A Diferença Invisível

A fantástica fábrica de bibliotecas

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leitura

O Instituto Ecofuturo já criou 107 bibliotecas comunitárias por todo o país e acaba de anunciar a construção de outras seis

Danilo Venticinque, no Estadão

Há alguns meses mencionei aqui no blog o Instituto Ecofuturo, vencedor do prêmio Pró-Livro em 2016. De lá para cá, o instituto anunciou a criação de mais seis bibliotecas comunitárias—duas no Rio Grande do Sul e quatro no Maranhão. É uma boa oportunidade para escrever um pouco mais sobre um dos mais bem-sucedidos projetos de incentivo à leitura no Brasil.

Criado há 18 anos pela Suzano Papel e Celulose, o instituto tem uma série de projetos relacionados a sustentabilidade e promoção da leitura. Entre eles está a criação de 107 bibliotecas comunitárias por todo o país.

“Qualquer investimento em incentivo à leitura é válido. Mas para evitar que os projetos apenas enxuguem o gelo e não resolvam o problema, deve-se ir além das ações óbvias como doar e distribuir livros e olhar para o cerne do problema”, afirma Marcela Porto, superintendente do instituto. “O problema da leitura no país não é a falta de livros”

O cerne do problema, segundo pesquisas encomendadas pelo instituto, é o acesso a espaços de leitura. “O governo federal tem um bom programa de distribuição de livros e esses livros chegam às escolas. São livros de qualidade, escolhidos por um colegiado competente. O problema é que esses livros não ficam acessíveis para a população em geral, e muitas vezes nem mesmo para a própria comunidade escolar”, diz Marcela.

A explicação está nos critérios usados para avaliar escolas. “Como esses livros são patrimônio público, e as escolas são avaliadas no Ideb (Índice de Desenvolvimento da Educação Básica) pelo bom uso do patrimônio público, escolas que não têm bibliotecas ou espaços de leitura preferem deixar os livros guardados numa sala fechada para evitar que eles sejam roubados ou danificados”, afirma. “Muitas vezes chegamos a escolas e os livros estão lá, mas não estão acessíveis para o estudante”.

As bibliotecas comunitárias do Instituto Ecofuturo foram pensadas para suprir essa necessidade. Todas cumprem requisitos básicos como uma metragem mínima de 50 metros quadrados, acessibilidade, luz natural e um mobiliário adequado para crianças e adultos, já que as bibliotecas atendem tanto às escolas quanto às comunidades ao seu redor.

Cada uma das bibliotecas é abastecida por um acervo de livros selecionados pela Fundação Nacional do Livro Infantil e Juvenil, além de títulos escolhidos pela própria comunidade. O instituto também oferece cursos de auxiliar de biblioteca, promoção da leitura e educação socioambiental para cerca de 40 pessoas em cada uma das comunidades. “Os cursos garantem que o investimento inicial vai se perpetuar por um bom tempo”, diz Marcela.

Para ampliar o impacto das ações, o instituto faz diversas parcerias com outras empresas, além da Suzano Papel e Celulose. As duas novas bibliotecas no Rio Grande do Sul, por exemplo, serão financiadas pela RGE, uma empresa do grupo CPFL Energia, com um investimento de R$ 700 mil. Projetos anteriores já foram financiados por empresas como a Avon, Fundação CSN, Philips e Telefônica. Também há parcerias com as prefeituras dos municípios em que são instaladas as bibliotecas para a contratação de pessoas responsáveis pela manutenção da biblioteca e a promoção da leitura.

O resultado de tudo isso são bibliotecas vivas, cada uma delas realizando em média cerca de 500 atendimentos por mês. Numa conta rápida, são mais de 50 mil atendimentos por mês em todo o país. Com a construção das novas bibliotecas, o número deve continuar aumentando.

Doar e distribuir livros é um belo gesto, mas ações pontuais não são suficientes para resolver o problema da falta de leitores no Brasil. O sucesso das bibliotecas comunitárias do Ecofuturo é um exemplo de como empresas comprometidas com o incentivo à leitura podem causar um grande impacto no longo prazo. Se mais empresas seguirem o exemplo, estaremos mais perto de construir um país de leitores.

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Harry Potter ganhará edição com rascunhos e manuscritos inéditos

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Lançamento faz parte da exposição em comemoração aos 20 anos de “Harry Potter e a Pedra Filosofal”

Publicado no Notícias ao Minuto

Um livro com rascunhos e manuscritos inéditos da escritora J. K. Rowling, autora da saga Harry Potter,deve ser lançado em outubro deste ano.

No Reino Unido, a obra deve ter duas versões: em capa dura e com 256 páginas, com o título de ‘Harry Potter – A History of Magic’, e em capa comum e com 144 páginas como ‘Harry Potter – A Journey Through A History of Magic’.

De acordo com informações do jornal Zero Hora, não há previsão de lançamento no Brasil. A pré-venda do livro já está disponível pelo site da editora Bloomsbury, que edita os livros da séria na Inglaterra, com preço de 12,99 libras na versão brochura e 30 libras na versão em capa dura.

Os lançamentos fazem parte da programação da exposição ‘Harry Potter: A History of Magic’, promovida na British Library para comemorar os 20 anos da publicação de ‘Harry Potter e a Pedra Filosofal’, o primeiro livro da saga.

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11 curiosidades sobre Machado de Assis

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(Foto: Reprodução)

(Foto: Reprodução)

Giuliana Viggiano, na Galileu

Machado de Assis (1839-1908) entrou para a história da língua portuguesa— e também para a história pessoal de muitos de seus leitores —, mas fez muito mais que isso. Na lista abaixo, a GALILEU conta histórias menos conhecidas e nada banais da sua vida pessoal e profissional.

1. O avô de Machado de Assis foi escravo em uma chácara no morro do Livramento, no Rio de Janeiro, onde o escritor nasceu e foi batizado pela dona da casa, Maria José de Mendonça Barroso. Aliás, foi lá que ele aprendeu a ler.

2. Machado foi responsável por uma das primeiras traduções do conto O Corvo, de Edgar Allan Poe. O autor brasileiro falava francês — alguns acreditam que ele aprendeu a língua com um padeiro — e também traduziu Os Trabalhadores do Mar, de Victor Hugo.

3. Foi um dos fundadores da Academia Brasileira de Letras e ocupou a cadeira 23 — na época, a primeira cadeira foi designada a José de Alencar. Machado foi o primeiro presidente da instituição.

4. Foi apelidado pelos vizinhos de “Bruxo do Cosme Velho”, pois teria queimado cartas em um caldeirão em sua casa que ficava na Rua Cosme Velho. O apelido, entretanto, só pegou quando o poeta Carlos Drummond de Andrade fez o poema A um bruxo, com amor, que reverencia o escritor.

5. Em seu livro Anjo Rafael, Machado de Assis previu a existência da doença folie à deux antes de ela ser descrita. Isso porque na obra é contada a história de uma filha que é “contagiada” pela loucura do pai, enlouquecendo também. Anos depois da publicação, o mal foi descoberto por pesquisadores. Como se não bastasse, o brasileiro também descobriu a cura para a doença: afastar a pessoa saudável de quem tem o problema mental.

6. O autor era enxadrista e participou do primeiro campeonato brasileiro do esporte mental, ficando em terceiro lugar. As peças que utilizou estão expostas até hoje na Academia Brasileira de Letras.

7. Ele foi casado por 35 anos com Carolina Machado, que era quatro anos mais velha, mas não tiveram filhos. Alguns especialistas dizem que Carolina era muito inteligente e ajudava na revisão dos textos. Com a morte da mulher, Machado entrou em profunda depressão e escreveu para o amigo Joaquim Nabuco: “Foi-se a melhor parte da minha vida, e aqui estou só no mundo”.

8. No prefácio da segunda edição de sua obra Poesias Completas, publicada em 1902, a palavra “cegara” foi substituída, na expressão “lhe cegara o juízo”, por um inusitado “cagara”. Calma, a história é ainda pior. Entenda aqui por que a gafe foi ainda maior. Diz a lenda que o próprio Machado teria participado de um mutirão para corrigir os exemplares antes de chegarem ao público. O que se sabe é que alguns escaparam e saíram com o erro.

9. Machado escreveu nove textos teatrais e foi crítico desta forma de arte desde os 21 anos. Também trabalhou como jornalista e, no início da juventude, vendeu doces feitos pela madrasta e engraxou sapatos. Alguns especialistas acreditam que ele chegou a ser coroinha em uma igreja, mas não há confirmações.

10. Em 1888, foi condecorado pelo então imperador Dom Pedro 2º com a Ordem da Rosa e, meses depois, foi indicado para fazer parte da Secretaria da Agricultura. Anos depois, chegou a ocupar o cargo de diretor-geral da viação da Secretaria da Indústria, Viação e Obras Públicas.

11. Era epilético e apresentava sinais de gagueira, o que contribuiu para formação de sua personalidade insegura e reclusa. Além disso, Machado de Assis, por ser mulato, enfrentou muito preconceito para conseguir reconhecimento.

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14 livros de escritoras brasileiras contemporâneas que você deve ler

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Foto: Flickr/Janafalk/Creative Commons)

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Giuliana Viggiano e Júlio Viana, na Galileu

Quando o assunto é literatura feminina no Brasil, os primeiros nomes que vêm à mente podem ser os de Clarice Lispector, Cecília Meireles, Lygia Fagundes Telles ou Rachel de Queiroz. Muitas das autoras dos anos mais recentes ainda são pouco conhecidas, embora já tenham publicado obras excelentes.

Pensando nisso, a GALILEU escolheu 14 livros contemporâneos que podem te ajudar a conhecer talentos das novas gerações.

Noites de Alface, de Vanessa Barbara (Objetiva)
Este romance conta a história de Otto, que fica viúvo após 50 anos casado com Ada. Vivendo o luto, o senhorzinho começa a pensar no passado e a conversar com a vizinhança. A cada dia Otto desconfia mais e mais que há um mistério que os vizinhos tentam esconder e, baseado nas séries policiais que adora, vai atrás de mais pistas.

Depois a Louca Sou Eu, de Tati Bernardi (Companhia das Letras)
Com muito humor, a escritora e roteirista conta como lida com a ansiedade e outros problemas da vida moderna. Sua história real se confunde com as de seus namorados e amigos, fazendo com que qualquer pessoa com ansiedade se identifique pelo menos um pouquinho com as situações hilárias apresentadas nas 144 páginas.

Opisanie Swiata, de Veronica Stigger (Cosac Naify)
O primeiro romance da escritora narra a história do polonês Opalka, que descobre um filho brasileiro que está internado em estado grave na Amazônia e decide ir visitá-lo. Em sua jornada, terá a companhia de Bopp, turista brasileiro que larga a viagem pela Europa para ajudá-lo. O mais interessante é que o livro compreende diferentes gêneros literários: carta, relato e até fragmentos de documentos da década de 1930, período em que se passa a narrativa.

Sinfonia em Branco, de Adriana Lisboa (Alfaguara)
A obra conta a história das irmãs Clarice e Maria Inês, filhas de um fazendeiro do Rio de Janeiro fadadas a viverem uma vida pré-determinada. O livro explora os horrores e a sensibilidade da vida e o caminho traçado pelas irmãs para superar o passado.

Olhos d’Água, de Conceição Evaristo (Editora Pallas)
Este livro foi ganhador do Prêmio Jabuti de 2015 na categoria de contos e crônicas. Sem meias-palavras, Evaristo se volta à história dos negros no Brasil para destacar a pobreza e a violência que sofrem os afro-brasileiros.

Rua da Padaria, de Bruna Beber (Record)
Esta obra da poeta Bruna Beber conta histórias de sua infância e adolescência na Baixada Fluminense, quando brincava e conversava com as pessoas de sua rua. A obra tem um tom nostálgico apesar da pouca idade da autora, só 33 anos.

As Águas-vivas Não Sabem de si, de Aline Valek (Rocco)
A protagonista, Corina, faz parte de uma equipe de pesquisas de trajes para serem utilizados no fundo do mar. Em uma de suas expedições, a garota embarca com mais quatro pessoas e é obrigada a conviver com os próprios dilemas e os dilemas dos outros. É uma história sobre solidão, sobre ouvir o outro e sobre estar cercado por diversas outras vozes.

Luzes de Emergência se Acenderão Automaticamente, de Luisa Geisler (Alfaguara)
Nesta linda e dramática obra, Geisler conta a história de Henrique, que mora em Porto Alegre e leva uma vida normal até seu melhor amigo, Gabriel, sofre um acidente banal dentro de casa e é internado em coma. Com esperança de que o garoto um dia melhore, mesmo os médicos falando que só resta esperar, Henrique começa a escrever cartas para o amigo.

Um Útero É do Tamanho de um Punho, de Angélica Freitas (Cosac Naify)
Em seu segundo livro de poesia, Freitas transita entre a seriedade e o humor para falar sobre a figura da mulher e do feminino no mundo, a forma que foram construídos e como se desconstroem incessantemente.

O Livro das Semelhanças, de Ana Martins Marques (Companhia das Letras)
Também poeta, Marques escreve, em sua terceira obra, poemas sobre a tentativa de mover e mudar o mundo por meio de palavras. A autora fala do mundo diretamente e faz isso de forma iluminadora e sensível.

A Chave de Casa, de Tatiane Salem Levy (Record)
Um pouco autobiográfico, o livro conta a história de uma garota descendente de judeus turcos. Na narrativa, a menina recebe do avô a chave da casa da família em Esmirna, na Turquia, onde deve buscar suas origens.

Pó de Parede, de Carol Bensimon (Não Editora)
Neste livro, Bensimon conta com muito sarcasmo e delicadeza três histórias sobre a juventude. Em uma Alice volta à casa onde cresceu e revive a tragédia de sua vida; em outra, as irmãs Lina e Titi têm a vida profundamente abalada por uma obra misteriosa; na última, Clara é uma futura escritora e viaja para um hotel na serra.

Carvão Animal, de Ana Paula Maia (Record)
O romance conta a história de dois irmãos, o bombeiro Ernesto Wesley e o funcionário de um crematório Ronivon. Durante toda a narrativa, uma tragédia do passado vai persegui-los, além de uma inevitável relação com o fogo. O livro acompanha, com muito sangue e muita violência, uma história que tira o ar do leitor a cada página.

O Que Deu para Fazer em Matéria de História de Amor, de Elvira Vigna (Companhia das Letras)
É uma história que pode ser vista sob duas óticas: um romance ou um assassinato. Intercalando a vida de um casal que já morreu com a da própria narradora, a autora constrói de forma fantástica o que pode ser um conto de amor ou suspense — ou até os dois juntos.

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A Torre Negra | Diretor confirma que filme será uma sequência dos livros

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Diretor também afirma que Stephen King aprovou a adaptação.

Robinson Samulak Alves, no Cinema com Rapadura

Há muitos anos os fãs de Stephen King aguardam por uma adaptação de “A Torre Negra”. A principal obra do autor finalmente chegará aos cinemas pelas mãos do diretor Nikolaj Arcel (“O Amante da Rainha”), porém não da forma como muitos estavam aguardando. Depois do primeiro trailer algumas teorias começaram a surgir pela forma como elementos de vários livros apareciam juntos, ao mesmo tempo que personagens dos primeiros livros não eram citados. Agora, Arcel confirmou que uma das teorias estava correta. Durante uma entrevista à IGN, o diretor confirmou que o filme será uma sequência dos livros, mas que conta com a aprovação do diretor. Confira o que disse Nikolaj Arcel:

“É, de fato, uma continuação. É uma continuação do cânone. É exatamente isso que pretendemos e o que Stephen King assinou. Em um determinado ponto ele [Stephen King] disse: ‘Tenho algumas anotações para o script’. E ele nos enviou uma cópia impressa do roteiro, com notas feitas à mão. Ele foi muito educado e muito respeitoso. Era sempre como, ‘Talvez Roland não deva falar muito aqui’… ele era como o dono da casa dos personagens. Depois de ver o filme pela primeira vez, King me escreveu:’Este não é exatamente o meu romance, mas tem muito do espírito e do tom, e eu estou muito feliz’.”

Um pistoleiro chamado Roland Deschain (Idris Elba) percorre o mundo em busca da famosa Torre Negra, prédio mágico que está prestes a desaparecer. Essa busca envolve uma intensa perseguição ao poderoso Homem de Preto (Matthew McConaughey), passagens entre tempos diferentes, encontros intensos e confusões entre o real e o imaginário. Baseado na obra literária homônima de Stephen King.

No elenco, vemos ainda Tom Taylor (da série “The Last Kingdom”) como Jake Chambers, Abbey Lee (“Mad Max: Estrada da Fúria”) como Tirana e Jackie Earle Haley (“Invasão a Londres”) como Sayre.

“A Torre Negra” tem estreia prevista para 04 de agosto de 2017.

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