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Posts tagged escrever bem

Enem sem redação, mais um golpe na leitura

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A pile of books on wooden table

A famosa frase de Monteiro Lobato é bastante oportuna: “um país se faz de homens e livros”

Tatiana Notaro, na Folha de Pernambuco

Uma das máximas mais verdadeiras proferidas pelos professores de redação País afora é: para escrever bem é preciso ler, e muito. A leitura amplia o vocabulário, o repertório de argumentos (essencial para um bom texto) e ainda ratifica gramática, com o uso das regras.

 

Não há como escrever bem sem ser um leitor assíduo. E num País onde se lê pouquíssimo (uma média que não chega a cinco livros per capita/ano) – onde o estímulo doméstico, em geral, é ínfimo -, ter um Ministério da Educação que propõe o fim da redação como critério de seleção às universidades, no Exame Nacional do Ensino Médio, é mais que um grande absurdo, é uma condenação.

 

Ao invés de incentivar o hábito da leitura, mesmo que obrigatoriamente como preparação para a prova, se propõe um sistema apenas com o objetivo de avaliação. Esta e outras mudanças para o Enem serão anunciadas pelo ministro Mendonça Filho em coletiva de imprensa (hoje, às 11h) e ainda vão para consulta pública.

Escrever bem é escrever como música: o conselho viral que circula há 30 anos

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Escritor americano dá dicas de como escrever bem e e um de seus conselhos virou um viral na internet

Jaime Rubio Hancock, no El País

“Esta frase tem cinco palavras.” Assim começava o texto que o jornalista argentino Axel Marazzi compartilhou no Twitter nesta segunda-feira. Marazzi dizia que nada na sua vida havia lhe ensinado tanto sobre a escrita quanto esses três parágrafos. Dois dias depois, a mensagem havia sido replicada mais de 5.000 vezes.

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Trata-se dos três parágrafos muito curtos abaixo, que há anos vêm sendo compartilhados nas redes sociais. Além de pipocar no Twitter, os vemos também no Imgur, Pinterest, Flickr e Tumblr, por exemplo. E alguns blogs e sites sobre escrita, como o Antorquía, o traduziram ao espanhol.

Esta frase tem cinco palavras. Aqui há mais cinco palavras. Usar cinco palavras é legal. Mas várias juntas ficam monótonas. Escute o que está acontecendo. A leitura se torna tediosa. O som começa a zumbir. É como um disco riscado. O ouvido pede mais variedade.

Agora ouça. Vario o comprimento de cada frase, e crio música. Música. A escrita canta. Tem um ritmo agradável, uma cadência, uma harmonia. Uso frases curtas. E uso frases de comprimento intermediário. E às vezes, quando estou certo de que o leitor está descansado, o envolvo com uma frase de comprimento considerável, uma frase que arde com energia e que sobe com todo o ímpeto de um crescendo, do rufar de tambores, do choque dos címbalos – sons que dizem: ouça isto, é importante.


Portanto, escreva com uma combinação de frases curtas, médias e longas. Crie um som que agrade ao ouvido do leitor. Não escreva apenas palavras. Escreva música.

O texto é assinado por Gary Provost, um escritor norte-americano que viveu entre 1944 e 1995. Escreveu livros para jovens, três deles com sua esposa, Gail. Também é autor de livros sobre crimes reais: um dos quais serviu de base para o telefilme Fatal Judgement (1988).

Mas o fragmento de que estamos falamos foi extraído de 100 Ways To Improve Your Writing (“100 maneiras de melhorar sua escrita”), publicado em 1985. É um das seis manuais de escrita que Provost publicou em vida.

Os 100 conselhos de escrita são distribuídos em 10 capítulos. Neles se fala sobre erros gramaticais e de pontuação. Também se ensinam alguns métodos para evitar que o leitor nos odeie, e são dadas recomendações para que os leitores sejam fisgados pelo texto desde o começo. Aliás, a primeira frase do livro é um bom exemplo de início poderoso: “Este livro vai ensinar você a escrever bilhetes de sequestro melhores”. Em seguida esclarece que também serve para escrever livros, artigos, sermões, canções, trabalhos escolares e até listas de compra.

O fragmento que é compartilhado há anos na Internet tem como título “Varie o comprimento das frases”. É a quarta recomendação do quinto capítulo, no qual Provost explica 10 formas de desenvolver seu estilo.

No texto original são só dois parágrafos em vez de três (o primeiro vai até “é importante”). Mas isso provavelmente não importaria a Provost, porque o livro também recomenda o uso de parágrafos curtos – é o terceiro conselho do quarto capítulo (“Como poupar tempo e energia”).

Nem todos os conselhos são escritos de forma tão engenhosa, claro: são na maioria propostas mais ortodoxas, num estilo muito claro e direto. Mas há um ou outro trecho semelhante. Por exemplo, o segundo conselho do décimo capítulo, “evite os clichês”:

Clichés are a dime a dozen. If you’ve seen one, you’ve seen them all. They’ve been used once too often. They’ve outlived their usefulness. Their familiarity breeds contempt. They make the writer look as dumb as a doornail, and they cause the reader to sleep like a log. So be sly as a fox. Avoid clichés like the plague. If you start to use one, drop it like a hot potato. Instead, be smart as a whip. Write something that is fresh as a daisy, cute as a button, and sharp as a tack. Better safe than sorry.

Naturalmente, tudo aqui é um tremendo lugar-comum. Tento traduzir:

Clichês são carne de vaca. Se viu um, viu todos. Já foram usados demais da conta. O prazo de validade deles venceu. Eles são um arroz de festa. Por causa deles o escritor parece burro feito uma porta, e o leitor dorme a sono solto. Então, seja astuto feito uma raposa. Fuja dos clichês como da peste. Se você sentir que vai usar um, caia fora; é uma batata quente. Fique esperto! Escreva algo que seja fresco como a rosa, lindo de morrer, e ardido feito pimenta. É melhor prevenir do que remediar.

Esta recomendação recorda a lista de conselhos irônicos que, em diferentes versões, circula pelo menos desde os anos 1970. Ela recomenda “ser mais ou menos específico” e evitar os exageros, porque “exagerar é um milhão de vezes pior do que minimizar”. A versão de William Safire diz, com relação aos lugares comuns: “Finalmente, mas não menos importante, fuja dos clichês como da peste. Eles são mais velhos que Matusalém. Procure alternativas viáveis”.

Provost também recomenda o uso ocasional de citações, num texto que começa assim:

As citações conhecidas – escreveu Carroll Wilson no prefácio a um livro de citações – são mais que conhecidas, são parte de nós.

Um último conselho de Provost que também vale a pena ler é o que fecha o livro: “Use o bom senso”. Ele recorda que “escrever é uma arte, não uma ciência, e quando termino um texto não reviso cada um de meus conselhos. Eu me pergunto se comuniquei bem o que queria dizer, se os meus leitores gostaram, se lhes dei algo agradável de ler. Eu os diverti, informei, persuadi ou deixei claras as minhas ideias? Dei a eles o que queriam? E estas são as perguntas que você deveria se fazer sobre tudo o que escrever”.

Por que ler

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Lucila Cano, em UOL

Alguém já disse, e muitos repetem, que o melhor caminho para escrever bem é ler. Verdade absoluta, pois à medida que avançamos nas leituras, viajamos por um mundo de assuntos inesgotáveis, incorporamos vocabulário e estilos narrativos, descobrimos a gramática posta em prática. Todos, instrumentos perfeitos para que nos municiemos para a escrita.

Ler estimula o funcionamento do cérebro, como se fosse uma ginástica, um exercício. Assim, entendemos melhor o que está escrito e ficamos à vontade para questionar, concordar ou discordar do texto que acabamos de ler. Dessa maneira, pouco a pouco, do mesmo jeito que evoluímos no condicionamento físico, também nos sentimos aptos a formular nossas próprias ideias, falar bem e escrever.

E para que serve tanto exercício? Certamente não só para passar em concursos públicos ou fazer a redação do Enem. Isso é muito pouco para um ser humano que em todas as fases de sua vida será exigido a participar de maneira ativa do mundo em que vive e interage com outras pessoas.

E, mesmo que náufrago em uma ilha, como o Tom Hanks do filme em que contracena com uma bola (isso é que é merchandising), quem lê mais terá mais facilidade de acessar sua bagagem de conhecimentos em busca de soluções para circunstâncias críticas.

O medo de escrever

Nossa formação cultural endeusa certas profissões, ao mesmo tempo em que tolhe sonhos. Por motivos que não sei explicar, muitos de nós trazem consigo o medo de errar. Isso era mais fácil de se entender em outras épocas, quando o estudo era imposto e algumas profissões eram obrigatórias, embora a contragosto da maioria dos filhos de pais médicos, advogados e engenheiros.

Atualmente, temos acesso ilimitado a outras leituras, além dos livros. Gibis, jornais, revistas, sites, blogs e mensagens nas redes sociais não substituíram os livros, mas vieram somar informação em múltiplas formas de apresentação.

No íntimo, todos nós temos plenas condições de observar e relatar fatos, contar histórias, descrever uma situação. As amigas que comentam o capítulo da novela mal sabem que poderiam escrever o que falam e, assim, fazer uma crítica. O jovem que troca mensagens cifradas pelo celular exerce a síntese e até poderia se arriscar em um concurso de contos de poucas palavras.

É certo que antes dos recursos da tecnologia, todos nos apegávamos mais ao papel e caprichávamos no conteúdo e na caligrafia de cartas, postais, bilhetinhos. Agora, com tantas fontes de saber disponíveis, precisamos apenas perder o medo de escrever. Como? Lendo. E, depois, escrevendo, relendo o que escreveu, escrevendo de outro jeito e lendo novamente, até se dar por satisfeito. Ou seja, praticar, exercitar a escrita.

Parece difícil, mas não é, basta querer. Aprender a consultar um dicionário (pode ser o da internet, sem dúvida) também ajuda. Porque ler ou escrever um texto sem saber o que significa algum termo é andar para trás, é desaprender.

Poesia na Bienal

A mais recente Bienal do Livro do Rio de Janeiro voltou-se para o jovem, tratou da Educação, da criatividade e da formação de jovens leitores. Recebeu escritores jovens e abriu espaço para a poesia.

Lembro de um grupo de poetas, de atividades, profissões e idades diferentes que mostraram seus escritos na Bienal, com a alegria de poder expressar os seus sentimentos, suas visões da vida. Uma verdadeira celebração pelo prazer da leitura.

Como se não bastasse o prazer, sempre é bom lembrar que a leitura nos modifica. Ela não nos transforma em escritores, mas em seres humanos com maior capacidade para ouvir e entender. Ela nos permite distinguir e escolher nosso próprio caminho. Amplia horizontes e abre fronteiras por onde passamos a conduzir, em vez de sermos conduzidos. Assim, de posse de tantas propriedades, é a leitura que nos eleva para novos propósitos e nos dá uma grande certeza: para quem lê não existem retrocessos.

6 conselhos para escrever bem

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Dicas do novo livro do psicólogo, linguista e escritor best-seller Steven Pinker

Marcio Ferrari, na Época Negócios

Escreva como se estivesse falando; e diga logo qual será o seu recado (Foto: Getty Images)

Escreva como se estivesse falando; e diga logo
qual será o seu recado (Foto: Getty Images)

A escrita é o principal meio de comunicação no mundo do trabalho. Saber escrever é, sobretudo, fazer-se entender. Por isso, convém ouvir um conhecedor do cérebro humano que também é linguista, o psicólogo canadense Steven Pinker, autor, entre outros clássicos, de Como a Mente Funciona. Seu livro mais recente é The Sense of Style: The Thinking Person’s Guide to Writing in the 21st Century (“A lógica do estilo: O guia da pessoa pensante para escrever no século 21”). Aproveitando o lançamento, o jornalista Eric Barker, em seu blog no site da revista Time, pediu a Pinker dicas de como melhorar a escrita. A seguir, as seis recomendações, com comentários de Pinker.

1. Seja coloquial e visual “Imagine que você está numa conversa com um leitor tão capaz quanto você, mas que por casualidade não sabe algumas coisas que você sabe. Oriente-o para que veja com os próprios olhos algo que você observou, mas ele não.”

2. Não confie apenas em si para avaliar a clareza “Psicólogos sociais descobriram que tendemos a achar que os outros sabem das coisas que nós sabemos. Seus revisores nem precisam ser uma amostra do público pretendido. Basta que não sejam você.”

3. Não esconda o principal ”Quem escreve precisa deixar claro, logo de início, de que assunto está falando e por quê. Pare de tentar parecer inteligente e apenas seja claro.”

4. Não é preciso seguir as regras de correção, mas é bom tentar “As regras tornam o padrão de nossa escrita melhor? Certamente. As licenças criativas são bem-vindas, mas conheça as regras antes de quebrá-las.”

5. Leia, leia, leia “Não se pode aprender a escrever bem sem passar bastante tempo imerso em textos, permitindo-se absorver expressões, construções, figuras de linguagem e palavras interessantes para desenvolver uma técnica de escrita no melhor sentido.”

6. Escrever bem significa revisar “A ordem em que as ideias ocorrem ao escritor raramente é a mesma que o leitor digere melhor. Quase sempre um bom texto requer revisão e reorganização para ser acompanhado facilmente.”

Autores de livros para o público ‘teen’ dão dicas para se fazer um bom texto

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Organizar as ideias e construir o ‘esqueleto’ da redação é fundamental.
Confira as dicas de Paula Pimenta, Babi Dewet e Leonardo Alkmin.

Vanessa Fajardo, no G1boaredacao

Muito tímida na infância, a mineira Paula Pimenta sempre gostou de escrever para se expressar e organizar as ideias. Tentou cursar jornalismo, mas no meio do caminho entendeu que gostava mesmo de ficção, crônicas e contos e não textos informativos. Hoje, aos 39 anos, a autora da série “Fazendo meu filme” escreveu dez livros, vendeu mais de 500 mil cópias e se consagrou como uma das principais autoras do público teen. Mas até Paula, expert das histórias, tinha suas dificuldades para escrever quando era adolescente.

O G1 foi até a 23ª Bienal Internacional do Livro, em São Paulo, para ouvir autores sobre suas principais dificuldades para escrever durante a vida escolar e quais são suas as dicas para uma boa produção de um texto. Fazer uma boa redação é essencial para o bom desempenho na escola e também nos vestibulares e no Exame Nacional do Ensino Médio (Enem).

Veja no quadro ao lado e abaixo as dicas de Paula Pimenta, autora da série de livros “Fazendo meu filme”(Editora Gutenberg), Babi Dewet, de 27 anos, autora da trilogia “Sábado à noite” (Editora Évora), Leonardo Alkmin, de 45 anos, autor do livro de aventura “Paralelos” (Geração Editorial).

Liste os conteúdos

A escritora Babi Dewet dá dicas para a redação (Foto: Vanessa Fajardo/G1)

A escritora Babi Dewet dá dicas para a redação (Foto: Vanessa Fajardo/G1)

Para tirar a ideia da cabeça e colocá-la no papel com nexo e criatividade, vale elencar os tópicos principais antes de partir para o texto final. “Fazer uma lista do conteúdo principal do que você quer escrever sempre funciona”, afirma Babi.

“Você precisa fazer o seu texto ser entendido pelas outras pessoas. Às vezes a gente tem muitas ideias e elas parecem sensacionais, mas estão na cabeça como se fosse uma piada interna. E na verdade quando escrevemos queremos compartilhar”, diz Babi.

Organize as ideias

A escritora Paula Pimenta sugere organizar as ideias antes de escrever o texto (Foto: Vanessa Fajardo/G1)

A escritora Paula Pimenta sugere organizar as ideias antes de escrever o texto (Foto: Vanessa Fajardo/G1)

Para Paula Pimenta, a boa e velha técnica do rascunho é eficaz. “Um rascunho ajuda organizar as ideias. Muitas vezes eu estou escrevendo um texto e vejo que um parágrafo que está lá embaixo cabe muito melhor em cima.”

A escritora diz que o estudante deve fazer quantas tentativas forem necessárias neste rascunho até que o texto esteja “limpinho e perfeito”.

O escritor Leonardo Alkmin diz que as redes sociais podem ser usadas para treinar como elaborar argumentos para uma redação (Foto: Vanessa Fajardo/G1)

O escritor Leonardo Alkmin diz que as redes sociais podem ser usadas para treinar como elaborar argumentos para uma redação (Foto: Vanessa Fajardo/G1)

Treine nas redes sociais

Alkmin sugere que o texto deve ser pensado em três fases: abertura, desenvolvimento e fechamento. “Em qualquer texto esta é a melhor maneira de você ser entendido.”

Outra dica é treinar a escrita e elaboração das ideias, até mesmo durante o uso das redes sociais. “Uma dica é tentar expressar pensamentos um pouco mais elaborados mesmo em um comentário de facebook. Tentar usar essa ferramenta da escrita para se desenvolver, essa prática, mesmo que intuitivamente, até no vestibular ou na vida profissional.”

Livros voltados para o público adolescente atraem milhares de jovens à Bienal do Livro em São Paulo (Foto: Vanessa Fajardo/G1)

Livros voltados para o público adolescente atraem
milhares de jovens à Bienal do Livro em São Paulo
(Foto: Vanessa Fajardo/G1)

Paixão pela escrita
Os autores revelam que quando eram adolescentes também tinham dificuldades para escrever uma boa redação. E com muito estudo e prática foram desenvolvendo maneiras de fazer o texto fluir.

“Uma das minhas maiores dificuldades era o tema que a professora dava e às vezes eu não sabia nada sobre o assunto. A forma que eu arrumava de conseguir escrever era pesquisar”, diz a autora da série “Fazendo meu filme”(Editora Gutenberg) de quatro livros. Antes de se tornar escritora, Paula tentou cursar jornalismo, mas no meio do caminho entendeu que gostava mesmo de ficção, crônicas e contos e não textos informativos. Ela já lançou suas obras em versões em inglês, espanhol e português de Portugal.

Babi Dewet, de 27 anos, autora da trilogia “Sábado à noite” (Editora Évora), também diz que mesmo escrevendo bem nem sempre agradou os professores do ensino médio. “Eu sempre gostei muito de escrever diálogos e eu gostava de conversas entre personagens e nem sempre era o que professor estava pedindo”, diz.

Leonardo Alkmin, de 45 anos, é formado em artes cênicas, já foi ator e baterista de uma banda de rock n´roll, mas vive de escrever desde 2000.

Sua última obra é o livro de aventura chamado “Paralelos” (Geração Editorial). “Gosto de tudo que envolve a escrita e descobri que era mais feliz escrevendo. Nunca tive muita dificuldade para escrever porque lia muito, desde que aprendi a ler comecei a devorar livros. Meu primeiro romance escrevi aos 9 anos.”

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