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Posts tagged Sousa

Turma da Mônica ganha personagens soropositivos

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A Turma da Mônica vai ganhar dois novos personagens: Igor e Vitória, ambos soropositivos.

Publicado em O Debate

Um dos cartunistas mais queridos do Brasil, Maurício de Sousa criou os novos integrantes da galera em parceria com a ONG Amigos da Vida, que oferece assistência a pessoas portadoras do vírus HIV.

De acordo com Maurício de Sousa, para criar os personagens, foi preciso visitar e conversar com muitas crianças da instituição. “Precisava me informar bem para não falar besteira nos gibis. Afinal, é justamente por conta da falta de informação que surge o preconceito” comentou .

O primeiro gibi “Turma da Mônica em: Amiguinhos da vida” será lançado na próxima terça-feira (3), no Centro Cultural Banco do Brasil, no Rio de Janeiro, com direito a sessão de autógrafos.

A edição especial, que será distribuída gratuitamente em escolas da rede pública, trará as aventuras de Igor e Vitória – mas esse é apenas o primeiro número, pois outras tramas já estão sendo produzidas!

A intenção das histórias é conscientizar pais e crianças da existência da doença e contribuir para diminuir o preconceito e a discriminação contra os soropositivos.

 

Paulo Leminski e seus biografados: Jesus Cristo, Trótski, Cruz e Sousa e Bashô

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Luiz Antonio Ribeiro, no Literatortura

Paulo Leminski é um dos poetas mais complexos e completos da literatura nacional. Seu pensamento é como um mosaico de referências culturais, sociais e artísticas que se misturam dentro de si e de todo seu projeto poético e intelectual. Ele não faz dialética, mas escreve como um atlas, uma mapa de referências que, tentacularmente, se alastra para todos os cantos e todas as esferas da escrita. Leminski é produto de estudo, pensamento, mas também de vida. Por isso, também olhou para ela, tanto a sua como a de outros. Vida, de Paulo Leminski é o resultado disso tudo.

Vida é a reunião das quatro biografias escritas na década de 80 por Paulo Leminski, livro lançado pela Companhia das Letras em 2013. Nele o autor faz uma breve-longa análise de quatro nomes bastante díspares de nossa história – o poeta Cruz e Sousa, o japonês fazedor de haikais Bashô, e os revolucionários Jesus Cristo e Trótski. Em um longo exercício, resultado de intensa pesquisa, com 399 páginas, Leminski mapeia a vida e os principais feitos de cada um desses nomes, mostrando caleidoscopicamente que, de alguma forma, todos também são ele: o poeta marginal brasileiro, semi-concreto da década de 60. Afinal, o mundo é feito muitos.

O poeta Cruz e Sousa (1861 – 1898), negro nascido em Florianópolis, para Leminski é um oximoro ou uma ironia pois a tendência de sua vida era ter dado errado. Simplesmente, pelos acasos que só nosso mundo pode propiciar, acabou podendo estudar e, dando certo, participou como branco da elite sulista, embora dela sofresse preconceito. O poeta curitibano afirma que Cruz e Sousa era uma anomalia em nossa poética que, de certa forma, antecipa o tropicalismo (utilizando, inclusive, o termo) com sua linguagem que é uma espécie de ereção, com suas musas lésbicas de um simbolismo que salta do olho para o ouvido – da cabeça e da visão para o corpo. Nascido numa cidade chamado Desterro, vai terminar seu destino impossível em um lugar chamado Encantado, talvez pela ironia que é marca constante de sua vida.

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Por essas e outras que Cruz e Sousa é, também, um Leminski:

Perfeição só existe na integração dissolução do sujeito no objeto.
Na tradução do eu no outro.
É por isso que você gostou tanto deste livro.
Você, agora, sabe.
Você, eu sou Cruz e Sousa

Bashô (1644 – 1694), por outro lado, era um espírito mais controlado. Era um samurai-artista ou um artista samurai fazedor de haikais que se utilizava de um recurso chamado “hakekotoba”, que era um estilo da linguagem japonesa que faz uma palavra passar na outra. Bashô era cheio dessas ambivalências: artista e samurai, se utilizava de formas simples, mas com intuição barroca, e era ao mesmo tempo utilizador do silêncio, em uma forma zen, na mesma medida em que parecia ser um jazzista. Nessa santidade radical, de um discípulo do corpo e de Buda que Leminski afirma: Humanamente, só nos santos dá para ver os deuses: só nos radicais, dá pra ver a ideia.

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E, por isso, arremata com um poema de Alice Ruiz:

Bashô enxergava
a lágrima
no olho do peixe.

O Jesus do Leminski, por sua vez, (e para o poeta, o Jesus dele é tão verdadeiro quanto os outros), era um homem. Como tudo que se sabe dele veio de outros homens e outras línguas, o que se tem é apenas um Jesus traduzido, um pastiche do verdadeiro que, segundo o poeta, vivia em um extra-tempo. Assim, tudo o que fazia Jesus era manter um projeto altamente radical de contraposição a todo o panorama bíblico de até então e principalmente da sociedade vigente, completamente viciada pelo dinheiro e pela corrupção. Para isso, se utilizava de um recurso bastante controverso e enigmático – a parábola. Como ele próprio é criado em uma fábula inverossímil de milagres, suas parábolas, quase sempre epifânicas, expunham o mundo altamente violento com os homens e mulheres que só uma palavra que burlava o confronto poderia vencer. Entretanto, esse mesmo Jesus não era só um homem de paz, mas veio pela espada (palavras do próprio) e por isso destruir templos e poderosos fazia parte de seu projeto. Cristo é aquele que diz:

Não vim para salvar os justos
justos não precisam de salvação.

O Jesus de Leminski é o homem que inventa a alma, pois configura definitivamente uma interioridade, um “dentro” e apenas por isso poderia ser concomitantemente revolucionário e puro – ambas posições firmadas por um exagero sem fim. Jesus é, enfim, um projeto utópico, impossível que o homem não pode cumprir, mas que assombrará para sempre o ocidente com suas histórias.

Jesus, enfim, era esse revolucionário, tal como o próximo biografado: Trotski.

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A biografia de Trotski é marcada pela comparação direta da Rússia com o romance de Dostoiévski: Os Irmãos Karamazov. Para Paulo Leminski, o país soviético está encarnado na figura dos filhos de Karamazov: Aliócha, Ivan e Dmitri. O primeiro, um religioso, represente o tradicionalismo do czar com sua elite aristocrática e tradicional. Ivan é o pensamento “que vem de fora”, das ideias esclarecidas E Dmitri é aquele que precisa matar o pai, no caso, o estado tradicional. No entanto, os três são necessários para essa mudança, cada um cumprindo um importante papel.

Nesse sentido, Trótski vai ser um braço de inteligência, cultura e primor intelectual na revolução russa, ao lado do também inteligente Lênin e do prático Stalin. O que se vê nesses três é um excelente projeto, mas que, sem precedentes, fica a cargo das idiossincrasias de cada um que ideologicamente se tornam máquinas de matar. Trotski, na mediação desse pensamento, seria um dentro que é fora e um fora que é também dentro, um ser mais artístico, que recebia as influências e as mediava. Por isso é perseguido, porque tinha um projeto que não cabia nesse mundo e quando cabia era apenas para matar sanguinariamente seus próprios companheiros.

Depois da leitura da biografia desses quatro pensadores, inventados e reinventados pelas mãos de Paulo Leminski, o que se pode ver é que o poeta escreve a si próprio. Mais que isso, ele inscreveu (escreveu para dentro) a história de todos esses homens para dentro de sua história e de sua vivência. Aproximou-os de uma maneira a faze-los caber em um mundo de poesia que oscila em materialidade prática dos fatos e um pensamento que deambula caoticamente. Paulo Leminski passeia por vidas que não suas suas, mas que são de outros e, por isso, formam esse potente mosaico de forma e conteúdo revolucionários. Vida é mesmo vida.

Artigo compartilhado entre Indique um livro e Literatortura.

Dois sucos e a conta com Manoel Andrade

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O sertanejo que está revolucionando o ensino no interior do Ceará

O sertanejo que está revolucionando o ensino no interior do Ceará Hélio Sousa / Divulgação

O sertanejo que está revolucionando o ensino no interior do Ceará Hélio Sousa / Divulgação

Mauro Ventura em O Globo

Tudo começou em 1994, com sete jovens — seis rapazes e uma moça — estudando numa casa de farinha desativada ou debaixo de pés de juazeiro, sentados em cadeiras velhas. Moravam em Cipó, comunidade rural de apenas dez famílias a mais de cem quilômetros de Fortaleza, no Ceará. Hoje eles são milhares e estão provocando uma pequena revolução educacional no estado. É o Prece, o Programa de Educação em Células Cooperativas, que em 2014 completa 20 anos. Por trás de tudo está Manoel Andrade, de 53 anos, doutor em Química da Universidade Federal do Ceará (UFC). Um dos dez filhos de um casal de agricultores, o pai mal sabia ler e a mãe tinha apenas a quarta série primária. Como em seu lugarejo não havia escola, Manoel foi aos 9 anos morar com os avós em Fortaleza para estudar. Quando começou a pós-graduação, passou a voltar todo fim de semana a Cipó, onde teve a ideia do Prece. No programa, não há professor. Cada estudante ensina aos demais sua disciplina favorita. Juntos, esses alunos do interior compartilham conhecimentos, apoiam-se mutuamente, superam deficiências de aprendizagem e passam no vestibular.

O GLOBO: Quem eram esses sete estudantes pioneiros?
MANOEL ANDRADE:
Eram todos excluídos educacionalmente e hoje, dos sete, só um abandonou os estudos. Os demais se graduaram. Um que na época havia parado na quarta série e estava com 20 anos virou doutor em Química e pesquisador na Embrapa (Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária). Outro que tinha 20 anos e cursava a sexta série está terminando o doutorado em Fitopatologia. Tem ainda um agrônomo, uma professora de História, um mestre em Educação e um graduado em Teologia.

Na época, houve reação dos pais dos jovens da região?
Sim. Os pais eram agricultores analfabetos. Na visão deles, os filhos precisavam trabalhar para ajudar a sustentar a família. Como aqueles jovens, que liam e escreviam de forma precária, entrariam na universidade? Mas, dois anos depois, um dos estudantes, Francisco Antônio, o Toinho, foi aprovado em primeiro lugar no vestibular de Pedagogia da Universidade Federal do Ceará (UFC). Seis meses depois, outro também passou. Em 1988, eram quatro na UFC. O sucesso deles atraiu outros jovens.

Como surgiu a ideia do Prece?
Tem origem num episódio que me ocorreu aos 16 anos. Um jovem, Flávio Tabosa Barroso, me convidou para participar de um grupo de estudos. Perguntou o que mais eu gostava de estudar. “Biologia.” E ele: “Então você vai nos ensinar Biologia.” Cada um ensinava aquilo de que mais gostava. Foi uma revolução na minha vida. Quando comecei a voltar a Cipó, resolvi repetir a experiência. Eu botava os meninos para estudar juntos e os levava no meu carro para conhecer a universidade. Eles se animavam ao ver que alguém da região teve sucesso graças ao estudo.

O que essa metodologia de aprendizagem em grupo mostra?
A experiência dos grupos de estudo (também chamados de células de aprendizagem cooperativa) deu certo. Não pode ser só o professor dando aula, uma transferência impositiva de um lado para o outro. Você aprende muito mais interagindo, cooperando, compartilhando conhecimentos e trocando saberes com os outros do que apenas recebendo informação.

Aqueles sete iniciais hoje são milhares…
Estamos influenciando a rede pública do Ceará. A secretaria de Educação do estado me chamou para montar um programa para cada escola estadual. Já preparamos cerca de 2.500 estudantes para organizarem grupos de estudo. Eles estão se proliferando por todo o estado e já há um programa em Mato Grosso inspirado no nosso. Graças ao Prece, cerca de 500 jovens de origem popular entraram na universidade. E mais de 30 cursam ou já cursaram a pós. E não é um êxodo rural, porque, ao ingressarem na universidade, eles passam a retornar às suas comunidades e fundam novos grupos de estudo no interior, transformando a realidade de suas regiões. Nossa utopia é contribuir para a construção de uma escola pública de qualidade.

Bolsa de pós-graduação é única fonte de renda de muitos estudantes

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Os cursos de Ciências Agrárias foram os que mais receberam bolsas de pós-graduação no Brasil em 2011, segundo dados da Capes. A área abrange os cursos de Agronomia, Engenharia Agrícola e Recursos Florestais e Engenharia Florestal. No total, são 5.916 bolsas de mestrado, doutorado e pós-doutorado --mais da metade é para o mestrado Jean Marconi/Flickr

Os cursos de Ciências Agrárias foram os que mais receberam bolsas de pós-graduação no Brasil em 2011, segundo dados da Capes. A área abrange os cursos de Agronomia, Engenharia Agrícola e Recursos Florestais e Engenharia Florestal. No total, são 5.916 bolsas de mestrado, doutorado e pós-doutorado –mais da metade é para o mestrado Jean Marconi/Flickr

Mariana Tokarnia, no UOL

Com valores mensais entre R$ 1.000 e R$ 4.000, as bolsas de pós-graduação são, quase sempre, a única fonte de renda de muitos estudantes no país. Eles se dedicam exclusivamente às dissertações, teses, à publicação de artigos e a leituras. É com a bolsa também que pagam despesas como o aluguel e a alimentação. O valor, segundo bolsistas, é insuficiente para algumas localidades, ou dá apenas para pagar as contas. Para aqueles que deixam a família e se mudam para estudar, a bolsa é o que garante a fixação na localidade. A partir deste mês, os estudantes recebem um reajuste de 10% nos valores.

O reajuste das bolsas de mestrado, doutorado e pós-doutorado ofertadas pela Capes (Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior) e pelo CNPq (Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico) foi anunciado em março. Os novos valores começam a ser pagos agora: a bolsa de mestrado passa de R$ 1.350 para R$ 1.500, a de doutorado, de R$ 2.000 para R$ 2.200 e a de pós-doutorado de R$ 3.700 para R$ 4.100.

“A bolsa é interessante porque legitima a nossa função como estudantes, nos dá um aval de pesquisadores”, diz o doutorando em literatura da UnB (Universidade de Brasília) Douglas Sousa. “Mas o valor é ainda mais interessante para aqueles que não são de Brasília [onde o custo de vida é alto], que moram em residência própria. Eles podem usar a bolsa apenas para manutenção do curso, gastam com lanches, livros e viagens para congressos. Para nós que somos de outros Estados, temos que pagar aluguel, alimentação, além de bancar nossa participação em eventos científicos, que é quase uma obrigatoriedade para pós-graduandos”.

Custo de vida
Douglas veio de Socorro do Piauí, a 457 quilômetros da capital piauiense, Teresina. No Estado de origem fez graduação e mestrado. Para o doutorado, escolheu Brasília pelo intercâmbio cultural que teria: “Não precisa sair de Brasília para ter um pedacinho do mundo aqui”. Mas o preço é alto, apenas o aluguel consome 40% do que ganha.

“Eu posso dizer que não vivi Brasília culturalmente. Pesquiso dramaturgia e não tenho dinheiro suficiente para ir a várias apresentações”, diz o mestrando em literatura da UnB Francisco Alves. Ele veio de Boa Vista, Roraima. Francisco conta que sempre viveu intensamente as universidades por onde passou, sendo monitor e participando de projetos de pesquisa. “Em Roraima, na graduação, minha mãe alugou um quarto para mim perto da universidade. Disse que pagava o aluguel e o resto, eu me virasse”.

Ambos estudam uma média de seis a oito horas por dia. A bolsa é uma ajuda para que se dediquem exclusivamente à pós. Na UnB, de um total de 7,6 mil alunos de pós-graduação, 4,5 mil, quase 60%, são brasileiros que não residiam no Distrito Federal.

“Temos muitos alunos que vêm de outros Estados, alunos de classe média baixa que têm muita dificuldade em se fixar. A família sustenta na graduação, mas quando chega na pós, o estudante já é adulto e às vezes fica mais difícil para a família. Além disso, eles estão em uma fase da vida em que começam a se casar, ou já são casados, têm família para sustentar e isso dificulta enormemente a vida acadêmica”, constata o decano de pesquisa e pós-graduação da universidade, Jaime Martins.

“O valor da bolsa melhorou um pouco, mas ainda não é suficiente para que os estudantes possam viver em boas condições e para se dediquem exclusivamente à pesquisa. Não se trata de uma visão romântica, é algo prático, para que o estudante possa ter mais tempo dedicado ao trabalho e fazer aquilo da melhor forma possível. Com dedicação, melhor será o trabalho, melhor a publicação e mais mérito acadêmico para o aluno e para a universidade”, diz o decano.

Confira as áreas que mais recebem bolsas de pós-graduação no Brasil

Livraria Cultura promove quiz nerd

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Welton Sousa, no Blogs Pop Nerd e Geek

No dia 4 de maio, a Livraria Cultura promoverá o lançamento do jogo Nerd Quiz, com direito a participação de todos os clientes que passarem por lá.

O Nerd Quiz é um jogo da Panda Books, que vem numa caixinha com 49 perguntas ligadas ao mundo nerd. Os temas são os mais variados, entre cinema, livros, quadrinhos, ciência e diversas outras referências. Todas as perguntas são dividas entre os níveis Fácil, Médio e Difícil.

Até aí tudo bem, muito legal, temos mais um joguinho nerd pra comprar no mundo. Mas o bacana é o evento programado para o dia, que contará com quiz ao vivo, montados com times de três pessoas. Os vencedores devem ganhar prêmios, brindes e tudo aquilo que não só a nerdalhada, mas todo mundo gosta.

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O evento vai rolar na loja Geek.etc de São Paulo, o espaço da livraria separado para conteúdo nerd e geek. O quiz está marcado para as 15h. O espaço fica na Alameda Santos, 2152, Loja 122.

dica do Thiago Mendanha

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