem leu o livro pode ver detalhes como o Exu no jardim, com sua oferenda, o quarto do casal e os desenhos de Carybé. Um quiosque conta, com fotos e vídeos, a história da relação de Jorge com o candomblé.

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