Aplicativo Wattpad une autores e leitores com textos mais curtos on-line

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Allen Lau, presidente-executivo do Wattpad (Foto: Chris Young/The New York Times)

Allen Lau, presidente-executivo do Wattpad (Foto: Chris Young/The New York Times)

David Streitfeld, no The New York Times [via Folha de S.Paulo]

Se no ano de 1841 nova-iorquinos emboscavam viajantes chegados da Inglaterra para perguntar se a protagonista Nell Trent -do clássico de Dickens “A Loja de Antiguidades”- tinha morrido, em 2014 eles recorrem aos celulares para acompanhar as aventuras de Tessa e Harry, que se conheceram na universidade e criaram um relacionamento inspirador.

A autora, Anna Todd, 25, usa o aplicativo de ficção Wattpad. A cada alguns dias, um novo episódio da tórrida história do casal de “After” (“Após”) era postado. Momentos depois de publicar o capítulo 278, a ex-estudante universitária em Austin (Texas) contou que era o fim.

O primeiro comentário surgiu 13 segundos depois. No dia seguinte, já havia 10 mil comentários. “After” tem mais de 1 milhão de leitores, indica o Wattpad.

A internet há muito promoveu uma reorganização nas editoras e nas vendas de livros. Agora, a tecnologia está transformando a escrita de ficção, no passado a mais solitária e exigente das artes, em próximo da definição oposta. É uma prática social, informal e íntima, com resultados compostos e consumidos instantaneamente.

O Wattpad é o líder nesse novo ambiente narrativo, com mais de 2 milhões de escritores produzindo 10 mil textos ao dia para 20 milhões de leitores, em uma conectada rede social internacional.

Quando Jeff Bezos, CEO da Amazon, se questiona sobre a possibilidade de que surja algo capaz de tirar a liderança de sua empresa nos livros eletrônicos, ou Mark Zuckerberg, fundador do Facebook, pondera se a rede social será desertada pelos jovens, é bem provável que o Wattpad esteja em seus pensamentos.

Boa parte dos trabalhos mais populares do aplicativo (seja em inglês ou em português) são dirigidos a mulheres jovens e extraem sua energia das fileiras dos praticantes de “fan fiction” -Harry, de “After”, foi inspirado por Harry Styles, galã adolescente da banda One Direction. Outros hits são contos de vampiros à la “Crepúsculo” e tramas de mistério.

Os autores -que não são remunerados pelo trabalho- propõem histórias, as reformulam, abandonam e apagam quando querem. Trata-se de uma escrita reinventada para o mundo móvel, em que a atenção é fragmentada.

“Quase todos os nossos autores publicam seu conteúdo em forma seriada”, explica Allen Lau, o presidente-executivo do Wattpad, com sede em Toronto (Canadá) e cerca de 70 funcionários.

“Um texto de 2.000 palavras equivale a mais ou menos dez minutos de leitura. Isso permite que os leitores se ocupem, por exemplo, enquanto esperam numa fila.”

PROXIMIDADE

Outra característica marcante do Wattpad é eliminar a distância entre escritor e leitor. “Minha prioridade são os fãs”, diz Rebecca Sky, cujo romance “The Love Curse” (“A Maldição do Amor”) atraiu público numeroso.

“Se você procurar uma editora e disser que tem 15 mil leitores, isso contará mais do que uma pessoa sem qualquer seguidor que surja de seu porão com um manuscrito perfeito”, diz Sky.

Além de permitir que leitores postem comentários públicos, o Wattpad deixa que enviem mensagens privadas ao autor, votem em um texto e se tornem fãs dele.

Os fãs também podem dedicar capítulos de suas histórias a outros escritores, criar capas para seus livros e fazer imagens e vídeos para o YouTube e para o Pinterest.

Agora, o setor editorial tradicional está acompanhando o Wattpad de perto. Não apenas como fonte de novos talentos, mas em busca de técnicas para estimular o envolvimento dos leitores.

WATTPAD
iOS, Android
ONDE wattpad.com
QUANTO Gratuito

Tradução: Paulo Migliacci

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60 obras raras do Mosteiro de São Bento estão disponíveis na Internet

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O setor de obras raras possui aproximadamente 13 mil obras impressas do séc. XVI ao XIX

O setor de obras raras possui aproximadamente 13 mil obras impressas do séc. XVI ao XIX

O Mosteiro de São Bento da Bahia foi o primeiro fundado pela ordem dos Beneditinos nas Américas

Publicado na Tribuna da Bahia

60 obras raras, dos séculos XVI ao XIX poderão ser acessadas pela internet a partir dessa terça-feira (22/4). Elas pertencem ao Mosteiro de Sâo Bento, em Salvador, e foram restauradas por uma equipe multidisciplinar de especialistas do Mosteiro e da Faculdade São Bento da Bahia, com técnicas inovadoras de desinfestação, higienização e restauro.

O projeto durou cerca de dois anos e absorveu investimentos de de R$ 500 mil, oriundos do Fundo de Cultura da Bahia, destinado pela Secretaria de Cultura do Estado da Bahia.

Entre as obras restauradas e digitalizadas estão a coleção “Obras Completas de Luiz de Camões”, edição crítica com as mais notáveis variantes, de 1873;; “Cartas Selectas”, de Padre Antônio Vieira, de 1856; “Index Librorum Prohibitorum”, do Papa Bento XIV, de 1764 e “Historia dos Judeos”, de Flavio José, de 1793. Os mais antigos da lista são: “Cometario as Sentenças de Duns Scoto, do Fr. Nicolau de Orbellis”, de 1503, e “Suma Theologica Secundæ”, de São Tomas de Aquino, de 1534.

Acesse as obras digitalizadas

O Mosteiro de São Bento da Bahia foi o primeiro fundado pela ordem dos Beneditinos nas Américas. Sua biblioteca, alvo de pesquisadores de todo o mundo, foi fundada em 1582 e é tombada pelo Patrimônio Histórico Artístico Nacional (IPHAN) desde a década de 1930.

O acervo completo ultrapassa os 200 mil volumes, e o setor de obras raras possui aproximadamente 13 mil obras impressas do séc. XVI ao XIX.

dica do Chicco Sal

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Conheça Westeros e detalhes de Game of Thrones como se você estivesse no Google Maps

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Matheus Gonçalves, no Digital Drops

Nós já mostramos pra vocês como visitar virtualmente a TARDIS, a nave espacial/máquina do tempo/torradeira/limpa chifre/facas Ginsu do seriado Doctor Who, através do Google Street View. Para quem não conhece, basta acessar este link.

Depois de uma semana turbulenta e cheia de discussões sobre Game of Thrones, nada melhor que um passeio por terras distantes para ficar longe de spoilers, certo? Ou não, se é pra saber, melhor saber tudo de uma vez.

Bem, de qualquer forma, aqui está uma mapa interativo de Westeros, Sothoryos e Essos, continentes fictícios criados por George R.R. Martin em sua obra As Crônicas de Gelo e Fogo (A Song of Ice and Fire) e fantasticamente retratados na série de TV Game of Thrones.

 

O mapa foi feito por fãs da saga, e usa recursos do Google Maps para navegação e exibição de conteúdos bem legais, como os reinados, a localização original das famílias e suas casas.

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Ao navegante, é concedido o benefício de visitar Westeros, Sothoryos e Essos sem o risco de ser assassinado enquanto estiver viajando pela Kingsroad. Tenho certeza que alguns personagens adorariam ter acesso à uma ferramenta como esta, antes de certas, digamos… intempéries.

O que difere este site de um mapa em papel (como alguns que vem junto com edições luxuosas dos livros) é que, com poucos cliques, é possível obter diversos detalhes sobre este universo, como qual família é proprietária daquela região ou terra, ou ter uma ideia da distância entre Winterfell (Casa Stark) e A Muralha de Gelo, na qual ficam os vigilantes da Night’s Watch.

Dá pra separar o mapa entre os brasões da nobreza, ou acessar os perfis de diversos personagens no AWOIAF (A Wiki of Ice and Fire). Que, a propósito, está cheio de spoilers do livro, então, fique atento. Por exemplo como aquela vez em que [SPOILER DETECTED AND SUPRESSED].

Aliás, não se trata de uma ferramenta só para leitores. Dá pra trocar as informações exibidas no mapa entre capítulos, mas também entre episódios exibidos na série da HBO, e ir acompanhando o trajeto que cada personagem fez pelos mapas, como o percorrido por Daenerys Targaryen.

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Certamente é um site que todo fã da obra, seja de A Guerra dos Tronos, seja de As Crônicas de Gelo e Fogo, deve favoritar para futuras referências.

Dica adicional: se você também é fã de Senhor dos Anéis, o Hobbit ou qualquer obra do Tolkien, este site, feito para o Google Chrome, permite que você navegue pela Terra Média, como por exemplo essa página com detalhes sobre Rivendell (ou Valfenda) e tantos outros lugares deste universo concebido de uma forma igualmente genial.

Mais detalhes no vídeo abaixo:

Imagem de Amostra do You Tube

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Saiba como organizar a leitura dos livros cobrados nas provas da Fuvest e Unicamp

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Leitura obrigatória: lista da Fuvest e Unicamp cobra nove livros para o vestibular 2015 (Thinkstock)

Leitura obrigatória: lista da Fuvest e Unicamp cobra nove livros para o vestibular 2015 (Thinkstock)

Lista de obras vale para os dois principais vestibulares do país. Começando nesta semana, dá para ler tudo até o fim do ano sem aperto, garante especialista

Bianca Bibiano, na Veja

Os organizadores da Comissão Permanente para os Vestibulares (Comvest) e da Fuvest, que organizam, respectivamente, os vestibulares da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp) e da Universidade de São Paulo (USP), ainda não anunciaram as datas das provas, mas já confirmaram a lista de livros obrigatórios. As nove obras exigidas nas provas de seleção para 2015 serão as mesmas do último ano.

Para ajudar os estudantes a se organizarem, o site de VEJA.com fez um guia de leitura em parceira com o Anglo Vestibulares. Começando nesta semana, os candidatos aos dois maiores processos seletivos do país terão tempo suficiente para ler — e compreender — as obras literárias.

De acordo com o professor de literatura Fernando Marcílio, é possível dividir a leitura em três grupos de livros, começando pelo romantismo, passando pelo realismo e terminando com o modernismo. “A ordem não é obrigatória, mas ajuda o estudante a compreender a relação do movimento literário com o período histórico, o que facilita a análise das obras”.

Considerando que os livros exigidos têm uma média de 200 páginas cada, a estimativa é que o estudante leia um livro por mês. “Se o candidato ler 10 páginas por dia, ele vai gastar cerca de 40 minutos com leitura, o que não é muito pesado para a rotina”, afirma Marcílio. O professor recomenda a leitura nos dias úteis, deixando o fim de semana para recuperar os possíveis atrasos.

A única exceção da lista é a obra Sentimento do Mundo, de Carlos Drummond de Andrade. De acordo com Marcílio, em vez de separar um mês só para ela, o candidato pode lê-la ao longo do ano. “Por ser uma compilação de poemas, o estudante pode fazer da obra seu livro de cabeceira, lendo um ou dois poemas por semana”.

Ao final de cada livro, a sugestão é que o estudante busque fazer seus próprios resumos da obra e também procure questões de vestibulares anteriores para entender o que pode ser cobrado. “Esse material pode ser recuperado na véspera do vestibular para revisão”, explica.

A leitura de resumos das obras é completamente desaconselhável, frisa Marcílio. “O estudante que só lê o resumo não consegue entender as questões do mesmo modo que outro que leu a obra inteira, uma vez que as perguntas são interpretativas e, com frequência, com alto nível de dificuldade”.

Viagens na Minha Terra

A obra do português Almeida Garrett publicada 1846 abre a lista de leitura para os vestibulares da Fuvest e Unicamp e também inicia o bloco de três livros do romantismo que são cobrados nas questões. Com cerca de 250 páginas, pode ser lido em até cinco semanas, considerando 10 páginas por dia. A leitura é densa, por isso mantenha o ritmo e tente usar alguns finais de semana para tentar ler mais páginas, assim dá para ler tudo sem ficar mais de um mês em uma obra. A narrativa, considerada a única expoente do romantismo português, ajuda a compreender a decadência do império de Portugal. A história é composta por dois eixos narrativos: no primeiro, o narrador faz relatos de suas viagens pelo país, intercalando citações literárias, filosóficas e históricas. Já o segundo eixo, que é interposto no meio dos relatos de viagem, conta o drama amoroso que envolve cinco personagens. A trama amorosa tem como pano de fundo as lutas entre liberais e miguelistas (1830 a 1834) e as personagens funcionam na narrativa como uma visão simbólica de Portugal. Apesar se ser cronologicamente mais antiga que as outras duas obras do romantismo presentes na lista, Viagens na Minha Terra já traz traços do realismo, movimento predominante no segundo bloco de leitura.

Memórias de um Sargento de Milícias

Segunda obra do romantismo no bloco de leitura, o livro de Manuel Antônio de Almeida retrata a vida do Rio de Janeiro no início do século XIX e traz pela primeira vez na literatura nacional a figura do malandro. A trama se difere das de outros romances porque foi escrita em folhetins e por vezes os capítulos nem sempre se relacionam entre si. O romance conta a história de Leonardo, filho de Leonardo-Pataca e Maria das Hortaliças, que se conheceram em uma viagem de navio. O casal se separa após Leonardo-Pataca descobrir a traição de mulher. Leonardinho, como passa a ser chamado o filho do casal, é adotado então pelo padrinho, que deseja que o afilhado se torne padre. A vocação religiosa, porém, não faz parte dos anseios do garoto, que conforme cresce torna-se cada vez mais uma caricatura do malandro carioca: vive sem trabalho fixo e sempre em busca de aventuras amorosas. Em uma dessas andanças, encrenca-se com um major e é salvo pela madrinha, que faz um trato com o militar: Leonardinho se tornaria o sargento de milícias do título. O livro tem 192 páginas e dá para ser lido em menos de um mês.

Til

Publicada em 1892, o livro de José de Alencar faz parte do conjunto de obras da fase regionalista do autor, junto com O Gaúcho, O Sertanejo e Tronco do Ipê. A narrativa conta a história de Berta, que recebe o apelido Til, filha bastarda de um fazendeiro do interior de São Paulo. A personagem é a típica heroína romântica de alma bondosa que se sacrifica pelos outros. Filha de um encontro amoroso entre Besita e o fazendeiro Luis Galvão, a menina passa a ser criada por nhá Tudinha após Ribeiro, marido de Berta, descobrir que a mulher o havia traído. As personagens de Til são arquétipos da sociedade brasileira do século XIX: os escravos, os aristocratas, o povo pobre. A sociedade da época estava estruturada basicamente em duas camadas sociais: de um lado os aristocratas, grandes latifundiários e escravocratas, e de outro lado estavam os escravos e a gente humilde do campo. O livro de 250 páginas encerra a sequência de obras do romantismo.

Memórias Póstumas de Brás Cubas

A obra de Machado de Assis publicada em 1881 abre o bloco de livros do período do realismo. O livro mudou radicalmente o panorama da literatura brasileira por trazer um narrador que conta sua vida depois de morto. A história descreve a vida de Brás Cubas, herdeiro de uma rica família do Rio de Janeiro que depois de morto decide contar suas aventuras, expondo de forma irônica os privilégios da elite do fim do século XIX. Após um romance frustrado com Marcela, uma prostituta de luxo, o pai de Brás manda o jovem estudar em Coimbra. Com diploma em mãos, ele retorna ao Brasil, mas continua usufruindo dos privilégios da família sem trabalhar. Com a narração em primeira pessoa, o narrador conduz o leitor por sua visão de mundo, seus sentimentos e o que pensa da vida. A maiora das edições do livro tem 220 páginas, podendo ser encontrado também em versão de bolso.

O Cortiço

A obra de Aluísio Azevedo de 1890 também aparece na lista como um dos grandes expoentes do realismo. A história tem como cenário uma habitação coletiva e difunde as teses do naturalismo, doutrina que tinha grande prestígio na Europa à época e que explica o comportamento humano com base na influência do meio, da raça e do momento histórico. O romance é considerado uma peça-chave para entender o Brasil no final do século XIX por apresentar a ideologia e as relações sociais do período. O foco inicial da narrativa é João Romão, o dono do cortiço, um português ambicioso que explora todos a sua volta e chega até a roubar. É o protótipo do “capitalista explorador”. Paralelamente, surgem retratos dos moradores do cortiço, destacando-se Rita Baiana, Jerônimo, Capoeira Firmo e Piedade. Suas vidas são determinadas pelo dia-a-dia da moradia coletiva, um ambiente insalubre e em certa medida promíscuo. O livro com 370 páginas é o mais longo da lista, por isso, nesse fase é recomendável tentar aumentar o número de páginas diárias.

A Cidade e as Serras

Último livro de Eça de Queirós, A Cidade e as Serras foi publicado em 1901, um ano após a morte do autor português. A obra não estava inteiramente acabada, mas ainda assim é considerada uma das mais importantes do escritor, concentrando as principais características do período de sua maturidade artística. Na história, o narrador-personagem, José Fernandes, é quem conta a saga do amigo Jacinto, que vive em Paris, considerada a capital da Europa na época. Jacinto detesta a vida no campo e louva as inovações científicas e as facilidades da vida urbana. Sua vida muda, porém, quando ele volta para sua cidade natal Tormes, no interior de Portugal. No caminho, ele tem suas malas extraviadas, precisando se adaptar ao vilarejo apenas com a roupa do corpo. A obra de 240 páginas fecha o bloco de livros do realismo.

Capitães da Areia

O livro do escritor baiano Jorge Amado, publicado em 1937, inicia o grupo de obras do período do modernismo cobradas nos vestibulares. A história retrata o cotidiano de um grupo de meninos de rua, mas sem focar apenas os assaltos e as atitudes violentas, trazendo também as aspirações e os pensamentos dessas crianças. A obra tem caráter jornalístico, apresentando logo no início uma reportagem sobre um assalto feito pelos “Capitães de Areia”, grupo de crianças tido como perigoso. A história de 280 páginas pode ser dividida em três artes: a primeira, com a apresentação dos personagens através das reportagens fictícias, a segunda quando a personagem Dora entra para o grupo dos meninos de rua e a terceira, na qual o autor conta o desenrolar da vida de de cada uma das crianças.

Vidas Secas

A obra de Graciliano Ramos, de 1938, narra a trajetória de uma família de retirantes nordestinos que é obrigada a se deslocar de tempos em tempos para áreas menos afetadas pela seca. Ao longo da história, Fabiano, o chefe da família, tenta de todas as maneiras encontrar alternativas para superar as dificuldades. Em uma dessas tentativas, ele aceita trabalhar para um fazendeiro local e dividir os ganhos da produção. Ao longo da história, porém, sua mulher Sinhá Vitória, descobre que o marido está sendo explorado e tenta, em vão, alertá-lo. Quando a seca atinge a fazenda, a família se vê obrigada a novamente. A obra pertence à segunda fase modernista, conhecida como regionalista, e é qualificada como uma das mais bem-sucedidas criações da época. O estilo de Graciliano Ramos, que se expressa principalmente por meio do uso econômico dos adjetivos, parece transmitir a aridez do ambiente e seus efeitos sobre as pessoas que ali estão. A obra tem 175 páginas e pode ser lido em até três semanas.

Sentimento do Mundo

Composta por 28 poemas, a obra de Carlos Drummond de Andrade foi publicada pela primeira vez em 1940. No livro, o poeta trabalha com poesias de cunho social, refletindo o momento de instabilidade e inquietação dos anos que antecederam a Segunda Guerra Mundial. Outras temáticas, porém, estão presentes, ainda que em menor proporção, como a terra natal, o indivíduo e a família. A dica do professor de literatura do Anglo Vestibulares Fernando Marcílio é ler a obra ao longo do ano, um poema ou dois por semana, paralelamente aos outros livros. “Mas sempre deixando em mente que esta é uma obra modernista e que faz parte de um contexto histórico muito específico, que envolvem a Segunda Guerra Mundial e a ascensão de regimes ditatoriais”, explica.

 

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Escritores brasileiros dão dicas para novos talentos

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Ler e praticar constantemente a escrita são as estratégias utilizadas pelos autores

Publicado no Diário de Pernambuco

O ditado já é conhecido e ninguém contesta: “Quem lê bem escreve bem”. Mas três integrantes da nova geração de escritores brasileiros foram além do básico e deram algumas dicas para aquela pessoa que pode sentir uma inquietude, uma vontade de escrever, e não sabe qual é o caminho.

“Não tem outro caminho a não ser escrever muito, copiar muito. Eu tenho muita coisa escrita, muitas coisas copiadas de outros autores. Mas chega uma hora que você tem uma ideia sua que tem que sair. Ela fica maturando, maturando até que você coloca no papel”, disse Leonardo Alckmin. Ele participou da terceira mesa de novos ficcionistas brasileiros, na manhã deste domingo (20), na 2ª Bienal Brasil do Livro e da Leitura, em Brasília.

Autor do romance Paralelos, Leonardo explicou que, antes de ter seu livro publicado, leu muitos outros autores e se inspirou neles até encontrar seu próprio estilo, sua própria voz. A opinião dele é compartilhada pela escritora Paula Fábrio. “A voz vai acontecer, mesmo contra tudo e contra todas as expectativas. Mas você tem que praticar, aí a voz aparece e você percebe”.

Alckmin ressaltou que, em tempos de internet, quando qualquer coisa que se escreve é mais facilmente vista, as pessoas tendem a se preocupar com o que escrevem. Para ele, os tempos atuais dão uma maior vitrine e oportunidades a novos escritores. A jornalista e escritora Vanessa Bárbara explica que cresceu escrevendo na internet, vitrine que já lhe rendeu oportunidades de trabalho. “A internet multiplica ainda mais as possibilidades. Você tem que ter perseverança e sorte, acho que a internet ajuda”.

Paula reforçou a importância de praticar a escrita, treinar até chegar ao estilo próprio, que agrada a pessoa. Ela lembrou ainda que existem editoras menores que investem em jovens escritores, sem custo de publicação para o autor. Esse é um dos caminhos para ter um primeiro livro publicado, existir de fato no universo literário. Vanessa lamentou, porém, a dificuldade de alguém viver apenas de escrever livros no Brasil. Privilégio, segundo ela, exclusivo de grandes nomes, best-sellers da literatura nacional.

Antes de tudo, porém, o escritor não depende de ninguém. E isso foi o que tirou o foco de Alckmin do teatro e o voltou para a produção de suas próprias histórias. “Para escrever, você só depende de um papel e uma caneta. E foi isso que me encantou, essa independência. Como autor, eu posso embarcar no meu próprio sonho”, disse.

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