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Alunos italianos elegem “Mein Kampf” de Hitler um dos livros preferidos

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© Fabrizio Bensch / Reuters

© Fabrizio Bensch / Reuters

 

Publicado no SIC

O ministro da Educação italiano teve um choque quando recebeu os resultados de um inquérito aos alunos do ensino secundário sobre os livros preferidos. Inesperadamente, “Mein Kampf – A minha luta” de Adolf Hitler figura entre os eleitos.

A sondagem em 140 mil turmas do ensino secundário destinava-se a perceber quais as obras de autores italianos mais populares, mas os estudantes acabaram por introduzir um autor estrangeiro. E não um “autor estrangeiro” qualquer.

“Mein Kampf” é a obra, em parte autobiográfica, em que Hitler formulou e veiculou a sua ideologia e lançou as bases do nazismo. Foi escrita durante os anos de prisão que se seguiram à tentativa de golpe em Munique em 1923 e publicada a 18 de julho de 1925.

Dez turmas em Palermo, Cantanzro (Calabria), Potenza (Basilicata), Tivoli e Gaeta, Udine, Trieste e Piacenza selecionaram o livro de Hitler como um dos seus preferidos.

Um responsável do Ministério da Educação, Alessandro Fusacchia, classificou a escolha “particularmente obscena”. Realçou, no entanto, que o livro não era elegível porque os alunos deviam escolher obras de autores italianos publicadas a partir de 2000.

Em junho desde ano, o jornal italiano Il Giornale causou polêmica ao oferecer aos seus leitores o livro “Mein Kampf”. A ação chocou a comunidade judaica e até o primeiro-ministro, Matteo Renzi.

Professores contam como estão aplicando no Brasil o que aprenderam na Finlândia

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Professores brasileiros debatem como pôr em prática os métodos finlandeses nas salas de aula brasileiras

Professores brasileiros debatem como pôr em prática os métodos finlandeses nas salas de aula brasileiras

 

Mariana Della Barba, na BBC Brasil

Todos saíram do Brasil com destino à Finlândia. Alguns, inclusive, decolaram no sol da Paraíba e desembarcaram em meio a muita neve em Helsinque.

Mas nenhum dos professores brasileiros que foram fazer um treinamento em Educação no país nórdico reclamou do frio. Em conversa com a BBC Brasil, eles falaram, empolgados, sobre como estão implementando – ou pretendem implementar – o que aprenderam no país nórdico em suas salas de aula tropicais.

Damione Damito, por exemplo, criou um podcast para divulgar as práticas que viu na Finlândia para os colegas.

“Muitos me escrevem contando que, em um determinado ponto do programa, pensaram: ‘Espera, essa é a minha realidade também, acho que dá, sim, para fazer na minha sala de aula'”, conta Damito, que é professor do Instituto Federal de São Paulo.

Os brasileiros também elogiaram o fato de o sistema educacional finlandês se preocupar, segundo eles, mais com a autoestima e o avanço individual de cada aluno do que com a posição do país nos rankings internacionais de educação.

No último estudo Pisa (Programa Internacional de Avaliação de Alunos), divulgado nesta semana, a Finlândia aparece em quinto lugar no ranking de ciências, quarto em leitura e 12º em matemática, entre 70 países. O Brasil, por sua vez, ficou em 63º lugar, 59º lugar e 65º lugar, respectivamente.

Os docentes brasileiros participaram de aulas, workshops, visitas a escolas, encontros técnicos e eventos culturais. Eles foram selecionados pelo programa Professores para o Futuro, do Ministério da Educação, e pelo projeto Giramundo, patrocinado pelo governo do estado da Paraíba, para passar alguns meses estudando a educação finlandesa no país. As duas iniciativas devem continuar em 2017.

Veja os principais trechos dos depoimentos dos professores a respeito do que aprenderam:

‘As iniciativas finlandesas podem ser aplicadas de maneira simples, sem muitos recursos’ – Damione Damito, do Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia de São Paulo (IFSP), viajou pelo projeto Professores para o Futuro.

Damione Damito criou um podcast para repassar conteúdo que aprendeu na Finlândia aos colegas de profissão

Damione Damito criou um podcast para repassar conteúdo que aprendeu na Finlândia aos colegas de profissão – Arquivo Pessoal

 

“Eu fui para a Finlândia em 2015. No programa em que estava, todos precisam desenvolver um projeto de pesquisa. O meu foi o podcast Papo de Professor, que segue no ar porque há cada vez mais demanda.

Esse meio é interessante porque o professor se sente parte de uma rodinha de discussão. Fora que ele tem um potencial muito grande de atingir professores a custo muito baixo,

De início, muitos acham que não dava para replicar (os métodos finlandeses) aqui. Mas no podcast eu e outros participantes damos dicas de como fazer isso. E muitos me escrevem contando que, em um determinado ponto do programa, pensaram: ‘Espera, essa é a minha realidade também, acho que dá, sim, para fazer na minha sala de aula’.

A ideia é mostrar que as iniciativas finlandesas podem ser aplicadas de uma maneira simples, sem muitos recursos. Sinto que os professores queriam mudanças mas não sabiam como colocá-las em prática. Então havia essa demanda. Em seis meses, tivemos 7 mil downloads únicos, sem divulgação.

Recebemos resposta positiva de professores de todo o Brasil e de outros países de língua portuguesa, como Portugal e Cabo Verde. Já gravamos alguns episódios em inglês também, que foram usados como referência de multiplicação de conteúdo pelo governo finlandês.

Os assuntos que geram mais discussão no podcast são a metodologia centrada no aluno e os PBL*. Apesar de tantas dificuldades que enfrentamos aqui, se o professor se esforçar para usar essa metodologia, as aulas serão mais legais para os alunos e até para eles mesmos.

Na Finlândia, fiquei muito impressionado logo de cara em como o ambiente de aprendizagem interfere no processo. Uma das salas das crianças têm bolas em vez de cadeiras – isso as acalma quando estão muito agitadas. Tudo é feito para o aluno gostar de estar em sala de aula. Elas têm sofá, pufe, pia, dá pra escrever em qualquer parede. Há paredes de vidro e em diferentes formatos. Tudo porque eles têm em mente que os alunos são diferentes e têm demandas diferentes. Eu me sentia muito confortável lá.

Mas eu esperava encontrar muita tecnologia, e não é bem assim. Tem o básico, um retroprojetor, iPad em algumas aulas. O importante, no entanto, não é isso.

É o ensino conectado com a realidade, é a aprendizagem ser significativa. Uma turma que acompanhei foi visitar um balé. Aprendeu conceitos de física como inércia e movimento com os passos de dança, vendo a bailarina rodar no próprio eixo. O professor de artes falou do contexto do espetáculo e o de história, do enredo.

Além do podcast, venho implementando aqui algumas práticas na minha sala de aula. Minha maior dificuldade é realmente na postura dos próprios alunos. Eles estão acostumados ouvir, anotar e a ver o professor transferindo conhecimento. Mas nesse projeto, os alunos viram protagonistas e encontram dificuldades.

Aos poucos, essa postura deles vem mudando. Estão se habituando a trabalhar baseados em projetos que eles mesmos definem, estão se adaptando e se empolgando.”

*PBL é a sigla de metodologias chamadas de “problem-based learning” e “project-based learning” (ensino baseado em problemas ou em projetos). Neles, diferentemente das aulas mais tradicionais, problemas fictícios ou reais são o ponto de partida do aprendizado. Os alunos aprendem na prática e buscam eles mesmos as soluções do desafio.

Vilma Leitão diz que alunos finlandeses são "prioridade total" no processo de aprendizado

Vilma Leitão diz que alunos finlandeses são “prioridade total” no processo de aprendizado

 

‘Sei que não se alcançam mudanças radicais a curto prazo, mas vou trabalhar para desenvolver autonomia dos alunos’ – Vilma Leitão, professora do Ensino Fundamental e Médio em Patos (PB), viajou pelo projeto Giramundo.

“Fiquei na Finlândia dois meses, e, logo nos primeiros dias, me chamou muito a atenção fato de o aluno ser prioridade total no processo, pois é ele próprio quem conduz e gerencia sua aprendizagem. Eles valorizam menos (mais…)

Maioria dos alunos brasileiros não sabe fazer conta nem entende o que lê

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Bruna Souza Cruz e Ana Carla Bermúdez, no UOL

Dados do PISA (Programa Internacional de Avaliação de Estudantes) 2015, divulgados nesta terça-feira (6), indicam que o desempenho dos estudantes brasileiros em matemática e ciências piorou em comparação aos dados de 2012. Quando o assunto é a capacidade de leitura, os resultados seguem preocupantes, já que a média não mudou desde então– quando a pontuação já era considerada ruim.

Em matemática, de acordo com o relatório, 70,3% dos estudantes brasileiros ficaram abaixo do nível 2 de desempenho na avaliação –patamar mínimo estabelecido pela OCDE (Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico) como necessário para que o estudante exerça plenamente sua cidadania. Na prática, os alunos não conseguem responder às questões da disciplina com clareza e não conseguem identificar ou executar procedimentos rotineiros de acordo com instruções diretas em situações claras.

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A média nacional nessa disciplina foi de 377 pontos, muito abaixo da média da OCDE (490). Para se ter uma ideia, as regiões que tiveram as maiores médias foram Cingapura (564), Hong Kong – China (548) e Macau – China (544). Em 2012, a média nacional na mesma disciplina foi de 389. Com isso, o país registrou recuo em seu desempenho.

Segundo a publicação, a habilidade em matemática é definida como a capacidade individual de formular, empregar e interpretar a matemática em uma série de contextos. Isso inclui o raciocínio matemático e o uso de conceitos, procedimentos, dados e ferramentas para descrever, explicar e prever fenômenos. Há seis níveis de proficiência na disciplina.

Metade dos alunos brasileiros continuam com dificuldades de interpretação

Os dados do Pisa 2015 também apontam que 51% dos estudantes não possuem o patamar que a OCDE estabelece como necessário para que se possa exercer plenamente sua cidadania, considerando sua capacidade de leitura. Eles não ultrapassaram o nível 2 dentro da escala de avaliação.

Com isso, é possível afirmar que os jovens brasileiros têm dificuldades em lidar com textos e documentos oficiais, como notas públicas e notícias. Além disso, têm problemas para interpretar informações e integrar contextos.

A pontuação do Brasil foi de 407, enquanto que os países da OCDE tiveram uma média de 493. A média brasileira foi a mesma de três anos atrás, na última edição do Pisa.

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Na outra ponta, os jovens brasileiros têm mais facilidade em lidar com textos pessoais, como e-mail, mensagens instantâneas, blogs, cartas pessoas e textos informativos. Eles também são bons em localizar e recuperar informação dentro de um texto quando necessário.

Com sua pontuação, o Brasil teve o desempenho inferior ao de regiões como Cingapura– que ficou em 1º lugar com 535 pontos, Canadá (527) e Hong Kong (China) (527).

O desempenho geral dos estudantes brasileiros em leitura está abaixo da média da OCDE desde o início das avaliações da disciplina, em 2000 – conforme mostra o gráfico acima.

Desempenho em ciências segue estagnado

Em ciências, quando são avaliadas a capacidade de lidar com conceitos, teorias, procedimentos e práticas associadas à investigação científica, o Brasil contabilizou média de 401 pontos, valor também inferior ao dos estudantes dos países membros da OCDE (493). Em relação ao Pisa anterior (2012), a média (402) não mostrou grande diferença. O país seguiu estagnado, já que a variação foi de apenas 1 ponto.

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Ao comparar com a série histórica, nota-se que os brasileiros apresentaram um crescimento médio de 390 para 405 pontos entre os anos de 2006 e 2009. Mesmo assim, o desempenho dos alunos também já se mostrava ruim.

Dentro da escala de avaliação do ano passado, 56,6% dos jovens brasileiros tiveram desempenho abaixo do nível 2, ou seja, eles não são capazes, por exemplo, de identificar uma explicação científica, interpretar dados e identificar a questão abordada em um projeto experimental simples de complexidade mediana.

Escolas públicas federais ficam à frente das escolas particulares

Na separação dos resultados do Pisa 2015 por rede de ensino, a rede pública federal obteve o melhor desempenho, ficando alguns pontos à frente da média obtida pelos alunos de escolas particulares.

Na área de ciências, a média alcançada pelos alunos das escolas federais foi de 517 pontos, contra uma média de 487 pontos dos alunos de colégios particulares. Em leitura, os desempenhos médios foram de 528 e 493, respectivamente, para os mesmos casos. Já em matemática, enquanto a média obtida pelos alunos da rede de ensino particular foi de 463 pontos, os alunos da rede federal alcançam, em média, 488 pontos.

O desempenho dos alunos da rede pública federal também superou a média nacional em cada uma das três áreas avaliadas– 401 pontos em ciências, 407 pontos em leitura e 377 pontos em matemática.

Escala de proficiência

O estudo de 2015 avaliou 23.141 alunos brasileiros (de 841 escolas), com idades entre 15 anos e 16 anos matriculados a partir do 7º ano. O desempenho dos estudantes foi analisado com base em sete escalas, que vão de 6, a mais alta, até 1b, a mais baixa.

O que é o Pisa

O Pisa busca medir o conhecimento e a habilidade em leitura, matemática e ciências de estudantes com 15 anos de idade tanto de países membro da OCDE quanto de países parceiros. Ele é corrigido pela TRI (Teoria de Resposta ao Item). O método é utilizado também na correção do Enem (Exame Nacional do Ensino Médio): quanto mais distante o resultado ficar da média estipulada, melhor (ou pior) será a nota.

A avaliação já foi aplicada nos anos de 2000, 2003, 2006, 2009 e 2012. A cada ano é dada uma ênfase para uma disciplina: neste ano, foi a vez de ciências.

Dentre os países membros da OCDE, estão Alemanha, Grécia, Chile, Coreia do Sul, México, Holanda e Polônia, dentre outros. Dentre os países parceiros, estão Argentina, Brasil, China, Peru, Qatar e Sérvia.

Aprender matemática com games educativos aumenta em 34% desempenho dos alunos, revela pesquisa

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Mais de 100 colégios públicos de São Paulo e 33 mil alunos utilizam plataforma de gameficação desenvolvida pela startup israelense Matific e já colhem excelentes resultados

Ray Santos, no Jornal dia a dia

São Paulo, 17 de dezembro de 2016 – O medo da matemática pode se tornar coisa do passado no dia a dia das escolas brasileiras. Um estudo recente da Universidade de Sydney (Austrália), realizado com alunos e professores que utilizam o sistema de games educativos em seus métodos de ensino, revelou que o uso da gameficação aumenta em 34% o desempenho e o engajamento dos alunos no ensino da disciplina.

No Brasil, uma parceria entre a Diretoria de Ensino Centro Oeste (em São Paulo), a ONG Parceiros da Educação e a startup israelense Matific, especializada em gameficação para o estudo matemático desde a educação infantil até o sexto ano, viabilizou a implantação do sistema de gameficação para o ensino da matemática em 105 escolas estaduais paulistas. A plataforma é utilizada atualmente por cerca de 33 mil alunos, com mais de 320 mil jogos realizados, além de estar presente na grade curricular dos principais colégios particulares da capital paulista.

Recentemente, três escolas de São Paulo que utilizam a plataforma foram classificadas entre as dez melhores no Índice de Desenvolvimento da Educação Básica (Ideb 2016), que avalia a qualidade da educação em fluxo escolar e médias de desempenho.

“Ensinar matemática por meio da gameficação substitui a visão negativa de que a disciplina é chata e difícil. A tecnologia educacional, quando bem aplicada e alinhada ao pedagógico, é uma grande ferramenta para os educadores e, ao mesmo tempo, se aproxima da realidade de uma geração que está acostumada com os sistema digitais”, comenta Dennis Szyller, Gerente Nacional da Matific no Brasil.

Como funciona
O sistema da Matific tem uma abordagem única para o ensino de matemática desde a educação infantil até o sexto ano, por meio de 1600 minijogos interativos e atividades práticas, chamados de episódios. Os episódios têm duração entre 5 e 15 minutos e buscam abordar conceitos matemáticos, habilidades ou ideias simples, bem definidas e de acordo com o currículo escolar.

A Matific é a única plataforma no mercado capaz de alinhar seus jogos com os conteúdos de cada livro/sistema de ensino. Os jogos e atividades foram desenvolvidos para facilitar o mapeamento de livros didáticos populares e o currículo padrão da matemática. Isso significa que o professor encontra os jogos na Matific organizados na sequência dos livros da Educação Matemática dos Anos Iniciais (EMAI), ou ainda dos principais livros didáticos. Além disso, todos os jogos e atividades estão organizados de acordo com os Parâmetros Curriculares Nacionais (PCNs).

A Matific é uma empresa startup Israelense que desenvolveu um premiado sistema educacional de matemática, projetado por uma equipe de especialistas e professores de matemática, engenheiros de software e desenvolvedores de jogos. A pedagogia é baseada no trabalho do professor Raz Kupferman da Universidade Hebraica (Hebrew University) em Jerusalém, e do professor Shimon Schocken do Centro Interdisciplinar de Herzelia. O sistema Matific é adotado em mais de 40 países, com um milhão de alunos, três milhões de jogos executados por mês, e diversos prêmios internacionais por sua pedagogia e tecnologia.

Sobre a Matific (https://www.matific.com/bra/pt-br)
Fonte: Agência Health

Como funciona a universidade sem professores inaugurada nos EUA

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Na universidade 42, os estudantes trabalham juntos na solução de problemas e avaliam o trabalho dos colegas

Na universidade 42, os estudantes trabalham juntos na solução de problemas e avaliam o trabalho dos colegas

 

Publicado no UOL

Uma universidade revolucionária, sem professores, onde não há livros e nada é pago, acaba de ser aberta no Vale do Silício, na Califórnia. A ideia é receber por ano mil estudantes interessados em programação de computadores e desenvolvimento de software. Durante o curso, os alunos trabalham sempre em grupo e avaliam os trabalhos uns dos outros.

O nome da nova universidade, 42, é uma referência à resposta sobre qual seria o sentido da vida segundo o clássico de ficção científica O Guia do Mochileiro das Galáxias (The Hitchhiker’s Guide to the Galaxy, no original em inglês)de Douglas Adams – criado nos anos 1970 como série de rádio da BBC e transformado em livro, peça de teatro, minissérie de TV, filme longa-metragem, revista em quadrinhos, livro ilustrado e jogo de computador.

O Guia do Mochileiro das Galáxias é o nome de um dicionário fictício, que tem definições e opiniões sobre todo o universo.

O primeiro campus da 42 foi criado em Paris, em 2013, por Xavier Niel, um empresário e milionário do setor de tecnologia.

Muitos do que se formaram lá trabalham hoje em grandes empresas como IBM, Amazon e Tesla. Alguns criaram suas próprias companhias.

Facebook e Airbnb como modelos

Xavier Niel e seus sócios – vindos de start-ups do setor de tecnologia – querem revolucionar a educação como o Facebook fez com a comunicação na internet e o Airbnb com a hotelaria convencional.

Para atingir essa meta, a universidade combina uma forma radical de ensino colaborativo e aprendizagem por projetos.

Os dois métodos são bastante populares entre educadores, mas normalmente envolvem a supervisão de professores.

Assim, os alunos da 42 podem escolher projetos – como criar um website ou um jogo de computador – que seriam executados se eles estivessem trabalhando em uma empresa como desenvolvedores de software.

Para colocar seu projeto de pé, eles usam as fontes gratuitas disponíveis na internet e recebem ajuda dos colegas. Todos trabalham lado a lado, em uma ampla sala, com várias fileiras de computadores. Depois, a avaliação será feita por um outro colega, escolhido aleatoriamente.

Como nos jogos de computador, os estudantes vão avançando no curso em níveis ou fases e competem com um mesmo projeto. Eles se formam ao atingir o nível 21 e isso geralmente leva de três a cinco anos. Ao concluir o curso, recebem um certificado, nada de diploma tradicional.

Fim do aprendizado passivo

Os criadores da 42 afirmam que esse método de aprendizagem é melhor que o sistema tradicional que, segundo eles, incentiva os estudantes a serem receptores passivos de conhecimento.

“O retorno que temos recebido dos empregadores é que os jovens que formamos são mais preparados para buscar informações por si mesmos, por exemplo, sem precisar perguntar ao supervisor o que devem fazer,” diz Brittany Bir, chefe de operações da 42 na Califórnia e ex-aluna no campus de Paris.

Aprendendo com quem aprende

“O aprendizado colaborativo faz os estudantes desenvolverem a confiança necessária para buscar soluções de forma autônoma, com métodos criativos e engenhosos””, explica.

Ela afirma ainda que quem passou pela 42 é mais capaz de trabalhar em grupo, discutir e defender ideias – qualidades procuradas no mundo real do mercado de trabalho em tecnologia.

“Isso é especialmente importante na área de programação, onde há uma falta de determinadas habilidades humanas,” acrescenta.

O aprendizado colaborativo não é novidade e já é adotado em várias escolas e universidades, especialmente em áreas como engenharia.

Aliás, historiadores concluíram que, na Grécia antiga, o filósofo Aristóteles tinha na sua escola alunos que eram monitores e ajudavam os colegas.

Pesquisas recentes mostram que o aprendizado colaborativo pode fazer o aluno desenvolver um conhecimento mais profundo sobre determinado assunto.

Especialista em educação, o professor Phil Race explica que assuntos difíceis são mais fáceis de entender quando explicados por alguém que os aprendeu sozinho, sem nenhuma ajuda.

Dan Butin, reitor da escola de educação e política social do Merrimack College de Massachusetts, nos EUA, defende que o aprendizado colaborativo e por projetos seja popularizado em colégios e universidades.

O professor Butin diz que esses métodos são “ferramentas de ensino” muito melhores do que palestras, por exemplo, que normalmente não propõem desafios ao raciocínio dos ouvintes.

‘O momento do arrá!’

No entanto, Butin considera que a universidade 42 foi longe demais ao abolir os professores. Pesquisas feitas por ele indicam que a maneira mais eficaz de ensino colaborativo inclui a supervisão de um professor especializado.

“A razão decisiva para a existência de um professor é orientar os estudantes no enfrentamento de assuntos complexos, ambíguos e que geralmente escapam à sua capacidade de entendimento”, acredita.

“Bons professores são capazes de levar os estudantes ao que chamo de ‘momento do arrá!'”

O pesquisador diz que “a função da universidade” é desafiar conhecimentos e opiniões preconcebidas. Uma universidade sem professores, continua Butin, pode permitir que os estudantes simplesmente “reforcem e regurgitem” ideias que já têm sobre o mundo.

O modelo da 42 poderia ser uma alternativa aos Massive Open Online Courses, os Moocs (cursos online abertos e massivos, em tradução livre), que permitem que um grande número de pessoas estude online gratuitamente ou pagando pouco.

Como os Moocs, a 42 oferece uma educação mais acessível que a universidade tradicional. Mas também oferece os chamados benefícios sociais como acesso a um prédio e interação diária com outras pessoas.

A abertura da 42 coincide com a popularização nos EUA de cursinhos rápidos e intensivos que atraem milhares por causa da grande procura por programadores e desenvolvedores de software.

Método exige aluno disciplinado

Mas será que o modelo sem professores da 42 daria certo em grandes universidades?

Britanny Bir admite que os novos métodos não servem para todos os alunos. Durante o mês de seleção, por exemplo, alguns candidatos ficam irritados pelo estresse de trabalhar tão próximos. E não é difícil imaginar uma reação assim se você recebeu nota baixa de alguém que está no computador ao seu lado.

“O método é indicado para pessoas muito disciplinadas e confiantes, que não se intimidam com a liberdade de trabalhar no seu próprio ritmo”, diz Britanny.

Nicolas Sadirac, diretor da 42 de Paris, destaca que esse modelo funciona particularmente bem para estudantes que sofreram fracassos ou foram deixados de lado pelo sistema tradicional de educação.

“Na França, o sistema de educação decepciona muitos jovens apaixonados, que se sentem frustrados com o que são obrigados a fazer e com a maneira como isso é exigido”, acrescenta.

O processo de seleção da universidade 42 ignora qualificações acadêmicas anteriores. No campus de Paris, 40% dos estudantes não completaram o equivalente ao segundo grau.

“A 42 lembrou a eles que aprender pode ser divertido se você seguir o seu interesse, em vez de ser ensinado por professores a focar em uma coisa só,” conclui Sadirac.

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