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Quem é a verdadeira Elena Ferrante? Autora misteriosa e best-seller lança novo livro

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A tradutora Anita Raja e o autor Domenico Starnone já foram apontados como Elena Ferrante Foto: Reprodução

Publicado no Extra

Após cinco anos do fim da tetralogia “Napolitana”, iniciada com “A amiga genial”, Elena Ferrante lança nesta terça, dia 1, seu novo livro: “A vida mentirosa dos adultos”. A autora, que já foi traduzida para quase 50 países, figura na lista dos mais vendidos em diferentes partes do mundo e já viu seus textos virarem roteiro de série de TV. Mas a sua identidade ainda é um mistério.

Teorias já apontaram Anita Raja, tradutora que presta serviços para a editora que publica Ferrante na Itália, como o nome por trás da escritora. O jornalista Claudio Gatti publicou um artigo em 2016 mostrando que os ganhos da italiana aumentaram com cada lançamento da romancista criadora de Lila e Lenú. As cifras seriam incompatíveis com os ganhos das obras feitas pelo trabalho de Raja. Na época, o jornalista foi bastante criticado, por ter exposto dados de pessoas comuns. O italiano se defendeu alegando que Elena Ferrante é uma pessoa famosa, por isso de interesse público.

Gatti não foi o único a se aventurar nesta pesquisa. Físicos e matemáticos da Universidade de Roma criaram um software para comparar as escritas dos livros de Elena Ferrante com a de outros escritores italianos. Eles concluíram que Domenico Starnone, escritor e marido de Anita Raja, seria o nome por trás da autora misteriosa.

Outra teoria que aponta que o casal estaria por trás da best seller é que o apelido de infância de Starnone era Nino. O mesmo nome de um dos personagens de “A amiga genial”, Nino Sarratore. Ambos negaram a autoria dos livros.

O que teóricos, fãs aficcionados e as próprias editoras da autora ao redor do mundo defendem é o direito de Elena Ferrante permanecer no anonimato.

“A vida mentirosa dos adultos”

 

O novo livro foca em Giovanna. Aos 12 anos, ela ouve o pai dizer que ela é feia e que está ficando parecida com uma tia, que não é muito querida na família. O homem some logo depois. A partir daí, a garota sai em busca dessa parente desconhecida e acaba descobrindo muito mais sobre si mesma e a família.

”’A Peste”’, de Albert Camus, vira best-seller em meio à pandemia de coronavírus

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Livros de ficção que se passam em situações de epidemias ou pandemias, como Ensaio Sobre a Cegueira 1995 , do português José Saramago, e de não-ficção que descrevem a disseminação de doenças no passado estão constantemente nas listas de mais vendido

Publicado no Folhago

Numa pequena cidade da costa argelina, na década de 1940, a vida dos habitantes segue sua rotina até que milhares de ratos começam a surgir do subterrâneo e morrer aos milhares. Logo as pessoas também começam a pegar a doença — e seu destino é, em muitos casos, o mesmo.

Essa narrativa, escrita em 1947 pelo franco-argelino Albert Camus, tem atraído muitos leitores em diversos países da Europa, em meio à pandemia de coronavírus.

Não só ela — livros de ficção que se passam em situações de epidemias ou pandemias, como “Ensaio Sobre a Cegueira” (1995), do português José Saramago, e de não-ficção que descrevem a disseminação de doenças no passado estão constantemente nas listas de mais vendidos.

No Brasil, isso ainda não está acontecendo. A editora Record, que publica a versão brasileira mais recente de “A Peste”, diz que ainda não viu aumento na procura. A Livraria da Vila, uma das principais de São Paulo, informou à BBC que, por enquanto, não notou aumento nas vendas ou na procura por títulos do gênero.

“Encaramos com naturalidade que os europeus estejam procurando se informar por meio de obras com a temática, uma vez que a Europa já passou por grandes epidemias ao longo dos séculos e é uma das regiões mais atingidas pelo coronavírus. No entanto, a situação no Brasil é distinta e não há como prever os próximos cenários”, disse a administração da livraria, por e-mail.

A livraria afirma que, por ser um fenômeno recente no Brasil, ainda não está preparando ações específicas, como pedidos às editoras de livros sobre o tema, mas pode recomendar alguns livros, como “História da Humanidade Contada Pelo Vírus”, de Stefan Cunha Ujvari; “Cidade Febril- Cortiços e epidemias na corte imperial”, de Sidney Chalahoub e “Peste e Cólera”, de Patrick Deville.

A BBC procurou outras grandes livrarias, como Cultura, Travessa e Martins Fontes, mas não teve resposta.

Se não no Brasil, esses livros estão vendendo mais? Do que tratam? O que têm a ver com a realidade do surto de coronavírus? Que lições nos oferecem sobre como lidar com o surto? Por que as pessoas buscam esses livros?

Na opinião do pesquisador de Camus Raphael Luiz de Araújo, doutor em letras pela Universidade de São Paulo e tradutor de Os primeiros Cadernos de Albert Camus, “diante da doença precisamos nos repensar — quem somos, o que estamos enfrentando. Por falarem da condição humana (esses livros ganham interesse)”.

Além disso, pensa ele, serve como um espelho e uma maneira de não nos sentirmos sozinhos em meio à incerteza da epidemia. “E é também uma forma de buscar esclarecimento, tem um potencial didático, que é pensar como foi para pessoas que viveram e pensaram nisso”, palpita Araújo.

“É uma busca por dar forma à experiência, o que o (crítico) Antonio Candido chamava de fabulação. A Peste e outros clássicos trazem explicações de princípios sem que a gente entre na religião, oferecem caminhos para a nossa busca ética”, resume ele.

A peste

O romance “A Peste” foi publicado em 1947, pouco após o fim da Segunda Guerra Mundial, e conta a história da chegada de uma epidemia à cidade argelina de Orã. O personagem principal é um médico, Rieux, que combate a doença até o momento em que ela se dissipa, depois de muitas mortes. O narrador descreve como a população reage, indo da apatia à ação, e como alguns se expõem a risco para enfrentar a disseminação da peste. Há aproveitadores, como um personagem que lucra com um mercado paralelo de produtos. Num primeiro momento, as autoridades hesitam em publicizar a doença, algo que Camus veria de forma crítica, diz Araújo — sua obra sempre volta ao tema da importância de nomear as coisas.

Nos anos 1940, diz Araújo, Camus vinha pesquisando sobre como se deram algumas epidemias na Argélia e na Europa. Ele próprio sofrera com doenças, a tuberculose, e privações, por ser de uma família argelina pobre.

Logo após sua publicação, o livro foi lido como uma analogia sobre a ocupação alemã em Paris durante a Segunda Guerra, em parte por causa da epígrafe do livro, uma frase do escritor Daniel Defoe: “É tão válido representar um modo de aprisionamento por outro quanto representar qualquer coisa que de fato existe por alguma coisa que não existe”. Araújo lembra que, numa carta a Roland Barthes de 1955, Camus afirma que a obra descreve “a luta da resistência europeia contra o nazismo”.

Araújo aponta alguns paralelos com o momento atual: “a questão do conhecimento. Vivemos um momento em que há desinformação, fatos vêm sendo contestados. Em “A Peste” há um cuidado de mostrar as coisas como são de fato. O livro fala que existe (na história) um problema de abstração. A desinformação, a abstração, geram histeria, comportamentos levianos ou xenofóbicos, como temos visto”, interpreta ele.

Outra coincidência é a questão de burocratização das informações sobre as mortes, que pode gerar certa desumanização dos casos, opina ele. Na ficção, o número de mortes é anunciado diariamente numa rádio. Por outro lado, o narrador descreve algumas das mortes, o que faz o leitor senti-las de uma forma mais direta.

Para Araújo, uma lição a ser tirada do romance é a do reconhecimento da coletividade. A cidade passa a se reconhecer como um grupo em sua luta contra a doença. “Neste momento em que temos divisões muito marcadas no Brasil, é um convite a pensar sobre nós como coletivo. O que atravessarmos vamos atravessar juntos. Não é ‘cada um que se salve’. Como diz o Camus, a peste vira assunto de todos. Os problemas que nos atingem são de todos, não é só de quem apoia um ou outro governo. Ninguém está acima de ninguém”, diz o acadêmico.

Livros que estão vendendo bem

Na França, as vendas de “A Peste” chegaram a mais que dobrar nas primeiras oito semanas de 2020, comparado ao mesmo período de 2019, segundo a publicação de estatísticas de mercado editorial Edistat. O país registrava 30 mortes pelo vírus até terça-feira.

Na Itália, o segundo país mais impactado pelo vírus depois da China, o aumento de vendas colocou o romance na lista dos dez mais vendidos, segundo a revista literária francesa Actuallité.

Todo o país está sob medidas de emergência, determinadas pelo governo, para conter a contaminação da população pelo vírus.

A Amazon italiana tem entre seus 100 livros mais vendidos diversos exemplos de narrativas de ficção e não-ficção sobre epidemias, como “Virus, La Grande Sfida” (Vírus, o grande desafio, em tradução livre), do virologista Roberto Burioni. O livro, segundo a sinopse, “descreve a natureza e o funcionamento dos vírus, sua transmissão de animais para seres humanos, a evolução de nosso conhecimento científico sobre ele, os efeitos devastadores das epidemias na história da humanidade e as batalhas travadas no último século contra elas”.

“Ensaio sobre a Cegueira”, do romancista português José Saramago, também anda nos altos postos da lista. O livro conta a história de uma “treva branca” que vai deixando cegos, um a um, os habitantes de uma cidade.

No Reino Unido, leitores também vêm procurando “A Peste”, que deve ser reimpresso pela editora Penguin, já que já quase não há mais exemplares em estoque na Amazon.

O livro “The Great Influenza: The Story of the Deadliest Pandemic in History” (A grande gripe: a história da pandemia mais mortal da história, em tradução livre) estava entre os 100 mais lidos na versão britânica do site.

A narrativa de não ficção fala sobre “o vírus da gripe mais letal da história”, segundo a sinopse. “No auge da Primeira Guerra Mundial, irrompeu em um acampamento do exército no Kansas, expandiu para o leste com tropas americanas e depois explodiu, matando até 100 milhões de pessoas em todo o mundo. Matou mais pessoas em 24 meses do que a AIDS matou em 24 anos, mais em um ano do que a Peste Negra matou em um século.”

“Como o autor sabia?”

“Não costumo ler esse tipo de livro, mas tive que lê-lo porque estamos 2020 e no meio do avanço do coronavírus. Como o autor sabia?”, se pergunta um leitor no site britânico da Amazon sobre o romance The Eyes of Darkness (Os olhos da escuridão, em tradução livre), de 1981, escrito pelo americano Dean Koontz.

Assim como ele, muitos se perguntaram, em redes sociais, se o autor havia “previsto” a expansão da doença. Koontz de fato descreve no livro um vírus fictício que se chama “Wuhan-400” e cujo nome refere-se à cidade chinesa onde começou o surto de coronavírus. No entanto, o vírus, no romance fictício, é uma arma biológica da China, desenvolvida em laboratório, e não um micróbio que se espalha espontaneamente pelo mundo. Além disso, o vírus do livro é mais letal e se espalha mais rapidamente.

Em sua primeira versão, publicada em 1981, o vírus fictício não vinha da China, mas sim da Rússia, e se chamava Gorki-400, segundo a agência de notícias Reuters. A segunda versão saiu em 1989.

Não apenas livros

O filme “Contágio” esteve entre os mais vistos nas plataformas iTunes e Google Play, algo que pode ser considerado um marco para um filme que não é estreia.

No enredo, Beth Emhoff (Gwyneth Paltrow) retorna ao Estado de Minnesota (Estados Unidos) após uma viagem de negócios em Hong Kong e começa a se sentir mal. Emhoff atribui seus sintomas ao fuso horário.

No entanto, dois dias depois ela morre, sem que os médicos encontrem a causa. Logo depois, outras pessoas começam a manifestar os mesmos sintomas e, logo, é desencadeada uma pandemia que as autoridades de saúde tentam conter.

Em menos de um mês, o número de mortos na história chega a 2,5 milhões nos EUA e 26 milhões em todo o mundo.

No momento de seu lançamento, alguns especialistas elogiaram a maneira como o filme refletia a situação de uma pandemia.

Mas o que a realidade do coronavírus chinês realmente tem em comum com a ficção do filme de Soderbergh?

Um tema comum é que ambos os vírus se originam na China e os morcegos parecem desempenhar um papel preponderante.

Especialistas da Organização Mundial da Saúde apontam que é muito provável que o novo coronavírus venha de morcegos. Eles estimam que ele teve que pular primeiro para um grupo de animais não identificado antes de poder infectar humanos.

O filme mostra imagens de cidades em quarentena, aeroportos fechados, profissionais de saúde com trajes especiais, pessoas com máscaras, cidades vazias, lojas fechadas… Essas cenas vêm se tornando mais comuns, com China e Itália sob medidas de emergência para conter a disseminação do vírus.

No filme, entretanto, a doença tem contágio mais rápido e é mais letal.

Na história, pesquisadores conseguem produzir e distribuir uma quantidade limitada de vacinas em apenas 90 dias.

A realidade do coronavírus é diferente, ainda que, diferentemente dos surtos de vírus anteriores em que as vacinas para proteger a população levavam anos para serem desenvolvidas, a busca por um medicamento para controlar a disseminação da pneumonia de Wuhan tenha começado poucas horas após a identificação do vírus.

6 Dicas para ler mais e muito mais rápido

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Leonardo Filomeno, no Manual do Homem Moderno

Sabia que a escritora Agatha Christie lia 200 livros por ano? E que o presidente dos EUA Theodore Roosevelt tinha como costume ler um livro por dia? Até mesmo o Mark Zuckerberg, criador do Facebook, termina um volume a cada duas semanas?

Você não precisa ser um leitor voraz desse tipo, mas pode incorporar mais o hábito de leitura na sua vida. Você deve estar se perguntando: mas por que eu deveria fazer isso? Porque vai trazer consigo grandes melhorias na sua vida. Se liga nos principais benefícios: – Melhorar o funcionamento do seu cérebro, aumentando as conexões neurais; – estimula sua criatividade, deixando você mais inteligente, melhora sua escrita e vocabulário; – Incita o senso crítico; – Provoca empatia. Se você já ficou convencido com os motivos pelos os quais deveria incorporar o hábito de leitura na sua vida, com ajuda do Clube de Assinatura TAG, confira algumas dicas para ler mais e muito mais rápido!

1. Reserve um tempo no dia para ler (e pratique)

Não fique esperando a hora certa para ler, faça da leitura uma tarefa comum no seu dia. Isso funciona para quem não é tão fã de leitura, sempre vai aparecer uma série, um filme ou um jogo mais legal do que parar e começar a ler. Deixar para o momento ideal pode não acontecer, assim como reservar para momentos antes de dormir. Aqui, com seu cansaço de um dia inteiro, é fácil se perder entre as letras e pegar no sono, abandonando aquele livro que você queria ler. Dedicar uma parte do começo da manhã pode ser uma boa. Deixe de lado aquele tempo em que você gasta nas redes sociais para ler alguns capítulos.

2. Tenha mais livros disponíveis para ler do que consegue

Tudo bem se você tiver mais livros do que conseguiria ler, faz parte da construção do hábito. Ter em mãos opções diferentes de leitura pode fazer você ganhar o gosto por aí. Pode pegar livro emprestado, comprar que, a probabilidade de você encontrar um volume que se encaixe com sua vibe é muito maior.

3. Tenha um Clube de assinatura de livros

Se você não sabe por onde começar a ler, a dica que nós damos é ter o Clube de Assinatura de livros TAG. Com ele, todos os meses um curador indica um livro surpresa, em edição exclusiva, que não são encontradas para a venda em livraria ou um grande best-seller ainda inédito no Brasil. Dessa forma, você vai ter a certeza de que terá, pelo menos, um bom livro para ler todo mês. Hoje, o clube já conta com mais de 35 mil assinantes em todo o Brasil.

4. Leia mais de um livro por vez

É legal ter foco, mas a flexibilidade pode também ser aplicada à leitura. Muitas vezes ficamos com um livro difícil que nos trava e isso compromete todo fluxo de leitura. Por isso, aposte em duas ou três opções de áreas e estilos diferentes para ler mais. Alguns mais densos, outros mais leves. Isso vai fazer você ter mais volume de leitura de páginas ao longo dos dias.

5. Comprometa-se a ler um número fixo de páginas antes de desistir de um livro

Tem muita gente que desiste do livro logo no capítulo inicial. Às vezes é porque o início da história pode ser mais difícil e enfadonho, outras vezes por que você precisa se adaptar com a linguagem de época, no caso dos clássicos da literatura. A narrativa pode demorar para te envolver, por isso, sugerimos adotar a regra das 50 páginas (ou algo menor, em volumes mais enxutos). Esse tempo de leitura vai fazer você perceber que a história se desenvolveu o suficiente para você ficar atraído ou não por ela. Assim, vai poder abandonar o teste do livro sem culpa.

6. Carregue sempre um livro com você

Preciso revelar que algo comum que sempre acontecia comigo quando eu não levava um livro junto: eu tinha sempre aqueles momentos de espera e ostracismo que poderia ser recheado com leitura. Perdi a conta de quantos livros já li em transporte público, na sala de espera de consultas médicas, hora de almoço e intervalos. Se você tem um livro em mãos nesses momentos livres, é mais fácil você voltar para a leitura e deixar redes sociais, programas de músicas de lado.

Editora Intrínseca faz 15 anos e cria clube do livro

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biblioteca, escola, livros, estudo (Foto: Pexels)

 

A editora é a terceira colocada em volume de vendas de livros no Brasil

Publicado na Época Negócios

Jorge Oakim tinha 28 anos e uma breve carreira no mercado financeiro, como analista de empresa, quando se preparava para fazer um MBA no exterior. No meio disso, havia um interesse dele em acompanhar o mercado editorial e uma vontade de ‘quem sabe um dia’ abrir uma editora de não ficção. Era um bom leitor do gênero. Os amigos tentaram tirar a ideia da cabeça do jovem economista, que teria um futuro mais promissor se ficasse com os números, e não com os livros, neste país de baixos índices de leitura.

Oakim, que costumava ouvir do pai, um engenheiro que gostava de livros, ‘para de ler, vai pegar sol’, desistiu do MBA. Foi para a Feira de Frankfurt e comprou os direitos de um livro que estava começando a fazer barulho na França. E foi com Hell – Paris 75016, de Lolita Pille, sobre uma geração de patricinhas parisienses, que a Intrínseca estreou em dezembro de 2003 e viu seu nome estampado nas listas de mais vendidos – fato corriqueiro nesses 15 anos da editora que ocupa hoje o terceiro lugar em volume de venda no ranking das editoras brasileiras – atrás do Grupo Companhia das Letras, a segunda, e da Sextante, a líder. A Sextante, aliás, é sócia da Intrínseca. E de todas, a Intrínseca é a mais enxuta, com cerca de 90 lançamentos por ano.

Hell vendeu 20 mil cópias ao longo da história. Quase nada perto dos sucessos que viriam depois. Cinquenta Tons de Cinza, de E L James, o maior best-seller da casa e o livro que abriu caminho para uma onda de romances soft porn, como ficaram conhecidos, vendeu nada menos que 3 milhões de exemplares desde 2011. Era o primeiro de uma trilogia que se desdobrou em outra série erótica. Somando tudo, E L James fica, também, com o posto de autora mais vendida da Intrínseca, com 7 milhões de exemplares comercializados.

Uma das coisas que Jorge Oakim aprendeu nesses 15 anos é que “o preconceito mata o editor”. Foi sua scout, uma espécie de olheira, que falou para ele prestar atenção nessa história – “que ela não leria porque não era seu estilo, mas que tinha potencial”. Houve um leilão acirrado no Brasil. “À medida que o tempo passava eu ficava mais certo do potencial da obra. Tivemos a oportunidade de fazer uma ‘best offer’ e ela foi muito mais alta que a oferta antiga. Uma coisa totalmente fora do padrão”, conta. Ele pagou US$ 750 mil. “Todo o investimento foi pago em 15 dias de livro nas livrarias”, diz.

Houve outros sucessos antes desse, muitos. A Menina Que Roubava Livros, de Markus Zusak, foi um divisor de águas. Crepúsculo também foi um tiro certeiro. Quem acreditaria que uma história de amor de vampiros se tornaria uma saga best-seller? Stephenie Meyer, a autora, é a segunda mais vendida da Intrínseca, com 6,6 milhões de exemplares no total. Houve quem dissesse que uma história protagonizada por adolescentes com câncer não daria em nada. E A Culpa É das Estrelas, de John Green, virou o fenômeno que virou – vendendo 1,8 milhão de cópias aqui e se tornado o segundo best-seller da casa.

“Eu quis fazer uma editora legal, que publicasse livros diferentes e que falasse com um grande público, mas jamais imaginei que a gente chegaria aonde chegou”, conta o editor que comemora um crescimento de 25% em relação a 2017, coisa rara hoje neste mercado em crise, mas que amarga dois arrependimentos. Um deles é a série Crônicas de Gelo e Fogo, que viraria Game of Thrones na TV.

Os originais, indicados por um amigo, nunca saíram de cima de sua mesa. E Caçador de Pipas, que ele perdeu num leilão porque não quis dar US$ 1 mil a mais – no início dos anos 2000, o livro saiu por US$ 12 mil. “Nessa hora eu pensei em fechar. Era uma grande oportunidade e eu não tive coragem de ir um pouco mais longe.” Se isso o transformou no apostador agressivo que dá quase US$ 1 milhão por uma trilogia de uma autora desconhecida? “Você toma uma porrada aqui, outra ali, a tendência é você ficar um pouco mais forte com isso. Acho que você fica mais consciente.

Os clubes de assinatura de livros ganham adeptos no Brasil e há mais de uma dezena de boas opções, como a TAG, para o público geral, a Taba, para crianças, e o Clube Leitura, que inovou ao ter um plano família. Editoras como Companhia das Letrinhas e Expressão Popular também têm seus clubes. O Intrínsecos acompanha a tendência, mas antecipa para os assinantes em 45 dias um lançamento considerado forte. São dois planos: mensal (R$ 54,90) e anual (R$ 49,90). As edições serão exclusivas, em capa dura, com projeto gráfico diferente do que estará na livraria. Na caixa, haverá ainda uma revista e um brinde.

O desafio será agradar ao mesmo tempo o leitor de E L James, John Green, Lionel Shriver, Jennifer Egan, Stephen Hawking, Elio Gaspari e Míriam Leitão, para citar alguns nomes do catálogo diverso da editora. “É um superdesafio, mas não há nada mais recompensador do que ler uma coisa que acha que não é para você e gostar. Acontece comigo toda hora.”, diz Jorge Oakim. O publisher sabe que é impossível que um leitor tenha uma identificação com todos os livros do clube. “Mas o que queremos mostrar é que vale a pena a leitura, que são coisas diferentes, autores diferentes do que aquela pessoa está acostumada, mas que ela pode ter prazer na leitura.”

Ele completa: “Estamos preocupados em construir uma coisa legal. Não estou olhando para hoje e nem para os primeiros meses. Nosso sonho é que daqui a algum tempo você entre em várias casas de leitores do Brasil e encontre a coleção na estante da pessoa e que ela a marque de alguma maneira”.

Extraordinário – filme baseado no livro best-seller do escritor R. J. Palacio dá vida nova a filmes do gênero

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Filme conta a história de Auggie (Jacob Tremblay), menino que nasceu com uma deformidade facial. Foto: Lionsgate Films/Divulgação

Filme conta a história de Auggie (Jacob Tremblay), menino que nasceu com uma deformidade facial. Foto: Lionsgate Films/Divulgação

Filme de Stephen Chbosky passa longe dos clichês ao tratar da história de um garoto com deformidade facial

Daniel Bydlowski, Diário de Pernambuco

O filme conta a história de Auggie (Jacob Tremblay), um menino que nasceu com uma deformidade facial devido a um raro gene que ambos os seus pais possuem. Acreditando que é hora de seu filho aprender a enfrentar a realidade e as outras pessoas, seu pai (Owen Wilson) convence sua mãe (Julia Roberts) de que Auggie precisa ingressar no ginásio. O maior conflito do enredo fica então claro: Auggie precisa lidar com o bullying de muitos jovens da escola para tentar fazer amigos. Ao mesmo tempo, seus pais e sua irmã (Izabela Vidovic) tentam colocar suas vidas pessoais em ordem.

Vendo o trailer, pode-se acreditar que se trata mais uma vez de um clichê que mostra como a vida de tal pessoa é triste e como é difícil para a família. Porém, a obra está longe disso e caminha muito inteligentemente sem cair nas famosas armadilhas já batidas. O aspecto mais importante é o modo com que Auggie é retratado: como uma criança comum, que tem desejos e medos regulares. Além disso, sua aparência física é compensada por seu humor e inteligência. Assim, todos os espectadores imediatamente gostam do personagem e, ao invés de ter pena, se identificam com ele. Afinal, como seu melhor amigo afirma, esquecemos de sua deformidade ao longo do tempo, e focamos principalmente em suas qualidades positivas.

'Extraordinário' é a estreia da semana do cinema de Vilhena (Foto: Reprodução)

‘Extraordinário’ é a estreia da semana do cinema de Vilhena (Foto: Reprodução)

A produção ainda usa elementos da cultura Nerd para dar mais vida ao enredo. Por exemplo, Star Wars é citado várias vezes como algo querido por Auggie, o que também dá grande humor à obra (com direito à participação dos próprios personagens da saga de ficção científica na escola). Além disso, estas referências são usadas de modo eficaz. Qual é a pior coisa para uma criança do que ter seus próprios ídolos voltados contra ela? Quando um dos meninos que caçoam de Auggie usa o vilão deformado de Star Wars (Imperador Palpatine) para se referir ao protagonista, todos sentimos sua dor.

O filme evita colocar Auggie sempre como centro da atenção e foca também em sua irmã Via, que se sente muito solitária já que toda a atenção de seus pais está com seu irmão. E o modo que Extraordinário faz isso é com a criação de capítulos que mostram o ponto de vida de personagens diferentes, como o próprio Auggie, sua irmã e até mesmo seus amigos.

Tanto a presença da cultura popular e Nerd, quanto a possibilidade de vermos os diferentes pontos de vista de diversos personagens, dão ao filme uma leveza muito rara para este tipo de obra. O resultado é que, ao invés de levar à depressão, Extraordinário simplesmente faz com que todos lembremos e voltemos para a época do ginásio, com lembranças contentes e tristes, amigos inesquecíveis e um futuro pela frente.

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