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Menina decide salvar livros em enchente no interior de Pernambuco e imagem viraliza na web

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Rivânia deixou roupas e brinquedos para trás (Foto: Divulgação / Prefeitura de São José da Coroa Grande)

Rivânia deixou roupas e brinquedos para trás (Foto: Divulgação / Prefeitura de São José da Coroa Grande)

Município espera arrecadar água potável, roupas, fraldas descartáveis, material de higiene pessoal, alimentos não perecíveis e colchões para ajudar às famílias

Publicado em O Povo

Uma criança de 8 anos foi resgatada de uma enchente em São José da Coroa Grande, no interior de Pernambuco. Rivânia, ou “Ri”, como é conhecida, escolheu salvar os livros e acabou tendo sua imagem registrada e viralizando nas mídias sociais nesta quarta-feira, 1. Sua família foi uma de tantas afetadas pelo alagamento que gerou transtornos à cidade pernambucana.

De acordo com o Correio Braziliense, a avó da garota, Maria Ivânia, pediu para que a neta salvasse o que era mais importante para ela quando a casa estava sendo invadida pela enchente. “Ri” correu e colocou os livros, parte do seu material escolar, dentro de uma mochila. Roupas e brinquedos ficaram para trás.

Assim como mostra a imagem (acima), testemunhas contaram que a garota ficou ajoelhada rezando até ser resgatada. Conforme a Prefeitura de São José da Coroa Grande, “Ri” e a família já retornaram para casa, mas a situação é precária.

O município começou uma campanha para ajudar as famílias que perderam seus bens nas enchentes. O objetivo é arrecadar água potável, roupas, fraldas descartáveis, material de higiene pessoal, alimentos não perecíveis e colchões.

18 sites para estudar de graça

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Jéssica Onofre, no Informativo Acadêmico

Hoje em dia existe uma grande quantidade de sites que ensinam de tudo, porém temos que atentar para a qualidade destes sites. A boa notícia é que existem muitos lugares respeitáveis ​​para estudar online de graça, e aqui está uma seleção com 18 destes sites para você começar.

Coursera
A coisa mais legal sobre a aprendizagem na Internet é que você pode fazer cursos universitários que, no passado, estavam disponíveis apenas para as pessoas que tinham dinheiro para frequentar faculdades de elite. Coursera disponibiliza cerca de 400 cursos divididos entre várias áreas do conhecimento.

Khan Academy
O Khan Academy  é um site com mais de 3.000 vídeos para aprender. Cursos detalhados são divididos em seções menores de texto ou vídeos para facilitar a aprendizagem que se encaixa em sua programação, e todos são individualizados de modo que você pode gastar tanto ou tão pouco tempo com o assunto que você gosta.

OpenCourseWare
Consórcio OpenCourseWare  é um esforço mundial para fazer curso de nível universitário gratuitamente na Internet. Procure um tema específico que lhe interessa, ou busca por idioma (20 estão disponíveis).

ALISON
Um recurso de aprendizagem global, com os cursos de Inglês, Francês e Alemão, ALISON. Há lições sobre tudo, desde técnicas de estudo para a lei americana de direitos autorais, casa de câmbio para angariação de fundos sem fins lucrativos e de contabilidade geral para a negociação na compra de uma casa.

MIT Open Courseware
Se você sempre quis estudar em uma escola de renome mundial como o Instituto de Tecnologia de Massachusetts, agora você pode fazer muitos cursos de forma gratuita a partir de sua casa em seu próprio tempo. Acesse já o MIT Open Courseware.

Academic Earth
Se você gostaria de uma coleção mais ampla de cursos que oferece MIT, Academic Earth é um ótimo lugar para isto. Este agregador de cursos gratuitos tem uma coleção impressionante de cursos de cerca de 50 universidades em todo o mundo.

Aberto Learning Institute
Open Learning Institute da Carnegie Mellon University permite o acesso a uma grande quantidade de materiais do curso para que você possa aprender no seu próprio ritmo.

Guia de Educação
Um dos mais completos portais de educação do Brasil. O conteúdo é sempre atualizado com notícias, cursos, textos, artigos, vídeos e filmes relacionados ao ensino e aprendizagem. Pais, alunos e professores vão achar todo tipo de informação desde o (mais…)

Jovens bombam na internet e viram best-sellers das livrarias

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Bruna Vieira em sua casa: faturamento mensal entre 15 000 e 60 000 reais (Foto: Mario Rodrigues)

Bruna Vieira em sua casa: faturamento mensal entre 15 000 e 60 000 reais (Foto: Mario Rodrigues)

Ao tratarem questões pessoais com humor e pitadas de autoajuda, garotos das redes sociais se tornam fenômenos editoriais

Ana Carolina Soares, na Veja SP

O tagarela Christian Figueiredo emudeceu ao ver mais ou menos 1 000 seguidores virtuais materializar-se em uma fila de adolescentes animados. A turma extrapolava os limites da Livraria Cultura, estendia-se pela Alameda Santos, pela Rua Padre João Manuel e só acabava na Avenida Paulista. “Sabia que me comunicava com um público considerável, mas não tinha ideia do tamanho real dele ou da cara dessas pessoas”, lembra o rapaz de 20 anos, detentor de mais de 4 milhões de fãs em suas redes sociais. Era noite de 11 de fevereiro, dia do lançamento de seu primeiro livro, Eu Fico Loko. As 160 páginas cheias de fotos e ilustrações receberam o mesmo título de seu vlog (videoblog, espécie de diário no mundo virtual) no YouTube, com quase 2 milhões de inscritos acumulados desde a estreia, em junho de 2010. Os textos narram a adolescência, descrita pelo garoto como uma fase “duuuura” (dita assim mesmo, cheia de vogais e caretas), com situações marcantes e constrangedoras, como amores platônicos, o complexo de magreza e o início da vida sexual. “Lembro quando tentei colocar, na primeira tentativa — sim, foram várias tentativas— a camisinha entrou e pulou para fora”, conta o autor em um dos capítulos.

Com suas caras e bocas viralizadas nas principais redes sociais, Chris chamava atenção na rede como um novo porta-voz teen. Agora, experimenta o gostinho do sucesso fora da internet. Durante as quase quatro horas da noite de autógrafos no evento da Cultura, meninas gritaram, meninos se descabelaram e os executivos da editora Novo Conceito vibraram com a venda dos aproximadamente 1 000 exemplares, que saíram em uma só tacada. Na semana de estreia, o livro do vlogueiro foi o principal best-seller do país, segundo ranking do PublishNews, boletim informativo do setor. “É um feito inédito para um autor jovem”, diz Cassia Carrenho, gerente do veículo.

Até agora, Eu Fico Loko vendeu mais de 70 000 exemplares. Acima desse patamar, aparecem apenas blockbusters do porte do romance erótico Cinquenta Tons de Cinza e de Nada a Perder 3, de Edir Macedo, da Igreja Universal. Chris é o exemplo mais bem-sucedido do momento de um novo fenômeno editorial: os autores jovens que nasceram no mundo on-line. A seu favor, contam coma vantagem de abordar um universo com forte apelo comercial. Segundo dados da Nielsen, empresa de pesquisa de mercado, títulos do gênero infantil, juvenil e educacional representam atualmente 30% das vendas totais de livros no país, a maior fatia entre todas as categorias. Trata-se de um negócio que movimenta mais de 1 bilhão de reais no Brasil por ano. Outro fator que facilita a onda é que essa nova safra de escritores já traz um público cativo nos lançamentos. Além de Chris, destacam-se na leva nomes como a blogueira Isabela Freitas, mineira de Juiz de Fora, 24 anos e 300 000 cópias vendidas de seu primeiro título, Não Se Apega, Não. Lançada no ano passado pela editora Intrínseca, a obra revela como e por que a escritora dispensou seu “namorado dos sonhos”.

Casos assim estão gerando uma corrida nas editoras em busca de outros valores. “A internet virou porta de entrada para os estreantes. Ficamos de olho nessa produção e nas curtidas que esses autores recebem nas redes sociais”, diz Alessandra Ruiz, publisher da editora Gutenberg, uma das que investem no filão. Desde o fim de 2012, a empresa introduziu no mercado off-line quatro blogueiros. A Paralela, selo popular da Companhia das Letras, tem planos de lançar neste ano o primeiro título da blogueira “desbocada” Kéfera Buchmann (22 anos e quase 3 milhões de fãs no Facebook) e de Vic Ceridono, 28 anos, com 78 000 inscritos em seu canal do YouTube especializado em maquiagem. “Essa turma disputa espaço com gigantes como Rick Riordan (da saga Percy Jackson) e clássicos como O Pequeno Príncipe, de Saint-Exupéry”, afirma Ismael Sousa, coordenador da Nielsen.

A migração de autores da internet parao papel começou com Bruna Vieira, de 20 anos. No fim de 2012, ela lançou Depois dos Quinze, pela editora Gutenberg, com mesmo nome e proposta de sua página na internet, que tem média de 1,5 milhão de acessos mensais. Em textos simples, mas com personalidade, ela falava sobre sua timidez, complexos e o bullying sofrido por ser tímida, gordinha e estrábica. Depois, lançou outros três títulos: A Menina que Colecionava Borboletas (espécie de continuação de Depois dos Quinze), além dos romances De Volta aos Quinze e De Volta aos Sonhos. Nascida em Leopoldina, no interior de MinasGerais, ela se mudou para o bairro do Ipiranga,em São Paulo, aos 17 anos para participar de eventos e campanhas publicitárias, e chega a faturar hoje cerca de 60 000 reais por mês, entre direitos autorais e publicidade na internet. No fim do ano passado, seus pais (Mauro, serralheiro, e Luzia, secretária), além do irmão (Mauro, programador, de 23 anos), largaram seu cotidiano e emprego em Minas e se mudaram para Atibaia, para trabalhar com a caçula. “Comecei meu blog como um diário, um desabafo, porque fui esnobada por um garoto. No fim, a internet me deu autoestima e uma profissão”, diz. De quebra, o rapaz ainda lhe pediu desculpa. Neste ano, Bruna lançará dois livros. Um deles será uma revista em quadrinhos. Com o projeto, a jovem pretende virar boneca e faturar ainda mais com produtos licenciados em 2015. O outro plano envolve uma seleção de crônicas junto com dois pesos-pesados de romances juvenis,Thalita Rebouças e Paula Pimenta. “São minhas maiores referências, ao lado de Martha Medeiros e Meg Cabot (de O Diário da Princesa, que virou filme com Anne Hathaway).”

Os ídolos de Bruna apontam o caminho dos jovens best-sellers. Eles são doces,românticos, politicamente corretos e bem-humorados. A rebeldia típica da fase só aparece em um ou outro palavrão. Todos apresentam o sentimento como tema principal de suas obras: a dificuldade de se entrosar com a turma, de acertar no amor e as rusgas com a família. Um exemplo é Fred Elboni, de 24 anos, autor do blog Entenda os Homens, com 5 milhões de acessos mensais, além dos livros Um Sorriso ou Dois e Meu Universo Particular, lançado neste mês. Em seus textos, aborda tabus, como sexo no primeiro encontro, e faz alguns desabafos, como a saudade do pai, o publicitário Fábio Elboni, que morreu de câncer no estômago quando o jovem tinha 14 anos. “Minha mãe, que era divorciada, vivia dizendo para eu ligar mais para ele”, lembra Fred. “Eu acabava sempre deixando para depois. Poderia ter curtido mais a companhiado meu pai. Hoje falo aos meus leitores para aproveitarem melhor os momentos com as pessoas queridas.”

JESSICA GRECCO E ARIANE FREITAS, 25 ANOS - Na internet: contabilizam 7,7 milhões de seguidores em contas nas redes sociais. O blog "Indiretas do Bem" possui em média 150 000 acessos mensais. Nas livrarias: a primeira obra delas, O Livro do Bem, foi lançada em novembro e vendeu aproximadamente 17 000 exemplares. Renda mensal: entre 20 000 e 50 000 reais. Perfil: a dupla fala de seu cotidiano, além de mandar mensagens curtas de superação e autoajuda (Foto: Mario Rodrigues)

JESSICA GRECCO E ARIANE FREITAS, 25 ANOS – Na internet: contabilizam 7,7 milhões de seguidores em contas nas redes sociais. O blog “Indiretas do Bem” possui em média 150 000 acessos mensais. Nas livrarias: a primeira obra delas, O Livro do Bem, foi lançada em novembro e vendeu aproximadamente 17 000 exemplares. Renda mensal: entre 20 000 e 50 000 reais. Perfil: a dupla fala de seu cotidiano, além de mandar mensagens curtas de superação e autoajuda (Foto: Mario Rodrigues)

Além da temática de dramas e encanações adolescentes, os autores têm outros pontos em comum. Por viverem grudados no celular (“é um membro do meu corpo”, define Bruna Vieira), trabalham praticamente todos os dias. Postam de segunda a segunda nas redes sociais e usam como trilha sonora de seus vídeos as canções pop que ouvem, de Aerosmith a Katy Perry. Na maioria dos casos, o próprio quarto faz as vezes de cenário. “É uma delícia porque raramente pegamos trânsito e as reuniões acontecem por WhatsApp”, diz Jessica Grecco. Ela e a amiga Ariane Freitas são donas da página do Facebook Indiretas do Bem, com mensagens positivas, e lançaram a primeira obra, O Livro do Bem, em novembro passado. Em maio, colocarão no mercado a segunda, tendo como alvo o Dia dos Namorados. “Nossa única pretensão ao abrir a página no Face era apaziguar um grupo de amigos que (mais…)

Jovem abandona profissão para virar escritora e ganha popularidade na web

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Cybelle Santos lança livro de contos e crônicas (Foto: Daniela Fiscarelli/G1)

Cybelle Santos lança livro de contos e crônicas (Foto: Daniela Fiscarelli/G1)

Cybelle Santos é formada em publicidade, mas decidiu mudar de profissão.
Primeiro livro foi publicado em 2012. Segundo será lançado ainda esse ano.

Daniela Fiscarelli, no G1

Uma publicitária de São Vicente, no litoral de São Paulo, decidiu mudar o foco e tornou-se escritora. Cybelle Santos, de 22 anos, começou a escrever quando era pequena, criando histórias para as aulas de redação. Hoje, ela já possui um livro publicado e outro pronto, que deve chegar em breve ao mercado.

Cybelle criou um diário pessoal na internet para publicar textos pessoais, desabafando sobre sentimentos e coisas que aconteciam em sua vida. Depois de abrir seu site para que o público pudesse ler, ela começou a receber muitos acessos. “As pessoas começaram a gostar e se identificaram. Elas me sugeriram fazer o livro”, conta ela.

Apesar de escrever desde pequena, Cybelle diz que não achava que seria escritora. “Eu nunca imaginei que ia escrever um livro. Na verdade, eu comecei como um hobby”, diz. A publicitária gostou da sugestão de suas leitoras e decidiu fazer uma coletânea dos textos. “Pesquisei várias editoras. Algumas eu não consegui entrar porque não publicavam o gênero de contos e crônicas. Outras eram publicações pagas e eu não tinha condições financeiras”, explica Cybelle.

Juliana Goes posa com o livro da autora de São Vicente (Foto: Cybelle Santos/Arquivo Pessoal)

Juliana Goes posa com o livro da autora de
São Vicente (Foto: Cybelle Santos/Arquivo Pessoal)

Após diversos emails, uma editora do Rio de Janeiro aceitou publicar o livro, intitulado ‘Palavras Apaixonadas’. “Quando me aprovaram eu não acreditei. Realmente eu achei que eles tinham mandado o e-mail para a pessoa errada”, conta.

Depois da publicação, Cybelle decidiu que queria popularizar seu livro para ganhar credibilidade. “Eu sei do preconceito que as pessoas têm com os autores novos. Por isso, eu queria dar uma visibilidade para o livro, nem que fosse só na internet”, fala.

A ideia que Cybelle teve foi de enviar o seu livro para pessoas em destaque na mídia e que tinham a ver com o seu tipo de público. O resultado deu mais certo do que ela esperava. Algumas das pessoas que receberam o livro foram as autoras Paula Pimenta, Thalita Rebouças, as blogueiras Bruna Vieira, Bianca Andrade, Juliana Goes e até a atriz Fernanda Souza.

Hoje, por causa da própria publicidade, Cybelle já conta com mais de 14 mil seguidores nas redes sociais. Seu segundo livro, com o título ‘Escrevendo Nossa História’, está previsto para ser lançado ainda no primeiro semestre. Além disso, Cybelle diz que já tem muitas ideias para novas publicações futuras.

Adolescentes recriam histórias consagradas e publicam na web

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Escrita por uma americana de 25 anos, a fanfic ‘After’ tem apelo erótico e um protagonista ‘mulherengo e bêbado’

Roberta Salomone em O Globo

RIO – Quando encontra um nome perfeito para um personagem ou consegue imaginar um desfecho surpreendente para um novo enredo, Caroline Figueiredo corre para fazer anotações em seu caderno. Depois, a estudante, fã de comédias e filmes como “Jogos vorazes” e “Os Vingadores”, passa tudo para o computador e disponibiliza a produção na internet. Já são mais de 60 histórias acompanhadas e comentadas por leitores de várias partes do Brasil e do mundo. Todas baseadas em “The 39 clues” (“As 39 pistas’’), série de livros que Caroline nem se lembra mais de quantas vezes leu.

— O que faço é fanfiction. Me inspiro para criar novas histórias a partir de outras que gosto — explica a menina de 16 anos sobre o gênero literário nascido na web e definido como “ficção de fã”.

Caroline Figueiredo, de 16 anos, costuma escrever suas histórias em cadernos - ANTONIO SCORZA

Caroline Figueiredo, de 16 anos, costuma escrever suas histórias em cadernos – ANTONIO SCORZA

Textos sobre os mais diferentes temas que usam celebridades como personagens e repetem tramas já conhecidas viraram febre entre os adolescentes, que seguem autores novatos como Caroline em sites que abrigam milhares de histórias. Harry Potter é, disparado, o mais citado. Entre as séries de TV, “Glee” e “Doctor Who” saem na frente, já no meio musical, só dá o One Direction. Escrita por uma americana de 25 anos, a fanfic “After” tem grande apelo erótico e um protagonista “mulherengo e bêbado” batizado com o mesmo nome e sobrenome de um dos integrantes da boyband. A trama teve mais de um bilhão de visualizações e deve seguir o sucesso de “Cinquenta tons de cinza”, também originária na internet e inspirada em outra obra: “Crepúsculo.’’ Por questões legais, a versão impressa de “After” teve nomes trocados antes de chegar às livrarias e, em breve, vai virar filme.

— Fanfic não é só sacanagem não — avisa Babi Dewet, de 28 anos, autora da trilogia “Sábado à noite’’, que vendeu mais de dez mil cópias e fala sobre a banda britânica pop McFly.

Babi Dewet ganhou fama na internet com suas “fanfics”, que viraram livros - ANTONIO SCORZA

Babi Dewet ganhou fama na internet com suas “fanfics”, que viraram livros – ANTONIO SCORZA

O primeiro livro de Babi foi bancado pela mãe. Hoje, ela está entre as escritoras mais populares do gênero por aqui. É formada em Cinema, coleciona seguidores no Twitter e no Instagram e com seus longos cabelos com pontas azuladas, dificilmente passa despercebida. Nos braços carrega nove tatuagens, entre elas um Yoda de “Star Wars”, os símbolos das relíquias da morte de “Harry Potter”, e uma estrela igual à do líder do grupo preferido.

Ainda que não tão estilosas como Babi, muitas outras meninas (sim, elas são maioria esmagadora no mundo das fanfctions) sonham em trilhar o mesmo caminho e não medem esforços para isso. Sabem que fórmula pronta não existe, mas reconhecem que há algumas maneiras de fisgar novos leitores na web. Escrever ou pelo menos pensar num título em inglês, por exemplo, pode despertar uma maior curiosidade e resultar num maior número de visualizações.

Enquanto uns acham que usar enredos já conhecidos ou nome de famosos não passa de plágio, há quem veja a produção como uma homenagem.

— Ninguém é verdadeiramente famoso hoje em dia se não tiver sua obra recriada por dezenas, centenas e milhares de fãs — afirma Cristiane Costa, autora de “Sujeito oculto”, livro escrito a partir de uma colagem de diferentes títulos. — O mercado passou a olhar este tipo de literatura com outros olhos. O que chama atenção é o número de visualizações e seguidores. É um tipo de autor que já vem com seu próprio público a tiracolo.

Marcela Moreira (à direita) e Leticia Black fazem parte do Clube das Autoras, site que tem 30 mil leitores - ANTONIO SCORZA

Marcela Moreira (à direita) e Leticia Black fazem parte do Clube das Autoras, site que tem 30 mil leitores – ANTONIO SCORZA

Foi exatamente o que aconteceu com Letícia Black, também conhecida como ” Leka Judd. No currículo da escritora de 24 anos há 90 fanfics espalhadas pela internet e o recém-lançado “Garota de domingo”, que fala sobre o conturbado romance entre Pam e Davi. O livro de Letícia está nas estantes de grandes livrarias dividindo espaço com séries best sellers internacionais como “Diário de um banana”.

Marcella Moreira tem 19 anos e é autora de 18 fanfics (“Eu escrevo muito e muito devagar”, confessa). Como Letícia, Cell é uma das participantes do Clube das Autoras, site que existe há dois anos, tem 30 mil leitores e cerca de 200 textos disponíveis.

— Os homens têm preconceito com o nosso trabalho. Acham que só escrevemos sobre bandas com garotos bonitinhos. Mas não sou dessas que ficam apaixonadas por qualquer um. Meu coração bate mais forte é pelo Fluminense — conta Marcella, que não tem namorado e é autora de alguns contos indicados apenas para maiores de idade por relatarem triângulos amorosos, traições e vinganças.

Beatriz Sosinho, de 16 anos, também fala e escreve sobre esses e outros assuntos, em tese “proibidos” para menores como ela. Prefere usar títulos em inglês e sempre cita bandas e cantores em seus textos. A ideia de “The fox and the snake” veio de “Hey you”, do Pink Floyd, e a história medieval “Stairway to heaven” foi batizada como a música do Led Zeppelin.

— Conheci o Sex Pistols lendo fanfics, sabia? — comenta Beatriz, a BJ Stewart.

Da esquerda para a direita, Beatriz Sosinho, Giovana Rita e Giovanna Lobo passam noites em claro lendo e escrevendo suas histórias - ANTONIO SCORZA

Da esquerda para a direita, Beatriz Sosinho, Giovana Rita e Giovanna Lobo passam noites em claro lendo e escrevendo suas histórias – ANTONIO SCORZA

Enquanto alguns carregam o laptop para a cama para acompanhar as aventuras de seus personagens favoritos, outros leitores chegam a imprimir páginas e mais páginas de textos como uma forma de driblar o controle dos pais.

— Já fiz isso, mas hoje prefiro ler no celular mesmo. Aí sei que ninguém vai implicar comigo. Se pudesse, passava noites em claro lendo, mas tenho que acordar cedo para ir para a escola — reclama Giovana Rita, de 17 anos, fã de mitologia grega e autora de cinco fanfics.

Um dos segredos do sucesso das “ficções de fãs” é a possibilidade de dar ao leitor a chance de “customizar” o que vai ler. Antes do acesso ao texto, muitas delas permitem que se escolha o nome, cor dos olhos e cabelos do protagonista, além do nome do melhor amigo ou pretendente. É uma maneira de ser inserido no cenário e fazer parte do universo que tanto gosta.

Nos Estados Unidos, só o site Fan Fiction tem cinco milhões de textos em 30 idiomas, e um dos principais no Brasil, o Fanfic Obsession, disponibiliza mais de oito mil histórias de diferentes gêneros, tem 18 mil acessos todos os dias de 25 países e 97% dos leitores do sexo feminino, entre 14 e 21 anos. Vislumbrando um mercado dos mais lucrativos, a Amazon permite desde o ano passado que fanfics sejam vendidas através do Kindle Worlds. Lá, a regra é clara: os lucros com as vendas devem ser divididos com os autores das obras originais.

— Acho o máximo participar de tudo isso e não ligo para quem diz que o que a gente faz é plágio. Esta é uma forma de incentivar a leitura e fazer novos amigos — acredita Giovanna Lobo, de 16 anos, que tem 36 textos publicados e um deles, “Anjo imperfeito”, com partes inteiras copiadas em outra fanfic na semana passada. — Não tem jeito. Até a gente corre esse risco.

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