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A troca de livros está na moda e ganhou um novo fôlego com a internet

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Publicado no Comunidade Cultura e Arte

Para fazer face à crise financeira foram criados uma série de movimentos que promovem a reutilização dos manuais. A fórmula é simples: oferecem livros escolares por todo o país a custo zero.

O Movimento pela Reutilização dos Livros Escolares – iniciativa informal de cidadãos que promove a criação e divulgação de bancos de recolha e troca gratuita de livros escolares em todo o país – é um desses exemplos e já conta com bancos de partilha distribuídos pelos 19 distritos do Continente e Açores, faltando apenas a Madeira.

Como funciona? Quem estiver disposto a doar os manuais só tem de se deslocar ao banco mais próximo e depositá-los. Já aqueles que precisam de recorrer à reutilização e querem dar-lhes uma segunda vida devem ir a um desses bancos verificar se os manuais de que necessitam estão disponíveis, sem qualquer custo associado.

Outra solução passa pelo “Sítio da Troca”, mas a política é ligeiramente diferente em relação ao anterior. Neste caso, os livros escolares usados são vendidos e comprados, em vez de doados e levantados de forma gratuita. São aceites para venda apenas livros escolares e auxiliares, não sendo possível vender livros que não sejam de uso escolar.

Já no site Manuais Usados pode comprar, vender ou trocar manuais escolares, livros escolares, universitários ou até livros de literatura usados. A utilização do portal é completamente gratuita e sem intermediários, cabendo ao utilizador fazer o registro e gerir o processo. Pode escolher os livros por ano ou por tipo.

Também pode recorrer ao Book in Loop, plataforma online que serve de intermediária para a compra e venda de manuais escolares usados do 5.º ao 12.º ano. Esta plataforma compra os livros a quem já não precisa e faz uma revenda. Os livros são vendidos por 40% do preço de venda ao público, sendo que quem vende recebe 20% e os restantes 20% vão para a Book in Loop.

O mercado em segunda mão também está a ganhar relevo. Por exemplo, o portal de classificados OLX apresenta várias referências na categoria de livros escolares. Isto significa que os portugueses estão a mudar os seus hábitos de consumo e que recorrem cada vez mais a outras alternativas – como os bancos de trocas ou o OLX – com vista a baixar a fatia do orçamento familiar que está reservada ao regresso às aulas.

Livro polêmico que exalta ‘dieta de Auschwitz’ gera a única reação possível na internet

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Tuka Pereira, no Hypeness

Na Segunda Guerra Mundial, o regime nazista de Adolf Hitler matou milhões de pessoas graças aos campos de concentração que eram utilizados como estratégia para extermínio em massa de grupos étnicos, dissidentes políticos e de diversas minorias.

Um dos maiores, o de Auschwitz, na Polônia, ficou conhecido por ser um dos mais cruéis campos e lá morreram judeus, ciganos, políticos oposicionistas, minorias religiosas e homossexuais. No entanto, antes de serem executados nas câmaras de gás, eram submetidos a torturas, trabalhos extenuantes, experiências médicas desumanas e a muita fome.

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Por todos estes motivos, qualquer ser humano que passava por Auschwitz ou por outro campo de concentração como prisioneiro de guerra, possuía um corpo com praticamente apenas pele e ossos.

Por algum motivo muito bizarro, uma escritora portuguesa achou uma ótima ideia publicar um livro usando Auschwitz como exemplo de uma ‘dieta bem-sucedida’. “A Dieta de Auschwitz” de Emília O.G.Pinheiro, pela editora ‘ARIANA’, é de 2014 mas voltou aos holofotes nesta semana depois que a capa viralizou no Facebook.

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As críticas ao tema foram direcionadas ao absurdo em relacionar um campo de concentração onde as pessoas eram submetidas à fome com dietas nas quais as pessoas restringem a alimentação por escolha própria.

 

“Experiência não paga conta”, diz presidente da Livraria Cultura

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Sérgio Herz: Presidente da Livraria Cultura aposta em maior inserção no universo digital para conseguir retomar o rumo da empresa (Livraria Cultura/Divulgação)

Sérgio Herz: Presidente da Livraria Cultura aposta em maior inserção no universo digital para conseguir retomar o rumo da empresa (Livraria Cultura/Divulgação)

A Livraria Cultura está no vermelho desde 2012, e só tem perspectiva de voltar a lucrar no ano que vem

Camila Almeida, na Exame

A Livraria Cultura, que completou 70 anos este ano, passa por uma das fases mais difíceis de sua história. O espaço que é sinônimo de glamour e de reunião de elites intelectuais não vê o reflexo desse luxo nas contas. A livraria está no vermelho desde 2012, e só tem perspectiva de voltar a lucrar no ano que vem.

A queda nas vendas também é uma realidade e, para reverter o quadro, a aposta é em ampliar a presença do digital na receita da empresa e levar mais inteligência de dados para a loja física.

Para o presidente da empresa, Sérgio Herz, a loja física não pode mais ser acéfala, vivendo tamanha desvantagem em relação ao conhecimento sobre o cliente que se tem na internet.

Em entrevista a EXAME Hoje, Herz falou sobre as tentativas de reinvenção, o impacto da crise e da competitividade de preços promovida pelo e-commerce e dos boatos de fusão com a Livraria Saraiva, que pipocaram no primeiro semestre deste ano. Sobre o assunto, o empresário afirma que não está fechado para negociações.

“Se a Amazon vier aqui dizendo que quer me comprar, eu vou avaliar. Vai pagar bem?”, afirma. Abaixo, a entrevista na íntegra.

Como a Livraria Cultura tem investido em tecnologia para se reinventar?

Antes de detalhar tudo, precisamos falar das premissas por trás disso. A mais forte é que não precisamos mais da loja física para comprar nada. Está tudo no celular. Outra premissa muito básica é que não existe mais offline e online. O cliente está e é conectado. O desafio é descobrir como usamos a tecnologia digital para melhorar a vida do cliente e ser mais inteligente no ponto de venda. Não é mais aceitável que um cliente entre numa loja e saia de lá sem nenhum produto — é o que eu chamo de “show-rume”. As lojas físicas do varejo estão disputando o tempo livre das pessoas, que é o mais precioso, e, se o cliente escolheu a minha loja para passar seu tempo livre, ele não pode sair de lá com as mãos vazias. É preciso mudar a cabeça da empresa. Nós somos uma empresa tradicional, e temos um mundo novo pela frente. Mudar essa cabeça para pensar diferente é um desafio. O varejo ainda tem aquele trabalhozinho de como se fazia quando surgiu o comércio no mundo, na civilização moderna: eu gero um pedido aqui, meu fornecedor entrega. Nada mudou muito. Hoje, estamos tentando descobrir como usamos big data, machine learning e informação para sermos mais inteligentes.

Como isso tem sido feito?

A ideia é usar a tecnologia para inovar nossa cozinha. Exemplos bastante práticos: levamos a precificação dinâmica, que já existe na internet, para o mundo físico. A ideia é fazer com que o cliente confie mais no ponto de venda, em vez de pensar que na internet ele vai encontrar mais barato. A loja física não pode dizer mais “não”. Toda vez que a loja diz que não tem um produto, ou que não consegue equiparar o preço, é criada uma fricção. Na internet, eu sei tudo, eu tenho os olhos do cliente, enquanto a loja física virou algo acéfalo. Então, estamos usando dados de geolocalização para aproveitar melhor quando o cliente estiver perto da loja física, por exemplo, avisando via notificação que temos o produto que ele gosta, com o preço que ele gosta. Isso já foi testado com cerca de 70.000 clientes nos últimos meses. Descobrimos que, ao oferecer um preço especial para o cliente na loja, o ticket médio aumenta entre 30-40%. Além disso, é um desafio não deixar faltar produto na loja. Esse era um luxo que o varejo tinha no passado, hoje não tem mais. Eu tenho 4.000 fornecedores, e eu não consigo gerenciar esses caras do jeito que eu deveria. Então, eu preciso que o meu fornecedor gerencie a minha loja, não eu, para garantir o acervo. Para isso, desenvolvemos um produto chamado Cultura Insight, que, na verdade, é um sistema de informações de tudo o que está acontecendo na Cultura. Por meio de algoritmos, o sistema avisa o produto que será preciso repor na loja, de forma antecipada. Estamos criando uma relação mais transparente entre indústria e varejo.

É uma mudança drástica no perfil da livraria, não? A livraria deixou de ser um espaço de curadoria?

Antigamente, a pessoa vinha na livraria para descobrir algo que ela não sabia. Hoje ela sabe. O desafio da livraria, e especialmente do ponto de venda físico, é fazer com que essa pessoa descubra algo novo. Hoje a área mais importante e que mais cresce na Cultura é a de inteligência de mercado, enquanto outras estão se alterando ou mesmo diminuindo. Estamos contratando mais estatísticos, economistas e engenheiros do que outras profissões mais tradicionais. É uma ruptura bastante grande na empresa.

Como o senhor avalia as quedas nas vendas dos últimos anos?

Tem muito de crise, sem dúvidas. O consumo das famílias brasileiras caiu cerca de 5% em termos reais. Se colocar a inflação, a queda é de 15%, que é mais ou menos o que caiu o nosso mercado, que caiu 17%. Outra coisa importante foi a competição de preço que o e-commerce trouxe para o mercado, que acentuou a queda no faturamento. O consumidor está muito atento e criterioso em relação a preço. O brasileiro está muito preocupado com promoção. Hoje, se o varejista priorizar a margem de lucro, ele vai vender muito pouco. Se ele privilegiar as promoções, as vendas aumentam. O desafio é descobrir como vamos viver com margens menores.

O impacto dessa chegada do e-commerce nas vendas, quando você fala que aumentou a competição dos preços, pode ser definido como o efeito Amazon?

Não é isso. Na crise, o e-commerce ajuda, porque dá mais referências para o consumidor comparar os preços. Esse negócio do preço é uma ciência, e virou para mim um artigo totalmente necessário, e estou fazendo de tudo para entender o que preciso fazer para lidar com isso. Temos sete ou oito modelos de precificação diferentes. Em algumas lojas podemos fazer promoção, em outras mais sofisticadas não, porque o cliente acha feio. Na hora do almoço, tem muita gente passeando nas nossas lojas, mas esse pessoal não está indo para comprar. Está indo para tomar um café, para dormir nos pufes… O que estamos fazendo, para testar, é baixar o preço na hora do almoço, para aumentar a conversão. Algumas horas mais tarde, começam a entrar pessoas na loja que estão focadas em comprar, e elas são menos sensíveis a preço. Isso quer dizer então que o cara que está decidido a comprar pode pagar mais caro? Pode ser que sim, pode ser que não; é aí que pode entrar a estratégia mais one-to-one.

A Cultura queria ampliar a participação do e-commerce na receita dos atuais 28% para 60-70% em cinco anos. Esse prazo se mantém?

Queremos fazer mais rápido.

Por que essa vontade de converter tanto para o e-commerce?

Porque é muito difícil levar essa inteligência de dados que eu mencionei para a loja. A loja virou cara. Ela deixou de ser venda e virou experiência. Só que eu vivo do quê? Eu não vivo de experiência. Experiência custa caro. Eu não posso depender das lojas no futuro. Loja para mim é marca, não lucro. O lucro vai vir do online, da área inteligente onde se captura tudo. O cliente só vai na Cultura quando tem tempo livre, mas, se ele não tiver tempo, ele vai comprar do mesmo jeito. Estamos ampliando nossa rede de cafés, para que eles não sejam mais terceirizados, sejam os cafés da Cultura — e aí o cliente pode pagar café, livro, tudo junto. Se for uma empresa diferente, eu não consigo fazer isso, e não consigo avisar para o cliente que está passando por ali, por exemplo, que o café naquele momento vai ser por nossa conta. Essa loja não pode ser burra, não pode ser acéfala como ela é hoje. Eu tenho que fazer o e-commerce crescer porque é lá que eu vou ganhar dinheiro, e a loja vai ser um ponto de marketing. Menos é mais; só experiência não paga conta. Por ela, o consumidor não está disposto a pagar 30% a mais.

Então, o senhor não acredita que um incremento na experiência, com abertura de mais lojas físicas, poderia gerar um incremento de vendas.

Tem limite. Uma experiência boa no mundo físico pode gerar mais vendas, sim. O problema é que reproduzir a experiência boa na loja em quantidades muito grandes não é viável. Não é à toa que aquele restaurante muito bom não consegue ter muitas unidades. Quem quer entregar uma experiência boa fica limitado a um certo número de lojas.

Não está no plano, então, uma expansão no número de lojas.

Tem cidades onde ainda não temos lojas, então olhamos. Mas aquela expansão para abrir 50 novas lojas, não. Esquece.

A experiência de estar na Cultura perdeu o glamour?

Pelo contrário. Eu quero melhorar isso, colocando tecnologia. Eu quero que a loja da Avenida Paulista, que é marcada no Trip Advisor como “must see”, continue assim. Por isso que a gente levou o restaurante Manioca para dentro da loja [no shopping Iguatemi, em São Paulo]. É por isso que eu tenho uma Spice Girl fazendo pocket show dentro da minha loja [na unidade do Market Place]. Eu quero ampliar esse tipo de relação. Senão o cliente vai sair de casa para quê? Hoje, o glamour é mais importante ainda, e precisamos saber recuperá-lo.

Há muito preconceito em relação ao tipo de leitura que o jovem tem hoje. Faltou em algum momento a Cultura entender como esse jovem está pensando e o tipo de conteúdo que ele está consumindo?

Nós sempre trabalhamos com o conceito de que se o jovem estiver lendo é melhor. E quem quer trazer o jovem para a leitura não pode mandar ele ler Machado de Assis ou qualquer um desses da literatura cobrada pela Fuvest. Tem que mandar ele ler Harry Potter, porque ele vai pegar um catatau de 700 páginas e dizer: “eu quero mais”. O jovem precisa disso, de leitura, de estudo. Não dá para rotular um jovem porque ele não lê um clássico, está errado.

Estava falando mais do fato de o jovem estar lendo talvez muito mais o conteúdo que é inerente ao mundo digital do que o livro em si.

O jovem que está lendo só isso e não lê livro é o mesmo jovem que nunca leu. Leitura de blog não significa um substituto do livro. Eu tenho três filhas jovens — e é claro que eu não sou um exemplo bom —, mas elas amam ler. O jovem no Brasil não lê, e isso já faz muito tempo, não é um advento da internet. Vivemos num mundo cheio de informação, mas informação pouco profunda. O desafio é despertar o interesse da leitura mais profunda no jovem. Estamos falando do millennial, que está acostumado com informação rasa e com instantaneidade; na vida dele, tudo é muito rápido. No meu tempo, a gente esperava o dia do programa para assistir, esperava o jornal chegar na porta para receber notícia e, se eu quisesse ter um relacionamento com alguém, eu tinha que sair à noite. Não era tão fácil conseguir as coisas. Hoje, o jovem tem tudo na mão, e passa o dia vendo um mundo nas redes sociais onde tudo é lindo e maravilhoso. Uma hora a realidade chega. Nossas lojas estão cheias de jovens comprando música. Para eles o CD é um objeto curioso.

E os boatos de fusão entre Livraria Cultura e Saraiva…

Ficamos sabendo por vocês.

Por que o senhor acredita que esse tipo de boato surgiu?

Porque o mercado gosta de notícia assim. Fiquei me perguntando também. Talvez porque eu tenha ido com o Jorginho [Jorge Saraiva, presidente da livraria Saraiva] para Brasília para discutir uma lei absurda que o Congresso queria aprovar sobre a disposição dos livros nas livrarias. Nós fomos juntos. Não sei se alguém nos viu no aeroporto, ou tomando um café.

Teve um impacto negativo para a marca?

Não. Não sei avaliar isso…

No futuro, alguma associação desse tipo é possível, é interessante?

Eu digo que qualquer empresário que está de olhos fechados para isso está sendo míope. Não dá para dizer “eu nunca beberei desta água”. Se amanhã bate o Saraiva aqui dizendo: “Sérgio, vamos nos juntar?”, eu tenho que ouvi-lo. Ele nunca fez isso, mas eu tenho que ouvir. Ponto. É natural do mundo dos negócios; tem que estar sempre atento às oportunidades. Se a Amazon vier aqui dizendo que quer me comprar, eu vou avaliar. Vai pagar bem? E se for uma proposta irrecusável? A gente pensa duas vezes. É natural dentro de uma empresa. Nossa estratégia é um pouco diferente da de ter 120 lojas, mas isso não quer dizer que um dia a gente não vá dizer “não” para essas coisas. Não sei. No mundo dos negócios, não dá para ser preconceituoso, dizendo que não faço isso ou aquilo. Se fizer sentido e fizer bem para as empresas, tem que ser feito.

É uma questão de, hoje, ter mais pragmatismo do que sonho?

Os dois são bons. Não dá para ter só um ou só outro. Já me perguntaram lá atrás: “vocês estão à venda?”, e eu disse: “nós sempre estivemos, depende da oferta”. E depende de para quem, por que, o motivo. Estamos interessados em crescimento, em tamanho; no e-commerce, queremos crescer mais rápido do que em cinco anos, então estamos estudando vários caminhos. Compras ou associações com alguém… não tem nada marcado, mas a gente olha bastante.

Ter demitido tantos funcionários e ter passado por um processo de reestruturação impactou a relação com os investidores?

O investidor gosta de saber como a empresa está se preparando para o futuro. Se a estrutura é adequada para o tamanho ou se a estrutura é cara e inadequada. Isso é o que ele olha. Ele não quer saber quem contratou ou demitiu, ele quer saber do potencial daqui para a frente. Toda empresa no Brasil está tendo que se adaptar a uma realidade diferente. Todos fizemos isso. Quando se faz a lição de casa, o investidor vê com bons olhos. Se não tem receita, tem que cortar. O que nós descobrimos de interessante nesse processo é que dá para ser produtivo e fazer mais com menos, sem grandes dores.

Quando a livraria vai voltar a dar lucro?

Estamos falando a partir de 2018, provavelmente. A retomada do mercado de livros no Brasil está um pouco atrasada em relação ao mercado internacional. Com a crise, tem queda de receita, mas os custos continuam a subir, porque estão todos indexados. Energia, aluguel, IPTU, dissídio dos funcionários… Mas o preço dos produtos não subiu. E isso não é só para a Cultura, é para todo o varejo. Não tem outro jeito para recuperar se não com produtividade e redução de custos. Não dá para ter lucro num ambiente desses.

Como o senhor vê a livraria Cultura daqui há cinco anos?

Uma empresa muito mais digital, com lojas cada vez mais desejadas. Temos apenas 17 lojas no Brasil, não é nada, mas vamos continuar com poucas. Poucas e boas.

Líderes em livros migram para a web

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Livraria Cultura em Curitiba (Foto: Fernando Brandão)

Livraria Cultura em Curitiba (Foto: Fernando Brandão)

Na Livraria Cultura, a migração para o online é um processo em curso desde 2014

Publicado na Época Negócios

Impulsionadas pela proliferação dos shoppings no país, as livrarias passaram a última década ampliando suas redes de lojas físicas. Agora, diante dos custos elevados de manutenção das unidades e da mudança do comportamento do consumidor, as líderes do setor querem se voltar para o mercado online, que permite às redes atender não só as áreas onde já estão presentes como também os mais de 4 mil municípios brasileiros que não têm uma livraria.

Na Livraria Cultura, a migração para o online é um processo em curso desde 2014. Hoje, o e-commerce representa 30% das vendas, e a meta é chegar a 70% em até cinco anos. Trata-se de uma clara inversão de estratégia.

Desde o início dos anos 2000, e de forma mais acelerada após 2008, a Cultura vinha ampliando sua rede. Para abrir novas unidades, chegou a conseguir a aprovação de dois financiamentos do Banco Nacional do Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), que somavam R$ 60 milhões, e a vender 25% de seu capital para um fundo de investimentos, o Neo. Com o avanço dos custos e a falta de atualização dos preços dos livros, as margens da rede começaram a ficar apertadas.

Segundo o presidente da Livraria Cultura, Sergio Herz, os gastos da empresa com energia aumentaram, só no ano passado, 40% e com IPTU, 35%. \’A loja virtual tem um pouco menos de pressão de custos. (O centro de distribuição) está em um lugar mais barato. Na energia, você tem condições de usar um gerador”, compara.

Essa aposta no e-commerce não significa, segundo Herz, uma redução no número de lojas físicas, que continuarão como local de engajamento da marca. Recentemente, no entanto, a companhia fechou duas lojas no Conjunto Nacional, em São Paulo. Herz explica que o encerramento das unidades ocorreu porque a maior loja do Conjunto Nacional será ampliada um espaço de 400 metros quadrados, onde hoje há uma rampa de acesso, vai virar área de venda.

No mundo físico, a loja do Conjunto Nacional é um \’oásis\’. \’É um dos maiores pontos de venda da América Latina”, diz uma fonte do setor. Essa mudança de curso veio acompanhada de cortes de custos. Desde 2014, a Cultura reduziu seus escritórios de três andares para um e demitiu 800 funcionários hoje, são 1.300 colaboradores. \’A gente fez a lição de casa, reduzimos custos e ganhamos eficiência”, diz Herz.

Apesar de todo o esforço de gestão, os problemas da rede ainda são graves. As vendas caíram 17% nos últimos dois anos. Herz credita o desempenho à retração econômica brasileira, sobretudo à do varejo.

A Cultura não foi a única rede a crescer no online nos últimos anos.

Na Saraiva, o canal também corresponde a 30% das vendas. Nos nove primeiros meses de 2016, a receita bruta da varejista no e-commerce avançou 10,5%, enquanto a das lojas caiu 4,7%. Na fluminense Livraria da Travessa, só duas lojas vendem mais do que o site. Entre as principais redes do país, apenas a Livraria da Vila e a Nobel não focam no e-commerce. \’Não fizemos investimento nessa área, mas provavelmente teremos de trabalhar com isso no futuro”, diz o dono da Livraria da Vila, Samuel Seibel. A empresa, entretanto, também está com aberturas suspensas no varejo tradicional. \’Neste momento, nada está sendo negociado. Vamos aguardar a reação do mercado.”
Franquias

A Nobel continua a expandir sua rede, mas no sistema de franquias e focada em cidades de médio porte. Hoje, são 160 unidades no Brasil e 32 na Espanha. \’Não temos online porque acreditamos que é um negócio completamente diferente”, afirma Sérgio Milano Benclowicz, responsável pela área comercial da empresa.

A Nobel aposta na comercialização de títulos mais populares, e não de livros técnicos ou para gostos específicos. \’O futuro do varejo físico do segmento é a compra por prazer, do mais vendido ou do infantil. O técnico é comprado pela internet”, acrescenta Benclowicz.

Leitura on-line estimula o hábito em crianças

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A princípio, pode parecer uma tarefa difícil, mas o suporte dos pais é fundamental

Publicado em A Tribuna

Internet deve ser aliada para incentivar os pequenos a lerem (Foto: Divulgação)

Internet deve ser aliada para incentivar os
pequenos a lerem (Foto: Divulgação)

Com a chegada da internet à vida das crianças, torna-se cada vez mais difícil tirá-las da rede e fazer com que foquem nas atividades que as tiram da frente da tela do computador.

Trata-se de uma realidade que pode impactar de forma negativa uma série de atividades saudáveis para o desenvolvimento e aprendizagem dos pequenos, como a prática da leitura.

Diante desse cenário, como fazer com que as crianças não percam o interesse pelos livros? Bem, a saída está em mesclar aquilo que elas gostam de manipular com o que elas devem ter presente no dia a dia.

Faça da internet uma aliada

A princípio, pode parecer uma tarefa difícil, mas o suporte dos pais nessa transição é fundamental. Os mesmos podem começar demonstrando como a internet se torna uma ferramenta de busca para leituras interessantes e dinâmicas.

Tablets e laptops permitem que milhares de títulos sejam carregados para onde quer que se vá, tornando-se uma opção portátil que acompanha a criança em diversos ambientes. Sites como a Leiturinha oferecem uma biblioteca online para assinantes, com livros selecionados para cada faixa etária.

O fato de estar conectada à internet permite que a criança realize pesquisas sobre o tema abordado no livro conforme a mesma progride com a leitura, estimulando mais ainda a curiosidade e o interesse pela busca de informações. O fato de ler livros online já faz com que a criança:

● Comece a se interessar por tecnologia e assunto correlatos;

● Exercite outras habilidades motoras ao manusear tablets e iPads;

● Conheça sempre novas tecnologias e esteja mais preparada para inovações.

É importante salientar que cabe aos pais o controle ao acesso que elas têm ao conteúdo disponibilizado na internet, limitando-o apenas a livros que correspondam à idade das crianças. É preciso ter cuidado com a exposição dos pequenos ao conteúdo impróprio que permeia a rede.

No mundo virtual

O segredo, assim como na leitura tradicional de livros físicos, está no estímulo. Os pais podem iniciar com medidas simples, porém, eficazes:

● Convidar a criança a manusear os dispositivos para despertar o interesse pela leitura dinâmica, deixando com que ela descubra os recursos que a internet proporciona;

● Demonstrar que a leitura é para todos, fazendo-se mostrar adepto do hábito;

● Fazer leitura em voz alta e deixar que a criança observe o computador, tablet ou laptop em uso;

● Participar da leitura, tornando esse momento uma atividade familiar em que cada um incorpora um personagem da história;

● Deixar que a criança convide os amigos para ler livros dentro de casa, criando um ambiente divertido e propício ao aprendizado.

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