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Cristina Danuta

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Homem preso injustamente durante 17 anos partilha com outros reclusos a sua paixão pelos livros

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Mário Cruz / Lusa

John Bunn tinha 15 anos quando foi condenado a 20 anos de prisão por, alegadamente, ter sido cúmplice no homicídio de um polícia de Rikers Island, nos Estados Unidos (EUA). Apesar das escassas provas, e de sempre ter negado o seu envolvimento no crime, passou toda a juventude atrás das grades. Enquanto vivia o seu “pesadelo”, descobriu o seu “sonho” – a literatura. Finalmente declarado inocente, dedica atualmente os seus dias a levar livros a quem não os tem.

Publicado no Zap

Segundo noticiou o Observador na segunda-feira, o “pesadelo” de John Bunn começou em 1991. Tinha apenas 14 anos quando, a 14 de agosto, foi levado para uma esquadra em Brooklyn para ser interrogado por Louis Scarcella, um polícia que, ao longo da sua carreira, fez com que mais de uma dezena de homens fossem condenados injustamente.

O inspetor disse-lhe que ele e um outro rapaz mais velho, Rosean Hargrave, de 17 anos, que vivia no mesmo bairro – Crown Heights – eram suspeitos de terem assassinato o agente Rolando Neischer no dia anterior, 13 de agosto.

Rolando Neischer era de Rikers Island, Nova Iorque, e estava de folga quando foi abordado por dois jovens de bicicleta em Crown Heights, que lhe apontaram uma arma e disseram que saísse do carro onde estava com o amigo e colega Robert Crosson. O último conseguiu fugir, mas o primeiro ripostou e levou cinco tiros. Morreu três dias depois no hospital.

Durante o interrogatório, John Bunn garantiu que nada sabia sobre o assassinato. Louis Scarcella não acreditou, tendo o rapaz – com pouco mais do que 1,70 metros de altura – sido atirado para dentro de uma cela cheia de adultos muito maiores do que ele. “Desde então que tenho lutado para provar a minha inocência”, declarou em entrevista à CNN.

John Bunn foi formalmente acusado de furto e homicídio a 17 de agosto de 1991 com base numa única testemunha – Robert Crosson -, que o tinha identificado a ele e a Rosean Hargrave na esquadra de Louis Scarcella.

Aguardou julgamento durante 16 meses, no centro de detenção juvenil Spofford, encerrado em 2011 depois de inúmeras queixas de violência e abuso. Foi condenado a 20 anos de prisão em novembro de 1992 (a pena foi posteriormente reduzida para nove anos depois de a defesa ter alegado que o jovem tinha sido acusado como um adulto). Rosean Hargrave foi condenado a 30.

Apesar da sua situação, John Bunn nunca desistiu. Quando foi preso, não sabia ler nem escrever; aos 17 anos, lia tudo o que lhe aparecia à frente e que levava da biblioteca da prisão. “Escrevi um dia à minha mãe… E disse: ‘Podem trancar o meu corpo, mas não podem trancar a minha mente’”, contou à CNN.

A literatura tornou-se no seu maior apoio e é por isso que hoje, dois anos depois de ter sido finalmente declarado inocente, juntamente com Rosean Hargrave, dedica todo o seu tempo a divulgar a importância da leitura entre jovens carenciados e reclusos.

“A leitura mudou a minha vida. Quero partilhar essa experiência com outras pessoas”, afirmou. Foi com esse objetivo que abriu uma biblioteca em Rikers Island, que começou um projeto de leitura que leva livros às comunidades mais carenciadas e que trabalha regularmente com jovens reclusos, de 16 e 17 anos.

“Não existe melhor sensação do que sentir que existo com um propósito”, garantiu à CNN. “E isto é o que dá à minha vida um propósito”.

O livro Branco Letal, de Robert Galbraith, um pseudônimo de J. K. Rowling, chega no Brasil

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Victor Tadeu, no Desencaixados

Em abril foi anunciado através da Editora Rocco mais um lançamento escrito pelas mesmas mãos de quem escreveu Harry Potter, e nesta semana o título foi lançado em território nacional, disponível em diversas livrarias.

Branco Letal é uma obra escrita por Robert Galbraith, outro pseudônimo de Joanne “Jo” Rowling — verdadeiro nome de J. K. Rowling — e ela gira em torno de um adolescente problemático chamado Billy, onde ele jura ter presenciado um crime, só que não contém provas o suficiente para confirmar o ocorrido. Inconformado com a situação Billy recorre ao Cormoran Strike na intenção de buscar destaques o suficiente para a investigação.

A Editora Rocco é responsável pelos lançamentos da autora no Brasil, incluindo Harry Potter e outros best-sellers que foram publicados através de pseudônimos. J. K. Rowling tornou uma escritora bilionário por causa da série juvenil.

O livro estava em pré-venda e teve a data de lançamento oficializada para o dia 11 de maio.

Expresso do Oriente, entre a nostalgia e o marketing

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Os vagões no estilo art déco do Orient-Express, na Estação do Leste de Paris, em 13 de maio de 2019 – AFP

Publicado na IstoÉ

E se o Expresso do Oriente voltasse a circular? A companhia francesa ferroviária (SNCF), que exibe em Paris seus vagões art déco recentemente reformados, planeja colocar novamente o famoso trem sobre os trilhos.

O grupo ferroviário público expõe nesta quarta-feira sete vagões dos anos 1920 na estação Gare de l’Est de Paris, após quatro anos de cuidadosa restauração. Todos os horários de visita estão lotados.

Na verdade, apenas três vagões-restaurante dos sete apresentados pertenceram ao “Orient Express”, que circulou de 1883 a 1977 entre Paris e Istambul. Esses vagões do trem mais famoso da história, junto com o Transiberiano, têm um interior decorado com muito requinte. Esses locais reuniam pessoas famosas, turistas com muito dinheiro, comerciantes, diplomatas e até espiões.

Os outros quatro vagões são ainda mais espetaculares, mas circulavam apenas até as margens do Bósforo. O material utilizado nos vagões dormitórios era diferente em cada trem.

“A empresa [que administrava a linha] não utilizava carros-salão para os grandes expressos europeus”, explica Arthur Mettetal, responsável pela área de patrimônio. “Estes compartimentos eram reservados para trajetos mais curtos, como o Trem Azul que chegava à Costa Azul”.

Mas foi um desses vagões-salão, o Pullman, que serviu de cenário para o filme “Assassinato no Expresso do Oriente”, de 1973, baseado o livro homônimo de Agatha Christie. “De repente, este vagão se converteu no ‘estilo Expresso do Oriente’ no imaginário coletivo, com o interior revestido com madeira talhada e desenhos de ramos de flores, e o piano-bar. É possível admirar os painéis produzidos na Finlândia, desenhados pelo decorador René Prou para o restaurante do Estrela do Norte (Paris-Amsterdã).

E também o Flecha de Ouro (Paris-Londres), com seus cristais e painéis de madeira de caoba de Cuba, obra do famoso mestre vidreiro e joalheiro francês René Lalique.

– Patrimônio ferroviário –

A SNCF comprou a marca Orient Express da Companhia Internacional de Vagões-Leito após a linha de conexão direta com Istambul deixar de funcionar em 1977. Mas não fez grandes investimentos até que começou a comprar os vagões do ilustre trem, em 2011.

“Para restaurá-los, nós mergulhamos em nossos arquivos para encontrar os projetos originais, padrões de tecidos, etc”, conta Guillaume de Saint Lager, diretor-executivo do Orient-Express, a empresa que cuida da gestão do patrimônio. “Recorremos a artesãos excepcionais”.

“Evidentemente, é um investimento importante, da ordem de 14 milhões de euros, mas é um investimento para o patrimônio ferroviário”, justifica o presidente da SNCF, Guillaume Pepy.

Estas peças do museu saem de vez em quando do depósito onde são guardadas, localizado na capital francesa, para algumas exposições ou convenções. Fazem parte “de um exemplo do cuidado da SNCF na conservação do patrimônio”, afirma Guillaume Pepy.

Uma exposição anterior, no Instituto do Mundo Árabe de Paris, atraiu mais de 250 mil pessoas em 2014. “Foi devido ao sucesso dessa exposição que a SNCF decidiu criar uma filial para gerar valor para a marca e iniciar um programa de renovação dos vagões”, conta Arthur Mettetal.

A SNCF espera obter lucros com o interesse renovado por esses trens. Para isso, cedeu no ano passado 50,1% do Orient-Express ao grupo Accor.

“Nosso desejo, evidentemente, é que o Expresso do Oriente volte a circular por toda Europa”, confirma Guillaume Pepy.

Funcionários da empresa encontraram vagões antigos na Polônia, que agora estão em processo de análise para se saber se é possível reformá-los e adaptá-los às novas exigências de conforto para os passageiros.

“É uma questão na qual estamos trabalhando”, explica. No momento, tudo está em fase de estudo, apesar de considerar que até o meio deste ano a companhia seja capaz de decidir sobre o lançamento ou não da linha Expresso do Oriente.

Conheça Luana Génot, a ativista que luta pela igualdade racial por meio da escrita

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Em seu livro de estreia “Sim à Igualdade Racial – Raça e Mercado de Trabalho” ela faz um raio x da influência da cor da pele na trajetória profissional e aponta caminhos para a mudança

Leonne Gabriel, na Vogue

Há quem diga que escrever um livro é como gerar um filho. Se pensarmos assim, Luana Génot teve gêmeos. Porque foi durante a gravidez da pequena Alice, hoje com 1 ano, que a publicitária carioca encarou a tarefa de concluir Sim à Igualdade Racial – Raça e Mercado de Trabalho (Pallas Editora, R$ 54,90), recém-chegado às livrarias.

Foram nove meses intensos, se revezando entre finalizar sua primeira obra, os preparativos para a maternidade e sua saída da equipe do ID_BR (Instituto Identidades do Brasil), órgão criado e dirigido por ela, cujo objetivo é produzir oportunidades a partir de ações inovadoras e mudança de culturas corporativas – com a missão de acelerar a igualdade racial no mercado de trabalho.

Uma das principais vozes no debate sobre o assunto, a autora questiona as vantagens e desvantagens raciais na realidade brasileira e propõe mudanças nessa lógica. No livro, ela faz um raio X da influência da cor da pele na trajetória profissional e convida os leitores a abraçar e entender essa causa – independentemente de sua origem. “A função de cada pessoa é essencial na luta por igualdade. O branco que entende seu papel no mundo sabe que uma sociedade mais inclusiva é algo bom para todos”, justifica.

Resultado da sua dissertação de mestrado em relações étnico-raciais no Cefet-RJ, a publicação traz 16 depoimentos inéditos de pessoas de diferentes etnias e profissões, além das falas da própria autora, seus pais e CEOs de grandes empresas brasileiras, a quem aplica o conceito de raça em diferentes contextos.

Entre os entrevistados também estão o ator Bruno Gagliasso e a atriz Maria Gal e, a partir das suas trajetórias, Luana sinaliza a raça e o gênero como diferencial competitivo. “São atores com a mesma faixa de idade, mas não com as mesmas oportunidades, sobretudo no recorte publicitário. A branquitude do Bruno dá a ele benefícios de conseguir mais papéis em campanhas. Já ter a pele preta como a de Maria Gal ainda é motivo de recusa”, explica.

Nascida no Rio de Janeiro, Luana passou sua infância na Penha, Zona Norte da cidade. Na adolescência, sonhava em ser modelo e subiu à passarela pela primeira vez no Fashion Rio, em 2008. Em seguida, começou a desenhar uma carreira de modelo internacional, trabalhando em países como Bélgica, África do Sul, Inglaterra e França, onde desfilou para Paco Rabanne e Saint Laurent. De volta ao Brasil, percebeu que a oferta de trabalho como modelo era muito limitada e acabou desistindo da profissão para ingressar no curso de publicidade e propaganda na PUC-Rio. Depois, como bolsista do programa Ciência Sem Fronteiras, cruzou novamente o oceano e foi estudar na Universidade de Wisconsin, nos Estados Unidos. Na época, atuou ainda como voluntária na campanha de Barack Obama à presidência do país.

Apesar de todas essas experiências terem contribuído para sua formação, Luana conta que a maternidade a fez entender ainda mais seu papel. “A dádiva de ser mãe é poder mostrar que trilhei um caminho movido por um propósito”, defende. “Pari quase dentro do escritório, levei minha filha para reuniões e dessa forma acho que ela vai ter uma compreensão maior do mundo desde cedo.”

Sobre o futuro, a ativista tem uma certeza: “Não quero ter de falar de igualdade racial daqui a 50 anos. Falar sobre o mercado de trabalho delegando aos algoritmos o papel de ser inclusivo é a extensão da incapacidade de se colocar no lugar do outro”, desabafa. “O futuro não está nas máquinas, deve estar nas mãos de pessoas de todas as raças, gêneros e sexualidades.”

Insegurança da leitura: efeitos nocivos da Internet vira estudo e são comparados com livros

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Muitos dizem que ler artigos pela Internet não se aproxima à qualidade de uma leitura em papel. Mas parece que nem sempre foi assim

Thais Ribeiro, no Showmetech

Parece ficção mas ainda há uma grande parcela da sociedade que questiona a legitimidade da leitura online. Não somente isso, mas a coloca em xeque em comparação aos livros. O que parece escapar pelos dedos, e, assim como as páginas amareladas desgastadas, não faz tanto tempo assim que a legitimidade de romances foi, em seu próprio tempo, questionada, insultada e esnobada.

Muitas vezes, eram acusados de levarem seus entusiastas mais fervorosos a erros inexcusáveis e, para todos os efeitos, capazes de arruiná-los para a praticidade da vida real. Soa familiar?

Essas expectativas, e também os preconceitos em ambas modalidades de leitura, tornou-se estudo na universidade. Afinal, tecnologia e literatura possuem muito em comum. Em seu ensaio sobre o chamado fenômeno “insegurança da leitura”, Katy Waldman descreve o clima atual como um resultado inevitável da oralidade.

Mas vai além disso, porém. O que seu estudo tenta não é condenar a leitura da internet em detrimento da leitura clássica, mas sim estabelecer um paralelo entre as duas modalidades, como forma de documentar histerias acerca dos hábitos da juventude.

Leitura e a fonte confiável

Parte do sentimento de que a leitura online é inferior à chamada leitura tradicional não é conceito existente somente por se tratar de um hábito dos jovens. Mesmo que isso seja a fonte de alguns dos preconceitos. Quanto a isso, Katy argumenta que “livros e artigos investigam a maneira como lemos agora” e “uma longa série de estudos sugere que as pessoas leem a Internet de maneira diferente como leem romances”.

Katy vai além e faz paralelos à leitura em contexto histórico, observando que a linguagem falada sempre foi retratada como não confiável, isso pode ser especialmente verdadeiro em relação à linguagem falada por mulheres. Waldman escreve:

“Eu não posso deixar de pensar que o grande debate em torno da ‘oralidade e alfabetização‘ – a natureza escorregadia de um versus a autoridade estável do outro – está de volta, mais ou menos. Desta vez, lançamos a nova tecnologia como não confiável e o livro impresso parecido com uma relíquia como a fonte confiável”.
Katy Waldman – A Insegurança da Leitura.

O que acaba por abrangir o debate talvez seja o fato de que, inevitavelmente, o que faz com que os livros hoje gozem de certos status são os mesmos motivos nos quais eram condenados em seu tempo. Muitos deles relacionados à sua capacidade de engajamento e a forte relação com a prática oral e a juventude.

Madame Bovary à frente de seu tempo

Vale lembrar que nem mesmo os romances que marcaram história conseguiram escapar da régua da condenação. Não podemos esquecer que, em seu tempo, o romance absoluto, Madame Bovary (1856) fora condenado entre os seus. E foi além, já que para muitos, o que parecia uma grande celebração do amor romântico era nada mais que uma crítica afiada.

Em seu romance, Gustave Flaubert descreve uma adolescente Emma Bovary que “sujou as mãos com livros emprestados de velhas bibliotecas”. Tudo o que Emma lê é excitante em comparação à sua vida. Antes do casamento, ela se achava apaixonada; mas a felicidade que deveria ter seguido esse amor não chegou, e ela, por sua vez, se sentiu enganada.

O que ela não encontrou em seu casamento, Emma tentou descobrir o que é felicidade, paixão, arrebatamento, que lhe pareceram tão belas em livros, em tantos outros lugares. Nos braços de outros homens. Adultério. Escandâlo. Um romance a frente de seu tempo.

No conflito de Emma Bovary e seus devaneios, Flaubert está canalizando um século de preocupações sobre jovens mulheres particularmente suscetíveis às fantasias que encontram nos romances e nas seduções da leitura.

Para Katy Waldman, o enredo de Madame Bovary não é despropositado. Já que, do final do século XVIII até a metade do século 19, ela acrescentou, as mulheres eram consideradas em risco por não serem capazes de diferenciar ficção e vida.

Em Madame Bovary, Flaubert pode estar elaborando algumas de suas próprias ansiedades, estando realmente dividido entre essa imaginação romântica e uma espécie de realismo, que sucederia essa vanguarda.

Parte de Madame Bovary é Flaubert tentando exorcizar sua própria imaginação romântica realmente poderosa. E a alienação cujos efeitos colaterais são realmente poderosos. Ao criticar Emma, ele critica a todo uma sociedade obcecada na superficialidade.

Austen e a histeria dos excessos

Andando na marcha ré, vem Jane Austen, que, seguindo o exemplo de Flaubert, foi outro romancista que brincou com ideias sobre leitura. Em A Abadia de Northanger (1817) Austen conta a história de Catherine Morland, uma amante de romances cuja leitura a faz acreditar que um homem com quem ela está hospedada é um assassino.

Catherine é uma jovem típica que não consegue distinguir entre fato e ficção. Mas, ela não ousa criticar tão ferrenhamente sua protagonista. Pelo contrário. Austen é uma espécie de mestre em satirizar os excessos, mas ela também está elogiando a capacidade dos romances de cultivar o julgamento e gosto.

A leitura de mulheres, especialmente as adolescentes, sempre fora associada ao inflamar das paixões sexuais; com idéias radicais e liberais; com arrogância; com a tentativa de derrubar o status quo. A Abadia de Northanger ridiculariza a noção social que retratava as mulheres como tão estúpidas que elas não seriam capazes de distinguir realidade e ficção.

Um paralelo que podemos traçar, por exemplo, com todo o preconceito acerca das comunidades de fanfiction. Quem já não se viu criticando esse estilo de leitura online? Ou até mesmo com aquilo que lemos em redes sociais. Embora os medos de hoje sejam diferentes dos tempos de Austen – mais focados no que encontramos na Internet do que em como interpretamos o que lemos -, há uma semelhança afinal.

Nossas ansiedades contemporâneas em relação à leitura refletem uma desconfiança de que o indivíduo seja capaz de diferenciar materiais bons de materiais ruins ou usar as informações que eles absorvem de forma produtiva, construtiva e segura.

Do outro lado da moeda, o que antes era visto como um risco nos livros é agora elogiado como uma força a ser reconhecida. Hoje, muitos valorizam romances por promover direcionamento, foco. O que, para alguns dos críticos do romance dos séculos XVIII e XIX, perder-se era exatamente o problema.

Claro que não seja de todo modo preocupante a maneira na qual nos permitimos alguns meios de comunicação nos absorverem. Um eco talvez distante das preocupações anteriores sobre jovens e romances podem tecer um paralelo ao atual discurso sobre jovens e videogames.

Porém todo o imaginário de que os livros podem ser perigosos parece ter caído no esquecimento, o que levanta a questão de como as novas fontes de entretenimento e informação atuais irão parecer para os críticos e estudiosos do futuro.

Daqui 50 anos, talvez lamentemos nossa incapacidade de ler online de maneira satisfatoriamente eficiente. Quais serão os estímulos que o futuro nos reserva? Por ora, basta fazer apostas e, por via das dúvidas, pegar carona na nostalgia.

fonte: New York Times

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