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Os 23 livros que Mark Zuckerberg leu em 1 ano

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O primeiro livro sumiu dos estoques da Amazon apenas horas depois que o CEO informou que estava começando sua saga literária

Publicado no InfoMoney

SÃO PAULO – A resolução de ano novo do CEO do Facebook, Mark Zuckerberg, foi ler um livro a cada duas semanas. A lista inclui títulos sobre criatividade, vacinação, tecnologia e ciência. A leitura de Zuckerberg teve impacto no mercado literário, com o primeiro livro sumindo dos estoques da Amazon apenas horas depois que o CEO informou que estava começando sua saga.

Veja os 23 livros que o bilionário leu em um ano e suas explicações sobre as escolhas:

1 – O fim do poder, por Moises Naim
“É um livro que explora como o mundo está mudando para dar aos indivíduos um poder que tradicionalmente só grandes governos, exércitos e outras organizações tinham. A tendência para dar mais poder às pessoas é algo em que acredito profundamente.”

2 – Os Anjos Bons da Nossa Natureza: Por que a violência diminuiu, por Steven Pinker
“É um livro atual sobre como e porque a violência tem caído de maneira constante ao longo de nossa história e como podemos manter essa tendência. Eventos recentes fazem com que violência pareçam mais comuns do que nunca, então é útil entender que toda essa violência – mesmo terrorismo – está caindo com o tempo. Se pudermos entender como estamos conquistando isso, poderemos manter nosso caminho rumo à paz. Algumas pessoas em quem confio me disseram que é o melhor livro que já leram.”

3 – Gang Leader for a Day, por Sudhir Venkatesh
“Gang Leader explora como é a vida daqueles que não vivem sob um governo eficaz. Estou ansioso para ler este e terminar o anterior.”

4 – Imunidade: Germes, Vacinas e Outros Medos, por Eula Biss
“Vacinação é um tema importante e atual. A ciência é completamente clara: vacinas funcionam e são importantes para a saúde de todos em nossa comunidade. Esse livro explora algumas razões que levam pessoas a questionar vacinas e então explica logicamente porque essas dúvidas não tem fundamentos e vacinas são eficazes e seguras. Este livro me foi recomendado por cientistas e amigos que trabalham com saúde pública. E também é um livro relativamente curto, que você pode ler em algumas horas.”

5 – Criatividade SA, por Ed Catmull e Amy Wallace
“Este livro foi escrito pelo fundador da Pixar e trata de sua experiência construindo uma cultura que incentiva a criatividade. Sua teoria é que as pessoas são fundamentalmente criativas, mas muitas forças ficam no caminho entre elas e seu melhor trabalho. Amo ler relatos de primeira mão sobre como construir grandes empresas como a Pixar e incentivar inovação e criatividade. Isso deve ser inspirador para qualquer um que quer fazer o mesmo – e espero que tenha lições que possamos aplicar para conectar o mundo.”

6 – A Estrutura das Revoluções Científicas, por Thomas S. Kuhn
“É um livro sobre a história da ciência que explora se ciência e tecnologia avançam de maneira consistente para a frente ou se o progresso vem em rajadas relacionadas a outras forças sociais. Tendo a crer que a ciência é uma força consistente para o bem do mundo. Acho que todos estaríamos melhores se investíssemos mais em ciência e agíssemos de acordo com os resultados de pesquisas. Estou animado para explorar esse tema em mais detalhes.”

7 – Rational Ritual: Culture, Coordination, and Common Knowledge, por Michael Suk-Young Chwe
“Esse livro trata do conceito de ‘senso comum’ e como as pessoas processam o mundo não apenas com base no que sabem pessoalmente, mas no que sabemos que outras pessoas sabem e também nossos conhecimentos compartilhados. É uma ideia importante para projetar redes sociais, já que frequentemente enfrentamos tradeoffs entre criar experiências personalizadas para cada indivíduo e criar experiências universais para todos.”

8 – Dealing with China: An Insider Unmasks the New Economic Superpower, por Henry M. Paulson
“Este livro é sobre a experiência de Paulson trabalhando com líderes chineses por mais de duas décadas enquanto era Secretário do Tesouro e chefe do Goldman Sachs. Ao longo dos últimos 35 anos, a China passou por uma das maiores transformações sociais e econômicas da história humana. Centenas de milhões de pessoas deixaram a pobreza. Qualquer métrica mostra que a China fez mais para tirar mais gente da pobreza que o resto do mundo junto. Tenho um interesse pessoal como estudante da cultura, história e linguagem chinesa. Estou animado para ler a perspectiva de Paulson sobre o que a ascensão da China significa para o mundo.”

9 – Orwell’s Revenge: The 1984 Palimpsest, por Peter Huber
“Muitos de nós estão familiarizados com o livro 1984 de George Orwell. Suas ideias do Grande Irmão, vigilância e duplipensar se tornaram medos penetrantes em nossa cultura. Orwell’s Revenge é uma versão alternativa de 1984. Após ver o que aconteceu com a história, a ficção de Huber descreve como ferramentas como a internet beneficiam as pessoas e mudam a sociedade para melhor.”

10 – A Nova Segregação. Racismo e Encarceramento em Massa, por Michelle Alexander
“Este livro sobre justiça social delineia as muitas maneiras em que o sistema de justiça criminal dos EUA discrimina contra minorias, coloca-as em desvantagem e previne todos de terem oportunidades iguais. Tenho me interessado pela reforma da justiça criminal há um tempo e este livro foi muito recomendando por muitas pessoas em quem confio.”

11 – THE MUQADDIMAH: An Introduction to History, por Ibn Khaldun
“É uma história do mundo escrita por um intelectual que viveu nos anos 1300. Seu foco é mostrar com a sociedade e cultura fluem, incluindo  a criação de cidades, políticas, comércio e ciência.

Enquanto muito do que era crença na época foi refutado ao longo de 700 anos de progresso, ainda é muito interessante ver o que era entendido na época e como, no geral, a visão de mundo mudou.”

12 – Sapiens – Uma Breve História da Humanidade, por Yuval Noah Harari
“Este livro é uma grande narrativa da história da civilização humano – de como nos desenvolvemos de caçadores-coletores no começo a como organizamos nossa sociedade e economia hoje. Como livro seguinte ao Muqaddimah, que era a história da perspectiva de um intelectual de 1300, Sapiens é uma exploração contemporânea de muitas perguntas similares. Estou ansioso para ler essas perspectivas diferentes.”

13 – The Player of Games, por Iain M. Banks
“Este título é uma mudança de ritmo dos livros recentes sobre ciências sociais. É uma ficção científica sobre uma civilização avançada com inteligência artificial e uma cultura vibrante.”

14 – Energy: A Beginner’s Guide, por Vaclav Smil
“Este livro é sobre ciências físicas ao invés de ciências sociais. Explora tópicos importantes relacionados a como a energia funciona, como nossa produção e uso podem evoluir e como isso afeta as mudanças climáticas. Os trabalhos de Vaclav Smil são altamente recomendados por Bill Gates e outros. Também estou planejando ler seu outro livro, Making the Modern World, quando tiver uma oportunidade.”

15 – Genome: The Autobiography of a Species in 23 Chapters, por Matt Ridley
“O objetivo deste livro é contar a história da humanidade da perspectiva da genética em vez da sociologia. Ele deve complementar as outras histórias mais amplas que li esse ano, assim como seguir Energy nesse foco na ciência. Estou com vontade de ler os livros de Matt Ridley há um tempo. Seu livro mais recente, O Otimista Racional, sobre como progresso e economia evoluem, também está perto do topo da minha lista que só cresce de livros para ler.”

16 – As Variedades da Experiência Religiosa, por William James
“Quando li Sapiens, achei que o capítulo sobre a evolução do papel da religião na vida humana era o mais interessante e algo em que queria me aprofundar. William James era um filósofo dos anos 1800 que moldou muito do que é a psicologia moderna. Estou de férias essa semana com a Cilla e essa parecia uma leitura leve!”

17 – Portfolios of the Poor: How the World’s Poor Live on $2 a Day, por Daryl Collins, Jonathan Morduch, Stuart Rutherford e Orlanda Ruthven
“É incrível que quase metade do mundo – quase 3 bilhões de pessoas – vivem com US$ 2,50 ou menos por dia. Mais de um bilhão de pessoas vive com US$ 1 ou menos por dia. Este livro explica como essas famílias investem seu dinheiro para se financiarem melhor. Espero que esta leitura oferece insights em relação ao que podemos fazer para apoiá-los também.”

18 – Por que as Nações Fracassam. As Origens do Poder, da Prosperidade e da Pobreza, por Daron Acemoglu e James Robinson
“Este livro explora diferentes tipos de instituições sociais e incentivos que nações aplicaram para encorajar prosperidade, desenvolvimento econômico e eliminação da pobreza. É um bom complemento ao nosso último livro, Portfolios of the Poor, que foca em como as pessoas vivem na pobreza. Este discute porque a pobreza ainda existe e como reduzi-la.”

19 – O Otimista Racional, por Matt Ridley
Dois dois livros que li este ano – Os Anjos Bons de Nossa Natureza and Por que as Nações Fracassam – exploraram como progresso econômico e social trabalham juntos para fazer o mundo melhor. Os Anjos Bons argumenta que os dois se alimentam, enquantoPor que as Nações Fracassam argumenta que progresso social e político, no fim, controla o progresso econômico de uma sociedade. Este próximo livro fala o contrário: que progresso econômico é a força maior por trás do avanço social. Estou interessado em ver qual ideia ressoa mais depois de explorar esses dois frameworks. Este também é o segundo livro de Ridley que leio este ano. Aqui está uma foto tirada há algumas semanas em que estou lendo seu livro Genome, com meu cachorro Beast.”

20 – O Problema dos Três Corpos, por Cixin Liu
“Este é um livro chinês de ficção científica que se tornou tão popular que agora há um filme sendo feito em Hollywood com base nele. Também vai ser um descanso legal de todos os livros sobre economia e ciências sociais que tenho lido.”

21 – The Idea Factory: Bell Labs and the Great Age of American Innovation, por Jon Gertner
“Tenho muito interesse nas causas da inovação – que tipos de pessoas, questões e ambientes [estão envolvidos]. Esse livro explora essa pergunta ao olhar para o Bell Labs, um dos laboratórios mais inovadores da história.”

22 – Ordem Mundial, por Henry Kissinger
“Meu próximo livro para o A Year of Books é Física Quântica Para Bebês! Brincadeira. Na verdade, é Ordem Mundial, por Henry Kissinger, sobre relações internacionais e como podemos construir relações pacíficas pelo mundo. É importante para criarmos o mundo que queremos para nossos filhos, e é algo em que estou pensando nos últimos dias.”

23 – The Beginning of Infinity: Explanations That Transform the World, por David Deutsch
“Faz sentido terminar o ano com The Beginning of Infinity, de David Deutsch, sobre como o jeito que explicamos as coisas destrava maiores possibilidades.”

“É muito perigoso ser mulher”, diz a best-seller Karin Slaughter

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Karin Slaughter: "Numa grande cidade, as mulheres vivem preocupadas em não se tornarem vítimas" - Marc Brester / Divulgação

Karin Slaughter: “Numa grande cidade, as mulheres vivem preocupadas em não se tornarem vítimas” – Marc Brester / Divulgação

 

Autora de thrillers sobre violência de gênero, americana participa da Bienal do Livro

Leonardo Cazes, em O Globo

RIO — Nos Estados Unidos, uma em cada cinco mulheres mortas, com idades entre zero e 45 anos, são vítimas de homicídio. No caso das grávidas, assassinato é a principal causa de morte. Os dados são citados de cabeça pela escritora americana Karin Slaughter, best-seller com mais de 30 milhões de livros vendidos em todo mundo e que participou neste sábado do “Encontro com autores”, na 18ª Bienal do Livro do Rio, em sua edição mais feminina e feminista.

Com quatro livros lançados no Brasil – “Esposa perfeita”, “Flores partidas” (HarperCollins Brasil), “Gênese” e “Destroçados” (Record) -, Karin se tornou célebre com seus thrillers que abordam a violência contra mulheres num registro “o mais realista possível”, nas suas próprias palavras. Em entrevista ao GLOBO, antes de sua participação na Bienal, ela afirma que tratar desses temas na ficção é uma forma de trazer a discussão à tona.

— Quando está falando de violência contra a mulher, você precisa mostrar do jeito que é. Porque não é sexy ou romântico. É horrível. É muito perigoso ser mulher e não acho que no Brasil seja diferente dos Estados Unidos. É assim em todo mundo — diz Karin. — A Escandinávia tem uma das maiores taxas de violência doméstica do Ocidente, mas eles não falam sobre isso, é algo muito estigmatizado. Numa grande cidade, as mulheres vivem preocupadas em não se tornarem vítimas. Os homens não vivem esse tipo de coisa. Uma boa razão para as mulheres escreverem sobre isso é que nós podemos escrever sobre nossa experiência.

Não à toa, a primeira protagonista dos romances de Karin é a médica legista Sara Linton. A autora lembra que, há 17 anos, quando lançou seu primeiro romance, eram raras as autoras mulheres de thrillers. Ao lado dela, havia apenas Patricia Cornwell e Kathy Reichs nos Estados Unidos. Na construção de Sara, até hoje uma presença constante em suas histórias, Karin quis fazer dela o que não encontrava na literatura de crime americana: mulheres fortes e inteligentes, mas que também falhavam. Na sua opinião, durante muito tempo as personagens femininas na literatura foram tratadas como “unidimensionais”.

— Quando comecei a escrever, a maior parte dos thrillers era sobre machões que bebiam muito. Eu queria criar uma mulher que tivesse falhas, cometesse erros, mas que estivesse sempre buscando fazer a coisa certa — conta Karin, que tentou também dar uma outra perspectiva para a relação entre Sara e o detetive Will Trent, também protagonista de vários de seus livros. — Com Will, eu queria que ele fosse o tipo de cara que alguém como Sara seria interessada. Muitos dos livros que eu li, as mulheres eram interessantes, mas os homens eram meio que subservientes.

Perguntada sobre as razões de as histórias de crime continuarem tão populares, mesmo num mundo cada vez mais violento, Karin aponta que os grandes clássicos da literatura têm nas suas tramas episódios de violência. Dos romances do inglês Charles Dickens a “Guerra e Paz” e “Crime e castigo”, dos russos Liev Tolstói e Fiodor Dostoiévski, respectivamente, passando pela tradição americana de Fitzgerald, com “O grande Gatsby”, e “E o vento levou”, de Margaret Mitchell. Ela cita ainda o sucesso de Margareth Atwood.

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— Se você pensar em “O conto da aia” (de Atwood, adaptado recentemente para TV), é um livro mutio violento. Mulheres são transformadas escravas, são estupradas. Eu acho difícil apontar uma obra que seja muito popular e não tenha algum tipo de crime. Não é porque há crimes relacionados ao tráfico de drogas na sua vizinhança que você vai ficar menos interessada na ficção sobre isso. (A série de TV) “Sopranos” é um bom exemplo — diz a escritora.

Para escrever os seus romances, Karin se refugia num lugar que parece perfeito para um crime: uma cabana isolada no norte do estado da Geórgia, nos Estados Unidos. Lá, não responde e-mails, telefonemas e nem entra nas redes sociais, onde costuma conversar com os seus fãs — inclusive do Brasil. Ela garante que não tem medo.

—Eu tenho uma arma — diz, aos risos, e brinca: — Eu acho que eu deveria ficar preocupada. É o lugar perfeito para um crime, é verdade, mas acho que não vai acontecer porque é muito óbvio.

‘Feminismo não é coisa do passado’, diz Paula Hawkins na Bienal

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Escritora participou de bate papo com o público na XVIII Bienal do Livro - Analice Paron / Agência O Globo

Escritora participou de bate papo com o público na XVIII Bienal do Livro – Analice Paron / Agência O Globo

 

Autora de thrillers de sucesso, britânica falou sobre questões de gênero e violência

Publicado em O Globo

RIO — Em um encontro com leitores brasileiros na Bienal do Livro do Rio, na tarde deste sábado, a escritora britânica Paula Hawkins, nascida no Zimbábue, comentou os seus dois best-sellers, “A garota no trem” e “Em águas sombrias” (ambos publicados pela Record), e saudou a chegada de uma nova geração de autoras de thrillers, da qual ela faz parte e que seguem a trilha aberta por Agatha Christie. Nos seus romances, as protagonistas sofrem com episódios de violência e Paula afirmou que a luta feminista continua fundamental. A mediação foi da jornalista e escritora Frini Georgakopoulos.

— Eu sou feminista — disse a escritora, levantando a plateia que estava no Auditório Madureira, no Riocentro. —Mas eu não preciso sentar para escrever pensando sobre isso. As coisas em que eu acredito entram naturalmente nas minhas histórias.

Para Paula, a ficção é um terreno fértil para tratar dessas questões.

— Eu me interesso por questões de gênero e violência. Esse é um problema no Reino Unido. A violência doméstica não está piorando, mas também não está melhorando. É um problema que persisti por décadas. Toda semana mulheres são assassinadas por seus parceiros. Não acho que o feminismo seja algo do passado, há muita coisa a fazer. Na ficção, é possível entrar na cabeça de quem comete a violência, imaginar a vida dessa pessoa, de onde a violência vem.

A escritora falou também sobre a experiência de ter um romance seu, “A garota no trem”, adaptada para o cinema. Paula é fã de Alfred Hitchcock e de séries de crime, como as nórdicas “The Killing” e “The Bridge”, além, é claro, de “Game of Thrones — a autora pediu para a plateia não falar nada porque ela ainda não conseguiu assistir o final da última temporada. No caso da adaptação do seu romance, ela se surpreendeu ao ver os personagens ganharem vida.

— Foi incrível, extraordinário e muito estranho (risos). É muito estranho ver os personagens que você criou andando por aí. Eu não estava envolvida na produção, mas visitei o set, conheci os atores — lembrou Paula. — Ao contar uma história em imagens você muda essa história e a maneira como você se sente em relação aos personagens. É preciso aceitar isso. O livro é o livro, o filme é o filme.

Paula Hawkins disse que já está trabalhando num novo romance. Sem querer adiantar muita coisa, ela disse que os seus leitores podem esperar “muita morte e desespero, muitos personagens complicados, provavelmente mulheres complicadas”.

— Eu espero que não demore muito para terminar — disse a autora. — Sou ambiciosa, quero que os meus romances fiquem cada vez mais complexos, mais pesados. Estou trabalhando para isso.

Arma, choque e socos: veja como a agressão na escola mudou a vida de professores

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Brasil está no topo do ranking da violência contra professores, segundo estudo de 2013 da OCDE. G1 ouviu a história de cinco professores sobre a vida depois do trauma.

Luiza Tenente e Vanessa Fajardo, no G1

Desistir ou insistir? O dilema sobre o que fazer com a carreira foi uma das consequências na vida de professores vítimas de violência no Brasil, país que aparece no topo do ranking global das agressões, segundo a OCDE. Antes da agressão contra Marcia Friggi, professora em Santa Catarina, o G1 já havia reportado dezenas de casos em anos recentes.

Muitas vezes, as vítimas, por medo, não denunciam o abuso que sofreram. Por isso, não há sequer estatísticas atuais sobre o tema.

Abaixo, cinco professores revisitam suas histórias e explicam qual caminho escolheram: desistir ou insistir.

Agressão com arma de choque

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CASO: Em maio do ano passado, o professor Anísio André Santos Júnior foi agredido com uma arma de choque por um estudante dentro de uma escola estadual na cidade de Esplanada, a cerca de 170 km de Salvador. Anísio machucou o nariz e sofreu várias escoriações após cair no chão, por causa da descarga elétrica que recebeu.

“A arma parecia uma lanterna pequena, ele usou no meu braço, eu não vi. Bati meu rosto, me machuquei. Fiquei 15 dias afastado. Dou aulas desde 2005, e, nesta escola, desde 2009. Continuo dando aula na mesma escola [Escola Estadual Celina Saraiva]. Na época, ela deu o apoio que eu precisava.

O aluno foi suspenso até a família se pronunciar, a família apareceu na escola. Ele retornou para a sala de aula, não foi justo eu passar por essa humilhação. Ele era menor, eu entrei com processo, mas parece que foi arquivado no Fórum de Esplanada. Ele era violento, já teve outro problemas. Tinha queixa de professores sobre comportamento dele. Ele voltou para a escola, mas não concluiu o ensino médio. Não sei o rumo que tomou.

“Não pensei em desistir porque escolhi ser professor. Não ia abrir mão do que acredito. Na época pensei em pedir transferência da escola, mas não era justo eu mudar a minha vida por conta de um adolescente que nunca entrou na aula para estudar.”

A violência na sala de aula está muito crescente. Muitos adolescentes estão ali só cumprindo tabela. Fora a agressão psicológica que vivemos constantemente. Sobre este caso da professora de Santa Catarina, e se fosse o contrário? Se a professora tivesse agredido o aluno, provavelmente estaria detida. Que Justiça é essa? Dois pesos e duas medidas?”

Chutes nas costas

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O CASO: Em uma escola estadual de Rio Preto (SP), em março de 2016, Aparecido estava preparando um seminário sobre violência em sala de aula, quando viu um aluno com o celular na mão. Pediu para o estudante guardar o aparelho e ele se recusou. Diante disso, o docente encaminhou o jovem para a direção. O aluno, no entanto, esperou o professor na porta da sala e quando ele saiu, deu chutes e socos nas costas.

“Depois de ser agredido sem motivo nenhum, eu me sinto refém dessa violência que acontece todos os dias. Ainda trabalho na mesma escola, é uma escola de periferia, a diretora faz das tripas coração para tudo correr bem, mas é difícil.

Na semana passada, um professor foi agredido verbalmente. Estou tomando remédio para me acalmar e controlar o emocional, mas nunca precisei de nada disso. Dar aulas está muito difícil. O ECA não protege os professores, estamos abandonados.

Na época, não tive nenhum apoio, precisei pagar um psiquiatra porque o convênio do Estado não cobria. Primeiro abalou meu emocional, depois foi o físico. Fiquei oito meses afastado. Tenho hematoma na perna esquerda. Uma das minhas vértebras foi comprimida pela violência do choque traumático.

Como eu tinha uma hérnia de disco, fisicamente nunca mais fui o mesmo. E na sala de aula nunca mais tive a mesma segurança. Continuo com medo. O menino passou 90 dias recolhido na Fundação Casa, agora está em liberdade, mas eu nunca mais o vi. ”

“Já pensei em desistir de dar aulas. Fica difícil trabalhar em um lugar onde você não tem paz. Eu não estou lá para isso, palavrão eu ouço todo dia.”

Soco de um aluno de 12 anos

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O CASO: Em Rondonópolis (MT), em maio de 2015, a professora Luciene Fátima Carloto, que atuava na coordenação pedagógica, levou um soco de um aluno de 12 anos dentro da instituição de ensino.

“(Após a agressão), tive dois meses de licença médica, sem vontade de voltar. No decorrer do tratamento fui percebendo que um aluno não poderia estragar minha carreira, que foi construída com dificuldades.

É horrível. Uma sensação de impotência. Parece que meu diploma foi rasgado e o mais difícil é saber que as agressões continuam por este país afora. Depois que eu falei publicamente do meu caso, parece que outras professoras resolveram falar também. Não falavam antes por vergonha ou por acreditarem que nada acontece??? As agressões são constantes, não digo apenas da física, mas principalmente da verbal.

“Quase que diariamente os professores são xingados pelos alunos, infelizmente ocorre uma distorção de educação e respeito. Os pais estão transferindo a educação familiar para a escola.”

Minha família deu apoio, sempre preocupada com meu estado emocional. Depois da licença médica, voltei e ao término do ano fui convidada pelos pares a candidatar à direção da escola, assim eu fiz e estou na direção desde 04/01/2016. Algumas pessoas falaram para eu aposentar, já que faltava pouco tempo, mas resolvi voltar e sempre fui tratada por todos com bastante cuidado.

Na escola, o caso foi tratado com muito cuidado e delicadeza, os pais ficaram emocionados com minha narrativa, pois expus em reunião geral antes de sair de licença. Eles precisavam ouvir de mim como tudo aconteceu, pois infelizmente alguns canais da imprensa acabam distorcendo algumas coisas. Nunca fui chamada para depoimento na delegacia. Apenas em uma ocasião no conselho tutelar, não fiquei bem, meu corpo tremia muito. Não sei por onde anda o menino. O final dessa história quem colocou um ponto final fui eu.”

Ameaçada por aluno armado

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O CASO: Em 2009, Rosemeyre de Oliveira foi ameaçada por um aluno armado em uma escola estadual de São Paulo (SP). Não conseguia mais voltar para a sala de aula, então procurou tratamento psiquiátrico e foi afastada. Depois de várias licenças médicas, desistiu de exercer a função de professora e pediu para ser readaptada. Desde então, trabalha na secretaria de um colégio estadual. Em dezembro, encerrará seu doutorado sobre professores readaptados.

“Em 2009, fui ameaçada por um aluno traficante, que estava armado dentro da escola. Depois disso, tentei várias vezes voltar para a sala de aula, mas não consegui. É progressivo. Eu ia trabalhar às 18h, mas chegava o meio-dia e eu já começava a ficar nervosa. Passei a nem atravessar a rua mais. Tive síndrome do pânico.

Até eu notar que precisava de ajuda, demorou um pouco. Fui à psiquiatra e ela me afastou. Na primeira consulta, eu só chorava, nem conseguia dizer que era professora. Foram licenças e afastamentos de 45 a 60 dias. Acabava a licença e eu não conseguia voltar. Até que decidi jogar a toalha e ser readaptada. Isso acontece com professores afastados, que voltam para ocupar uma nova atividade profissional, não mais em sala de aula. Eu, por exemplo, passei a trabalhar na secretaria de outra escola, cuidando dos prontuários dos alunos.

“A gente não é respeitado quando é readaptado. É assédio atrás de assédio. Vira só a “tia da secretaria”, nem os colegas me veem como professora. Todos acham que estou fazendo corpo mole, fingindo que não consigo dar aula.”

Nas redes sociais, vi que vários outros professores readaptados passavam por constrangimentos – então decidi estudar sobre isso. Entrei no doutorado na PUC-SP, em linguística aplicada, para investigar os sentidos e os significados do trabalho do readaptado. Defendo minha tese ainda nesse ano.

Casos como o meu vão continuar acontecendo, porque não existe punição para o aluno. Ele sabe que no máximo vai ser transferido para outra escola ou suspenso por alguns dias. Mas o professor não consegue mais voltar para uma sala de aula.”

Tiros na saída da escola

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O CASO: Em outubro de 2012, M.L. foi abordada por um ex-aluno e por outros dois adolescentes no estacionamento da escola municipal onde lecionava, em São Paulo. Os jovens anunciaram que roubariam o carro da professora. Um deles disse “hoje você vai morrer” e atirou duas vezes em direção à cabeça da docente, mas a arma falhou. Na terceira tentativa, M.L. foi atingida na coluna. Ela foi operada para retirar a bala e tem sequelas motoras, neurológicas e psiquiátricas.

“Entrei em depressão pós-traumática depois da cirurgia. Não sei o que teria sido de mim sem meu apoio familiar. Porque não tive nenhuma assistência do Estado. Foi humilhante. Fiz quatro perícias, tenho toda a documentação e o Estado continua dizendo que devo R$ 14.800,00 – eles não consideram minhas licenças médicas, então querem me penalizar como se eu tivesse faltado no trabalho. Estou processando a prefeitura, pelos danos morais e materiais para pagar meu tratamento, e o Estado, para conseguir minha aposentadoria.

Não consigo ir para lugar movimentado, passeata, show. Só saio durante o dia, em lugar protegido. O professor não tem estrutura para exercer sua profissão – não tem apoio psicológico ou emocional.

Soube que os meninos que me assaltaram foram para a Fundação Casa na época. Três meses depois, foram soltos. Acho que um deles chegou a ser preso quando completou 18 anos, mas não tenho certeza. Se eu os desculpo? Sim, desculpo. Mas o trauma que isso me causou, eles não têm noção.

Sinto que a dor poderia ter acabado na hora do tiro. Pensei em me matar várias vezes, sou uma suicida em potencial. ”

“As pessoas não imaginam o que acontece na escola pública. Apesar disso tudo, não me arrependo de ter investido na área de educação. Nasci para dar aula. É uma pena que isso não tenha sido valorizado.”

Após sete suicídios, livro ’13 Reasons Why’ é banido de cidade nos EUA

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Renato Marafon, no CinePop

A polêmica em torno de ‘13 Reasons Why‘ continua. Após várias escolas dos EUA anunciarem um boicote à série, o livro que deu origem à história foi banido de uma cidade no Colorado, EUA.

Após sete jovens se suicidarem em Mesa County Valley, as autoridades da cidade decidiram proibir a venda do livro ‘13 Reasons Why‘ em todas as livrarias da região.

Apesar de não saberem se os suicídios foram incentivados pela publicação, lançada em 2007, as autoridades decidiram que o livro não poderá mais ser comercializado temporariamente. Segundo eles, a trama romantiza o suicídio.

Recentemente, a série que adapta a história recebeu classificação indicativa para maiores de 18 anos na Nova Zelândia.

O Órgão de Classificação de Filmes da Nova Zelândia deu a alta classificação indicativa por registrar o maior número de adolescentes suicidas do mundo, com cerca de dois jovens cometendo suicídio por semana.

Nossos órgãos de saúde mental estão extremamente preocupados com o efeito que 13 Reasons Why pode ter na Nova Zelândia. A morte de Hannah é representada como algo lógico ao longo da série, e traz como consequência inevitável os eventos que a sucederam. Não podemos aceitar que o suicídio seja mostrado como uma opção viável. Além disso, temos uma péssima mensagem na série para os sobreviventes de violência sexual”, afirmou o Órgão de Classificação de Filmes do país.

Durante a semana, a Netfix renovou a série para sua 2ª Temporada!

Baseada no best-seller de Jay Asher, a série acompanha Clay Jensen (Dylan Minnette) que, ao voltar da escola, encontra uma caixa misteriosa com seu nome na porta de casa. Dentro dela, ele encontra fitas-cassetes gravadas por Hanna Baker – sua colega de classe e paixão secreta – que cometera suicídio duas semanas antes. Nas fitas, Hanna explica as treze razões que a levaram à decisão de acabar com a própria vida. Será que Clay foi uma delas?

A série tem produção executiva de Selena Gomez e episódios dirigidos pelo vencedor do Oscar® Tom McCarthy (Spotlight – Segredos Revelados).

Os 13 episódios deste drama jovem adulto já estão disponíveis na Netflix.

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