Posts tagged Garante

Polêmica sobre Apae tranca pauta de Plano Nacional de Educação no Congresso

0
A Constituição Federal Brasileira garante o direito de todos à educação. A educação inclusiva deve estar inserida dentro desse direito universal. Da Constituição de 1988 até hoje muitas legislações e regulamentações foram criadas para assegurar que os deficientes sejam incluídos nas escolas. Confira alguns dos direitos garantidos por lei e como cobrá-los Juca Varella/Folhapress

A Constituição Federal Brasileira garante o direito de todos à educação. A educação inclusiva deve estar inserida dentro desse direito universal. Da Constituição de 1988 até hoje muitas legislações e regulamentações foram criadas para assegurar que os deficientes sejam incluídos nas escolas. Juca Varella/Folhapress

Edgard Matsuki, no UOL

Há quase três anos tramitando no Congresso, o PNE (Plano Nacional de Educação) passa por impasse no Senado devido a divergências em relação à Meta 4, que pretende universalizar o atendimento a alunos deficientes de 4 a 17 anos na rede regular de ensino e recebe críticas das Apaes, associações tradicionais no atendimento de pessoas com deficiência intelectual.

Por falta de um acordo, a aprovação do PNE foi adiada para a próxima semana na Comissão de Constituição e Justiça da casa.

O QUE É O PLANO NACIONAL DE EDUCAÇÃO

O Plano Nacional de Educação (PNE) é um conjunto de dez diretrizes e 20 metas traçadas pelo Ministério da Educação para o avanço do ensino no Brasil e que devem ser alcançadas entre 2011-2020.

A Meta 4 tem o seguinte texto: “Universalizar, para a população de 4 a 17 anos, o atendimento escolar aos estudantes com deficiência, transtornos globais do desenvolvimento e altas habilidades ou superdotação na rede regular de ensino”

O maior impasse sobre o Plano Nacional de Educação gira em torno de uma palavra: “preferencialmente”. O termo foi incluído no texto da matéria quando passou em plenário na Câmara, mas foi retirado por votação quando passou na CAE (Comissão de Assuntos Econômicos) do Senado, presidida pelo senador José Pimentel (PT-CE).

As Apaes pedem a inclusão do termo novamente no texto da matéria pois, acreditam que, do jeito que está, o plano tira a opção dos alunos serem matriculados em escolas especiais, o que enfraqueceria as instituições.

“O texto obriga as crianças especiais a estudarem no ensino regular [juntamente com todos os outros alunos e não em uma instituição especializada]”, diz secretário-executivo da Fenaes (Federação Nacional das Apaes), José Luis Ribeiro Colar. “Isso, gradativamente, acabaria com as Apaes.”

Segundo o Censo Escolar, em 2012 havia 820,4 mil alunos na educação especial em todo o país. Só as instituições conveniadas que atendem estudantes do ensino especial receberam repasse de R$ 841,9 milhões do Fundeb (Fundo de Manutenção e Desenvolvimento da Educação Básica e de Valorização dos Profissionais da Educação) no ano passado.

MEC
De acordo com a Fenaes, foram realizadas algumas reuniões entre a Federação e o MEC, mas não houve acordo em relação ao tópico. “Quero reiterar que todo o governo está do nosso lado. Só o MEC está intransigente em relação à meta 4”, diz Colar. Na última semana, o senador Vital do Rego (PMDB-PB) disse, em entrevista para a rádio Senado, que “falta interesse do MEC em negociar uma solução imediata com as Apaes”.

Pimentel, por outro lado, não acredita que o texto atual possa enfraquecer as instituições de ensino especial. Por meio de sua assessoria, o senador explicou que o texto não proíbe a matrícula de aluno na Apae:

“Tivemos apoio de entidades que militam na educação inclusiva. E, em relação a recursos, as Apaes não teriam problemas porque o Fundeb prevê a duplicação de envios no caso de alunos matriculados em duas escolas”.

O MEC, que também é favorável à manutenção do texto sem a palavra “preferencialmente”, endossa a opinião de que as Apaes não devem acabar, mas mudar de caráter. “As Apaes terão um papel na educação complementar e receberão a segunda matrícula. A escolarização deverá ser na rede fundamental”, aponta o Ministério da Educação.

Com a polêmica, não há previsão de quando o PNE possa ser aprovado para entrar em vigor. Até porque, após passar pela CCJ (o que pode acontecer na próxima semana), o texto ainda terá que passar pela Comissão de Educação, Cultura e Esporte (CE), plenário do Senado e, se for aprovado sem o termo “preferencialmente”, voltará para votação na Câmara.

Polêmica gerou protestos nas ruas e boatos na internet
O impasse em relação à Meta 4 do Plano Nacional de Educação gerou alguns protestos de integrantes das Apaes e boatos em redes sociais. Alguns deles chegaram a falar de que o governo queria acabar com as escolas de ensino especial e usava o nome da ministra da Casa Civil, Gleisi Hoffmann. Diante o grande volume de informações, a própria Fenaes acabou desmentido o boato no site oficial.

“Alguns textos chegaram a relacionar a ministra com o nazismo, o que é uma informação errada. Ela sempre apoiou as Apaes. A única resistência que estamos enfrentando é a do MEC”, afirma Colar. O texto pode ser lido aqui.

Professoras da rede pública gastam salário com equipamentos para aula

0

Marcelle Souza, no UOL

Verônica Batista gastou R$ 1.300 com projetor (Acervo Pessoal)

Verônica Batista gastou R$ 1.300 com projetor (Acervo Pessoal)

Se a escola pública oferece poucos recursos, a professora Verônica Eliane de Souza Batista, 42, não hesita em tirar dinheiro do bolso para tornar as aulas de biologia e química mais atrativas para os alunos. Sua lista de investimentos tem desde material em áudio sobre o corpo humano até um projetor multimídia e um microfone.

O mini-projetor com controle remoto custou cerca de R$ 1.300 e teve que ser parcelado em cinco vezes. Com o microfone e o amplificador, foram gastos outros R$ 340 –o piso salarial nacional de um professor é de R$ 1.567.

“No ano passado, um grupo de alunos preparou uma apresentação para um trabalho, mas não conseguiu mostrar para a turma porque o responsável pela montagem do projetor da escola ainda não tinha chegado. Fiquei bem chateada e decidi comprar o meu”, conta.

Verônica garante que valeu a pena. “Acho que faz muita diferença, gosto de tentar sempre melhorar a minha aula, mudar um pouco a rotina. Comprei o equipamento faz uns dois meses e percebo que consigo prender mais a atenção dos alunos”, diz ela, que dá aulas na zona leste de São Paulo.

O equipamento de som previne as inflamações de garganta, os antibióticos e as faltas – antes mais frequentes por causa da rouquidão constante.

Mês de salário
Assim como Verônica, a professora de sociologia Valéria Tenório, 29, também cansou de disputar o único projetor da escola pública em que leciona e decidiu gastar R$ 1.800 – que corresponde a aproximadamente um mês de salário – para comprar um projetor.

“Eu uso para preparar aulas mais dinâmicas, trabalhar com imagens e vídeos. Sociologia não tem exercício na lousa, é mais verbal, mais teórica. Então, a aula não vai ser convidativa se eu ficar falando por 50 minutos em uma sala com mais de 45 alunos”, afirma a professora da zona leste da capital.

As professoras dizem que existem projetores nas escolas em que trabalham, mas que os equipamentos são disputados e, às vezes, é preciso enfrentar problemas como tomadas que não funcionam e demora na hora de instalar a aparelho na sala de aula.

“Muitas vezes, você tenta falar e o aluno não presta atenção. Eu não acho que é culpa dele, nem todo mundo tem a obrigação de gostar de tudo. Mas se você se interessa em dar aula, o aluno valoriza”, diz Valéria.

Falta de condições de trabalho
Para a professora Andrea Caldas, do setor de Educação da UFPR (Universidade Federal do Paraná), a atitude das duas professoras é um mérito, mas melhorar as condições de trabalho da categoria deveria ser uma prioridade dos governos.

A professora de sociologia Valéria Tenório gastou um mês de salário para comprar um projetor

A professora de sociologia Valéria Tenório gastou um mês de salário para comprar um projetor

“Isso revela o quanto os professores se sentem sozinhos no seu trabalho. É uma ação isolada, emergencial, uma improvisação, enquanto quem tinha que prover essas ferramentas de trabalho é o Estado”, afirma.

A especialista acrescenta que Estados e municípios precisam planejar a adoção de novas tecnologias para que ações como a das professoras não sejam dispersas e desarticuladas. Para Caldas, os equipamentos são acessórios e, em primeiro lugar, é preciso investir na formação dos professores. “O professor pode tornar a aula mais interessante se ele souber exatamente o que fazer com a ferramenta.”

Sempre mais
A professora Verônica promete não parar no projetor e no microfone, agora está estudando comprar um microscópio para as aulas de biologia.

“Dar aula é um trabalho em que temos que comprar desde a caneta que a gente escreve, só temos o giz a lousa”, diz. “E, mesmo depois de 18 anos, eu sinto que preciso sempre me adaptar, porque a tecnologia está na mão dos alunos”, afirma.

Faculdade inglesa cria curso de heavy metal

0

ONG que defende educação considera iniciativa uma ‘perda de tempo’

Eddie, o zumbi mascote do Iron Maiden, na capa do single "The Trooper" - Reprodução

Eddie, o zumbi mascote do Iron Maiden, na capa do single “The Trooper” – Reprodução

Publicado em O Globo

RIO – Na canção “Feitio de oração”, Noel Rosa alertava que “ninguém aprende samba no colégio”. Essa parece ser a opinião da ONG inglesa “Campaign for Real Education” em relação a um novo curso de heavy metal criado pela faculdade Nottingham College.

“Pode parecer uma opção atraente e fácil para algumas pessoas, mas você não precisa de um diploma em heavy metal. É uma perda de tempo”, disse o presidente da ONG, Chris McGovern, à BBC News.

Segundo o site da faculdade, o curso foi criado “em resposta a demanda dos alunos e da crescente economia criativa e musical de Nottingham”. As aulas prometem ser animadas, com os estudantes formando bandas, tocando e promovendo shows.

O curso tem como tutor o professor de música Liam Maloy, que afirma ter passado sete meses desenvolvendo o currículo. Os alunos vão aprender teoria musical, composição, improviso, técnicas de gravação, além do contexto do heavy metal na indústria musical.

“Haverá um diploma, então seremos academicamente rigorosos”, garante o professor. “No passado, o heavy metal não era levado a sério e tinha menos credibilidade do que outros gêneros como jazz e música clássica, mas isso é só uma construção cultural”.

A primeira turma começa em setembro de 2013 e o curso tem previsão inicial de durar dois anos. No segundo ano, os estudantes formarão bandar para se apresentar pelo Reino Unido. Depois, podem optar por continuar estudando na faculdade de música por um terceiro ano, garantindo assim um diploma completo da Nottingham Trent University.

Mães de jovens com dislexia lutam por educação adequada ao transtorno

0

Dislexia é um transtorno de aprendizagem de causa neurológica.
Alexandra e Augusta promovem eventos e batalham por aprovação de lei.

Maria Augusta e Ricardo (lado esquerdo) e Alexandra e Anna Lia (direito) (Foto: Vanessa Fajardo/ G1)

Maria Augusta e Ricardo (lado esquerdo) e Alexandra e Anna Lia (direito) (Foto: Vanessa Fajardo/ G1)

Vanessa Fajardo, no G1

A economista Maria Augusta Pacheco Ranhada Gil, de 50 anos, e a psicopedagoga Alexandra Amadio Belli, de 45 anos, diagnosticaram a dislexia nos filhos adolescentes ainda quando eles eram crianças. Foram anos de estudo até entender – e aceitar – como este transtorno de aprendizado de origem neurológica iria afetar a vida de seus filhos. Os disléxicos têm mais dificuldade para ler, interpretar e escrever pois não conseguem ligar os sons às palavras. Geralmente a dislexia é identificada durante a alfabetização e pode ser confundida com déficit de atenção (TDAH).

O distúrbio é diagnosticado por uma equipe multidisciplinar (fonoaudiólogo, neurologista, psicólogo e psicopedagogo) e tem relação com a herança genética. O problema sensibilizou tanto Maria Augusta e Alexandra que mais do que mães de Ricardo Augusto Gil, de 16 anos, e Anna Lia Bellli, de 15, elas se engajaram à causa, mesmo sem estar afiliadas a qualquer associação, e se tornaram defensoras dos disléxicos.

Alexandra foi professora do filho de Maria Augusta. Por conta da dislexia dos filhos as duas se aproximaram e se tornaram amigas. Juntas, elas costumam organizar eventos e palestras e criar espaços para falar sobre o tema. Paralelamente, encabeçam a batalha de conseguir aprovar um projeto de lei no estado de São Paulo que garante direitos aos estudantes disléxicos da rede pública. O projeto está sendo redigido por uma equipe multidisciplinar e ainda precisa seguir para votação.

Quem tem dislexia fica à margem, é discriminado, mas a pessoa não tem problemas cognitivos. São personagens brilhantes que perdem a oportunidade de se desenvolver”
Alexandra Belli,
psicopedagoga e mãe de Anna Lia

Enquanto o projeto de lei não é aprovado, as duas não se cansam de reivindicar direitos dos filhos nas escolas onde estudam. Os pedidos nunca são isolados, e quando concedidos, beneficiam todos os estudantes com problemas de déficit de atenção da escola. Elas costumam ‘brigar’ para que a escola seja mais flexível na correção de determinada avaliação, dê mais tempo para os filhos fazerem as provas ou, ainda, forneça as fórmulas em uma folha anexa para um exame de física, por exemplo.

“Queremos contagiar e fazer com que as pessoas percebam a dislexia. Quem tem dislexia fica à margem, é discriminado, mas a pessoa não tem problemas cognitivos. São personagens brilhantes que perdem a oportunidade de se desenvolver”, diz Alexandra, que também se diz disléxica, apesar de não ter o diagnóstico.

Anna Lia e Alexandra estudam juntas (Foto: Vanessa Fajardo/ G1)

Anna Lia e Alexandra estudam juntas
(Foto: Vanessa Fajardo/ G1)

O apoio das mães

A filha de Alexandra, Anna Lia também tem transtorno de déficit de atenção (TDHA) que foi diagnosticado antes da dislexia. Alexandra conta que percebeu que a filha poderia ser disléxica quando lia com ela percebeu que a garota não conseguia ler uma determinada palavra (ela não se lembra qual é) durante todo o livro. Por dois anos, Anna Lia teve acompanhamento de professores particulares de português e matemática. Está no 2º ano do ensino médio, nunca repetiu um ano, mas às vezes pega uma recuperação. Sempre tem o respaldo da mãe.

“Eu vou estar por trás dela por pior que seja seu fracasso. O que me importa é o seu esforço, cobro para que faça o melhor, sabemos o sacrifício, exigir nota alta é absurdo”, afirma Alexandra. Anna Lia reconhece o apoio da mãe. “Se não fosse minha mãe, eu já teria repetido algum ano. Ela me ajuda a estudar, a decorar a matéria, fazer resumo e sempre procurou ajuda.”

Alexandra acompanha de perto o desenvolvimento da filha porque é psicopedagoga e tem conhecimento técnico sobre o distúrbio. Escreveu sobre TDHA na teste do mestrado e depois a transformou em livro. No entanto, segundo ela, nos demais casos o ideal é que os pais apenas administrem a evolução dos filhos de longe, contratem professores particulares quando necessário, entre outros ações, mas não se envolvam diretamente em sua vida escolar.

Ele é muito responsável e dedicado. Falo sempre que tenho muito orgulho de ele ser disléxico, porque eu me tornei uma pessoa mais sensível e solidária”
Maria Augusta Gil,
economista e mãe de Ricardo

Ricardo não costuma falar sobre dislexia na escola, mas diz que tem o respeito dos colegas, e admira o interesse da mãe pela causa. “Acho muito bom, conheço mães com filhos disléxicos que não fazem nem um terço do que ela faz. O problema é a falta de informação. Minha mãe busca assistência para que eu possa ir bem no colégio. Se não fosse por ela, teria repetido e talvez nem soubesse que tenho dislexia.”

Cursando o 2º ano do ensino médio, Ricardo diz que sua maior dificuldade é em ciências exatas, apesar de a maioria dos disléxicos ter mais problemas com humanas por conta da dificuldade de leitura e interpretação. “Eu me cobro muito porque cada um tem de buscar o melhor naquilo que faz. É muito frustrante quando você estuda, não consegue interpretar a prova e acaba errando o exercício”, diz o jovem.

Maria Augusta e Ricardo que cursa o 2° ano do ensino médio (Foto: Vanessa Fajardo/ G1)

Maria Augusta e Ricardo que cursa o 2° ano do
ensino médio (Foto: Vanessa Fajardo/ G1)

Maria Augusta se emociona ao falar do esforço do filho, a quem considera “herói” “Ele é muito responsável e dedicado. Falo sempre que tenho muito orgulho de ele ser disléxico, porque eu me tornei uma pessoa mais sensível e solidária. É necessário se despir de preconceitos, há uma dificuldade de assumir a dislexia porque a sociedade é muito competitiva.”

Outro resultado do esforço de Alexandra e Maria Augusta tem data marcada: dia 8 de junho, das 13h às 17h30, no Centro Cultural da Índia (Alameda Sarutaiá, 380, Jardim Paulista, São Paulo). Haverá a exibição do filme indiano “Como Estrelas na Terra”, que retrata a história de uma família cujo filho é um garoto disléxico. Após o filme, haverá um debate. A entrada é gratuita, mas é necessário se inscrever pelo telefone (11) 3258-7568 ou e-mail [email protected]

Bolsa de pós-graduação é única fonte de renda de muitos estudantes

0
Os cursos de Ciências Agrárias foram os que mais receberam bolsas de pós-graduação no Brasil em 2011, segundo dados da Capes. A área abrange os cursos de Agronomia, Engenharia Agrícola e Recursos Florestais e Engenharia Florestal. No total, são 5.916 bolsas de mestrado, doutorado e pós-doutorado --mais da metade é para o mestrado Jean Marconi/Flickr

Os cursos de Ciências Agrárias foram os que mais receberam bolsas de pós-graduação no Brasil em 2011, segundo dados da Capes. A área abrange os cursos de Agronomia, Engenharia Agrícola e Recursos Florestais e Engenharia Florestal. No total, são 5.916 bolsas de mestrado, doutorado e pós-doutorado –mais da metade é para o mestrado Jean Marconi/Flickr

Mariana Tokarnia, no UOL

Com valores mensais entre R$ 1.000 e R$ 4.000, as bolsas de pós-graduação são, quase sempre, a única fonte de renda de muitos estudantes no país. Eles se dedicam exclusivamente às dissertações, teses, à publicação de artigos e a leituras. É com a bolsa também que pagam despesas como o aluguel e a alimentação. O valor, segundo bolsistas, é insuficiente para algumas localidades, ou dá apenas para pagar as contas. Para aqueles que deixam a família e se mudam para estudar, a bolsa é o que garante a fixação na localidade. A partir deste mês, os estudantes recebem um reajuste de 10% nos valores.

O reajuste das bolsas de mestrado, doutorado e pós-doutorado ofertadas pela Capes (Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior) e pelo CNPq (Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico) foi anunciado em março. Os novos valores começam a ser pagos agora: a bolsa de mestrado passa de R$ 1.350 para R$ 1.500, a de doutorado, de R$ 2.000 para R$ 2.200 e a de pós-doutorado de R$ 3.700 para R$ 4.100.

“A bolsa é interessante porque legitima a nossa função como estudantes, nos dá um aval de pesquisadores”, diz o doutorando em literatura da UnB (Universidade de Brasília) Douglas Sousa. “Mas o valor é ainda mais interessante para aqueles que não são de Brasília [onde o custo de vida é alto], que moram em residência própria. Eles podem usar a bolsa apenas para manutenção do curso, gastam com lanches, livros e viagens para congressos. Para nós que somos de outros Estados, temos que pagar aluguel, alimentação, além de bancar nossa participação em eventos científicos, que é quase uma obrigatoriedade para pós-graduandos”.

Custo de vida
Douglas veio de Socorro do Piauí, a 457 quilômetros da capital piauiense, Teresina. No Estado de origem fez graduação e mestrado. Para o doutorado, escolheu Brasília pelo intercâmbio cultural que teria: “Não precisa sair de Brasília para ter um pedacinho do mundo aqui”. Mas o preço é alto, apenas o aluguel consome 40% do que ganha.

“Eu posso dizer que não vivi Brasília culturalmente. Pesquiso dramaturgia e não tenho dinheiro suficiente para ir a várias apresentações”, diz o mestrando em literatura da UnB Francisco Alves. Ele veio de Boa Vista, Roraima. Francisco conta que sempre viveu intensamente as universidades por onde passou, sendo monitor e participando de projetos de pesquisa. “Em Roraima, na graduação, minha mãe alugou um quarto para mim perto da universidade. Disse que pagava o aluguel e o resto, eu me virasse”.

Ambos estudam uma média de seis a oito horas por dia. A bolsa é uma ajuda para que se dediquem exclusivamente à pós. Na UnB, de um total de 7,6 mil alunos de pós-graduação, 4,5 mil, quase 60%, são brasileiros que não residiam no Distrito Federal.

“Temos muitos alunos que vêm de outros Estados, alunos de classe média baixa que têm muita dificuldade em se fixar. A família sustenta na graduação, mas quando chega na pós, o estudante já é adulto e às vezes fica mais difícil para a família. Além disso, eles estão em uma fase da vida em que começam a se casar, ou já são casados, têm família para sustentar e isso dificulta enormemente a vida acadêmica”, constata o decano de pesquisa e pós-graduação da universidade, Jaime Martins.

“O valor da bolsa melhorou um pouco, mas ainda não é suficiente para que os estudantes possam viver em boas condições e para se dediquem exclusivamente à pesquisa. Não se trata de uma visão romântica, é algo prático, para que o estudante possa ter mais tempo dedicado ao trabalho e fazer aquilo da melhor forma possível. Com dedicação, melhor será o trabalho, melhor a publicação e mais mérito acadêmico para o aluno e para a universidade”, diz o decano.

Confira as áreas que mais recebem bolsas de pós-graduação no Brasil

Go to Top