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Grande vencedor do Emmy, ‘Game of Thrones’ foi a série mais procurada na internet

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Cena de Game of Thrones

História da guerra de tronos venceu o prêmio mais importante do Oscar da TV na noite desta segunda

Publicado na Folha de S.Paulo

São Paulo – “Game of Thrones” não levou apenas o prêmio mais importante do Emmy, como melhor drama, como também foi a série dramática mais procurada no Brasil no último ano.

O levantamento foi feito pela empresa SEMRush que registrou 7,2 milhões de buscas em ferramentas de procura como o Google e o Bing.

Baseada nos livros de George R.R. Martin, o seriado gira em torno de brigas pelo trono e venceu também o prêmio de melhor ator coadjuvante pela interpretação de Peter Dinklage que faz o irrepreensível Tyrion Lannister.

George RR Martin – Mike Blake, Reuters

Depois da série mitológica, o fantasioso “Stranger Things”, com 6,3 milhões de buscas segue em segundo lugar. Apesar da grande procura e de ser considerada o carro-chefe da Netflix, a série não levou nenhum prêmio na noite desta segunda, se contentando apenas com um prêmio técnico.

O elenco da série – David Crotty | Patrick McMullan | Getty Images

Com muitas indicações ao prêmio que é considerado o Oscar da TV, “The Handmaid’s Tale” está no terceiro lugar com 1,9 milhão de buscar. Na concorrência, a série também não se destacou na cerimônia do Emmy e perdeu até em prêmios que tinha três indicações, como de atriz coadjuvante.

Outra da HBO, a ficção “Westworld”, com 1,4 milhão de buscas, está na quarta posição da lista na frente do drama familiar “This Is Us”, com 1,07 milhão.

“The Crown” e “The Americans” tiveram poucas buscas se comparado com os importantes prêmios que levaram no Emmy. Como de melhor atriz para o drama da família real britânica para Claire Foy e de melhor ator para o seriado sobre espiões durante a Guerra Fria para o ator Matthew Rhys.

Por que esquecemos a maioria dos livros que lemos e filmes a que assistimos

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A rede Saraiva vende livros, filmes, games e itens de papelaria – Divulgação

Segundo pesquisador, a forma que consumimos informação mudou o tipo de memória que damos valor

Texto de Julie Beck, na Folha de S.Paulo

As lembranças de Pamela Paul quanto a leituras são menos sobre as palavras e mais sobre a experiência. “Quase sempre me recordo de onde estava, e do livro em si. Lembro do objeto”, diz Paul, editora da revista The New York Times Book Review e pessoa que pode ser facilmente definida como alguém que lê um monte de livros. “Recordo a edição; recordo a capa; usualmente recordo onde comprei o livro, ou de quem o ganhei. O que não recordo —e isso é terrível— é tudo mais”.

Paul me contou, por exemplo, ter terminado recentemente de ler a biografia de Benjamin Franklin por Walter Isaacson. “Enquanto lia o livro, aprendi não tudo que se conhece sobre Ben Franklin, mas boa parte disso, e estava ciente da cronologia geral da revolução americana”, ela diz. “Agora, dois dias mais tarde, eu provavelmente não conseguiria resumir a cronologia da revolução americana”.

Certamente há pessoas capazes de ler um livro ou assistir a um filme uma vez, e reter a história perfeitamente. Mas, para muita gente, a experiência de consumir cultura é como encher uma banheira, entrar na água e depois vê-la escoando pelo ralo. Pode restar uma pequena quantidade de água na banheira, mas o resto se vai.

“A memória em geral tem uma limitação muito intrínseca”, diz Faria Sana, professora assistente de psicologia na Universidade de Athabasca, no Canadá. “É essencialmente um gargalo”.

A “curva do esquecimento”, o nome pelo qual o fenômeno é conhecido, é mais acentuada nas primeiras 24 horas depois que a pessoa recebe uma informação. Exatamente quanto a pessoa esquece, em termos percentuais, varia, mas a menos que ela revise o material, boa parte dele escorre pelo ralo depois do primeiro dia, e a perda aumenta nos dias subsequentes, o que deixa apenas uma fração do que a pessoa recebeu.

Presume-se que a memória sempre tenha funcionado assim. Mas Jared Horvath, pesquisador da Universidade de Melbourne, na Austrália, diz que a maneira pela qual as pessoas consomem informação e entretenimento hoje mudou o tipo de memória a que atribuímos valor —e a nova preferência não é pelo tipo que ajuda a reter a trama de um filme assistido seis meses atrás.

Na era da internet, a memória declarativa —a capacidade de acessar espontaneamente informações que a pessoa guarda na cabeça— se torna muito menos necessária. É boa para jogos de bar ou para recordar a lista de tarefas a fazer, mas, segundo Horvath, a chamada memória de reconhecimento se tornou em geral mais importante. “Desde que você saiba onde está a informação, e como acessá-la, não precisa da memória declarativa”, ele diz.

Pesquisas mostraram que a internet serve como uma espécie de memória externa. “Quando as pessoas antecipam ter acesso futuro a uma informação, elas recordam menos os detalhes dessa informação”, nas palavras de um estudo. Mas mesmo antes que a internet existisse, produtos de entretenimento serviam como memórias externas sobre eles mesmos. Ninguém precisa lembrar uma citação de um livro se puder consultá-lo. Quando surgiram os videotapes, tornou-se fácil voltar a assistir um filme ou programa de TV.

Não existe mais a sensação de que, se a pessoa não gravar uma dada informação em seu cérebro, ela se perderá.

Com os serviços de streaming e os artigos da Wikipédia, a internet rebaixou ainda mais o limiar da recordação, quanto à cultura que consumimos. Mas não é como se antes recordássemos mais ou melhor.

Platão foi um dos mais famosos ranzinzas da antiguidade, se o assunto era conservar memórias fora do cérebro. No diálogo que ele escreveu entre Sócrates e o aristocrata Fedro, Sócrates conta uma historia sobre o deus Thoth, o descobridor do “uso das letras”.

O rei egípcio Tamo diz a Thoth: “Essa sua descoberta criará o esquecimento nas almas dos aprendizes, porque eles não usarão sua memória; confiarão nos caracteres escritos externos e não recordarão sozinhos”. (É claro que as ideias de Platão só nos são acessíveis hoje porque ele as escreveu.)

“[No diálogo], Sócrates odeia a ideia de escrever porque acha que isso matará a memória”, diz Horvath. “E ele está certo. Escrever com certeza matou a memória. Mas pense em todas as coisas incríveis que obtivemos com a escrita. Eu não trocaria a escrita por uma memória declarativa melhor, em hipótese alguma”. Talvez a internet ofereça uma barganha semelhante: o usuário pode acessar e consumir toda a informação e entretenimento que desejar, mas não reterá a maior parte disso.

É verdade que as pessoas acumulam em seus cérebros muito mais do que são capazes de reter. No ano passado, Horvath e seus colegas da Universidade de Melbourne constataram que as pessoas que assistem a muitos episódios de séries de TV em rápida sequência esquecem o conteúdo dos episódios muito mais rápido do que as pessoas que assistem a um episódio por semana.

Pouco depois da conclusão de um episódio, o pessoal que assistia a múltiplos episódios em sequência registrava os melhores resultados em um teste de memória, mas passados 140 dias seus resultados eram inferiores aos dos espectadores que assistiam a um episódio por semana. Eles também reportaram curtir menos a série do que as pessoas que assistiam a um episódio por dia ou por semana.

As pessoas também estão consumindo palavras escritas em grande volume. Em 2009, o americano médio estava exposto a 100 mil palavras por dia, mesmo que não as “lesse” todas. É difícil imaginar que esse número tenha caído, nove anos mais tarde.

Em “Binge-Reading Disorder” [distúrbio da leitura compulsiva], um artigo para o jornal The Morning News, Nikkitha Bakshani analisa o significado dessa estatística. “Ler é uma palavra nuançada”, ela afirma, “mas o tipo mais comum de leitura é provavelmente a leitura de consumo – lemos, especialmente na internet, para adquirir informação, uma informação que não tem chance de se tornar conhecimento a menos que seja retida”.

Ou, nas palavras de Horvath, “é uma risadinha passageira, e você logo quer outra risadinha. Não estamos falando de aprender alguma coisa, e sim sobre uma experiência momentânea que leva a pessoa a sentir que aprendeu alguma coisa”.

A lição do estudo sobre leitura compulsiva é a de que, se a pessoa deseja recordar aquilo que assistiu ou leu, precisa espaçar o processo. Eu costumava me irritar na escola quando o curso de inglês requeria leitura de apenas três capítulos de um livro por semana, mas havia um bom motivo para isso.

A memória ganha força se a pessoa é forçada a reclamá-la constantemente, diz Horvath. Se a pessoa lê um livro todo de uma vez – por exemplo no avião -, a história ficará armazenada em sua memória de trabalho o tempo todo. “Ela jamais será reacessada”, ele diz.

Sana diz que é comum, quando lemos., que haja uma “sensação de fluência” falsa. A informação está fluindo para o cérebro, o leitor a está entendendo, e ela parece estar sendo armazenada em uma pasta que encontrará lugar na nossa biblioteca mental. “Mas na verdade ela não será fixada se o leitor não se esforçar, e não adotar certas estratégias que ajudam a lembrar”.

Pode ser que as pessoas ajam assim quando estão estudando ou lendo algo para o trabalho, mas parece improvável que, em seus momentos de lazer, façam anotações sobre “Gilmore Girls” para teste posterior. “Você pode estar vendo e ouvindo, mas talvez não esteja percebendo e escutando”, diz Sana. “E acho que é exatamente assim que agimos na maioria do tempo”.

Ainda assim, nem todas as memórias que não são armazenadas devidamente se perdem. Algumas delas podem estar retidas na memória, inacessíveis, até que a pista correta as libere – talvez uma cena de episódio anterior exibida no começo de um novo episódio de “Gilmore Girls”, ou uma conversa com um amigo sobre um livro que ambos tenham lido. A memória é “essencialmente associativa”, diz Sana.

Isso pode explicar por que Paul e outros se recordam do contexto em que leram um livro sem se recordarem de seu conteúdo. Paul mantém um “livro de livros”, apelidado de “Bob” [book of books], desde que estava no segundo grau – uma forma analógica de memória externa.

Ela anota no diário todos os livros que lê. “O Bob oferece acesso imediato aos lugares em que estive, psicológica e geograficamente, em cada dado momento de minha vida”, ela explica em “My Life With Bob”, livro que ela escreveu sobre seu livro de livros. “Cada anotação conjura uma lembrança que de outra forma poderia ter se perdido ou se tornado menos nítida, com o tempo”.

Em artigo intitulado “A Maldição de Ler e Esquecer”, para a revista New Yorker, Ian Crouch escreve que “ler tem muitas facetas, uma das quais pode ser bastante indescritível e naturalmente fugaz, uma mistura de pensamento, emoção e manipulação sensória que acontece no momento e desaparece. Que proporção da leitura, portanto, é só uma forma de narcisismo – um marcador de quem você era e em que estava pensando ao encontrar dado texto?”

Para mim, não parece narcisismo recordar as estações da vida com base na arte que as ocupou – a primavera dos romances de amor, o inverno das reportagens sobre crimes. Mas é verdade que, se você consome cultura na esperança de construir uma biblioteca mental à qual possa se referir a qualquer momento, é provável que se decepcione.

Livros, espetáculos, filmes e canções não são arquivos subidos para os nossos cérebros – são parte da tapeçaria da vida, entretecidos a tudo mais. De longe, pode ser difícil distinguir uma das meadas, mas ela estará lá.

“Seria bacana se nossas memórias fossem limpas – uma informação entra e em consequência a pessoa tem uma memória daquele fato”, diz Horvath. “Mas na verdade, todas as memórias são todas as coisas juntas”.

Julie Beck é editora sênior da revista The Atlantic, onde cobre família e educação

Tradução de PAULO MIGLIACCI

The Witcher | Casting da série da Netflix começará em breve, revela showrunner no Twitter

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Lauren S. Hissrich explicou que vídeos devem acabar na internet

Arthur Eloi, no Omelete

A série de TV de The Witcher ainda vai demorar um pouco para chegar mas, internamente, o programa da Netflix continua avançando. Agora, a showrunner Lauren S. Hissrich divulgou no Twitter que a produção dará início ao processo de escolha dos atores em breve.

“É sexta a noite em Los Angeles e foi uma ótima semana para The Witcher, então… vamos falar sobre casting. Sim, eu disse a palavra mágica. O processo começará em breve e, não, não falarei quem são as escolhas principais então melhor nem perguntar. Mas há algo muito importante para vocês saberem.”

“Normalmente, quando se faz o casting de uma série, o diretor de elenco escolhe cenas específicas com personagens do piloto para os testes dos atores”, continuou explicando a produtora. “Porém, como vamos fazer um processo internacional (o que significa trocas de email e vídeos gravados pelos atores) e porque sabemos que a internet não guarda nenhum segredo, a equipe de roteiristas optou por criar cenas inéditas para nossos personagens principais.”

“Essas cenas foram criadas para ilustrar precisamente o tom, profundidade e ressonância emocional que precisaremos para Geralt e seus amigos… mas elas não tem spoilers! São livres para nós e para vocês, o que significa que se você passar a ver cenas de The Witcher na internet, elas provavelmente são reais. Mas não irão entregar nada das histórias que contaremos.”

“Vocês estão seguros. Por enquanto… E sim, o nome dele é Jaskier”, disse fazendo alusão ao nome original do poeta companheiro do bruxo, que teve seu nome mudado para Dandelion nos jogos da CD Projekt RED.

A sinopse oficial da série de TV diz: “O bruxo Geralt, um mutante caçador de monstros, luta para encontrar seu lugar em um mundo onde as pessoas provam com frequência serem mais perversas que as bestas.” O programa contará com oito episódios, gravados no leste e centro da Europa – principalmente na Polônia, país de origem da franquia.

A série terá produção executiva de Sean Daniel (Ben-Hur, A Múmia) e Jason Brown (The Expanse), com a produtora de efeitos especiais polonesa Platige Image, encabeçada por Tomek Baginski (A Catedral) e Jarek Sawko (The Fallen Art). Baginski dirigirá pelo menos um episódio de cada temporada.

Na Polônia, país de origem, os contos individuais escritos por Andrzej Sapkowski deram origem à uma saga de livros e série de TV, mas só ganhou fama internacional após o lançamento do game The Witcher, em 2007. É importante ressaltar que o seriado da Netflix não será baseado nos games da CD Projekt RED – saiba mais.

A série de TV de The Witcher é prevista para algum ponto de 2020.

Quantos livros escritos por mulheres você já leu?

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A escritora Monique Wittig Imagem: Reprodução

Lais Modelli, no Terra [via Deutshe Welle]

Grupos se unem na internet para traduzir para o português e difundir textos feministas e obras de escritoras que não chegariam ao Brasil através de editoras.”Mulheres que conjuram traduções”: assim o coletivo feminista brasileiro “Sycorax” define sua missão.

Tudo começou em 2013, quando um grupo de brasileiras conheceu a obra “Caliban and the Witch: Women, the Body and Primitive Accumulation”, da italiana Silvia Federici.

Historiadora com foco na luta feminina, Federici estudou a relação entre o surgimento do capitalismo e a onda de perseguição de mulheres no final do feudalismo.

Em “Caliban and the Witch”, a italiana descreve como a caça às bruxas teve por objetivo exterminar mulheres rebeldes, independentes e importantes em suas comunidades – como curandeiras e parteiras – para criar um novo sistema baseado em parte na exploração e na submissão das mulheres, o capitalismo.

“Algumas das mulheres que viriam a formar o coletivo moravam em países da América Latina, onde a obra de Federici havia se transformado em importante debate para o feminismo local”, conta a advogada e assistente editorial Leila Giovana Izidoro, membro do Sycorx.

Leila conta que, quando voltaram ao Brasil, as mulheres do grupo procuraram textos de Federici para compartilhar com amigas e movimentos, mas descobriram que não havia nada dela traduzido para o português.

Elas se uniram então para traduzir coletivamente “Caliban and the Witch”. Nascia o coletivo Sycorax, onde brasileiras “conjurariam” traduções feministas, chamando a atenção para a necessidade de se quebrar barreiras linguísticas que existem entre brasileiras e autoras estrangeiras.

O grupo levou três anos para traduzir a obra. Em 2016, disponibilizaram a tradução de graça na internet, fazendo com que Federici passasse a ser conhecida entre leitoras brasileiras.

Com a repercussão, a Fundação Rosa Luxemburgo apoiou o coletivo a publicar uma edição do livro no Brasil: “Calibán e a Bruxa: Mulheres, Corpo e Acumulação Primitiva”, lançado no ano passado com a presença da própria Silvia Federici em São Paulo e Rio de Janeiro.

A escritora e ativista Silvia Federici Imagem: Reprodução

“O lançamento virou reuniões e discussões com leitoras que queriam conhecer a obra de Federici”, conta Lia Urbini, socióloga e revisora de textos, membro do Sycorax.

“No final, percebemos que foi mais que um trabalho de tradução, o projeto havia se transformado em um ponto de partida para abrir diálogos entre feministas brasileiras e as estrangeiras”, afirma a revisora.

Rede de solidariedade

A cientista social Shisleni Macedo, membro do Sycorax, lembra a filósofa Angela Davis, por exemplo, como outra autora clássica feminista que demorou para chegar ao Brasil por meio de uma editora: somente em 2017, 37 anos depois do lançamento original, a obra mais importante de Davis, “Mulheres, Raça e Classe”, foi lançada em português.

Antes disso, contudo, redes de mulheres organizadas em grupos de estudos feministas, clubes de leitura e grupos nas redes sociais na internet já traduziam e trocavam textos de Davis entre si.

“Muitas autoras ainda permanecem sem tradução oficial, como Monique Wittig, Sandra Harding, Bell Hooks e Patricia Hill Collins”, lista Macedo, ressaltando a importância da união dessas leitoras no Brasil para driblar o mercado editorial nacional.

De acordo com pesquisa da UnB, o perfil dos escritores brasileiros publicados no Brasil ainda é o mesmo desde 1965: mais de 70% são homens. Os personagens na literatura nacional, por exemplo, também são sobre o universo masculino: 60% dos livros são protagonizados por homens.

O coletivo “Leia Mulheres” é outra iniciativa nascida da união de brasileiras que buscavam incentivar e disseminar a leitura de autoras no Brasil.

A escritora Patricia Hill Collins Imagem: Reprodução

O grupo nasceu em 2014, na internet, com a provocação: quantos livros escritos por mulheres você já leu? Naquele mesmo ano, a hashtag #Leiamulheres viralizou, criando uma roda de discussão, indicações e troca de livros escritos por mulheres.

Atualmente, o Leia Mulheres é o maior clube no Brasil de leitura de escritoras, com ações tanto na internet como em encontros físicos que ocorrem em cerca de 30 cidades do país.

Mulheres para ler em 2018

1. “Memoirs of a Woman Doctor”, de Nawal el-Saadawi

A escritora egípcia Nawal el-Saadawi entrou para a história como a primeira mulher árabe a ter escrito sobre sexo. Em Memoirs of a woman doctor, a escritora narra a luta de uma jovem egípcia para estudar medicina. Além de enfrentar o machismo da família tradicional em que foi criada, a personagem também tem que lidar com a situação de ser a única mulher de sua turma. O livro não tem tradução para o português.

2. “A Guerra não tem Rosto de Mulher”, de Svetlana Alexijevich

Depois de ganhar o Nobel de Literatura em 2015, a jornalista bielorrussa Svetlana Alexijevich conseguiu publicar uma edição em português do seu livro A guerra não tem rosto de mulher. A obra reúne depoimentos em primeira pessoa de mulheres do Leste europeu que lutaram pela Rússia na Segunda Guerra Mundial. Hoje, idosas, as mulheres contam histórias que foram forçadas a viver ainda na adolescência, servindo como enfermeiras, cozinheiras, francoatiradoras, pilotas, paraquedistas e diversas outras posições, inclusive no front, combatendo os nazistas.

3. “As Boas Mulheres da China: vozes ocultas”, de Xinran

A jornalista Xinran entrevistou em seu programa de rádio, por uma década – fim dos anos 80 e começo dos 90 – mulheres da sociedade chinesa para discutir temas femininos ignorados na China do final do século 20. Xinran conseguiu importantes relatos, que iam de estupros a casamentos forçados. Com o fim do programa de rádio, a jornalista escreveu As boas mulheres da China: vozes ocultas para não deixar que esses depoimentos de mulheres chinesas se perdessem.

4. “The Stone Virgins”, de Yvonne Vera

Yvone Vera escreve ficção sobre mulheres do Zimbabwe, retratando uma sociedade regida pelo patriarcalismo das famílias africanas e pelos valores de um governo opressor. Em The stone virgins, sem edição em português, a escritora ambienta o romance nos anos 80, numa África do Sul marcada por forte agitação civil e lutas por independência. O momento histórico do país é contado sob o ponto de vista de duas irmãs que, em meio a inúmeras violências, tentam encontrar maneiras de sobreviver e de buscar dignidade.

‘Booktubers’ incentivam hábitos de leitura a jovens em encontro na Feira do Livro de Porto Alegre

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Evento na Feira do Livro de Porto Alegre promoveu o encontro entre criadores de canais de Youtube e seus seguidores, pelo segundo ano consecutivo (Foto: Luiz Ventura/CRL 2017)

Evento na Feira do Livro de Porto Alegre promoveu o encontro entre criadores de canais de Youtube e seus seguidores, pelo segundo ano consecutivo (Foto: Luiz Ventura/CRL 2017)

 

Evento reuniu booktubers, como são conhecidos os criadores de canais de leitura na internet, e seus fãs no último sábado (18).

Publicado no G1

Cada vez mais populares na internet, os canais de literatura servem como ponte entre os jovens e a leitura. Em frente a uma câmera, falando francamente sobre um livro, com contexto e explicações, estes criadores, que já têm até um nome próprio, “booktubers”, angariam seguidores e ajudam a disseminar o hábito de ler, especialmente entre os jovens.

Se muitos dizem que a internet roubou o tempo de leitura entre os mais novos, estes canais oferecem uma outra visão: na verdade, a internet está conquistando cada vez mais leitores.

Os booktubers ganharam um espaço na programação da Feira do Livro de Porto Alegre, que chega ao fim neste domingo (19). A segunda edição do Encontro de Influenciadores Literários e Seguidores contou com os booktubers Pam Gonçalves, de Tubarão (SC), e Vitor Martins, de São Paulo, para encontrar seus seguidores. O evento foi organizado pelos booktubers gaúchos Tamirez Santos e Carlos Eduardo Barzotto.

Vitor acredita na capacidade da internet de transformar os crianças e adolescentes em bons leitores. “Muitos vieram me falar: ‘faz muito tempo que eu não lia um livro, e o jeito que você falou me convenceu e eu li depois de muito tempo”, explica ele, que têm o canal que leva o seu nome desde janeiro de 2015.

Isso porque os canais possibilitam uma experiência coletiva de leitura, que costuma ser uma experiência solitária. “Existe uma relação de comunidade. Nos comentários, por exemplo, as pessoas recomendam outros livros, fazemos maratonas de leitura, eventos, encontros e clubes”, explica ele. Com companhia, os jovens se sentem mais incentivados a ler.

Pam concorda. Criadora de um canal desde 2015, ela acredita que esse tipo de veículo ajuda os adolescentes a se sentirem incluídos na discussão, e encontram pessoas como ideias e gostos parecidos.

“Os canais de literatura são grandes clubes do livro que não têm barreiras de distância. Não acho que um dia vai virar conteúdo do grande público, já que não é de interesse da maior parte da população, mas facilita a discussão entre muitas pessoas a partir de uma atividade que é solitária”.

Menos internet e mais literatura?

“A internet ‘tira’ o tempo não só dos jovens, mas de todos. O jovem tem conexão maior com a internet, mas se você parar para pensar, mas até na internet, a leitura tá sempre presente”, é o que acredita Vitor.

Para o booktuber, assistir aos canais é só o início. São várias as situações que podem puxar o jovem para a leitura. “Envolve sistemas de educação, incentivo de leitura nas escolas, em casa”, resume.

“Eu acho que é uma rede muito grande envovida para que o jovem saia da internet e vá ler um livro. Mas eu acho que é uma missão que tem tudo pra dar certo, na verdade já está dando certo”, afirma.

No papel de mediador, Vitor aposta neste público. “Busco falar a língua do jovem, procurar assuntos em que eles tão interessados, ler livros que eles possam se interessar para comentar no canal”, resume ele.

Pam, por sua vez, lembra que os livros podem ainda aproximar os jovens leitores de assuntos importantes, inspirar questionamentos e provocar novas ideias.

“Livros YA (sigla para young adults, categoria de livros para adolescentes e jovens adultos) tratam de violência, relacionamento abusivo, questões de família e adaptação. Diversos assuntos, considerados tabus ou não, que podem ser tratados em sala de aula, usando livros como exemplo e discutindo as ideias apresentadas pelo booktuber em um vídeo”, aponta.

Quatro livros jovens entre os mais vendidos

O mercado literário está atento à popularidade dos canais de Youtube e suas possibilidades: tanto Pam quanto Vitor já publicaram seus livros para o público jovem.

A oferta de títulos para adolescentes é diversa, como lembra Vitor. “Temos diversos subgêneros: fantasia, ficção científica, mistério policial, realismo mágico. Tem muito lugar para o jovem se encaixar e encontrar o livro que goste de ler”, afirma ele.

Inclusive os livros dos próprios youtubers. Seja de um canal literário ou de outros tipos de criadores, o número de títulos assinados por estrelas da internet só cresce. Para Vitor, esse tipo de leitura é benéfica, já que pode representar a porta de entrada para a consolidação do hábito.

Dos 20 livros mais vendidos da última semana, compilados pelo site especializado Publishnews, quatro são voltados ao público adolescente. Um deles, inclusive, ocupa o segundo lugar. É o “Diário de um Banana: apertem os cintos”, sucesso de Jeff Kinney.

Em sétimo lugar, está o livro do youtuber Felipe Neto, escrito por ele mesmo. Duas posições abaixo, o nono lugar é ocupado pelo lançamento “Tartatugas até lá embaixo”, de John Green, autor de “A culpa é das Estrelas”. Ainda integra a lista o livro “Estopinha”, a cachorrinha de Alexandre Rossi que também faz sucesso na internet voltado para os jovens, o 18º livro mais vendido da semana.

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