Concorra a livros do filósofo Giorgio Agamben

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Nos últimos anos, o filósofo italiano Giorgio Agamben tem ocupado lugar cada vez mais destacado no panorama do pensamento político contemporâneo, principalmente após a publicação, em 1995, de O poder soberano e a vida nua, primeiro volume da série Homo sacer, no qual retoma – e reformula – a idéia de Hannah Arendt e Michel Foucault acerca da politização moderna da vida biológica, a “biopolítica”.

Em sua obra ele exercita essencialmente a interação entre a filosofia, a literatura, a poesia e principalmente a política.

Vamos sortear três títulos de Giorgio Agambem, lançamentos da Autêntica!

Confira as obras:

nudezNudez

Nos ensaios que compõem Nudez, desdobra um procedimento muito caro a Furio Jesi: o problema da festa, ou melhor, do tempo festivo.

O paradigma com que Jesi confronta tal problema é justamente o da máquina mitológica. Agamben sabe que o que é necessário não é destruir a máquina em si, mas a situação que torna as máquinas produtivas; e o risco que se corre nessa possibilidade de destruição é exclusivamente político, pois a “máquina negativa”, escreve Agamben, “produz o nada a partir do nada”, e essa é a política em que vivemos.

Leia um trecho

 

 

 

meiossemMeios sem fim

“Publicado na Itália, em 1996, Meios sem fim é, segundo o próprio Agamben, um conjunto de textos (escritos entre 1990 e 1995) que se referem a um canteiro de obras cujo primeiro fruto tinha sido a publicação do primeiro volume de Homo Sacer (O poder soberano e a vida nua, Einaudi, 1995).

Os breves ensaios de Meios sem fim antecipam os seus núcleos originais e apresentam alguns de seus ‘estilhaços e fragmentos’: a vida nua, a biopolítica; o estado de exceção; o campo de concentração; o refugiado; as sociedades democrático-espetaculares; a política como a esfera dos meios puros ou dos gestos.

Leia um trecho

 

 

potenciaA potência do pensamento

“Publicado na Itália em 2005, A potência do pensamento é uma coletânea de ensaios e conferências escritas por Giorgio Agamben ao longo de um período de quase trinta anos.

Entre os textos aqui reunidos, o leitor encontrará desde o ensaio ‘Aby Warburg e a ciência sem nome’, de 1975 – estreitamente ligado às pesquisas, desenvolvidas por Agamben na biblioteca do Warburg Institute de Londres, que darão origem a seu segundo livro, Estâncias, de 1977, até o ensaio ‘A obra do homem’, de 2004, que antecipa as investigações sobre o conceito de inoperosidade.

Leia um trecho

 

 

Para participar, é só preencher o formulário nesse link http://goo.gl/0yNoGK. Sortearemos um exemplar de cada obra. Divulgue para seus amigos que curtem o filósofo italiano.

O resultado será divulgado em 19/2 neste post.

Boa sorte! :-)

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Parede de templo é ‘rabiscada’ em ritual por educação no Nepal

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Crianças praticam na parede as primeiras lições de escrita.
Cerimônia hindu exalta Saraswati, deusa da educação.

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Publicado no G1

Depois de receberem as primeiras aulas de escrita e leitura, crianças nepalesas foram incentivadas a escrever na parede do templo de Saraswati, neste domingo (25), em Catmandu, no Nepal. O ritual acontece durante o festival chamado Shree Panchami.

De acordo com a crença hindu, a prática fará com que Saraswati, deusa da educação celebrada no festival, ajude as crianças a irem bem nos estudos. As informações são da agência de notícias Reuters.

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Top Ten Tuesday

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Top Ten Tuesday: 10 canais literários que você tem que conhecer

Alessandra Gilos, no Por essas Páginas

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O TTT de hoje era um “seja o que quiser”. Pensei sobre diversas listas e possibilidades, mas enxerguei a oportunidade de listar aqui alguns dos meus canais literários favoritos (e que me inspiraram a criar o meu! ^^). Sei que muitos de vocês não possuem o hábito de ver vídeos, mas sugiro que abram as portas a esta oportunidade. Juro que não irão se arrepender! (:
O Top Ten Tuesday é um meme literário semanal criado pelo The Broke and the Bookish.

1. Tiny Little Things (Tati Feltrin): o canal da Tati foi o primeiro que conheci – e acho que um dos poucos que efetivamente acompanho com fervor e a cada novo vídeo publicado. Com um embasamento bem bacana, a Tati me atraí por que traz livros “populares” e do momento, assim como clássicos e desconhecidos. Ela tem um milhão de projetos bacanas e listas gigantescas de livros que quer ler. Eu sugiro ver o bookshelf tour infinito e em mil partes que é super bacana e nos instiga a querer aumentar a lista gigante!

2. Cabine Literária: o Cabine foi acho que o segundo canal que descobri. O diferencial dele é que conta com muitos colaboradores, o que permite que você sempre tenha algum a qual se afeiçoar caso prefira um gênero ou estilo de escrita determinado. Particularmente, eu adoro e confio em todas as opiniões do Gabriel. Acho que nenhum livro que ele sugeriu e amou eu não não amei também (aka: Jogador #1). Atualmente, eles estão criando novos quadros com sketchs, debates e até moda.

3. O Batom de Clarice: aficionada por Clarice, a Ju Gevarson é uma fofa poetisa. Eu adoro o jeitinho dela de falar e a forma como ela nos faz querer ler absolutamente tudo o que ela elogia. Para mim, a Ju é um passo fora da minha linha de conforto. Eu raramente ouvi dizer ou conheço os livros que ela lê, mas vou listando alguns e outros para o futuro, para sair da caixinha. O legal é que, como formada em letras, ela acaba nos guiando e explicando determinadas coisas de suas obras favoritas que nos faz querer mais ler determinada obra que até então não pegaríamos. Atualmente, ela cedeu a pressão e começou a ler Harry Potter (e está amando!) e tem uma série de vídeos especial. Ah, e sim! Ela tem uma calopsita linda que sempre aparece nos vídeos, o Théo <3

4. Geek Freak: originalmente o Victor fazia parte do Olhos de Ressaca (R.I.P), mas o Geek Freak é seu canal sozinho. Ele é o louco das compras e o mestre da edição. Adoro! Seus vídeos são bem variados, com muitas tags e interação. Aqui, você não vai encontrar resenhas (apenas no blog dele), mas juro que é divertido!

5. JotaPluftz: a Ju é um dos meus canais favoritos para dicas de HQ’s e livros meigos. Os vídeos são super gostosos de assistir e há sempre uma coisinha ali que você irá desejar! Eu já assisti a diversos desenhos e comprei algumas HQs com recomendação dela.

6. Lido Lendo: a Isa é uma fofa e eu a conheci na Bienal do livro! <3 Seus vídeos são deliciosos e a calma dela é quase que terapêutica. O que mais gosto é que a mecânica de compra dela é bem distinta: ela não lê sinopses. Então somos guiados pela curiosidade dela pelo contexto da capa e do título. Já comprei alguns livros recomendados e sem dúvidas comprarei outros.

7. Papo de Estante: além das críticas literárias e tags, a Bruna nos presenteia com sua voz incrível em vídeos com músicas baseadas em livros e alguns outros vlogs e vídeos “estava com vontade gravei” bem engraçados e divertidos! Ela estava há um tempo sem gravar, mas já voltou.

8. Triplobooks: o canal da Mari é muito bom. Ela varia bastante a forma como constrói as resenhas e normalmente os vídeos são mais curtos, o que facilita para as pessoas com DDA (hehe… brincadeirinha!). Uma das coluninhas que mais adoro são os TOP 3 alguma coisa. Recomendo também o acesso a o blog dela, que contém um monte de artes lindas que ela mesma faz!

9. Patrícia Pirota: fã viciada de Harry Potter, a Patrícia só chegou a meu conhecimento há pouco tempo. Embora o canal seja antigo e mega conhecido. Ela fala de tudo também e grava de tudo. Como ela ama HP, adoro a forma como a série é introduzida a todo momento, sem notar. Ela se enquadra um pouco dentro da categoria da Ju Gevarson e da Tati, pois lê muitas coisas fora da minha caixinha e me intriga a ler também!

10. Narrativas da Cidade: bom, para quem não conhece, o Narrativas é meu canal particular e que tem parceria direta e linda com o PEP <3 Lá eu faço mui-tas resenhas e dou algumas diquinhas de viagem. Estou incrementando a resposta de tags e este ano teremos alguns comprativos livros vs filmes. ;D Todo o conteúdo postado por aqui é exclusivo e você não encontra no Narrativas, mas sempre que um vídeo novo é publicado aqui no PEP, eu faço um teaser por lá.

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A última entrevista de Jorge Luis Borges

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A última entrevista de Jorge Luis Borges

O escritor morreu alguns meses depois de ter concedido a entrevista ao jornalista e apresentador Roberto D’Ávila, em 1985

Carlos Willian Leite, na Revista Bula
“Não criei personagens. Tudo o que escrevo é autobiográfico. Porém, não expresso minhas emoções diretamente, mas por meio de fábulas e símbolos. Nunca fiz confissões. Mas cada página que escrevi teve origem em minha emoção.”

Jorge Luis Borges nasceu em 1899 na cidade de Buenos Aires, Argentina, e morreu em Genebra, Suíça, em 1986. Entrelaçando ficção e fatos reais, Borges concentrou-se em temas universais, o que lhe garantiu reconhecimento mundial. É considerado o maior escritor argentino de todos os tempos e um dos mais importantes nomes da história da literatura.

Na entrevista, que foi concedida em julho de 1985 ao jornalista Roberto D’Ávila, Jorge Luis Borges fala sobre a infância, a cegueira, a morte. Afirma que o fracasso e o sucesso são impostores. E traduz o seu amor pela literatura em uma frase: “Se recuperasse a visão eu não sairia de casa. Ficaria lendo os muito livros que estão aqui, tão perto e tão longe de mim”. Borges morreria menos de um ano depois de ter concedido a entrevista.

Fale-me de sua infância, de suas memórias…

Minhas primeiras memórias são da biblioteca de meu pai. Não me recordo de uma época em que não soubesse ler e escrever. Meu pai era professor de psicologia e me disse que a memória começa aos 4 anos de idade. Aprendi a ler e escrever entre os 3 e 4 anos. A biblioteca de meu pai era essencialmente de livros ingleses. De modo que quase tudo que li na vida foi em inglês e depois em outros idiomas, já que, em 1915, fomos para Genebra e tive que estudar francês e também bastante latim. Depois disto, eu me ensinei alemão para ler Schopenhauer. Mas antes passei pela poesia e pelos expressionistas alemães: Johannes Becher, Wilhelm Klemm, Kafka e outros. Quando perdi a vista como leitor em 1955, para não “abound in loud self pity”, para não abundar em sonora autocomiseração, como diz Kipling, empreendi o estudo do inglês arcaico. Depois estive duas vezes na Islândia e estudei um pouco do escandinavo antigo. O islandês é a língua mãe do sueco, do dinamarquês e, parcialmente, do inglês. Agora pensei em estudar japonês ou chinês, que são idiomas tão estigmatizados.

Das leituras da infância, o que mais lhe impressionou?

“As Mil e Uma Noites”. Livros de diferentes épocas da vida de Kipling, que comecei a ler quando criança. Sempre gostei muito dos atlas e das enciclopédias. Curiosa­mente, continuo a comprar livros. Não posso lê-los. Aqui tenho, por exemplo, uma excelente enciclopédia italiana, a Garzanti, tenho duas edições da Brockhaus, alemã, e uma edição da Britânica. Gosto muito. Acho que é a melhor leitura para um homem ocioso e curioso como eu. Infelizmente perdi a vista. Se eu a recuperasse, não sairia desta casa. Ficaria lendo os muito livros que estão aqui, tão perto e tão longe de mim. Mas perdi a vista. Diversos países me convidam para dar conferências. Vou agora à Califórnia, à Nova York e depois à Roma. Depois volto à Roma no fim do ano para falar de meus livros. Continuo a escrever. Que mais posso fazer? É que não gosto do que escrevo. Nesta casa não encontrará um só livro meu. Por que quem sou para ficar ao lado de Euclides da Cunha, Camões ou com Montaigne? Não sou ninguém! Continuo a adquirir livros porque gosto de estar rodeado por eles. Como quando era menino, já que minhas primeiras lembranças são de livros e acho que minhas últimas o serão também. Quanto à minha memória, a única coisa que consigo lembrar são citações, mas, dos fatos de minha vida, me esqueci. As datas, não me lembro de nenhuma. Tenho lembranças de meus pais a quem adorava, dos meus amigos. Agora meus amigos estão embaixo da terra.

E as lembranças dos amores?

Agora estão menos vivas. Lem­bro-me de uma frase muito triste de Emerson: “Life itself becomes a quotation”. “A própria vida se converte numa citação.” Tenho a memória cheia de versos em tantos idiomas. E continuo escrevendo. Bem, escrevendo é uma metáfora; ditando. Como passo boa parte do tempo sozinho, vou povoando esta solidão com projetos literários. Não vão durar muito porque, aos 85 anos, não se tem muito por vir. Entretanto minha mãe morreu aos 99 anos com o terror de chegar aos 100. Eu tentava convencê-la de que os 100 são uma superstição. Mas, mesmo assim, o número 100 a apavorava. Quando fiz 80, achei horrível. Espero não chegar aos 90. Eu preferiria morrer esta noite. Agora não, porque quero conversar um pouco com você. Quando vocês se forem, eu morro. Eu gostaria. Assisti a várias agonias no curso de minha excessivamente longa vida. Minha mãe acreditava em Deus, eu não. Todas as noites lhe pedia que a levasse durante o sono. Uns meses antes de fazer 100 anos morreu, que era o que queria. Ela acordava de manhã e chorava ao ver que não tinha morrido durante a noite e se preparava para outro dia.

Como é a cegueira?

Uma das primeiras cores que se perde é o negro. Perde-se a escuridão e o vermelho também. Vivo no centro de uma indefinida neblina luminosa. Mas não estou nunca na escuridão. Neste momento esta neblina não sei se é azulada, acinzentada ou rosada, mas luminosa. Tive que me acostumar com isto. Fecho os olhos e estou rodeado de luz, mas sem formas. Vejo luzes. Por exemplo, naquela direção, onde está a janela, há uma luz, vejo minha mão. Vejo movimento mas não coisas. Não vejo rostos e letras. É incômodo mas, sendo gradual, não é trágico. A cegueira brusca deve ser terrível. Mas se pouco a pouco as coisas se distanciam, esmaecem… No meu caso, comecei a perder a vista desde o momento em que comecei a enxergar. Tem sido um processo de toda minha vida. Mas a partir de 55 anos, não pude mais ler. Passei a ditar. Se tivesse dinheiro, teria uma secretária, mas é muito caro. Não posso pagar.

Nunca ficou desesperado por causa da cegueira?

Não. Como foi um processo lento, não houve um momento patético. Mas se uma pessoa perde a vista de repente, pode, inclusive, pensar em suicídio.

O sr. já pensou em suicídio?

Quando era jovem, sim. Mas quando a pessoa é jovem, quer ser o príncipe de Hamlet, Byron, Edgar Alan Poe, ou Baudelaire. Mas agora procuro a serenidade. As pessoas são muito boas para mim. Claro. Sou um velhinho inofensivo. Quem vai me molestar? Não pertenço a nenhum partido político. Sou um velho anarquista spengleriano. Principalmente neste país, as pessoas se interessam muito por política. Eu não. Mas tenho minha consciência tranquila. Falei e escrevi contra Perón. Minha mãe, minha irmã e um sobrinho meu estiveram presos. Ameaçaram-me de morte, mas eu sabia que, se alguém lhe ameaça de morte, você não corre nenhum perigo. Depois vieram todos esses governos. Falei contra o terrorismo, muitas vezes, contra a ditadura militar. Depois escrevi contra uma possível guerra com o Chile. Contra a invasão das Malvinas, escrevi dois poemas e uma milonga, que foi proibida pelo governo.

Pode recitar?

Não me lembro. Tenho um poema que se intitula “Juan Lopez y John Ward”. São dois rapazes, um argentino e um inglês, que poderiam ter sido amigos, mas que se matam na guerra. Tenho uma milonga que se chama “Milonga del Muerto” sobre um soldado que morreu na guerra. As pessoas riem um pouco dessa guerra, mas toda guerra é terrível, até mesmo uma pequena como essa. Morreram 2000 argentinos e 500 britânicos. Conversei com sodados que me disseram que se tivessem um rifle na mão teriam matado seus oficiais. Os sargentos quando viram, fugiram e deixaram os soldados. É que não eram soldados; eram recrutas. Era gente trazida das províncias semitropicais do norte e os mandaram às cercanias do Polo Sul combater soldados verdadeiros. Eram todos rapazinhos de 18 ou 20 anos, ainda que houvesse uma superioridade numérica grande.

Quais foram as grandes sensações de sua vida?

São as grandes sensações da vida de todo homem. O amor, a amizade, a leitura, o gosto por escrever, embora não goste do que escrevo. Nesta casa não há livros meus nem sobre mim. A partir dos 30 anos, não li uma única linha que se escreveu sobre mim. Sei que há bibliotecas inteiras, mas não li nada. Acho que deve-se viver para o futuro. Quando publico um livro, não sei se teve êxito, se está vendendo. O que disse a crítica. Meus amigos sabem que não devem falar do que escrevo.

Por que?

Porque é incômodo falar da própria pessoa. Prefiro falar de outros autores. Deve acontecer o mesmo com outros escritores. Há uma frase muito bonita de Kipling que fala sobre o fracasso e o sucesso. O fracasso e o sucesso são impostores. Ninguém fracassa tanto como imagina. Ninguém tem tanto sucesso como imagina. Além disso, o que importa o sucesso e o fracasso? No fim das contas, todos seremos esquecidos, o que aliás é melhor. Não creio em imortalidade pessoal. Meu pai dizia: “Quero morrer eternamente — corpo e alma”. Segundo a Bíblia, depois dos 70, tudo é aflição. Mas eu diria que antes também. Não é preciso fazer 70 anos para conhecer a aflição. Segundo a tradição, os 33 são a idade perfeita, porque é quando morre Cristo e nasce Adão. Adão nasceu aos 33 anos. Na Idade Média, houve uma discussão muito séria sobre se Adão tinha ou não umbigo. Adão não pode ter umbigo porque não nasceu de mãe, porque foi criado do pó por Deus. Mas, ao mesmo tempo, se lhe falta o umbigo, é imperfeito. Então Adão tem que ter umbigo, embora não tenha tido cordão umbilical. Isto se discutiu com toda seriedade durante muito tempo. Havia teólogos encarniçados em ambos os lados. Sir Thomas Brown, um escritor do século 18, diz “The man without a navel lives in me”. “O homem sem umbigo vive em mim”; ou seja: “Adão vive em mim; sou também o primeiro homem”.

O sr. leu muitos de livros?

Não. Li muito poucos. Sempre reli os mesmos livros. Não conheço a literatura contemporânea. Desde que perdi a vista como leitor em 1955, não li nada de novo.

Mas quando era menino, na biblioteca de seu pai, lia muito?

Não lia muito. Folheava os livros. Não creio que tenha lido quase nenhum livro do princípio até o fim, salvo livros de filosofia. Romances li muito poucos. Para mim, o romancista é Conrad.

O sr. leu pouco, mas sua vida é a literatura. A realidade para o sr. não importa muito. O que importa são as sensações?

Se eu tivesse interesse na realidade europeia, leria jornais. Nunca li um jornal na vida. Pra que lê-los? É tudo bobagem. Só falam de viagens de presidentes, congressos de escritores, partidas de futebol. Por isso gostaria de recuperar a visão para poder folhear um livro, escolher o que vou ler ou omitir. Quase não li romances na vida, fora Joseph Conrad, que para mim é o romancista. Fracassei com grandes romances, com Zachary, com Flaubert.

Mesmo com “Cem Anos de Solidão” o sr. não foi até o fim?

Com “Cem Anos”, não. Completei no máximo 50 anos. Mas é um excelente livro. Gostaria de conhecer o autor.

Não o conhece?

Não tive oportunidade. E possivelmente nunca terei. Ele vive na Colômbia, não? Estive duas vezes na Colômbia. Todo mundo foi muito amável comigo, sobretudo porque sou um ancião inofensivo. Inimigos pessoais não tenho. Às vezes me ameaçam de morte, mas por telefone, o que não tem nenhuma importância. Se uma pessoa quer matar a outra, não avisa porque seria um imbecil. Bem, os assassinos são imbecis.

Queria mudar um pouquinho a assunto. Queria que o sr. falasse do amor.

Ocupou tanto lugar na minha vida, que ocupa pouco em minha obra. Estive casado por três anos e compreendemos que o único modo de continuarmos amigos era a separação. Mas agora também não somos amigos porque não a vejo nunca. Não sei se morreu ou não.

Quer dizer que o sr. acha que o casamento mata mais que o amor?

Três anos de casamento foram um pouco onerosos.

Fale-me de seu sentimento por Buenos Aires.

Mudou tanto a cidade… Já não a conheço… Nasci aqui no centro de Buenos Aires: Rua Tucumán, quatro ou cinco quadras daqui. Toda a Buenos Aires era de casas baixas com terraços, pátios, campainhas manuais. Só havia algumas casas altas perto da praça do Congresso. A cidade toda tinha casas com pátios, poços. Sempre havia uma tartaruga no fundo para comer os bichos: uma espécie de filtro vivo. Buenos Aires mudou completamente. Minha mãe se lembrava des­ta rua sem calçamento.

Mas o sr. é um homem universal, tem todos os sangues…

Não tenho tantos. Meu bisavô era lisboeta. Era Borges de Mon­corvo, uma cidadezinha de Trás-os-Montes. Depois tenho uma maioria de sangue espanhol, uma avó inglesa, algum sangue judaico-português e, muito distante, algum sangue normando dos Bittencourt, uma família de Rouen, noroeste da França. Devo ter ainda algum sangue escandinavo e isto é tudo. Mas eu trato de ser cosmopolita, de ser digno deste planeta.

A sua genialidade vem de que lado?

Não tenho genialidade de ne­nhuma espécie. Sou apenas um pequeno escritor sul-americano, um mínimo argentino.

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Livros do universo Star Wars para ler enquanto espera pela chegada de ‘O Despertar da Força’

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Livros do universo Star Wars para ler enquanto espera pela chegada de 'O Despertar da Força'

Fábio Mourão, no Dito pelo Maldito

Esperamos por quase uma década até que fosse anunciado mais um filme da franquia Star Wars, e quando aconteceu, a força despertou seu tremor nas redes sociais com tanta potência, que já tem gente criando mil teorias de enredo a partir de um único trailer que já foi liberado para o público.

E se tem algo que pode acalmar toda essa ansiedade até a chegada de O Despertar da Força, é a leitura de um bom livro. E se pudermos ler algo que seja diretamente ligado ao universo de Star Wars (pelas barbas de Obi-Wan), melhor ainda!

É sabido que o chamado ‘Universo Expandido’ de Star Wars é tão extenso quanto se pode imaginar, e é composto por pelo menos uma centena de livros e quadrinhos. O que torna tudo que ocorre fora dos filmes oficiais, uma tremenda confusão. Para evitar a fúria dos mais fanáticos, para o início dessa nova leva de filmes, foi simplesmente decidido que todas essas histórias alternativas seriam esquecidas e um novo leque de futuro seria aberto para a franquia.

Como aqui no Brasil muito pouco, ou quase nada, desses extras foram publicados por aqui, ainda podemos dizer que a nossa linha de raciocínio sobre os acontecimentos da saga Star Wars permanece pura, seguindo basicamente apenas a linha de raciocínio principal dos filmes e animações. E o mesmo vale para as poucas publicações ligadas ao universo que aqui chegaram.

Abaixo você encontra alguns desses livros que estão disponíveis no mercado nacional, e que podem aliviar a sua espera pelo filme Despertar da Força.

Livros do universo Star Wars para ler enquanto espera pela chegada de 'O Despertar da Força'

✔ Star Wars: A Trilogia, Special Edition

Livros do universo Star Wars para ler enquanto espera pela chegada de 'O Despertar da Força'
A saga que atravessou o espaço e inúmeras gerações de fãs retorna ao público brasileiro em grande estilo. As histórias clássicas de Luke Skywalker, Han Solo, Princesa Leia, Mestre Yoda e Darth Vader ganham as páginas luxuosas de Star Wars, A Trilogia.

A obra reúne os romances inspirados nos três primeiros filmes do universo fantástico criado por George Lucas: Uma Nova Esperança, O Império Contra-Ataca e O Retorno de Jedi. Os três títulos chegaram a ser lançados no Brasil, sendo o último deles em 1983. Mas esta é a primeira vez que a trilogia completa é editada em nosso país num único volume, em capa dura.

O acabamento segue o padrão quase psicopata de qualidade da editora DarkSide.

✔ Star Wars – Herdeiro do Império, de Timothy Zahn

Livros do universo Star Wars para ler enquanto espera pela chegada de 'O Despertar da Força'
O primeiro volume da consagrada trilogia Thrawn.

Luke, Han e Leia enfrentam uma nova ameaça. Cinco anos após a destruição da Estrela da Morte, a ainda frágil República luta para restabelecer o controle político e curar as feridas deixadas pela guerra que assolou a galáxia. O Império, porém, parece não ter morrido com Darth Vader e o imperador. Habitando os confins da galáxia, o grão-almirante Thrawn, gênio militar por trás de diversas ações imperiais, ainda luta para reconquistar o poder perdido. A bordo do destroyer estelar Quimera, ele descobre segredos que lhe darão a chance de destruir definitivamente o que restou da Aliança Rebelde, para assim retomar o domínio da galáxia e controlar os últimos dos Jedis.
Herdeiro do Império é considerado um dos mais importantes marcos do universo expandido de Star Wars. Desde seu lançamento, tem sido aceito pelos fãs da franquia como a verdadeira continuação da trilogia original. Além disso, a obra foi usada como base criativa para vários outros produtos da série, incluindo elementos de jogos, filmes e animações.

✔ Star Wars: O Caminho Jedi

Livros do universo Star Wars para ler enquanto espera pela chegada de 'O Despertar da Força'
Um manual para os estudantes da Força!

Que a saga Star Wars é um dos maiores fenômenos de todos os tempos não é novidade. Que os personagens são mania mundial, também não. Para apimentar mais essa febre e satisfazer um desejo antigo dos fãs, é lançado O Caminho Jedi, manual de treinamento da Ordem.

O livro funciona como um almanaque dos guadiões da paz nas galáxias. Nele são apresentados os maiores mestres, a história dos clãs, os armamentos, o vestuário, os golpes de lutas, entre outros.

Em O Caminho Jedi, o leitor vai desvendar os segredos e partilhar do conhecimento passado de geração para geração – aprendendo, inclusive, as nuances do combate de sabre de luz e a hierarquia Jedi. Além disso, conhecerá novos personagens, novas criaturas e novas naves.

Passado de mão em mão de Mestre para Padawan, de Yoda e Obi-Wan Kenobi para Anakin e Luke Skywalker, este exemplar recebeu as anotações de cada Jedi que tocou e estudou suas páginas – adicionando suas experiências pessoais e as lições aprendidas.

✔ Stars Wars: Livro dos Sith

Livros do universo Star Wars para ler enquanto espera pela chegada de 'O Despertar da Força'
Segredos do Lado Negro

Que a saga Star Wars é um dos maiores fenômenos de todos os tempos não é novidade. Que os personagens são mania mundial, também não. Para apimentar mais essa febre e satisfazer um desejo antigo dos fãs, chega às livrarias, após o lançamento de O caminho Jedi, o Livro dos Sith, manifesto do lado negro da Força.

Ao longo dos séculos, à medida que os Lordes Sith ascendiam ao poder, alguns deles registravam sua filosofia e seus esquemas para assumir o controle da galáxia. Ao serem derrotados, esse conhecimento desapareceu. Ou, pelo menos, era o que parecia.

Seus escritos foram passados entre Sith selecionados e, até mesmo Jedi, que acrescentaram suas reflexões a essas raras páginas. Na busca por domínio, Darth Sidious foi atrás do que sobrou dos cinco textos mais lendários do lado negro. A partir desse conhecimento, ele escreveu um sexto texto – seu próprio manifesto. Reunidos, esses documentos formam o Livro dos Sith.

Nele são apresentados os maiores mestres, o surgimento do clã, os armamentos, o vestuário, os segredos obscuros, entre outros.

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